{"id":16436,"date":"2010-07-09T05:51:30","date_gmt":"2010-07-09T08:51:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=16436"},"modified":"2010-07-09T05:51:30","modified_gmt":"2010-07-09T08:51:30","slug":"as-deficiencias-representadas-na-midia-e-o-papel-da-psicologia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=16436","title":{"rendered":"As defici\u00eancias representadas na m\u00eddia e o papel da Psicologia Social"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_12135\" aria-describedby=\"caption-attachment-12135\" style=\"width: 185px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/logotipo_PlanetaEducacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12135\" title=\"Logotipo do Planeta Educacao, um globo terrestre formado pela letra E\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/logotipo_PlanetaEducacao.jpg\" alt=\"\" width=\"185\" height=\"120\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12135\" class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por Emilio Figueira<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento em que se discute no Brasil as pessoas com defici\u00eancia em v\u00e1rios \u00e2ngulos, acredito ser de import\u00e2ncia abrirmos aqui um par\u00eantese para abordarmos tamb\u00e9m o problema dentro dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o. Vale acentuar que ser\u00e1 uma breve abordagem dentro de um breve estudo por meio de exemplos documentais. Pretendemos com esta exposi\u00e7\u00e3o apresentar uma proposta para que ela mesma se enquadre e passe a integrar nossos projetos de pesquisas, visando sempre colocar os portadores de defici\u00eancia na sociedade de maneira natural por meio dos trabalhos reabilitacionais exercidos pelas entidades brasileiras.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de como a imagem de pessoas com defici\u00eancia \u00e9 veiculada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa ao grande p\u00fablico vem ganhando aten\u00e7\u00e3o no Brasil, um tema muito interessante a ser desenvolvido pela Psicologia Social. Sobre essa tem\u00e1tica j\u00e1 foram realizados alguns congressos, sendo que uma das conclus\u00f5es a que se chegou foi que n\u00e3o adianta reabilitar o indiv\u00edduo f\u00edsica, intelectual e profissionalmente se a sua imagem n\u00e3o for recuperada perante a sociedade, de maneira que esta o aceite naturalmente. Dessa forma, os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa (jornal, r\u00e1dio, televis\u00e3o, Internet e v\u00eddeo educativo) surgem como as principais alternativas para esse fim.<\/p>\n<p>Uma vez em que o processo mundial torna-se cada vez mais veloz, rompendo barreiras a cada dia, a imprensa nos bombardeia com milhares de informa\u00e7\u00f5es, cabendo a tarefa de interpret\u00e1-la numa r\u00e1pida assimila\u00e7\u00e3o, pois a edi\u00e7\u00e3o de um jornal n\u00e3o sobrevive mais do que 24 horas. Nem sempre a quantidade corresponde \u00e0 qualidade! A falta de tempo, muitas vezes, leva-nos a formar prematuramente conceitos errados sobre pessoas e situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 quando nos deparamos com os \u201cpr\u00e9-conceitos\u201d oriundos da desinforma\u00e7\u00e3o, que muitas vezes levam a sociedade a subestimar as potencialidades e capacidades das pessoas, gerando discrimina\u00e7\u00e3o, estigmas e preconceitos.\u00a0 O \u201cManual M\u00eddia &amp; Defici\u00eancia\u201d (1994, p. 04) tamb\u00e9m afirma: \u201cA abordagem e a terminologia utilizadas pelos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o de Massa (M.C.M.) ao mesmo tempo refletem e influem na interpreta\u00e7\u00e3o da sociedade sobre os principais temas de interesse coletivo. Se a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 cuidada, acaba refor\u00e7ando estigmas e posturas preconceituosas transmitidos culturalmente, que podem significar, no m\u00ednimo, um empecilho \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento social\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 quando encontraremos o conceito de Scheaker (1989, p. 03), que &#8220;n\u00e3o existe uma imagem neutra de uma pessoa deficiente mental. Se ela n\u00e3o for deliberadamente constru\u00edda de uma maneira positiva, as pessoas continuar\u00e3o a ver os deficientes mentais de acordo com suas pr\u00e9-concep\u00e7\u00f5es negativas, n\u00e3o importando se isto \u00e9 intencional ou n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Dos mitos \u00e0 realidade <\/strong><\/p>\n<p>Potencialmente dotadas e criativas, as crian\u00e7as \u2015 seja qual for a sua defici\u00eancia \u2015, sempre tem algo a oferecer \u00e0 sociedade, que os &#8220;mitos&#8221; muitas vezes acabam por reprimir ou neutralizar. A desinforma\u00e7\u00e3o colabora para que as pessoas tenham uma ou mais dessas vis\u00f5es a respeito daquelas com defici\u00eancias mentais:<\/p>\n<p>&#8211; Tristes, pat\u00e9ticas e destinadas a conduzir uma vida tr\u00e1gica e trazer tristezas a todos que as conhecem.<br \/>\n&#8211; Eternas crian\u00e7as, incapazes de crescerem e desenvolverem-se al\u00e9m da compreens\u00e3o e depend\u00eancia infantis.