{"id":15011,"date":"2010-04-21T20:22:27","date_gmt":"2010-04-21T23:22:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=15011"},"modified":"2010-04-21T20:22:27","modified_gmt":"2010-04-21T23:22:27","slug":"desvendando-dilemas-da-inclusao-para-especialista-vale-apostar-em-parceria-entre-escolas-e-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=15011","title":{"rendered":"Desvendando dilemas da inclus\u00e3o I: para especialista, vale apostar em parceria entre escolas e fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_15012\" aria-describedby=\"caption-attachment-15012\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/voivodic.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15012 \" title=\"Inclusive - Fotografia de Maria Antonieta Voivodic\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/voivodic.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"222\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15012\" class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p>Em entrevista \u00e0 Inclusive, Maria Antonieta Voivodic comenta a import\u00e2ncia das expectativas familiares e da sua intera\u00e7\u00e3o com o ambiente escolar no sentido de enfrentar os problemas reais que afetam o desenvolvimento  das experi\u00eancias educacionais inclusivas com pessoas com s\u00edndrome de Down e outras defici\u00eancias intelectuais. As quest\u00f5es foram elaboradas a partir de <a href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?page_id=14258\">enquete<\/a> realizada pela Inclusive em mar\u00e7o deste ano. A enquete visava identificar os problemas reais e os falsos dilemas que interferem no processo de inclus\u00e3o educacional e foi elaborado a partir de sugest\u00f5es dos leitores, em alus\u00e3o ao Dia Internacional da S\u00edndrome de Down, comemorado em 21 de mar\u00e7o. A entrevista tem como foco as quest\u00f5es pertinentes aos aspectos psicossociais apontados pela enquete e uma nova entrevista est\u00e1 sendo elaborada para abordar os aspectos relativos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos professores, desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas e aspectos legais de prote\u00e7\u00e3o ao direito fundamental da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Maria Antonieta M. A. Voivodic \u00e9 psic\u00f3loga, pedagoga e psicopedagoga. Mestre em Dist\u00farbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Diretora do Encontro &#8211; Centro Integrado de Desenvolvimento Infantil, onde, h\u00e1 mais de vinte anos, trabalha com a inclus\u00e3o de crian\u00e7as com defici\u00eancia. Professora de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Centro Universit\u00e1rio Salesiano de S\u00e3o Paulo onde Coordena o Curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva. Ministrou cursos de Inclus\u00e3o para professores na Rede Municipal de S\u00e3o Paulo e Rede municipal de Campo Grande, no Instituto APAE de S\u00e3o Paulo e no  SIEEEESP (Sindicato das Escolas Particulares de S\u00e3o Paulo).  Autora do livro \u201cInclus\u00e3o Escolar de Crian\u00e7as com S\u00edndrome de Down\u201d e co-autora do livro \u201cO Aprender e o N\u00e3o Aprender\u201d, tendo publicado v\u00e1rios  artigos sobre educa\u00e7\u00e3o inclusiva em revistas especializadas.<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p><strong>Inclusive<\/strong> &#8211; \u00c9 uma queixa muito comum nas fam\u00edlias de alunos com s\u00edndrome de Down a constata\u00e7\u00e3o de uma baixa expectativa em rela\u00e7\u00e3o aos potenciais cognitivos destes alunos por parte dos professores e a isto \u00e9 debitado muito de suas dificuldades. Ou seja, \u00e9 como se houvesse uma quebra de confian\u00e7a <em>a priori<\/em> na rela\u00e7\u00e3o entre educadores e educandos. Como entende a situa\u00e7\u00e3o e que tipo de a\u00e7\u00e3o educacional e\/ou extra-escolar poderia resultar numa vis\u00e3o mais realista e menos pessimista dos potenciais destes alunos?