{"id":12747,"date":"2009-11-27T05:44:47","date_gmt":"2009-11-27T08:44:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=12747"},"modified":"2009-11-27T05:44:47","modified_gmt":"2009-11-27T08:44:47","slug":"ser-e-estar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=12747","title":{"rendered":"Ser e estar"},"content":{"rendered":"<p><strong><a rel=\"attachment wp-att-12021\" href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?attachment_id=12021\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-12021\" title=\"Fotografia de Leandra Certeza.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/Leandra_Certeza.jpg\" alt=\"Fotografia de Leandra Certeza.\" width=\"151\" height=\"223\" \/><\/a>por Leandra Migotto Certeza*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fico feliz em poder contar um pouco da minha hist\u00f3ria pelo universo escolar. Querem viajar comigo pelo t\u00fanel do tempo? H\u00e1 26 anos eu nasci. Em um tempo em que a diversidade natural do ser humano ainda era pouco abordada pela m\u00eddia. Hoje se fala muito em Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva, Responsabilidade Social, Terceiro Setor, Voluntariado, Inclus\u00e3o Social, Consumo Consciente&#8230; Por\u00e9m, a dist\u00e2ncia entre a teoria e a pr\u00e1tica ainda \u00e9 grande. Vejam s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Pr\u00e9-escola: onde crian\u00e7a quer mais \u00e9 ser feliz!<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Gra\u00e7as \u00e0 amizade de meus familiares com diretores de uma escola, consegui cursar o pr\u00e9-prim\u00e1rio em meio \u00e0s del\u00edcias da inf\u00e2ncia. Comi muita areia, brinquei de pega-pega, &#8220;pulei&#8221; corda, cantei cantigas de roda, visitei parques, fiz desenhos, aprontei com massinha de modelar, &#8220;subi&#8221; em trepa-trepa, brinquei de roda, aprendi a ler e escrever. Aos cinco anos, dava um jeito de participar de tudo. Como minhas pernas ainda n\u00e3o tinham for\u00e7as para ag\u00fcentar meu corpo, usava o bumbum e corria pelo p\u00e1tio junto com os amigos. Sabia que para fazer algumas coisas precisava de ajuda, como subir em uma cadeira ou escada, pegar um livro na estante, ir \u00e0s excurs\u00f5es&#8230; Mas nunca deixei de ser e estar na escola!<\/p>\n<p align=\"justify\">Muitas crian\u00e7as com defici\u00eancia ainda n\u00e3o conseguem ter acesso \u00e0 escola. Minha sorte foi que os meus familiares conheciam os diretores e explicaram que eu n\u00e3o seria uma aluna que, segundo o preconceito da \u00e9poca, traria &#8220;problemas&#8221; aos outros colegas, professores ou pais. Embora menor do que eles, pois tinha o tamanho de uma crian\u00e7a de dois anos, era bem alta no tom de voz quando queria dizer algo. Acho que isso at\u00e9 hoje \u00e9 uma das minhas caracter\u00edsticas mais fortes e que \u00e0s vezes acaba sendo um pouco exagerada&#8230; Mas naquela \u00e9poca, essa esp\u00e9cie de &#8220;compensa\u00e7\u00e3o&#8221; foi super importante para que eu nunca fosse esquecida do jeitinho que era.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aos seis anos de idade, depois de ser alfabetizada, vivi a triste experi\u00eancia de ser segregada a uma escola dita &#8220;especial&#8221;. Pois, ap\u00f3s diversas tentativas de minha m\u00e3e em me matricular na antiga primeira s\u00e9rie, em um col\u00e9gio com alunos sem e com defici\u00eancia, acabei indo parar dentro de uma verdadeira jaula! Naquela \u00e9poca, devido ao descaso dos governos e da sociedade, as escolas em sua maioria adotavam o modelo assistencialista. Ent\u00e3o, cursei dois anos em um col\u00e9gio regular conveniado a uma institui\u00e7\u00e3o especializada em crian\u00e7as com defici\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">L\u00e1 estagnei. Pois, numa mesma sala, uma vitoriosa professora, tinha o \u00e1rduo e m\u00e1gico objetivo de ensinar crian\u00e7as com diferentes graus de defici\u00eancia e s\u00e9ries distintas. Em meio \u00e0s li\u00e7\u00f5es de alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; o que eu j\u00e1 dominava &#8211; crian\u00e7as com comprometimentos mentais, dividiam a aten\u00e7\u00e3o com as que possu\u00edam dificuldades de mobilidade como eu. \u00c9 claro que todos saiam prejudicados, pois al\u00e9m de n\u00e3o termos nossas especificidades respeitadas, n\u00e3o t\u00ednhamos a m\u00ednima possibilidade de desenvolvermos nosso potencial. Mas sem d\u00favida, o fato mais marcante &#8211; e que ainda hoje, infelizmente, \u00e9 encontrado em alguns Estados do Brasil &#8211; era a exist\u00eancia de uma grade que nos separava do outro mundo &#8211; o das crian\u00e7as ditas &#8220;normais&#8221;! Isso era um horror! T\u00ednhamos que tomar lanche tamb\u00e9m em um p\u00e1tio separado. Parecia que ir\u00edamos transmitir alguma doen\u00e7a contagiosa ou &#8220;aterrorizar&#8221; as outras crian\u00e7as com a nossa apar\u00eancia diferenciada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em um completo sistema assistencialista, \u00e9ramos considerados coitadinhos que mereciam cuidado especial, mas fora do conv\u00edvio com as outras pessoas. N\u00e3o \u00e9ramos vistos como cidad\u00e3os, com direitos e deveres. Hoje, penso que talvez fosse a transi\u00e7\u00e3o de um processo educacional para o outro, pois, anos antes, a maioria das crian\u00e7as com alguma defici\u00eancia n\u00e3o eram nem mesmo consideradas &#8220;aptas&#8221; \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, permanecendo sob cuidados m\u00e9dicos ou como eternos beb\u00eas nos colos das suas m\u00e3es. Era o in\u00edcio das chamadas: &#8220;Classes Especiais&#8221;, que ainda existem hoje. Por\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 luta de in\u00fameras pessoas, elas s\u00e3o bem melhores do que antes, apesar de ainda estarem bem longe do objetivo da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva: n\u00e3o \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, naquela \u00e9poca era muito complicado para uma menina de sete anos, esperta como eu (creio que para in\u00fameras outras tamb\u00e9m, pois n\u00e3o sou melhor ou pior do que ningu\u00e9m), ser ignorada e ter de pedir, por favor, para ser vista pelo mundo. Por isso, sempre que poss\u00edvel, dava uma fugida e passeava pelos corredores do col\u00e9gio no colo das &#8220;tias&#8221;. Elas me levavam de volta ao sonho do qual despertar\u00e1: o conv\u00edvio com todas as crian\u00e7as. N\u00e3o que eu n\u00e3o me sentisse bem perto dos meus amigos com alguma defici\u00eancia, pois, desde os tr\u00eas anos, estava no meio deles, nas sess\u00f5es de fisioterapia e hidroterapia em uma institui\u00e7\u00e3o especializada. Mas n\u00e3o entendia porque tinha que me manter escondida dos outros sem defici\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">E \u00e9 por isso que hoje, quando participo de congressos e escrevo artigos sobre Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva, sei da import\u00e2ncia que o TODO t\u00eam na vida de uma pessoa. As crian\u00e7as, os jovens e os adultos t\u00eam o direito, assegurado na nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 diversidade inata ao ser humano. Todos n\u00f3s nascemos sem nenhum preconceito, pois s\u00f3 os &#8220;formamos&#8221; ap\u00f3s sermos &#8220;ensinados&#8221; do que \u00e9 &#8220;certo&#8221; ou &#8220;errado&#8221; &#8211; apesar de eu n\u00e3o gostar dessas palavras, pois n\u00e3o refletem a complexidade e amplitude humana. Portanto, nunca vamos discriminar algu\u00e9m por n\u00e3o ter um bra\u00e7o ou uma perna, ou porque fala, ouve, enxerga ou anda diferente de n\u00f3s. Muito pelo contr\u00e1rio, crian\u00e7a que \u00e9 crian\u00e7a, quer mais \u00e9 ser feliz! N\u00e3o importa como!<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Depois de muita luta, finalmente, uma escola inclusiva!<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Eu fui muito feliz, mesmo depois de alguns trope\u00e7os pela vida e, literalmente, ossos quebrados. E em 1986, depois de muitas andan\u00e7as por a\u00ed e &#8220;portas na cara&#8221;, finalmente minha m\u00e3e, meio que por milagre, conseguiu me matricular em uma escola dita regular. Mais uma vez, eu, infelizmente, ainda era a \u00fanica aluna com alguma defici\u00eancia que havia estudado l\u00e1. Pois, a maioria das m\u00e3es encontravam in\u00fameras dificuldades para conseguir que seus filhos fossem aceitos nas escolas; uma vez que ainda n\u00e3o era lei, como \u00e9 hoje, a obrigatoriedade em matricular qualquer aluno que batesse na porta de um col\u00e9gio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nessa escola eu pude desenvolver todo o meu potencial de uma menina de 9 anos. Como havia parado de andar, era levada no colo pelos colegas e professores, que nunca me deixaram de fora das atividades, inclusive das broncas. E uma vez fui parar na diretoria e tomei suspens\u00e3o por ter xingado uma menina, que &#8211; diga-se de passagem &#8211; era muito chata. Esse fato ilustra o verdadeiro significado da inclus\u00e3o em sua plenitude: tratar todas as pessoas igualmente respeitando suas diferen\u00e7as. Acredito que esse sentimento pode estar dentro de cada um de n\u00f3s ou em pessoas mais sens\u00edveis &#8220;ligadas&#8221; na evolu\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 importante ressaltar, que, felizmente, eu tive uma grande sorte, pois nunca ningu\u00e9m me tratou diferente dentro da medida das minhas diferen\u00e7as. A equipara\u00e7\u00e3o de oportunidade &#8211; mesmo que ainda apenas intuitivamente &#8211; sempre era usada para que eu me sentisse completamente inclu\u00edda. O que significa isso? Quer dizer que, se eu precisasse de uma carteira mais baixa; uma rampa; ser levada no colo (pois hoje sei que deve ser ao m\u00e1ximo evitado, porque todas as crian\u00e7as t\u00eam o direito \u00e0 privacidade, individualidade, oportunidade de crescimento e desenvolvimento adequado \u00e0 idade); ou ser acompanhada por minha m\u00e3e em passeios, entre outras coisas, tudo era providenciado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Naquela \u00e9poca pouco se falava sobre os conceitos de Acessibilidade e Desenho Universal, os quais garantem rampas, elevadores, sistemas de computa\u00e7\u00e3o