{"id":10341,"date":"2009-08-25T07:58:40","date_gmt":"2009-08-25T10:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/?p=10341"},"modified":"2009-08-25T07:58:40","modified_gmt":"2009-08-25T10:58:40","slug":"formas-criativas-para-estimular-a-mente-de-alunos-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=10341","title":{"rendered":"Formas criativas para estimular a mente de alunos com defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><em>O professor deve entender as dificuldades dos estudantes com limita\u00e7\u00f5es de racioc\u00ednio e desenvolver formas criativas para auxili\u00e1-los<\/em><\/p>\n<figure style=\"width: 270px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Foto: Tatianal Cardeal\" src=\"http:\/\/revistaescola.abril.uol.com.br\/img\/inclusao\/223-inclusao1.jpg\" alt=\"Na foto, Enquanto a turma l\u00ea f\u00e1bulas, Mois\u00e9s faz desenhos sobre o tema para exercitar o foco. Foto: Tatianal Cardeal\" width=\"270\" height=\"167\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Na foto, Enquanto a turma l\u00ea f\u00e1bulas, Mois\u00e9s faz desenhos sobre o tema para exercitar o foco. Foto: Tatianal Cardeal<\/figcaption><\/figure>\n<p align=\"justify\">De todas as experi\u00eancias que surgem no caminho de quem trabalha com a inclus\u00e3o, receber um aluno com defici\u00eancia intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos s\u00e3o dados com a L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras). Os cegos t\u00eam o braile como ferramenta b\u00e1sica e, para os estudantes com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, adapta\u00e7\u00f5es no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas por onde come\u00e7ar quando a defici\u00eancia \u00e9 intelectual? Melhor do que se prender a relat\u00f3rios m\u00e9dicos, os educadores das salas de recurso e das regulares precisam entender que tais diagn\u00f3sticos s\u00e3o uma pista para descobrir o que interessa: quais obst\u00e1culos o aluno enfrentar\u00e1 para aprender &#8211; e eles, para ensinar.<\/p>\n<p align=\"justify\">No geral, especialistas na \u00e1rea sabem que existem caracter\u00edsticas comuns a todo esse p\u00fablico (leia a defini\u00e7\u00e3o no quadro desta p\u00e1gina). S\u00e3o tr\u00eas as principais dificuldades enfrentadas por eles: falta de concentra\u00e7\u00e3o, entraves na comunica\u00e7\u00e3o e na intera\u00e7\u00e3o e menor capacidade para entender a l\u00f3gica de funcionamento das l\u00ednguas, por n\u00e3o compreender a representa\u00e7\u00e3o escrita ou necessitar de um sistema de aprendizado diferente. &#8220;H\u00e1 crian\u00e7as que reproduzem qualquer palavra escrita no quadro, mas n\u00e3o conseguem escrever sozinhas por n\u00e3o associar que aquelas letras representem o que ela diz&#8221;, comenta Anna Augusta Sampaio de Oliveira, professora do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Especial da Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp). As caracter\u00edsticas de todas as outras defici\u00eancias voc\u00ea pode ver no especial Inclus\u00e3o, de NOVA ESCOLA (leia o \u00faltimo quadro).<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>A import\u00e2ncia do foco nas explica\u00e7\u00f5es em sala de aula<\/strong><br \/>\nAlunos com dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o precisam de espa\u00e7o organizado, rotina, atividades l\u00f3gicas e regras. Como a sala de aula tem muitos elementos &#8211; colegas, professor, quadro-negro, livros e materiais -, focar o racioc\u00ednio fica ainda mais dif\u00edcil. Por isso, \u00e9 ideal que as aulas tenham um in\u00edcio pr\u00e1tico e instrumentalizado. &#8220;N\u00e3o adianta insistir em falar a mesma coisa v\u00e1rias vezes. N\u00e3o se trata de refor\u00e7o. Ele precisa desenvolver a habilidade de prestar aten\u00e7\u00e3o com estrat\u00e9gias diferenciadas para, depois, entender o conte\u00fado&#8221;, diz Maria Tereza Egl\u00e9r Mantoan, doutora e docente em Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p align=\"justify\">O ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabe\u00e7a, jogo da mem\u00f3ria e imita\u00e7\u00f5es de sons ou movimentos do professor ou dos colegas &#8211; em Geografia, por exemplo, ele pode exercitar a mente tra\u00e7ando no ar com o dedo o contorno de uma plan\u00edcie, planalto, morro e montanha. Tamb\u00e9m \u00e9 importante adequar a proposta \u00e0 idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Nesse caso, o estudo das formas geom\u00e9tricas poderia vir acompanhado de uma atividade para encontrar figuras semelhantes que representem o quadrado, o ret\u00e2ngulo e o c\u00edrculo.<\/p>\n<p align=\"justify\">A meta \u00e9 que, sempre que poss\u00edvel e mesmo com um trabalho diferente, o aluno esteja participando do grupo. A tarefa deve come\u00e7ar t\u00e3o f\u00e1cil quanto seja necess\u00e1rio para que ele perceba que consegue execut\u00e1-la, mas sempre com algum desafio. Depois, pode-se aumentar as regras, o n\u00famero de participantes e a complexidade. &#8220;A pr\u00f3pria sequ\u00eancia de exerc\u00edcios parecidos e agrad\u00e1veis j\u00e1 vai ajud\u00e1-lo a aumentar de forma consider\u00e1vel a capacidade de se concentrar&#8221;, comenta Maria Tereza, da Unicamp.