<\/p>\n<p><strong>Maria Antonieta<\/strong> &#8211; Infelizmente essa queixa \u00e9 real. Constatamos que h\u00e1 ainda uma baixa expectativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades educacionais desses alunos. A s\u00edndrome de Down (SD) ainda \u00e9 associada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inferioridade, devido a dois importantes fatores. Um deles atribuo \u00e0 falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a s\u00edndrome. Esse fator, em parte, foi superado nos dias de hoje, pois o conhecimento adquirido sobre a s\u00edndrome \u00e9 maior e mais acess\u00edvel, pelo menos a uma parte da popula\u00e7\u00e3o, embora a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, mesmo conhecendo a s\u00edndrome, desconhece as possibilidades das pessoas portadoras da s\u00edndrome. Outro fator determinante no preconceito e estere\u00f3tipo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 SD, deve-se \u00e0 vis\u00e3o da defici\u00eancia nos paradigmas do modelo m\u00e9dico, que, com certeza, perdura at\u00e9 hoje, considerando que os problemas da pessoa com defici\u00eancia est\u00e3o em sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1rio portanto \u201ctrat\u00e1-las\u201d  para adequ\u00e1-las aos padr\u00f5es normais da sociedade. Este quadro s\u00f3 ser\u00e1 revertido quando houver uma mudan\u00e7a no paradigma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia, passando a encar\u00e1-la atrav\u00e9s do modelo social, que preconiza que os problemas da pessoa com defici\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o apenas no indiv\u00edduo, mas nas caracter\u00edsticas da sociedade, que cria problemas para a pessoa com defici\u00eancia , colocando-a em desvantagem em virtude de ambientes restritivos e discriminat\u00f3rios. A defici\u00eancia em si, no caso a defici\u00eancia cognitiva, n\u00e3o deve ser um fator que  impe\u00e7a o aluno de ter as mesmas oportunidades educacionais. O atendimento educacional da crian\u00e7a com SD n\u00e3o pode ser visto atrav\u00e9s de r\u00f3tulos e classifica\u00e7\u00f5es, pois o uso desses estere\u00f3tipos enfatiza apenas as dificuldades e desvia a aten\u00e7\u00e3o de outros fatores que s\u00e3o importantes e podem facilitar a aprendizagem. A baixa expectativa dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aprendizagem desses alunos se concretiza em menor grau de exig\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o de determinadas aprendizagens.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Rosenthal e Jacobson realizaram uma experi\u00eancia interessante, que se tornou famosa. Numa escola de ensino fundamental, no in\u00edcio do ano escolar, aplicaram a todas as crian\u00e7as das dezoito salas de aula da escola um teste de intelig\u00eancia. Em cada sala de aula, os psic\u00f3logos escolheram 20% das crian\u00e7as por sorteio, e disseram aos seus professores (que n\u00e3o sabiam da escolha por sorteio) que os resultados do teste destas crian\u00e7as indicavam que elas poderiam apresentar surpreendentes resultados positivos no desempenho intelectual durante o ano escolar. A \u00fanica diferen\u00e7a entre estas crian\u00e7as e as demais era, portanto, a expectativa criada na mente dos professores. No final do ano escolar, todas as crian\u00e7as da escola foram retestadas com o mesmo teste de intelig\u00eancia. Em geral, as crian\u00e7as, cujos professores foram levados a crer que elas mostrariam um grande crescimento no desempenho intelectual, tiveram resultados no teste bem superiores aos das demais crian\u00e7as da escola. Aquelas crian\u00e7as, no in\u00edcio do ano letivo, n\u00e3o se destacavam das demais. Mas, esperando que se comportassem como crian\u00e7as inteligentes e talentosas, os professores as trataram como se elas realmente fossem mais inteligentes e talentosas do que a m\u00e9dia, e isto fez toda a diferen\u00e7a!<\/p>\n<p>Vemos portanto que o \u201colhar\u201d do professor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de aprendizagem do aluno, faz toda a diferen\u00e7a. Torna-se priorit\u00e1rio ent\u00e3o uma mudan\u00e7a nesse olhar, para que ele  se dirija n\u00e3o s\u00f3 ao indiv\u00edduo com defici\u00eancia, mas a todo o contexto de aprendizagem. Acredito ser fundamental a capacita\u00e7\u00e3o e o apoio aos professores para que essa mudan\u00e7a possa ocorrer. Essa capacita\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer dizer que o professor necessite ser \u201cespecialista\u201d em defici\u00eancia. Diversas escolas j\u00e1 se conscientizaram da necessidade desse apoio e est\u00e3o buscando assessorias e capacitando seus professores.