{"id":12340,"date":"2009-11-11T06:30:58","date_gmt":"2009-11-11T09:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=12340"},"modified":"2009-11-11T06:30:58","modified_gmt":"2009-11-11T09:30:58","slug":"a-sexualidade-da-pessoa-com-deficiencia-por-leandra-migotto-certeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=12340","title":{"rendered":"A sexualidade da pessoa com defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong><a rel=\"attachment wp-att-12021\" href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?attachment_id=12021\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-12021\" title=\"Fotografia de Leandra Certeza.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/Leandra_Certeza.jpg\" alt=\"Fotografia de Leandra Certeza.\" width=\"151\" height=\"223\" \/><\/a>por Leandra Migotto Certeza*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A sexualidade faz parte da vida de qualquer ser humano, seja uma pessoa com defici\u00eancia ou n\u00e3o. Ela vai al\u00e9m do sexo, que \u00e9 apenas seu componente biol\u00f3gico. \u201c\u00c9 muito mais do que simplesmente ter um corpo desenvolvido ou em desenvolvimento, apto para procriar e apresentar desejos sexuais\u201d, afirma a orientadora sexual Maria Helena Brand\u00e3o Gherpelli no livro \u201cDiferente, mas n\u00e3o Desigual\u201d (Editora Gente)(1).<\/p>\n<p>Segundo a doutora em psicologia cl\u00ednica e mestre em psicologia social, Ana Rita de Paula a sexualidade est\u00e1 associada ao desenvolvimento da afetividade, \u00e0 capacidade de entrar em contato consigo mesmo e com o outro, elementos fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o da auto-estima. Para a tamb\u00e9m co-autora do livro: \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d (Express\u00e3o &amp; Arte Editora), nossa cultura tende a reduzir a sexualidade \u00e0 fun\u00e7\u00e3o reprodutiva e genital, sem levar em conta a import\u00e2ncia dos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es decorrentes do processo educacional e de vida do indiv\u00edduo. E que cada um pode viver muito bem &#8211; e plenamente &#8211; sua sexualidade, de acordo com o que suas circunst\u00e2ncias lhe permitem(2).<\/p>\n<p>Ana Rita (que tem defici\u00eancia f\u00edsica) afirma em seu livro, a beleza \u00e9, na verdade, uma condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica (e n\u00e3o est\u00e9tica). \u201cConsidera-se belo o que \u00e9 sim\u00e9trico, e pelas leis da natureza, o sim\u00e9trico tem mais chances de ser saud\u00e1vel, portanto \u00e9 mais capaz de propagar os seus genes. A apar\u00eancia f\u00edsica \u00e9 o principal quesito para a atra\u00e7\u00e3o, na fase inicial das rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais, enquanto que a intelig\u00eancia e a personalidade t\u00eam uma import\u00e2ncia secund\u00e1ria nesse mecanismo\u201d(3).<\/p>\n<p>Marcela C\u00e1lamo Vaz Silva, 42 anos, professora e m\u00e3e de dois meninos, n\u00e3o acha que sexualidade seja uma quest\u00e3o a ser resolvida atrav\u00e9s de modelos pr\u00e9-estabelecidos pela m\u00eddia. Aos seis anos, tornou-se parapl\u00e9gica, devido a uma infec\u00e7\u00e3o na medula. \u201cDesde que o mundo \u00e9 mundo, o \u2018belo\u2019 sempre atrai mais, mas isso n\u00e3o significa que na hora de se relacionar com algu\u00e9m, esse \u2018belo\u2019 seja o escolhido. Existem outros fatores importantes, que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ligados \u00e0 est\u00e9tica. Se n\u00e3o fosse assim, n\u00e3o existiriam tantas pessoas bonitas solit\u00e1rias. E isso tem sido cada vez mais comum de se encontrar nos dias atuais\u201d.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Fabiano Phulmann(4), discorda de Marcela, e alerta que em nossa sociedade, a beleza f\u00edsica e a perfei\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o muito valorizadas, e maci\u00e7amente divulgadas pela m\u00eddia, fazendo-nos, erroneamente, atribuir ou restringir a sexualidade ao aspecto f\u00edsico. Para o tamb\u00e9m membro da Sociedade Brasileira de Sexologia Humana: \u201cdiante de tudo isso n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que as pessoas com defici\u00eancia, geralmente, venham ser consideradas \u2018doentes\u2019 e assexuadas. E que quem n\u00e3o tem defici\u00eancia possa sentir mal-estar na presen\u00e7a de quem tem uma defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Fabiano, que \u00e9 tetrapar\u00e9tico (pessoa com paralisia parcial das pernas e dos bra\u00e7os), a defici\u00eancia pode mobilizar sentimentos amb\u00edguos: de atra\u00e7\u00e3o e repulsa, diretamente relacionados, ao medo que as pessoas sem defici\u00eancia t\u00eam de adquirir alguma defici\u00eancia (5). O grande problema \u00e9 que a bi\u00f3loga e especialista em sexualidade humana, Arletty Cec\u00edlia Pinel aponta \u00e9 que, infelizmente, as pessoas com defici\u00eancia ainda s\u00e3o idealizadas como seres fr\u00e1geis, que possuem incapacidades m\u00faltiplas, pobres coitados de quem devemos ocultar tudo o que possa machucar.<\/p>\n<p>A equipe do Instituto de Estudos e Pesquisas, Amamkay, respons\u00e1vel pela pesquisa: \u201cPessoas com defici\u00eancia e HIV\/aids: interfaces e perspectivas: uma pesquisa explorat\u00f3ria\u201d alerta para os mitos de fragilidade e invisibilidade que a sociedade ainda tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade das pessoas com defici\u00eancia. Um dos principais resultados divulgados pelo instituto em 2009, foi ainda \u00e9 bastante arraigado, tanto entre familiares quanto entre profissionais e educadores, o mito de que a sexualidade das pessoas com defici\u00eancia \u00e9, por natureza, intrinsecamente problem\u00e1tica e at\u00e9 patol\u00f3gica. Dificilmente imaginam que essa pessoa possa, sequer, sentir desejo ou que seja capaz de se relacionar amorosa e sexualmente, casar e formar a sua fam\u00edlia\u201d(6).