{"id":13664,"date":"2010-01-31T23:21:00","date_gmt":"2010-02-01T02:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=13664"},"modified":"2010-01-31T23:21:00","modified_gmt":"2010-02-01T02:21:00","slug":"dificuldade-de-aprendizagem-uma-analise-no-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=13664","title":{"rendered":"Dificuldade de Aprendizagem: uma an\u00e1lise no processo"},"content":{"rendered":"<p><strong>DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: UMA AN\u00c1LISE DAS CAUSAS E IMPLICA\u00c7\u00d5ES NO PROCESSO PEDAG\u00d3GICO DE ALUNOS DE 1\u00aaS\u00c9RIE DO ENSINO FUNDAMENTAL.<\/strong><\/p>\n<p>Ang\u00e9lica Fran\u00e7a Goto<\/p>\n<p>Disserta\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o do Curso de <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">Mestrado<\/a> em Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Sul de Santa Catarina &#8211; UNISUL, aprensentada para a obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Mestre em Educa\u00e7\u00e3o. Orientadora: Prof\u00aa Dr\u00aa F\u00e1bia Lili\u00e3 Luciano<\/p>\n<p><strong>DIST\u00daRBIOS DE APRENDIZAGEM<\/strong><\/p>\n<p>Uma rosa com outro nome<\/p>\n<p>Por Jan Hunt, Psic\u00f3loga Diretora do \u201cThe Natural Child Project\u201d<\/p>\n<p>Imagine por um instante que voc\u00ea est\u00e1 visitando um viveiro de plantas. Voc\u00ea percebe uma agita\u00e7\u00e3o l\u00e1 fora e vai investigar. Voc\u00ea encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira. Ele est\u00e1 tentando for\u00e7ar as p\u00e9talas da rosa a se abrirem, e resmunga insatisfeito. Voc\u00ea lhe pergunta o qu\u00ea est\u00e1 fazendo e ele explica: \u201cmeu chefe quer que todas essas rosas flores\u00e7am essa semana, ent\u00e3o na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas. Voc\u00ea protesta dizendo que cada rosa floresce h\u00e1 seu tempo \u00e9 absurdo tentar retardar ou apressar isso.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa quando a rosa vai desabrochar \u2013 uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. Voc\u00ea olha novamente a rosa e percebe que ela est\u00e1 murchando, mais quando voc\u00ea o alerta, ele responde: \u201cAh, isso \u00e9 mau, ela tem disdesabrochamento cong\u00eanito. Vamos ter que chamar um especialista\u201d. Voc\u00ea diz: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o! Foi voc\u00ea quem fez a rosa murchar! Voc\u00ea s\u00f3 precisaria satisfazer as exig\u00eancias de \u00e1gua e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!\u201d Voc\u00ea mal consegue acreditar no que est\u00e1 acontecendo. Por qu\u00ea o chefe dele \u00e9 t\u00e3o mal informado e tem expectativas t\u00e3o irreais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rosas?<\/p>\n<figure id=\"attachment_13665\" aria-describedby=\"caption-attachment-13665\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/escola-como-mediadora_telma-cesar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail wp-image-13665\" title=\"escola-como-mediadora_telma-cesar\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/escola-como-mediadora_telma-cesar-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13665\" class=\"wp-caption-text\">Menino desenha casa e sol na lousa e menina observa, ambos de costas para a camera<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa cena nunca teria se passado em um viveiro, \u00e9 claro, mas acontece todos os dias em nossas escolas. Professores pressionados por seus chefes seguem calend\u00e1rios oficiais que exigem que todas as crian\u00e7as aprendam no mesmo ritmo e do mesmo jeito. No entanto as crian\u00e7as n\u00e3o diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e prop\u00edcio e evitar nos intrometer com d\u00favidas, ansiedades e calend\u00e1rios arbitr\u00e1rios, a\u00ed ent\u00e3o \u2013 como as rosas \u2013 as crian\u00e7as ir\u00e3o desabrochar cada uma a seu tempo.