{"id":13949,"date":"2010-02-17T06:59:45","date_gmt":"2010-02-17T09:59:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=13949"},"modified":"2010-02-17T06:59:45","modified_gmt":"2010-02-17T09:59:45","slug":"o-homem-que-vende-ideias-no-varal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=13949","title":{"rendered":"O homem que vende ideias no varal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/logo_final_viapolitica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12629  alignleft\" title=\"Inclusive - logotipo da Via Politica - livre informa\u00e7\u00e3o e cultura.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/logo_final_viapolitica.jpg\" alt=\"Inclusive - logotipo da Via Politica - livre informa\u00e7\u00e3o e cultura.\" width=\"193\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/logo_final_viapolitica.jpg 276w, https:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/logo_final_viapolitica-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 193px) 100vw, 193px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Por Let\u00edcia Duarte<\/strong><\/p>\n<p>Che Guevara est\u00e1 pendurado no varal, ao lado de Bob Marley. O cliente pode escolher se quer um Che amarelo, verde ou vermelho, os bord\u00f5es \u201chay que endurecerce, sin perder la ternura jam\u00e1s\u201d ou \u201chasta la victoria siempre\u201d. Bob Marley pode ser preto ou vermelho. Ali tamb\u00e9m est\u00e1 o educador Paulo Freire, o her\u00f3i nacional uruguaio Jos\u00e9 Artigas. Todos \u00e0 venda, por R$ 15. Lado a lado, sustentados por prendedores de madeira no varal azul, ora estendido entre duas \u00e1rvores, ora entre dois pilares, na loja ambulante de Richard Nunes, 40 anos. Com uma bolsa preta a tiracolo, esse uruguaio que adotou a Bahia como lar durante 12 anos viaja pelo Brasil vendendo suas estampas em algod\u00e3o. Mas n\u00e3o se engane. Embora venda camisetas, ele n\u00e3o \u00e9 um vendedor de camisetas.<\/p>\n<p><object style=\"width: 425px; height: 344px;\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"425\" height=\"344\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/1SuU8hh99jY\" \/><embed style=\"width: 425px; height: 344px;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"425\" height=\"344\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/1SuU8hh99jY\"><\/embed><\/object><br \/>\nSe fosse pelo diploma, o correto seria identificar como fisioterapeuta o homem que agora estende seu varal diante do pr\u00e9dio da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, trajando bermuda at\u00e9 os joelhos, camiseta preta lisa e um par de chinelos com tiras rasgadas. Filho de militar reformado uruguaio e de uma ga\u00facha, irm\u00e3o de um chef internacional de cozinha e de uma m\u00e9dica, formou-se em 1996 pela tradicional Universidad de La Rep\u00fablica, em Montevid\u00e9u. Na \u00e9poca, andava engravatado e sonhava em ostentar um avental branco que lhe abriria todas as portas nos corredores lustrosos das cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>S\u00f3 que fisioterapeuta tampouco \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o apropriada para quem abandonou seus quatro empregos no Uruguai um ano ap\u00f3s terminar a faculdade para se aventurar pelo Brasil. Os que passam apressados pelo seu varal multicolorido podem n\u00e3o entender. As camisetas que tremulam com a brisa morna do ver\u00e3o ga\u00facho s\u00e3o meios, n\u00e3o fins. Richard n\u00e3o quer vender um peda\u00e7o de pano. Quer compartilhar uma vis\u00e3o de mundo. Passar mensagens, ainda que por vezes contradit\u00f3rias. Richard \u00e9 na verdade um vendedor de ideias. Ou seriam ideais?