{"id":13846,"date":"2010-02-10T09:38:22","date_gmt":"2010-02-10T12:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=13846"},"modified":"2010-02-10T09:38:22","modified_gmt":"2010-02-10T12:38:22","slug":"o-novo-homem-bionico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=13846","title":{"rendered":"O novo homem bi\u00f4nico"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_13847\" aria-describedby=\"caption-attachment-13847\" style=\"width: 118px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/epoca.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail wp-image-13847\" title=\"epoca\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/epoca-118x150.jpg\" alt=\"\" width=\"118\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13847\" class=\"wp-caption-text\">Capa da Revista \u00c9poca - Foto de mulher sentada em cadeira de pernas cruzadas, com pr\u00f3tese em uma das pernas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Bra\u00e7os, pernas, olhos, ouvidos, cora\u00e7\u00e3o. A tecnologia j\u00e1 \u00e9 capaz de reabilitar \u2013 \u00e0s vezes at\u00e9 melhorar \u2013 nosso corpo. At\u00e9 onde ir\u00e1 nossa uni\u00e3o com a m\u00e1quina<\/p>\n<p>Peter Moon, Aline Ribeiro e Marcela Buscato<\/p>\n<p>N\u00e3o posso falar que minha vida est\u00e1 muito melhor. Se fizer isso, vai haver gente querendo amputar uma perna tamb\u00e9m\u201d, diz o pernambucano Paulo de Almeida. Ele perdeu a perna direita em 1997, aos 31 anos. Dez anos depois, usando uma pr\u00f3tese aerodin\u00e2mica, ergon\u00f4mica e ultrarresistente, tornou-se o \u00fanico para-atleta brasileiro a completar \u2013 e vencer, na categoria de paraesportistas \u2013 a ultramaratona Comrades, na \u00c1frica do Sul. S\u00e3o 89 quil\u00f4metros , mais que o dobro dos 42 quil\u00f4metros da maratona tradicional.<\/p>\n<p>\u201cFa\u00e7o hoje muito mais do que fazia quando tinha as duas pernas\u201d, diz Almeida. \u201cEu nado, pedalo e jogo bola.\u201d N\u00e3o quer dizer que ele seja mais feliz. \u201cAcordo todos os dias sem uma perna. \u00c9 algo insubstitu\u00edvel.\u201d Mas sua hist\u00f3ria, hoje longe de ser uma exce\u00e7\u00e3o, mostra como o avan\u00e7o da tecnologia est\u00e1 criando condi\u00e7\u00f5es para restaurar, reconfigurar e em alguns casos at\u00e9 melhorar as condi\u00e7\u00f5es originais do corpo humano.<\/p>\n<p>Pr\u00f3teses, que antes cumpriam nada mais que uma fun\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, tornaram-se avan\u00e7adas a ponto de ser controladas pelo pensamento \u2013 as mais modernas chegam a dar mais for\u00e7a e possibilidades de movimento que os membros originais. Com elas, m\u00e3es que perderam o bra\u00e7o podem voltar a abra\u00e7ar seus filhos, e corredores alcan\u00e7am o n\u00edvel de superatletas. Outras pe\u00e7as bi\u00f4nicas est\u00e3o revolucionando nosso entendimento do corpo humano. Com implantes de chips, beb\u00eas que nasceram surdos tornam-se capazes de ouvir, pessoas que perderam a vis\u00e3o recuperam a capacidade de distinguir silhuetas. Na semana passada, uma equipe de cientistas inglesa anunciou ter tido sucesso nos testes de um p\u00e2ncreas artificial, capaz de fornecer a diab\u00e9ticos a quantidade de insulina de acordo com as necessidades do corpo, em tempo real (e n\u00e3o em quantidades predeterminadas, imprecisas, como \u00e9 feito at\u00e9 agora). J\u00e1 est\u00e1 em est\u00e1gio de testes at\u00e9 um cora\u00e7\u00e3o mec\u00e2nico. Nada disso representa, ainda, a realiza\u00e7\u00e3o da fantasia do Homem de 6 