{"id":1440,"date":"2008-10-08T18:48:16","date_gmt":"2008-10-08T18:48:16","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/?p=1440"},"modified":"2008-10-08T18:48:16","modified_gmt":"2008-10-08T18:48:16","slug":"preconceitos-na-contramao-da-inclusao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=1440","title":{"rendered":"Preconceitos na contram\u00e3o da inclus\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t \t --><\/p>\n<p>Romeu Kazumi Sassaki, 2\/9\/08<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">Publicado no site da Bengala Legal &#8211; Cegos, Inclus\u00e3o e Acessibilidade (<span style=\"text-decoration:underline;\"><a href=\"http:\/\/www.bengalalegal.com\/\">www.bengalalegal.com<\/a><\/span>), em setembro de 2008. Reproduzido na Inclusive com a autoriza\u00e7\u00e3o do autor.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Preconceitos inofensivos n\u00e3o existem, todos os preconceitos machucam. Ou &#8220;Pimenta nos olhos dos outros \u00e9 col\u00edrio&#8221;. De fato, uma palavra maldosa, escrita e oral, ou uma imagem, quando n\u00e3o se refere diretamente a n\u00f3s, pode at\u00e9 parecer inocente, engra\u00e7ada, nada preconceituosa etc. E quase nunca nos damos conta do quanto uma palavra ou imagem preconceituosa pode machucar os outros. Vejamos alguns exemplos da vida real.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>Atribuindo um conceito que n\u00e3o \u00e9 da pessoa &#8211; I<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Porque voc\u00ea parece uma retardada mental&#8221;. Esta foi a justificativa do diretor Woody Allen quando demitiu a atriz Annabelle Gurwitch da pe\u00e7a <em>Writers\u00b4s Block<\/em> (bloqueio de escritor), que ele ensaiava. Depois de chorar por 12 horas, ela falava a quem encontrasse: &#8220;Fui demitida por Woody Allen. Por telefone&#8221;. (S\u00e9rgio D&#8217;\u00c1vila, <em>Revista da Folha-FSP<\/em>, 20\/3\/05, p.27)<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>Atribuindo um conceito que n\u00e3o \u00e9 da pessoa &#8211; II<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Uma resposta inacredit\u00e1vel foi dada por uma escola p\u00fablica quando um de seus professores foi denunciado por haver comparado a atitude de um aluno com a de uma pessoa homossexual. Vejamos como aconteceu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em abril de 2004, um aluno da Escola Estadual Professor Otac\u00edlio de Carvalho Lopes, que por distra\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia respondido a chamada na aula de Hist\u00f3ria, pediu presen\u00e7a ao professor. Este discutiu com o estudante e mandou-o que &#8220;parasse de imitar uma bicha&#8221;. O pai do adolescente, no mesmo dia, registrou o Boletim de Ocorr\u00eancia e abriu procedimento administrativo contra esse professor, na diretoria da escola.<\/p>\n<p align=\"justify\">O caso foi encaminhado \u00e0 Diretoria de Ensino Leste 4, \u00f3rg\u00e3o da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, e originou um processo. Na resposta, o \u00f3rg\u00e3o &#8220;afirma que \u2018bicha&#8217; n\u00e3o \u00e9 termo chulo e reconhece que professores podem us\u00e1-lo em sala de aula para manter um relacionamento amistoso com a turma&#8221;. A Secretaria informa que, depois de uma reavalia\u00e7\u00e3o, o caso passou para a 1.\u00aa Comiss\u00e3o Processante Permanente, onde est\u00e1 atualmente (mar\u00e7o\/2005). A comiss\u00e3o deve convocar testemunhas de defesa e acusa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses, para dar seu parecer sobre o caso (Daniel Gonzales e Arthur Guimar\u00e3es, em &#8220;O uso do termo \u2018bicha&#8217; por professores&#8221;, <em>O Estado de S.Paulo<\/em>, 24\/3\/05).<\/p>\n<p align=\"justify\">Ent\u00e3o, &#8220;para manter um relacionamento amistoso com a turma&#8221;, os professores est\u00e3o liberados para chamar qualquer aluno de &#8220;bicha&#8221;, mesmo que ele n\u00e3o seja? Os fins justificam os meios?<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Ofendendo um atributo da pessoa<\/strong><\/p>\n<p>Ana Luiza, uma estudante negra com 10 anos de idade conta que, por causa das brincadeiras preconceituosas dos colegas, mudou de escola duas vezes. Ela \u00e9 filha de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia de Mesquita (cidade na Baixada Fluminense) e sempre estudou em col\u00e9gios particulares. Por onde passou, ela teve de conviver com o fato de ser a \u00fanica aluna negra da classe ou at\u00e9 mesmo da escola. Como os professores e a escola nada faziam para mudar essa situa\u00e7\u00e3o, ela diz que chegou a perder o interesse pelos estudos. &#8220;Falavam que eu tinha cabelo duro, de bombril. Eu reclamava com os professores, mas eles n\u00e3o faziam nada&#8221;. Ana Luiza d\u00e1 a sua receita para agir em caso de preconceito: &#8220;Quando fazem isso comigo, eu vou l\u00e1 e falo que racismo \u00e9 crime e que eu vou processar e reclamar com a diretora&#8221;.<\/p>\n<p>A m\u00e3e dela, a t\u00e9cnica de laborat\u00f3rio F\u00e1tima Monteiro, 35, se sentiu orgulhosa com a postura de Ana Luiza: &#8220;No meu tempo de estudante, eu voltava para a casa chorando, sem dizer nada. Mas ela aprendeu a se defender e conversa comigo e com os professores quando se sente discriminada.