<\/p>\n<p>O evento que o traz a Porto Alegre desta vez \u00e9 o F\u00f3rum Social Mundial. Poderia ser um encontro de universit\u00e1rios, um simp\u00f3sio de Letras. E agora ele est\u00e1 ali, vendendo Che Guevara. O \u00edcone anticapitalista oferecido ao pre\u00e7o de um Big Mac completo, com batatas fritas e Coca-Cola. Da mesma forma que o sandu\u00edche \u00e9 o carro-chefe das vendas da mais famosa rede de fast-food do mundo, o MacDonald\u2019s, Che \u00e9 o l\u00edder de vendas de Richard. De cada 10 camisetas que o fisioterapeuta aventureiro vende, cinco carregam a imagem do barbudo com boina que morreu lutando pelo socialismo.<\/p>\n<p>Uma afronta ideol\u00f3gica? Richard garante que n\u00e3o. Diante dos de que estranham a transforma\u00e7\u00e3o da imagem do revolucion\u00e1rio em um produto e questionam se Che aprovaria sua pr\u00f3pria mercantiliza\u00e7\u00e3o, carrega uma resposta na ponta da l\u00edngua. \u201cSe Che viesse aqui hoje e visse como eu produzo, que gasto R$ 10 para fazer as camisetas e vendo por R$15 para me sustentar, acho que ele aprovaria, porque \u00e9 a minha forma de vida, n\u00e3o \u00e9 explora\u00e7\u00e3o. Agora, se Che visse uma loja grande vendendo a camiseta dele por R$ 50, a\u00ed acho que ele n\u00e3o aprovaria\u201d, reflete.<\/p>\n<p>Richard pensa em tudo, o tempo todo. Demora at\u00e9 seis meses para criar um modelo novo. Como se as camisetas fossem obras de arte \u00e0 espera de inspira\u00e7\u00e3o. De sentido. \u00c0s vezes, descobre uma frase e n\u00e3o encontra o s\u00edmbolo para acompanh\u00e1-la. Em outras, pensa na imagem e demora a achar a frase exata para legend\u00e1-la. Para resolver o impasse, pesquisa na internet, revira livros \u00e0 procura de poesias, frases de efeito. \u201cAprendo muito fazendo camisetas\u201d, repete o vendedor, que discorre sobre a trajet\u00f3ria de Che, a forma\u00e7\u00e3o cultural da Lib\u00e9ria, a pedagogia de Paulo Freire e o sincretismo de Iemanj\u00e1, todos estampados em suas camisetas, com o mesmo ardor.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia n\u00e3o entende. Por que o acad\u00eamico bem-sucedido, que no ver\u00e3o chegava a ganhar US$ 150 em uma tarde, fazendo massagens terap\u00eauticas em empres\u00e1rios e madames que veraneavam em um condom\u00ednio de luxo em Punta del Este, largou tudo para vender camisetas? Por que o fisioterapeuta que poderia ter seu emprego, sua casa, seu carro, sua mulher e seus filhos, vaga como um hippie, sem nunca ter constitu\u00eddo fam\u00edlia e nunca ter sequer aprendido a dirigir? Nem Richard sabe explicar direito. S\u00f3 sabe que faltava alguma coisa. Que depois de conquistar o canudo e ganhar o avental branco t\u00e3o almejado descobriu que n\u00e3o era feliz com a vida que levava, correndo entre quatro empregos. E que aquele roteiro seformar-casar-terfilhos-comprarcasapr\u00f3pria-carro-etudomais, que desde sempre aprendeu como o caminho seguro para uma vida feliz, em algum momento perdeu todo o sentido. \u201cAntes queria ter sucesso econ\u00f4mico e reconhecimento das pessoas. Mas a vida te leva por caminhos que \u00e0s vezes a gente n\u00e3o imagina. No come\u00e7o meus amigos diziam que eu era louco. Anos depois, quando eu voltava ao Uruguai, aqueles mesmos amigos diziam que tinham inveja de mim, que n\u00e3o tinha patr\u00e3o. Acho que eu gosto de transgredir, ser como sou\u201d, analisa, num portugu\u00eas cadenciado pelo sotaque espanhol.<\/p>\n<p>O Brasil entrou nesse roteiro quase como um sonho. A evoca\u00e7\u00e3o de um sonho de inf\u00e2ncia. Em meio ao rigor do inverno uruguaio, via pela televis\u00e3o e pelos relatos da m\u00e3e as paradis\u00edacas praias do pa\u00eds onde ela nasceu. A imagem do para\u00edso. Encantava-se com a musicalidade das conversas de uma l\u00edngua que ele n\u00e3o entendia e que reinava na casa quando a tia e a av\u00f3 brasileiras apareciam para visitar, nos sucessos de Roberto Carlos que ele escutava no r\u00e1dio e tentava imitar. Em sua mem\u00f3ria afetiva, o Brasil tinha sabor de abacaxi, a fruta pela qual se apaixonou \u00e0 primeira mordida, quando as parentes ga\u00fachas a levaram at\u00e9 sua casa em Maldonado, no Uruguai.