{"id":16029,"date":"2010-06-16T08:18:46","date_gmt":"2010-06-16T11:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=16029"},"modified":"2010-06-16T08:18:46","modified_gmt":"2010-06-16T11:18:46","slug":"desvendando-dilemas-da-inclusao-iii-a-inclusao-vista-por-quem-a-vive-e-faz-viver-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=16029","title":{"rendered":"Desvendando dilemas da inclus\u00e3o III: a inclus\u00e3o vista por quem a vive e faz viver"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/microfone.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-16030\" title=\"Imagem de microfone antigo, em preto e branco.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/microfone.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"290\" \/><\/a><\/p>\n<p>Depois de colher as impress\u00f5es de profissionais envolvidos com o desenvolvimento educativo e de debater com a Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o Especial do MEC, finalizamos a s\u00e9rie de entrevistas\u00a0 &#8220;Desvendando dilemas da inclus\u00e3o&#8221; com a participa\u00e7\u00e3o daqueles que vivem o cotidiano da inclus\u00e3o e s\u00e3o os respons\u00e1veis diretos por muitas das transforma\u00e7\u00f5es que vem se observando no processo de educa\u00e7\u00e3o: as pr\u00f3prias fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de suas impress\u00f5es e experi\u00eancias, as fam\u00edlias tem uma percep\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o baseadas num interesse direto, n\u00e3o impessoal, e a oportunidade de tornar p\u00fablicas inquieta\u00e7\u00f5es e conquistas criam aqui testemunhos aut\u00eanticos, mesmo que por vezes contradit\u00f3rios, por isso mesmo definidos por um intenso e concreto envolvimento. Considerando que, via de regra, os ouvidos a falar sobre a tem\u00e1tica s\u00e3o profissionais da \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, psicologia, gestores p\u00fablicos, terapeutas e outras especialidades, a Inclusive pretende oportunizar uma vis\u00e3o de &#8220;dentro do olho do furac\u00e3o&#8221;, redimensionando saberes a partir de uma no\u00e7\u00e3o de protagonismo diverso do tradicionalmente observado, seja aquele mais institucional ou o vi\u00e9s mais acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Os pais e m\u00e3es que participam desta entrevista tem em comum o fato de participarem de um tipo de associa\u00e7\u00e3o que a internet ajudou a formar principalmente na \u00faltima d\u00e9cada: todos s\u00e3o participantes do grupo de discuss\u00e3o sobre s\u00edndrome de Down do Yahoo Grupos, o maior grupo do g\u00eanero que se tem not\u00edcia no mundo inteiro e que re\u00fane pessoas de v\u00e1rios locais do Brasil e mesmo fora dele. Aqui ser\u00e3o identificados pelo nome e proced\u00eancia geogr\u00e1fica. Ao todo, s\u00e3o quatro participantes: Gil Pena (MG), Ana Claudia Correa (RJ), Marinalva Oliveira (AP) e Patricia Almeida (USA).<\/p>\n<p>A entrevista foi realizada atrav\u00e9s de um chat, em 04 de junho de 2010, e conduzido de modo a abordar quest\u00f5es preparadas previamente. Pela din\u00e2mica pr\u00f3pria de conversas tomadas assim, n\u00e3o seguiu-se um roteiro fixo, mas procurou-se aproveitar as contribui\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas dos participantes. As quest\u00f5es podem ser acessadas ao final da entrevista ou nesse link. Iniciamos a conversa a partir de uma apresenta\u00e7\u00e3o e da proposta que os participantes descrevessem seus filhos.<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=15011\">Leia aqui a primeira entrevista da s\u00e9rie &#8220;Desvendando Dilemas da Inclus\u00e3o&#8221;, concedida pela psic\u00f3loga Maria Antonieta Voivodic sobre os aspectos psicossociais envolvendo os processos da inclus\u00e3o.<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=16027\">Leia tamb\u00e9m a entrevista da Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o Especial do MEC, Claudia Pereira Dutra, que analisa os caminhos da educa\u00e7\u00e3o na perspectiva da inclus\u00e3o e responde a quest\u00f5es que dizem respeito \u00e0 diversidade, educa\u00e7\u00e3o em direitos humanos e pol\u00edticas p\u00fablicas implementadas pelo MEC.<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><a name=\"1\"><\/a>\u00cdndice:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#2\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/a> | <a href=\"#3\">Fam\u00edlia, escola e socializa\u00e7\u00e3o<\/a> | <a href=\"#4\">Rela\u00e7\u00e3o com a escola<\/a> | <a href=\"#5\">Atuando junto \u00e0 escola<\/a> | <a href=\"#6\">A parceria como um ponto de chegada na rela\u00e7\u00e3o fam\u00edlia e escola<\/a> | <a href=\"#7\">Professores auxiliares em que contexto?<\/a> | <a href=\"#8\">A educa\u00e7\u00e3o que vem de casa<\/a> | <a href=\"#9\">Caracterizando a parceria<\/a> | <a href=\"#10\">O projeto pedag\u00f3gico interfere?<\/a> | <a href=\"#11\">Superprote\u00e7\u00e3o<\/a> | <a href=\"#12\">O papel da fam\u00edlia, o desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o e da pessoa<\/a> | <a href=\"#13\">Bullying<\/a> | <a href=\"#14\">Direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/a> | <a href=\"#15\">Aprendizado<\/a><\/p>\n<p>______________________________<\/p>\n<p><strong>A apresenta\u00e7\u00e3o<a name=\"2\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Sou Gil Pena. De Belo Horizonte, no caso aqui, pai da Sofia (tamb\u00e9m do Ot\u00e1vio) ela agora com 12 anos (13 em setembro).<\/p>\n<p>Ana Claudia Correa (RJ): Ana Claudia Correa, Rio de janeiro, e m\u00e3e do Pedro (que tem s\u00edndrome de Down) 7 anos e da Ana Julia, 5<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Marinalva, Macap\u00e1- AP, m\u00e3e do Gabriel 4 anos e 8 meses e de Andrew (21 anos) Andressa (20 anos). Gabriel tem s\u00edndorme de Down<\/p>\n<p>Patricia Almeida (EUA): Sou Patricia Almeida, carioca, moradora do sub\u00farbio de Nova York, nos EUA, e m\u00e3e da Luiza, 17, Cecilia, 15 e Amanda, 5,5, esta \u00faltima nasceu com s\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p>Lucio Carvalho (RS): Lucio Carvalho, de Porto Alegre, RS, pai da Isabel (6) e do Rodrigo (3), estou aqui para facilitar a entrevista, mas talvez responda algumas delas tamb\u00e9m..<\/p>\n<p>Lucio Carvalho (RS): Como pais e m\u00e3es, gostar\u00edamos de iniciar sabendo como identificam a personalidade de seus filhos. Como descreveriam o seu filho ou filha? (resumo da pergunta introdut\u00f3ria)<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Acho que o ponto central da quest\u00e3o \u00e9 como voc\u00ea enxerga o seu filho. Aqui em casa a s\u00edndrome de Down nunca foi sin\u00f4nimo de doen\u00e7a ou um conjunto de sintomas. Para nos, o Pedro, nosso filho, \u00e9 um menino como qualquer outro dotado de habilidades e dificuldades como qualquer outra crian\u00e7a e temos que aprender a lidar com elas como fazemos com a nossa outra filha que n\u00e3o tem s\u00edndrome de Down. Posso descreve-lo com um menino de 7 anos que ama a sua fam\u00edlia e amigos, adora futebol e nata\u00e7\u00e3o, cinema, teatro, \u00e9 teimoso, insistente, e acima de tudo muito esperto quando quer.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Como descrever o Biel? Uma crian\u00e7a como qualquer outra da sua idade. T\u00eam birras, teimosias, \u00e9 carinhoso, alegre, dengoso quando est\u00e1 perto da m\u00e3e etc. Tudo depende de quem est\u00e1 se relacionando com ele.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Amanda \u00e9 a alegria da casa. N\u00e3o tem como ficar de mau humor ao lado dela. A gente que convive com ela s\u00f3 v\u00ea uma menina de 5 anos e meio, cheia de energia e curiosidade.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): A Sofia \u00e9 uma pessoa. Antes da S\u00edndrome de Down. N\u00e3o oferecemos a s\u00edndrome de Down como uma explica\u00e7\u00e3o para o seu comportamento ou a\u00e7\u00f5es. Ela compreende o mundo e \u00e9 capaz de aprender. Se alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 indo bem, temos de n\u00f3s esfor\u00e7ar, e ela, para aprender (como se comportar, e at\u00e9 se socializar).<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Lucio, voc\u00ea esperava que algum de n\u00f3s respondesse de outro modo?<\/p>\n<p>Lucio (RS): N\u00e3o, \u00e9 que fico dividido entre responder ou fazer outras perguntas dentro da pergunta..<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Lucio, fa\u00e7a as duas coisas<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, a conversa flui melhor com naturalidade. Fale dos seus filhos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): L\u00facio, penso que poderias ir fazendo as duas coisas. Mas acho que renderia mais se interviesse e fizesse perguntas.<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia, escola e socializa\u00e7\u00e3o<a name=\"3\"><\/a> <\/strong><a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): Por exemplo, gostaria de saber se algum de voc\u00eas j\u00e1 teve problemas espec\u00edficos sobre socializa\u00e7\u00e3o na escola, com os amigos, na vizinhan\u00e7a.. O Rodrigo antes de ir \u00e0 escola era extremamente t\u00edmido e agora soltou-se mais, por exemplo.