para leitura em voz alta direcionada aos cegos e\/ou deficientes visuais, int\u00e9rpretes de Libras (L\u00edngua Brasileira de Sinais) para surdos e\/ou deficientes auditivos; salas de recursos e\/ou professores de apoio para algumas defici\u00eancias metais, entre outros recursos. E como eu n\u00e3o sabia quase nada sobre o assunto, n\u00e3o exigi muito da escola para adaptar as depend\u00eancias de forma que amanh\u00e3 outros alunos com dificuldades como eu pudessem utilizar. Hoje, fico feliz, em saber que o col\u00e9gio foi ampliado e disp\u00f5e de rampas e elevadores. Mas ainda pretendo fazer um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a inclus\u00e3o, para que eventuais alunos com outras defici\u00eancias, como auditiva, visual, mental ou m\u00faltipla (uni\u00e3o de duas ou mais defici\u00eancias), ou crian\u00e7as obesas possam se sentir t\u00e3o bem quanto eu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro ponto super importante a relatar, \u00e9 que o conte\u00fado do curr\u00edculo, da pedagogia e das atividades do antigo primeiro grau e do gin\u00e1sio n\u00e3o foi alterado em nenhum aspecto. Nunca recebi nota alta em matem\u00e1tica &#8211; mat\u00e9ria que detesto at\u00e9 hoje e n\u00e3o sei direito &#8211; s\u00f3 porque parecia uma &#8220;bonequinha de lou\u00e7a&#8221;, como diziam os m\u00e9dicos ou professores. Muito pelo contr\u00e1rio, era punida da mesma forma caso colasse nas provas &#8211; coisa que s\u00f3 fazia em matem\u00e1tica mesmo&#8230; Al\u00e9m disso, n\u00e3o era elogiada mais do que os meus amigos por uma pesquisa ou nota, pois sempre estive na m\u00e9dia em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho escolar da sala. Caso merecia reconhecimento era exclusivamente pelo que havia feito com muito orgulho e dedica\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p align=\"justify\">Infelizmente, s\u00f3 permaneci l\u00e1 at\u00e9 a antiga oitava s\u00e9rie. Minha formatura do curso ginasial foi marcante. Todas as minhas amigas me incentivaram a participar. E com um certo receio sobre o que a minha imagem f\u00edsica poderia trazer aos outros &#8211; coisa super valorizada quando se t\u00eam 14 anos &#8211; fiquei muito feliz ao entregar rosas \u00e0 diretora, mesmo estando sentada em uma cadeira com meu lindo vestido branco.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 isso a\u00ed, durante esse fundamental per\u00edodo da vida escolar, pude contar com pessoas \u00e9ticas, respons\u00e1veis, profissionais e acima de tudo humanas, que nunca me deixaram me sentir menor ou maior do que ningu\u00e9m. Fiz muitos amigos e amigas. E depois de formada em uma universidade voltei ao col\u00e9gio e me emocionei com a alegria das professoras e diretoras ao me verem andando.<\/p>\n<p>Antes de terminar o &#8220;cap\u00edtulo&#8221; desse relato, n\u00e3o posso esquecer de dizer que quando conheci essa escola, tanto os diretores como os professores n\u00e3o temeram em enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o nova e desafiadora. Acreditaram na minha capacidade, nas informa\u00e7\u00f5es conscientes de minha m\u00e3e e acima de tudo na vida, pois ela, felizmente, n\u00e3o \u00e9 dada igualmente a todos n\u00f3s! Acredito que \u00e9 isso o que os educadores devem ter em mente hoje em pleno s\u00e9culo 21. A diversidade faz parte da vida e, conseq\u00fcentemente, da vida das escolas! Ent\u00e3o, por que fugir dela?<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ensino m\u00e9dio: mudan\u00e7as que a adolesc\u00eancia traz<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A minha evolu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e psicol\u00f3gica acompanhou a escolar. E aos 15 anos, voltei a fazer exerc\u00edcios para andar novamente, com a ajuda de um par de muletas, e consegui me matricular em um col\u00e9gio tamb\u00e9m regular. L\u00e1, felizmente, j\u00e1 encontrei outros alunos com alguma defici\u00eancia. No primeiro ano do antigo colegial, \u00e9ramos quatro: eu com Osteogenesis Imperfecta (forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea imperfeita, que pode acarretar, entre outros fatores, baixa estatura e dificuldade de andar, mas, principalmente, fragilidade \u00f3ssea devido a n\u00e3o absor\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio); um menino com paralisia cerebral (o que, superficialmente falando, \u00e9 a falta de comunica\u00e7\u00e3o do intelecto com as partes do nosso corpo, e ocorre, na maioria das vezes na hora do parto, podendo comprometer os movimentos, a musculatura e a fala dessas pessoas, mas em nada altera o racioc\u00ednio); uma menina surda, que fazia leitura labial e sabia um pouco de Libras; e um garoto com defici\u00eancia auditiva, que usava um aparelho para ouvir um pouco e falava muito bem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nessa escola tamb\u00e9m fui muito bem aceita por todos durante os tr\u00eas anos. E, j\u00e1 com 17 anos, lutava mais pelos meus direitos, mesmo que eles ainda n\u00e3o tivessem respaldo legal, al\u00e9m da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira &#8211; que, infelizmente