<\/p>\n<p>Desiludido com a rotina de fisioterapeuta em in\u00edcio de carreira, o jovem decidiu refugiar-se em seu para\u00edso imagin\u00e1rio. Cogitava ir para o Rio de Janeiro, que conheceu durante um congresso de fisioterapia, ainda durante a faculdade, em 1992, mas um livro o fez mudar de ideia. \u201cTroquei o Rio pela Bahia quando em minhas m\u00e3os caiu o livro Capit\u00e3es de Areia, de Jorge Amado\u201d, lembra. Pela obra do autor baiano, confirmou o imagin\u00e1rio do para\u00edso tropical que acalentava desde crian\u00e7a. Juntou as reservas do primeiro ano de trabalho depois da formatura e planejou uma viagem a Salvador, em maio de 1997. O plano inicial era ficar tr\u00eas meses. Richard ficou 12 anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o que tenha sido f\u00e1cil. Ao desembarcar, logo descobriu que o para\u00edso s\u00f3 existia na sua cabe\u00e7a. As ruas sujas, os sem-teto dormindo nas cal\u00e7adas e a m\u00e1 qualidade do servi\u00e7o de sa\u00fade p\u00fablico manchavam o retrato idealizado. Mesmo assim, n\u00e3o desistiu. Falou mais alto a alegria do povo brasileiro. A informalidade de uma gente que dan\u00e7ava em meio \u00e0s sucessivas crises econ\u00f4micas. E o calor, claro. \u201cO uruguaio \u00e9 um povo mais triste. Mais consciente, tamb\u00e9m. Talvez por causa disso mesmo, seja mais triste porque \u00e9 mais consciente\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Cinco meses depois de chegar a Salvador, com visto de turista vencido, enfrentou seu primeiro teste de sobreviv\u00eancia. Tinha apenas R$ 40 no bolso. Recorrer \u00e0 fam\u00edlia no Uruguai soava como atestado de fracasso. Quando contou seu drama a um amigo brasileiro, ouviu como conselho:<br \/>\n&#8211; Pega esses R$ 40 e compra um isopor. Eu te ajudo, vamos vender cerveja.<\/p>\n<p>Richard ca\u00e7oou da ideia.<br \/>\n\u2013 Eu, fisioterapeuta, vender isopor na praia? E se algum uruguaio passar e me ver?<\/p>\n<p>A vergonha sucumbiu em nome da necessidade. Depois de tr\u00eas semanas vendendo cerveja na praia, ele se deu conta de como era sup\u00e9rflua aquela preocupa\u00e7\u00e3o com o que os outros poderiam pensar. Trabalhou tamb\u00e9m em restaurantes, deu aulas de espanhol em cursinhos. No ver\u00e3o, voltava para Punta del Este, onde trabalhava como fisioterapeuta, contando com indica\u00e7\u00f5es de amigos do tempo da faculdade. Mas sempre retornava para Salvador. \u201cQuando vim para o Brasil pensava que eu ia me ajeitar e ser bem-sucedido, aquele sonho de imigrante, fazer dinheiro. \u00c0s vezes, a gente tem vergonha de voltar sem ter realizado o sonho\u201d, confessa.<\/p>\n<p>Richard bem que tentou trabalhar como fisioterapeuta na Bahia, mas j\u00e1 na primeira tentativa percebeu que n\u00e3o seria t\u00e3o f\u00e1cil. Ao colocar an\u00fancio no jornal A Tarde oferecendo massagens, recebeu muitos telefonemas. S\u00f3 que os clientes brasileiros queriam outro tipo de massagem. \u201cPerguntavam se as mulheres s\u00e3o morenas ou loiras, se eu fazia relaxamento, depois que fui ver que o an\u00fancio tinha sa\u00eddo junto com a se\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, lembra.<\/p>\n<p>O emprego em uma cl\u00ednica apareceu em seu terceiro ano em Salvador, mas meses de trabalho foram suficientes para acumular novas frustra\u00e7\u00f5es. Os donos da cl\u00ednica pressionavam para que as consultas n\u00e3o durassem mais do que 10 minutos e para que prescrevesse tratamentos n\u00e3o custeados pelos planos de sa\u00fade, como o laser. Enfrentava batalhas intermin\u00e1veis. \u201cEram umas cinco brigas por dia, a\u00ed larguei tudo\u201d, resume.