{"id":15059,"date":"2010-04-28T06:10:03","date_gmt":"2010-04-28T09:10:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=15059"},"modified":"2010-04-28T06:10:03","modified_gmt":"2010-04-28T09:10:03","slug":"ricardo-shimosakai-fala-sobre-turismo-acessivel-e-a-copa-do-mundo-de-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=15059","title":{"rendered":"Ricardo Shimosakai fala sobre turismo acess\u00edvel e a Copa do Mundo de 2014"},"content":{"rendered":"<figure style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ricardo em uma de suas viagens: no Rio de Contas, em Itacar\u00e9, Bahia\" src=\"http:\/\/www.copa2014.turismo.gov.br\/export\/sites\/default\/copa\/copa_cabeca\/detalhe\/Imagens_Copa_Cabeca\/20100422_CopaCabeca_entrevista_ricardo_1-Tratada.jpg_1332779640.jpg    \" alt=\"\" width=\"252\" height=\"162\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ricardo em uma de suas viagens: no Rio de Contas, em Itacar\u00e9, Bahia<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O turism\u00f3logo e cadeirante, Ricardo Shimosakai dedica-se \u00e0 acessibilidade no turismo brasileiro. Confira o que pensa sobre a quest\u00e3o no Brasil e no mundo e suas expectativas para 2014 em entrevista ao Portal Copa 2014, do Minist\u00e9rio do Turismo.<\/em><\/p>\n<p><strong>1. Sabemos que voc\u00ea \u00e9 turism\u00f3logo. Como surgiu o seu interesse por Turismo?<br \/>\n<\/strong>Depois do tiro que levei num sequestro rel\u00e2mpago em 2001, duas das coisas de que mais senti falta foram meus passeios e minhas viagens. Ent\u00e3o comecei a pensar nas alternativas para voltar \u00e0 minha rotina de uma pessoa acostumada a sair e conhecer novos lugares. Depois fui perceber que isso n\u00e3o era um desejo somente meu, e comecei a trabalhar nesse campo visualizando uma oportunidade de mercado e um modo de auxiliar meus colegas com defici\u00eancia. Decidi me aprofundar e ingressei no curso de Turismo, no qual sou formado, al\u00e9m de buscar conhecimento atualizado sobre todos os tipos de defici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>2. Como turista, o que mudou para voc\u00ea com a defici\u00eancia f\u00edsica, da escolha do destino ao decorrer da viagem?<\/strong><br \/>\nComecei a prestar mais aten\u00e7\u00e3o na acessibilidade, por\u00e9m sem me privar de visitar um local pela falta deste item. Desenvolvi habilidades para me virar em casos de dificuldade, como por exemplo tomar banho num hotel em que n\u00e3o h\u00e1 maneira de acessar o chuveiro por conta do box apertado. Ent\u00e3o aprendi a tomar banho de canequinha, ou mesmo utilizando uma toalha \u00famida, m\u00e9todo popularmente conhecido como &#8220;banho-de-gato&#8221;. Mas isso n\u00e3o \u00e9 o correto, pois a defici\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s, e sim no estabelecimento, que n\u00e3o est\u00e1 preparado para nos receber de maneira adequada. Perdemos muito tempo tamb\u00e9m, pois enquanto uma pessoa consegue entrar num estabelecimento com facilidade, geralmente precisamos ficar \u00e0 procura de como acess\u00e1-lo, quando isso \u00e9 poss\u00edvel. No come\u00e7o, fui auxiliado. Viajei com a fam\u00edlia, com colegas, mas depois fui buscar minha independ\u00eancia e passei a viajar sozinho. Passei por diversas dificuldades que me fizeram amadurecer como pessoa e como turista, como por exemplo perceber que centros de informa\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas dificilmente sabem nos informar sobre a acessibilidade dos locais tur\u00edsticos, por isso passei a procurar essas informa\u00e7\u00f5es antes de realizar a viagem. Ironicamente, como as dificuldades s\u00e3o maiores do que antes, o prazer de depois ter conseguido super\u00e1-las tamb\u00e9m \u00e9 maior.<\/p>\n<p><strong>3. Qual foi a melhor experi\u00eancia tur\u00edstica (inclu\u00edda a quest\u00e3o da acessibilidade) que voc\u00ea j\u00e1 vivenciou no Brasil?