e vergonhosamente, ainda hoje n\u00e3o \u00e9 respeitada pela maioria das pessoas. Ent\u00e3o, solicitei algumas modifica\u00e7\u00f5es f\u00edsicas para garantir a acessibilidade \u00e0s depend\u00eancias do col\u00e9gio. Infelizmente enfrentei maiores resist\u00eancias, pois era a \u00fanica que ainda usava uma cadeira de rodas e os diretores temiam as poss\u00edveis &#8220;profundas mudan\u00e7as&#8221; na estrutura f\u00edsica da escola. Assim, mais uma vez eu contei com a famosa &#8220;ajuda&#8221;, que hoje \u00e9 considerada inadequada e ineficiente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pois, atualmente, experi\u00eancias bem sucedidas demonstram o quanto \u00e9 poss\u00edvel fazer adapta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas na estrutura das escolas e dentro dos sistemas de comunica\u00e7\u00e3o, com materiais, tecnologia e m\u00e3o-de-obra financeiramente acess\u00edveis. E, na maioria das vezes, com a reutiliza\u00e7\u00e3o e\/ou reaproveitamento de recursos. Al\u00e9m do mais, cada dia que passa &#8211; infelizmente com exce\u00e7\u00f5es &#8211; aumenta o n\u00famero de escolas constru\u00eddas seguindo o conceito de Desenho Universal. Mas o que ainda \u00e9 extremamente escasso \u00e9 a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento das leis brasileiras que garantem a acessibilidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agora, em rela\u00e7\u00e3o aos professores do antigo colegial, a maioria compreendia a necessidade de maior aten\u00e7\u00e3o aos alunos com defici\u00eancia, na medida em que ainda n\u00e3o dispunham de outros mecanismos como o dom\u00ednio da Libras, ou a experi\u00eancia com a fala de pessoas com paralisia cerebral. E nunca me esque\u00e7o o dia em que numa aula da antiga e saudosa disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica, o professor, atenciosamente, fez o aluno com paralisia cerebral ler sua reda\u00e7\u00e3o em voz alta, deixando-o todo cheio de auto-estima e dignidade. Pois mesmo com dificuldade na fala ele tinha o total direito de usar a sua voz para expor suas id\u00e9ias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, ainda \u00e9 muito triste, o relato abafado de muitos fatos de puro descaso, omiss\u00e3o e\/ou crime de alguns diretores de col\u00e9gios em rela\u00e7\u00e3o principalmente, aos alunos com defici\u00eancia mental e f\u00edsica. Vide o que aconteceu recentemente, em uma escola de Itanha\u00e9m, no Estado de S\u00e3o Paulo, onde um aluno com paraplegia e sem controle de suas fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, terrivelmente n\u00e3o tem outra alternativa sen\u00e3o fazer as necessidades na frauda, pois n\u00e3o h\u00e1 um banheiro que ele possa utilizar com sua cadeira de rodas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Voltando \u00e0 minha trajet\u00f3ria, \u00e9 importante declarar que, em rela\u00e7\u00e3o os alunos &#8211; em sua maioria, adolescentes e jovens entre 16 e 20 anos -, as rea\u00e7\u00f5es eram as mais diversas. Isso era natural, pois em uma fase em que a identidade est\u00e1 sendo colocada em jogo pela sociedade e a personalidade est\u00e1 sendo meio &#8220;moldada&#8221;, ficava dif\u00edcil fugir aos estere\u00f3tipos. E muitas vezes, os alunos com defici\u00eancia eram um pouco incompreendidos. Creio que mais por falta de informa\u00e7\u00f5es a respeito de suas particularidades do que por preconceito, pr\u00e9-julgamentos ou a\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias. O que acontecia era que alguns colegas ficavam um pouco impacientes, pois o tempo de realiza\u00e7\u00e3o das coisas dos alunos deficientes era um pouco maior do que o deles. Ou, na maioria das vezes, tamb\u00e9m n\u00e3o sabiam como poder ajud\u00e1-los nas atividades cotidianas. Fatos esses, resolvidos hoje, em algumas escolas, por meio de din\u00e2micas e treinamentos espec\u00edficos sobre as principais caracter\u00edsticas das pessoas com defici\u00eancia. O que facilita muito na hora de &#8220;quebrar o gelo&#8221; entre as pessoas diferentes. Pois, um dos principais pressuposto do conceito de inclus\u00e3o social \u00e9 o conhecimento do outro em sua totalidade, para depois conseguirmos interagir naturalmente sem qualquer receio.<\/p>\n<p>Agindo dessa forma, os pr\u00e9-julgamentos, e atitudes discriminat\u00f3rias seriam evitadas. Afirmo isso, pois infelizmente, ainda hoje, muitas pessoas sofrem com atitudes puramente racistas e preconceituosas. E palavras como: aleijado, caolho, manco, monstro, coitado, perna de pau, d\u00e9bil mental, mongol\u00f3ide, baleia, an\u00e3o, anormal, aberra\u00e7\u00e3o da natureza entre outros terr\u00edveis e abomin\u00e1veis xingamentos acabam sendo maldosamente usadas por algumas pessoas, ao se referirem \u00e0s com alguma diferen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por\u00e9m, eu, na maioria das vezes, n\u00e3o ficava de fora de nenhuma atividade do colegial, mas nunca me senti \u00e0 vontade quando o assunto era sexo e relacionamentos amorosos. Creio que esse tabu ainda \u00e9 um dos mais complexos de serem quebrados, pois a sexualidade de uma pessoa