<\/p>\n<figure style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"150\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Tr\u00eas homens bem estranhos, e com cara de assustados, olham espantados uma mo\u00e7a sentada em sua cadeira de rodas, feliz da vida, junto com seu marido que a empurra por de tr\u00e1s da cadeira. Os bal\u00f5es de di\u00e1logo dizem respectivamente: \u201cS\u00f3 um monstro \u00e9 capaz de fazer isso com a coitadinha\u201d. \u201cTarado\u201d. \u201cPena de morte\u201d. A mo\u00e7a est\u00e1 apenas GR\u00c1VIDA. <\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">Hist\u00f3rias de amor<\/p>\n<p>Segundo a assistente social, Nina Regem e, a doutora em psicologia cl\u00ednica Ana Rita de Paula, a sexualidade se desenvolve a partir do modo como nos enxergamos e percebemos que as pessoas nos enxergam. Embora as sensa\u00e7\u00f5es de prazer se d\u00eaem no corpo material; a sexualidade se constr\u00f3i e se expressa no corpo simb\u00f3lico, ou seja, no corpo que temos em mente, na imagem que fazemos dele, nas fantasias que temos com ele. \u201cN\u00f3s conhecemos nosso corpo ao andar, ao fazer amor, aos nos lavar, do mesmo modo que o conhecemos por meio da dor, da doen\u00e7a e das emo\u00e7\u00f5es. Esta bagagem inclui experi\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, imagin\u00e1rias e reais, do presente e do passado\u201d (7).<\/p>\n<p>Para estas especialistas, muitas pessoas com defici\u00eancia s\u00f3 tiveram experi\u00eancias distantes do prazer. \u201cDurante anos, seu corpo foi (ou \u00e9) alvo de interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, fisioter\u00e1picas ou corretivas que n\u00e3o contribuem para despertar o erotismo. Ao contr\u00e1rio, apontam o que h\u00e1 de errado, diferente, que precisa ser \u2018consertado\u2019, \u2018normatizado\u2019, caso contr\u00e1rio ser\u00e1 sempre um corpo doente. Como se isso n\u00e3o bastasse, o espelho para o mundo \u00e9 um padr\u00e3o de corpo perfeito. Como fica, ent\u00e3o, a auto-estima da pessoa com defici\u00eancia? A tend\u00eancia \u00e9 n\u00e3o se achar atraente, duvidar que possa ser alvo do desejo dos outros\u201d (8).<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Fabiano Puhlmann, conta ser freq\u00fcente as pessoas verem um homem com defici\u00eancia junto com uma mulher bonita que n\u00e3o tem defici\u00eancia e logo pensarem: ou \u00e9 compaix\u00e3o ou ele \u00e9 rico. Ningu\u00e9m imagina que essas pessoas tenham uma vida sexual ativa. \u201cUma cliente minha, que nasceu com uma defici\u00eancia, estava gr\u00e1vida. Ao pegar um t\u00e1xi, o motorista perguntou quem foi que lhe tinha feito aquilo. Como se ela tivesse sido estuprada e n\u00e3o tivesse escolhido a gravidez como todo mundo, ou como se n\u00e3o tivesse sexualidade e n\u00e3o fosse f\u00e9rtil\u201d.<\/p>\n<figure style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com2.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"152\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Tr\u00eas homens bem estranhos, e com cara de assustados, olham espantados uma mo\u00e7a sentada em sua cadeira de rodas, feliz da vida, junto com seu marido que a empurra por de tr\u00e1s da cadeira. Os bal\u00f5es de di\u00e1logo dizem respectivamente: \u201cS\u00f3 um monstro \u00e9 capaz de fazer isso com a coitadinha\u201d. \u201cTarado\u201d. \u201cPena de morte\u201d. A mo\u00e7a est\u00e1 apenas GR\u00c1VIDA. <\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em pleno s\u00e9culo XXI, ainda acredita-se que a mulher e o homem com defici\u00eancia n\u00e3o t\u00eam sexualidade. Eles tendem a serem vistos de forma infantilizada, a serem protegidos e cuidados &#8211; (esta postura ainda \u00e9 bastante comum, especialmente com adolescentes com defici\u00eancia intelectual). Esse estigma tamb\u00e9m traz outros grandes equ\u00edvocos. Por exemplo: mulheres com defici\u00eancia f\u00edsica, em cadeira de rodas, n\u00e3o podem ter filhos ou praticar o ato sexual; ou mulheres e\/ou os homens cegos possuem um toque mais sens\u00edvel, o que tornaria o ato sexual muito mais prazeroso. Tamb\u00e9m paira o mito de que as pessoas com defici\u00eancia intelectual s\u00e3o sem-vergonhas, inconvenientes, e masturbadores compulsivos, por terem uma suposta sexualidade exacerbada e sem governo. Enfim, s\u00e3o muitos os equ\u00edvocos que precisam ser desfeitos!<\/p>\n<p>A mulher com defici\u00eancia f\u00edsica ou motora, pode ou n\u00e3o ter filhos, pois n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o nenhuma entre defici\u00eancia (seja ela qual for) e fertilidade, a n\u00e3o ser que a infertilidade seja ocasionada por fator externo \u00e0 defici\u00eancia, assim como ocorre com mulheres sem defici\u00eancia. A mulher ou o homem com defici\u00eancia visual pode exercer sua sexualidade usando ou n\u00e3o o tato; assim como escolher se querem ter filhos ou n\u00e3o. Pessoas com defici\u00eancia intelectual podem exercer sua sexualidade, respeitando as conven\u00e7\u00f5es do que pode ser feito em p\u00fablico ou n\u00e3o. \u00c9 importante levar esta informa\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, pois quem nunca teve a oportunidade de conviver com uma mulher ou homem com defici\u00eancia, provavelmente carrega estes falsos conceitos consigo. Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental que o adolescente com defici\u00eancia possa reconhecer sua sexualidade. \u00c9 justamente em decorr\u00eancia deste auto-reconhecimento que o outro passar\u00e1 a enxerg\u00e1-la com este atributo e como uma possibilidade amorosa.