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Minha filha sempre foi uma crian\u00e7a que apreciou conviver com outras pessoas. No entanto, se comparada a outras crian\u00e7as da mesma faixa et\u00e1ria, ela leva mais tempo para transpor as etapas de intera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s gostava mais de brincar sozinha ao lado de outras crian\u00e7as do que em grupo. De uns tempos para c\u00e1 come\u00e7ou a demonstrar interesse em participar de jogos coletivos e recentemente aprendeu a iniciar intera\u00e7\u00e3o com outras crian\u00e7as para se incluir nas brincadeiras. Penso que os adultos podem e devem tentar, se poss\u00edvel, facilitar essa intera\u00e7\u00e3o quando se trata de uma crian\u00e7a que tem dificuldade de se relacionar seja por timidez, porque n\u00e3o conhece o grupo ou qualquer outra raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): O Biel antes dos 4 anos se intimidava diante de crian\u00e7as que demonstrava maior desenvoltura que ele. Hoje ele j\u00e1 interage com tranquilidade, mas isso foi mediado por n\u00f3s<\/p>\n<p>Patricia (EUA): E o Pedro, Ana Claudia, como \u00e9 com colegas da escola e vizinhos?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): O Pedro gosta de festa e de gente e sempre foi cara de pau e enturmado. O que dificulta mais \u00e9 a quest\u00e3o da fala. Muitas vezes foi necess\u00e1rio intervir. Agora melhorou muito mas ele j\u00e1 esta com 7 anos.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Problemas com socializa\u00e7\u00e3o enfrento tanto com o Ot\u00e1vio, como com a Sofia. A escola, que \u00e9 onde passam a maior parte do tempo, tem de mediar a socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, criando respeito m\u00fatuo. A maior parte do tempo, acredito, a Sofia fica sozinha, mas aos poucos interage com o grupo, acha o seu espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Ele tem muitos amigos na escola. Isso foi tudo para o desenvolvimento dele.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): No meu caso, a escola tem trabalhado no sentido de fazer essa media\u00e7\u00e3o, e a Sofia, ao menos nas tarefas escolares, interage bem com o grupo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Estou sempre atenta na escola do Biel e algumas vezes percebi esse isolamento dele. Conversei com as professoras e disse que elas precisavam mediar a intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Sim, penso que a escola representa um salto qualitativo na sua percep\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Hoje isso t\u00e1 tranquilo, mas a fala realmente \u00e9 um complicador. Mas tamb\u00e9m trabalho isso com as professoras para que esclare\u00e7am os coleguinhas de que o Biel n\u00e3o fala como eles, mas compreende tudo que est\u00e3o falando.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Eu tamb\u00e9m estou sempre atenta a escola. Troco e-mails com a professora, vejo como e a rela\u00e7\u00e3o da Amanda com as outras crian\u00e7as. Mas como disse, s\u00f3 recentemente ela come\u00e7ou a demonstrar interesse. Creio que \u00e9 algo que deve ser mediado mas n\u00e3o for\u00e7ado.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o com a escola<a name=\"4\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): E as escolas receberam bem as suas iniciativas e sugest\u00f5es ou houve algum tipo de percal\u00e7o? Quando procuraram intervir, procuraram quem na escola?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sempre recebem bem as sugest\u00f5es. Algumas d\u00e3o certo, outras n\u00e3o. E tudo baseado numa rela\u00e7\u00e3o de parceiros, mesmo, com muito respeito e confian\u00e7a, mesmo quando divergimos em alguma opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Temos uma rela\u00e7\u00e3o de franqueza total. Escutamos mas tamb\u00e9m falamos. Tem que ser uma troca intensa sen\u00e3o n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): N\u00e3o foi t\u00e3o simples assim. Eu, a fonoaudi\u00f3loga e a terapeuta ocupacional do Biel faz\u00edamos as orienta\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es mas a coordena\u00e7\u00e3o da escola ignorava. As professoras recebiam bem, mas como \u00e9 escola particular, a coordenadora na nossa aus\u00eancia passava outra orienta\u00e7\u00e3o. Quando percebi que havia algo errado procurei a Diretora e conversei. Hoje j\u00e1 at\u00e9 criaram grupo de estudo na escola e participam do meu grupo de<br \/>\nestudo na universidade.<\/p>\n<p>Lucio (RS): No meu caso \u00e9 pr\u00e9-escola, ent\u00e3o resolvemos e conversamos diretamente com a professora.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Eu fa\u00e7o quest\u00e3o sempre de elogiar muito o \u00f3timo trabalho que elas vem fazendo (mesmo quando as vezes fico com raiva sobre algo que acontece), e pedir desculpas por entupir as caixas de mensagens delas de e-mails&#8230;<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): O dono da escola (diretor), o coordenador e professor. Eu, o pai e algumas vezes uma psicopedagoga junto.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): No meu caso, a escola sempre recebeu bem as nossas quest\u00f5es. Em um determinado momento, pesou o fato de que a Sofia tinha certos privil\u00e9gios, como por exemplo usar a calculadora (que ela levada escondida), e queriam explicar para o grupo de colegas que era por ela tinha s\u00edndrome de Down. Mas conversamos, e a pr\u00f3pria diretora disse que tudo tinha de ser entendido pelo caminho da diversidade (cada um era cada um).<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): O problema central \u00e9 que as escolas querem receitas prontas como se as crian\u00e7as fossem iguais.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): A pessoa mais aberta da equipe que atende a Amanda (aqui nos EUA as escolas tem fono, TO, fisioterapeuta e professora de educa\u00e7\u00e3o especial dentro da escola), por incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 a professora, que n\u00e3o tem nenhuma forma\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Lucio, acho que suas perguntas v\u00e3o abordar todos esses temas n\u00e3o? N\u00e3o quero ficar repetitiva, perd\u00e3o..<\/p>\n<p><strong>Atuando junto \u00e0 escola<a name=\"5\"><\/a> <\/strong><a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): Sim, a seu tempo.. Vamos com calma. Queria fazer uma \u00faltima pergunta nessa quest\u00e3o. Existe para voc\u00eas um tipo de situa\u00e7\u00e3o limite para atuar\/intervir junto \u00e0 escola? J\u00e1 falaram no isolamento, por exemplo..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Explique melhor&#8230;<\/p>\n<p>Lucio (RS): O que quero saber \u00e9 se h\u00e1 um tipo quebra de expectativa que motive a incidir na din\u00e2mica pedag\u00f3gica ou aspectos socializantes..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Na semana que vem tenho reuni\u00e3o na escola da Amanda onde se tra\u00e7a os objetivos para o pr\u00f3ximo ano. A maioria dos objetivos que vou sugerir dizem respeito a socializa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o com as outras crian\u00e7as, convidar os colegas para jogar com ela, dar uma induzida nesse aspecto.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Outra interven\u00e7\u00e3o foi quando soube que o Biel estava recebendo material diferenciado dos colegas na sala de aula. A professora me contou como se fosse uma grande id\u00e9ia. O pr\u00f3prio Gabriel rejeitou o material e n\u00e3o quis fazer a atividade. Exigiu que a professora lhe entregasse o material igual ao dos colegas<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): L\u00f3gico. Se voc\u00ea percebe que h\u00e1 um isolamento, um comportamento diferente, ou que a crian\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 trabalhando em sala o que est\u00e1 sendo trabalhado na turma \u00e9 o momento de intervir.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Em tudo, temos de estar avaliando o tempo todo, sempre intervindo quando necess\u00e1rio. De prefer\u00eancia, antes de uma situa\u00e7\u00e3o limite.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Isso mesmo Gil. Sempre acompanho e indago para n\u00e3o chegar ao limite. Conversei com as professoras que n\u00e3o era isso. Na verdade era orienta\u00e7\u00e3o da pedagoga da escola. O problema na escola do Biel \u00e9 a pedagoga &#8211; coordenadora pedag\u00f3gica, muito tradicional.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Pois e, hoje estava vendo os trabalhinhos que vieram da escola. Era pra escrever um texto. A Amanda rabiscou. De pr\u00f3prio punho.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Concordo com o Gil. Um passo a frente, sempre. O Pedro tamb\u00e9m \u00e9 assim. Reclama mesmo.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Ele reclama?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Reclama. No come\u00e7o desse ano os testes dele ficaram travados com a coordenadora por uma semana. Ele chegou em casa e falou Mam\u00e3e o Pedro n\u00e3o tem teste. Liguei para outra m\u00e3e e soube que todos levaram os testes menos ele. Reclamei na hora.<\/p>\n<p><strong>A parceria como um ponto de chegada na rela\u00e7\u00e3o fam\u00edlia e escola<a name=\"6\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): E funciona a interven\u00e7\u00e3o pr\u00e9via? Os professores aceitam e adotam as sugest\u00f5es de voc\u00eas e dos profissionais que os acompanham?<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): \u00c9 preciso ter sempre o grupo como refer\u00eancia. Se a Amanda por exemplo, rabisca, o grupo escreve, h\u00e1 um distanciamento, \u00e9 preciso intervir, estimular o desenho, o detalhamento do desenho, as letras, reconhecer o nome.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Na escola do Biel a luta tem sido grande. As professoras n\u00e3o tem autonomia, nos ouvem mas a coordenadora passava outra orienta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o concordo com essa id\u00e9ia de que \u00e9 o momento da crian\u00e7a. O momento \u00e9 aquele que intervimos e mediamos o conhecimento.