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio com as camisetas come\u00e7ou em 1999, com um empurr\u00e3ozinho de uma baiana \u201cbranquela e magrinha\u201d, por quem se apaixonou, contrariando as pr\u00f3prias expectativas de namorar uma mulata corpulenta. Respons\u00e1vel por uma lojinha de um partido de esquerda, a futura companheira por 10 anos o incentivou a fazer cursos de estamparia. Richard come\u00e7ou produzindo materiais para campanhas pol\u00edticas, sem perder sua vis\u00e3o independente e cr\u00edtica de todos os partidos pol\u00edticos. Com a t\u00e9cnica dominada, partiu para suas pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es. No in\u00edcio ainda tinha constrangimento em andar com uma mala por a\u00ed, feito camel\u00f4. Tomou gosto pelo neg\u00f3cio quando percebeu que ele tinha uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. \u201c\u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o poder explicar para as pessoas cada camiseta, o sentido, tem gente que nem conhece Paulo Freire, ou Che Guevara. Outros chegam com soberba, pensando que sou um ignorante, camel\u00f4, e no final descobrem que n\u00e3o \u00e9 bem assim\u201d, orgulha-se.<\/p>\n<p>Em 31 de janeiro, depois de vender aproximadamente 80 das cem camisetas que trouxe para o F\u00f3rum Social Mundial \u2013 desorganizado confesso, ele n\u00e3o costuma se ater aos n\u00fameros de venda \u2013 Richard botou a mala preta sobre os ombros e retornou para o Uruguai, em uma viagem de 11 horas de \u00f4nibus. Voltou a morar em Maldonado h\u00e1 pouco mais de dois meses para cuidar de sua m\u00e3e, que tem 69 anos e est\u00e1 com Alzheimer. Apesar de seus outros cinco irm\u00e3os viverem l\u00e1, achou que era hora de se aninhar novamente.<\/p>\n<p>Quando questionado se encontrou o que viera procurar no Brasil 12 anos atr\u00e1s, Richard ergue os olhos, como quem procurasse a resposta no ar. Responde citando uma camiseta. Mais precisamente, uma frase de Gandhi que j\u00e1 estampou em uma de suas cria\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o existe um caminho para a felicidade, a felicidade \u00e9 o caminho.\u201d<\/p>\n<p>Acostumado \u00e0 incerteza da vida, n\u00e3o faz planos para o futuro. Sabe que planos s\u00e3o trai\u00e7oeiros ou, no m\u00ednimo, ilus\u00f3rios. Prefere brincar com as possibilidades, as estradas a percorrer. Por enquanto, o sonho verde amarelo tamb\u00e9m est\u00e1 suspenso no varal. \u201cN\u00e3o penso nem \u2018despenso\u2019 em voltar a morar no Brasil. Tudo pode acontecer. Posso vir a me apaixonar no Uruguai, a\u00ed quem sabe volto a gostar da fisioterapia, boto palet\u00f3 e gravata, te encontro e digo: camisetas, eu? Eu n\u00e3o, sou fisioterapeuta, minha filha!\u201d, brinca, com um sorriso t\u00e3o aberto como seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>7\/2\/2010<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.viapolitica.com.br\/VPTV_18.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ViaPol\u00edtica\/A autora <\/a><\/p>\n<p>A jornalista e videomaker Let\u00edcia Duarte assina esta contribui\u00e7\u00e3o para Cartola &#8211;<br \/>\nAg\u00eancia de Conte\u00fado, especialmente para ViaPol\u00edtica<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:contato@cartolaconteudo.com.br\">contato@cartolaconteudo.com.br<\/a>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O v\u00eddeo e a reportagem \u201cO homem que vende ideias no varal\u201d podem ser livremente reproduzidos, na condi\u00e7\u00e3o de que seja respeitada sua integridade e citadas a autora e as fontes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma bolsa preta a tiracolo, esse uruguaio que adotou a Bahia como lar durante 12 anos viaja pelo Brasil vendendo suas estampas em algod\u00e3o. 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