<\/p>\n<figure style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com3.jpeg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"148\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. O cen\u00e1rio \u00e9 um muro velho, descascado e pichado. Um homem sem defici\u00eancia pergunta a uma mulher que est\u00e1 na cal\u00e7ada, apontando para sua barriga: \u201c\u00c9 barriga d\u2019\u00e1gua?\u201d. A mulher gr\u00e1vida, sentada em sua cadeira de rodas, faz uma cara de muito brava e pontos de interroga\u00e7\u00e3o e exclama\u00e7\u00e3o aparecem sobre sua cabe\u00e7a.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Marcela: \u201cas pessoas que t\u00eam oportunidades de terem contato com outras, t\u00eam muito mais chance de se relacionarem. No caso das com defici\u00eancia, h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores que interferem nisso, como barreiras arquitet\u00f4nicas, (que dificulta o acesso aos lugares), e os pr\u00e9-conceitos daqueles que os enxergam como seres imaculados, etc. Quem n\u00e3o sai de casa, dificilmente conseguir\u00e1 namorar ou \u2018ficar\u2019 com algu\u00e9m. Mas nas comunidades do Orkut na Internet d\u00e1 para sentir que as pessoas com defici\u00eancia est\u00e3o buscando as mesmas coisas que as sem defici\u00eancia, inclusive relacionamentos que envolvam amor e sexo. Ningu\u00e9m est\u00e1 \u00e0 procura de cuidados, mas sim de troca, e de um companheiro (a) para viver um relacionamento em que haja, sobretudo, reciprocidade\u201d.<\/p>\n<p>A jornalista e doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica e professora do curso de Comunica\u00e7\u00e3o e Turismo da Universidade Federal da Para\u00edba, Joana Belarmino (que tem defici\u00eancia visual total), concorda com Marcela. Para Joana: \u201ca sociedade evoluiu, material e culturalmente, e ampliou os espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o dos seus grupos. Entretanto, no cotidiano das suas pr\u00e1ticas e costumes, aferra-se aos arqu\u00e9tipos primeiros da cria\u00e7\u00e3o do sujeito humano, os quais fundamentaram ao estigma e o preconceito, fazendo com que persistissem para n\u00f3s mulheres: cegas, surdas, com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou outras, o tra\u00e7o da desvantagem, da desqualifica\u00e7\u00e3o, da desconsidera\u00e7\u00e3o, ou da considera\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmas, a partir da supervaloriza\u00e7\u00e3o da nossa defici\u00eancia, como a falha mais vis\u00edvel. Isso inviabiliza uma percep\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos, como sujeitos humanos globais\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Uma pergunta que sempre me fazem \u00e9 se meu marido tamb\u00e9m tem alguma defici\u00eancia. Achavam natural, que uma pessoa com defici\u00eancia procurasse se unir a outro, cuja defici\u00eancia fosse igual ou parecida com a sua, pois assim seriam compreendidos completamente e, conseq\u00fcentemente, mais felizes. N\u00e3o tenho nada contra quem se une a algu\u00e9m \u2018igual\u2019 mas, o que n\u00e3o entendo \u00e9 pensar que com o \u2018igual\u2019, a chance de ser feliz ser\u00e1 maior. Crescemos convivendo com pessoas cujas cren\u00e7as, pensamentos, cultura, limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes das nossas. Conviver com diferen\u00e7as sempre nos faz crescer, sejam elas quais forem, e a a\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria gera discrimina\u00e7\u00e3o, grupos fechados e guetos. Ent\u00e3o, por que algumas pessoas com defici\u00eancia acreditam que s\u00f3 ser\u00e3o aceitas e felizes unindo-se a outras pessoas com defici\u00eancia?, questiona Marcela em seu BLOG: http:\/\/www.tchela.blogspot.com\/&#8221;. \u201cQuando Ricardinho nasceu, minha fam\u00edlia toda ficou festejou. N\u00e3o era apenas mais uma crian\u00e7a na fam\u00edlia, mas sim, \u2018o filho da Marcela\u2019. A mesma Marcela que, desde crian\u00e7a, despertava d\u00favidas sobre o futuro. Se algu\u00e9m ainda se preocupava em saber se minha paraplegia faria diferen\u00e7a em minha vida, capacidade reprodutiva e felicidade, depois da chegada de Ricardinho isso ficou definitivamente esquecido. As d\u00favidas deram lugar \u00e0s certezas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComecei a namorar tarde. Achava que ningu\u00e9m ia me aceitar. PC se apaixona tamb\u00e9m, fica boba, e se sente mais rejeitada ainda. V\u00ea que seus horizontes s\u00e3o mais imposs\u00edveis ainda. E tem muitas dificuldades em rela\u00e7\u00e3o ao sexo. Tem algumas coisas que s\u00e3o dif\u00edceis mesmo. Posi\u00e7\u00f5es e m\u00fasculos que n\u00e3o funcionam como deveriam, outros que funcionam mais do que deveriam. Voc\u00ea vai fazer sexo com um apoio no bra\u00e7o e n\u00e3o consegue. N\u00e3o \u00e9 igual todo mundo faz. Tudo depende de uma adapta\u00e7\u00e3o. Tem que ter uma colabora\u00e7\u00e3o muito grande do parceiro, principalmente, quando se tem espasticidade, que \u00e9 incontrol\u00e1vel. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o outro PC casado. Eu conhe\u00e7o pessoas com hemiplegia e paraplegia casados, mas PC n\u00e3o\u201d, desabafou Maria (nome fict\u00edcio) entrevistada para o livro \u201cParalisado Cerebral \u2013 Constru\u00e7\u00e3o da Identidade na Exclus\u00e3o\u201d (Cabral Editora Universit\u00e1ria), escrito por, Suely Harumi Satow, mestre e doutora em psicologia social, e bacharel em filosofia e comunica\u00e7\u00e3o social(9).