{"id":16021,"date":"2010-06-16T07:30:21","date_gmt":"2010-06-16T10:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=16021"},"modified":"2010-06-16T07:30:21","modified_gmt":"2010-06-16T10:30:21","slug":"a-educacao-frente-a-economia-do-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=16021","title":{"rendered":"A educa\u00e7\u00e3o frente \u00e0 economia do conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/educacao_informartica_e_learning.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-14702\" title=\"Educa\u00e7\u00e3o e inform\u00e1tica - imagem de uma pessoa diante de um computador de onde saem dois bra\u00e7os apontando o conte\u00fado dentro de um livro.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/educacao_informartica_e_learning.jpeg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"210\" \/><\/a>Por Ladislau Dowbor *<\/strong><\/p>\n<p>Estamos evoluindo rapidamente da economia fabril para a economia do conhecimento. No centro da forma\u00e7\u00e3o do valor dos bens e servi\u00e7os hoje produzidos, est\u00e1 o conhecimento incorporado. A educa\u00e7\u00e3o, que tem no conhecimento a sua mat\u00e9ria-prima, est\u00e1 hoje cada vez mais perto do furac\u00e3o de mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, mas se aferra teimosamente ao passado, ao conhecimento fatiado em disciplinas, \u00e0 seguran\u00e7a da sala de aula, do giz e do quadro negro, ao diploma como t\u00edtulo de nobreza, enquanto explodem no mundo o conhecimento online generalizado, que o torna acess\u00edvel na sua virtual totalidade e em qualquer ponto do planeta, ainda para elites em algumas sociedades, mas crescentemente universalizado. A educa\u00e7\u00e3o tem pela frente uma profunda transforma\u00e7\u00e3o, no sentido de ser menos ministradora de aulas, e mais articuladora da multimodalidade que caracteriza hoje a gest\u00e3o do conhecimento. A mudan\u00e7a est\u00e1 apenas come\u00e7ando.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de espa\u00e7o livre para ser ocupado. As novas tecnologias permitem que o conhecimento adquirido pela humanidade, sob forma de ci\u00eancia, obras de arte, m\u00fasica, filmes e outras manifesta\u00e7\u00f5es da economia criativa, seja universalmente acess\u00edvel, a custos virtualmente nulos. Trata-se, evidentemente, de um imenso bem para a humanidade, para o progresso educacional, cient\u00edfico e cultural de todos. Mas para os intermedi\u00e1rios do acesso aos bens criativos, que controlavam a base material da sua disponibiliza\u00e7\u00e3o, houve uma mudan\u00e7a profunda. Em vez de se adequarem \u00e0s novas tecnologias, sentem-se amea\u00e7ados, e buscam travar o uso das tecnologias de acesso, acusando quem as usa de pirataria, e at\u00e9 de falta de \u00e9tica. Geram-se, assim, duas din\u00e2micas, uma que busca se aproveitar das tecnologias para generalizar o enriquecimento cultural, e outra que busca atrav\u00e9s de leis, da criminaliza\u00e7\u00e3o e do recurso ao poder do Estado, travar a sua expans\u00e3o. A tecnologia torna os bens culturais cada vez mais acess\u00edveis, as leis evoluem para cada vez mais proibir o acesso.<\/p>\n<p>O mundo corporativo est\u00e1 avan\u00e7ando de maneira dura e organizada: \u201cEm setembro de 1995, a ind\u00fastria de conte\u00fados, trabalhando com o Departamento de Com\u00e9rcio dos Estados Unidos, come\u00e7ou a mapear uma estrat\u00e9gia para proteger um modelo de neg\u00f3cios frente \u00e0s tecnologias digitais. Em 1997 e 1998, essa estrat\u00e9gia foi implementada atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de novas leis destinadas a estender o tempo de copyright da obra, refor\u00e7ar as penalidades criminais para infringimento de copyright, e para punir o uso de tecnologias que tentavam evitar os entraves digitais colocados em conte\u00fado digital\u201d2.<\/p>\n<p>O resultado pr\u00e1tico \u00e9 conhecido: somente teremos acesso digital \u00e0 obra 70 anos depois da morte do autor (por exemplo, ap\u00f3s 2050 para Paulo Freire). O que significa que 90% das obras do s\u00e9culo passado ficar\u00e3o indispon\u00edveis para pesquisa digital, isso quando a realiza\u00e7\u00e3o de lucros sobre o copyright se limita quase integralmente aos cinco ou, quando muito, dez anos depois da publica\u00e7\u00e3o. Imenso preju\u00edzo social para pequenos lucros privados. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 liquidar os direitos de propriedade intelectual, mas limit\u00e1-los a cinco anos livremente prorrog\u00e1veis pelo dono dos direitos, que os renovar\u00e1 se achar que vale a pena. Grande parte das obras se tornaram indispon\u00edveis porque n\u00e3o se consegue sequer identificar o dono dos direitos, isso para quem est\u00e1 disposto a pagar para reeditar. A realidade \u00e9 que ao aplicar \u00e0 economia criativa leis derivadas da propriedade de bens f\u00edsicos, desequilibramos radicalmente o processo, que precisa de novas regras do jogo.<\/p>\n<p>Diversas pesquisas no mundo universit\u00e1rio mostram que a esmagadora maioria dos estudantes recorre a formas de acesso aos bens cient\u00edficos e culturais que podem ser consideradas ilegais. Devemos criminalizar a juventude?3 Para uma pessoa que descobre uma linda m\u00fasica na internet, envi\u00e1-la para um amigo \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o mais imediata, porque a felicidade n\u00e3o se goza sozinho. Vamos criminalizar isso? Lessig constata uma coisa \u00f3bvia: uma lei que parece idiota n\u00e3o \u00e9 respeitada. E levar jovens a perder o respeito pela lei pode, sim, ser coisa muito s\u00e9ria. Na realidade, devemos enfrentar esse hiato crescente entre o que as tecnologias permitem e o que a lei pro\u00edbe. Provavelmente, de maneira menos ideol\u00f3gica, ou menos hist\u00e9rica.<\/p>\n<p>Segundo James Boyle, \u201co objetivo do copyright \u00e9 de encorajar a produ\u00e7\u00e3o e acesso a obras culturais. Desempenhou o seu papel encorajando a produ\u00e7\u00e3o. Agora opera como uma cerca para impedir o acesso. Conforme passam os anos, continuamos a trancar at\u00e9 cem por cento da nossa cultura registrada de um determinado ano para beneficiar uma porcentagem cada vez menor \u2013 os ganhadores na loteria \u2013 numa pol\u00edtica cultural grotescamente ineficiente\u201d4.<\/p>\n<p>Em outro n\u00edvel, \u00e9 curioso constatar a fragilidade dos argumentos segundo os quais a livre disponibiliza\u00e7\u00e3o dos livros impede a sua venda. Paulo Coelho, que recentemente passou a disponibilizar online, na \u00edntegra, os seus livros, gratuitamente, constatou n\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o mas o aumento das vendas5. Uma pessoa que gostou do livro ap\u00f3s a leitura de algumas p\u00e1ginas, provavelmente se sentir\u00e1 estimulada a compr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>No caso de patentes, a quest\u00e3o \u00e9 ainda mais lastim\u00e1vel, e cada vez se constata mais, conforme veremos abaixo, que o emaranhado de restri\u00e7\u00f5es legais chegou a um n\u00edvel tal que mais atrapalha do que estimula a pesquisa. Um monop\u00f3lio de vinte anos sobre uma ideia podia ser concebido h\u00e1 meio s\u00e9culo atr\u00e1s, mas n\u00e3o no ritmo moderno de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o contexto da economia criativa mudou radicalmente, pois ainda que haja custos na produ\u00e7\u00e3o de uma obra criativa, uma vez criada, essa obra pode se tornar em fator de enriquecimento de toda a humanidade, j\u00e1 que a disponibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente gratuita. Quando a disponibiliza\u00e7\u00e3o exigia suporte material \u2013 o livro impresso, o disco, a fita \u2013, era natural que fosse cobrado o custo incorporado. Sem a editora, sem a emissora de TV, as pessoas n\u00e3o saberiam da cria\u00e7\u00e3o. A disponibiliza\u00e7\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o do conhecimento se fazia gra\u00e7as a elas. Hoje, essas mesmas corpora\u00e7\u00f5es tentam evitar a disponibiliza\u00e7\u00e3o, pois com a era digital, podemos apreciar um livro, uma m\u00fasica, um filme, sem precisar de suporte material. Em vez de se adaptar \u00e0s novas tecnologias, e buscar outra forma de agregar valor, as mesmas corpora\u00e7\u00f5es buscam travar o seu acesso, e criminalizar o seu uso.<\/p>\n<p>A IBM, para dar um exemplo, tentou impedir que se disseminasse o \u201cclone\u201d (assim era designado o PC \u201cpirata\u201d) atrav\u00e9s da tecnologia propriet\u00e1ria microchannel, no final dos anos 1980. Achou que o padr\u00e3o IBM seria a op\u00e7\u00e3o de todos, pela domina\u00e7\u00e3o que tinha do mercado. Mas viu que todos fugiram para os \u201cclones\u201d, para a livre cria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. A IBM assimilou a li\u00e7\u00e3o, e passou a vender software. Com o software se tornando um bem livre (a pr\u00f3pria empresa hoje usa o Linux), passou a vender servi\u00e7os de arquitetura de informa\u00e7\u00e3o para empresas. Adaptou-se. Travar o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico atrav\u00e9s de monop\u00f3lios n\u00e3o d\u00e1 bons resultados, e n\u00e3o est\u00e1 dando no nosso caso.