{"id":1155,"date":"2008-09-07T11:26:40","date_gmt":"2008-09-07T11:26:40","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/?p=1155"},"modified":"2008-09-07T11:26:40","modified_gmt":"2008-09-07T11:26:40","slug":"mamae-e-down","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=1155","title":{"rendered":"Mam\u00e3e \u00e9 Down"},"content":{"rendered":"<div class=\"materiaSubtitulo\">H\u00e1 no mundo cerca de 30 casos documentados de mulheres com a s\u00edndrome que deram \u00e0 luz. Uma delas \u00e9 Maria Gabriela, mulher de F\u00e1bio e m\u00e3e da pequena Valentina<\/div>\n<div class=\"materiaCredito\">Solange Azevedo (texto) e Rog\u00e9rio Albuquerque (fotos), de Socorro (SP)<\/div>\n<p><!-- ARTICLE CONTENT --> <!-- MATERIA CONTAINER --><\/p>\n<div id=\"materiaContainer\"><!-- %=corpoPagina%--><\/p>\n<div class=\"fotoMateria box460\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443216,00.jpg\" alt=\"Rog\u00e9rio Albuquerque\" width=\"460\" height=\"380\" \/><\/p>\n<div class=\"descricao\"><strong>EM FAM\u00cdLIA<\/strong><br \/>\nValentina n\u00e3o herdou a defici\u00eancia intelectual do pai, F\u00e1bio, nem a s\u00edndrome de Down da m\u00e3e, Gabriela<\/div>\n<p><!-- foto460 --><\/div>\n<p>Tio, a barriga da Gabriela est\u00e1 dando socos. \u201dFoi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante F\u00e1bio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de \u201cexaminar\u201d o ventre dela. F\u00e1bio n\u00e3o imaginava que as pancadinhas partiam de uma crian\u00e7a em gesta\u00e7\u00e3o. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, tamb\u00e9m de 28 anos, n\u00e3o fazia id\u00e9ia de que estava gr\u00e1vida. Embora estivessem juntos havia tr\u00eas anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, F\u00e1bio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de maneira expl\u00edcita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem s\u00edndrome de Down. F\u00e1bio \u00e9 deficiente intelectual.<\/p>\n<p>Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de F\u00e1bio procurou a m\u00e3e da jovem. \u201cOs dois v\u00eam a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio\u201d, diz Vlademir Cypriano. \u201cEles me contam coisas que n\u00e3o falam para mais ningu\u00e9m.\u201d Um teste de farm\u00e1cia, comprado \u00e0s pressas, n\u00e3o foi suficiente para eliminar a suspeita. \u201cMesmo vendo as duas listrinhas do exame, n\u00e3o acreditava que a minha filha estivesse gr\u00e1vida\u201d, afirma Laurinda Ferreira de Andrade. \u201cLevei Gabriela a tr\u00eas ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um beb\u00ea. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais\u201d. A gesta\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, descoberta aos seis meses, gerou p\u00e2nico e encheu a fam\u00edlia de d\u00favidas. At\u00e9 o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. \u201cForam os mais longos da minha vida\u201d, diz Laurinda. \u201cMinha filha n\u00e3o tinha feito o pr\u00e9-natal desde o in\u00edcio, como \u00e9 recomendado. Por causa da s\u00edndrome de Down, ela poderia ter problemas card\u00edacos. A gravidez era de risco\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de o processo de inclus\u00e3o dos deficientes na sociedade estar distante da perfei\u00e7\u00e3o, Gabriela representa uma gera\u00e7\u00e3o que tem desbravado caminhos. Quando ela nasceu, em 1980, n\u00e3o era comum avistar crian\u00e7as Downs nos arredores de Socorro \u2013 munic\u00edpio paulista de 33 mil habitantes fincado na divisa com Minas Gerais, onde Gabriela cresceu \u2013 nem pelas ruas de grande parte das cidades brasileiras. \u201cNa hora do parto, perguntei ao m\u00e9dico: \u2018Doutor, a minha filha \u00e9 perfeita?