&#8221; (<em>Folha de S.Paulo<\/em>, 18\/5\/03, p. C7)<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Ridicularizando muita gente ao mesmo tempo &#8211; I<\/strong><\/p>\n<p>Corria o ano de 1995. Dois filmes, cujos personagens principais tinham defici\u00eancia, estavam entre os finalistas do Oscar, da Academia de Cinema de Hollywood: <em>&#8220;Forrest Gump, o Contador de Hist\u00f3rias&#8221;<\/em>, em que Tom Hanks faz o papel de um adulto com defici\u00eancia intelectual, e <em>&#8220;Nell&#8221;<\/em>, no qual Jodie Foster interpreta uma mulher com autismo.<\/p>\n<p>David Drew Zingg era colunista do jornal <em>Folha de S.Paulo<\/em> e, na v\u00e9spera da premia\u00e7\u00e3o, escreveu um artigo, cujo t\u00edtulo j\u00e1 revelava a postura preconceituosa dele: &#8220;E o Oscar vai para&#8230; quem for mais burro&#8221;. No subt\u00edtulo, mais uma ofensa a pessoas com defici\u00eancia: &#8220;Favoritos s\u00e3o \u2018Nell&#8217; e \u2018Forrest Gump&#8217;, filmes que agradam quem tem dificuldade em amarrar o sapato de manh\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, David Zinng, al\u00e9m de mostrar que n\u00e3o sabe a diferen\u00e7a entre autismo e defici\u00eancia intelectual, ofendeu simbolicamente pessoas como Forrest e Nell, chamando-as de &#8220;burros&#8221;. Mas ele n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed com as diferen\u00e7as. Est\u00e1 mais interessado em criticar a Academia por &#8220;premiar&#8221; personagens que n\u00e3o merecem o respeito dele. A seguir, alguns trechos do artigo, em que os cegos tamb\u00e9m s\u00e3o citados, no mau sentido:<\/p>\n<p>&#8220;<strong>Chegou a hora do Oscar na Cidade do Brilho, e os principais pr\u00eamios est\u00e3o indo para os burros. Nosso mundo est\u00e1 ficando burro e mais burro ainda. \u2018Forrest Gump&#8217; \u00e9 um filme que glorifica a burrice. \u2018Nell&#8217; &#8211; que David Letterman chama, apropriadamente, de \u2018Noiva de Gump&#8217; &#8211; faz o mesmo. Ambos equacionam QI baixo com bondade interior. Isso \u00e9 tranq\u00fcilizador para milh\u00f5es de pessoas que acham o pensar r\u00e1pido um processo doloroso, mas \u00e9 uma afronta a quem j\u00e1 leu um livro inteiro. (&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esses filmes retratam a intelig\u00eancia como vil\u00e3 da vida. (&#8230;) O que deve fazer uma mulher se o homem se magoa com uma piada de \u2018homem burro&#8217;? Pode dizer: \u2018Claro que eu n\u00e3o estava falando de voc\u00ea, querido&#8217;. A maioria dos homens \u00e9 t\u00e3o cega &#8211; cegueira induzida pela testosterona &#8211; que acredita nisso. (&#8230;) <\/strong><\/p>\n<p><strong>Esses filmes que louvam a burrice devem faturar uma penca de Oscars. (&#8230;) Abaixo da superf\u00edcie, eles equacionam virtude com falta de intelig\u00eancia. Quanto mais burros o her\u00f3i e a hero\u00edna, melhores \u2018as pessoas reais&#8217; seriam. S\u00e3o filmes anti-intelectuais, dos mais sedutores. Neles, a estupidez vira virtude e a intelig\u00eancia, um lado negativo. (&#8230;) Nell n\u00e3o sabe nem dirigir um carro. O espectador que n\u00e3o consegue entrar na internet sente-se tranq\u00fcilizado e feliz vendo Jodie Foster curtir sua vida primitiva. A linha de pensamento \u2018burrice \u00e9 boa&#8217; nega o esfor\u00e7o hist\u00f3rico do homem para entender o que o diferencia dos outros mam\u00edferos, sem falar em aves, abelhas e pedras.&#8221; (<\/strong><em><strong>Folha de S.Paulo<\/strong><\/em><strong>, 23\/3\/95).<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Ridicularizando muita gente ao mesmo tempo &#8211; II<\/strong><\/p>\n<p>No dia 14 de outubro de 1999, Claudio Vereza, representando o Centro de Vida Independente do Esp\u00edrito Santo, escreveu: &#8220;Companheiras(os), estava voltando feliz pra casa. Afinal foram tr\u00eas dias intensos e repletos de conte\u00fado positivo para a caminhada em busca da cidadania plena das pessoas com defici\u00eancia no Brasil, no I Congresso Empresariado, Trabalho e Defici\u00eancia, de 7 a 9, realizado pelo CVI-RJ. A partir de leis, que come\u00e7am a ser cumpridas, ou de programas de capacita\u00e7\u00e3o profissional e de inser\u00e7\u00e3o no disputad\u00edssimo e escasso mercado de trabalho, essas pessoas v\u00e3o construindo a almejada \u2018vida independente&#8217;, podendo decidir, pela pr\u00f3pria vontade, os rumos de sua vida, n\u00e3o mais tuteladas por outrem. De repente, na \u00faltima p\u00e1gina do segundo caderno de <em>O Globo<\/em> do domingo, 10\/10\/99, deparo-me com esta desagrad\u00e1vel, infeliz e preconceituosa coluninha, assinada por um \u2018engra\u00e7adinho&#8217; Jorginho Guinle, dentro da coluna maior de Agamenon com o seguinte conte\u00fado&#8221;:<\/p>\n<p><strong>Freak Jazz Festival, por Jorginho Guinle<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Freak Jazz vai come\u00e7ar. Sou apaixonado pelo jazz, mas nos meus momentos de lazer prefiro ouvir m\u00fasica. O Jazz \u00e9 um ritmo sensual, ideal para se comer gente. Toda vez que eu boto um disco de jazz na vitrola l\u00e1 em casa, as mulheres resmungam: \u2018Por que voc\u00ea n\u00e3o bota outra coisa?