<\/p>\n<p>O que temos pela frente \u00e9 menos apelos dram\u00e1ticos \u00e0 lei e \u00e0 \u00e9tica, e mais bom senso na redefini\u00e7\u00e3o das regras do jogo que protejam o autor de inova\u00e7\u00f5es, os diversos intermedi\u00e1rios e, sobretudo, o interesse final de toda cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o enriquecimento cultural e cient\u00edfico de toda a popula\u00e7\u00e3o. O fato de bens culturais e educacionais se tornarem quase gratuitos, gra\u00e7as \u00e0s novas tecnologias, n\u00e3o deve constituir um drama, e sim uma imensa oportunidade. Numa era em que se destinam imensos recursos para a educa\u00e7\u00e3o no mundo, tentar travar o acesso n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo, nem \u00e9tico, como constitui um contrassenso.<\/p>\n<p>De certa maneira, forma-se uma grande tens\u00e3o entre a sociedade realmente existente, cada vez mais centrada no conhecimento, e o sistema de leis baseado em produtos materiais caracter\u00edsticos do s\u00e9culo passado. O essencial aqui \u00e9 que o conhecimento, uma vez desenvolvido, \u00e9 indefinidamente reproduz\u00edvel e, portanto, s\u00f3 se transforma em valor monet\u00e1rio quando apropriado por algu\u00e9m, evitando que outros possam ter acesso sem pagar um ped\u00e1gio, \u201cdireitos\u201d. Para os que tentam controlar o acesso ao conhecimento, este s\u00f3 tem valor ao se criar artificialmente, por meio de leis e repress\u00e3o e n\u00e3o por mecanismos econ\u00f4micos, a escassez. Por simples natureza t\u00e9cnica do processo, a aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 era do conhecimento das leis da reprodu\u00e7\u00e3o da era industrial trava o acesso. Curiosamente, impedir a livre circula\u00e7\u00e3o de ideias e de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica tornou-se um fator, por parte das corpora\u00e7\u00f5es, de pedidos de maior interven\u00e7\u00e3o do Estado. Os mesmos interesses que levaram a corpora\u00e7\u00e3o a globalizar o territ\u00f3rio para facilitar a circula\u00e7\u00e3o de bens, levam-na a fragmentar e a dificultar a circula\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<p>Um texto de 1813 de Thomas Jefferson \u00e9, nesse sentido, muito eloquente: \u201cSe h\u00e1 uma coisa que a natureza fez que \u00e9 menos suscet\u00edvel que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa \u00e9 a a\u00e7\u00e3o do poder de pensamento que chamamos de ideia&#8230;.Que as ideias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instru\u00e7\u00e3o moral e m\u00fatua do homem, e o avan\u00e7o de sua condi\u00e7\u00e3o parece ter sido particularmente e benevolamente desenhado pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, pass\u00edveis de expans\u00e3o por todo o espa\u00e7o, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropria\u00e7\u00e3o exclusiva. Inven\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem, por natureza, ser objeto de propriedade\u201d6.<\/p>\n<p>Na nossa \u00e1rea universit\u00e1ria, em vez de trancarmos os nossos conhecimentos, imitando os comportamentos ultrapassados da empresa privada, temos de nos tornar vetores de multiplica\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de conhecimento. Analisando as vantagens de se disponibilizar artigos gratuitamente online, Tapscott e Williams citam Paul Camp: \u201cO que n\u00f3s queremos \u00e9 informa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, analisada por peering. Que importa se isso aconteceu porque um editor mandou o artigo para ser analisado por algu\u00e9m ou se ele foi analisado via e-mail por uma comunidade de pessoas interessadas naquele assunto, em resposta \u00e0 sua publica\u00e7\u00e3o preliminar no arXiv? O resultado \u00e9 o mesmo\u201d (Tapscott, p. 199).