<\/strong><br \/>\nApesar de cada lugar ter sua caracter\u00edstica particular, a minha melhor experi\u00eancia tur\u00edstica no Brasil at\u00e9 hoje \u2013 por diversos fatores, incluindo a acessibilidade \u2013 se deu em Curitiba. Foi o primeiro destino para o qual fiz uma viagem sozinho ap\u00f3s me tornar uma pessoa com defici\u00eancia. A quest\u00e3o do transporte \u00e9 bastante facilitada, com \u00f4nibus equipados com elevadores veiculares, as esta\u00e7\u00f5es-tubo, al\u00e9m das linhas de \u00f4nibus tur\u00edstico (conhecido como Jardineira), todos contemplando a acessibilidade. O Jardim Bot\u00e2nico, a Rua 24 Horas, a \u00d3pera de Arame e o Parque Tangu\u00e1, entre outros, eram poss\u00edveis de visita\u00e7\u00e3o, apesar das falhas de acessibilidade aparentes numa avalia\u00e7\u00e3o mais rigorosa. Por essas e outras raz\u00f5es, Curitiba era considerada a cidade modelo brasileira.<\/p>\n<p><strong>4. Que outras cidades \/ destinos brasileiros est\u00e3o bem estruturados, s\u00e3o acess\u00edveis, e voc\u00ea indicaria a colegas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dificil dizer que existe um destino acess\u00edvel no Brasil. Portanto comecei a trabalhar preparando pacotes tur\u00edsticos em que todos os locais e as atividades propostos s\u00e3o acess\u00edveis. Preparamos Bonito, Foz do Igua\u00e7u, Pantanal e Itacar\u00e9 neste formato, e j\u00e1 estamos trabalhando para deixar Rio de Janeiro, Porto de Galinhas, Fernando de Noronha e Manaus nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. Mas, para que a viagem atinja uma total satisfa\u00e7\u00e3o, realizamos uma conversa com o turista com defici\u00eancia para conhecer melhor quais s\u00e3o suas dificuldades, pois cada pessoa com defici\u00eancia possui necessidades diferentes, que \u00e0s vezes s\u00e3o mais do que quest\u00f5es de acessibilidade, mas sim da forma como ele ser\u00e1 atendido. Por exemplo, um rapaz que foi viajar sozinho a Itacar\u00e9 n\u00e3o possu\u00eda os bra\u00e7os e tinha pernas muito curtas, ent\u00e3o colocamos uma pessoa para auxili\u00e1-lo no banho, na troca de roupas e na alimenta\u00e7\u00e3o. Na verdade, qualquer destino \u00e9 vi\u00e1vel, dependendo do perfil da pessoa com defici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>5. Melhorias e adapta\u00e7\u00f5es em hot\u00e9is e atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas visando a acessibilidade podem ser vistas como um investimento? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nPessoas com defici\u00eancia geralmente viajam acompanhadas, e se o local n\u00e3o possui acessibilidade, provavelmente est\u00e1 deixando de receber n\u00e3o s\u00f3 pessoas com defici\u00eancia mas tamb\u00e9m seus acompanhantes. Sem contar que a acessibilidade \u00e9 um item procurado pela terceira idade, segmento que tem ganhado for\u00e7a no turismo nos \u00faltimos anos. A acessibilidade pode ser traduzida como conforto, pois rampas, elevadores, barras e outros itens, al\u00e9m de atender a todos, tamb\u00e9m s\u00e3o facilitadores para qualquer pessoa. Alguns equipamentos, como \u00e1udio-guias em museus, servem como uma orienta\u00e7\u00e3o mais detalhada para qualquer pessoa, al\u00e9m de que o mesmo aparelho utilizado poder conter recursos de \u00e1udio-descri\u00e7\u00e3o para cegos, criando assim um servi\u00e7o que agrada a todos e, ao mesmo tempo, pratica a inclus\u00e3o. Al\u00e9m disso, valoriza a imagem do estabelecimento perante a sociedade, pois empresas que se preocupam com o lado social s\u00e3o muito mais valorizadas pelo consumidor. H\u00e1 relatos comprovados de empres\u00e1rios que investiram em quest\u00f5es de acessibilidade e inclus\u00e3o e que hoje em dia est\u00e3o tendo um retorno devido \u00e0 atitude tomada.<\/p>\n<p><strong>6. Que est\u00e1dios voc\u00ea j\u00e1 visitou na condi\u00e7\u00e3o de deficiente f\u00edsico? Como foram estas experi\u00eancias?<\/strong><br \/>\nVisitei Morumbi e Pacaembu (em S\u00e3o Paulo) e a Vila Belmiro, em Santos. No exterior, conheci o est\u00e1dio do Barcelona. Para assistir a um jogo, somente o Morumbi; os outros foram visita\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas. No Morumbi, estacionei meu carro em vaga reservada no interior do est\u00e1dio, depois entrei por um acesso diferenciado com outros dois colegas. N\u00e3o fiquei na \u00e1rea acess\u00edvel, pois acompanhei meus colegas na arquibancada e fiquei num corredor frontal.