&#8217;. Bebop, traditional, dixieland, swing, cool, jazz&#8230; existem v\u00e1rias formas de express\u00e3o para o jazz, mas a mais quente, na minha opini\u00e3o, \u00e9 o freak jazz, que \u00e9 o jazz executado por deficientes f\u00edsicos. Este ano teremos o pianista cego George Shearing, j\u00e1 tivemos Michel Petrucciani, que era an\u00e3o, e o saxofonista Eddie Pinzolini, que transformou o seu exagerado defeito f\u00edsico num novo instrumento musical, o jepophone, um tipo de trombone de vara. Esse ano tamb\u00e9m teremos percussionistas mancos, guitarristas manetas e at\u00e9 o f\u00edsico Stephen Hawking, que vai tocar cadeira de rodas. O que prova que o freak jazz \u00e9 igual ao cigarro: faz mal \u00e0 sa\u00fade e n\u00e3o deve ser tocado na frente das crian\u00e7as.<\/strong><\/p>\n<p>Continua Claudio Vereza: &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o, decep\u00e7\u00e3o, revolta! Afinal, um jornal desse vulto conta com manuais de reda\u00e7\u00e3o e de \u00e9tica jornal\u00edstica, onde uma nota de tanto mau gosto \u00e9 totalmente inadmiss\u00edvel. Aprendi, na luta, a transformar a indigna\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o. Por isto, quero aqui convocar a todos para enchermos a dire\u00e7\u00e3o de <em>O Globo<\/em> de cartas, telegramas, faxes, e-mails, telefonemas etc., colocando nosso protesto e exigindo retrata\u00e7\u00e3o imediata e no mesmo espa\u00e7o. Solicito tamb\u00e9m que o CVI-Brasil e o CVI-RJ estudem, em car\u00e1ter de urg\u00eancia, a possibilidade de processo judicial, seja recorrendo ao Minist\u00e9rio P\u00fablico ou a quem de direito. N\u00e3o podemos admitir \u2018brincadeiras&#8217; retr\u00f3gradas e ilegais como esta! (E logo no caderno Dois, onde as quest\u00f5es culturais deveriam ter destaque central). Vamos reagir, companheiras(os). Passe esta mensagem \u00e0 frente, enviem agora o seu protesto ao Jornal O Globo! \u2018Quem sabe faz a hora!&#8217;. Endere\u00e7os de <em>O Globo<\/em>: <span style=\"text-decoration:underline;\"><a href=\"http:\/\/www.oglobo.com.br\/\">http:\/\/www.oglobo.com.br<\/a><\/span>, (21) 534-5000 Reda\u00e7\u00e3o e (21) 534-5656 Globofax. Abra\u00e7\u00e3o. Claudio Vereza, CVI-ES&#8221;.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Analogias preconceituosas envolvendo o autismo<\/strong><\/p>\n<p>O leitor Jo\u00e3o Di\u00f3genes Caldas Salviano, de Recife, na carta que enviou ao F\u00f3rum dos Leitores do jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em> (18\/3\/02), revela, qui\u00e7\u00e1 inadvertidamente, sua no\u00e7\u00e3o equivocada sobre o autismo. E, ao apontar (conscientemente, \u00e9 claro) os parlamentares como &#8220;autistas&#8221;, ele demonstra sua total falta de respeito pelas pessoas com autismo. Aproveitou o t\u00edtulo do programa televisivo &#8220;Casa dos Artistas&#8221;, que estava em voga, para construir o trocadilho &#8220;casa dos autistas&#8221;. O jornal, por sua vez, valorizou o trocadilho, utilizando-o como t\u00edtulo da carta. N\u00e3o estou aqui analisando o m\u00e9rito ou dem\u00e9rito do tema &#8220;CPMF, reforma tribut\u00e1ria, tucanos e pefelistas&#8221;, que o leitor Jo\u00e3o Salviano abordou. Estou reprovando a atitude preconceituosa embutida na analogia que ele fez entre &#8220;pessoas com autismo&#8221; e &#8220;parlamentares dissociados da realidade, retroalimentando apenas o ego e a vaidade sem limites racionais&#8221;. Reproduzo abaixo a referida carta.<\/p>\n<p><strong>F\u00d3RUM DOS LEITORES, <\/strong><em><strong>O Estado de S.Paulo<\/strong><\/em><strong>, 18\/3\/02. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Casa dos autistas<\/strong><\/p>\n<p><strong>A crise entre tucanos e pefelistas nada traz de positivo ao brasileiro. Seria interessante se a maioria da classe parlamentar derrubasse essa CPMF e fizesse urgentemente a reforma tribut\u00e1ria simples, objetiva e transparente, em benef\u00edcio dos consumidores e dos produtores. Pol\u00edticas p\u00fablicas sim, CPMF n\u00e3o. Daqui a pouco nos livraremos dos nojentos reality shows de vazio cultural total e QI zero. Mas ser\u00e1 que, nestes oito anos de tucanato com pefelistas e peemedebistas, n\u00e3o estaremos participando da &#8220;casa dos autistas&#8221;, dos que vivem dissociados da realidade social, retroalimentando apenas o ego e a vaidade sem limites racionais?! &#8211; <\/strong><strong>Jo\u00e3o Di\u00f3genes Caldas Salvia<\/strong><strong>no, <\/strong><strong>Recife<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Defici\u00eancia associada \u00e0 incompet\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A revista <em>Exame<\/em>, na edi\u00e7\u00e3o 659 (15\/4\/98), presta um desservi\u00e7o \u00e0 causa internacional da inclus\u00e3o social de pessoas com defici\u00eancia, em particular das pessoas cegas.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.bengalalegal.com\/capa-exame.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"220\" \/><\/p>\n<p>Na capa aparece uma foto que mostra um senhor, de \u00f3culos escuros, bem trajado, de p\u00e9 e segurando com a m\u00e3o esquerda a correia afivelada a um c\u00e3o-guia. A foto, para real\u00e7ar a id\u00e9ia de escurid\u00e3o, est\u00e1 em branco e preto ocupando toda a capa, tendo ao lado o seguinte texto:<\/p>\n<p><strong>POR QUE OS ECONOMISTAS ERRAM TANTO? Eles s\u00e3o as grandes estrelas da bilion\u00e1ria ind\u00fastria de previs\u00f5es. Mas aten\u00e7\u00e3o: se voc\u00ea quer saber o futuro, talvez o mais eficaz seja jogar a moeda para o alto.