<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O interesse em aprofundar os conhecimentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos sobre esse tema \u201cDificuldade de Aprendizagem: uma analise das causas implica\u00e7\u00f5es no processo pedag\u00f3gico de alunos de 1\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental\u201d, surgiu em virtude da pesquisadora ser psic\u00f3loga cl\u00ednica, escolar, docente e por atuar como orientadora de est\u00e1gio supervisionado na disciplina de Psicologia na Educa\u00e7\u00e3o, no curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense \u2013 UNESC. Dessa forma \u00e9 freq\u00fcente na sua pr\u00e1tica profissional receber queixas de pais e estagi\u00e1rios acerca de situa\u00e7\u00f5es que dificultam a aprendizagem dos alunos de s\u00e9ries iniciais.<\/p>\n<p>Entende-se que na primeira s\u00e9rie existem alunos que por diversos motivos n\u00e3o acompanham o que lhes \u00e9 ensinado independente do n\u00edvel de complexidade\u00a0 dos conte\u00fados ou da metodologia utilizado pelo professor. Assim muitos s\u00e3o os r\u00f3tulos atribu\u00eddos a esses alunos: crian\u00e7a problema, aluno com dist\u00farbio de aprendizagem, indisciplinados, hiperativos, crian\u00e7as com disfun\u00e7\u00e3o cerebral m\u00ednimo ou d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas estes r\u00f3tulos n\u00e3o auxiliam as crian\u00e7as ou t\u00e3o pouco os professores no sentido de diagnosticar os fatos. Portanto, quando observa-se essas dificuldades detecta-se que as mesmas interferem de modo direto na intera\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o seu mundo natural e social.<\/p>\n<p>A express\u00e3o dificuldades tem sido utilizada em m\u00faltiplos sentidos fundamentalmente, \u00e0 diversidade de fatores intervenientes no processo da aprendizagem humana, assim como a diversidade de profissionais que se dedicam ao tema.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o n\u00famero de aluno que manifestam dificuldades em aprender tem crescido sensivelmente, no entanto muitos desses alunos perdem o interesse pela escola e a falta de motiva\u00e7\u00e3o, desenvolvendo a inseguran\u00e7a e o senso de baixa auto-estima, isolando-se das aulas at\u00e9 evadir-se por completo.<\/p>\n<p>Reprova\u00e7\u00f5es e abandono escolar s\u00e3o freq\u00fcentes na vida desses alunos que apresentam algum tipo de dificuldade, dist\u00farbio ou problema de aprendizagem.<\/p>\n<p>Nesse sentido, identificar, descrever e analisar as causas e implica\u00e7\u00f5es no processo pedag\u00f3gico de alunos de 1\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental da Escola Prof\u00b0 Lapagesse de Crici\u00fama-SC, \u00e0 luz da <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">literatura<\/a> com vistas a explicar teoricamente os elementos que interferem no objeto estudado, foram prop\u00f3sito dessa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O local de realiza\u00e7\u00e3o foi a referida escola citada acima, o n\u00famero de envolvidos no estudo foi de oitenta (80) pessoas, sendo tr\u00eas (03) professoras de 1\u00aa s\u00e9rie, dois (02) professores de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e os respectivos alunos perfazendo a soma de setenta e cinco (75).<\/p>\n<p>Do universo investigado, foi necess\u00e1rio identificar os alunos que apresentaram sinais de dificuldades de aprendizagem.<\/p>\n<p>O tipo de amostragem foi casual probabil\u00edstica estratificada (cada estrato, definido previamente est\u00e1 representado na amostra).