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 a s\u00e9rie de televis\u00e3o da d\u00e9cada de 1970 em que um astronauta acidentado vira uma esp\u00e9cie de super-homem depois de receber duas pernas, um bra\u00e7o e um olho bi\u00f4nicos. Mas as frases antol\u00f3gicas da abertura de cada epis\u00f3dio est\u00e3o cada vez mais perto da realidade: \u201cPodemos reconstru\u00ed-lo. Temos a tecnologia. Temos a capacidade de fazer o primeiro homem bi\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o de equipamentos bi\u00f4nicos \u2013 entendidos como m\u00e1quinas que se misturam a nosso organismo \u2013 prenuncia dois caminhos poss\u00edveis para nossa sa\u00fade, com impactos determinantes para o futuro da humanidade. Primeiro, eles permitem imaginar um futuro em que poderemos tratar nosso corpo de modo mais parecido com o jeito como tratamos nossos carros. Se uma pe\u00e7a fica desgastada, troca-se. De certa forma, isso j\u00e1 \u00e9 feito h\u00e1 d\u00e9cadas. O primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o tem 42 anos. O de rim, 55 anos. Mas transplantes envolvem a busca de doadores, a possibilidade de rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. Hoje h\u00e1 meios de construir pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o com o material do pr\u00f3prio paciente. E ampliou-se o leque de pe\u00e7as pass\u00edveis de troca: um f\u00eamur novo pode diminuir o risco de fraturas para idosos, um joelho mec\u00e2nico pode devolver a um atleta as condi\u00e7\u00f5es de se exercitar. O progresso da medicina e das condi\u00e7\u00f5es de higiene tem feito subir a expectativa de vida em quase todos os cantos do planeta. No Brasil, ela quase dobrou em um s\u00e9culo. Os avan\u00e7os na fabrica\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses, \u00f3rg\u00e3os ou chips inteligentes permitem adicionar qualidade de vida a esses anos extras.<\/p>\n<p>O segundo impacto \u00e9 mais abstrato, mas n\u00e3o menos revolucion\u00e1rio. Envolve nosso pr\u00f3prio conceito sobre o que \u00e9 humano. \u201cDaqui a um s\u00e9culo, o uso de pr\u00f3teses para expandir as capacidades humanas ser\u00e1 corriqueiro\u201d, diz o biof\u00edsico americano Hugh Herr, de 45 anos. \u201cNas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, veremos a aten\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s do esporte se voltar dos Jogos Ol\u00edmpicos aos Paraol\u00edmpicos. L\u00e1 estar\u00e3o os corredores mais r\u00e1pidos, os atletas mais fortes e os melhores saltadores.\u201d<\/p>\n<p>Herr sabe do que est\u00e1 falando. Ele chefia o laborat\u00f3rio de biomecatr\u00f4nica do Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos principais centros tecnol\u00f3gicos do mundo. L\u00e1 desenvolveu o PowerFoot One, a primeira pr\u00f3tese inteligente de p\u00e9 e tornozelo, feita de alum\u00ednio, tit\u00e2nio e fibra de carbono. Ele foi tamb\u00e9m o primeiro a us\u00e1-la. Com duas pernas bi\u00f4nicas no lugar das pernas que perdeu aos 17 anos, em 1982, Herr voltou a escalar pared\u00f5es de rocha e de gelo. (Ele perdeu as pernas ao escalar um penhasco de gelo no Monte Washington, em New Hampshire. Ficou preso com um amigo num plat\u00f4 durante tr\u00eas dias e meio, a uma temperatura de 30 graus negativos, por causa de uma nevasca. Quando foram resgatados, o amigo tinha v\u00e1rios dedos dos p\u00e9s e das m\u00e3os congelados. Herr estava quase morto. Suas canelas e seus p\u00e9s, enegrecidos e duros como pedra, tiveram de ser amputados. De l\u00e1 para c\u00e1, dedicou-se a criar a melhor pr\u00f3tese poss\u00edvel.)