<\/strong><\/p>\n<p>Eu pergunto: Por que profissionais da m\u00eddia insistem em associar a figura de uma pessoa cega com &#8220;a id\u00e9ia de errar tanto&#8221;? S\u00f3 porque ela n\u00e3o v\u00ea? A mensagem e a foto, juntas, sugerem que uma pessoa cega acerta menos que uma moeda jogada para o alto.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Ruy do Amaral Pupo Filho escreveu para a revista: &#8220;Ao usar a imagem de uma pessoa que tem uma defici\u00eancia para ilustrar e caracterizar a id\u00e9ia de um profissional ineficiente, incapaz, \u2018que erra tanto&#8217;, a revista <em>Exame<\/em> comete um grave erro. Sua atitude refor\u00e7a o preconceito que sofrem as pessoas com defici\u00eancia de que s\u00e3o incompetentes ou incapazes.&#8221;<\/p>\n<p>Invariavelmente, nestes casos, a resposta que recebemos \u00e9 aquela de que n\u00e3o houve inten\u00e7\u00e3o de ofender as pessoas com defici\u00eancia, como alegou a Reda\u00e7\u00e3o da revista:<\/p>\n<p>&#8220;<strong>Agradecemos a sua mensagem. A prop\u00f3sito do seu coment\u00e1rio sobre a utiliza\u00e7\u00e3o da foto de um deficiente visual na capa, lamentamos que a imagem possa causar um efeito negativo. N\u00e3o tivemos a inten\u00e7\u00e3o de tratar a quest\u00e3o de forma pejorativa ou de refor\u00e7ar qualquer preconceito&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Este tipo de resposta \u00e9 previs\u00edvel e \u00e9 inaceit\u00e1vel. Pois, ningu\u00e9m vai responder que &#8220;fez com a inten\u00e7\u00e3o de ofender&#8221;. E, por isso, \u2018tudo termina em pizza&#8217;: &#8220;perdoamos o ofensor porque ele alegou que ofendeu sem querer&#8221;. A valer este racioc\u00ednio, todos os ofensores ser\u00e3o perdoados, mesmo que tenham ofendido propositalmente; bastar\u00e1, depois, alegar que n\u00e3o tiveram a inten\u00e7\u00e3o de ofender e pronto.<\/p>\n<p>Precisamos educar o p\u00fablico, a sociedade. Devemos registrar as manifesta\u00e7\u00f5es preconceituosas e os atos discriminat\u00f3rios. Devemos ajudar a sociedade a aprender onde est\u00e1 o preconceito e a entender os danos que ele causou.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Comparando objetos com pessoas<\/strong><\/p>\n<p>A revista <em>Exame<\/em>, na edi\u00e7\u00e3o n. 660, de 22\/4\/98, traz uma breve mat\u00e9ria assinada por Pedro Mello \u00e0 p\u00e1gina 103. Ele escreveu o seguinte trecho ao comentar sobre o desempenho de Nino, um computador de m\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>&#8220;Por enquanto, vale lembrar que o Windows CE j\u00e1 \u00e9 uma vers\u00e3o meio aleijada do Windows 95. Como o Windows que equipar\u00e1 o Nino \u00e9 uma vers\u00e3o reduzida do Windows CE, \u00e9 bem capaz que seja parapl\u00e9gica. Afinal, \u00e9 a vers\u00e3o reduzida da vers\u00e3o reduzida.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Neste caso, as palavras &#8220;meio aleijada&#8221; e &#8220;parapl\u00e9gica&#8221; foram utilizadas para se referir, respectivamente, a dois computadores de menor capacidade, o que configura uma analogia injusta e preconceituosa para com as pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s escrever para a revista, recebi a seguinte resposta:<\/p>\n<p>&#8220;<strong>Infelizmente, escapou ao colaborador Pedro Mello e ao editor que a analogia poderia denotar preconceito na frase em quest\u00e3o. De qualquer forma, asseguramos que redobraremos os esfor\u00e7os para evitar que fatos como esse se repitam&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Em 20\/4\/98, o ativista Marco Antonio Ferreira Pellegrini escreveu para Pedro Mello: &#8220;Estou extremamente ofendido pela analogia preconceituosa e discriminat\u00f3ria, para mim in\u00e9dita escrita por um profissional da comunica\u00e7\u00e3o e tecnologia&#8221;. E acrescentou algumas das atividades que ele exercia no Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo com o intuito de conscientizar o jornalista sobre o significado das express\u00f5es \u2018vers\u00e3o reduzida do reduzido&#8217;, \u2018meio-aleijada&#8217; etc.<\/p>\n<p>Em 21\/4\/98, o tamb\u00e9m ativista Fernando Machado enviou a seguinte mensagem para Pedro Mello: &#8220;Toda pessoa que opta por informar deve ter respeito, sensibilidade, conhecimento e saber fazer das palavras e express\u00f5es uso adequado. Cabe ao jornalista informar. De modo claro, sem precisar empregar express\u00f5es que possam atingir pessoas. Foi o caso de sua reportagem na revista <em>Exame<\/em>, quando cita que o programa \u00e9 uma vers\u00e3o \u2018meio-aleijada&#8217; e \u2018parapl\u00e9gica&#8217;. No momento em que as pessoas com defici\u00eancia buscam sua inclus\u00e3o na sociedade com respeito e dignidade, o emprego dessas palavras denota, no m\u00ednimo, uma profunda discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em 7\/5\/98, a psic\u00f3loga Cristiane Mariano e a assistente social Marli Mariano dirigiram a seguinte mensagem \u00e0 revista <em>Exame<\/em>, referindo-se \u00e0s edi\u00e7\u00f5es 659 e 660: &#8220;Consideramos estas analogias injustas e preconceituosas para com as pessoas com defici\u00eancia. Associar a imagem da pessoa com defici\u00eancia visual \u00e0 incompet\u00eancia dos economistas ou ainda comparar uma pessoa com defici\u00eancia f\u00edsica a um software obsoleto e ultrapassado \u00e9, no m\u00ednimo, grosseiro e discriminat\u00f3rio. Gostar\u00edamos de expressar nossa indigna\u00e7\u00e3o a esse respeito, visto que temas como a inclus\u00e3o social, queda de barreiras arquitet\u00f4nicas e equipara\u00e7\u00e3o de oportunidades est\u00e3o sendo discutidos na atualidade. Nossa pretens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas a de registrar um protesto ou expressar nossas opini\u00f5es, mas tamb\u00e9m de propor uma reflex\u00e3o acerca dos conceitos, das palavras que foram utilizadas e a conota\u00e7\u00e3o que foi atribu\u00edda \u00e0s mesmas. Refletir sobre uma atua\u00e7\u00e3o mais justa, que possa promover uma melhor qualidade de vida \u00e0s pessoas, que nos leve a incluir em nossa vida aquilo que muitas vezes desprezamos no outro, mas que pode ser um reflexo de nossos limites e preconceitos&#8221;.