<\/p>\n<p>Para estudar e analisar o referido tema foram realizadas observa\u00e7\u00f5es nos per\u00edodos de entrada, durante o per\u00edodo de recreio, em sala de aula, nas aulas de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e no encerramento das atividades di\u00e1rias. As observa\u00e7\u00f5es foram realizadas com os alunos por meio de um roteiro semi-estruturado e com as tr\u00eas (03) professoras das turmas de 1\u00aa s\u00e9rie foi adotado o roteiro de entrevista estruturada, cujas t\u00e9cnicas foram \u00e0 observa\u00e7\u00e3o e a inquiri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p>O presente estudo teve como objetivo: identificar, descrever e analisar as vis\u00f5es dos professores sobre as causas e implica\u00e7\u00f5es das Dificuldades de Aprendizagem de alunos de 1\u00aa s\u00e9rie de uma escola de Ensino Fundamental, levantando e revisando a literatura pertinente a tem\u00e1tica, buscando explicar historicamente os elementos que interferem no objeto estudado. Da literatura empregada podemos citar: CIASCA (1990), FONTOURA (1994), BRUCE (1997). O estudo foi b\u00e1sico, de natureza qualitativo, explorat\u00f3rio, descritivo e anal\u00edtico. Atrav\u00e9s dos resultados obtidos, percebeu-se que as observa\u00e7\u00f5es em sala de aula comprovam as hip\u00f3teses levantadas.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> problemas, dificuldades, dist\u00farbios de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n<p>This present study had as objective: to identify, to describe and to analyze the teachers\u2019 visions about the causes and the implications of the difficulties of students\u2019 of 1 st series of a School of Fundamental Teaching learning, lifting and revising the pertinent literature the thematic, looking for to explain the elements that interfere in the studied object historically. Of the literature maid we can mention: CISCA (1990), FONTOURA (1994), BRUCE (1997). The research was basic, of qualitative, exploratory, descriptive a analytic nature. Through the obtained results, it was noticed that the observations in class room check the lif up hypotheses.<\/p>\n<p>Word-key: Problems, difficulties, learning disturbances.<\/p>\n<p>Material Humano: Para o desenvolvimento do estudo foi necess\u00e1rio a colabora\u00e7\u00e3o de uma equipe de profissionais envolvidos nas atividades da Escola.<\/p>\n<p>A pesquisadora realizou a coleta dos dados tendo como colaboradores as Diretoras, as especialistas, os professores que lecionam nas referidas turmas e seus alunos.<\/p>\n<p><strong>Procedimentos Metodol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n<p>O tipo de estudo realizado foi b\u00e1sico que segundo Luciano (2001;12): \u201ctem por objetivo produzir novos conhecimentos para o avan\u00e7o da ci\u00eancia, embora sem aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 a verdade e os interesses universais\u201d.<\/p>\n<p>O estudo foi de natureza quantitativa, qualitativa, descritiva e anal\u00edtica das Dificuldades de aprendizagem: uma an\u00e1lise das causas e implica\u00e7\u00f5es no processo pedag\u00f3gico de alunos de 1\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental.<\/p>\n<p>O local da realiza\u00e7\u00e3o do estudo foi a Escola de Ensino Fundamental Prof\u00aa Lapagesse, situada \u00e0 rua Marechal Floriano Peixoto, 255-centro Crici\u00fama-SC.<\/p>\n<p>O n\u00famero de envolvidos no estudo foi de oitenta (80) pessoas, sendo tr\u00eas (03) professoras de 1\u00aa s\u00e9rie, dois (02) professores de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e seus respectivos alunos, perfazendo a soma de setenta e cinco (75).<\/p>\n<p>Deste universo investigado foi necess\u00e1rio identificar os alunos que apresentam sinais de dificuldades de aprendizagem.