com defici\u00eancia, infelizmente ainda \u00e9 um mito para muitas pessoas. E naquela \u00e9poca, como eu n\u00e3o tinha um distanciamento com a adolesc\u00eancia; conhecimento sobre o assunto; e nem experi\u00eancia profissional na \u00e1rea da inclus\u00e3o, sofri bastante com os olhares assustados dos colegas, principalmente dos garotos. Pois, na hora de paquerar as meninas, todos, sem exce\u00e7\u00e3o, simplesmente e friamente desviavam o olhar de mim. Eu chorava muito por n\u00e3o ter a altura normal (pois at\u00e9 hoje me\u00e7o 1 metro de altura), pernas retas e um bumbum no lugar, usar um par de muletas e parecer um &#8220;ser estanho&#8221; perto de qualquer menina de 17 anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Resumo minha passagem pelo colegial como uma metamorfose. Pois, nessa fase percebi a import\u00e2ncia da fam\u00edlia e dos verdadeiros amigos. Foi s\u00f3 depois que me dei conta que o col\u00e9gio em si, mesmo que ainda pouco acess\u00edvel fisicamente, foi um ambiente inclusivo. Pois, ao conviver com as adversidades que a diversidade nos imp\u00f5e, cresci muito. E hoje luto para que outros jovens passem por essa fase sem ou com menos dor do que eu. E em meus textos e palestras alerto para a import\u00e2ncia de se conviver com a diversidade desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">E, apesar de ainda ser um tema extremamente pol\u00eamico, tamb\u00e9m creio que para a maioria dos alunos com defici\u00eancias mentais &#8211; salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es &#8211; estudar em meio \u00e0s crian\u00e7as com e sem defici\u00eancia \u00e9 extremamente importante para o est\u00edmulo do seu potencial, n\u00e3o sub ou super estimando-o. Portanto, o ambiente escolar inclusivo \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para quebramos tabus e construirmos uma sociedade mais humana!<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Cursinho pr\u00e9-vestibular: um passo muito importante rumo a faculdade<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Continuando minha trajet\u00f3ria pela educa\u00e7\u00e3o, em 1995, antes de ingressar na faculdade &#8211; meu grande sonho -, fiz cursinho pr\u00e9-vestibular. L\u00e1 tamb\u00e9m encontrei muitas dificuldades com as barreiras f\u00edsicas e comportamentais. Nunca ningu\u00e9m se preocupou em construir uma rampa no lugar dos degraus da entrada do pr\u00e9dio, mesmo com a presen\u00e7a de uma aluna em cadeira de rodas. Pois eu j\u00e1 usava apenas um par de muletas e subia a escadinha sem problemas. Mas essa menina, que tamb\u00e9m estava na mesma sala que eu, tinha que ser carregada pela tia-av\u00f3 &#8211; j\u00e1 com uma certa idade &#8211; todos os dias para conseguir estudar. Raramente, um aluno ou professor &#8220;dava uma for\u00e7a&#8221;, mas nunca se preocuparam em proporcionar independ\u00eancia a ela, pois pagava em dia sua mensalidade, como todos os outros alunos, portanto tinha o direito a acessibilidade. Eu insistia para que ela e sua tia solicitasse aos diretores uma rampa, mas elas tinham medo de perder a vaga e o desconto no curso. E era \u00f3bvio que se tratava de uma rela\u00e7\u00e3o extremamente assistencialista. Era como se a escola tivesse o terr\u00edvel e completamente falso direito de dizer: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o tem do que reclamar. Afinal, deixamos voc\u00ea estudar aqui e ainda lhe ajudamos com um desconto&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esse fato era inadmiss\u00edvel, pois j\u00e1 em 1989, a Lei 7.853, em seu art. 8\u00ba, dizia que: &#8220;&#8230; Constitui crime, pun\u00edvel com reclus\u00e3o de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa: I &#8211; recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscri\u00e7\u00e3o de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, p\u00fablico ou privado, por motivos derivados da defici\u00eancia que porta&#8230;&#8221; E no par\u00e1grafo \u00fanico tamb\u00e9m estava escrito que os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou privados deveriam: &#8220;&#8230; proporcionar tratamento priorit\u00e1rio e adequado, tendente a viabilizar, sem preju\u00edzo de outras, as seguintes medidas: V &#8211; na \u00e1rea das edifica\u00e7\u00f5es: a) a ado\u00e7\u00e3o e a efetiva execu\u00e7\u00e3o de normas que garantam a funcionalidade das edifica\u00e7\u00f5es e vias p\u00fablicas, que evitem ou removam os \u00f3bices \u00e0s pessoas portadoras de defici\u00eancia, e permitam o acesso destas a edif\u00edcios, a logradouros e a meios de transporte, e&#8230;&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Finalmente o grande sonho: ensino superior!