<\/p>\n<figure style=\"width: 216px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com4.jpeg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"163\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Tr\u00eas homens e uma mulher est\u00e3o \u2018desabando\u2019 sobre uma mo\u00e7a sentada em sua cadeira de rodas. Eles gritam, fazem gestos bruscos com as m\u00e3os apontando o dedo em riste para ela. Todos est\u00e3o com os dentes de fora, e com caras de extremamente bravos. A mulher na cadeira de rodas est\u00e1 chorando, extremamente assustada e com uma raiva enorme. Ao fundo da cena dois homens conversam estarrecidos. Os bal\u00f5es de di\u00e1logos dizem, respectivamente: \u201cPor que tanta viol\u00eancia?\u201d. \u201cEla vai se casar com um deficiente f\u00edsico\u201d. <\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Suely que possui incapacidade motora cerebral (IMC, erroneamente popularizada como PC \u2013 paralisia cerebral), as pessoas com IMC, podem passar por dificuldades maiores do que as demais pessoas com defici\u00eancia, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua sexualidade(10). \u201cEu sei que a PC n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria, mas eu tenho muito medo de ter um filho deficiente. Acho que n\u00e3o tenho for\u00e7a para ter um parto normal. Ainda sinto muita vergonha de mim mesma, e isso \u00e9 o que \u00e9 o dif\u00edcil da aceita\u00e7\u00e3o pessoal\u201d, contou Maria \u00e0 Suely.<\/p>\n<p>Para a professora e doutora em psicologia, Bader Burihan Sawaia, \u00e9 preciso compreender que exclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um estado que uns possuem, outros n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 exclus\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o. Ambos fazem parte de um mesmo processo \u2013 \u201co de inclus\u00e3o pela exclus\u00e3o\u201d &#8211; face moderna do processo de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. O exclu\u00eddo n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 margem da sociedade, ele participa dela, e mais, a rep\u00f5e e a sustenta, mas sofre muito, pois \u00e9 inclu\u00eddo at\u00e9 pela humilha\u00e7\u00e3o e pela nega\u00e7\u00e3o de humanidade, mesmo que partilhe de direitos sociais no plano legal. Segundo a doutora Bader: \u201ca inclus\u00e3o pela humilha\u00e7\u00e3o objetiva-se das mais variadas formas, desde a inclus\u00e3o pelo \u201cex\u00f3tico\u201d at\u00e9 a inclus\u00e3o pela \u201cpiedade\u201d (personagem coitadinho), e n\u00e3o tem uma \u00fanica causa. O estigma de ter uma defici\u00eancia interpenetra-se com outras determina\u00e7\u00f5es sociais como classe, g\u00eanero, etnia e capacidade de auto-diferencia\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, configurando variadas estrat\u00e9gias de objetiva\u00e7\u00e3o da reifica\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as\u201d (11).<\/p>\n<figure style=\"width: 159px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com5.jpeg\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"138\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Um casal vestidos socialmente est\u00e3o sentados em uma mesa dentro de um restaurante. O gar\u00e7om coloca a m\u00e3o sobre a cabe\u00e7a da mulher como se estivesse fazendo cafun\u00e9 em um nen\u00ea, e diz para ela: \u201cVai pap\u00e1, n\u00e9?\u201d. A esposa sentada em uma cadeira de rodas, com vestido longo, colar de p\u00e9rola, e sapato de salto alto, faz cara de raiva, e um sinal de interroga\u00e7\u00e3o aparece sobre sua cabe\u00e7a. O seu marido sem defici\u00eancia l\u00ea calmamente o card\u00e1pio. <\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 por isso, ainda existe muito preconceito entre a uni\u00e3o de uma pessoa com defici\u00eancia e outra sem. Sidney T. Souza e D\u00e9bora K. Souza s\u00e3o casados h\u00e1 mais de 21 anos e t\u00eam dois filhos adolescentes. D\u00e9bora, 43 anos \u00e9 representante comercial e n\u00e3o tem defici\u00eancia. Sidney, 43 anos, cego total, \u00e9 bacharel em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, e analista de sistemas. \u201cEra comum perguntarem quando nos viam juntos se \u00e9ramos irm\u00e3os. Sou moreno de olhos castanhos e minha esposa \u00e9 bem clara e tem olhos verdes. N\u00e3o h\u00e1 nada que nos fa\u00e7a parecer irm\u00e3os. Quando fal\u00e1vamos que \u00e9ramos namorados alguns diziam: Parab\u00e9ns! Mas no fundo questionavam preconceituosamente: Como um cego conseguiu arrumar uma namorada? Ou como uma jovem, apesar de bonita, se disp\u00f4s a NAMORAR um CEGO? Al\u00e9m disso, uma colega da minha esposa, felizmente de pouca influ\u00eancia e nada persuasiva, fez um coment\u00e1rio depreciativo ao saber que ela estava namorando comigo. O coment\u00e1rio foi: voc\u00ea est\u00e1 matando cachorro a grito?\u201d(12).<\/p>\n<figure style=\"width: 215px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com6.jpeg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"156\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Um pai com defici\u00eancia f\u00edsica est\u00e1 radiante sentado em sua cadeira de rodas com seu filho nos bra\u00e7os. Ele o ergue com muita alegria e sorri. O beb\u00ea n\u00e3o tem nenhuma defici\u00eancia aparente. Duas mulheres sem defici\u00eancia fazem cara feia, franzem a testa, olham com desprezo e muita arrog\u00e2ncia, e comentam nos bal\u00f5es de di\u00e1logo, respectivamente: \u201cSeu filho? N\u00e3o parece nada com voc\u00ea!\u201d. \u201cO nariz \u00e9 do padeiro. A boca \u00e9 do...