<\/p>\n<p><strong>7. O que \u00e9 essencial para um est\u00e1dio ser acess\u00edvel?<\/strong><br \/>\nO essencial para pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica s\u00e3o rampas ou elevadores, dependendo da estrutura arquitet\u00f4nica, instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, circula\u00e7\u00e3o com rotas acess\u00edveis e sinaliza\u00e7\u00e3o adequada, al\u00e9m do espa\u00e7o onde a pessoa com defici\u00eancia f\u00edsica assistir\u00e1 ao jogo. Um servi\u00e7o de apoio \u00e9 recomendado pela FIFA, para que todas as pessoas com defici\u00eancia possam ser atendidas. Mapas t\u00e1teis do est\u00e1dio, sinaliza\u00e7\u00e3o em braille e pisos t\u00e1teis s\u00e3o itens importantes para quem tem uma defici\u00eancia visual. Pessoas treinadas para interpretar a L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) \u00e9 o recurso mais importante para pessoas com defici\u00eancia auditiva \u2013 que, apesar de ser utilizada somente no Brasil, possui semelhan\u00e7as com outras l\u00ednguas estrangeiras de sinais. Al\u00e9m disso, julgo importante que as informa\u00e7\u00f5es dos recursos de acessibilidade sejam divulgadas na comunidade de pessoas com defici\u00eancia, para estimular a ida aos est\u00e1dios de quem ainda tem d\u00favidas.<\/p>\n<p><strong>8. Al\u00e9m de ter est\u00e1dios acess\u00edveis, quais s\u00e3o os principais pontos onde o Brasil poder\u00e1 investir para realizar uma Copa acess\u00edvel?<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m dos est\u00e1dios, toda a infraestrutura das cidades tamb\u00e9m deve ser pensada sob a \u00f3tica da acessibilidade. Pois o evento influenciar\u00e1 outras quest\u00f5es como os transportes a\u00e9reo e rodovi\u00e1rio, hotelaria, informa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da visita\u00e7\u00e3o tur\u00edstica nos atrativos de cada sede. As pessoas geralmente v\u00eam assistir somente aos jogos do time de seu pa\u00eds de origem, e n\u00e3o necessariamente a todos. Ent\u00e3o, nessa log\u00edstica, ficam sobrando espa\u00e7os de tempo, que ser\u00e3o preenchidos para visita\u00e7\u00e3o local. Alguns tamb\u00e9m usam a oportunidade para visitar a cidade modificada para o grande evento, e nem chegam a ir aos est\u00e1dios, assistindo de fora deles nas Fan Fests ou mesmo somente para sentir o clima festivo. Ent\u00e3o outros servi\u00e7os e locais como bares e restaurantes, praias, al\u00e9m de toda a cadeia do com\u00e9rcio, ser\u00e3o influenciados. Produzindo nossos destinos como locais acess\u00edveis, seja gerada uma divulga\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea dos pr\u00f3prios visitantes, que retornar\u00e3o aos seus locais de origem e passar\u00e3o suas impress\u00f5es aos seus conhecidos. Mas deve-se prestar aten\u00e7\u00e3o em todos os tipos de defici\u00eancia, e trazer experi\u00eancias de sucesso como o projeto do Bayer 04 Leverkusen da Alemanha, realizado no Brasil pela Freeway com o nome de Projeto Ver-o-gol, em que pessoas cegas foram levadas ao est\u00e1dio para assistir a um jogo de futebol por meio da t\u00e9cnica da \u00e1udiodescri\u00e7\u00e3o, com a narra\u00e7\u00e3o em tempo real diferenciada, com detalhes do que se passa no jogo. A FIFA refor\u00e7a as orienta\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 seguran\u00e7a nos est\u00e1dios, como procedimentos e equipamentos para evacua\u00e7\u00e3o do local em caso de emerg\u00eancia. Tamb\u00e9m s\u00e3o feitas recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para que a vis\u00e3o do campo do local onde pessoas usu\u00e1rias de cadeira de rodas ir\u00e3o se posicionar n\u00e3o seja obstru\u00edda por outros espectadores, mesmo nos momentos de comemora\u00e7\u00e3o, em que todos estar\u00e3o saltando e agitando suas bandeiras. Tamb\u00e9m \u00e9 citado que se deve prover acesso a todos os locais, para que a pessoas com defici\u00eancia possam desfrutar das mesmas oportunidades de uma pessoa n\u00e3o deficiente.