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): N\u00e3o sei se entendi bem a coloca\u00e7\u00e3o do Lucio, interven\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, antes do limite?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Aconteceu uma situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel na apresenta\u00e7\u00e3o da escola. As crian\u00e7as cantavam uma musica e faziam gestos acompanhando. A m\u00fasica n\u00e3o tinha significado para a Amanda (era sobre junk food), ela n\u00e3o entendia o que estava cantando (ou tentando cantar). A auxiliar que a acompanha ficou pegando no bra\u00e7o dela e fazendo os gestos por tr\u00e1s. Eu fiquei danada da vida, mas n\u00e3o disse nada na hora. Quando houve reuni\u00e3o eu disse que seja o que for que a Amanda tenha que fazer, ela deve fazer por si pr\u00f3pria e ser auxiliada o m\u00ednimo. N\u00e3o admito que chegue em casa um desenho que sei que n\u00e3o foi ela que fez, por exemplo. Mas disse tudo com muito jeito pra n\u00e3o me indispor com a escola. N\u00e3o consegui me livrar dessa auxiliar. Mas ela e bem legal, n\u00e3o faz nada por ela, s\u00f3 esta a postos quando precisa e auxiliar de toda turma tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Vou aproveitando para escrever um pouco, que n\u00e3o d\u00e1 tempo. Falo em estimular o desenho, \u00e9 orientar o desenho, lembrar dos detalhes. Narrar. \u00c9 preciso estabelecer determinados compromissos com a escola. Uma maneira \u00e9 sugerir que n\u00e3o se fa\u00e7a nada diferente com nossos filhos, do que se faz em rela\u00e7\u00e3o ao grupo. Por que a Amanda teria uma auxiliar que a acompanha?<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Na escola do Biel, solicitamos que na sala tivessem duas professoras mas para toda a turma. Porque 10 a 15 crian\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o infantil precisa de mais de uma professora<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Escrevi n\u00e3o faz nada por ela mas quis dizer que deixa que ela faca tudo sozinha e s\u00f3 da a m\u00ednima ajuda poss\u00edvel quando ela n\u00e3o consegue fazer algo. Na sala da Amanda tem 22 crian\u00e7as, uma professora e duas auxiliares. Tamb\u00e9m me incomoda a historia da auxiliar. Mas por outro lado, reconhe\u00e7o que a Amanda ainda da bastante trabalho &#8211; sai correndo, n\u00e3o e independente com banheiro, dai a ajuda, pelo menos por enquanto.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Aqui no Rio esta dif\u00edcil fugir dela (da auxiliar). Se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a em massa de todos de atitudes de todos os pais n\u00e3o vai mudar.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Na nata\u00e7\u00e3o, por exemplo, a professora da aula pra tr\u00eas crian\u00e7as ao mesmo tempo. Duas esperam na borda da piscina enquanto uma nada com a professora. A Amanda quer entrar na piscina o tempo todo. Um auxiliar e uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a. Nesse caso a auxiliar sou eu. \ud83d\ude42<\/p>\n<p><strong>Professores auxiliares em que contexto?<a name=\"7\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Porque a Amanda d\u00e1 trabalho? Outras crian\u00e7as da escola d\u00e3o? Precisamos trazer o nosso discurso para aquilo que vivemos. A S\u00edndrome justifica a auxiliar? Tem de, por exemplo, explicar para a Amanda que n\u00e3o \u00e9 para entrar na piscina. Se entrar, sai para o chuveiro.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): At\u00e9 nas escolas publicas est\u00e3o sendo chamadas estagiarias de pedagogia para funcionar nas salas com crian\u00e7as com defici\u00eancia intelectual. Mas nesse caso precisa mesmo, s\u00e3o 30 quase<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Pois \u00e9, em vez de contratarem mais professores e colocar menos alunos nas turmas inventam essa hist\u00f3ria pra n\u00e3o pagarem mais.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): N\u00e3o \u00e9 porque ela tem s\u00edndrome de Down. Talvez na aula de nata\u00e7\u00e3o seja necess\u00e1rio por causa da idade<\/p>\n<p>Patricia (EUA): As outras crian\u00e7as de 3 e 4 anos ficam sentadinhas na borda&#8230;<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Nossa Pat, essas crian\u00e7as s\u00e3o muito comportadas.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Nunca tivemos a figura de uma auxiliar dentro da sala de aula para a Sofia.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Nem na sala do Biel. O que temos s\u00e3o duas professoras pra toda a turma.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Com rela\u00e7\u00e3o a comportamento eu concordo mas com rela\u00e7\u00e3o a adaptar material n\u00e3o sei. \u00e9 tudo t\u00e3o r\u00e1pido, tanta mat\u00e9ria, tanta coisa que eu sei que apenas 2 em 10 professoras fariam isso sozinhas.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Quantas crian\u00e7as nas turmas da Sofia?<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): A que teve mais acho que foi uns 25, uma turma bem bagunceira. A Sofia era das que n\u00e3o dava nenhum problema.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Lucio, vamos introduzir a pergunta do auxiliar?<\/p>\n<p>Lucio (RS): J\u00e1 est\u00e1 introduzida..<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Isso sim \u00e9 o ideal Marinalva. Mas para o ensino fundamental isso n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Pois \u00e9, mas ser\u00e1 mais um ponto na nossa luta. Condi\u00e7\u00f5es ideais de trabalho para os professores. A quest\u00e3o central \u00e9 que se fala tanto em inclus\u00e3o e os professores n\u00e3o est\u00e3o sendo inclu\u00eddos.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Acredito que o ideal e que as escolas tivessem uma coordenadoria capacitada. Metade dos nossos problemas iam embora &#8230;<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Quando fui fazer a matr\u00edcula da Amanda na segunda escola que frequentou \u2013 maternal \u2013 a diretora disse que iria fazer uma experi\u00eancia e caso achasse necess\u00e1rio solicitaria que eu contratasse uma ajudante para ela. Eu disse a ela que a minha filha n\u00e3o precisava de ajudante, quem talvez precisasse seria a professora&#8230; Ela come\u00e7ou as aulas e a professora ganhou uma estagi\u00e1ria para ajud\u00e1-la sem que eu tivesse que arcar com os custos. A mo\u00e7a auxiliava a Amanda, assim como qualquer crian\u00e7a que precisasse. Quantos alunos com a Sofia, Gil?<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Antes, s\u00f3 uma professora. Na escola dela, agora, tem a figura da tutora, uma outra professora que acompanha o ciclo, dando orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. D\u00e1 um ajuda em algum aspecto. Agora, na quinta s\u00e9rie (atual sexta de nove anos), \u00e9 um professor por mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Tenho uma quest\u00e3o.. Mas quem precisa de auxiliar? Os professores ou as crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Boa Lucio. Para mim, os professores e a escola.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): J\u00e1 aqui, o ensino e publico, n\u00e3o pago nada pela auxiliar e uma exig\u00eancia da escola. Como tenho achado que ela n\u00e3o atrapalha, tenho aceitado.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Acredito que nenhum se tiv\u00e9ssemos menos alunos nas salas de aula e esses professores recebessem forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Concordo.. Por\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, esse \u00e9 o cen\u00e1rio ideal. Por\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Os professores e a escola n\u00e3o est\u00e3o preparados para ensinar nenhum aluno. os cursos de forma\u00e7\u00e3o inicial tem problemas de centrar na meritocracia e de forma\u00e7\u00e3o continuada quando existem, s\u00e3o aligeirados e a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): O auxiliar, se \u00e9 para ter, \u00e9 para a professora e a turma como um todo. N\u00e3o entendo que se possa cobrar por isso.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Vai depender da postura dela, Pat. Ela tem que entender que esta l\u00e1 para auxiliar a professora e n\u00e3o a Amanda. Se a Amanda precisar de uma interven\u00e7\u00e3o ela vai agir como agiria com qualquer outro aluno, que certamente tamb\u00e9m vai necessitar da ajuda dela.<\/p>\n<p><strong>A educa\u00e7\u00e3o que vem de casa<a name=\"8\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): Muitas vezes os auxiliares n\u00e3o seriam utilizados para &#8220;controlar&#8221; melhor as salas de aula e a disciplina? N\u00e3o estariam auxiliando ningu\u00e9m, mas servindo a um tipo de aparato de conten\u00e7\u00e3o dos alunos..<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): O que as escolas n\u00e3o querem \u00e9 pagar direitos trabalhistas para mais um professor ent\u00e3o transferem isso para os pais colocando o foco na crian\u00e7a e n\u00e3o na escola.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Lucio, ent\u00e3o a crise \u00e9 de autoridade. A escola tem de dar disciplina.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): No caso da Amanda, como aqui ela tem as terapias dentro da escola, essa auxiliar tamb\u00e9m \u00e9 quem a leva para as sess\u00f5es.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Pat: As sess\u00f5es s\u00e3o no hor\u00e1rio de aula, ou hora extra?