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui apenas do direito de acesso aos volumes. \u00c9 vital o acesso r\u00e1pido e pr\u00e1tico, o \u201caqui e agora\u201d que as tecnologias permitem, e que os alunos n\u00e3o entendem que n\u00e3o possam utilizar. Mais importante ainda, com a disponibiliza\u00e7\u00e3o em meios digitais, abre-se a perspectiva de cruzamento inovador de conhecimentos, fator essencial na aprendizagem de qualquer ci\u00eancia. Uma pessoa pode aproximar an\u00e1lises estat\u00edsticas de desemprego com an\u00e1lises de impacto psicol\u00f3gico sobre a juventude, e verificar como os processos incidem na criminalidade e assim por diante, juntando autores de diferentes \u00e1reas cient\u00edficas e de diferentes vis\u00f5es pol\u00edticas. A fant\u00e1stica possibilidade de se descobrir encadeamentos nas din\u00e2micas estudadas exige que os materiais estejam dispon\u00edveis, online e gratuitos, pois o lucro est\u00e1 no avan\u00e7o cient\u00edfico da sociedade, e marginalmente na remunera\u00e7\u00e3o do autor ou do intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Este ponto \u00e9 particularmente grave no caso do acesso ao conhecimento. Trata-se de uma \u00e1rea onde h\u00e1 excelentes estudos recentes, como A era do acesso , de Jeremy Rifkin; The future of ideas , de Lawrence Lessig; O imaterial , de Andr\u00e9 Gorz, Gr\u00e1tis: o futuro dos pre\u00e7os , de Chris Anderson, ou ainda Wikinomics , de Don Tapscott. Um grupo de pesquisadores da USP Leste, com Pablo Ortellado e outros professores, estudou o acesso dos estudantes aos livros acad\u00eamicos: o volume de livros exigidos \u00e9 proibitivo para o bolso dos estudantes (80% s\u00e3o de fam\u00edlias de at\u00e9 cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos), e 30% dos t\u00edtulos recomendados est\u00e3o esgotados. Na era do conhecimento, as nossas universidades de linha de frente trabalham com xerox de cap\u00edtulos isolados do conjunto da obra, aut\u00eanticos ovnis cient\u00edficos, quando o MIT, principal centro de pesquisas dos Estados Unidos, disponibiliza os cursos na \u00edntegra, gratuitamente online, no quadro do OpenCourseWare (OCW). Hoje, os copyrights incidem sobre as obras at\u00e9 90 anos ap\u00f3s a morte do autor. E se fala naturalmente em \u201cdireitos do autor\u201d, quanto se trata na realidade de direitos das editoras, dos intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 chave, pois envolve diretamente o novo desafio da contabilidade: como bem n\u00e3o rival, o conhecimento \u00e9 um bem que pode ser consumido sem reduzir o estoque, pelo contr\u00e1rio, multiplica a riqueza de conhecimento dos outros. Como faremos a contabiliza\u00e7\u00e3o da gratuidade? Ao optar pelo livre acesso \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o MIT deixou claro o princ\u00edpio que o move: a op\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal para o mundo de que a pol\u00edtica aprovada \u201cenfatiza o compromisso do MIT com a dissemina\u00e7\u00e3o dos frutos das suas pesquisas e ensino da maneira mais ampla poss\u00edvel. O voto \u00e9 um sinal para o mundo de que falamos numa voz unificada; que o que n\u00f3s valorizamos \u00e9 o livre fluxo de ideias\u201d. Segundo declara\u00e7\u00e3o da diretora de bibliotecas do MIT, Ann Wolpert, \u201cna busca de lucros mais elevados, as editoras perderam de vista os valores da academia. Isto vai permitir aos autores avan\u00e7ar com a pesquisa e a educa\u00e7\u00e3o ao tornar as suas pesquisas dispon\u00edveis para o mundo\u201d. Desde que adotou a pol\u00edtica, o MIT teve mais de 50 milh\u00f5es de acessos no mundo todo ao seu acervo cient\u00edfico. No plano do PIB, as editoras perdem, no plano do ganho cient\u00edfico, do progresso mundial, os ganhos s\u00e3o incomparavelmente superiores7.<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante investirmos, por um lado, imensos recursos p\u00fablicos e privados na educa\u00e7\u00e3o e, por outro lado, empresas tentarem restringir o acesso aos textos. O objetivo \u00e9 assegurar lucro das editoras, aumentando o PIB, ou termos melhores resultados na forma\u00e7\u00e3o, facilitando e incentivando (em vez de cobrar) o aprendizado? Trata-se, aqui tamb\u00e9m, da economia do ped\u00e1gio, de impedir a gratuidade que as novas tecnologias permitem (acesso online), a pretexto de proteger a remunera\u00e7\u00e3o dos produtores de conhecimento8.<\/p>\n<p>Segundo Peter Eckersley, \u201cquando a tecnologia tornou poss\u00edvel uma nova abund\u00e2ncia de conhecimento, pol\u00edticos, advogados, corpora\u00e7\u00f5es e administra\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias se tornaram cada vez mais determinados a preservar a sua escassez\u201d. A l\u00f3gica \u00e9 explicitada por um exemplo: \u201cA \u00e1gua \u00e9 abundante e essencial; os diamantes s\u00e3o raros e in\u00fateis. Mas diamantes s\u00e3o muito mais caros do que \u00e1gua porque s\u00e3o muito mais escassos. As pessoas que est\u00e3o no neg\u00f3cio de vender informa\u00e7\u00e3o t\u00eam boas raz\u00f5es para querer um futuro onde o conhecimento seja valorizado como diamantes, e n\u00e3o como \u00e1gua. Aqui, os gigantes farmac\u00eauticos, Hollywood, Microsoft, e at\u00e9 o The Wall Street Journal falam com a mesma voz: \u2018Continuem expandindo as leis de copyrights e de patentes para que os nossos produtos continuem caros e lucrativos&#8217;. E pagam lobistas no mundo todo para assegurar que esta mensagem chegue aos governos\u201d (Eckersley, 2009).