\u201d. <\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 para o casal Claudia Sofia Pereira e Carlos J. Rodrigues, o preconceito que enfrentaram, no primeiro momento, partiu de alguns membros da fam\u00edlia de Carlos, que ficaram preocupados por os dois serem surdocegos (defici\u00eancia \u00fanica que apresenta as defici\u00eancias auditiva e visual concomitantemente em diferentes graus) (13). \u201cPensaram que n\u00e3o t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es de ter uma autonomia de vida h\u00e1 dois. Namoramos tr\u00eas anos, e nos conhecemos em 1994 por correspond\u00eancias em Braille. Estamos casados, h\u00e1 2 anos e 6 meses, e somos muito felizes. Ainda n\u00e3o temos filhos, mas pretendemos ter conforme Deus quiser, no m\u00e1ximo dois\u201d, conta Claudia.<\/p>\n<p>Carlos, 48 anos, diretor de esportes do Grupo Brasil \u00e9 surdo total e tem baixa vis\u00e3o. J\u00e1 Claudia, 39 anos, \u00e9 surdocega total e coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Surdocegos. Eles t\u00eam esperan\u00e7a que os surdoscegos tenham um futuro melhor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, pois sabem que eles ainda sofrem muitas discrimina\u00e7\u00f5es. Para Claudia tamb\u00e9m \u00e9 muito importante que a sociedade saiba que as pessoas com defici\u00eancia t\u00eam capacidade de ter um relacionamento amoroso feliz! (14)<\/p>\n<p>A felicidade tamb\u00e9m est\u00e1 presente na vida de Rita de C\u00e1ssia N. Pokk, 27 anos. Em 2003, casou-se com Ariel J. Goldenberg, 27 anos, tamb\u00e9m com defici\u00eancia intelectual. Ariel sempre diz que todas as pessoas com s\u00edndrome de Down t\u00eam direito de sonhar, trabalhar, casar, e se desejarem, morarem sozinhos depois de casados. \u201cO casamento para mim representa duas pessoas que se amam muito e que tem respeito um pelo outro. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 amor, sexo e cama. Um casal tem que ceder em algumas coisas. Dar carinho, amor, afeto e compreens\u00e3o. No casamento n\u00e3o deve ter brigas e nem discuss\u00e3o. Tem que ter \u00e9 paz, harmonia e amor. Quando eu estava entrando com meu pai para casar e vi o Ariel l\u00e1 na frente de terno cinza muito lindo eu senti muita emo\u00e7\u00e3o, porque daquele momento em diante eu ia ficar para sempre com o homem que eu amo\u201d, conta Rita. \u201cQuando eu vi a Rita entrar vestida de noiva de bra\u00e7o dado com o pai dela eu me emocionei tanto, que derramei algumas l\u00e1grimas. Agradeci a Deus, pois o meu grande sonho estava se realizando, eu ia casar com a mulher que eu amo\u201d, confessa Ariel (15).<\/p>\n<p>O publicit\u00e1rio, H\u00e9lio da Silva Pottes, e a enfermeira, K\u00eania M. Hubner Pottes, ambos com 52 anos, tamb\u00e9m s\u00e3o felizes h\u00e1 18 anos. Do casamento de duas pessoas com nanismo acondropl\u00e1sico, nasceu Maria Rita, 16 anos, estudante an\u00e3. \u201cConsidero a nossa sexualidade dentro dos par\u00e2metros de normalidade. O \u00fanico receio que tivemos era engravidar fora de hora, pois \u00e9ramos estudantes. Ent\u00e3o, resolvi fazer uso de contraceptivo por um tempo. Depois nos cuid\u00e1vamos porque n\u00e3o pude continuar tomando-os por ter engordado muito. Mas alguns familiares se preocupavam com o risco de eu engravidar e gerar problemas de sa\u00fade tanto para m\u00e3e como para o beb\u00ea\u201d, conta K\u00eania. Para ela, por falta de conhecimento e cultura, nossa sociedade considera muitas vezes a pessoa com defici\u00eancia \u2018assexuada\u2019. \u201c\u00c9 pura ignor\u00e2ncia e individualismo, al\u00e9m de ser mais c\u00f4modo do que entender e respeitar que as pessoas, embora diferentes no seu estado f\u00edsico, s\u00e3o muito semelhantes nos instintos e nas emo\u00e7\u00f5es\u201d, conclui K\u00eania (16).<\/p>\n<figure style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com7.jpeg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"147\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Um casal apaixonado est\u00e1 se beijando no meio da rua. \u2018Cora\u00e7\u00f5es saem das suas cabe\u00e7as\u2019. Dois homens com cara de espanto e completamente at\u00f4nitos com o que est\u00e3o vendo, exclamam nos bal\u00f5es de di\u00e1logo, respectivamente: \u201cEle precisa \u00e9 de uma mulher normal para cuidar dele\u201d. \u201cSer\u00e1 que eles conseguem\u201d. O casal vive sobre uma cadeira de rodas e t\u00eam defici\u00eancia f\u00edsica. <\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">A psic\u00f3loga Ana Rita explica que no in\u00edcio dos anos oitenta a sexualidade, finalmente, come\u00e7ou a ser timidamente abordada dentro de outros contextos, como por exemplo: a adolesc\u00eancia; o desempenho de pap\u00e9is sexuais; a gravidez; e o planejamento familiar para casais com defici\u00eancia. Para ela, estes estudos j\u00e1 revelam uma tend\u00eancia, embora t\u00eanue, de elaborar uma an\u00e1lise mais psicossocial do que meramente org\u00e2nica e genital.<\/p>\n<p>No entanto, como o enfoque do estudo da sexualidade das pessoas com defici\u00eancia ainda \u00e9 desenvolver t\u00e9cnicas de interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e de aconselhamento visando ao ajustamento social, ainda persiste o vi\u00e9s de patologizar a sexualidade e a defici\u00eancia. S\u00f3 mais recentemente a abordagem psicossocial come\u00e7ou a assumir timidamente lugar de destaque. Ent\u00e3o, a \u00eanfase passou a ser colocada no direito a exercer uma vida sexual satisfat\u00f3ria e na possibilidade de conquistar afeto e autonomia por meio de viv\u00eancias afetivo-sexuais (17).<\/p>\n<p>Os especialistas afirmam que o verdadeiro processo de inclus\u00e3o social eficaz deve ampliar essas vis\u00f5es estereotipadas ao favorecer o resgate da sexualidade e da eroticidade das pessoas com defici\u00eancia. \u201cSer er\u00f3tico \u00e9 possuir a vida, a liberdade, o movimento, o calor compartilhado. A pessoa com defici\u00eancia precisa ser um homem ou mulher em busca de prazer, com responsabilidade e equil\u00edbrio, seguros de sua capacidade de envolver o ser amado e de se apaixonar\u201d, explica o psic\u00f3logo Fabiano (18).