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Eles tem duas modalidades &#8211; push in &#8211; a terapeuta vem a sala de aula &#8211; e pull out &#8211; Amanda vai para outra sala. Fisioterapia e Terapia Ocupacional s\u00e3o fora da sala. Para o ano que vem vamos fazer isso no contra-turno.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Esse momento fora de sala \u00e9 ruim para a Amanda. A turma, fica mandando brasa nas atividades, ela perdendo tempo de significa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Mas os pais tem de dar limites, educa\u00e7\u00e3o vem de casa, n\u00e3o \u00e9 o que diz o ditado?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Ih, essa discuss\u00e3o rende. O papel da escola mudou. Pais trabalham fora o dia inteiro e na maioria das vezes chegam cansados e n\u00e3o querem discutir com os filhos. \u00e9 mais f\u00e1cil transferir a responsabilidade de educar para a escola.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): A pr\u00f3pria escola tem de ser formadora. \u00c9 preciso ensinar o respeito, a maneira de se portar.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Mas os agentes s\u00e3o os professores &#8211; e nesse caso auxiliares tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Lucio (RS): Mas se os pais n\u00e3o exigem isso em casa, n\u00e3o seria um ensinamento est\u00e9ril?<\/p>\n<p>[02:48:32 AM] Gil Pena (MG): A crian\u00e7a aprende a se portar, de acordo com o ambiente. H\u00e1 alunos que aprontam s\u00f3 na escola, por que \u00e9 permitido.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Tirar o aluno da sala \u00e9 o fim da picada..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, sempre peco para ela n\u00e3o perder as coisas mais importantes. Volta e meia ela &#8221; mata&#8221; a terapia para ficar junto com grupo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): \u00c9 preciso parceria entre fam\u00edlia e escola<\/p>\n<p><strong>Caracterizando a parceria<a name=\"9\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): pois \u00e9, chegamos nessa palavra..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): O que ocorre algumas vezes \u00e9 que um delega a responsabilidade ao outro<\/p>\n<p>Lucio (RS): Se o que estamos descrevendo \u00e9 uma parceria, fico pensando em como exemplificar a disc\u00f3rdia..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Fundamental. Com firmeza, mas respeito. Na disc\u00f3rdia quem sofre e a crian\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>Lucio (RS): J\u00e1 vi pais desautorizando professores (e at\u00e9 mesmo outros pais) diante dos filhos.. Isso n\u00e3o pode ser educativo.<\/p>\n<p>[02:50:39 AM] Ana Claudia (RJ): A disc\u00f3rdia tem que existir. Alguns anos atras queriam repetir o Pedro sob o argumento que ele n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar a meta x ou y, o menino tinha 4 anos. Brigamos uma semana com a escola explicando da necessidade dele acompanhar os amigos da sua idade. A escola aceitou e no final do ano reconheceu que havia errado ao pensar assim.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Eu tenho uma parceria com a escola. Escrevi nestes dias um texto sobre a escola dos meus filhos, depois voc\u00eas leem: <a href=\"http:\/\/liberdadereflexiva.wordpress.com\/2010\/06\/03\/pensando-uma-escola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/liberdadereflexiva.wordpress.com\/2010\/06\/03\/pensando-uma-escola\/<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): E \u00e9 importante colocar a parceria no papel?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Como assim? Um contrato?<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Eu tamb\u00e9m tenho com a escola do Biel. As professoras, coordenadora, diretora fazem parte do meu grupo de estudo e pesquisa. sempre estou me reunindo com elas aos s\u00e1bados para conversarmos sobre Biel e outras crian\u00e7as<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Prefiro dizer no lugar de disc\u00f3rdia diferen\u00e7a de opini\u00e3o. Tive situa\u00e7\u00e3o parecida com a Amanda aqui esse ano (o ano letivo termina esse m\u00eas).<\/p>\n<p>Lucio (RS): Algo como a previs\u00e3o daqueles limites que fal\u00e1vamos antes, objetivos, modos de chegar a eles, estrat\u00e9gias de aprendizado, seq\u00fc\u00eancias, &#8230;<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Lucio, t\u00e1 errado o pai desautorizar o professor. A escola tem de saber o seu papel. estabelecer suas regras. Bem conversado. N\u00e3o chegaria a colocar no papel.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Aqui nos EUA cada crian\u00e7a com necessidades educacionais especiais tem um plano anual, revisado cada seis meses, chamado IEP &#8211; Individual Education Program. Nele ha objetivos claros, com metas, respons\u00e1veis por cada uma.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Se voc\u00ea tem bons argumentos e a escola se prop\u00f5e a pensar e avan\u00e7ar, a parceria funciona bem<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Pat: penso que esse programa n\u00e3o deve limitar-se a uma potencialidade esperada para a Amanda, em particular, mas deve ter como par\u00e2metro, o seu grupo de colegas.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Por exemplo &#8211; Amanda vai responder 3 vezes de cada 5 vezes que chamarem seu nome num espa\u00e7o de 30 minutos&#8230; \u00c9 uma papelada e uma loucura&#8230;<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Bem acho que a quest\u00e3o n\u00e3o desautorizar ou n\u00e3o. A quest\u00e3o central \u00e9 dialogar para que compreendam a nossa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): L\u00f3gico Gil. O Pedro n\u00e3o pode ficar na zona de conforto. Tem que pensar, aprender.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, podemos colocar metas de socializa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, higiene pessoal&#8230;<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): N\u00e3o penso em metas mas caminhos, estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Penso que o desenvolvimento infantil n\u00e3o \u00e9 algo linear e o melhor par\u00e2metro \u00e9 a pr\u00f3pria crian\u00e7a. O que ela sabia e o que ela aprendeu num dado tempo ou per\u00edodo. N\u00e3o gosto de utilizar outras crian\u00e7as como compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): No come\u00e7o foi feita uma avalia\u00e7\u00e3o que serviu de base para a constru\u00e7\u00e3o deste plano. Na verdade, e uma exig\u00eancia pr\u00f3-forma do distrito escolar, para que seja avaliado se o aluno esta progredindo ou n\u00e3o. Mas temos reuni\u00f5es mensais &#8211; e converso e troco emails com a professora e a auxiliar quase diariamente &#8211; e vamos ajustando as necessidades e situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o aparecendo.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Tamb\u00e9m trabalho assim com o Pedro. Vamos ajustando de acordo com o que vai aparecendo.<\/p>\n<p><strong>O projeto pedag\u00f3gico interfere?<a name=\"10\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): Atualmente \u00e9 muito comum as escolas divulgarem um projeto pedag\u00f3gico e executarem um outro, bem menos ousado. Recentemente divulgou-se que mais de 60% as escolas brasileiras seguem um modelo construtivista. Na pr\u00e1tica, muitas usam rankings entre os alunos. Que tipo de parceria se pode fazer com esse tipo de estabelecimento?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Tem funcionado muito bem. E claro que, se eu n\u00e3o fosse pr\u00f3-inclus\u00e3o, a Amanda ia direto pra escola especial ou para os tais self-contained rooms &#8211; uma esp\u00e9cie de integra\u00e7\u00e3o &#8211; os alunos ficam um tempo com colegas da escola regular e outra parte do tempo na sala de recursos. Mas tenho batido o p\u00e9 e vencido as batalhas&#8230;<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Vamos conversando um pouco atravessado, os assuntos cruzando um pouco. Pensar em caminhos, como a Ana diz, \u00e9 bom, mas tem sempre de ter um momento de avalia\u00e7\u00e3o. A\u00ed de novo tra\u00e7ar um caminho. N\u00e3o digo utilizar outras crian\u00e7as como compara\u00e7\u00e3o, mas o grupo. H\u00e1 aquisi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser t\u00e3o objetivamente avaliadas, outras sim. Mas \u00e9 preciso estar atento ao processo. Ler, por exemplo, n\u00e3o se aprende de uma vez. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o lenta e trabalhosa, e a escola de acompanhar essa constru\u00e7\u00e3o desde cedo, intervindo no que for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Nossa postura tem que ser firme. Sei disso.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Sim, nossa conversa est\u00e1 muito atravessada.. Se voc\u00eas fossem meus alunos eu os chamaria de desordeiros! \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Vai dar trabalho pra edi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): \u00c9 a ansiedade de falar sobre temas t\u00e3o pol\u00eamicos<\/p>\n<p>Lucio (RS): Nem me fale..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Faca a pr\u00f3xima pergunta ent\u00e3o, Lucio.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Lucio colocou sobre a quest\u00e3o construtivista. Que parceria fazer? acho que \u00e9 uma quest\u00e3o de autenticidade. N\u00f3s mais do que outros pais (m\u00e3es) temos de estar bem preparados, para lidar com determinadas quest\u00f5es. Sei que escola boa \u00e9 dif\u00edcil, bem dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): As escolas, na sua maioria, nem sabem o que \u00e9 construtivismo ou confundem com espontaneismo.