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Desservi\u00e7o \u00e0 imagem da pessoa com autismo<\/strong><\/p>\n<p>Na entrevista concedida a Rafael Cariello, da <em>Folha de S.Paulo<\/em>, o cientista pol\u00edtico Renato Lessa utilizou duas vezes a palavra &#8220;autista&#8221; para apontar aspectos depreciativos do comportamento de governantes e congressistas. Por sua vez, o jornalista repercutiu essa palavra por tr\u00eas vezes ao abrir sua mat\u00e9ria em 15\/5\/05: uma no t\u00edtulo em letras garrafais e duas na introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do adjetivo &#8220;autista&#8221; no contexto tratado pelo entrevistado configura um exemplo de desservi\u00e7o \u00e0 imagem da pessoa com autismo. Inadvertidamente, foi passada ao leitor a id\u00e9ia equivocada de que o comportamento das pessoas com autismo teria a mesma caracter\u00edstica negativa apontada nas a\u00e7\u00f5es do Executivo e do Legislativo.<\/p>\n<p>Tal uso vem na contram\u00e3o da hist\u00f3ria, pois hoje aceitamos as diferen\u00e7as individuais da pessoa com defici\u00eancia como atributos dignos de respeito e valoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos trechos da mat\u00e9ria, escaneados e abaixo transcritos, grifei os quatro trechos em que o termo &#8220;autista&#8221; foi utilizado indevidamente.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><strong>Governo e Congresso t\u00eam <\/strong><span style=\"text-decoration:underline;\"><strong>comportamento autista<\/strong><\/span><strong>, afirma Lessa<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">RAFAEL CARIELLO, da Sucursal do Rio<\/p>\n<p align=\"center\"><em>Folha de S.Paulo<\/em>, 15\/5\/05.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico Renato Lessa afirma que <span style=\"text-decoration:underline;\">governo e Congresso agem de forma autista<\/span> e predat\u00f3ria.<em> <\/em>A l\u00f3gica do Executivo e do Legislativo, diz ele, \u00e9 de uma dupla e simult\u00e2nea captura: um tenta ocupar cargos na administra\u00e7\u00e3o, o outro, conquistar maiorias.<\/p>\n<p>Diz o professor do Instituto Universit\u00e1rio de Pesquisas do Rio de Janeiro: &#8220;Se essa agenda ficar por muito mais tempo confinada a rela\u00e7\u00e3o entre esses dois atores, a sociedade de alguma maneira vai tender a ultrapassar essa agenda. \u00c9 dif\u00edcil pensar a <span style=\"text-decoration:underline;\">sustentabilidade indefinida de um padr\u00e3o autista<\/span>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>Folha &#8211; Ele tamb\u00e9m disse ver riscos de uma crise semelhante \u00e0 ocorrida no governo Jo\u00e3o Goulart.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lessa <\/strong>&#8211; \u00c9 uma amea\u00e7a ret\u00f3rica. Essa crise atual nada tem a ver com o quadro do Goulart. (&#8230;) H\u00e1 quem acredite que para entender a pol\u00edtica \u00e9 preciso entender a rela\u00e7\u00e3o entre Executivo e Legislativo. <span style=\"text-decoration:underline;\">\u00c9 uma vis\u00e3o autista<\/span>. Para quem pensa assim, o governo Goulart caiu porque perdeu a sustenta\u00e7\u00e3o parlamentar, mas n\u00e3o leva em conta o que acontecia no ambiente social.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Dorinha, a nova personagem da Turma da M\u00f4nica<\/strong><\/p>\n<p>A primeira hist\u00f3ria de Dorinha, ilustrada na edi\u00e7\u00e3o n. 221, da revista <em>M\u00f4nica<\/em>, de novembro de 2004, mostra a maneira positiva como essa personagem e o seu c\u00e3o-guia Radar entram em contato pela primeira vez com a Turma da M\u00f4nica. Dorinha logo estabelece \u00f3timas rela\u00e7\u00f5es de amizade com a M\u00f4nica, o Cebolinha, o Casc\u00e3o, a Marina e a Magali. Dorinha mostra estar bem resolvida com a defici\u00eancia que possui (cegueira). Sabe andar com o c\u00e3o-guia e com a bengala dobr\u00e1vel, assim como sabe lidar com as rea\u00e7\u00f5es das pessoas. De bom humor e autoconfiante, ela est\u00e1 com seus sentidos de audi\u00e7\u00e3o (p. 9 a 17), tato (p. 11) e olfato (p. 16) sempre conectados com tudo o que ocorre no ambiente em seu entorno. As situa\u00e7\u00f5es focalizadas s\u00e3o simples e, atrav\u00e9s delas, o leitor percebe que Dorinha mostra suas habilidades com naturalidade, sem ostenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na condi\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, Dorinha \u00e9 apresentada como igual \u00e0s outras crian\u00e7as. Na condi\u00e7\u00e3o de cega, a imagem de Dorinha \u00e9 positiva, digna, simp\u00e1tica. Em suma, \u00e9 louv\u00e1vel a id\u00e9ia de Maur\u00edcio de Sousa no sentido de inserir, na Turma da M\u00f4nica, uma crian\u00e7a com defici\u00eancia que tenha as caracter\u00edsticas f\u00edsicas, sociais e emocionais de Dorinha. Hist\u00f3rias em quadrinhos podem constituir um dos meios de conscientiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as a respeito da inclus\u00e3o social de grupos vulner\u00e1veis, exclu\u00eddos. Mas n\u00e3o por serem hist\u00f3rias em quadrinhos e sim pela correta constru\u00e7\u00e3o de personagens e situa\u00e7\u00f5es nessas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Por esse motivo, tr\u00eas detalhes precisam ser apontados na primeira hist\u00f3ria de Dorinha.