\u2019\u201d, diz Laurinda. \u201cEle me respondeu: \u2018O que \u00e9 ser perfeita? \u00c9 ter bra\u00e7os? Pernas? Ent\u00e3o ela \u00e9 perfeita\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Embora desconfiassem do diagn\u00f3stico, nenhum profissional do hospital revelou \u00e0 fam\u00edlia a defici\u00eancia de Gabriela. Afirmaram apenas que ela tinha algum \u201cproblema gen\u00e9tico\u201d. Ao deixar a maternidade, Laurinda procurou ajuda. \u201cFoi um choque descobrir que a minha filha era Down. O m\u00e9dico me contou da pior forma poss\u00edvel. Disse que ela ia ter um monte de doen\u00e7as, ter problemas card\u00edacos e ia morrer. At\u00e9 que uma amiga me alertou que eu teria de escolher entre fech\u00e1-la dentro de casa ou abri-la para o mundo. Vesti a Gabriela com a melhor roupa e sa\u00ed.\u201d<\/p>\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o \u2013 que em parte se deve aos pr\u00f3prios profissionais de sa\u00fade \u2013 perpetua um mito que a ci\u00eancia j\u00e1 derrubou. \u00c9 raro, mas mulheres Downs podem engravidar. \u201cNo mundo todo, h\u00e1 apenas cerca de 30 casos documentados de mulheres Downs que tiveram filhos\u201d, diz Siegfried M. Pueschel, geneticista do Rhode Island Hospital, nos Estados Unidos, um dos maiores estudiosos da s\u00edndrome.<\/p>\n<p>Os homens s\u00e3o quase sempre est\u00e9reis. Na literatura m\u00e9dica, h\u00e1 s\u00f3 tr\u00eas casos descritos de pais Downs. Com as mulheres \u00e9 diferente. \u201cUm ter\u00e7o delas \u00e9 f\u00e9rtil. Um ter\u00e7o ovula irregularmente. E um ter\u00e7o n\u00e3o ovula\u201d, afirma o geneticista Juan Llerena Junior, do Instituto Fernandes Figueira, uma unidade da Fiocruz. \u201cHoje, os jovens que t\u00eam a s\u00edndrome est\u00e3o mais expostos \u00e0 vida social e ao sexo. Muitos deles trabalham, t\u00eam amigos, saem para se divertir. Antes n\u00e3o era assim. Eles ficavam mais reclusos\u201d, diz Pueschel.<\/p>\n<p>A postura positiva de Laurinda, m\u00e3e de Gabriela, foi determinante no desenvolvimento da filha. Gabriela deu os primeiros passos sozinha aos 2 anos e 8 meses. Na inf\u00e2ncia, tinha medo de \u00e1gua e de andar de bicicleta. Afogava-se na piscina, mas pulava de novo at\u00e9 aprender a nadar. Ao andar de bicicleta, ca\u00eda. Ralava as pernas. Subia de volta e pedalava. Apesar dos hematomas que ganhava nas aulas de jud\u00f4, lutou para chegar \u00e0 quarta faixa. Gabriela resistiu aos golpes \u2013 e revidou \u2013, a ponto de pendurar uma medalha no peito. Dan\u00e7ou bal\u00e9. Foi rainha de bateria de escola de samba e tocou tamborim numa ala dominada por homens. Gabriela fica indignada por n\u00e3o dirigir. \u201cSe todo mundo pode, por que eu n\u00e3o posso?\u201d, diz. Em Socorro, cidade do interior paulista onde vive, ela \u00e9 mais popular que o prefeito. Todo mundo conhece um pouco de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Gabriela cresceu longe do pai, aprendendo com a m\u00e3e e os dois irm\u00e3os a n\u00e3o se conformar. \u201cUm deficiente n\u00e3o rende se for poupado. Teria sido mais confort\u00e1vel ser uma m\u00e3e superprotetora. Mas eu decidi criar minha filha para o mundo\u201d, afirma Laurinda. At\u00e9 se descobrir gr\u00e1vida, Gabriela n\u00e3o parava quieta. Fazia aulas de equita\u00e7\u00e3o e treinava muscula\u00e7\u00e3o. Foi na adolesc\u00eancia que ela come\u00e7ou a demonstrar interesse por meninos. Teve permiss\u00e3o para namorar. Para a m\u00e3e, um relacionamento est\u00e1vel e \u00e0s vistas da fam\u00edlia poderia afast\u00e1-la de eventuais aproveitadores.