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Eu as vezes acho que o projeto pedag\u00f3gico nem tem tanta import\u00e2ncia, mas sim a professora. Se ela consegue ver o aluno em sua individualidade e procura meios de ensina-lo, seja pelo m\u00e9todo que for, e sucesso garantido.<\/p>\n<p><strong>Superprote\u00e7\u00e3o <a name=\"11\"><\/a><\/strong><a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): Nosso papel de fam\u00edlia n\u00e3o deve ser s\u00f3 o de credor, imagino. Gostaria de saber como recebem as reclama\u00e7\u00f5es para com seus filhos. Em algum momento chegaram a reivindicar algum tipo de aten\u00e7\u00e3o diferenciada na escola ou mesmo fora dela?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): N\u00e3o \u00e9 porque ele tem defici\u00eancia que eu vou esconder os perigos da vida. Criamos o Pedro como qualquer outra crian\u00e7a. Leva bronca, senta para pensar, conversamos sobre a vida e algumas posturas que devemos ter e tamb\u00e9m sobre as dificuldades que ele tem as vezes. Todos temos dificuldades em alguma coisa na vida. Ele sabe da condi\u00e7\u00e3o dele e \u00e9 feliz assim. Quando voc\u00ea consegue enxergar apenas o seu filho e n\u00e3o o filho que tem SD a vida flui mais f\u00e1cil, pode ter certeza. N\u00e3o protejo ele e vivo pedindo para que ningu\u00e9m faca. Isso \u00e9 ruim para ele.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Pelo contr\u00e1rio, eu pe\u00e7o para as pessoas esquecerem que minha filha tem s\u00edndrome de Down, e que fa\u00e7am-na cumprir o mesmo que for requerido das outras crian\u00e7as. S\u00f3 dessa maneira ela ter\u00e1 oportunidade de aprender a se comportar nas variadas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Na escola, algumas vezes, percebi que o superprotegiam. E esse comportamento das professoras estavam sendo seguido pelos alunos. Conversei com elas e mudou. O pior \u00e9 que o Biel estava tirando proveito da situa\u00e7\u00e3o. Mas em casa e em nenhum lugar permito isso.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Tamb\u00e9m evitamos superproteger (tanto a Sofia, como o Otavio).<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Marinalva, esse \u00e9 um ponto com que tenho me preocupado ultimamente. Em se tratando de crian\u00e7as pequenas, como \u00e9 o caso da minha filha que frequenta o jardim de inf\u00e2ncia, acho que o ideal \u00e9 que as pr\u00f3prias crian\u00e7as vivenciem as diferen\u00e7as, sem que nada seja ressaltado em rela\u00e7\u00e3o aos outros alunos. No come\u00e7o do ano, a professora leu para a classe o livro \u201cTudo bem ser diferente\u201d. Tamb\u00e9m fomos convidados, assim como as outras fam\u00edlias da classe, a fazermos uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre nossa fam\u00edlia. Contei uma hist\u00f3ria da Amanda, mostrei fotos dela beb\u00ea, e indaguei \u00e0s crian\u00e7as se tinham alguma pergunta. Disseram que n\u00e3o. Como sigo a linha de s\u00f3 responder at\u00e9 onde se tem curiosidade de saber, e por n\u00e3o ser assunto para crian\u00e7as dessa idade, n\u00e3o entrei em detalhes de ocorr\u00eancia gen\u00e9tica, cromossomos etc. Mais agora para o fim do ano nos deparamos com uma outra quest\u00e3o. Alguns colegas est\u00e3o tratando a Amanda como beb\u00ea, deixando que ela ganhe alguns jogos, aplaudindo quando ela consegue fazer alguma coisa. Estou no momento, junto com a escola, buscando formas de como educar as crian\u00e7as de modo que eles respeitem sua individualidade dela, n\u00e3o fa\u00e7am as coisas por ela e tratem como uma colega qualquer.<\/p>\n<p>Lucio (RS): O Pedro tem no\u00e7\u00e3o de que tem a s\u00edndrome de Down? Que idade ele tem?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Lucio, senti que ele tinha agora. Tem 7. Esse assunto veio a tona com minha filha de 5, imagina. Mas n\u00e3o quiseram se aprofundar no assunto. Expliquei e ponto. Outro dia abri a pagina do grupo de SD do Yahoo e ele me perguntou quem era a capa. Expliquei que era a Bia lendo uma carta sobre a Conven\u00e7\u00e3o dos Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia e ele falou: carta do Pedro n\u00e9 m\u00e3e? Isso me mostrou que ele j\u00e1 sabe que \u00e9 igual a Bia.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Sobre a pergunta que faz sobre o Pedro. A Sofia est\u00e1 com 12, j\u00e1 falamos com ela sobre a s\u00edndrome de Down, mas acho que ela n\u00e3o se percebe com a s\u00edndrome. \u00c9 uma mo\u00e7a de muita auto-estima. Otavio com 11, sabe da s\u00edndrome, mas n\u00e3o usamos da s\u00edndrome em momento nenhum para justificar nada que acontece.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Mas ser\u00e1 que ele reconhece pelos tra\u00e7os fision\u00f4micos ou por voc\u00ea ter falado pessoa com defici\u00eancia?<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Isso \u00e9 importante. De repente o Pedro ouve que ele tem defici\u00eancia (de outras pessoas), mas n\u00e3o tem id\u00e9ia do que significa. Penso que n\u00e3o \u00e9 legal.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Acho que mais pelos tra\u00e7os. Ele sabe que tem alguma coisa que nem todo mundo tem. Que tem algumas dificuldades mas que \u00e9 um cara feliz e amado do jeito que \u00e9.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Auto estima \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Sinceramente eu acho que ele n\u00e3o liga. Com disse o Lucio a auto-estima dele e enorme e ele realmente \u00e9 um cara feliz e cheio de amigos.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Porque voc\u00eas tratam isso de forma natural.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Me preocupa mais como a irm\u00e3 vai lidar com isso do que ele na sala dela tem um menino autista e por isso a conversa come\u00e7ou. O tal do amigo diferente &#8230;<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): A Sofia tem muita no\u00e7\u00e3o das dificuldades, mas isso lhe d\u00e1 for\u00e7a para aprender. Quer saber como seus colegas sabem. No in\u00edcio se esfor\u00e7a muito, mas \u00e9 recompensada quando domina aquilo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): \u00e9 verdade, mas precisa ter cuidado pois o termo defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 tratado assim pela sociedade. Qual a idade da Sofia?<\/p>\n<p>Lucio (RS): Mas como voc\u00ea acha que ele percebe as pr\u00f3prias dificuldades? No fim das contas \u00e9 comparando-se aos outros?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Isso esta sendo fundamental na escolaridade do Pedro. Ele quer tanto ser igual aos amigos que se esfor\u00e7a para isso. sai da tal zona de conforto.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Pois \u00e9, a escola tende a fazer isso.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Mas se eles aprendem em casa que tudo bem ter uma defici\u00eancia, fica mais f\u00e1cil&#8230;<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Tamb\u00e9m acho Pat.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Por essa e por outras que a inclus\u00e3o e t\u00e3o importante! Se voc\u00ea alia o &#8211; tudo bem ser diferente &#8211; ao sonhe alto o bastante, d\u00e1 tudo certo.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Sofia tem 12, faz 13 em setembro. Uma dificuldade, por exemplo, de memorizar os fatos fundamentais. Os colegas conseguiam, ela sabia que tinha que conseguir tamb\u00e9m. Conseguiu. Hoje resolve express\u00f5es matem\u00e1ticas, com pot\u00eancias, sabe que tem que multiplicar ou dividir primeiro depois somar e subtrair.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): A vida n\u00e3o \u00e9 mole. Eles tem que se preparar para o quem vem pela frente. Como qualquer um.<\/p>\n<p>Lucio (RS): \u00c9 o que eu penso tamb\u00e9m, em avali\u00e1-lo n\u00e3o pelo que n\u00e3o fez mas pelo que est\u00e1 prestes a fazer e pela intensidade do seu desejo..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Avaliar sempre pelo potencial e n\u00e3o pelo real.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): E saber lidar com as frustra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, como todo mundo.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Vamos pra pr\u00f3xima pergunta?<\/p>\n<p><strong>O papel da fam\u00edlia, o desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o e da pessoa<a name=\"12\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): Bom, n\u00e3o sei qual \u00e9 a pr\u00f3xima pergunta.. Talvez a \u00faltima seja uma das poucas que n\u00e3o tenhamos explorado ainda.. L\u00e1 vai: o que pensam que \u00e9 mais importante que seus filho(a)s desenvolvam ao longo da vida escolar? Entendem que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um objetivo em si mesmo? Qual a parte que as fam\u00edlias, na opini\u00e3o de voc\u00eas, tem nesse processo todo?<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Exatamente, mas isso est\u00e1 diretamente ligado a como a auto-estima est\u00e1 sendo constru\u00edda.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): O que eu quero para meu filho \u00e9 autonomia. Quero que ele possa viver sem depender de nos, de maneira produtiva, com amigos, enfim, que seja uma pessoa feliz. Dentro disso a educa\u00e7\u00e3o tem papel important\u00edssimo. \u00c9 na escola que ele ganhara essa autonomia de verdade e desde pequeno. Na hora de andar, de largar a fralda, de se esfor\u00e7ar para se comunicar, ou seja, nas etapas de desenvolvimento. \u00c9 na escola que ele ter\u00e1 a chance de conviver com seus pares e todos ter\u00e3o a chance de conviver com as diferen\u00e7as tornando-se pessoas melhores. Isso n\u00e3o \u00e9 balela n\u00e3o. \u00c9 pesquisa. A inclus\u00e3o \u00c9 ben\u00e9fica para todos. Acredito que o papel da fam\u00edlia nesse processo \u00e9 fornecer as ferramentas necess\u00e1rias para o desenvolvimento do seu filho. Criar condi\u00e7\u00f5es para que ele seja um adulto aut\u00f4nomo, como criar\u00edamos para qualquer outro filho. Aonde ele vai chegar ele \u00c9 que vai me dizer.