<\/p>\n<p>Particularmente absurda \u00e9 a dificuldade de acesso a conhecimentos desenvolvidos com dinheiro p\u00fablico: \u201cConsiderem o movimento de livre acesso ( open access movement ) que faz campanha para que os artigos cient\u00edficos sejam de livre acesso para o p\u00fablico, que \u00e9 quem afinal pagou pela pesquisa com os seus impostos. Historicamente, a maior parte dos textos cient\u00edficos ficou confinada a publica\u00e7\u00f5es caras e essencialmente dispon\u00edveis apenas para pessoas com liga\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias. Alguns editores resistiram ao movimento de livre acesso, mas a tend\u00eancia \u00e9 contr\u00e1ria. Em mar\u00e7o (de 2009), por exemplo, o congresso americano tornou permanente a exig\u00eancia de que toda pesquisa financiada pelos Institutos Nacionais de Sa\u00fade seja abertamente acess\u00edvel, e outros pa\u00edses est\u00e3o seguindo o exemplo. \u00c9 seguro prever que dentro de uma d\u00e9cada ou duas, a literatura cient\u00edfica estar\u00e1 online, livre e dispon\u00edvel para pesquisa\u201d.<\/p>\n<p>Particularmente interessante, Eckersley n\u00e3o sugere a aus\u00eancia de remunera\u00e7\u00e3o a quem produz ci\u00eancia, mas o seu deslocamento: \u201cOs que publicam as revistas (cient\u00edficas) continuar\u00e3o a ser pagos, mas num ponto diferente da cadeia\u201d. Vale a pena explorar essa vis\u00e3o. Um professor que publica, por exemplo, e divulga amplamente os seus trabalhos online, ver\u00e1 a sua presen\u00e7a e reconhecimento cient\u00edficos ampliados, e poder\u00e1 ganhar com confer\u00eancias. Ali\u00e1s, frequentemente j\u00e1 recebe pelo trabalho no quadro do seu sal\u00e1rio. Vimos acima o exemplo da IBM, que soube se reconverter, ou seja, passou a ganhar dinheiro \u201cnum ponto diferente da cadeia\u201d. Tentar impedir o avan\u00e7o dos meios modernos de divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem muito sentido, e os grandes intermedi\u00e1rios, tanto editoras como grandes selos de m\u00fasica precisam pensar no que podem contribuir de melhor no quadro do novo referencial tecnol\u00f3gico, em vez de recorrer o tempo todo ao Estado e \u00e0 pol\u00edcia para garantir renda de intermedia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na realidade, em vez de nos confinarmos numa guerra ideol\u00f3gica, com extens\u00f5es absurdas de patentes e copyrights, temos de buscar as novas regras econ\u00f4micas que permitam equilibrar o interesse maior, que \u00e9 o avan\u00e7o cient\u00edfico-cultural da sociedade; em segundo lugar, o dos autores que criam e inovam; e em terceiro lugar, os intermedi\u00e1rios que produzem apenas o suporte f\u00edsico e tendem a se arvorar em \u201cpropriet\u00e1rios\u201d. O suporte f\u00edsico \u00e9 importante, os livros e discos continuar\u00e3o a vender, mas n\u00e3o precisam exigir monop\u00f3lio nem chamar a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Mas, sobretudo, vale a pena atentarmos para o universo de mudan\u00e7as que se descortina: se acompanharmos os trabalhos de Lawrence Lessig sobre o futuro das ideias, de James Boyle sobre a dimens\u00e3o jur\u00eddica, de Andr\u00e9 Gorz sobre a economia do imaterial, de Jeremy Rikin sobre a economia da cultura, de Raymond sobre a cultura da conectividade, de Castells sobre a sociedade em rede, de Toffler sobre terceira onda, de Pierre L\u00e9vy sobre a intelig\u00eancia coletiva, de Hazel Henderson sobre os processos colaborativos \u2013 e os in\u00fameros trabalhos nessa linha, muitos deles comentados e sistematizados no nosso ensaio Democracia econ\u00f4mica \u2013, veremos que as mudan\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o esperando que se desenhem utopias, um outro mundo est\u00e1 se tornando vi\u00e1vel9.