<\/p>\n<p>Primeiro, a bengala nunca aparece dobrada; quando ela aparece, est\u00e1 sempre estendida. De um quadrinho ao outro, a bengala simplesmente desaparece. Os desenhos n\u00e3o mostram onde a bengala poderia estar quando Dorinha n\u00e3o a est\u00e1 usando.<\/p>\n<p>Segundo, em nenhum momento foi utilizado o termo &#8220;c\u00e3o-guia&#8221;, cuja divulga\u00e7\u00e3o se faz t\u00e3o necess\u00e1ria para a conscientiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Terceiro, cada personagem da Turma usa apelidos para provocar os demais: Cebolinha chama a M\u00f4nica de &#8220;golducha&#8221; (p. 4 e 11); Casc\u00e3o chama a M\u00f4nica de &#8220;dentu\u00e7a&#8221; (p. 5); M\u00f4nica chama o Casc\u00e3o de &#8220;sujinho&#8221; (p. 5); Cebolinha se refere aos &#8220;dent\u00f5es&#8221; da M\u00f4nica (p. 11); at\u00e9 Dorinha se refere \u00e0 &#8220;fama de sujinho&#8221; do Casc\u00e3o (p. 15) e \u00e0 Magali como &#8220;a comilona da turma&#8221; (p. 15). Apelidos inocentes? Nem tanto. Hoje, pais e professores est\u00e3o tomando consci\u00eancia de um fen\u00f4meno escolar chamado &#8220;bullying&#8221;, o perigoso h\u00e1bito de usar apelidos pejorativos com os quais muitas crian\u00e7as acabam destruindo a auto-estima e at\u00e9 a vida de alguns colegas seus.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre &#8220;bullying&#8221;: <strong>1.<\/strong> Revista <em>Nova Escola<\/em>, edi\u00e7\u00e3o n. 178, dezembro\/2004 (&#8220;<em>Bullying &#8211; Como lidar com \u2018brincadeiras&#8217; que machucam a alma. Acabe com apelidos, fofocas e coment\u00e1rios maldosos, t\u00e3o comuns da escola<\/em>&#8220;, p.58-61). <strong>2.<\/strong> Revista <em>\u00c9poca<\/em>, edi\u00e7\u00e3o n. 315, maio\/2004 (&#8220;<em>Sutil e cruel agress\u00e3o. Pesquisa comprova que apelidos, provoca\u00e7\u00f5es e outras formas de viol\u00eancia verbal e f\u00edsica entre crian\u00e7as deixam marcas profundas<\/em>&#8220;, p.54-61). <strong>3.<\/strong> Programa de Redu\u00e7\u00e3o do Comportamento Agressivo entre Estudantes (site: www.bullying.com.br).<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>M\u00f4nica e Magali t\u00eam um novo amigo<\/strong><\/p>\n<p>Completando seu plano de acrescentar dois personagens com defici\u00eancia \u00e0s hist\u00f3rias da Turma da M\u00f4nica, Maur\u00edcio de Sousa lan\u00e7ou no n. 222 da revista <em>M\u00f4nica<\/em>, edi\u00e7\u00e3o de dezembro de 2004, um menino que utiliza cadeira de rodas.<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a de Dorinha, uma menina cega apresentada no n. 221 da mesma revista, este menino tamb\u00e9m faz sua estr\u00e9ia de uma forma positiva ao ser referido como &#8220;um gatinho, gat\u00e9rrimo&#8221; (p. 4) pela Magali em sua animada conversa com a M\u00f4nica. Nos dois ter\u00e7os iniciais da hist\u00f3ria, Magali e M\u00f4nica conversam com muita empolga\u00e7\u00e3o a respeito do garoto e acabam indo at\u00e9 a casa dele &#8220;s\u00f3 para dar uma espiadinha&#8221;. Cada detalhe que v\u00eaem (marcas no gramado, porta larga, rampa, pia e espelho baixos, barras de apoio junto ao vaso sanit\u00e1rio etc.) \u00e9 interpretado por elas sem saberem que o menino anda em cadeira de rodas. Ele ent\u00e3o aparece apenas no ter\u00e7o final da hist\u00f3ria e explica todos esses detalhes com naturalidade, inclusive demonstrando com prazer como ele os utiliza.<\/p>\n<p>Por fazer parte de um plano do desenhista Maur\u00edcio para possibilitar a intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as com defici\u00eancia e os antigos personagens da Turma da M\u00f4nica, a hist\u00f3ria deste novo amigo precisa ser analisada tamb\u00e9m pelo \u00e2ngulo cr\u00edtico. A tradicional tend\u00eancia de dar um apelido a todos os seus personagens fez com que Maur\u00edcio acabasse eliminando (deliberada ou inadvertidamente) o nome do novo personagem. No primeiro contato com M\u00f4nica e Magali, o pr\u00f3prio menino diz que &#8220;&#8230; (todos) me chamam de Da Roda&#8221; (p. 22). No \u00faltimo quadrinho, as meninas dizem: &#8220;Bem-vindo \u00e0 turminha, Da Roda!&#8221; (p. 25). \u00c9 o apelido sobrepondo-se ao nome, ao contr\u00e1rio do que \u00e9 extremamente importante na constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade pessoal na vida real. Al\u00e9m disso, o apelido &#8220;Da Roda&#8221; ressalta a cadeira de rodas e n\u00e3o a pessoa que a utiliza. Esta \u00e9 uma das armadilhas comuns em que caem pessoas desejosas de valorizar a quest\u00e3o da defici\u00eancia sem se darem conta do preconceito embutido. <em>Observa\u00e7\u00e3o<\/em>: Foi divulgado na internet que Maur\u00edcio de Sousa falaria, pelo bate-papo da UOL em 17\/12\/04, sobre este novo personagem cujo nome seria Luca e cujos apelidos seriam &#8220;Paralaminha&#8221; e &#8220;Da Roda&#8221;. Na hist\u00f3ria que chegou \u00e0s bancas de jornal no dia 20 dezembro n\u00e3o se confirmaram o nome Luca e o apelido &#8220;Paralaminha&#8221;.