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Com que idade foram a escola?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Pedro 1 ano e 2 meses sem andar.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Apesar de muitas escolas n\u00e3o estarem cumprindo o seu papel, mas mesmo assim \u00e9 o lugar ideal para conviver com as diferen\u00e7as existentes em cada um.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Gabriel aos 2 anos. Aprendeu a andar na escola.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Acho que na forma\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa, o car\u00e1ter, e valores como solidariedade e respeito ao pr\u00f3ximo s\u00e3o mais importantes do que a educa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em si. Quantas vezes em nossa vida adulta nos perguntamos &#8211; por que tive que aprender raiz quadrada ou os elementos de uma c\u00e9lula&#8230;<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): O Pedro tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): O papel da fam\u00edlia e atuar como orientadora e supervisora da educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Sem nunca perder de vista que n\u00e3o estaremos aqui para sempre e quanto maior autonomia eles puderem ter, melhor ser\u00e1 para todos. Amanda tamb\u00e9m desde os 2 anos.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): A fala do Biel est\u00e1 num ritmo acelerado e quando falta as aulas por causa da sinusite, eu percebo que regride a fala. A escola \u00e9 um excelente local de socializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Lucio (RS): O Rodrigo foi com 2,6 mas andou em casa e acho que seus marcos maiores tem sido mais conosco do que com a escola, a n\u00e3o ser no aspecto de vencer a timidez.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Sofia tinha uns dois anos e meio. J\u00e1 andava. Educar \u00e9 formar as pessoas. A escola tem o papel de educar. Quero que a Sofia se forme como pessoa, resolva problemas cotidianos, entenda o seu fazer no mundo. Nesse processo, tem de adquirir as ferramentas culturais importantes (ler, matem\u00e1ticas, organiza\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o, outras coisas).<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Amanda tamb\u00e9m andou em casa, nas ferias. \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Como eu disse anteriormente, \u00e9 um conjunto de fatores: casa, fono, TO e escola. Mas ressalto a import\u00e2ncia da escola, apesar dos pesares, por causa dos coet\u00e2neos. O Biel adora imitar e conviver com coet\u00e2neos \u00e9 excelente pra isso.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): E o que eu espero para a Amanda tamb\u00e9m, Gil. E n\u00e3o tenho duvida de que ela alcan\u00e7ar\u00e1 isso e muito mais. Ela j\u00e1 superou em tanto as expectativas que tivemos quando nasceu&#8230;<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Coet\u00e2neos! Que palavra dif\u00edcil!!!<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): da mesma gera\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Lucio (RS): O Rodrigo tamb\u00e9m est\u00e1 muito imit\u00e3o e en\u00e9rgico.. No seu caso ele procura muito o exemplo da irm\u00e3 mais velha.. \u00c9 um temer\u00e1rio, digamos assim, faz coisas al\u00e9m do seu limite f\u00edsico.. Muito danado..<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Pat: tamb\u00e9m n\u00e3o tenho d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amanda. A Sofia v\u00ea dificuldade no ingl\u00eas, como a Amanda est\u00e1 se saindo?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Fala e entende ingl\u00eas quase tanto quanto portugu\u00eas. Ela tem bastante dificuldade com a fala, mas j\u00e1 esta quase lendo. Sabe todo o alfabeto, fonemas, soletra em ingl\u00eas. E uma gra\u00e7a!<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Cada progresso tem um sabor especial n\u00e3o Pat?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim!! E aqui tem MUUUUIIITOS recursos legais. As applications educativas para iPhone e iPad s\u00e3o super legais! Ai aprender fica muito mais gostoso&#8230;<\/p>\n<p><strong>Bullying <a name=\"13\"><\/a><\/strong><a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): E o bullying, voc\u00eas o temem?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Li em uma pesquisa recentemente que a o preconceito \u00c9 t\u00e3o grande com rela\u00e7\u00e3o as crian\u00e7as com defici\u00eancia que o bullying nem atinge elas. De qualquer forma eu tenho medo sim com rela\u00e7\u00e3o aos meus dois filhos. Vivi de perto recentemente um caso de bullying com os filhos de dois amigos que n\u00e3o tinham defici\u00eancia. Simplesmente um garoto mais velho e sua turminha passaram a implicar com eles e fizeram da vida dos \u00a0garotos um inferno. Um deles voltou ate a fazer coco nas calcas. A escola tem que estar atenta para isso. As vezes o agressor s\u00f3 repete o que sofre em casa. Chamar a responsabilidade para os pais tamb\u00e9m \u00c9 fundamental. Tenho medo tamb\u00e9m de abuso. Tento mostrar para os meus filhos que tem gente de todo o tipo no mundo. N\u00e3o \u00c9 porque ele tem SD que eu vou esconder os perigos da vida.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Tenho muito medo do bullying.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Qualquer um pode ser vitima de bullying. Minha filha que n\u00e3o tem defici\u00eancia, por exemplo, j\u00e1 foi. O problema foi conduzido exemplarmente pela escola, assim que o comunicamos, o que evitou que o assedio escalasse. E importante investirmos na auto-estima de nossos filhos para que eles n\u00e3o sejam vitimas f\u00e1ceis. Devem ser educados para enfrentar essas situa\u00e7\u00f5es com a cabe\u00e7a fria e reportar aos adultos respons\u00e1veis o<br \/>\nacontecido.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Esse \u00e9 o meu medo: n\u00e3o se reportar &#8230;<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Minha filha ficou uns 6 meses inventando dor de barriga e de cabe\u00e7a pra n\u00e3o ir a escola&#8230;<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Um belo dia ela resolveu falar. Fui a escola no dia seguinte.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): O bullying \u00e9 uma realidade para todas as crian\u00e7as e tenho medo com rela\u00e7\u00e3o ao Biel pois a sociedade ainda \u00e9 muito preconceituosa<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): N\u00e3o vivi o problema do bullying. A escola \u00e9 pequena. Sempre adultos rondando o fazer das crian\u00e7as. Est\u00e3o sempre atentos. Tem sempre de acompanhar.<\/p>\n<p>Lucio (RS): N\u00e3o sei se apareceu o que escrevi antes, o primeiro passo \u00e9 a confian\u00e7a nos pais, sentir confian\u00e7a para aliviar as dificuldades.. Penso que o bullying sempre existiu..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Sim, sempre existiu mas n\u00e3o era dado a devida import\u00e2ncia<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, mas na adolesc\u00eancia os pais s\u00e3o as ultimas pessoas em quem voc\u00ea confia&#8230; ai fica mais dif\u00edcil. Ningu\u00e9m diz.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Mas na sociedade moderna devido a mudan\u00e7as de valores, isto tem se tornado mais expl\u00edcito. O individualismo hoje \u00e9 mais presente, faz parte da sociedade globalizada. Esse \u00e9 o problema central<\/p>\n<p>Lucio (RS): Sim, meus filhos vivem a gera\u00e7\u00e3o do Barney e do bullying, n\u00e3o \u00e9 incr\u00edvel?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Concordo. Mas valores s\u00e3o valores. Cabe as fam\u00edlias n\u00e3o serem t\u00e3o permissivas com atitudes ego\u00edstas e grosseiras.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Quem \u00e9 o Barney?<\/p>\n<p>Lucio (RS): O Barney \u00e9 aquele dinossaur\u00e3o extremamente d\u00f3cil e educado que s\u00f3 ensina boa-educa\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Por outro lado, as escolas se preparam melhor. Acho que aqui caberia aquela pergunta de educa\u00e7\u00e3o para os direitos humanos. Os conselheiros da escola das minhas filhas mais velhas tem bandeira gay na sala, minhas filhas tem v\u00e1rios amigos que s\u00e3o gays assumidos. N\u00e3o me lembro de ter visto isso no Brasil no ensino m\u00e9dio. S\u00f3 na faculdade.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Amo voc\u00ea, voc\u00ea me ama, nunca ouviu?<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Amanda ama o Barney! Sabe essa musica em ingl\u00eas e portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Esses dias enviei uma reclama\u00e7\u00e3o ao Discovery Kids, o canal bonzinho da TV a cabo, pois eles estavam veiculando propaganda de armas de brinquedo..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Onde os desenhos tem conota\u00e7\u00e3o de super her\u00f3is, individualismo, compet\u00eancia etc e tal. Tudo que permeia a individualidade e a meritocracia..<\/p>\n<p>Lucio (RS): Concordo, mas o Barney n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o assim, mas \u00e9 paternalista..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Olha o Ben 10. Os valores s\u00e3o absurdos.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Esse \u00e9 do Cartoon Network, o canal que prega na vinheta &#8220;Voc\u00ea faz o que quer&#8221;.