<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 por isso que em 1996, quando passei no vestibular para cursar Comunica\u00e7\u00e3o Social em uma faculdade particular, n\u00e3o me preocupei em perguntar a diretoria se seria aceita &#8211; o que infelizmente e vergonhosamente fui obrigada a fazer durante 15 anos de minha vida! Estava pronta para acionar o Minist\u00e9rio P\u00fablico, caso ocorresse algum problema. Isso n\u00e3o significa que fui &#8220;chata&#8221; com os diretores, professores, funcion\u00e1rios ou alunos, pois o processo de inclus\u00e3o deve ser um m\u00fatuo conhecimento das especificidades entre as pessoas e o ambiente. E \u00e9 importante deixar claro que defender direitos n\u00e3o implica em cometer infra\u00e7\u00f5es, desde que se esteja dentro da lei. Afinal, na hora de cumprirmos nossos deveres c\u00edveis, como pagar impostos, votar para eleger nossos governantes e responder \u00e0 justi\u00e7a sobre nossos atos, ningu\u00e9m nos diferencia em pessoas com defici\u00eancia ou n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 verdade?<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que, muito antes de 1996, algumas conquistas em termos de legisla\u00e7\u00e3o foram alcan\u00e7adas pelas pessoas com defici\u00eancia. Por\u00e9m, a\u00e7\u00f5es eficazes ainda n\u00e3o eram colocadas em pr\u00e1tica. E mesmo com um aluno em cadeira de rodas, uma de andador, outra com a altura comprometida, al\u00e9m de mim, que usava um par de muletas e tinha a altura tamb\u00e9m abaixo de 1 metro, todas as instala\u00e7\u00f5es da faculdade n\u00e3o eram totalmente acess\u00edveis. Quando perguntei o porqu\u00ea, a coordena\u00e7\u00e3o informou, que uma menina com dificuldade de altura j\u00e1 havia estudado l\u00e1. Mas todos a ajudavam a alcan\u00e7ar os locais mais altos, colocando banquinhos m\u00f3veis e sem seguran\u00e7a para que ela subisse. E a \u00fanica rampa, que dava acesso apenas a uma das salas de aula, foi constru\u00edda para auxiliar um antigo aluno que usava uma cadeira de rodas. Assim, segundo a diretoria, as adapta\u00e7\u00f5es s\u00f3 eram feitas quando eles achavam necess\u00e1rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Atitudes essas, ainda eram um pouco assistencialistas, pois os diretores da faculdade n\u00e3o haviam se conscientizado sobre a import\u00e2ncia da independ\u00eancia e autonomia das pessoas com defici\u00eancia. Era como se esses alunos fossem depender das outras pessoas durante toda sua vida, ou permanecerem em um \u00fanico espa\u00e7o f\u00edsico. Hoje, fatos como esse, infelizmente, ainda ocorrem, mas talvez em menor escala em algumas escolas da chamada &#8220;classe m\u00e9dia&#8221;. Pois, as \u00e1reas mais perif\u00e9ricas das grandes cidades e o interior dos Estados &#8211; salvo exce\u00e7\u00f5es &#8211; ainda sofrem bastante com a falta de informa\u00e7\u00e3o das escolas sobre o direto \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que essas pessoas t\u00eam.<\/p>\n<p>E, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, em 1998, mesmo cursando o terceiro ano da faculdade, a sala de aula onde eu estudava localiza-se no segundo andar do pr\u00e9dio. Com grandes dificuldades para subir uma escada de mais de 20 degraus, eu praticamente n\u00e3o descia durante o intervalo, pois o tempo n\u00e3o era suficiente para subir depois. Conseq\u00fcentemente, acabava ficando segregada de todo ambiente escolar. E s\u00f3 depois de dois meses de muitas reclama\u00e7\u00f5es e uma burocracia tremenda consegui mudar de sala. Por\u00e9m, a maior parte das dificuldades encontradas era em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta das equipara\u00e7\u00f5es de oportunidades ao meio f\u00edsico, pois o relacionamento com todos os professores e colegas foi tranq\u00fcilo. Sempre fui aceita por todos e at\u00e9 incentivada a me tornar mais independente fisicamente e psicologicamente. Pois, apesar de j\u00e1 come\u00e7ar a desenvolver uma atitude inclusiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, ainda tinha algumas dificuldades de aceita\u00e7\u00e3o interna, medos e traumas. E, com o passar dos anos, em meio \u00e0s loucas e gostosas aventuras universit\u00e1rias me encontrei como mulher, cidad\u00e3 e portadora de uma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Foi um grande aprendizado para todos, pois os professores e amigos tamb\u00e9m comentavam sobre a valiosa troca de experi\u00eancias ao conviverem comigo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1999, j\u00e1 mais desinibida, comecei a reivindicar fortemente meus diretos. E a primeira grande luta foi conseguir uma vaga para estacionar o carro, com o qual eu era conduzida por parentes ou amigos, pois, de acordo com o Decreto 3.298 de 1999, um dos Par\u00e1grafos \u00danicos, j\u00e1 determinava que: &#8220;&#8230; I &#8211; nas \u00e1reas externas ou internas da edifica\u00e7\u00e3o, destinadas a garagem e a estacionamento de uso p\u00fablico, ser\u00e3o reservados dois por cento do total das vagas \u00e0 pessoa portadora de defici\u00eancia ou com mobilidade reduzida, garantidas no m\u00ednimo tr\u00eas, pr\u00f3ximas dos acessos de circula\u00e7\u00e3o de pedestres, devidamente sinalizadas e com as especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de desenho e tra\u00e7ado segundo as normas da ABNT (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas)&#8230;&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, somente depois de diversas cartas ao diretor e reuni\u00f5es adiadas com a coordena\u00e7\u00e3o &#8211; al\u00e9m