<br \/>\n&#8211; \u201cDoentes\u201d e precisando de supervis\u00e3o m\u00e9dica.<br \/>\n&#8211; \u201cLoucas\u201d, destitu\u00eddas de raz\u00e3o ou incapazes de perceber seu ambiente.<br \/>\n&#8211; Anormalmente fortes, f\u00edsica ou sexualmente perigosas.<br \/>\n&#8211; Escolhidas de Deus \u2015 o que pode ser uma outra maneira de dizer que elas \u201cn\u00e3o s\u00e3o iguais a n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o tipos de mitos que ainda hoje existem em torno das pessoas com defici\u00eancias mentais, como a S\u00edndrome de Down. Elas foram durante d\u00e9cadas isoladas da sociedade, sendo criadas trancadas em quartos escuros. Ap\u00f3s come\u00e7arem a ser estudadas e estimuladas, romperam in\u00fameras barreiras e mitos desenvolvendo coisas e habilidades consideradas at\u00e9 imposs\u00edveis para sua condi\u00e7\u00e3o, como aprender ingl\u00eas. Hoje, nem mesmo a ci\u00eancia moderna se arrisca a p\u00f4r limites em suas potencialidades. Dessa maneira, as entidades e associa\u00e7\u00f5es que lidam com deficientes mentais devem trabalhar para apresentar uma imagem positiva a respeito delas, substituindo esses temores e preconceitos, permitindo que outras pessoas as vejam como:<\/p>\n<p>&#8211; Pessoas que sejam parecidas com quaisquer outras nas suas necessidades e sentidos normais, nunca diferentes.<\/p>\n<p>&#8211; Pessoas que podem aproveitar a vida e trazer felicidade \u00e0queles que as conhecem.<\/p>\n<p>&#8211; Pessoas que, com a ajuda necess\u00e1ria, podem crescer em habilidades e fazer suas pr\u00f3prias contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>&#8211; Pessoas que merecem o mesmo respeito que qualquer outra pessoa humana.<\/p>\n<p>Scheaker (1989, p. 10-11) oferece um bom exemplo retirado da imprensa. Trata-se de um texto que diz:<\/p>\n<p>PEDRO TER\u00c1 OITO ANOS PELO RESTO DA VIDA<\/p>\n<p>Pedro tem oito anos. Mas ele n\u00e3o pode caminhar nem falar adequadamente. Como centenas de outras crian\u00e7as, Pedro \u00e9 deficiente mental profundo. Como eles, Pedro precisar\u00e1 de assist\u00eancia carinhosa de uma equipe de profissionais treinados, pelo resto de sua vida. Ajude-nos a continuar a prestar esta assist\u00eancia, enviando sua doa\u00e7\u00e3o para:&#8230;<\/p>\n<p>Esse tipo de an\u00fancio \u00e9 negativo, pois transmite que: Pedro \u00e9 uma eterna crian\u00e7a; ele nunca se desenvolver\u00e1; ele n\u00e3o manter\u00e1 relacionamentos com outras pessoas e ele sempre ser\u00e1 in\u00fatil e dependente. O an\u00fancio correto seria:<\/p>\n<p>PEDRO TEM OITO ANOS E EST\u00c1 CRESCENDO RAPIDAMENTE<\/p>\n<p>No ano passado, Pedro deu seu primeiro passo independente. Ele est\u00e1 se tornando cada vez mais livre, \u00e0 medida que explora sua comunidade e faz novos amigos. Pedro gosta de aprender a comunicar-se com eles. Como outras crian\u00e7as com defici\u00eancia mental severa, Pedro est\u00e1 aprendendo mais do que julg\u00e1vamos ser poss\u00edvel alguns anos atr\u00e1s. Ajude-nos a auxili\u00e1-lo a encontrar a assist\u00eancia especializada que ele precisa para continuar crescendo \u2013 e, amigos, tornem v\u00e1lido seu esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Aqui sim, para Scheaker, o an\u00fancio est\u00e1 transmitindo de forma correta, pois: Pedro tem defici\u00eancia mental severa e n\u00e3o \u00e9, claramente, t\u00e3o capaz como outros de sua idade, mas ele est\u00e1 aprendendo a falar e a se comunicar; ele tem amigos; ele gosta de viver; ele pode continuar seu progresso se receber a ajuda que precisa, apresentando uma imagem realista, mas positiva sobre pessoas com defici\u00eancia mental.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os meios utilizados para a divulga\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancias mentais, tais como p\u00f4steres de propagandas, t\u00e9cnicas publicit\u00e1rias e\/ou tentativas de se colocar hist\u00f3rias na r\u00e1dio, TV, jornais, revistas, boletins ou trabalhos alternativos. Por\u00e9m, a principal quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o meio utilizado para veicular essas mensagens, mas sim o modo pelos quais s\u00e3o produzidos, visando que n\u00e3o ocorra o repasse de preconceitos. Essa n\u00e3o \u00e9 uma realidade somente para t\u00e9cnicos (jornalistas, publicit\u00e1rios, etc.), pois tamb\u00e9m h\u00e1 registros de &#8220;gafes&#8221; cometidas pelas pr\u00f3prias entidades.<\/p>\n<p>Podemos aqui dar uma explica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Come\u00e7ando pelas imagens, elas podem dizer mais do que as palavras. Evite publicar fotos dessas pessoas tristes e pat\u00e9ticas, mal- vestidas ou descuidadas, isoladas do mundo ou deitadas, sem fazer nada, fazendo alguma coisa estranha ou com pouca dignidade.<\/p>\n<p>As palavras (termos) utilizadas tamb\u00e9m nos parecem de grande preocupa\u00e7\u00e3o. Seja ela falada ou escrita pode ser pejorativa, repassar ou refor\u00e7ar preconceitos ou discrimina\u00e7\u00e3o. Muitas s\u00e3o conden\u00e1veis, mas podemos citar duas como exemplos: os termos \u201cexcepcional\u201d e \u201cmongoloide\u201d.