<\/p>\n<figure style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.saci.org.br\/imagens\/textos\/mail.google.com8.jpeg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"162\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco de Ricardo Ferraz. Em uma rua que mais parece um beco, todo sujo, pichado, com as paredes do muro descascando, lixo espalhado e uma casca de banana no ch\u00e3o, tr\u00eas mulheres passam de costas por um homem com defici\u00eancia f\u00edsica que est\u00e1 na cal\u00e7ada, sentando em sua cadeira de rodas. Ele aparente ter uns 30 anos ou mais, e n\u00e3o tem as duas pernas. No bal\u00e3o de di\u00e1logo est\u00e1 escrito: \u201cOi, garota do meio. Voc\u00ea \u00e9 uma gata\u201d. As tr\u00eas mulheres s\u00e3o respectivamente: uma que usa um par de muletas e tem uma perna menor do que a outra; uma pessoa sem qualquer defici\u00eancia aparente, e outra mulher obesa, tamb\u00e9m sem defici\u00eancia aparente.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cDepois de parapl\u00e9gico, sem for\u00e7as nas pernas para me manter ativo por cima de uma mulher numa rela\u00e7\u00e3o sexual, o \u00fanico jeito era ficar por baixo dela. Posi\u00e7\u00e3o privilegiada que proporciona ao homem contemplar, reparar, ver muito mais essa pretensa captura dos interiores femininos, e concluir, de uma vez por todas, que o grande capturado \u00e9 ele (&#8230;). Antes, na afoiteza de atingir a ejacula\u00e7\u00e3o, permanecia por cima com a cabe\u00e7a afundada na cama \u2013 e o pior, de olhos fechados. Sem pernas para essa cavalgada, descobri os dois mais extensos \u00f3rg\u00e3os sexuais de meu corpo: meus olhos. Apreciar o coito e admir\u00e1-lo nas min\u00facias da f\u00eamea em pleno erotismo, tal c\u00e1lice consagrando-se ao deixar-se penetrar: a triangular emin\u00eancia do p\u00fabis exaltada pela abertura das coxas, a cintura vol\u00e1til, os bra\u00e7os diluindo-se em gestos org\u00e1sticos e, de vez em quando, os seios aben\u00e7oando-me os l\u00e1bios\u201d, relatou o pintor Jo\u00e3o Carlos Pecci,(19). Jo\u00e3o ficou parapl\u00e9gico (sem os movimentos dos bra\u00e7os e das pernas) ap\u00f3s um acidente de carro em 1968, e \u00e9 autor do livro \u201cVelejando a Vida\u201d (editora Saraiva), obra que narra sua trajet\u00f3ria para engravidar sua amada, que deu a luz a uma linda menina, ap\u00f3s muito carrinho e \u00f3timos tratamentos. E hoje ele seduz a vida em todos os sentidos.<\/p>\n<p>Um dos aspectos mais importantes da sexualidade da pessoa com defici\u00eancia, segundo Fabiano, \u00e9 a sedu\u00e7\u00e3o. \u201cPara seduzir voc\u00ea precisa saber quais s\u00e3o as suas for\u00e7as. Se algu\u00e9m acha que n\u00e3o tem nenhum poder de sedu\u00e7\u00e3o porque tem defici\u00eancia, ou se a cadeira de rodas \u00e9 um peso enorme, o outro sempre vai v\u00ea-lo no papel de amigo. Desta forma fica dif\u00edcil para a pessoa que n\u00e3o tem defici\u00eancia se envolver, pois \u00e9 um horizonte novo. Ela tem ansiedades, medo, resist\u00eancias. Se quem tem defici\u00eancia sabe disso, ele consegue facilitar para o outro. Se ela consegue se relacionar no meio social, passeia, tem amigos, a chance de conseguir ter um parceiro \u00e9 muito grande\u201d.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo esclarece que pensando em uma pessoa que ficou com uma defici\u00eancia \u00e9 preciso redescobrir o corpo como um todo. Para ele h\u00e1 v\u00e1rias formas. \u201cA principal \u00e9 se tocar de novo, ver as \u00e1reas sens\u00edveis e er\u00f3genas. Explorar a sensibilidade como um todo. Imagine uma pessoa que sentia seu corpo inteiro e de repente p\u00e1ra de sentir. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso usar recursos para flexibilizar os valores porque, \u00e0s vezes, \u00e9 preciso inverter o jeito que se observava as coisas. Caso a pessoa com defici\u00eancia seja muito \u2018quadrada\u2019, \u00e9 preciso torn\u00e1-la mais male\u00e1vel, com cursos de dan\u00e7a inclusiva &#8211; nos quais as pessoas s\u00e3o tocadas e desenvolvem a sensibilidade &#8211; ou com a ida a sex shops. A pessoa com defici\u00eancia vai a uma loja dessas e v\u00ea o que as pessoas compram como brinquedos de masturba\u00e7\u00e3o, camisinhas com extens\u00e3o de p\u00eanis e etc. Isso faz com que ela comece a ver o sexo de forma mais solta, com mais humor\u201d, conclui Fabiano.<\/p>\n<p>Fabiano explica que nosso crescimento pessoal n\u00e3o depende s\u00f3 do outro, mas de n\u00f3s mesmos. Lutando, aprendendo, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es e nos lapidando, cada um de n\u00f3s pode desenhar o seu mapa do amor. A educa\u00e7\u00e3o tem muito a ganhar com o trabalho de pessoas guiadas por mapas do amor. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 acolhimento, disponibilidade, prazer. Requer compet\u00eancia interna, para organizar a si pr\u00f3prio e externamente, para ir ao encontro do outro. Al\u00e9m de coragem para se despir de preconceitos, sobretudo na hora de lidar com pessoas, que est\u00e3o fora do que \u00e9 erroneamente considerado padr\u00e3o em uma sociedade. Atributos como esses s\u00e3o fundamentais para desmistificar a sexualidade das pessoas com defici\u00eancia, e entender o que o pintor Jo\u00e3o Carlos Pecci disse:<\/p>\n<p>\u201c&#8230;a jun\u00e7\u00e3o sexual que inclui um homem parapl\u00e9gico n\u00e3o permite somente um maestro e uma \u00fanica batuta a marcar o compasso e o andamento er\u00f3ticos. Induz a uma reg\u00eancia diversificada: m\u00e3os que falam, l\u00e1bios que percorrem, bra\u00e7os que inventam pernas. Multiplicar os dedos em profundas estrat\u00e9gias onde a rigidez de um p\u00eanis n\u00e3o consegue se manter com a necess\u00e1ria demora de um pesquisador. Dotar o toque de uma press\u00e3o quase cient\u00edfica, que n\u00e3o seja constrangedora e muito menos impercept\u00edvel (aconselha-se um treinamento numa p\u00e9tala de rosas&#8230;), lastrear a boca com a avidez de um rec\u00e9m-nascido e a habilidade de um pistonista e deix\u00e1-la sem r\u00e9deas por onde os l\u00e1bios se encaixarem com maior compet\u00eancia. Entro no funil do orgasmo quando me largo em \u00eaxtase, num enlevo incontido ao percorrer-me inteiro (corpo + esp\u00edrito) envolvido no gozo da mulher, mesmo sem sentir o corpo dela sobre o meu\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12544\" aria-describedby=\"caption-attachment-12544\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/Sociedade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12544 \" title=\"Sociedade\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/Sociedade-300x216.jpg\" alt=\"Sociedade\" width=\"240\" height=\"173\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12544\" class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Cartum em preto e branco do desenhista Ricardo Ferraz. Quatro homens carregando um grande l\u00e1pis como se fosse uma torra pesada de madeira. Eles a empurram juntos para conseguirem entrar em uma porta que simboliza a Sociedade, palavra que est\u00e1 escrita em cima da porta. Os tr\u00eas homens representam as defici\u00eancias: f\u00edsica (em uma cadeira de rodas); visual (com \u00f3culos escuros); e outro com tra\u00e7os f\u00edsicos de pessoas com S\u00edndrome de Down. O quarto homem aparenta n\u00e3o ter nenhuma defici\u00eancia. Em cima no desenho est\u00e1 escrito: \u201cQueremos botar o nosso bloco na rua\u201d, junto com duas notas musicais.<\/figcaption><\/figure>\n<p>1- Editora Gente \u2013 Brasil.<br \/>\n2- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n3- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n4- Fabiano Puhlmann \u00e9 membro da Sociedade Brasileira de Sexologia Humana. Terapeuta sexual h\u00e1 mais 16 anos se formou no Instituto H. Ellis, e completou os estudos na Sociedade Brasileira de Sexualidade. Contatos: fabiano@iparadigma.org.br ou Tel: (11) 5049-0075.<br \/>\n5- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n6- Trechos da pesquisa \u201cPessoas com defici\u00eancia e HIV\/aids: interfaces e perspectivas: uma pesquisa explorat\u00f3ria\u201d, desenvolvida pela equipe do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, e divulgada em 2009.<br \/>\n7- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n8- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n9- Trecho da obra: \u201cParalisado Cerebral \u2013 Constru\u00e7\u00e3o da Identidade na Exclus\u00e3o\u201d (Cabral Editora Universit\u00e1ria \u2013 2000), escrita por Suely Harumi Satow.<br \/>\n10- Suely tem a fala e os movimentos do corpo diferentes da maioria das pessoas, e muitas vezes j\u00e1 passou por situa\u00e7\u00f5es constrangedoras e preconceituosas, quando as pessoas sup\u00f5em que ela tamb\u00e9m tenha algum comprometimento intelectual. Quem tem incapacidade motora cerebral, geralmente, apresenta dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, descordena\u00e7\u00e3o motora, movimentos involunt\u00e1rios, t\u00f4nus muscular bem diferente, conforme a regi\u00e3o do c\u00e9rebro afetada. Em grande parte dos casos n\u00e3o possui nenhum comprometimento intelectual.<br \/>\n11- Trecho da obra: \u201cParalisado Cerebral \u2013 Constru\u00e7\u00e3o da Identidade na Exclus\u00e3o\u201d (Cabral Editora Universit\u00e1ria \u2013 2000), escrita por Suely Harumi Satow.<br \/>\n12- Informa\u00e7\u00f5es sobre o Sidney no e-mail: sidneyt@prodam.sp.gov.br.<br \/>\n13- A surdocegueira \u00e9 uma defici\u00eancia \u00fanica que apresenta as defici\u00eancias auditiva e visual concomitantemente em diferentes graus, levando a pessoa surdocega a desenvolver diferentes formas de comunica\u00e7\u00e3o para entender e interagir com as pessoas e o meio ambiente, possibilitando-a a ter acesso a informa\u00e7\u00f5es, uma vida social com qualidade, orienta\u00e7\u00e3o e mobilidade, educa\u00e7\u00e3o e trabalho necessitando de um guia-int\u00e9rprete para conquistar a comunica\u00e7\u00e3o com os demais e tamb\u00e9m para deslocar-se. A surdocegueira n\u00e3o necessariamente significa que a pessoa seja totalmente cega ou surda, podem existir res\u00edduos visuais (baixa vis\u00e3o) e res\u00edduos auditivos funcionais, suficientes para escutar uma conversa\u00e7\u00e3o, especialmente quando contam com uma ajuda auditiva como um aparelho.<br \/>\n14- Informa\u00e7\u00f5es sobre o Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao M\u00faltiplo Deficiente Sensorial &#8211; Brasil: Tel: 55 (11) 5579-5438 e ABRASC: Tel: 55 (11) 3342-2108.<br \/>\n15- Contatos com Ariel e Rita: www.grandesencontros.com.br.<br \/>\n16- Contatos com H\u00e9lio e K\u00eania: www.ser.anao.nom.br.<br \/>\n17- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n18- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<br \/>\n19- DE PAULA, Ana Rita; REGEN, Mina; LOPES, Penha. \u201cSexualidade e Defici\u00eancia: Rompendo o Sil\u00eancio\u201d. Express\u00e3o &amp; Arte Editora, 2005.