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Anime-se eu mesmo j\u00e1 me esqueci do Barney. H\u00e1 uma vista grossa. Tinha no tempo do Atheneu, tem atualmente. Formas de crueldade que a sociedade sempre nutriu. Eu tinha colegas que eram v\u00edtimas de achaques, mas sobreviveram. N\u00e3o \u00e9 como vejo nos filmes de adolescentes americanos com agress\u00f5es f\u00edsicas, coa\u00e7\u00f5es, aquelas coisas. N\u00e3o somos americanos. Somos mais gozadores.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, aqui esse ano, que eu me lembre, teve uma jovem com defici\u00eancia que foi morta pelos colegas de escola e outra moca, sem defici\u00eancia que se matou porque estava sendo chamada na escola de tudo quanto e nome.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Voltando para a quest\u00e3o de direitos humanos acho que a fam\u00edlia tem papel fundamental no movimento da inclus\u00e3o. Partindo do pressuposto que essa quest\u00e3o \u00c9 nova para a escola, quer dizer que agora as escolas agora est\u00e3o sendo exigidas a se posicionar dessa forma, e que \u00c9 preciso que esse posicionamento seja o mais verdadeiro poss\u00edvel sem estigmatizar a pessoa com defici\u00eancia, a fam\u00edlia \u00c9 que trar\u00e1 para essa<br \/>\nescola e para a comunidade a sua experi\u00eancia. Ela pode participar desse processo levando textos informativos para a coordena\u00e7\u00e3o, livros para a biblioteca da escola, propondo a organiza\u00e7\u00e3o de atividades e palestras que abordem o tema inclus\u00e3o, e divulgando eventos para a escola sobre o assunto. A escola tem que entender que inclus\u00e3o n\u00e3o \u00c9 apenas uma mudan\u00e7a no projeto pedag\u00f3gico da escola mas sim uma mudan\u00e7a na forma de pensar e de<br \/>\nenxergar aquele aluno. \u00c9 muito mais profundo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Inclus\u00e3o exige mudan\u00e7a de paradigma, mas as escolas acham que bastam mudarem as estrat\u00e9gias e metodologias. Isso \u00e9 um engodo.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): N\u00e3o h\u00e1 como a TV ensinar qualquer atitude \u00e9tica. Moral se aprende na vida, do exemplo. Que exemplo de vida a televis\u00e3o oferece. Os intervalamos s\u00e3o um convite ao consumo, quase uma imposi\u00e7\u00e3o do que se precisa comprar. Assiste-se aos comerciais ouvindo eu quero. Eu quero.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, a transforma\u00e7\u00e3o e muito maior. O bom e termos a lei a nosso lado. A gente tem que se preparar e ensinar, pregar mesmo.<\/p>\n<p><strong>Direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<a name=\"14\"><\/a><\/strong> <a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Mas a lei \u00c9 desconhecida. Eu diria que temos uma legisla\u00e7\u00e3o que nos protege bastante e que \u00c9 desconhecida pela maioria das pessoas. No site do MEC, na \u00e1rea de Legisla\u00e7\u00e3o, no endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"legislacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=12907:legislacoes&amp;catid=70:legislacoes<\/a>, abaixo do Titulo Educa\u00e7\u00e3o Especial, temos toda a legisla\u00e7\u00e3o sobre o tema. Quase ningu\u00e9m conhece seus direitos.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): A Ana diz, eu concordo, mas temos de estar bem preparados, estudados, para levas essas quest\u00f5es \u00e0 escola, at\u00e9 para oferecer os livros, as estrat\u00e9gias. Meu texto veio depois, concordo com o que ela disse antes. N\u00e3o me agrada termos de usar a lei, para defender o que \u00e9 um direito humano (ele \u00e9 anterior a lei).<\/p>\n<p>Patricia (EUA): J\u00e1 fui mais radical. Hoje acho que cada caso deve ser analisado individualmente, sempre tendo como foco o benef\u00edcio da crian\u00e7a. A pergunta que devemos fazer \u00e9: ela vai se beneficiar mais nesta ou nesta turma? Uma lista de pr\u00f3s e contras pode ajudar na tomada de decis\u00e3o. Mas isso s\u00f3 deve valer por no m\u00e1ximo 1 ou dois anos, para que a faixa et\u00e1ria da crian\u00e7a n\u00e3o seja muito acima de seus colegas.<\/p>\n<p>Lucio (RS): N\u00e3o sei se \u00e0s vezes deixo de receber algo que escrevem, est\u00e1 falhando bastante o sistema aqui..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): O meu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Tamb\u00e9m n\u00e3o me agrada mas temos que saber que estar na escola regular n\u00e3o \u00c9 um beneficio mas um direito. Tamb\u00e9m de nada adianta estar na escola porque a lei garante. Voc\u00ea tem que estar l\u00e1 porque acredita naquela escola.<\/p>\n<p><strong>Aprendizado <\/strong><a name=\"15\"><\/a><a href=\"#1\">\u00edndice<\/a><\/p>\n<p>Lucio (RS): E as pessoas com s\u00edndrome de Down aprendem ou n\u00e3o aprendem? Essa tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o que pulamos.. Precisam de mais est\u00edmulo visual? Tem problemas de mem\u00f3ria de curto prazo? Beneficiam-se mesmo do conv\u00edvio dos mais jovens?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Quanta a pergunta do Lucio &#8211; N\u00e3o acredito. Ele tem que ter a chance de viver as etapas de seu desenvolvimento com as crian\u00e7as da sua idade sen\u00e3o vai ficar infantil mesmo. Isso faz parte de uma id\u00e9ia preconcebida de as pessoas com SD s\u00e3o crian\u00e7as para o resto da vida.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Aprendem sim, dependendo da media\u00e7\u00e3o que \u00e9 realizada, como qualquer crian\u00e7a. Agora tem tamb\u00e9m as especificidades.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Pessoas com s\u00edndrome de Down, s\u00e3o pessoas, aprendem como pessoas, se s\u00e3o ensinadas num espa\u00e7o de conviver humano. Nesses dias, o professor de Hist\u00f3ria disse que estava preocupado sobre a compreens\u00e3o a temporalidade da Sofia (entender o que se passou s\u00e9culos atr\u00e1s, como era a cidade, a sociedade antes). N\u00e3o vejo como a constru\u00e7\u00e3o dessa compreens\u00e3o \u00e9 diferente para ela e para os demais colegas, mas eu preciso estudar, para entender como formamos esse conceito, que parece espont\u00e2neo, mas que de algum modo aprendemos pela experi\u00eancia, para depois tentar debater com ele o tema.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): As crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down nascem com defici\u00eancia na sua mem\u00f3ria auditiva e de curto prazo, mas se forem estimuladas adequadamente, atrav\u00e9s da mem\u00f3ria visual superam a defici\u00eancia<\/p>\n<p>Patricia (EUA): A Amanda se beneficia de est\u00edmulo visual. E tem dificuldade com conceitos. Ela aprende mais devagar, mas aprende. E muito perseverante.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Devido a defici\u00eancia na mem\u00f3ria de curto prazo d\u00e1 a impress\u00e3o que aprendem mais devagar.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Faltou a pergunta do Pablo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Na verdade precisam de mais vezes do est\u00edmulo pois nem sempre a mem\u00f3ria de curto prazo se torna de longo prazo.<\/p>\n<p>Lucio (RS): A pergunta do Pablo \u00e9 sobre superprote\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foi..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Ent\u00e3o eu queria acrescentar que eu tento n\u00e3o ser superprotetora. As vezes ate acho que sou dura demais com minha filha, mas passando a m\u00e3o pela cabe\u00e7a nenhum filho aprende nada. Meus pais me educaram para a independ\u00eancia e essa heran\u00e7a que tambem pretendo passar para minhas 3 filhas.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Quando nao aprendem \u00e9 porque a media\u00e7\u00e3o nao foi feita de forma adequada.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Nao e impress\u00e3o, Marinalva. Ela precisa de varias repeti\u00e7\u00f5es para aprender algumas coisas. Outras aprende imediatamente.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Aqui em casa precisamos do concreto demais. Entender o porque das coisas. Utilizamos varias estrat\u00e9gias. Uma ida ao supermercado por exemplo pode ser muito proveitosa. Pode-se trabalhar a leitura, a contagem, a escrita, o troco, ou algum contexto do que esta sendo dado na sala de aula. O projeto da escola \u00c9 a Copa do Mundo, vai se falar da Africa, animais? Uma conversa com um mapa na m\u00e3o e uma ida ao zool\u00f3gico<br \/>\nmostrando os animais que vivem na \u00c1frica s\u00e3o boas pedidas.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Por exemplo, os professores trabalham em sala de aula com a mem\u00f3ria auditiva do que visual. Isso prejudica a aprendizagem de quem tem defici\u00eancia na mem\u00f3ria auditiva.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Pois \u00e9, eu tenho d\u00favidas sobre isso..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Talvez seja isso Pat<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Sobre o que?<\/p>\n<p>Lucio (RS): Sobre como a mem\u00f3ria se processa, sobre qualidade dos est\u00edmulos, aten\u00e7\u00e3o, essas coisas..<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Pat relaxa, ou\u00e7o isso da minha m\u00e3e quase que todos os dias. Voc\u00ea e dura demais com o Pedro. Mas isso \u00e9 minha caracter\u00edstica de m\u00e3e com os dois filhos. Ele nasceu nessa fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Voc\u00ea ouve da sua m\u00e3e pra relaxar ou pra ser independente?<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Para relaxar mais.