<\/p>\n<p>A ONU, por meio de alguns \u00f3rg\u00e3os ligados a ela, fez uma revis\u00e3o nos termos utilizados em todo o mundo e chegou \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: Quando a gente diz que uma pessoa \u00e9 \u201cexcepcional\u201d, estamos dizendo ao mesmo tempo que ela \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o na sociedade, ou seja, que \u00e9 algu\u00e9m que deve ficar de fora, n\u00e3o podendo se integrar como as demais.<\/p>\n<p>O termo mais correto \u00e9 \u201cpessoas com defici\u00eancia\u201d, podendo ser ainda \u201cpessoas com necessidades educacionais especiais\u201d no \u00e2mbito escolar. E eles devem ser usados mesmo para aquelas com defici\u00eancias mentais.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre em rela\u00e7\u00e3o aos portadores da S\u00edndrome da Down. Quando foi descoberta em 1866, pelo ingl\u00eas John Langdon Down, ele considerou a S\u00edndrome como um regresso \u00e0s ra\u00e7as inferiores, criando assim o termo \u201cMongolian Idiots\u201d (idiotas Mong\u00f3is). Esta express\u00e3o chegou ao Brasil e outros pa\u00edses como \u201cMongoloides\u201d. Assim, amigos e as pr\u00f3prias pessoas com S\u00edndrome t\u00eam manifestado o desejo de se criar um termo que n\u00e3o os classifiquem como pessoas inferiores \u00e0s outras e, ainda, que n\u00e3o seja usado nas ruas como sin\u00f4nimo pejorativo de idiota total pelas pessoas consideradas normais. Assim ficou estabelecido que as express\u00f5es mais corretas s\u00e3o, por exemplo: \u201cMaria tem S\u00edndrome de Down\u201d ou \u201cBeatriz \u00e9 uma menina com S\u00edndrome de Down\u201d ou, ainda, pode-se usar tamb\u00e9m a palavra Down como um termo mais simples: \u201cAnt\u00f4nio \u00e9 uma crian\u00e7a com Down\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, usamos termos que todo mundo usa, mas que sem sabermos refor\u00e7am preconceitos. As palavras s\u00e3o express\u00f5es verbais criadas a partir de uma imagem que nossa mente constr\u00f3i.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa surgem, no entanto, como uma das alternativas para se criar e transmitir uma imagem positiva das pessoas com necessidades especiais dentro da sociedade, como j\u00e1 frisado. Por\u00e9m a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Mesmo tendo poder, aqueles que produzem informa\u00e7\u00f5es, capazes de conquistar mentes e cora\u00e7\u00f5es, poder\u00e3o muitas vezes, apresentar o material trabalhado de forma positiva por uma entidade para divulga\u00e7\u00e3o, de maneira distorcida para o &#8220;grande p\u00fablico&#8221;, transmitindo a mensagem &#8220;errada&#8221;. Isto porque jornais, revistas e TVs possuem suas pr\u00f3prias ideias do que s\u00e3o pessoas com defici\u00eancias mentais e, como qualquer membro da popula\u00e7\u00e3o pass\u00edveis de erros de interpreta\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o, por exemplo, assim tamb\u00e9m ocorre com os equ\u00edvocos a respeito da defici\u00eancia mental.<\/p>\n<p>Isto tamb\u00e9m pode ocorrer porque rep\u00f3rteres, fot\u00f3grafos e editores t\u00eam o seu orgulho profissional e querem, muitas vezes, colocar sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o no material que lhes \u00e9 oferecido. Segundo Scheaker (1989, p. 22), mas, mesmo assim, existem coisas que uma associa\u00e7\u00e3o pode fazer para ajudar os meios de comunica\u00e7\u00e3o a apresentarem pessoas com defici\u00eancia mental de uma maneira positiva, recomendando: \u201cFa\u00e7a com que a imprensa saiba que a associa\u00e7\u00e3o considera o que eles dizem sobre pessoas deficientes mentais \u00e9 importante e o porqu\u00ea. Se uma hist\u00f3ria nos meios de comunica\u00e7\u00e3o reafirma um dos mitos negativos sobre deficientes mentais (que s\u00e3o \u201cloucas\u201d ou \u201cperigosas\u201d, por exemplo) ou refere-se a elas de maneira depreciativa (como chamar pessoa com S\u00edndrome de Down de \u201cmongoloide\u201d), envia-se uma carta da associa\u00e7\u00e3o, mostrando-lhes onde est\u00e3o os erros: os meios de comunica\u00e7\u00e3o desejam ser populares com seus leitores, ouvintes e espectadores; assim, eles, provavelmente, notar\u00e3o esta rea\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>PUBLICIDADE<\/strong><\/p>\n<p>E na publicidade, qual o espa\u00e7o reservado h\u00e1 pessoas com defici\u00eancia? Nos Estados Unidos, por exemplo, as ag\u00eancias de publicidade desde a metade da d\u00e9cada de 90 j\u00e1 despertaram para o potencial dessas pessoas. H\u00e1 pe\u00e7as publicit\u00e1rias, tanto americanas, como europeias, nas quais elas participam como atores de propagandas para TV de marcas famosas como Mc\u2019Donalds, Sabonetes Savory, T\u00eanis Nike, IBM, dentre outras, n\u00e3o falando de defici\u00eancias ou deficientes; falam dos produtos, sabonetes, sandu\u00edches etc. E a aceita\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico tem sido t\u00e3o grande que a Associa\u00e7\u00e3o Americana de Paral\u00edticos desde 1993 tem concedido um \u201cOscar\u201d para a melhor publicidade desse tipo.