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a mudan\u00e7a de paradigmas envolve uma mudan\u00e7a na sociedade. S\u00f3 assim teremos a inclus\u00e3o que almejamos, em que todas as pessoas, independente de terem ou n\u00e3o defici\u00eancia, sejam valorizadas dentro de suas possibilidades e tenham respeitado os seus direitos. Acredito, por\u00e9m, que a educa\u00e7\u00e3o, como fator de mudan\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o do Homem, possa cooperar para que ocorra a mudan\u00e7a ideol\u00f3gica na sociedade. \u00c9 preciso come\u00e7ar a desencadear a transforma\u00e7\u00e3o, e creio que o melhor caminho, \u00e9 come\u00e7ar pela educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Inclusive<\/strong> &#8211; Sabe-se que estas expectativas tamb\u00e9m tem como pano de fundo as rela\u00e7\u00f5es familiares. Como a escola pode ajudar a reestabelecer estes v\u00ednculos de confian\u00e7a em fam\u00edlias vulner\u00e1veis para que os interessados finais, os pr\u00f3prios alunos, possam extrair o m\u00e1ximo proveito em seu processo de ensino-aprendizagem?<\/p>\n<p><strong>Maria Antonieta<\/strong> &#8211;  As fam\u00edlias tamb\u00e9m s\u00e3o atingidas pelo estigma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edndrome de Down. Esse estigma se reflete tanto na imagem que os pais constroem de sua crian\u00e7a com SD, como em sua rea\u00e7\u00e3o a ela. Os pais, pertencentes \u00e0 cultura na qual a pessoa com SD \u00e9 estigmatizada, t\u00eam de seu filho com SD uma imagem carregada de preconceitos presentes nesse estigma. Assim, sua forma de relacionar-se com o filho \u00e9 determinada pela rea\u00e7\u00e3o a essa imagem.<\/p>\n<p>Acredito que a fam\u00edlia \u00e9 fundamental para a inclus\u00e3o da crian\u00e7a com defici\u00eancia. S\u00e3o as primeiras experi\u00eancias da crian\u00e7a, vividas na fam\u00edlia, as respons\u00e1veis em grande parte por seu desenvolvimento. A fam\u00edlia precisa acreditar nas possibilidades da crian\u00e7a e \u201cinvestir\u201d em sua educa\u00e7\u00e3o. Isso nem sempre ocorre, pois no caso das crian\u00e7as com SD, essas primeiras experi\u00eancias podem ficar comprometidas pelo impacto que produz na fam\u00edlia a not\u00edcia de ter um filho com essa s\u00edndrome, que como j\u00e1 mencionamos, vem carregada do estigma.<\/p>\n<p>Portanto desde o nascimento da crian\u00e7a, incluindo o momento da not\u00edcia, essas fam\u00edlias precisam de apoio e orienta\u00e7\u00e3o de profissionais. Os grupos de pais de crian\u00e7as com SD tamb\u00e9m s\u00e3o de grande aux\u00edlio \u00e0s fam\u00edlias, pois s\u00e3o  um espa\u00e7o onde podem colocar suas angustias, trocar experi\u00eancias e se sentirem apoiadas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao papel das escolas com as fam\u00edlias das crian\u00e7as com defici\u00eancia, acreditamos na grande import\u00e2ncia de incluir a fam\u00edlia no processo educacional da crian\u00e7a, mostrando suas possibilidades e potencialidades e n\u00e3o suas dificuldades, dando acolhimento e apoio aos pais.<\/p>\n<p>Infelizmente em nossa cultura educacional os pais n\u00e3o s\u00e3o vistos como participantes do processo escolar da crian\u00e7a. Em rela\u00e7\u00e3o ao aluno com defici\u00eancia, muitas vezes, a escola culpabiliza os pais  pelas dificuldades apresentadas. Cria-se ent\u00e3o um c\u00edrculo vicioso, os pais culpam os professores por ter baixas expectativas e os professores culpam os pais por n\u00e3o estimularem adequadamente a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Acredito que s\u00f3 alcan\u00e7aremos resultados efetivos na inclus\u00e3o do aluno com defici\u00eancia e no seu processo de ensino-aprendizagem, se envolvermos a fam\u00edlia e aprendermos a ouvir e apoiar os pais. \u00c9 fundamental que a fam\u00edlia e a escola se tornem parceiras nesse processo.<\/p>\n<p><strong>Inclusive<\/strong> &#8211; A superprote\u00e7\u00e3o \u00e9 vista muitas vezes como um impeditivo \u00e0 autonomia da pessoa com s\u00edndrome de Down, da inf\u00e2ncia \u00e0 idade adulta. Como essa autonomia, sendo um processo que atravessa o desenvolvimento psicol\u00f3gico da pessoa, pode ser trabalhada e desenvolvida ao longo da vida escolar dos alunos com defici\u00eancia intelectual?