<\/p>\n<p>O primeiro eleito de Gabriela foi Eric, um colega Down da Apae. O namoro correu bem durante anos. At\u00e9 que F\u00e1bio, um amigo de inf\u00e2ncia que voltou a freq\u00fcentar a institui\u00e7\u00e3o, embaralhou a cabe\u00e7a dela. Gabriela o paquerou. Ele resistiu. Gabriela insistiu. F\u00e1bio cedeu. Durante dois meses, Gabriela levou os dois namorados em banho-maria. O tri\u00e2ngulo amoroso terminou quando Laurinda exigiu que a filha tomasse uma decis\u00e3o. A op\u00e7\u00e3o dela por F\u00e1bio fez Eric virar uma fera. Os dois rapazes chegaram a se pegar numa festa de anivers\u00e1rio. F\u00e1bio ainda sente ci\u00fame quando Gabriela encontra antigos colegas da Apae. Eric faz cara feia quando cruza o rival.<\/p>\n<p>Em pouco tempo, F\u00e1bio e Gabriela estariam morando juntos. N\u00e3o foi nada cuidadosamente planejado. O casal tinha dois quartos montados. Um na casa da m\u00e3e dele, a oficial de Justi\u00e7a Benedita Aparecida Marchete, no centro de Socorro. Outro no s\u00edtio de Laurinda. Os 5 quil\u00f4metros que separavam as duas resid\u00eancias se mostraram distantes demais para os namorados. \u201cGabriela trouxe suas coisas aos poucos\u201d, diz Benedita. \u201cUm dia vinha dormir em minha casa e deixava algumas pe\u00e7as de roupa para tr\u00e1s. No dia seguinte, trazia mais. Ela foi ficando\u201d.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias de F\u00e1bio e Gabriela acharam prudente n\u00e3o separar o casal. Laurinda foi criticada. Mexeriqueiros da cidade comentavam que ela havia \u201clargado\u201d a filha. Alheios ao que os outros diziam, F\u00e1bio e Gabriela se tornavam mais e mais c\u00famplices. Ela faz quest\u00e3o de cuidar da sa\u00fade dele. Fica brava se a sogra tenta se antecipar e dar o anticonvulsivo di\u00e1rio para o filho. \u00c9 Gabriela quem escolhe as roupas, faz a barba e lava os cabelos negros de F\u00e1bio. Ele n\u00e3o deixa por menos. Os 4 graus de hipermetropia fizeram Gabriela t\u00e3o dependente de \u00f3culos que ela n\u00e3o os tirava do rosto nem para dormir \u2013 e n\u00e3o permitia que ningu\u00e9m tivesse essa liberdade. F\u00e1bio contornou a mania. Todas as noites, espera Gabriela pegar no sono para tirar os \u00f3culos de seu rosto e soltar seus cabelos longos, lisos e loiros. S\u00f3 depois ele adormece.<\/p>\n<p>A chegada de Valentina, hoje com 5 meses, mudou a rotina de toda a fam\u00edlia de Gabriela. O tio Frederico, estudante de Artes C\u00eanicas na mineira Ouro Preto, visita Socorro com mais freq\u00fc\u00eancia. Outro tio, J\u00fanior, um dentista cheio de pacientes nas redondezas, costuma abrir espa\u00e7o na agenda para zelar pela sobrinha. A av\u00f3 Laurinda passou a viver com a neta. Deixou para tr\u00e1s um confort\u00e1vel s\u00edtio para morar a 70 metros da casa da filha e do genro. Tudo para que Valentina cres\u00e7a junto dos pais. Apesar de viverem com a m\u00e3e dele, Gabriela e F\u00e1bio n\u00e3o passam um dia longe da menina. Sob a supervis\u00e3o da av\u00f3 Laurinda, Gabriela d\u00e1 mamadeira, troca fraldas, brinca e cuida de Valentina. F\u00e1bio n\u00e3o costuma pegar a filha no colo porque ainda tem receio de derrub\u00e1-la. No bolso, carrega todo orgulhoso um celular com a foto de Valentina. \u201cEla vai aprender a chamar o meu nome\u201d, diz.