<\/p>\n<p>Mas aqui no Brasil, pessoas com defici\u00eancia ainda s\u00e3o personagens apenas de propagandas institucionais. E, algumas vezes, de maneira negativa. Exemplo disto foi uma campanha realizada em 1995 pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Reabilita\u00e7\u00e3o (ABBR), na qual um an\u00fancio foi veiculado em TV, jornais, r\u00e1dios e revistas; nele, uma crian\u00e7a paral\u00edtica era mostrada andando com a ajuda de muletas sob o t\u00edtulo \u201ctem gente ainda que acha dif\u00edcil andar at\u00e9 o telefone\u201d. O mesmo fez, certa vez, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Distrofia Muscular (ABDM) num impresso de uma p\u00e1gina inteira de revista em que o t\u00edtulo em tipos grandes, mai\u00fasculos, largos em negrito dizia: \u201cQuem tem distrofia muscular n\u00e3o consegue levantar os bra\u00e7os. Quanto mais, dinheiro\u201d; era seguido por um grande texto explicando a doen\u00e7a e o tratamento e logotipo mostrava um boneco ca\u00eddo. S\u00e3o dois de muitos exemplos de antigas campanhas publicit\u00e1rias que acentuavam mais as limita\u00e7\u00f5es do que as potencialidades dessas pessoas (talvez, eram reflexos das campanhas de sa\u00fade p\u00fablicas da d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX, nas quais havia coisas como caveiras, dedos decepados e crian\u00e7as deformadas pela var\u00edola em que a ideia era transmitir mensagens claras e objetivas, despertando nas pessoas uma boa dose de medo, abrigando-as a pensar sobre o assunto.)<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o podemos analisar essas campanhas publicit\u00e1rias de forma plural, pois cada caso \u00e9 um caso. H\u00e1 casos em que a adequa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pertinente, mas tamb\u00e9m h\u00e1 casos em que acaba sendo ofensivo a quem tem uma defici\u00eancia pelo fato da mensagem est\u00e1 malfeita. E, sendo ofensiva a eles, acaba sendo ofensiva \u00e0 comunidade que, mesmo n\u00e3o tendo defici\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, s\u00e3o pessoas sens\u00edveis.<\/p>\n<p>J\u00e1 houve casos de propagandas dessa natureza utilizada como protesto. Em 1994, uma foi veiculada na m\u00eddia impressa, tendo a foto de um garoto assombriado, sentado numa cadeira de rodas; o fundo era preto e as letras brancas, em que o t\u00edtulo mai\u00fasculo estava grande e fortemente dizia: \u201cSenhor Prefeito: Eu tamb\u00e9m sou tetra\u201d. Assinado pela Funda\u00e7\u00e3o Selma, de S\u00e3o Paulo, o texto ao lado da foto, protestava:<\/p>\n<p>O prefeito da cidade de S\u00e3o Paulo, Paulo Maluf, empenhou-se em uma grande causa: conseguir junto aos empres\u00e1rios verba para a compra de 22 autom\u00f3veis Gol 1000 para presentear a sele\u00e7\u00e3o brasileira. Foi \u00f3timo, mas a gente s\u00f3 gostaria de lembrar que existem outros brasileiros que tamb\u00e9m s\u00e3o tetra mesmo n\u00e3o tendo jogado na Copa do Mundo. S\u00e3o pessoas mantidas por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o Selma, que atende dezenas desses campe\u00f5es, todos eles t\u00e3o importantes quanto a nossa sele\u00e7\u00e3o. Sr. Perfeito, ser\u00e1 que tamb\u00e9m n\u00e3o dava para conseguir uma verbinha para ajudar esta sele\u00e7\u00e3o menos privilegiada, mas n\u00e3o menos brasileira?<\/p>\n<p>A publicidade pode contribuir principalmente em campanhas de esclarecimentos na derrubada de preconceitos. Talvez, o primeiro exemplo disto ocorreu em 1980 \u2013 Ano Internacional da Pessoa Deficiente, a Central de Outdoor, em S\u00e3o Paulo, lan\u00e7ou um concurso em que concorreram 485 cartazes. O vencedor foi um em que a palavra \u201cdeficiente\u201d era escrita bem grande, sendo a letra \u201cd\u201d rasgada, ficando \u201ceficiente\u201d e abaixo dizia: \u201cRasgue o seu preconceito\u201d.<\/p>\n<p>Essas campanhas publicit\u00e1rias progrediram muito nos \u00faltimos anos, principalmente, por parte governamental. Tem um bom exemplo de um cartaz da campanha de vacina\u00e7\u00e3o, no qual um rapaz sentado numa cadeira de rodas, tendo atr\u00e1s sua esposa, \u00e0 direita uma filha e um beb\u00ea em seu colo; est\u00e3o todos sorrindo, passando a imagem de uma fam\u00edlia feliz, ele na posi\u00e7\u00e3o de marido e pai, o que derruba o velho estere\u00f3tipo que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo dizia que pessoas com defici\u00eancia eram assexuadas e n\u00e3o podiam constituir fam\u00edlias e coisas dessa natureza. O t\u00edtulo dizia: \u201cPaulo Lima teve p\u00f3lio. Os filhos dele n\u00e3o v\u00e3o ter\u201d. E o texto destacava uma vit\u00f3ria brasileira: \u201cDesde 1980, o Brasil vem vacinando todas as crian\u00e7as com menos de 5 anos. O resultado \u00e9 que a paralisia infantil foi varrida do nosso mapa. Agora temos que a manter bem longe. (&#8230;) Fa\u00e7a como o Paulo: D\u00ea a vacina para quem voc\u00ea deu a vida\u201d.