<\/p>\n<p><strong>Maria Antonieta<\/strong> &#8211; A super prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 resultado de uma baixa expectativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades da pessoa com SD. Super protejo e n\u00e3o tenho exig\u00eancias quando n\u00e3o acredito na possibilidade do outro. A super prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exercida s\u00f3 pelo pais, mas tamb\u00e9m pela escola. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia intelectual, ainda h\u00e1 o mito de que s\u00e3o \u201ceternas crian\u00e7as\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. \u00c9 fundamental uma reformula\u00e7\u00e3o dessas cren\u00e7as e estere\u00f3tipos. As pessoas com defici\u00eancia intelectual, assim como todas as pessoas, tem fases em seu desenvolvimento e, em cada fase, apresentam novas necessidades de estimula\u00e7\u00e3o e novas exig\u00eancias devem ser colocadas pelos familiares e educadores. \u00c9 necess\u00e1rio que os objetivos e estrat\u00e9gias educacionais sejam modificados em cada fase. S\u00f3 assim seu desenvolvimento ocorrer\u00e1 e se tornar\u00e3o pessoas aut\u00f4nomas e preparadas para uma vida independente.<\/p>\n<p>Um fator que coopera com a super prote\u00e7\u00e3o e falta de autonomia da pessoa com defici\u00eancia \u00e9 o isolamento social que muitas vezes a fam\u00edlia, e at\u00e9 a escola, imp\u00f5em \u00e0 esses indiv\u00edduos. \u00c9 fundamental que a pessoa com defici\u00eancia tenha uma vida social, participando de grupos e de situa\u00e7\u00f5es culturais e de lazer.<\/p>\n<p><strong>Inclusive<\/strong> &#8211; Muitas fam\u00edlias temem pela viol\u00eancia que seus filhos podem sofrer nas classes comuns e apontam o buylling como um &#8220;fantasma&#8221; que ronda a inclus\u00e3o escolar. At\u00e9 que ponto esse fantasma existe mesmo ou trata-se de mais um argumento protecionista? Como as escolas est\u00e3o trabalhando com a quest\u00e3o e que tipo de resultado tem se obtido no cotidiano escolar?<\/p>\n<p><strong>Maria Antonieta<\/strong> &#8211; O buylling \u00e9 um problema s\u00e9rio e tem estado cada vez mais presente em nossas escolas, principalmente na fase da adolesc\u00eancia. Ele n\u00e3o acontece s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, mas atinge qualquer diferen\u00e7a. Vivemos em uma cultura que preconiza padr\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comportamentos e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posse de bens materiais. A m\u00eddia tem grande responsabilidade em criar e refor\u00e7ar esses padr\u00f5es. A pessoa que, por qualquer motivo, n\u00e3o atende esses padr\u00f5es, passa a ser vista como \u201cdestoante\u201d e muitas vezes se tornam v\u00edtimas de buylling.<\/p>\n<p>Vivemos tamb\u00e9m em uma \u00e9poca em que os padr\u00f5es morais est\u00e3o mais frouxos. Os pais e as escolas tem se preocupado muito mais com a informa\u00e7\u00e3o do que com a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Esse \u00e9 um fator que tem cooperado para o aumento assustador do buylling em nossas escolas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m acredito que o buylling n\u00e3o deva ser visto como um \u201cfantasma\u201d, que seja mais um impeditivo \u00e0 inclus\u00e3o escolar. Entendo at\u00e9, e compartilho, com a preocupa\u00e7\u00e3o dos pais de alunos com defici\u00eancia. Por\u00e9m creio que o buylling deve ser enfrentado de frente e combatido por pais e educadores, que n\u00e3o podem se omitir diante desse problema. Atitudes protecionistas s\u00f3 dificultar\u00e3o a inclus\u00e3o escolar.<\/p>\n<p>Acredito que a inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia nas escolas regulares, desde a fase inicial da educa\u00e7\u00e3o formal, se bem conduzida e trabalhada pelas escolas e fam\u00edlias, propicie uma melhor aceita\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade humana, estimulando a coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade e diminuindo o comportamento de buylling.