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): L\u00facio, voc\u00ea disse que tinha d\u00favidas sobre isso&#8230; o que?<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Depois eu podia escrever sobre essa coisa do aprender espont\u00e2neo, do aprender cient\u00edfico. Mas \u00e9 um pouco longo para um chat.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): \u00c9 verdade.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Boa. Quero ler.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Eu acho o Rodrigo extremamente seletivo, e acho isso um gesto de extrema intelig\u00eancia mas na vida a gente precisa aprender por muitos meios, mas eu detesto as teorias da intelig\u00eancia m\u00faltipla..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Eu gosto&#8230;<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Basicamente, temos que ensinar quase tudo. Coisas que outras crian\u00e7as aprendem de ver ou de conviver, temos de oferecer explicitamente como aprendizado para os nossos filhos.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Mas ningu\u00e9m defende que deva ser s\u00f3 atrav\u00e9s da mem\u00f3ria visual. Esta \u00e9 apenas um meio e o come\u00e7o.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): sim, outro dia estava em duvida se a Amanda entendia o conceito do n\u00e3o porque dizia nao pra tudo &#8211; inclusive coisas que queria&#8230;<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Por isso que me arrepia ouvir falar de suprimir conte\u00fado antes de que o mesmo seja oferecido.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Minha d\u00favida, \u00e9 de que n\u00e3o estejamos tratando como definitivos alguns lugares comuns e atribuindo a alguns dogmas a qualidade de caracter\u00edsticas, como dificuldade de pensamento abstrato e outras coisas..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): N\u00e3o \u00e9 isso L\u00facio, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Pat, o Pedro e a Ana Julia passaram por essa fase. Ela um pouco antes dele mas passa, fica tranquila.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): A Amanda aprendeu os nomes dos colegas a partir de uns cart\u00f5es que a professora fez (por sugest\u00e3o minha) com a foto e o nome de cada um. Rapidamente ela passou a reconhece-los e chama-los pelo nome, assim como memorizou os nomes sem as fotos.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Passei a aceitar o nao como nao. E nao fazia ou nao dava mesmo ate ele mudar.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): A mem\u00f3ria visual deve ser o potencial inicial, mas nao deves permanecer somente nela<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): O tal do interesse seletivo que o Lucio falou. O Pedro tambem \u00c9 assim. Por isso que o descrevi como muito esperto quando quer.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Isso. Se voc\u00ea falar &#8220;hora de tomar banho&#8221; a resposta \u00e9 quase uma fuga, se voc\u00ea diz &#8220;hora de jantar&#8221;, \u00e9 outra.. N\u00e3o h\u00e1 problema auditivo a\u00ed..<\/p>\n<p>Patricia (EUA): O joguinho que fiz pra ela entender foi colocar v\u00e1rios objetos num saco. Disse que est\u00e1vamos procurando o carro. ela metia a m\u00e3o no saco e ia tirando um a um. \u00a0Eu<br \/>\nperguntava. Carro? e ela nao&#8230; ate achar o carro &#8211; sim! coisas assim. \u00a0agora a esta melhor.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Surdez seletiva. Aqui em casa e a mesma coisa.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Mas nao \u00e9 problema auditivo, \u00e9 mem\u00f3ria auditiva.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Tinha uma \u00e9poca que o Pedro fingia que nao me escutava. Fiquei em p\u00e2nico pensando que era problema auditivo. Ate que falei brigadeiro bem baixinho. Escutou na hora ..<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): A mem\u00f3ria auditiva tem a ver com a capacidade de armazenar informa\u00e7\u00f5es rapidamente, nao?<\/p>\n<p>Lucio (RS): Pois \u00e9, muita coisa que a gente pensa que \u00e9 muito caracter\u00edstico \u00e9 muita malandragem..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Nao tem nada a ver com defici\u00eancia auditiva.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): S\u00e3o as estrat\u00e9gias deles pra escaparem do trabalho pesado. A escola veio dizer que a Amanda tinha problemas ao fazer a transi\u00e7\u00e3o de uma atividade para outra. Acontece que o problema s\u00f3 acontecia quando ela ia de uma atividade que estava gostando de fazer para outra que nao gostava&#8230;<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): A mem\u00f3ria auditiva tem haver com a capacidade de armazenar informa\u00e7\u00f5es rapidamente, nao?<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Minhas mensagens nao est\u00e3o chegando, Ana?<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Estou acompanhando a din\u00e2mica, interessante como num momento ca\u00edmos dentro de um padr\u00e3o. Muito parecido com as reuni\u00f5es que faz\u00edamos. Entramos num relato de experi\u00eancias, mas sem muita reflex\u00e3o das experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Eu \u00e0s vezes acho que se h\u00e1 um problema com a mem\u00f3ria \u00e9 mais com a de longo prazo do que com a de curto prazo.. Digo por observa\u00e7\u00e3o..<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Isso \u00e9 a mem\u00f3ria auditiva tem a ver com armazenar informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da oralidade, na aus\u00eancia de materiais vis\u00edveis 1:16 .. Nao tem nada a ver com defici\u00eancia auditiva<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Isso eu sinto mesmo.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Pois \u00e9 L\u00facio, mas as crian\u00e7as s\u00e3o diferentes. A caracter\u00edstica nao atinge 100% nenhuma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Certamente, e de desenvolver o aprendizado como fonte de prazer, n\u00e3o de tortura ou enfado..<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Acho que tem a ver com a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o tambem. Fica ouvindo tanta coisa que uma hora abstrai.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Sim, e vis\u00e3o perif\u00e9rica. As vezes brinco de pique esconde com a Amanda, estou praticamente ao lado dela, s\u00f3 que escondida (mal escondida) e ela nao me v\u00ea.<\/p>\n<p>Patricia (EUA): E isso que fico dizendo pra escola, Lucio, mas a vida nao e s\u00f3 prazer. Ser\u00e1 que tambem nao temos que apresentar outras experi\u00eancias menos prazerosas para que eles aprendam a se comportar?<\/p>\n<p>Lucio (RS): Acho que \u00e9 natural do ser humano a revolta. Mas sem d\u00favida o desprazer ensina tamb\u00e9m, sen\u00e3o comer\u00edamos minhocas..<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Nao digo nao prazerosas mas acho que temos que deixa-lo viver as experi\u00eancias da sua idade e ele mesmo que nos mostrara ate onde pode ir. Quando penso nisso me lembro de quando o Pedro dormiu fora na casa de um amigo pela primeira vez. Todos os amigos de sala j\u00e1 estavam dormindo um na casa do outro e ele me pediu para ir para a casa do melhor amigo da sala do col\u00e9gio. L\u00f3gico que me deu aquele medo enorme dele nao<br \/>\nconseguir se comunicar direito, fazer besteira, chegar na janela etc&#8230; mas como confiava na m\u00e3e do amigo pensei: todos est\u00e3o indo, tenho que dar um voto de confian\u00e7a para ele. Deixei com o cora\u00e7\u00e3o apertado e uma noite mal dormida mas foi \u00f3timo. Correu tudo bem e ele ganhou mais confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): O prazer nao nasce com a crian\u00e7a, somos n\u00f3s quem damos o significado.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Bom, fico pensando se ainda temos onde ir.. As quest\u00f5es n\u00e3o foram tratadas diretamente, mas por vias tortas..<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Dormir?<\/p>\n<p>Lucio (RS): N\u00e3o lhe parece uma boa id\u00e9ia?<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): L\u00facio, penso que voc\u00ea poder\u00e1s complementar pelo email.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Se quiser mando as respostas que foram preparadas por e-mail para ajudar.<\/p>\n<p>Lucio (RS): Sim, vou querer..<\/p>\n<p>Lucio (RS): Vai dar trabalho editar, mas com calma e tempo a gente consegue..<\/p>\n<p>Lucio (RS): Bom, vou cortar essa \u00faltima parte e vou aproveitar para agradecer muit\u00edssimo a colabora\u00e7\u00e3o de todos..<\/p>\n<p>Gil Pena (MG): Boa noite a todos.<\/p>\n<p>Marinalva Oliveira (AP): Obrigada a voc\u00eas pela oportunidade. L\u00facio, como vai ser a publica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Lucio (RS): Bom, vou enviar a voc\u00eas depois para que revisem e corrijam o que acharem necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ana Claudia (RJ): Tambem agrade\u00e7o. Bom trocar experi\u00eancias e ideais, faz a gente crescer. Boa noite para todos!<\/p>\n<p>Patricia (EUA): Boa noite e bom fim de semana, gente! A Inclusive agradece!<\/p>\n<p>Lucio (RS): Mais uma vez obrigado a todos. Ficamos por aqui.<\/p>\n<p><strong>FIM<\/strong><\/p>\n<p>_______________________________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Inclusive &#8211; Inclus\u00e3o e Cidadania<br \/>\nLicenciado pela CC 2.5<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesa-redonda com familiares revela a dimens\u00e3o humana do envolvimento com a educa\u00e7\u00e3o e nuances pouco percebidas pela sociedade. 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