<\/p>\n<p>Na publicidade brasileira tamb\u00e9m temos um exemplo positivo de normalidade. A psic\u00f3loga e publicit\u00e1ria Mara Gabrilli causou pol\u00eamica para uns e arrancou aplausos de outros quando, em 2000, foi a primeira tetrapl\u00e9gica, devido a um acidente de carro ocorrido em 1994, a posar nua no Brasil, sendo capa de setembro da revista Trip. Um ano depois, tornou-se a nova modelo da Duloren, a segunda maior f\u00e1brica de roupas \u00edntimas do pa\u00eds. Maquiada e penteada durante duas horas, posou nas fotos da propaganda em sua cadeira de rodas, vestido calcinhas e suti\u00e3s de rendas e a campanha foi lan\u00e7ada nacionalmente no dia 8 de mar\u00e7o de 2001, justamente no Dia Internacional da Mulher. Mara destacou-se em todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o por ter tido tais posturas de coragens, tornando-se para muitos, pessoas com defici\u00eancia ou n\u00e3o, um exemplo de bem-estar com o seu pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p><strong>AS CADEIRAS DE RODAS<\/strong><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que merece uma profunda reavalia\u00e7\u00e3o de conceito \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que se utilizam de cadeiras de rodas para a sua locomo\u00e7\u00e3o e, como aparecem na m\u00eddia, refor\u00e7ando um dos maiores erros de vis\u00e3o cometidos pela sociedade, devido \u00e0 falta de aten\u00e7\u00e3o dos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o, colaborando para uma vis\u00e3o err\u00f4nea, quando reproduzem exaustivamente a imagem da pessoa em cadeira de rodas, usando um \u201ccobertor xadrez\u201d sobre as pernas.<\/p>\n<p>Essa imagem \u00e9 transmitida historicamente, tendo como base as primeiras imagens vindas da fria Europa, na qual, no p\u00f3s-guerra, alguns militares combatentes tornaram-se pessoas com defici\u00eancia e, consequentemente, passaram a utilizar-se de cadeiras de rodas para sua locomo\u00e7\u00e3o. Nos pa\u00edses europeus, o clima gelado \u00e9 constante na maior parte do ano e, uma vez que a pessoa na cadeira de roda tem pouca circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea nas pernas, tendo uma sensibilidade ao frio ainda maior, justifica-se o uso desses cobertores.<\/p>\n<p>Mas no Brasil, um pa\u00eds tropical e praticamente quente durante todo o ano, nada justifica que continue a utiliza\u00e7\u00e3o do \u201ccobertor xadrez\u201d sobre as pernas dessas pessoas, o que tamb\u00e9m pode significar uma conota\u00e7\u00e3o negativa da inten\u00e7\u00e3o de esconder a parte paralisada do corpo. Essa imagem reproduzida sem qualquer crit\u00e9rio ou avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 constante na m\u00eddia, nas telenovelas, em pe\u00e7as de teatros, cinemas e em campanhas de utilidade p\u00fablica que ainda n\u00e3o desenvolveram uma percep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a este estere\u00f3tipo que refor\u00e7a, principalmente em pa\u00edses quentes como o Brasil, a ideia de vergonha do corpo, deforma\u00e7\u00e3o, fei\u00fara e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Um outro erro que tamb\u00e9m \u00e9 cometido \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s express\u00f5es que usam ao se referir a essas pessoas. Express\u00f5es como \u201ccondenados\u201d, \u201cconfinados\u201d, \u201cpresos\u201d a uma cadeira de rodas. Elas refletem totalmente o contr\u00e1rio do verdadeiro significado de uma cadeira de rodas, sendo um instrumento para suprir a dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o de seu usu\u00e1rio, tornando-se um instrumento para a sua independ\u00eancia, para sua liberta\u00e7\u00e3o, para a vida! Por isso, al\u00e9m da necessidade de se acabar com a estereotipada imagem do \u201ccobertor xadrez\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio trocar essas ultrapassadas express\u00f5es para \u201cpessoas que se utilizam de cadeiras de rodas para sua locomo\u00e7\u00e3o\u201d ou simplesmente \u201cusu\u00e1rios de cadeiras de rodas\u201d e, agora, \u201ccadeirantes\u201d.<\/p>\n<p>Trata-se de uma quest\u00e3o t\u00e3o delicada, que levou RESENDE, SANTANA e SILVA (1999, p. 07) a fazerem tal reflex\u00e3o em um artigo na imprensa:<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma discuss\u00e3o necess\u00e1ria para que se possa diferenciar a cadeira de rodas dos usu\u00e1rios, enxergando que eles n\u00e3o formam um. A cadeira de rodas \u00e9, apesar da rela\u00e7\u00e3o de carinho que as pessoas t\u00eam com ela, apenas um instrumento facilitador das atividades de vida independente. Essa forma de associa\u00e7\u00e3o do instrumento com a pessoa foi percebida na coluna \u201cAut\u00f3psia da Insensatez\u201d, publicada em 20\/06\/99, por Gilberto Dimenstein, no jornal Folha de S\u00e3o Paulo.\u00a0 Neste espa\u00e7o da m\u00eddia, encontramos o que no nosso modo de enxergar \u00e9 um equ\u00edvoco: \u201c&#8230;Ningu\u00e9m vai encontrar alegria, muito menos liberdade, num vel\u00f3rio ou cadeira de rodas\u201d. Perder um ente querido n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que ter algu\u00e9m da fam\u00edlia vivo e com liberdade de andar em cadeira de rodas. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 com amea\u00e7as desconectadas da realidade que se educa uma pessoa que n\u00e3o sabe a diferen\u00e7a entre um motorista e um piloto de corrida. (&#8230;) Certamente Gilberto Dimenstein desconhecia a realidade das pessoas portadoras de defici\u00eancia f\u00edsica, pois fundiu sofrimento, cadeira de rodas e a pessoa que a utiliza, distorcendo a realidade para exemplificar negativamente uma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>NA TELEVIS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Nas produ\u00e7\u00f5es da televis\u00e3o brasileira t\u00eam surgido algumas aberturas para a quest\u00e3o da pessoa com defici\u00eancia. Prova disto foi a telenovela \u201cUma hist\u00f3ria de amor\u201d, escrita por Manoel Carlos, Rede Globo, 1996. Dando aten\u00e7\u00e3o especial ao personagem Assun\u00e7\u00e3o, deficiente f\u00edsico usu\u00e1rio de cadeira de rodas interpretado pelo ator Nuno Leal Maia, o projeto recebeu boas cr\u00edticas vindas de entidades de pessoas com defici\u00eancia, as quais enviavam centenas de cartas pedindo que o personagem n\u00e3o voltasse a andar no final para n\u00e3o fugir da sua realidade t\u00e3o bem constru\u00edda.<\/p>\n<p>Nuno, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia interpretado personagens dessa natureza, n\u00e3o decepcionou, demonstrando intimidade com a cadeira de rodas.\u00a0 Em sua prepara\u00e7\u00e3o, o ator levou alguns \u201cesperados\u201d tombos, que at\u00e9 ent\u00e3o em sua vida pessoal s\u00f3 havia tido contatos superficiais com pessoas com defici\u00eancia. Encenar para ele um personagem parapl\u00e9gico foi para uma experi\u00eancia nova, segundo declarou numa entrevista na \u00e9poca: \u201cEu passei a prestar mais aten\u00e7\u00e3o aos deficientes e nas dificuldades que eles enfrentam no seu dia a dia. Como se n\u00e3o bastasse, o texto de Manoel Carlos vai muito na ferida, dando margem ao ator se emocionar\u201d.<\/p>\n<p>Outro grande momento em que uma pessoa com defici\u00eancia marcou presen\u00e7a na telenovela brasileira foi em \u201cMapa da Mina\u201d, escrita por Cassiano Gabus Mendes, levando para todo o Brasil, em 1993, a imagem de Luiz Felippe Badin, um ator com s\u00edndrome de Down no papel de um oficce-boy de uma empresa, dando uma cutucada em muitos profissionais de sa\u00fade, no sentido de alert\u00e1-lo sobre a singularidade de ser humano.<\/p>\n<p>As telenovelas, assim como outras produ\u00e7\u00f5es da teledramat\u00fargia, tamb\u00e9m podem se revelar como grandes aliadas contra o preconceito, se abrirem novos espa\u00e7os para que se desenvolvam personagens devidamente constru\u00eddos nas representa\u00e7\u00f5es de bons atores. A televis\u00e3o tem uma grande capacidade de construir e destruir mitos!!!<\/p>\n<p>Todavia, pedimos um par\u00eantese aqui em nossa exposi\u00e7\u00e3o para tra\u00e7armos algumas considera\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas. O problema da figura de pessoa defici\u00eancia como personagem de cinema ou televis\u00e3o esbarra-se na constru\u00e7\u00e3o do roteiro. Segundo os manuais para roteristas, uma personagem n\u00e3o tem que ser real, mas sim, veross\u00edmil. O Realismo, por exemplo, \u00e9 uma linguagem est\u00e9tica centrada no real e constru\u00edda a partir dos objetivos e seres que comp\u00f5em o mundo concreto. O Realismo, portanto, n\u00e3o \u00e9 a realidade concreta, mas sim uma inven\u00e7\u00e3o que nos d\u00e1 a ilus\u00e3o do real.\u00a0 \u00c9 o que chamamos de veross\u00edmil, que nos parece verdadeiro.<\/p>\n<p>O que podemos tirar desse conceito de real e veross\u00edmil \u00e9 o seguinte: Os roteiristas e diretores, ou mesmos os atores, quando criam suas produ\u00e7\u00f5es, preocupam-se com a vorossimidade &#8211; e algumas vezes com o sucesso e audi\u00eancia &#8211; e quase nunca (pois h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es) fazem uma pesquisa mais profunda do que realmente \u00e9 uma pessoa (futuro personagem) com qualquer tipo de defici\u00eancia. Assim, utilizam-se de velhos conceitos que envolvem a imagem negativa dessas pessoas ou qualquer outro grupo marginalizado e estereotipado no contexto social, refor\u00e7ando os preconceitos do grande p\u00fablico. A falta de maiores estudos e elabora\u00e7\u00f5es \u00e9 o tipo de cuidado que sempre passam despercebidos nas culturas de massa.