<\/p>\n<p><strong>9. Que outros pa\u00edses o Brasil poderia tomar como exemplo para fundamentar suas a\u00e7\u00f5es visando a acessibilidade no turismo? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nBarcelona, quando foi escolhida para sediar as Olimp\u00edadas e consequentemente as Paraolimp\u00edadas de 1992, realizou uma grande reforma na cidade, incluindo as quest\u00f5es de acessibilidade. As cal\u00e7adas s\u00e3o muito boas, com rebaixamento de guias em grande parte da cidade, al\u00e9m de museus e praias acess\u00edveis, entre outros atrativos que prezam a inclus\u00e3o, de modo que a cidade espanhola se tornou uma refer\u00eancia mundial em acessibilidade. A Disney, em Orlando (EUA), tem brinquedos em que voc\u00ea pode entrar com a pr\u00f3pria cadeira, sistemas de operacionaliza\u00e7\u00e3o para entrada facilitada nos mesmos, guias impressos indicando essas facilidades, transporte e hospedagem acess\u00edveis em todo o complexo. Na Fran\u00e7a, uma organiza\u00e7\u00e3o chamada Tourisme &amp; Handicap trabalha em conjunto com o equivalente ao Minist\u00e9rio do Turismo Franc\u00eas, para orientar e viabilizar diversos pontos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 acessibilidade e \u00e0 inclus\u00e3o no turismo, fundamentais para que se tenha um resultado de qualidade. A Argentina tem um projeto de acessibilidade em San Mart\u00edn de Los Andes, uma cidade de campo onde tamb\u00e9m h\u00e1 uma esta\u00e7\u00e3o de esqui chamada Chapelco, com atividades de esqui na neve adaptado. Todos os \u00f4nibus e os principais atrativos de Londres s\u00e3o acess\u00edveis, dando condi\u00e7\u00f5es para uma visita\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>10. Acha que o turismo pode ser considerado uma ferramenta de inclus\u00e3o? E o esporte?<\/strong><br \/>\nO turismo e o esporte podem ser considerados como uma ferramenta de inclus\u00e3o, n\u00e3o somente a pessoas com defici\u00eancia, mas a todas as pessoas. Isto se d\u00e1 principalmente pelo fator de socializa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que podemos, numa atividade tur\u00edstica ou esportiva, conhecer outras pessoas e conversar de uma maneira agrad\u00e1vel, por se tratar de um contexto de descontra\u00e7\u00e3o. Focando um pouco mais nas pessoas com defici\u00eancia, muitas delas precisam de incentivos, principalmente aquelas que adquirem uma defici\u00eancia sem nenhum aviso e que passam por momentos de depress\u00e3o. Al\u00e9m disso, quando uma pessoa passeia ou viaja est\u00e1 realizando uma atividade f\u00edsica e adquirindo cultura e conhecimento. Ent\u00e3o este \u00e9 um ciclo ativo composto por atividades de socializa\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcios e ganho de conhecimento. O turismo e o esporte geralmente s\u00e3o atividades realizadas espontaneamente, ent\u00e3o h\u00e1 neles um apelo muito mais eficaz para inserir uma pessoa deslocada no contexto ativo da sociedade, para que se sinta inclu\u00edda.<\/p>\n<p><strong>11. Pratica algum esporte? Qual?<\/strong><br \/>\nNo final de minha reabilita\u00e7\u00e3o, comecei a fazer hidroterapia e me puxaram para a nata\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o achei legal, uma quest\u00e3o de gosto. Ent\u00e3o comecei a praticar t\u00eanis de mesa, o que me ajudou imensamente. Al\u00e9m da parte f\u00edsica, que me auxiliava com for\u00e7a, resist\u00eancia e equil\u00edbrio, tamb\u00e9m recebia conselhos de colegas que tinham mais tempo de les\u00e3o, e, em competi\u00e7\u00f5es realizadas fora de S\u00e3o Paulo, aprendia quest\u00f5es de independ\u00eancia, al\u00e9m de me socializar com diversas outras pessoas. No final, isso tinha um efeito psicol\u00f3gico enorme, o qual julgo o maior benef\u00edcio. Depois parei com o t\u00eanis de mesa devido ao estudo e ao trabalho, retomei atividades f\u00edsicas