<\/p>\n<p>O Brasil, neste plano, enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o peculiar, pois ao internalizar a rela\u00e7\u00e3o Norte-Sul, atrav\u00e9s da instala\u00e7\u00e3o do amplo polo transnacional na regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds, enfrenta tanto as contradi\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas, geradas pela economia do conhecimento, como a precariza\u00e7\u00e3o que o sistema gera atrav\u00e9s de terceiriza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o extremamente atrasadas que constituem heran\u00e7as de outros ciclos econ\u00f4micos, com ampla massa da popula\u00e7\u00e3o simplesmente exclu\u00edda do acesso ao conhecimento. E hoje, para n\u00e3o estar exclu\u00eddo, o n\u00edvel de conhecimento precisa ser muito mais amplo do que a alfabetiza\u00e7\u00e3o pela qual batalhava Paulo Freire.<\/p>\n<p>O desafio da democratiza\u00e7\u00e3o da economia adquire aqui uma dimens\u00e3o interessante, pois o acesso ao conhecimento, como novo fator de produ\u00e7\u00e3o, pode tornar-se um vetor privilegiado de inclus\u00e3o produtiva da massa de exclu\u00eddos. Como vimos, uma vez produzido, o conhecimento pode ser divulgado e multiplicado com custos extremamente limitados. Contrariamente ao caso dos bens f\u00edsicos, quem repassa o conhecimento n\u00e3o o perde. O direito de acesso ao conhecimento torna-se, assim, um eixo central da democratiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das nossas sociedades10.<\/p>\n<p>O conhecimento est\u00e1 se tornando o principal vetor de gera\u00e7\u00e3o de valor. \u00c9 um bem n\u00e3o rival, o seu consumo n\u00e3o reduz o estoque. Vimos acima as iniciativas do MIT, que ao generalizar o acesso gratuito teve mais de 50 milh\u00f5es de downloads no planeta em poucos anos. O MIT n\u00e3o perde nada com isso, ganha em visibilidade, e o mundo ganha com o conhecimento. Mas o mundo corporativo tamb\u00e9m entendeu onde est\u00e1 a mina de ouro, e o lucro da corpora\u00e7\u00e3o passa pela restri\u00e7\u00e3o ao acesso. A educa\u00e7\u00e3o hoje precisa se modernizar rapidamente, pois maneja uma \u00e1rea, o conhecimento, onde os interesses s\u00e3o cada vez mais ferozes, nos in\u00fameros MBAs, faculdades corporativas, sistemas de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, sistemas integrados de gest\u00e3o escolar privatizada, e a ampla ind\u00fastria do diploma. As novas tecnologias e a economia do conhecimento s\u00e3o bem vindas, trata-se de assegurar o seu aproveitamento e uso democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Ladislau Dowbor, \u00e9 doutor em ci\u00eancias econ\u00f4micas pela Escola Central de Planejamento e Estat\u00edstica de Vars\u00f3via, professor titular da PUC de S\u00e3o Paulo e consultor de diversas ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econ\u00f4mico e social est\u00e3o dispon\u00edveis no site <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/dowbor.org\">http:\/\/dowbor.org<\/a> \u2013 Contato: <a class=\"moz-txt-link-abbreviated\" href=\"mailto:ladislau@dowbor.org\">ladislau@dowbor.org<\/a><\/p>\n<p>1 O presente artigo faz parte de um estudo mais amplo na linha da democratiza\u00e7\u00e3o dos processos econ\u00f4micos. Ver Democracia Econ\u00f4mica, <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/dowbor.org\">http:\/\/dowbor.org<\/a><\/p>\n<p>2 Lawrence Lessig, Remix, p. 39<\/p>\n<p>3 \u201cAs a recent survey by the market research firm NPD Group indicated, more than two-thirds of all the music college students acquired was obtained illegally\u201d \u2013 citado por Lawrenced Lessig, Remix, p. 111; Lessig considera que devemos \u201creformar leis que tornam criminosa a maior parte do que os nossos filhos fazem com os seus computadores\u201d (p. 19).<\/p>\n<p>4 James Boyle, The Public Domain: enclosing the commons of the mind \u2013 Yales University Press, New Haven &amp; London , 2008, p. 224. No original ingl\u00eas: \u201cThe goal of copyright is to encourage the production of, and public access to, cultural works. It has done its job in encouraging production. Now it operates as a fence to discourage access. As the years go by, we continue to lock up to 100 percent of our recorded culture from a particular year in order to benefit an ever-dwindling percentage \u2013 the lottery winners \u2013 in a grotesquely inefficient cultural policy\u201d (p. 224).<\/p>\n<p>5 Ver o artigo de Jorge Machado sobre a ades\u00e3o de Paulo Coelho \u00e0 \u201cCarta de S\u00e3o Paulo\u201d sobre propriedade intelectual, em <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/www.gpopai.usp.br\/boletim\/article88.html\">http:\/\/www.gpopai.usp.br\/boletim\/article88.html<\/a> . \u201cPensei que isto \u00e9 fant\u00e1stico. Dar ao leitor a possibilidade de ler o nosso livro e escolher se o quer comprar ou n\u00e3o\u201d, diz Paulo Coelho, que criou o blog <a class=\"moz-txt-link-abbreviated\" href=\"http:\/\/www.piratecoelho.wordpress.com\">www.piratecoelho.wordpress.com<\/a> ; Paulo Coelho \u00e9 sem d\u00favida um \u201cganhador na loteria\u201d, mas entendeu o absurdo do processo.