<\/p>\n<p>Equipado com tr\u00eas chips e 12 sensores para medir for\u00e7a, posi\u00e7\u00e3o e in\u00e9rcia, o PowerFoot One ajusta automaticamente o \u00e2ngulo, a flexibilidade e o amortecimento do tornozelo, do p\u00e9 e dos dedos mec\u00e2nicos a cada passada. A fonte de energia do PowerFoot One \u00e9 sua bateria recarreg\u00e1vel, que captura parte da energia resultante da press\u00e3o da sola contra o solo a cada passo. A pr\u00f3tese ajusta sua pot\u00eancia \u00e0 velocidade do andarilho \u2013 mas, se o dono quiser sair do modo autom\u00e1tico para o controle manual, pode ajustar a pot\u00eancia do p\u00e9 inteligente a partir de um celular com Bluetooth (Herr promete para logo um aplicativo para o iPhone). Dado o potencial do PowerFoot One, Herr atraiu US$ 10 milh\u00f5es de capital de risco para fundar a iWalk, empresa que come\u00e7ar\u00e1 a vender o PowerFoot One at\u00e9 o fim do ano. \u201cAinda n\u00e3o decidimos qual ser\u00e1 o pre\u00e7o final. A ideia \u00e9 que n\u00e3o seja alto, para caber no or\u00e7amento das seguradoras\u201d, diz.<\/p>\n<p>Quando fala de expandir os limites humanos, Herr n\u00e3o se refere a um futuro distante. Em 2007, ele defendeu o velocista sul-africano Oscar Pistorius no processo em que pleiteava ser inclu\u00eddo na equipe nacional de atletismo para os Jogos Ol\u00edmpicos de Beijing, em 2008. Pistorius nasceu sem a f\u00edbula das duas pernas, um dos ossos que fazem a liga\u00e7\u00e3o entre o joelho e o calcanhar. Teve de amputar ambos os membros acima dos joelhos antes de completar 1 ano. E usa pr\u00f3teses ultramodernas para correr, do modelo Cheetah (a chita, ou guepardo, \u00e9 o animal que corre mais r\u00e1pido na Terra). A Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Federa\u00e7\u00f5es de Atletismo (Iaaf) vetou Pistorius. De acordo com um estudo da Universidade de Wyoming, ele completa as passadas com velocidade 15% maior que os concorrentes. \u201cUsain Bolt (atual recordista mundial dos 100 metros livres) \u00e9 considerado um fen\u00f4meno por fazer isso at\u00e9 4% mais r\u00e1pido que os advers\u00e1rios\u201d, diz Matthew Bundle, coautor do estudo.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica murchou porque Pistorius n\u00e3o obteve a marca m\u00ednima para classifica\u00e7\u00e3o na prova de 400 metros rasos. O pr\u00f3prio resultado d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 tese de que sua vantagem \u00e9 relativa. Se s\u00e3o mais leves e atuam como molas, as pr\u00f3teses n\u00e3o geram a mesma impuls\u00e3o que os m\u00fasculos de um atleta normal. Mas h\u00e1 pouca d\u00favida de que a pr\u00f3xima evolu\u00e7\u00e3o das pernas bi\u00f4nicas poder\u00e1 ser muito mais eficiente.<\/p>\n<p>Soa improv\u00e1vel que as pessoas decidam no futuro recorrer a pr\u00f3teses para melhorar seu desempenho. Herr rebate: \u201cUm ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial tem algum tipo de defici\u00eancia. Centenas de milh\u00f5es usam pr\u00f3teses. Lentes de contato s\u00e3o pr\u00f3teses oculares, e ningu\u00e9m estranha\u201d. H\u00e1 gente que vai mais al\u00e9m. O fil\u00f3sofo brit\u00e2nico Andy Clark, autor do livro Supersizing the mind (Aumentando a mente, sem tradu\u00e7\u00e3o no Brasil), diz que \u201cno futuro algumas tecnologias ser\u00e3o implantadas em nosso corpo, algo como ter uma agenda de celular implantada no c\u00e9rebro\u201d. Se algo parecido com isso se concretizar, estaremos no terreno da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica (clique na imagem ao lado).