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm; line-height: 150%\" align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em><strong>*Leandra Migotto Certeza<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em> \u00e9 jornalista com defici\u00eancia f\u00edsica e desenvolve o projeto em equipe: \u201cFantasias Caleidosc\u00f3picas\u201d, ensaio fotogr\u00e1fico sensual com pessoas com defici\u00eancia \u2013 informa\u00e7\u00f5es: <\/em><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #00a000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"background: transparent\"><a href=\"http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=25435\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=25435<\/em><\/span><\/span><\/a><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>. O projeto foi premiado no \u201c6\u00ba Congresso Internacional Prazeres D\u00eas-Organizados \u2013 Corpos, Direitos e Culturas em Transforma\u00e7\u00e3o\u201d, em Lima (capital do Peru), em junho de 2007; e reapresentado no \u201cI Semin\u00e1rio Nacional de Sa\u00fade: Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Defici\u00eancia\u201d, realizado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em Bras\u00edlia, de 23 a 25 de mar\u00e7o de 2009. Este artigo \u00e9 um trecho da argumenta\u00e7\u00e3o do projeto. Maiores informa\u00e7\u00f5es: <\/em><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #00a000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"background: transparent\"><a href=\"mailto:leandramigottocerteza@gmail.com\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>leandramigottocerteza@gmail.com<\/em><\/span><\/span><\/a><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em> ou BLOG: <\/em><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #00a000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"background: transparent\"><a href=\"http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com<\/em><\/span><\/span><\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm; line-height: 150%\" align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Verdana, sans-serif;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em><strong>*Ricardo Ferraz<\/strong><\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em> \u00e9 desenhista, cartunista, e professor  com defici\u00eancia f\u00edsica e <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>autor do livro: &#8220;Vis\u00e3o e Revis\u00e3o &#8211; Conceito e Pr\u00e9-Conceito.&#8221;<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em> (3\u00b0 edi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada em agosto de 2000, durante o XIX Congresso Mundial da Reabilita\u00e7\u00e3o Internacional \u2013 Rio de Janeiro).\u00a0Teve seus desenhos selecionados no concurso nacional para vinhetas do \u201cPLIN- PLIM\u201d nos intervalos da TV Globo, de mar\u00e7o de 2001 \u00e0 fevereiro de 2002; e de abril de 2005 \u00e0 junho de 2007. Dos sete concursos realizados pela Rede Globo, venceu quatro.\u00a0Informa\u00e7\u00f5es: (28) 3522-4614 ou 9959-8632 ou \u00a09959-8632 &#8211; E-mail: <\/em><\/span><\/span><span style=\"color: #00a000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"background: transparent\"><a href=\"mailto:ricardoferraz33@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>ricardoferraz33@gmail.com<\/em><\/span><\/span><\/a><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em> e site: <\/em><\/span><\/span><span style=\"color: #00a000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"background: transparent\"><a href=\"http:\/\/www.cadetudo.com.br\/ricardoferraz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><em>www.cadetudo.com.br\/ricardoferraz<\/em><\/span><\/span><\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>________________________<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Sobre a autora:<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><em>Leandra Migotto Certeza, jornalista da Caleidosc\u00f3pio Comunica\u00e7\u00f5es, rep\u00f3rter volunt\u00e1ria da Rede Saci &#8211;<a href=\"http:\/\/ www.saci.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.saci.org.br  www.saci.org.br<\/a>; ativista em direitos humanos das pessoas com defici\u00eancia da <a href=\"http:\/\/www.conectas.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.conectas.org <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a>, e volunt\u00e1ria da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Osteogenesis Imperfecta &#8211; <a href=\"http:\/\/www.aboi.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.aboi.org.br <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a>, e autora do Blog Caleidosc\u00f3pio &#8211; <a href=\"http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a> .Tels: 55 (11) 3453-5370 \u2013 Cel:  55 (11) 8697-9067  55 \u00a0(seg. \u00e0 sext. das 9hs \u00e0s 20hs).<\/em><\/p>\n<p><em>Curr\u00edculo:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5381513499006912\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/5381513499006912 <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Portif\u00f3lio:<\/em><br \/>\n<a href=\"http:\/\/sentidos.uol.com.br\/admin\/leandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/sentidos.uol.com.br\/admin\/leandra\/ <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=busca&amp;parametro=Leandra&amp;page=1&amp;limit=10&amp;classificacao=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=busca&amp;parametro=Leandra&amp;page=1&amp;limit=10&amp;classificacao= <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u201cO verdadeiro revolucion\u00e1rio \u00e9 movido por grandes sentimentos de amor\u201d<br \/>\nChe Guevara\u201cEnquanto houver injusti\u00e7a e mis\u00e9ria, todo homem deve ser um revoltado\u201d<br \/>\nAlbert Camus<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Leandra Migotto Certeza* A sexualidade faz parte da vida de qualquer ser humano, seja uma pessoa com defici\u00eancia ou n\u00e3o. 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