<\/p>\n<p>6 Lessig (2001), op. cit p. 94, citando T. Jefferson : \u201cIf nature has made any one thing less susceptible than all others of exclusive property, it is the action of the thinking power called an idea\u2026That ideas should freely spread from one to another over the globe, for the moral and mutual instruction of man, and improvement of his condition, seems to have been peculiarly and benevolently designed by nature, when she made them, like fire, expansible over all space, without lessening their density at any point, and like the air in which we breathe, move, and have our physical being, incapable of confinement, or exclusive appropriation. Inventions then cannot, in nature, be a subject of property\u201d. (p.94) Ver tamb\u00e9m Boyle, op. cit., p. 20<\/p>\n<p>7 Dados extraidos da nota divulgada pelo MIT em mar\u00e7o de 2009, texto dispon\u00edvel em <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/web.mit.edu\/newsoffice\/2009\/open-access-0320.html\">http:\/\/web.mit.edu\/newsoffice\/2009\/open-access-0320.html<\/a> ; O car\u00e1ter de ped\u00e1gio restritivo (gera\u00e7\u00e3o de escassez) que aumenta lucros pontuais mais reduz o enriquecimento social foi claramente assimilado no MIT: \u201c In the current scholarly publishing system, individual authors are required to transfer all or most of their rights to the publisher. Typically publishers will strictly limit access to the work through licensing and charge increasingly high subscription rates back to universities to access the articles. University libraries have faced subscription rates rising at a rate far outpacing inflation. The MIT Libraries, for example, spend more than three times as much on journal subscriptions today than they did in 1986\u2026 Under the new open access model, potentially thousands of papers published by MIT faculty each year will be added to DSpace and made freely available on the web and accessible through search engines such as Google.\u201d Os pesquisadores t\u00eam todo interesse em assegurar amplo interc\u00e2mbio e dissemina\u00e7\u00e3o das suas pesquisas para o enriquecimento do conjunto do processo, e para o seu pr\u00f3prio avan\u00e7o cient\u00edfico. As editoras t\u00eam todo interesse em assegurar o seu pr\u00f3prio enriquecimento. N\u00e3o se trata aqui de destratar as editoras, que at\u00e9 h\u00e1 pouco eram o principal ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Trata-se de entender que novas tecnologias geram novas regras do jogo, e novas contabilidades. Olivre acesso mundial ao conhecimento tem primazia evidente.<\/p>\n<p>8 O material do MIT pode ser acessado no site <a class=\"moz-txt-link-abbreviated\" href=\"http:\/\/www.ocw.mit.edu\">www.ocw.mit.edu<\/a> ; Em vez de tentar impadir a aplica\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, como ali\u00e1s \u00e9 o caso das empresss de celular que lutam contra o wi-fi urbano e a comunica\u00e7\u00e3o quase gratuita via skype, as empresas devem pensar em se reconverter, e prestar servi\u00e7os \u00fateis ao mercado. A IBM ganhava dinheiro vendendo computadores, e quando este mercado se democratizou com o barateamento dos computadores pessoais migrou para a venda de softwares. Estes hoje devem se tornar gratuitos (a pr\u00f3pria IBM optou pelo Linux), e a empresa passou a se viabilizar prestando servi\u00e7os de apoio inform\u00e1tico. Travar o acesso aumenta o PIB, mas empobrece a sociedade.<\/p>\n<p>9 Ladislau Dowbor \u2013 Democracia econ\u00f4mica: alternativas de gest\u00e3o social \u2013 Ed. Vozes, Petr\u00f3polis, 2009<\/p>\n<p>10 Isto pode tomar dimens\u00f5es eminentemente pr\u00e1ticas. O Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o das Telecomunica\u00e7\u00f5es, por exemplo, poderia assegurar a generaliza\u00e7\u00e3o do acesso banda-larga a toda a popula\u00e7\u00e3o, na linha de um \u201cBrasil Digital\u201d.<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>Alperovitz, Gar and Lew Daly \u2013 Unjust deserts: how the rich are taking our common inheritance \u2013 The New Press, New York , London , 2008, 230 p.<\/p>\n<p>Boyle, James \u2013 The public domain: enclosing the commons of the mind \u2013 Yale University Press, New Haven and London , 2008, 315 p.