<\/p>\n<p>A realidade, por enquanto, s\u00e3o os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que est\u00e3o permitindo dar condi\u00e7\u00f5es de vida melhores a cada vez mais pessoas. Uma delas \u00e9 a menina J\u00falia, de 2 anos e meio. J\u00falia nasceu surda. Quando Evelyn Freitas Albuquerque, sua m\u00e3e, recebeu a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico, 21 dias ap\u00f3s o parto, ela se informou sobre uma cirurgia e decidiu que iria tentar. J\u00falia foi operada aos 10 meses. Um m\u00eas ap\u00f3s a cirurgia, ouviu pela primeira vez. Era apenas um \u201cpiii\u201d, um barulho para testar o implante, mas fez a menina arregalar os olhos e sorrir. Depois, o som da pr\u00f3pria risada a encantou. Ela riu o dia inteiro. Um m\u00eas e meio ap\u00f3s o implante, Evelyn ouviu J\u00falia cham\u00e1-la de mam\u00e3e pela primeira vez. Hoje, a menina fala como qualquer crian\u00e7a de sua idade. \u201cEla vai ter uma vida normal\u201d, diz Evelyn.<\/p>\n<p>A cirurgia a que J\u00falia foi submetida se chama implante coclear, tamb\u00e9m conhecido como ouvido bi\u00f4nico. Trata-se de implantar um componente na regi\u00e3o do ouvido e acoplar um dispositivo \u00e0 parte externa da cabe\u00e7a. O dispositivo capta sons, transforma-os em sinais el\u00e9tricos e os envia ao componente, que os repassa \u00e0 parte do c\u00e9rebro respons\u00e1vel por decodificar sons. As primeiras tentativas de fazer isso come\u00e7aram na d\u00e9cada de 50, mas o implante s\u00f3 ganhou for\u00e7a nos anos 90, quando os componentes ficaram menores e capazes de distinguir a voz humana (e n\u00e3o s\u00f3 buzinas ou ru\u00eddos). Cerca de 180 mil pessoas usam esse dispositivo no mundo, 2 mil no Brasil.<\/p>\n<p>A vida tamb\u00e9m mudou para a estudante de administra\u00e7\u00e3o Suellen de Paula Rodrigues, de 23 anos, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, S\u00e3o Paulo. Ela diz n\u00e3o se arrepender do dia em que autorizou a amputa\u00e7\u00e3o da perna esquerda na altura da virilha. Suellen tinha 19 anos e desde os 15 lutava contra um c\u00e2ncer no f\u00eamur que a prendia a uma cama. \u201cTinha de escolher entre morrer com duas pernas ou viver s\u00f3 com uma.\u201d Hoje, Suellen retomou a vida normal. Trabalha como banc\u00e1ria e cursa a faculdade \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Suellen usa a pr\u00f3tese mais moderna da Am\u00e9rica do Sul para seu caso. \u00c9 uma articula\u00e7\u00e3o de quadril com um sistema hidr\u00e1ulico que adapta a intensidade da for\u00e7a aplicada sobre o joelho e varia de acordo com o terreno. O joelho da pr\u00f3tese calcula automaticamente o \u00e2ngulo de cada passada. Assim, o movimento torna-se natural, a musculatura n\u00e3o \u00e9 sobrecarregada e Suellen n\u00e3o se cansa. Ela sobe e desce escadas e d\u00e1 longos passeios no shopping. Com a primeira pr\u00f3tese, ela era obrigada a restringir seus passeios a uns poucos minutos. Precisava encontrar a maneira certa de posicionar o quadril a cada passo, para n\u00e3o jogar todo o peso do corpo sobre a pr\u00f3tese, o que faria o joelho mec\u00e2nico dobrar e jog\u00e1-la ao ch\u00e3o. Isso aconteceu in\u00fameras vezes. \u201cQuando usava a pr\u00f3tese antiga, queria que o mundo fosse um grande drive-thru. Queria que as coisas viessem at\u00e9 mim.\u201d O pre\u00e7o da melhora na qualidade de vida de Suellen \u00e9 alto: R$ 200 mil. Metade foi paga por um conv\u00eanio entre a empresa que criou a pr\u00f3tese e a cl\u00ednica que a adaptou a Suellen. Os outros R$ 100 mil s\u00e3o pagos pela fam\u00edlia da estudante, em parcelas mensais.