<\/p>\n<p>Prova da capacidade televisiva, foi uma campanha do cantor Roberto Carlos, no Natal de 1991, na Rede Globo. A campanha teve como tema \u201cA crian\u00e7a e o idoso brasileiro\u201d. Durante toda a tarde entre outras atra\u00e7\u00f5es mostraram reportagens sobre os problemas e sa\u00eddas para os mesmos. Mas o ponto-chave desse evento que nos interessa aqui no presente trabalho foi a divulga\u00e7\u00e3o do \u201cExame do pezinho\u201d, o qual \u00e9 realizado em rec\u00e9m-nascido entre 0 a 30 dias de vida para se detectar doen\u00e7a, evitando retardamento mental\u00a0 na crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Tendo como t\u00f4nica \u201cprevenir tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de amar\u201d, a Rede Globo em conv\u00eanio com as APAEs (Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Excepcionais) de todo o Brasil montou pontos de exames em todas as capitais do pa\u00eds. Nesses pontos, artistas, atletas e personalidades falavam ao vivo com Roberto Carlos que, do palco do Rio de Janeiro, comandava a campanha. E, mostrando reportagens e entrevistas com especialistas, in\u00fameras m\u00e3es foram informadas naquela tarde sobre a exist\u00eancia do exame: como \u00e9 feito, sua import\u00e2ncia e os problemas que ele pode evitar. E assim o objetivo foi alcan\u00e7ado: Divulgar que, a partir de 1992, o exame do pezinho seria realizado em todos os hospitais e postos de sa\u00fade do Brasil e, se levado a s\u00e9rio, diminuir\u00e1 a excepcionalidade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outro ponto interessante do Especial Roberto Carlos foi a reexibi\u00e7\u00e3o de alguns comerciais da UNICEF. Eram v\u00eddeos mostrando a realidade, problemas e viol\u00eancia contra crian\u00e7as no Brasil, mostrando estat\u00edsticas numa linguagem bem clara e direta, em que no final aparecia a seguinte indaga\u00e7\u00e3o: \u201cQue esperan\u00e7a podemos dar a essas crian\u00e7as?\u201d. Esses filmes eram bem-elaborados e adequados para nossa \u00e9poca. Infelizmente, eles ficaram pouco tempo no ar.<\/p>\n<p>Mas a televis\u00e3o tamb\u00e9m tem os seus exemplos negativos, refor\u00e7ando mitos e preconceitos. Certa vez, por exemplo, o programa dominical da Rede Globo, Fant\u00e1stico, mostrou a reportagem de uma mo\u00e7a tetrapl\u00e9gica pulando com o seu instrutor de p\u00e1ra-quedas. Durante a exibi\u00e7\u00e3o das imagens do salto, sin\u00f4nimo de liberdade, o rep\u00f3rter, em uma contradi\u00e7\u00e3o, afirmava em cima da cena que ela era \u201cuma prisioneira de sua cadeira de rodas\u201d. No extinto programa Fanzine (TV-Cultura, 23\/09\/92), apresentado por Marcelo Rubens Paiva, foi debatido o uso da cadeira de rodas. Por\u00e9m, o VHS exibido mostrou cenas negativas de um hospital, merecendo protesto dos convidados e do pr\u00f3prio apresentador do programa. No telejornal SP-J\u00c1 (Rede Globo, 08\/06\/92), durante uma reportagem da visita da atriz Shirley Maklen ao Brasil, no final, o \u00e2ncora comentou: \u201cA atriz recebeu flores e um quadro pintado por uma deficiente f\u00edsica\u201d, o que ao nosso ponto de vista colocou\/destacou a defici\u00eancia acima da pr\u00f3pria obra de arte. S\u00e3o todos detalhes negativos que precisam come\u00e7ar a ser percebidos e corrigidos pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p><strong>COMO A PSICOLOGIA SOCIAL PODER\u00c1 CONTRIBUIR<\/strong><\/p>\n<p>Por um lado, os meios de comunica\u00e7\u00f5es sociais podem trazer preju\u00edzos ps\u00edquicos para as pr\u00f3prias pessoas com algum tipo de defici\u00eancia, quando a m\u00eddia veicula muito o estere\u00f3tipo da mulher e do homem \u201cmodelo\u201d, muitas pessoas se sentem desencaixadas deste estere\u00f3tipo e acabam se fechando num mundinho muito particular com medo de expor-se e n\u00e3o se sentir aceitas. Mas a principal quest\u00e3o em pauta \u00e9 como a imagem da pr\u00f3pria pessoa com defici\u00eancia \u00e9 repassada pela m\u00eddia ao grande p\u00fablico. E, para que isto se normalize, o \u201cM\u00eddia e Defici\u00eancia\u201d (1994, p. 07) recomenda: \u201cDe uma forma geral, as alus\u00f5es \u00e0 pessoa com defici\u00eancia devem ser feitas evitando-se a valoriza\u00e7\u00e3o excessiva de defici\u00eancia. Superestimar ou subestimar o indiv\u00edduo, baseando-se apenas no que denota sua defici\u00eancia \u00e9 um s\u00e9rio erro que sempre refor\u00e7a estigmas e preconceitos. Cada indiv\u00edduo \u00e9 \u00fanico e deve ser respeitado como tal. As pessoas com defici\u00eancia desejam ser consideradas apenas como pessoas, com direitos e deveres iguais aos dos demais cidad\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o raras vezes, os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia de seu papel. Muitas vezes, eles esquecem que trabalham com o discurso e, portanto, com os signos e s\u00edmbolos que trazem imbutidos conceitos, imagin\u00e1rios e, por extens\u00e3o, ideologias. N\u00e3o entender estes mecanismos leva o profissional a refor\u00e7ar preconceitos e estere\u00f3tipos. Mas isto n\u00e3o pode ser tomado como regra para todos. Os comunicadores \u2013 salvo alguns \u2013 sempre s\u00e3o profissionais livres de preconceitos e, quando os cometem, \u00e9 por falta de informa\u00e7\u00e3o, pois, bem-informados, se pro\u00edbem de ter preconceitos. E a Psicologia Social pode colaborar em m\u00e3o dupla, tanto na identifica\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos e estigmas em mensagens veiculadas, quanto no treinamento desses profissionais para que aprimorarem as suas consci\u00eancias.