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias em quadrinhos, mesmo focalizando personagens infantis, n\u00e3o est\u00e3o isentas de apresentar um m\u00ednimo de precis\u00e3o t\u00e9cnica, j\u00e1 que a inten\u00e7\u00e3o do desenhista \u00e9 a de divulgar exemplos de inclus\u00e3o social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia. E nesta nova hist\u00f3ria percebem-se as seguintes falhas t\u00e9cnicas: 1. A cadeira de rodas n\u00e3o tem aros propulsores (capa, p. 22, 24 e 25) e, por isso, o personagem &#8220;Da Roda&#8221; segura os pneus das rodas para movimentar a cadeira, o que \u00e9 incorreto; 2. A cadeira possui um \u00fanico apoio para os p\u00e9s (capa, p. 20 a 25), seguindo um modelo muito antigo, incompat\u00edvel com a realidade do personagem; 3. A rampa na entrada da porta \u00e9 muito curta e a inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 inadequada (p. 13, 22, 24 e 25); 4. A cesta de basquete est\u00e1 baixa demais (p. 10 e 23); 5. O vaso sanit\u00e1rio est\u00e1 colocado longe da parede lateral (p. 17 e 21), fazendo com que a respectiva barra de apoio fique fora de alcance; 6. A outra barra de apoio (que est\u00e1 pregada no ch\u00e3o ao lado do vaso sanit\u00e1rio) deveria ser afixada atr\u00e1s do vaso sanit\u00e1rio. Outra solu\u00e7\u00e3o seria a de manter a barra afixada no ch\u00e3o e mudar a outra barra para tr\u00e1s do vaso; 7. O espelho est\u00e1 colocado verticalmente (p. 16, 20 e 21) quando deveria estar ligeiramente inclinado; 8. O modelo da ma\u00e7aneta da porta (p. 12) n\u00e3o \u00e9 adequado. Portanto, s\u00e3o falhas que poder\u00e3o e precisar\u00e3o ser corrigidas nas pr\u00f3ximas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Destaquem-se, na hist\u00f3ria de &#8220;Da Roda&#8221;, os detalhes corretos do ponto de vista da acessibilidade: a ma\u00e7aneta da porta (p. 22 e 25) e o abridor da torneira seguem modelos aprovados; a cesta de basquete desenhada na capa est\u00e1 colocada numa altura razo\u00e1vel; e a pia do banheiro n\u00e3o tem coluna de apoio, o que facilita a aproxima\u00e7\u00e3o da cadeira de rodas.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Associando rodovias ruins a pessoas em cadeira de rodas <\/strong><\/p>\n<p>No caderno Economia, do jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em>, o colunista Joelmir Betting escreveu a respeito do p\u00e9ssimo estado em que se encontravam as rodovias brasileiras. O conte\u00fado em si, focalizando o descaso das autoridades, n\u00e3o tem nada de errado. O problema est\u00e1 na analogia que ele fez (&#8220;rodovias ruins = pessoas com tetraplegia&#8221;), analogia esta que foi enfatizada pelo t\u00edtulo &#8220;Em cadeira de rodas&#8221;. Escrevi ent\u00e3o para o jornal, nos seguintes termos:<\/p>\n<p><strong>Ao<\/strong><\/p>\n<p><strong>F\u00d3RUM DOS LEITORES<\/strong><\/p>\n<p><strong>f\u00f3rum@estado.com.br<\/strong><\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Paulo, 18 de janeiro de 2000.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Senhores:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na excelente mat\u00e9ria &#8220;Em cadeira de rodas&#8221; (18\/1), Joelmir Beting se refere ao &#8220;transporte rodovi\u00e1rio, apresentado como o grande vil\u00e3o de um Brasil quase tetrapl\u00e9gico nesta vig\u00edlia do s\u00e9culo 21.&#8221; Qui\u00e7\u00e1 inadvertidamente, ele utilizou analogias preconceituosas, segundo as quais usar cadeira de rodas ou ser tetrapl\u00e9gico s\u00e3o coisas ruins. No t\u00edtulo est\u00e1 impl\u00edcita a mensagem de que o Brasil anda em cadeira de rodas porque suas rodovias n\u00e3o funcionam. E o texto associa a figura de pessoas tetrapl\u00e9gicas com a imagem negativa de um Brasil cujo sistema rodovi\u00e1rio est\u00e1 quase paralisado. A m\u00eddia deve apontar a precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados, mas tomando o cuidado para n\u00e3o refor\u00e7ar estere\u00f3tipos a respeito deste ou daquele segmento da popula\u00e7\u00e3o. &#8211; <\/strong><strong>Romeu Kazumi Sassaki, C\u00f3digo de assinante: 02310852-5, e-mail: romeukf@uol.com.br.<\/strong><\/p>\n<p>Lamentavelmente, o jornal n\u00e3o me respondeu.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Comparando incompet\u00eancia de fiscal com a cegueira<\/strong><\/p>\n<p>Em 23\/1\/03, escrevi para o jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em> a prop\u00f3sito de uma charge que ele inseriu com o intuito de ilustrar a incompet\u00eancia de um fiscal da Prefeitura do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Eis a carta:<\/p>\n<p><strong>Senhores:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 20\/1, na se\u00e7\u00e3o <\/strong><em><strong>S\u00e3o Paulo Reclama<\/strong><\/em><strong>, foi publicada a carta n\u00ba 14.450, de Renata de Lucca, que reclama sobre &#8220;uma \u00e1gua gosmenta e f\u00e9tida (parece esgoto), nojenta e suja&#8221;, que escorre de um muro de uma propriedade, acrescentando que, ap\u00f3s sua reclama\u00e7\u00e3o na Prefeitura, um fiscal vistoriou o local e escreveu no relat\u00f3rio: &#8220;nada vi, n\u00e3o constatei qualquer tipo de l\u00edquido escorrendo a c\u00e9u aberto&#8221;. Para ilustrar isto, o jornal inseriu um desenho <\/strong>[copiado abaixo]<strong>, objeto do meu protesto. Nele, o fiscal \u00e9 apresentado como um cego (de \u00f3culos pretos e bengala) segurando uma prancheta com o relat\u00f3rio, de costas para um buraco no muro de onde sai a tal \u00e1gua gosmenta e f\u00e9tida. O ilustrador, ao apoiar a reclamante, fez uma analogia desastrosa. Mais uma vez se concretiza o velho preconceito sobre pessoas cegas, desta vez associando a incompet\u00eancia do fiscal com a cegueira. E outra: al\u00e9m de n\u00e3o ver, esse cego n\u00e3o sente o odor f\u00e9tido da \u00e1gua? O desenho, vinculado ao fiscal que n\u00e3o viu nada, constitui uma ofensa \u00e0 imagem das pessoas com defici\u00eancia visual.