<\/p>\n<p>Um m\u00eas ap\u00f3s o implante no ouvido, a menina<\/p>\n<p>J\u00falia ouviu o som da pr\u00f3pria risada. Riu o dia inteiro<\/p>\n<p>Para Paulo de Almeida, a pr\u00f3tese significou a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho. Natural de Sert\u00e2nia, em Pernambuco, Almeida corria desde crian\u00e7a. Sonhava em participar da S\u00e3o Silvestre, a tradicional corrida de rua disputada em S\u00e3o Paulo em 31 de dezembro. Em 1985, aos 19 anos, mudou-se para S\u00e3o Paulo. Arranjou trabalho numa metal\u00fargica, mas n\u00e3o tinha tempo para treinar. Doze anos depois, uma empilhadeira capotou e esmagou seu p\u00e9 direito. Ap\u00f3s a amputa\u00e7\u00e3o da perna, Almeida ficou revoltado. Passou a beber. Ent\u00e3o conheceu o ortopedista Marco Antonio Guedes, diretor do Centro Marian Weiss, refer\u00eancia no tratamento de amputados, em S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m amputado, Guedes praticava esportes e incentivou Almeida.<\/p>\n<p>O recome\u00e7o dos treinos foi t\u00edmido. \u201cEu vestia uma cal\u00e7a de agasalho e viajava at\u00e9 Vargem Grande Paulista (extremo oeste da Grande S\u00e3o Paulo). N\u00e3o queria que ningu\u00e9m me visse de pr\u00f3tese. Ali, eu corria sozinho, numa estradinha.\u201d Em 1999, animou-se a correr a S\u00e3o Silvestre. No ano seguinte, fez a maratona de S\u00e3o Paulo. \u201cAcabei na ra\u00e7a, em quase seis horas. Quando retirei a meia, era s\u00f3 sangue. Fui o primeiro amputado a correr a prova.\u201d O ineditismo chamou a aten\u00e7\u00e3o do clube americano Achilles Track, que incentiva atletas deficientes. O clube patrocinou sua ida \u00e0 maratona de Nova York \u2013 e lhe deu uma pr\u00f3tese avan\u00e7ada. Almeida chegou em primeiro lugar entre os paraesportistas, em 3h28min. Sua carreira de atleta deslanchou. J\u00e1 correu quase 50 maratonas pelo mundo. Para caminhar, usa uma pr\u00f3tese Modular III. Para correr, usa a Flex-Run. Ambas s\u00e3o da f\u00e1brica islandesa \u00d6ssur.<\/p>\n<p>S\u00e3o pr\u00f3teses muito diferentes dos ap\u00eandices desconfort\u00e1veis desenvolvidos para os soldados amputados da Segunda Guerra Mundial, feitos de madeira, metal e couro, com movimentos limitados. Durante d\u00e9cadas, era isso o que havia. At\u00e9 que o americano Van Phillips perdeu a perna num acidente com esqui aqu\u00e1tico em 1976, aos 21 anos, e decidiu reinvent\u00e1-las. Aliou um design revolucion\u00e1rio aos novos materiais desenvolvidos para a ag\u00eancia espacial americana. O resultado foi a Flex-Foot \u2013 a g\u00eanese das pr\u00f3teses de alto desempenho atuais. Em 2000, Phillips vendeu a f\u00e1brica Flex-Foot ao island\u00eas Kristinsson \u00d6ssur, que faz as pr\u00f3teses mais desejadas por atletas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um ramo da economia em franco crescimento. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 um mercado de bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A face mais vis\u00edvel da demanda por membros artificiais vem das centenas de militares americanos amputados nas guerras do Iraque e Afeganist\u00e3o. Mas h\u00e1 um mercado muito maior, n\u00e3o t\u00e3o \u00e0 mostra: os diab\u00e9ticos. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, h\u00e1 hoje no mundo 280 milh\u00f5es de diab\u00e9ticos (11 milh\u00f5es no Brasil). Em 2030, ser\u00e3o 440 milh\u00f5es. Entre as poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es do diabetes, inclui-se a eventual necessidade de amputa\u00e7\u00e3o de p\u00e9s e pernas.