<\/p>\n<p>Para estudar e analisar o referido tema foi realizado observa\u00e7\u00f5es em salas de aula na entrada, durante o per\u00edodo de recreio, aulas de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e t\u00e9rmino das aulas, por meio de um roteiro de observa\u00e7\u00f5es semi-estruturado. Aplicou-se tamb\u00e9m um roteiro de entrevista estruturada com as tr\u00eas (03) professoras das turmas de 1\u00aa s\u00e9ries cuja t\u00e9cnica \u00e9 a inquiri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o levantamento das informa\u00e7\u00f5es foi adotado o m\u00e9todo de an\u00e1lise de conte\u00fados, visando articular os dados coletados com a literatura cient\u00edfica existente na \u00e1rea de dificuldades de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Referencial Te\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas palavras foram propositadamente escolhidas e s\u00e3o significativas no desenvolvimento desse estudo a primeira delas dificuldades de aprendizagem que de acordo com Antunes (1999), as dificuldades de aprendizagem envolvem alunos comuns, aparentemente sem danos de natureza m\u00e9dica ou psic\u00f3loga que necessitem de pr\u00e1ticas educativas especiais.<\/p>\n<p>Apresentam dificuldades de aprendizagem crian\u00e7as que, examinadas por uma equipe psicopedag\u00f3gica e interdisciplinar, mesmo recebendo exerc\u00edcios e atividades apropriadas para seu n\u00edvel de idade e de capacidade, n\u00e3o rendem de acordo com esses n\u00edveis em uma ou mais \u00e1reas dentre as seguintes: express\u00e3o oral, compreens\u00e3o oral, express\u00e3o escrita com ortografia adequada, habilidade b\u00e1sica de leitura, compreens\u00e3o da leitura, c\u00e1lculo matem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Alguns comportamentos surgem a partir das mesmas condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas que causam dificuldades de aprendizagem. Embora, muitos alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem sentem-se felizes e ajustados, alguns desenvolvem problemas emocionais. Muitos desistem de aprender e desenvolvem estrat\u00e9gias para evitar a escola, questionam sobre sua pr\u00f3pria intelig\u00eancia, tendem-se a isolar-se socialmente, com freq\u00fc\u00eancia sofrem de solid\u00e3o e de baixa auto-estima. Est\u00e3o propensos a abandonar os estudos, sentem-se frustrados e a inseguran\u00e7a pode acompanhar esses alunos at\u00e9 a idade adulta.<\/p>\n<p>Muitos poder\u00e3o ter dificuldades de se relacionar e fazer amizades, seus altos e baixos emocionais podem levar a fam\u00edlia a um tumulto. \u00c9 dif\u00edcil para muitos pais verem os filhos desistirem de si mesmos de seus sonhos.<\/p>\n<p>O mais indicado para os pais que tem filhos com dificuldades de aprendizagem ser\u00e1 a parceria com os professores e orientadores escolares para o enfrentamento desses problemas.<\/p>\n<p>A segunda palavra estudada \u00e9 problema de aprendizagem que na vis\u00e3o de Martin e Marchesi (apud Christofi, Tozzi e Onest (1997), o conceito de problemas de aprendizagem ou atraso na aprendizagem \u00e9 muito amplo, o seu significado abrangeria qualquer dificuldade observ\u00e1vel enfrentada pelo aluno para acompanhar o ritmo de aprendizagem de seus colegas da mesma faixa et\u00e1ria, seja qual for o fator determinante desse atraso. Assim a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma heterogeneidade n\u00e3o sendo simples encontrar crit\u00e9rios que delimitem com maior precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme Major (1987: 02), o termo problemas de aprendizagem \u00e9 freq\u00fcentemente mal interpretado, devido \u00e0s v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es que lhe foram atribu\u00eddos. Geralmente, quando se refere a uma crian\u00e7a com problemas de aprendizagem, refere-se a uma crian\u00e7a de intelig\u00eancia mediana (ou acima da m\u00e9dia) sem problemas emocionais ou motores s\u00e9rios e que pode ver e ouvir a partir dos par\u00e2metros normais. Por\u00e9m, a mesma poder\u00e1 apresentar alguma dificuldade nas atividades escolares habituais. Essa crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 o aprendiz vagaroso, que n\u00e3o tem habilidade para aprender em ritmo normal, ou uma crian\u00e7a emocionalmente perturbada e socialmente mal ajustada.