<\/p>\n<p>F\u00e1bio nasceu de cesariana. Dois dias depois, come\u00e7ou a apresentar problemas respirat\u00f3rios. Passou uma semana na incubadora. \u201cO neuropediatra disse que ele deve ter tido uma queda abrupta de a\u00e7\u00facar ou c\u00e1lcio. Como n\u00e3o conseguia respirar, o lado esquerdo do c\u00e9rebro foi afetado\u201d, afirma Benedita. F\u00e1bio come\u00e7ou a andar depois dos 2 anos. Tem problemas motores e na fala. Sua dificuldade com as palavras (somada ao descaso de uma funcion\u00e1ria do cart\u00f3rio de Socorro) atrasou quase tr\u00eas meses o registro do nascimento de Valentina. F\u00e1bio n\u00e3o conseguia pronunciar seu endere\u00e7o e o nome completo da menina: Valentina Andrade Demate e Marchete Moraes. O caso precisou parar na Justi\u00e7a para que Valentina tivesse o nome do pai e da m\u00e3e na certid\u00e3o. Como F\u00e1bio n\u00e3o sabe escrever, Gabriela assinou o documento.<\/p>\n<div class=\"fotoMateria box400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443225,00.jpg\" alt=\"Rog\u00e9rio Albuquerque\" width=\"400\" height=\"280\" \/><\/p>\n<div class=\"descricao\"><strong>UNIDOS<\/strong><br \/>\nA av\u00f3 Laurinda (<em>\u00e0 frente<\/em>) foi morar com a neta a 70 metros da casa da filha e do genro<\/div>\n<p><!-- foto400 --><\/div>\n<p>Valentina n\u00e3o tem s\u00edndrome de Down. Segundo Laurinda, os m\u00e9dicos tamb\u00e9m descartaram a hip\u00f3tese de a menina ter herdado as caracter\u00edsticas de F\u00e1bio, j\u00e1 que a defici\u00eancia dele n\u00e3o teria origem gen\u00e9tica. \u201cA probabilidade de uma mulher Down gerar um filho com a s\u00edndrome \u00e9 de 50%\u201d, diz o pediatra Zan Mustacchi, respons\u00e1vel pelo Departamento de Gen\u00e9tica Cl\u00ednica do Hospital Infantil Darcy Vargas, em S\u00e3o Paulo. Pelo menos metade dos embri\u00f5es Downs n\u00e3o chega a nascer. Terminam em abortos espont\u00e2neos.<\/p>\n<p>Estima-se que sul-americanas t\u00eam, em m\u00e9dia, um beb\u00ea Down para cada 600 nascidos vivos. Grande parte do risco est\u00e1 relacionada \u00e0 idade materna e \u00e9 maior no in\u00edcio e no final da vida reprodutiva. \u201cSempre se falou sobre a \u2018culpa\u2019 da mulher. Hoje, sabemos que em 20% dos indiv\u00edduos Downs o material cromoss\u00f4mico a mais veio do pai, n\u00e3o da m\u00e3e\u201d, diz Mustacchi.<\/p>\n<p>Esclarecer os mitos sobre a s\u00edndrome traz benef\u00edcios \u00e0 sociedade. H\u00e1 cinco d\u00e9cadas, os Downs raramente chegavam \u00e0 idade adulta. Problemas card\u00edacos cong\u00eanitos que afetam quase metade deles e n\u00e3o eram diagnosticados, aliados \u00e0 baixa imunidade n\u00e3o tratada, antecipavam-lhes a morte. Fatores como assist\u00eancia m\u00e9dica mais eficaz e espec\u00edfica e maior inser\u00e7\u00e3o social contribu\u00edram para que a expectativa de vida saltasse para 56 anos, em m\u00e9dia. No Brasil, pelo menos 300 mil crian\u00e7as, adolescentes e adultos t\u00eam a s\u00edndrome. Mais de 5 mil beb\u00eas Down nascem no pa\u00eds a cada ano.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"1\" width=\"650\">\n<tbody>\n<tr>\n<th colspan=\"2\">Entenda a s\u00edndrome de Down<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\">A probabilidade de uma mulher Down gerar um beb\u00ea com a s\u00edndrome \u00e9 de 50%. Desses, pelo menos metade n\u00e3o chega a nascer<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443285,00.jpg\" alt=\"Tamires Hopfgartner\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><strong>O que \u00e9:<\/strong> um acidente gen\u00e9tico durante a divis\u00e3o celular do embri\u00e3o. C\u00e9lulas normais t\u00eam 46 cromossomos divididos em 23 pares. O Down tem um cromossomo extra. Pelo menos metade dos Downs n\u00e3o chega a nascer, pois a m\u00e3e sofre aborto espont\u00e2neo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443284,00.jpg\" alt=\"Tamires Hopfgartner\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><strong>Causa:<\/strong> n\u00e3o existe uma causa. O risco est\u00e1 relacionado \u00e0 idade materna e \u00e9 maior nos extremos da vida reprodutiva. Mulheres de 19 a 24 