<\/p>\n<p>O PowerFoot One de Herr e o joelho mec\u00e2nico de Suellen s\u00e3o pr\u00f3teses inteligentes, mas n\u00e3o s\u00e3o o estado da arte. H\u00e1 outro tipo de membros artificiais, que conectam diretamente os fios da m\u00e1quina ao sistema nervoso dos usu\u00e1rios. \u00c9 o caso do bra\u00e7o rob\u00f4 da americana Amanda Kitts, de 40 anos, no Tennessee. Em 2006, ela teve o bra\u00e7o esquerdo esmagado at\u00e9 o ombro num acidente de autom\u00f3vel. No ano seguinte, foi volunt\u00e1ria para testar uma pr\u00f3tese bi\u00f4nica financiada pela Ag\u00eancia de Pesquisas em Projetos Avan\u00e7ados (Darpa) do Pent\u00e1gono. Hoje, ela trabalha com crian\u00e7as num jardim de inf\u00e2ncia. Controla seu bra\u00e7o rob\u00f4 com a for\u00e7a do pensamento. \u201cConsigo mover a m\u00e3o, o pulso e o cotovelo ao mesmo tempo\u201d, diz. As crian\u00e7as adoram v\u00ea-la mover o bra\u00e7o rob\u00f4. Vivem pedindo para Kitts fazer movimentos gozados. \u201cEu penso, e os m\u00fasculos se movem\u201d, disse ao jornal The New York Times.<\/p>\n<p>Para chegar a esse resultado, Kitts teve de se submeter a v\u00e1rias cirurgias e fazer um duro trabalho de adapta\u00e7\u00e3o. Os nervos que conectavam seu bra\u00e7o perdido ao c\u00e9rebro tiveram de ser restaurados. O m\u00e9dico e engenheiro biomec\u00e2nico Todd Kuiken, do Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o de Chicago, desviou para o local da amputa\u00e7\u00e3o alguns nervos intactos de seu ombro. Nos meses seguintes, os nervos foram se estendendo em torno da amputa\u00e7\u00e3o. Passados tr\u00eas meses, Kitts come\u00e7ou a sentir formigamento e espasmos. Um m\u00eas depois, \u201cpodia sentir diferentes partes da m\u00e3o quando tocava a amputa\u00e7\u00e3o\u201d. O que ela sentia era o fantasma do bra\u00e7o cortado. Para todos os efeitos, ele ainda era reconhecido pelo c\u00e9rebro. Havia chegado a hora de usar a pr\u00f3tese.<\/p>\n<p>O bra\u00e7o bi\u00f4nico tem uma por\u00e7\u00e3o de eletrodos. Colados \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o como os eletrodos do exame de eletrocardiograma, sua tarefa \u00e9 captar e reconhecer os sinais nervosos que brotam dos nervos cultivados em Kitts. Uma vez captados, os impulsos nervosos s\u00e3o traduzidos em linguagem de m\u00e1quina, como os comandos de um programa de computador, para controlar os movimentos do bra\u00e7o rob\u00f4. Desde ent\u00e3o, Kitts se submete a um treinamento cont\u00ednuo para aprender a controlar seus pensamentos e comandar o bra\u00e7o rob\u00f4. Um bra\u00e7o humano realiza at\u00e9 22 movimentos diferentes. Nas pr\u00f3teses tradicionais, eram apenas tr\u00eas. O bra\u00e7o de Kitts faz sete movimentos. O pr\u00f3ximo prot\u00f3tipo far\u00e1 os mesmos 22 movimentos do bra\u00e7o perdido de Kitts. Depois disso, entramos no campo da fic\u00e7\u00e3o. Em princ\u00edpio, a capacidade de futuras pr\u00f3teses \u00e9 ilimitada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de bra\u00e7os e pernas, h\u00e1 avan\u00e7os em quase todas as \u00e1reas do corpo humano (leia no infogr\u00e1fico) \u2013 traqueias, bexigas, p\u00e2ncreas, cora\u00e7\u00e3o. Um dos mais dif\u00edceis \u00e9 o olho bi\u00f4nico. Desde o fim dos anos 1990, v\u00e1rios grupos nos Estados Unidos desenvolvem a pr\u00f3tese de vis\u00e3o artificial, que envolve o implante de eletrodos na retina, a parte do olho respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o da imagem, que \u00e9 ent\u00e3o enviada ao c\u00e9rebro. A nova t\u00e9cnica serve para restaurar a vis\u00e3o de quem ficou cego por uma doen\u00e7a degenerativa da retina, a retinose pigmentar. Em 2002, o oftalmologista paranaense Gildo Fujii fez o p\u00f3s-doutorado na Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia com um grupo que implantou uma placa com 16 eletrodos na retina de um paciente. Os eletrodos eram ligados a uma microc\u00e2mera de v\u00eddeo acoplada a \u00f3culos. As imagens em v\u00eddeo eram enviadas aos eletrodos, captadas pelas c\u00e9lulas de retina e enviadas ao c\u00e9rebro, permitindo ao paciente enxergar pontos de luz e alguns objetos. \u201cJ\u00e1 foram realizados 38 implantes com sucesso\u201d, diz Fujii, de 38 anos, professor na Universidade Estadual de Londrina. \u201cHoje, usamos uma placa com 60 eletrodos. Estou esperando a autoriza\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia m\u00e9dico-sanit\u00e1ria americana, o FDA, para iniciar os testes cl\u00ednicos no Brasil.\u201d Fujii espera que a cirurgia seja homologada dentro de tr\u00eas a cinco anos.<\/p>\n<p>A tecnologia de reconhecimento dos impulsos nervosos e sua transforma\u00e7\u00e3o em linguagem de m\u00e1quina foi criada pelo brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Nos anos 1990, Nicolelis come\u00e7ou a fazer implantes neurais com chips no c\u00e9rebro de macacos, para faz\u00ea-los controlar o movimento de alavancas rob\u00f3ticas e fazer rob\u00f4s caminhar a dist\u00e2ncia. Em 2008, Nicolelis descobriu um novo uso para seus implantes: ajudar no tratamento de doentes com mal de Parkinson. Em ratos, ru\u00eddos enviados ao chip foram capazes de diminuir os espasmos do Parkinson. O pr\u00f3ximo passo desse paulistano de 49 anos \u00e9 fazer parapl\u00e9gicos voltar a andar. Ele est\u00e1 desenvolvendo uma veste rob\u00f3tica no Instituto de Tecnologia da Su\u00ed\u00e7a, em Lausanne. Quando estiver pronta, vai iniciar testes cl\u00ednicos com humanos na Universidade Duke e no hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, em S\u00e3o Paulo. Nicolelis espera que os pacientes consigam, por meio do implante neural, controlar os movimentos da veste rob\u00f3tica para se erguer e andar. \u201cSe tudo der certo, quero ver parapl\u00e9gicos voltando a andar em tr\u00eas anos, antes da Copa de 2014.\u201d A refer\u00eancia mais parecida com o que Nicolelis tenta fazer vem, obviamente, da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u00c9 o personagem de hist\u00f3ria em quadrinhos Homem de Ferro, cuja armadura sustenta seu cora\u00e7\u00e3o atingido por estilha\u00e7os de uma bomba e, de quebra, lhe d\u00e1 poderes extraordin\u00e1rios, como for\u00e7a descomunal e capacidade de voar. Se algum dia chegarmos a esse ponto, as crian\u00e7as ter\u00e3o dificuldade de aprender o significado do termo \u201cdeficiente f\u00edsico\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Revista \u00c9poca<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/\">http:\/\/revistaepoca.globo.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bra\u00e7os, pernas, olhos, ouvidos, cora\u00e7\u00e3o. A tecnologia j\u00e1 \u00e9 capaz de reabilitar \u2013 \u00e0s vezes at\u00e9 melhorar \u2013 nosso corpo. At\u00e9 onde ir\u00e1 nossa uni\u00e3o com a m\u00e1quina Peter Moon, Aline Ribeiro e Marcela Buscato N\u00e3o posso falar que minha vida est\u00e1 muito melhor. 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