<\/p>\n<p>Os r\u00f3tulos empregados na descri\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as, tais como: defici\u00eancia perceptiva, les\u00e3o cerebral, disfun\u00e7\u00e3o m\u00ednima cerebral (DMC), dificuldade, problema ou dist\u00farbios de aprendizagem merecem ser refletido pelos profissionais da educa\u00e7\u00e3o para n\u00e3o haver ocorr\u00eancias de uso de termos inapropriados para expressar as dificuldades de aprendizagem.<\/p>\n<p>Entende-se que a express\u00e3o problemas de aprendizagem tem sido utilizada em m\u00faltiplos sentidos, devido fundamentalmente \u00e0 diversidade de fatores intervenientes no processo da aprendizagem humana, como \u00e0 diversidade de profissionais que se dedicam ao tema.<\/p>\n<p>Segundo Ferreiro (1987: 15), afirma que, o que acontece no in\u00edcio da escolaridade prim\u00e1ria \u00e9 decisivo para todo o resto da hist\u00f3ria escolar da crian\u00e7a. \u00c9 no primeiro ano das s\u00e9ries iniciais, que a crian\u00e7a \u00e9 definida como um aluno lento, r\u00e1pido, com ou sem problemas. \u00c9 neste espa\u00e7o que o aluno receber\u00e1 a primeira etiqueta, que ter\u00e1 conseq\u00fc\u00eancias no resto de sua escolaridade.<\/p>\n<p>A terceira palavra estudada \u00e9 dist\u00farbios de aprendizagem que de acordo com Bruce (1997: 04), refere-se aos dist\u00farbios de aprendizagem como, um termo mais amplo do que incapacidade de aprender (que \u00e9 subconjunto de dist\u00farbios de aprendizagem), pois o termo dist\u00farbios de aprendizagem, n\u00e3o exclui o retardo mental ou as etiologias adquiridas.<\/p>\n<p>Historicamente, o retardo mental foi o primeiro dist\u00farbio de aprendizagem descrito e estudado.<\/p>\n<p>Para Ciasca (1991), as caracter\u00edsticas dos indiv\u00edduos com dist\u00farbios de aprendizagem, podem ser identificadas de um modo geral, algumas como d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, falha no desenvolvimento e nas estrat\u00e9gias cognitivas para a aprendizagem, dificuldade perceptual e problemas no processamento da informa\u00e7\u00e3o recebida, dificuldade na linguagem oral e escrita dificuldade na leitura, dificuldade em racioc\u00ednio matem\u00e1tico e comportamento social inapropriado.<\/p>\n<p>O processo diagn\u00f3stico do aluno com dist\u00farbio de aprendizagem n\u00e3o \u00e9 algo simples, no entanto, muitas vezes o professor suspeita de que algo n\u00e3o esta dentro da normalidade com um aluno e lhe atribui de irrespons\u00e1vel, o r\u00f3tulo de portador de dist\u00farbios de aprendizagem. Percebe-se que \u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar em rela\u00e7\u00e3o aos r\u00f3tulos e julgamentos precoces, buscando conhecer o aluno e compreender seu desempenho.<\/p>\n<p>Eliminada a possibilidade de que fatores relacionados \u00e0 pr\u00e1tica pedag\u00f3gica e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas do aluno sejam os determinantes da situa\u00e7\u00e3o constatada, a suspeita inicial de um (a) professor (a) deveria ser investigada atrav\u00e9s de uma avalia\u00e7\u00e3o interdisciplinar, envolvendo avalia\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, pedag\u00f3gicas e neurol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Esse processo diagn\u00f3stico exige avalia\u00e7\u00f5es precisas que deveriam ser abrangentes, possibilitando a coleta de informa\u00e7\u00f5es diferenciados e complementares, pautados na compreens\u00e3o do desempenho do aluno.<\/p>\n<p><strong>Resultados, Discuss\u00e3o e Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s an\u00e1lise dos dados coletados cujo objetivo foi verificar as causas e implica\u00e7\u00f5es das dificuldades de aprendizagem e identificar as problem\u00e1ticas que afetam alunos portadores dessas dificuldades, percebeu-se que a queixa mais freq\u00fcente nas turmas observadas remete \u00e0 leitura (dislexia) e as dificuldades na escrita (disgrafia).