<\/p>\n<p><strong>Inclusive<\/strong> &#8211; A quest\u00e3o do preconceito e atos discriminat\u00f3rios foi muito debatida no ano passado em fun\u00e7\u00e3o da pesquisa sobre preconceito na escola realizado e divulgado pela FIPE. Como avalia as campanhas contra o preconceito e quais os desafios efetivamente importantes a serem enfrentados para venc\u00ea-lo? Em casos de preconceito e atos discriminat\u00f3rios no ambiente escolar, que atitude cabe \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 escola nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Maria Antonieta<\/strong> &#8211; Temos que considerar que o preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia tem ra\u00edzes na hist\u00f3ria da humanidade. Portanto as mudan\u00e7as nesse contexto s\u00e3o lentas e exigem luta, assim como na hist\u00f3ria da humanidade sempre houve lutas para a garantia de todos os direitos humanos. Todos os indiv\u00edduos, com defici\u00eancia ou n\u00e3o, devem ter seus direitos respeitados e fazer parte de fato da sociedade. A inclus\u00e3o pressup\u00f5e mudan\u00e7as nas atitudes das pessoas, na estrutura social e na educa\u00e7\u00e3o. Pressup\u00f5e a valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade dentro da comunidade humana.<\/p>\n<p>Nesse sentido s\u00e3o bem vindas as a\u00e7\u00f5es que combatam o preconceito e o estigma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia. A m\u00eddia, com seu poder de atingir grande n\u00famero de pessoas e promover mudan\u00e7as de comportamento, pode ter uma grande participa\u00e7\u00e3o no combate ao preconceito. Por\u00e9m a\u00e7\u00f5es sensacionalistas e que estimulem o assistencialismo, s\u00f3 geram maior preconceito e exclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, a\u00e7\u00f5es  que mostrem as possibilidades das pessoas com defici\u00eancia e denunciem atitudes de desrespeito aos seus direitos, trazem grande contribui\u00e7\u00e3o no combate ao preconceito.<\/p>\n<p>Acredito que todo preconceito e desrespeito aos direitos da pessoa com defici\u00eancia, no ambiente escolar ou n\u00e3o, deva ser denunciado ao poder p\u00fablico. Preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 crime e, como crime, tem que ser severamente combatido. N\u00e3o podemos mais, com o nosso comodismo, ser coniventes com esse crime. Temos que fazer parte dessa luta para que as pessoas com defici\u00eancia tenham seus direitos respeitados, estejam realmente inclu\u00eddas e fazendo parte da sociedade, acreditado que s\u00f3 com a inclus\u00e3o seremos mais dignos de nossa humanidade.<\/p>\n<p>________________________________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Inclusive \/ A autora<br \/>\nLicenciado pela Creative Commons 2.5<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 Inclusive, Maria Antonieta Voivodic comenta os aspectos envolvendo fam\u00edlia e escola no processo de inclus\u00e3o educacional de alunos com s\u00edndrome de Down. A entrevista \u00e9 parte de uma s\u00e9rie que visa esclarecer os falsos dilemas que pairam sobre o processo de inclus\u00e3o e defici\u00eancia intelectual e abordar os problemas que efetivamente interferem em sua din\u00e2mica e requerem aten\u00e7\u00e3o social e familiar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-container-style":"default","site-container-layout":"default","site-sidebar-layout":"default","disable-article-header":"default","disable-site-header":"default","disable-site-footer":"default","disable-content-area-spacing":"default","footnotes":""},"categories":[38,6,42,48,7],"tags":[107],"class_list":["post-15011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-deficiencia","category-educacao","category-entrevista","category-inclusao","category-inclusive","tag-desvendando"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Desvendando dilemas da inclus\u00e3o I: para especialista, vale apostar em parceria entre escolas e fam\u00edlias -<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=15011\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Desvendando dilemas da inclus\u00e3o I: para especialista, vale apostar em parceria entre escolas e fam\u00edlias -\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Em entrevista \u00e0 Inclusive, Maria Antonieta Voivodic comenta os aspectos envolvendo fam\u00edlia e escola no processo de inclus\u00e3o educacional de alunos com s\u00edndrome de Down. 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