de, literalmente, terem batido a porta na minha cara -, consegui solicitar a reserva de uma vaga em frente \u00e0 faculdade. O que acabou finalmente colocando em pr\u00e1tica o direito de ir, vir e permanecer em um estabelecimento de ensino, n\u00e3o apenas para mim, como para todos os demais alunos com alguma defici\u00eancia f\u00edsica. Assim, o aluno usu\u00e1rio de cadeira de rodas tamb\u00e9m pode usufruir desse direito, pois, infelizmente, as cal\u00e7adas e ruas pr\u00f3ximas \u00e0 faculdade eram praticamente intransit\u00e1veis devido aos buracos e eleva\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, as adapta\u00e7\u00f5es nos banheiros s\u00f3 foram terminadas no final de 1999, ano em que eu estava me formando em Produ\u00e7\u00e3o Editorial. E foi com alegria que finalmente encontrei rampas e portas largas dentro do banheiro, no \u00faltimo dia em que estive na faculdade, apresentando meu trabalho de conclus\u00e3o de curso.<\/p>\n<p>Hoje, as novas unidades da agora universidade encontram-se mais acess\u00edveis, por\u00e9m ainda n\u00e3o contemplam todas as necessidades e direitos constitucionais dos futuros alunos com alguma defici\u00eancia ou necessidade especial. Pois \u00e9 fato que, variando de acordo com cada estabelecimento de ensino superior, muitos ainda n\u00e3o demonstram interesse em preparar o ambiente para receber, principalmente, alunos que necessitem de sintetizadores de voz, int\u00e9rprete de Libras ou recursos pedag\u00f3gicos de alguns materiais de apoio no exame pr\u00e9-vestibular e durante as aulas. Al\u00e9m da falta de iniciativa na qualifica\u00e7\u00e3o de professores e funcion\u00e1rios para lidarem com as especificidades dessas pessoas. \u00c9 preciso divulgar mais, que o conceito de Desenho Universal pressup\u00f5e a acessibilidade f\u00edsica e de comunica\u00e7\u00e3o. Pois algumas pessoas ainda pensam que adaptar \u00e9 apenas construir rampas, as quais muitas vezes s\u00e3o feitas fora dos padr\u00f5es da ABNT (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas). E tamb\u00e9m esquecem que outras pessoas, como crian\u00e7as, obesos, gr\u00e1vidas, m\u00e3es com carinho de beb\u00ea e idosos, poder\u00e3o fazer uso desses espa\u00e7os!<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Voltar a estudar: um grande desafio!<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">No pen\u00faltimo ano da faculdade, lutei muito para conseguir estagiar na \u00e1rea e s\u00f3 consegui trabalhos paralelos \u00e0 minha forma\u00e7\u00e3o. Em todos os lugares, precisei reivindicar meus direitos \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o de oportunidades, pois os conceitos de educa\u00e7\u00e3o inclusiva apenas estavam come\u00e7ando a serem disseminados. Enviar curr\u00edculos e procurar vagas de est\u00e1gio ou emprego nos meios de comunica\u00e7\u00e3o era muito dif\u00edcil, pois eram pouqu\u00edssimas as empresas que acreditavam no potencial de pessoas com defici\u00eancia. Hoje j\u00e1 \u00e9 mais f\u00e1cil conseguir outras oportunidades de emprego. Principalmente, devido a Lei 8.213 de 1991 &#8211; que funciona como uma pol\u00edtica afirmativa para garantir a inser\u00e7\u00e3o qualitativa desses cidad\u00e3os aptos ao mercado de trabalho e que h\u00e1 10 anos ainda n\u00e3o era aplicada com rigor -, gra\u00e7as \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Mas, com certeza, naquela \u00e9poca, a oportunidade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o foi fundamental, para qualificar-me para \u00e0 terr\u00edvel concorr\u00eancia do sistema capitalista. E caso n\u00e3o tivesse apoio da minha fam\u00edlia, tamb\u00e9m n\u00e3o teria estudado em col\u00e9gios inclusivos. Pois na \u00e9poca eram raras as escolas p\u00fablicas que aceitavam crian\u00e7as com defici\u00eancia, por isso, cursei particulares e muito caras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Infelizmente, muitas crian\u00e7as em pleno s\u00e9culo 21 ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 escola, menos ainda, \u00e0s com alguma defici\u00eancia. Pois n\u00e3o conseguem nem mesmo sair de suas casas devido \u00e0 prec\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o dos meios de transporte. Creio que esse seja o principal fator para a nossa exclus\u00e3o, pois como ter direito \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, esporte entre outros, se n\u00e3o se pode chegar at\u00e9 eles? \u00c9 por isso que eu ainda n\u00e3o consegui ingressar em um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social, al\u00e9m de outros cursos de especializa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea. Pois n\u00e3o tenho recursos financeiros para arcar com as despesas do curso e gastos com transporte. Por isso, voltar a estudar hoje \u00e9 um grande sonho. Mas, eu n\u00e3o vou desistir t\u00e3o f\u00e1cil desse objetivo, como sempre fiz em minha vida. Vou transform\u00e1-lo em realiza\u00e7\u00e3o, e mostrar \u00e0s pessoas, que apesar das adversidades, podemos vencer os obst\u00e1culos e derrub\u00e1-los para que os nossos filhos n\u00e3o tenham que passar por eles.