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi o que fez a professora Marina Fazio Sim\u00e3o, da EMEF Professor Henrique Pegado, na capital paulista, para conseguir a aten\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s de Oliveira, aluno com s\u00edndrome de Down da 3\u00aa s\u00e9rie. &#8220;Ele n\u00e3o ficava parado, assistindo \u00e0 aula&#8221;, lembra ela. Este ano, em um projeto sobre f\u00e1bulas, os avan\u00e7os come\u00e7aram a aparecer. &#8220;N\u00f3s lemos para a sala e os alunos recontam a hist\u00f3ria de maneiras diferentes. No caso dele, o primeiro passo foram os desenhos. Depois, escrevi com ele o nome dos personagens e palavras-chave&#8221;, relata ela.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Escrita significativa e muito bem ilustrada<\/strong><br \/>\nA falta de compreens\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o da escrita como representa\u00e7\u00e3o da linguagem \u00e9 outra caracter\u00edstica comum em quem tem defici\u00eancia intelectual. Essa imaturidade do sistema neurol\u00f3gico pede estrat\u00e9gias que servem para a crian\u00e7a desenvolver a capacidade de relacionar o falado com o escrito. Para ajudar, o professor deve enaltecer o uso social da l\u00edngua e usar ilustra\u00e7\u00f5es e fichas de leitura. O objetivo delas \u00e9 acostumar o estudante a relacionar imagens com textos. A elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios sobre o que est\u00e1 sendo feito tamb\u00e9m ajuda nas etapas avan\u00e7adas da alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">A professora Andr\u00e9ia Cristina Motta Nascimento \u00e9 titular da sala de recursos da EM Padre Anchieta, em Curitiba, onde atende estudantes com defici\u00eancia intelectual. Este ano, desenvolve com eles um projeto baseado na autoidentifica\u00e7\u00e3o &#8211; forma encontrada para tornar o aprendizado mais significativo. A primeira medida foi pedir que trouxessem fotos, certid\u00e3o de nascimento, registro de identidade e tudo que poderia dizer quem eram. &#8220;O material vai compor um livro sobre a vida de cada um e, enquanto se empolgam com esse objetivo, eu alcan\u00e7o o meu, que \u00e9 ensin\u00e1-los a escrever&#8221;, argumenta a educadora.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Quem n\u00e3o se comunica&#8230; pode precisar de intera\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOutra caracter\u00edstica da defici\u00eancia intelectual que pode comprometer o aprendizado \u00e9 a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o. A inclus\u00e3o de m\u00fasicas, brincadeiras orais, leituras com entona\u00e7\u00e3o apropriada, poemas e parlendas ajuda a desenvolver a oralidade. &#8220;Parcerias com fonoaudi\u00f3logos devem ser sempre buscadas, mas a sala de aula contribui bastante porque, al\u00e9m de verbalizar, eles se motivam ao ver os colegas tentando o mesmo&#8221;, explica Anna, da Unesp.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa limita\u00e7\u00e3o, muitas vezes, camufla a verdadeira causa do problema: a falta de intera\u00e7\u00e3o. Nos alunos com autismo, por exemplo, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 rara por falta de intera\u00e7\u00e3o. \u00c9 o conv\u00edvio com os colegas que trar\u00e1 o desenvolvimento do estudante. Para integr\u00e1-lo, as dicas s\u00e3o dar o espa\u00e7o de que ele precisa mantendo sempre um canal aberto para que busque o educador e os colegas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para a professora Sumaia Ferreira, da EM Jos\u00e9 de Calazans, em Belo Horizonte, esse canal com Vinicius Sander, aluno com autismo do 2\u00ba ano do Ensino Fundamental, foi feito pela m\u00fasica. O garoto falava poucas palavras e n\u00e3o se aproximava dos demais. Sumaia percebeu que o menino insistia em brincar com as capas de DVDs da sala e com um toca-CD, colocando m\u00fasicas aleatoriamente. Aos poucos, viu que poderia unir o \u00fatil ao agrad\u00e1vel, j\u00e1 que essas atividades aproximavam o menino voluntariamente. Como ele passou a se mostrar satisfeito quando os colegas aceitavam bem a m\u00fasica que escolheu, ela flexibilizou o uso do aparelho e passou a incluir m\u00fasicas relacionadas ao conte\u00fado. &#8220;Vi que ele tem uma mem\u00f3ria muito boa e o vocabul\u00e1rio dele cresceu bastante. Por meio dos sons, enturmamos o Vinicius.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>_______________________________<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte de informa\u00e7\u00e3o: <\/strong><a href=\"http:\/\/saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=26473\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rede SACI<\/a><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor deve entender as dificuldades dos estudantes com limita\u00e7\u00f5es de racioc\u00ednio e desenvolver formas criativas para auxili\u00e1-los De todas as experi\u00eancias que surgem no caminho de quem trabalha com a inclus\u00e3o, receber um aluno com defici\u00eancia intelectual parece a mais complexa. 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