<\/p>\n<p>Os psic\u00f3logos sociais tamb\u00e9m poder\u00e3o colaborar com as entidades DE e\/ou PARA pessoas com defici\u00eancias a organizar a educa\u00e7\u00e3o da comunidade por meio de programas de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Uma forma de intermediar isto ser\u00e1 convidar os profissionais da imprensa para conhecer esse seguimento de pessoas, seus setores e atividades. S\u00f3 que antes ter\u00e3o que preparar o terreno, cujas recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o de Scheakar (1989, p. 21-22):<\/p>\n<div>&#8211; Conhe\u00e7a a pessoa-chave que ser\u00e1 respons\u00e1vel pela mat\u00e9ria que voc\u00ea oferece. Ela pode ser o editor de um jornal ou r\u00e1dio local ou, em cidades grandes, um rep\u00f3rter que tem como dever trabalhar em quest\u00f5es de \u201cbem-estar social\u201d.<\/div>\n<p>&#8211; Se poss\u00edvel, marque um encontro com esta pessoa para descobrir que tipo de material a interessaria e como elas gostariam de apresent\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Convide-as a visitarem o servi\u00e7o ou programa de seu setor para conhecerem alguns membros e os pacientes envolvidos, numa ocasi\u00e3o social informal. Lembre-se que pessoas da imprensa s\u00e3o tamb\u00e9m membros do p\u00fablico e talvez precisem de alguma ajuda para seus pr\u00f3prios temores, ignor\u00e2ncia e embara\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o espere que elas consigam lidar com isso sozinhas.<\/p>\n<p>&#8211; Quando voc\u00ea tiver uma boa mat\u00e9ria para oferecer aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, tente pensar antes como voc\u00ea gostaria de v\u00ea-la apresentada e se criar\u00e1 uma impress\u00e3o positiva de seus pacientes.<\/p>\n<p>&#8211; Lembre-se que h\u00e1 tamb\u00e9m outras mensagens positivas a serem transmitidas, como exemplos de coopera\u00e7\u00e3o com grupos da comunidade e atividade, as quais s\u00e3o apreciadas por todos.<\/p>\n<p>&#8211; Lembre-se de enfatizar aspectos positivos da vida dos pacientes em ambientes diversos, pode dar uma vis\u00e3o mais equilibrada e otimista.<\/p>\n<p>&#8211; Quando um rep\u00f3rter e\/ou fot\u00f3grafo vier visitar o seu setor, ou conhecer o seu projeto, pense que talvez eles n\u00e3o sejam pessoas que j\u00e1 passaram por algum trabalho educativo ou cient\u00edfico. Lembre-se que a educa\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o devem acontecer a todo tempo, pois cada novo membro da imprensa, possivelmente, precisar\u00e1 de ajuda para entender a imagem e conceito que voc\u00ea est\u00e1 tentando transmitir.<\/p>\n<p>&#8211; Lembre-se, tamb\u00e9m, que elas t\u00eam seu orgulho profissional e n\u00e3o gostam de que se lhes diga o que t\u00eam de fazer. Seja moderado, persuasivo e explique suas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Lembre-se que o \u201cfeedback\u201d \u00e9 importante. Uma carta de aprecia\u00e7\u00e3o, quando a mat\u00e9ria saiu bem, ajudar\u00e1 a manter um clima positivo para a pr\u00f3xima, al\u00e9m de refor\u00e7ar o bom relacionamento.<\/p>\n<p>&#8211; Mas se a mat\u00e9ria saiu \u201cruim\u201d, tente achar pelo menos uma coisa boa para dizer sobre ela, antes de reclamar. Os membros da imprensa s\u00e3o pessoas tamb\u00e9m com direito de erros e acertos.<\/p>\n<p>Est\u00e1 aqui, portanto, um novo campo que poder\u00e1 ser explorado para Psicologia Social: as pessoas com defici\u00eancias e a elimina\u00e7\u00e3o de seus estere\u00f3tipos e estigmas repassados socialmente via m\u00eddia. S\u00f3 para concluirmos, lembramos um outro trecho de GUARESCHI (1991, p. 70), quando ele afirma que \u201cna parte que nos compete como intelectuais que se colocam a servi\u00e7o da descoberta duma verdade que liberta e no campo espec\u00edfico da Psicologia Social (&#8230;) temos consci\u00eancia de que a universidade s\u00f3 tem sentido na medida em que se coloca a servi\u00e7o de toda a sociedade, principalmente a mais segregada, descriminada e explorada\u201d.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p>FIGUEIRA, E. <strong>O portador de fissura l\u00e1bio-palatal e\/ou de outras defici\u00eancias como personagens de fic\u00e7\u00e3o: dos mitos a realidade social.<\/strong> Bauru; HRAC\/USP, 1998. [Monografia]<strong><\/strong><\/p>\n<p>GUARESCHI, P.A. et al. <strong>Comunica\u00e7\u00e3o &amp; controle social<\/strong>. Petr\u00f3polis; Vozes, 1991.<\/p>\n<p><strong>M\u00cdDIA E DEFICI\u00caNCIA \u2013 MANUAL DE ESTILO<\/strong>. 2 ed. Bras\u00edlia; CORDE-CVI\/RJ, 1994.<\/p>\n<p>RESENDE, A.P.C. de: SANTANA, C.M.M. de. &amp; SILVA, I.A.da. A imagem da liberdade. Rio de Janeiro; <strong>SuperA\u00e7\u00e3o<\/strong>, julho\/agosto de 1999.<\/p>\n<p>SCHEAKER, A. Manual sobre como apresentar as pessoas com defici\u00eancia mental. Bras\u00edlia; Federa\u00e7\u00e3o Nacional das APAEs, 1989.<br \/>\n____________________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.planetaeducacao.com.br\/portal\/artigo.asp?artigo=1871\">Planeta Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o de como a imagem de pessoas com defici\u00eancia \u00e9 veiculada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa ao grande p\u00fablico vem ganhando aten\u00e7\u00e3o no Brasil. 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