<\/p>\n<p>Segundo observa\u00e7\u00f5es realizadas as dificuldades na leitura e na escrita causam nas crian\u00e7as analisadas sentimento de fracasso, \u00e9 atrav\u00e9s da leitura, que elas v\u00eaem outdoors, embalagens, mas n\u00e3o conseguem entender aqueles sinais. Elas n\u00e3o conseguem fazer a transfer\u00eancia do sinal gr\u00e1fico para o significado.<\/p>\n<p>Dos setenta e cinco (75) alunos observados:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 23 apresentam dificuldades na leitura e escrita.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 10 l\u00eaem muito pouco.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 08 ainda n\u00e3o conseguiam ler.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 05 j\u00e1 haviam reprovados mais de uma vez e continuavam com dificuldades em leitura e escrita.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 04 apresentavam dificuldades em diferentes disciplinas.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 01 segundo a fala da professora \u00e9 hiperativo<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 01 conforme dados da professora apresenta defici\u00eancia mental leve (DM).<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s desses dados entende-se que fica dif\u00edcil para a professora compreender a natureza dessas dificuldades, pois al\u00e9m de estarem relacionadas a uma pluralidade de fatores na maioria das vezes est\u00e3o freq\u00fcentes nos diferentes conte\u00fados escolares.<\/p>\n<p>As dificuldades de aprendizagem desses alunos pesquisados na \u00e1rea da leitura e da escrita podem ser atribu\u00eddas \u00e0s mais variadas causas org\u00e2nicas, psicol\u00f3gicas, pedag\u00f3gicas e s\u00f3cio-culturais.<\/p>\n<p>Entende-se que essas implica\u00e7\u00f5es v\u00eam acarretar problemas significativos na vida do aluno ao longo do seu per\u00edodo escolar ou pela vida. Percebe-se que, em algumas escolas uma estrat\u00e9gia comumente usada tem sido simulacro e do emudecimento: a \u00fanica alternativa apresentada como relevante para os alunos da 1\u00aa s\u00e9rie \u00e9 aprender a <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">ler<\/a> e escrever (o que freq\u00fcentemente fica no n\u00edvel de desejo quando come\u00e7a constatar a infind\u00e1vel sucess\u00e3o de fracassos, desajustes e evas\u00e3o escolar).<\/p>\n<p>Neste contexto, a leitura apresentada para as crian\u00e7as \u00e9 ensinada como mera habilidade sem sentido. Como n\u00e3o serve de prop\u00f3sito, n\u00e3o tem utilidade e sentido, n\u00e3o oferece prazer.<\/p>\n<p>Conclui-se que o presente estudo sobre os alunos de 1\u00aa s\u00e9rie que apresentam dificuldades de aprendizagem carregam consigo o estigma do desinteresse, pregui\u00e7a e que as implica\u00e7\u00f5es deste problema acarretam preju\u00edzos ao seu processo ensino e aprendizagem e conseq\u00fcentemente comprometendo sua vida social.<\/p>\n<p>Desta forma, acredita-se que a crian\u00e7a tamb\u00e9m aprende atrav\u00e9s de brincadeiras, m\u00fasicas, jogos l\u00fadicos e com carinho, aten\u00e7\u00e3o dedica\u00e7\u00e3o daqueles com quem convive.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 necess\u00e1rio ainda, fazer com que a crian\u00e7a conquiste uma vida de experi\u00eancias sem restri\u00e7\u00f5es e mutila\u00e7\u00f5es, com conte\u00fado emocional sadio.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<p>AJURIAGUERRA, J. de e MARCELLI D.e Colaboradores. A dislexia em quest\u00e3o: dificuldades e fracassos na aprendizagem da l\u00edngua escrita. Tradu\u00e7\u00e3o Iria Maria Renault de Castro e Silva. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1984.