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o inclusiva: refletir para evoluir!<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s 22 anos, creio que o sistema de educa\u00e7\u00e3o brasileira evoluiu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o de alunos com alguma defici\u00eancia devido a alguns fatores, por\u00e9m, ainda n\u00e3o o suficiente. Afirmo isso com base, principalmente, na cria\u00e7\u00e3o das leis que asseguram a todos o acesso \u00e0s escolas e universidades; em algumas experi\u00eancias bem sucedidas de col\u00e9gios inclusivos com a saud\u00e1vel conviv\u00eancia de alunos com e sem defici\u00eancia; e das profundas mudan\u00e7as nas chamadas &#8220;classes especiais&#8221;, as quais &#8211; na minha opini\u00e3o e de v\u00e1rios especialistas renomados &#8211; tendem a desaparecer. Esses fatos carregam uma dose de mudan\u00e7a de paradigma por parte da sociedade, sobre a diversidade humana e todo seu potencial. Por\u00e9m, ainda estamos come\u00e7ando a caminhar na estrada de uma educa\u00e7\u00e3o para TODOS! Cabe a cada um fazer a sua parte com coragem e determina\u00e7\u00e3o, conscientes da realidade em que vivemos, mas nunca tirando um dos p\u00e9s do terreno dos sonhos. Transformando-os em objetivos concretos e acess\u00edveis: hoje, amanh\u00e3 e sempre. Afinal, todos somos e estamos no mundo da forma que nos foi apresentada: humana.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agrade\u00e7o a aten\u00e7\u00e3o de todos, aguardo as opini\u00f5es sobre essas palavras e desejo conhecer suas hist\u00f3rias no universo da educa\u00e7\u00e3o. Professores, educadores, alunos, pais ou profissionais interessados mandem not\u00edcias sobre suas experi\u00eancias com a educa\u00e7\u00e3o inclusiva!<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 breve!<br \/>\nAbra\u00e7os<\/p>\n<div>Leandra Migotto Certeza.<\/div>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m publicado na <a href=\"http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=6186\">Rede Saci <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a>.<\/p>\n<p>________________________<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Sobre a autora:<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><em>Leandra Migotto Certeza, jornalista da Caleidosc\u00f3pio Comunica\u00e7\u00f5es, rep\u00f3rter volunt\u00e1ria da Rede Saci &#8211;<a href=\"http:\/\/ www.saci.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.saci.org.br  www.saci.org.br<\/a>; ativista em direitos humanos das pessoas com defici\u00eancia da <a href=\"http:\/\/www.conectas.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.conectas.org <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a>, e volunt\u00e1ria da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Osteogenesis Imperfecta &#8211; <a href=\"http:\/\/www.aboi.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.aboi.org.br <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a>, e autora do Blog Caleidosc\u00f3pio &#8211; <a href=\"http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a> .Tels: 55 (11) 3453-5370 \u2013 Cel:  55 (11) 8697-9067  55 \u00a0(seg. \u00e0 sext. das 9hs \u00e0s 20hs).<\/em><\/p>\n<p><em>Curr\u00edculo:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5381513499006912\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/5381513499006912 <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Portif\u00f3lio:<\/em><br \/>\n<a href=\"http:\/\/sentidos.uol.com.br\/admin\/leandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/sentidos.uol.com.br\/admin\/leandra\/ <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=busca&amp;parametro=Leandra&amp;page=1&amp;limit=10&amp;classificacao=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=busca&amp;parametro=Leandra&amp;page=1&amp;limit=10&amp;classificacao= <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" src=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/images\/new_window.gif\" alt=\"Link abrir\u00e1 em uma nova janela ou aba.\" width=\"16\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u201cO verdadeiro revolucion\u00e1rio \u00e9 movido por grandes sentimentos de amor\u201d<br \/>\nChe Guevara\u201cEnquanto houver injusti\u00e7a e mis\u00e9ria, todo homem deve ser um revoltado\u201d<br \/>\nAlbert Camus<\/em><a href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?cat=1\"><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leandra Migotto Certeza defende a educa\u00e7\u00e3o inclusiva e conta sua experi\u00eancia como estudante com defici\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-container-style":"default","site-container-layout":"default","site-sidebar-layout":"default","disable-article-header":"default","disable-site-header":"default","disable-site-footer":"default","disable-content-area-spacing":"default","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[45],"class_list":["post-12747","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos-e-artigos","tag-caleidoscopio"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the 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