<\/p>\n<p>Carta de S\u00e3o Paulo de Acesso aos Bens Culturais &#8211; <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/stoa.usp.br\/acesso\">http:\/\/stoa.usp.br\/acesso<\/a><\/p>\n<p>Craveiro, Gisele; Jorge Machado e Pablo Ortellado \u2013 O mercado de livros t\u00e9cnicos e cient\u00edficos no Brasil \u2013 GPOPAI, USP Leste, S\u00e3o Paulo, 2008<\/p>\n<p>Creative Commons \u2013 <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.5\/br\/\">http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.5\/br\/<\/a> ou <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/www.creativecommons.org.br\/\">http:\/\/www.creativecommons.org.br\/<\/a><\/p>\n<p>Dowbor, Ladislau \u2013 Democracia econ\u00f4mica: novas tend\u00eancias da gest\u00e3o social \u2013 Ed. Vozes, Petr\u00f3polis, 2008<\/p>\n<p>Dowbor, Ladislau \u2013 Informa\u00e7\u00e3o para a cidadania e o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u2013 dispon\u00edvel em Artigos Online, <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/dowbor.org\">http:\/\/dowbor.org<\/a><\/p>\n<p>Eckersley, Peter \u2013 &#8220;Knowledge wants to be free too&#8221; \u2013 New Scientist \u2013 27 June 2009, p. 28 <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/www.newscientist.com\/article\/mg20227141.000-finding-a-fair-price-for-free-knowledge.html?full=true&amp;print=true\">http:\/\/www.newscientist.com\/article\/mg20227141.000-finding-a-fair-price-for-free-knowledge.html?full=true&amp;print=true<\/a><\/p>\n<p>GPOPAI &#8211; Grupo de Pesquisa em Pol\u00edticas P\u00fablicas para o Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o \u2013 USP-Leste \u2013 <a class=\"moz-txt-link-abbreviated\" href=\"http:\/\/www.gpopai.usp.br\">www.gpopai.usp.br<\/a><\/p>\n<p>Lessig, Lawrence \u2013 Remix: making art and commerce thrive in the hybrid economy \u2013 The Penguin Press, New York , 2008, 327 p.<\/p>\n<p>Lessig, Lawrence \u2013 The future of ideas: the fate of the commons in an connected world \u2013 Random House, New York , 2001, 340 p.<\/p>\n<p>MIT \u2013 <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/ocw.mit.edu\/OcwWeb\/web\/home\/home\/index.htm\">http:\/\/ocw.mit.edu\/OcwWeb\/web\/home\/home\/index.htm<\/a> &#8211; site do Massachussets Institute of Technology , ci\u00eancia dispon\u00edvel em Creative Commons<\/p>\n<p>Rifkin, Jeremy \u2013 A era do acesso \u2013 Makron Books, S\u00e3o Paulo, 2001<\/p>\n<p>Stiglitz, Joseph &#8211; Joseph Stiglitz &#8211; &#8220;A better way to crack it \u2013 New Scientist , 16 September 2006, p. 20<\/p>\n<p>Tapscott, Don e Anthony Williams \u2013 Wikinomics: como a colabora\u00e7\u00e3o em massa pode mudar o seu neg\u00f3cio \u2013 Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro , 2007<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/comciencia\/?section=8&amp;edicao=57&amp;id=727\"><\/a>USP-Leste &#8211; GPOPAI &#8211; Pessquisa <a class=\"moz-txt-link-freetext\" href=\"http:\/\/www.gpopai.usp.br\/boletim\/article86.html\">http:\/\/www.gpopai.usp.br\/boletim\/article86.html<\/a><\/p>\n<p>* <em><span style=\"font-family: &quot;verdana&quot;, &quot;arial&quot;, &quot;helvetica&quot;, sans-serif; font-size: x-small;\">Ladislau Dowbor, \u00e9 doutor em ci\u00eancias econ\u00f4micas pela Escola Central de Planejamento e Estat\u00edstica de Vars\u00f3via, professor titular da PUC de S\u00e3o Paulo e consultor de diversas ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econ\u00f4mico e social est\u00e3o dispon\u00edveis no site <\/span><a href=\"http:\/\/ppbr.com\/ld\"><span style=\"font-family: &quot;verdana&quot;, &quot;arial&quot;, &quot;helvetica&quot;, sans-serif; font-size: x-small;\">http:\/\/dowbor.org <\/span><\/a><\/em><em><span style=\"font-family: &quot;verdana&quot;, &quot;arial&quot;, &quot;helvetica&quot;, sans-serif; font-size: x-small;\">\u2013 Contato: <\/span><a href=\"mailto:ladislau@dowbor.org\"><span style=\"font-family: &quot;verdana&quot;, &quot;arial&quot;, &quot;helvetica&quot;, sans-serif; font-size: x-small;\">ladislau@dowbor.org<\/span><\/a>________________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/comciencia\/?section=8&amp;edicao=57&amp;id=727\">Com Ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A educa\u00e7\u00e3o tem pela frente uma profunda transforma\u00e7\u00e3o, no sentido de ser menos ministradora de aulas, e mais articuladora da multimodalidade que caracteriza hoje a gest\u00e3o do conhecimento. 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