<\/p>\n<p>ANTUNES, C. a dimens\u00e3o de uma mudan\u00e7a: aten\u00e7\u00e3o, criatividade, disciplina, dist\u00farbios de aprendizagem. Propostas e projetos. Campinas-SP. S\u00e3o Paulo: Papirus, 1999.<\/p>\n<p>BOSSA, Nadia A. Dificuldades de aprendizagem: o que s\u00e3o? Como trat\u00e1-las? Porto Alegre: Artes <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">M\u00e9dicas<\/a> Sul, 2000.<\/p>\n<p>BRUCE, F. P. Diagn\u00f3stico de dist\u00farbios de aprendizagem. S\u00e3o Paulo: Pioneira, 1997.<\/p>\n<p>CIASCA, S. M. Diagn\u00f3stico dos dist\u00farbios de aprendizagem em crian\u00e7as: an\u00e1lise de uma pr\u00e1tica interdisciplinar. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Psicologia) Universidade de S\u00e3o Paulo, 1991.<\/p>\n<p>DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Dist\u00farbios da aprendizagem. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1995.<\/p>\n<p>FERREIRO, Em\u00edlia. A crian\u00e7a no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: PUC, agosto\/1987.<\/p>\n<p>FONSECA, Vitor da. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1994.<\/p>\n<p>FONTOURA, H. A. da. Ouvindo professoras de alunos com dificuldades de aprendizagem: um estudo etnogr\u00e1fico. Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o Especial. Piracicaba-SP, V. 1, n. 2, 1994.<\/p>\n<p>FONSECA, V. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades de aprendizagem. 2. ed. ver. aum. Porto Alegre: Artmed, 1995.<\/p>\n<p>FUNAYAMA, C. A. R. Problemas de aprendizagem enfoque multidisciplinar. S\u00e3o Paulo: Al\u00ednea, 2000.<\/p>\n<p>GARCIA, J. W. Manual de dificuldade de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">Matem\u00e1tica<\/a>. Trad. Jussara H. Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 1998.<\/p>\n<p>JOS\u00c9, Elizabete da Assun\u00e7\u00e3o e Coelho. Problemas de aprendizagem. 7. ed. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1995.<\/p>\n<p>LORENZINI, Marlene V. Brincando a brincadeira com a crian\u00e7a deficiente. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Manoele,2002.<\/p>\n<p>LUCIANO, F\u00e1bia Lili\u00e3. Metodologia Cient\u00edfica e da pesquisa. Crici\u00fama: UNESC, 2001.<\/p>\n<p>MAJOR, S. Crian\u00e7as com dificuldades de aprendizado. (Jogos e atividades). Editora Manoele, 1987.<\/p>\n<p>PAIN, Sara. Diagn\u00f3stico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1985.<\/p>\n<p>________. Aprendizagem nas 1\u00aas s\u00e9ries do 1\u00b0 grau. Cadernos cevec. S\u00e3o Paulo. (2): 3-23, abril\/1996.<\/p>\n<p>ROSS, Alan Otto. Aspectos psicol\u00f3gicos dos dist\u00farbios da aprendizagem e dificuldades na leitura. S\u00e3o Paulo: Mc Graw-Hill do Brasil, 1979.<\/p>\n<p>SMITH, Corine e STRICK, Lisa. Dificuldades de aprendizagem de a A a Z. Porto Alegre: Artmed, 2001.<\/p>\n<p>Publicado em 04\/03\/2004 10:03:00<\/p>\n<hr size=\"2\" noshade=\"noshade\" \/><a rel=\"nofollow noopener\" href=\"mailto:danfraccaroli@ac.unisul.br?Subject=Psicopedagogia%20On%20Line%20-%20Artigo%20Publicado\" target=\"_blank\">Ang\u00e9lica Fran\u00e7a Goto<\/a> &#8211; Mestranda em Educa\u00e7\u00e3o UNISUL-Tubar\u00e3o SC;P\u00f3s Gradua\u00e7\u00f5es: Did\u00e1tica-Jales SP e Terapia Sexual-Bras\u00edlia-DF. Gradua\u00e7\u00f5es: Psicologia UNISUL-SC;Estudos Sociais &#8211; UNOESTE-SP;Administra\u00e7\u00e3o Escolar-UNIMAR-SP;Professora <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">universit\u00e1ria<\/a> e orientadora de Est\u00e1gio em Psicologia na Educa\u00e7\u00e3o-UNESC-SC<\/p>\n<p>Fonte: <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510\" target=\"_blank\">http:\/\/www.psicopedagogia.com.br\/artigos\/artigo.asp?entrID=510<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores pressionados por seus chefes seguem calend\u00e1rios oficiais que exigem que todas as crian\u00e7as aprendam no mesmo ritmo e do mesmo 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