anos d\u00e3o \u00e0 luz um beb\u00ea Down a cada 1.752 nascidos vivos. Aos 46 anos, a probabilidade \u00e9 de um Down a cada 33<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443295,00.jpg\" alt=\"Tamires Hopfgartner\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><strong>Diagn\u00f3stico:<\/strong> \u00e9 poss\u00edvel fazer durante a gravidez ou ap\u00f3s o parto. Neste caso, s\u00e3o observadas as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do beb\u00ea, como hipotonia muscular, fenda palpebral obl\u00edqua e l\u00edngua protrusa. A confirma\u00e7\u00e3o pode ser feita pelo estudo dos cromossomos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443304,00.jpg\" alt=\"Tamires Hopfgartner\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><strong>Desenvolvimento:<\/strong> Down n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a e n\u00e3o tem cura. Problemas de vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o e mol\u00e9stias card\u00edacas e respirat\u00f3rias s\u00e3o mais freq\u00fcentes nas pessoas que t\u00eam a s\u00edndrome. Quase metade dos beb\u00eas Downs tem cardiopatia cong\u00eanita<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443305,00.jpg\" alt=\"Tamires Hopfgartner\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><strong>Tratamento:<\/strong> as fun\u00e7\u00f5es motoras e mentais de um Down se desenvolvem mais lentamente, por isso a estimula\u00e7\u00e3o precoce com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional \u00e9 fundamental. Os pais devem encorajar ao m\u00e1ximo a independ\u00eancia do filho Down<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"foto\" src=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/foto\/0,,15443306,00.jpg\" alt=\"Tamires Hopfgartner\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><strong>Fertilidade:<\/strong> um ter\u00e7o das mulheres Downs \u00e9 f\u00e9rtil. Um ter\u00e7o ovula irregularmente. E um ter\u00e7o n\u00e3o ovula. Metade dos embri\u00f5es de m\u00e3es Downs tem a s\u00edndrome. Homens, normalmente, s\u00e3o est\u00e9reis. Na literatura m\u00e9dica h\u00e1 apenas tr\u00eas casos descritos de pais Downs<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\">Fontes: William I. Cohen (Down Syndrome Center, Universidade de Pittsburgh, EUA) e geneticistas Zan Mustacchi (Hospital Infantil Darcy Vargas) e Juan Llerena Jr. (Fiocruz\/RJ)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>As recentes conquistas dos Downs devem levar a novos debates. Um dos mais urgentes \u00e9 sobre a sexualidade e os direitos reprodutivos. Quem deve decidir se eles podem ou n\u00e3o ter rela\u00e7\u00f5es sexuais e filhos? \u201c\u00c9 como se coloc\u00e1ssemos nessas pessoas um status permanente de crian\u00e7as, depend\u00eancia e impossibilidade de escolha\u201d, afirma D\u00e9bora Diniz, antrop\u00f3loga e professora de Bio\u00e9tica da Universidade de Bras\u00edlia. Cada caso \u00e9 \u00fanico. E a resposta para cada um deles n\u00e3o deve ser padronizada.<\/p>\n<p>Pela lei, os direitos reprodutivos dos deficientes intelectuais s\u00e3o os mesmos de qualquer cidad\u00e3o. A Justi\u00e7a, no entanto, costuma presumir que nas rela\u00e7\u00f5es sexuais de n\u00e3o-deficientes com deficientes est\u00e1 embutido algum tipo de abuso. Mesmo quando o sexo \u00e9 \u201cconsentido\u201d, a interpreta\u00e7\u00e3o freq\u00fcente \u00e9 que a permiss\u00e3o pode ter sido dada por ingenuidade. \u201cPara grande parte da popula\u00e7\u00e3o, a defici\u00eancia intelectual justifica a imposi\u00e7\u00e3o de outros limites\u201d, diz Mustacchi. De acordo com o m\u00e9dico, por tr\u00e1s dos questionamentos sobre os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes h\u00e1 duas perguntas: \u201cQuem vai cuidar do beb\u00ea?