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Est\u00e3o recebendo c\u00f3pia deste e-mail l\u00edderes e entidades de direitos de pessoas com defici\u00eancia (visual, f\u00edsica, auditiva, intelectual e m\u00faltipla) de diversos pontos do Brasil. <\/strong><strong>&#8211; Romeu Kazumi Sassaki, <\/strong><strong>C\u00f3digo de assinante: 02310852-5, e-mail: <\/strong><strong> <\/strong><span style=\"text-decoration:underline;\"><a href=\"mailto:romeukf@uol.com.br\"><strong>romeukf@uol.com.br<\/strong><\/a><\/span><strong>.<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.bengalalegal.com\/nada-vi.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"160\" \/><\/p>\n<p>Desta vez, o jornal me respondeu, por\u00e9m laconicamente:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>De:<\/strong><strong> FaleCom [falecom@estado.com.br]<br \/>\n<\/strong><strong>Enviado em:<\/strong><strong> sexta-feira, 24 de janeiro de 2003 12:10<br \/>\n<\/strong><strong>Para:<\/strong><strong> romeukf@uol.com.br<br \/>\n<\/strong><strong>Assunto:<\/strong><strong> Jornal O Estado de S.Paulo: Preconceito &#8211; cr\u00edtica &#8220;S.Paulo Reclama&#8221; <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Sr Romeu,<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Agradecemos sua manifesta\u00e7\u00e3o e informamos que sua mensagem foi encaminhada a nossa coluna &#8220;S.Paulo Reclama&#8221; cujo e-mail \u00e9 <\/strong><span style=\"text-decoration:underline;\"><a href=\"mailto:sprec@estado.com.br\"><strong>sprec@estado.com.br<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Estaremos sempre a sua inteira disposi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Atenciosamente,<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Milton<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Atendimento ao Leitor<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>S\/A O Estado de S.Paulo<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Humorismo preconceituoso<\/strong><\/p>\n<p>As duas imagens acima inseridas representam &#8220;ilustra\u00e7\u00f5es&#8221; de algum conte\u00fado escrito. As categorias de defici\u00eancia mais utilizadas por chargistas preconceituosos s\u00e3o a cegueira e a defici\u00eancia f\u00edsica (geralmente, do tipo paraplegia). Por coincid\u00eancia, ambas as imagens focalizam uma pessoa cega.<\/p>\n<p>Para terminar este artigo, vou inserir um exemplo de &#8220;humorismo maldoso&#8221;. Na charge abaixo, uma \u2018brincadeira de mau gosto&#8217;, feita para divertir o p\u00fablico por conta de um dos estere\u00f3tipos mais utilizados sobre pessoas cegas: a dificuldade de fazer certas coisas por n\u00e3o enxergarem. A cena \u00e9 de uma cozinha, onde o microondas est\u00e1 ligado e dele sai uma grossa fuma\u00e7a escura. No cadeir\u00e3o de beb\u00ea, est\u00e1 &#8220;sentado&#8221; um enorme peru, j\u00e1 depenado e sem a cabe\u00e7a, e com um babador em torno do pesco\u00e7o. Um homem cego (de \u00f3culos escuros, de p\u00e9 e segurando sua bengala) est\u00e1 ao telefone fixo, dizendo: &#8220;Est\u00e1 tudo bem, querida, botei o peru no microondas e estou dando a papinha do beb\u00ea!!&#8221;.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.bengalalegal.com\/microondas.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"197\" \/><\/p>\n<p>Repito: preconceitos inofensivos n\u00e3o existem, todos os preconceitos machucam. Devemos estar atentos permanentemente: filmes de cinema, novelas de TV, reportagens em todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o. E denunciar o cometimento de a\u00e7\u00f5es preconceituosas e discriminat\u00f3rias. Mas tamb\u00e9m ensinar, educar o p\u00fablico, mostrando como e onde os preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es se apresentam. Sim, vale a pena o trabalho de conscientizar a sociedade. Todas as vezes em que interviemos, fizemos a diferen\u00e7a: a cada interven\u00e7\u00e3o, acrescentamos um tijolo na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade inclusiva.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">&#8230;ooOoo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Romeu Kazumi Sassaki, 2\/9\/08 Publicado no site da Bengala Legal &#8211; Cegos, Inclus\u00e3o e Acessibilidade (www.bengalalegal.com), em setembro de 2008. Reproduzido na Inclusive com a autoriza\u00e7\u00e3o do autor. Preconceitos inofensivos n\u00e3o existem, todos os preconceitos machucam. Ou &#8220;Pimenta nos olhos dos outros \u00e9 col\u00edrio&#8221;. 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