em academia, e atualmente estava me exercitando com uma hanbike, bicicleta adaptada em forma de triciclo. Al\u00e9m disso, realizo atividades de aventura, como paraquedas, mergulho, tirolesa, rafting, paraglider e rapel, entre outros. Tamb\u00e9m estou sempre ativo, saio para exposi\u00e7\u00f5es, teatros, cinemas, eventos, restaurantes e vida noturna, atividades que me ajudam a exercitar o f\u00edsico e o psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>12. Gosta de futebol? Para que time torce? Tem algum jogo\/lance\/gol inesquec\u00edvel? Se sim, por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nSim, gosto bastante de futebol e tor\u00e7o para o S\u00e3o Paulo. N\u00e3o sou fan\u00e1tico, por\u00e9m sempre acompanho. Momento inesquec\u00edvel no futebol foi a final de 1994 contra a It\u00e1lia. Foi a primeira vez em que presenciei o Brasil ser campe\u00e3o, al\u00e9m de ser uma final decidida nos p\u00eanaltis, o que acho muito mais tenso e emocionante, pois ali acaba o trabalho de uma equipe e prevalece a habilidade individual de cada jogador que ir\u00e1 fazer a cobran\u00e7a e do goleiro, a quem cabe a defesa.<\/p>\n<p><strong>13. Pretende torcer bastante pelo Brasil na Copa de 2010? Onde pensa em assistir aos jogos da sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCertamente, al\u00e9m de mim, milhares de outras pessoas no Brasil e tamb\u00e9m do exterior, pois nosso pa\u00eds \u00e9 muito querido, principalmente no futebol, pelo qual \u00e9 muito respeitado. \u00c9 o \u00fanico evento que consegue parar o pa\u00eds inteiro. Penso em reunir colegas para assistir em algum bar ou restaurante, ou ent\u00e3o me dirigir a espa\u00e7os onde haver\u00e1 um tel\u00e3o ou diversas TVs para assistir junto de outras pessoas, pois nessa hora somos todos um s\u00f3 time e \u00e9 uma oportunidade de conhecer mais pessoas num grande ambiente de socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>14. Como acha que a Copa de 2014 pode impulsionar e melhorar o turismo no Brasil, inclusive o turismo acess\u00edvel?<\/strong><br \/>\nO grande benef\u00edcio de um evento internacional desse porte ser\u00e1 a exposi\u00e7\u00e3o. Apesar do foco ser a competi\u00e7\u00e3o, ela ser\u00e1 disputada em 12 cidades diferentes. Geralmente a m\u00eddia n\u00e3o mostra somente os jogos, mas tamb\u00e9m diversas outras informa\u00e7\u00f5es das cidades onde ser\u00e3o disputadas as partidas, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es gerais sobre o pa\u00eds. Ent\u00e3o, se a imagem que conseguirmos passar para o resto do mundo for positiva, isso ser\u00e1 um grande benef\u00edcio; por\u00e9m o contr\u00e1rio tamb\u00e9m pode ser um grande preju\u00edzo. Fazer a implanta\u00e7\u00e3o de acessibilidade de forma correta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cumprir com obriga\u00e7\u00f5es exigidas pela FIFA, mas demonstrar que nosso pa\u00eds tem uma consci\u00eancia social de inclus\u00e3o, um fator muito valorizado pela sociedade mundial. Se os investimentos em acessibilidade forem aplicados al\u00e9m dos est\u00e1dios, valorizando o transporte, vias p\u00fablicas, sinaliza\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e outros itens que fazem parte da cadeia produtiva desse evento, o retorno ser\u00e1 inevit\u00e1vel. Posso afirmar que tanto turistas locais como estrangeiros com defici\u00eancia t\u00eam grande interesse em visitar as cidades-sedes numa proposta tur\u00edstica.<\/p>\n<p><em>Ricardo\u00a0Shimosakai\u00a0mant\u00e9m o blog Turismo Adaptado (<\/em><a href=\"http:\/\/www.turismoadaptado.zip.net\"><em>www.turismoadaptado.zip.net<\/em><\/a><em>).<br \/>\n____________________<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.copa2014.turismo.gov.br\/copa\/copa_cabeca\/detalhe\/entrevista_Ricardo_acessibilidade.html\">Portal Copa 2014<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O turism\u00f3logo e cadeirante, Ricardo Shimosakai dedica-se \u00e0 acessibilidade no turismo brasileiro. 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