\u201d e \u201cE se ele tamb\u00e9m for deficiente?\u201d.<\/p>\n<p>Quando descobriu a gravidez de Gabriela, essas d\u00favidas tiraram o sono de Laurinda. A av\u00f3 de Valentina achava que, aos 51 anos, n\u00e3o teria for\u00e7a para educar uma crian\u00e7a. O apoio veio dos dois filhos e de amigos. A casa de Laurinda vive cheia. \u00c9 um entra-e-sai o dia inteiro. Todos querem cuidar um pouquinho de Valentina. Carlos Alberto Demate J\u00fanior, o filho mais velho de Laurinda, \u00e9 padrinho da menina. Acabou se tornando seu segundo pai. \u201cO que mais me preocupa \u00e9 a estrutura emocional de Valentina. Como, na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, ela vai lidar com o fato de ter pais excepcionais?\u201d, diz. \u201cEla pode achar o m\u00e1ximo eles terem vencido uma barreira \u2013 ou pode sentir vergonha\u201d.<\/p>\n<div class=\"bannerMateria\"><span>Gabriela faz parte da primeira gera\u00e7\u00e3o Down que tem<br \/>\nrelacionamentos est\u00e1veis e est\u00e1 formando fam\u00edlias<\/span><\/div>\n<p>Valentina nasceu no dia 19 de mar\u00e7o, \u00e0s 19h12. Logo depois do almo\u00e7o, Laurinda notou que a filha entrara em trabalho de parto. Policiais foram abrindo caminho na estrada entre Socorro e Campinas para o carro passar. \u201cMe ajuda, por favor, a gravidez \u00e9 de risco\u201d, gritava a av\u00f3. N\u00e3o adiantou chegar r\u00e1pido \u00e0 maternidade. Gabriela teve de esperar horas at\u00e9 que seu organismo digerisse os dois pratos de comida mineira (tutu de feij\u00e3o, bacon e carne de porco) antes da ces\u00e1rea. Como nos \u00faltimos dias de gravidez ela ficou hospedada no s\u00edtio da m\u00e3e, F\u00e1bio soube do nascimento da filha perto da meia-noite. Aos prantos, pediu que um amigo o levasse ao hospital.<\/p>\n<p>Gabriela \u00e9 a primeira mulher na vida de F\u00e1bio. \u201cA gente nunca o deixava sair sozinho de casa\u201d, diz o motorista Mauro de Moraes, de 52 anos, o pai. \u201cEle mudou depois que come\u00e7ou a namorar Gabriela. Ficou mais independente e parece que est\u00e1 mais inteligente\u201d. Durante a sess\u00e3o de fotos para esta reportagem, F\u00e1bio se interessou pelo notebook e pela c\u00e2mera do fot\u00f3grafo. Fez v\u00e1rias perguntas sobre tecnologia. Logo que Valentina nasceu, F\u00e1bio pediu uma c\u00e2mera digital para o pai. Com ela, o rapaz registra as imagens da filha.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, Gabriela e F\u00e1bio freq\u00fcentam a mesma escola. Ela est\u00e1 no 4\u00ba ano do ensino fundamental. Ele, no 1\u00ba. O casal leva uma vida singela. Na choperia do tio Vlad, F\u00e1bio toma refrigerante ou cerveja sem \u00e1lcool. Gabriela escolhe amarula ou batida de maracuj\u00e1. O gosto pelo sandu\u00edche \u00e9 id\u00eantico: x-frango. O dele com alface. O dela, sem. Um dos passeios prediletos dos dois \u00e9 zanzar pela Pra\u00e7a da Matriz, na frente da casa de Laurinda e Valentina. Todas as quartas-feiras, o casal ajuda o padre na missa. O sonho dos dois \u00e9 se casar na igreja. Mas n\u00e3o serve um casamento modesto. Tem de aparecer na TV. \u201cA gente j\u00e1 mandou at\u00e9 uma carta para o Gugu\u201d, diz Gabriela.<\/p>\n<p>Fonte: Revista \u00c9poca<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI11982-15228-1,00-MAMAE+E+DOWN.html\">http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI11982-15228-1,00-MAMAE+E+DOWN.html<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 no mundo cerca de 30 casos documentados de mulheres com a s\u00edndrome que deram \u00e0 luz. 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