{"id":17931,"date":"2010-11-11T08:14:22","date_gmt":"2010-11-11T11:14:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=17931"},"modified":"2010-11-11T08:14:22","modified_gmt":"2010-11-11T11:14:22","slug":"olho-mas-nao-me-reconheco-a-crianca-negra-na-literatura-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=17931","title":{"rendered":"Olho, mas n\u00e3o me reconhe\u00e7o: a crian\u00e7a negra na literatura infantil"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<figure style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" title=\"Crian\u00e7as negras lendo\" src=\"http:\/\/www.geledes.org.br\/images\/plg_imagesized\/8181-criancas_negras_lendo.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as negras lendo\" width=\"240\" height=\"196\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por Jahelina Almeida<\/strong><\/p>\n<p>E foi a partir de um epis\u00f3dio que surgiu a inquieta\u00e7\u00e3o e pude perceber que se fazem necess\u00e1rias discuss\u00f5es sobre quest\u00f5es relativas \u00e0 identidade, representa\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o entre o que somos e como somos e o que vemos, e como nos vemos e somos vistos. Por isso, o fa\u00e7o men\u00e7\u00e3o a olhar e n\u00e3o se reconhecer no t\u00edtulo, pois nem sempre refletimos o que somos ou queremos ser, o que n\u00f3s vemos ou queremos ver, o que os outros v\u00eaem de n\u00f3s: apenas reflete. E sobre essa quest\u00e3o de identidade e pertencimento ou nega\u00e7\u00e3o dos dois, o espelho se faz vazio, sem reflexo, sem imagem? Como revelar a crian\u00e7a negra, afro-descendente, sua imagem, sua identidade? Faz\u00ea-la se olhar e se ver refletida n\u00e3o num espelho vazio, mas cheio de imagens que d\u00e3o o que falar, que remetem a uma bela hist\u00f3ria, a v\u00e1rias narrativas, ricas, coloridas, negras, orais, tribais&#8230; africanas?<br \/>\n&#8220;Gente, hoje trouxe um livro do qual gosto muito, e quero ler para voc\u00eas!&#8221; E assim comecei a fazer a leitura do livro Menina bonita do la\u00e7o de fita, de Ana Maria Machado, e cada p\u00e1gina que eu avan\u00e7ava na leitura tinha uma aluna que se contorcia ou se mexia , que demonstrava seu desagrado diante de tal escolha da leitura. Em um determinado momento, j\u00e1 quase do meio para o fim da leitura, a aluna falou, l\u00e1 de sua cadeira: &#8220;Oh professora, eu n\u00e3o gosto desse livro n\u00e3o!&#8221; Logo ela, que amava todas as leituras que eu realizava, que estava descobrindo a leitura naquele ano, ela, representante dos afro-descendentes, vir com aquela fala&#8230; Mas eu n\u00e3o me intimidei e n\u00e3o fiz o que me pedia, continuei a ler at\u00e9 o fim, mesmo vendo-a fazer caras e bocas. Quando terminei de ler, ela adorou, n\u00e3o a hist\u00f3ria, mas o fato de n\u00e3o precisar mais ouvir aquela hist\u00f3ria &#8220;chata&#8221;.<br \/>\nDepois desse relato, fa\u00e7o algumas observa\u00e7\u00f5es ou tiro algumas pr\u00e9-conclus\u00f5es, ou melhor, fa\u00e7o minhas leituras a respeito do comportamento da crian\u00e7a diante da leitura do livro: acredito que grande parte do desconforto da aluna ( 4\u00ba ano , 9 anos de idade) vem da sua cor, pois o livro faz men\u00e7\u00e3o a uma crian\u00e7a negra, pretinha e ela \u00e9 a \u00fanica crian\u00e7a negra na nossa sala, ou era at\u00e9 o ano passado. Hoje contamos com um menino tamb\u00e9m; toda vez que lia os porqu\u00eas do livro explicando por que\/ como ficar pretinho todos a olhavam e aqueles olhares lhe causaram mal estar, ela se sentia incomodada , pois ali se sentia n\u00e3o como representada, como exaltada, mas como a diferente da sala, a negra, inferiorizando-se, j\u00e1 que n\u00e3o se assume enquanto afro-descendente.<br \/>\nUma outra leitura que pode ser feita tamb\u00e9m \u00e9 que ela n\u00e3o se identifica como a menina bonita pretinha, ela se nomeia morena clara, quando questionada sobre sua cor, logo n\u00e3o se identifica como afro-descendente; n\u00e3o se v\u00ea representada naquela hist\u00f3ria, naquelas imagens.<br \/>\nPara nos apoiar nessas discuss\u00f5es sobre identidade nos basearemos em Tadeu (2002). No que se refere \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, nos ancoraremos em Chartier (1990) e no que tange \u00e0 literatura infanto-juvenil brasileira, (teremos como suporte Sousa, 2005 a, 2005b), e, para finalizar, sobre crian\u00e7a negra, Priore (2006) e outros autores para dar suporte e embasamentos \u00e0s discuss\u00f5es aqui enfatizadas.<br \/>\nDiscutir a representatividade ou o bem-estar que a crian\u00e7a tem com a imagem que ela v\u00ea quando se coloca diante do espelho vai al\u00e9m de discutir identidade, id\u00e9ia de representa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 discutir, sobretudo, como historicamente essa imagem foi e vem sendo constru\u00edda ao longo dos anos da hist\u00f3ria brasileira. Sabemos que no ano de 2003 a Lei 10.639\/2003 atualizou a Lei de Diretrizes Bases da Educa\u00e7\u00e3o 9394, regulamentando e tornando obrigat\u00f3rio o estudo da Hist\u00f3ria e Cultura Afro-brasileira e incluindo o 20 de novembro como dia nacional da Consci\u00eancia Negra. Foi preciso que se criasse uma lei, que fosse imposta, e que houvesse um chamamento para que se percebesse o descaso e desrespeito com que \u00e9(ra) tratada a sociedade africana que ajudou com bra\u00e7os e corpos, emo\u00e7\u00f5es, intelig\u00eancia e negocia\u00e7\u00f5es a formar e tecer os fios ricos e m\u00faltiplos desse territ\u00f3rio espacial chamado de Brasil, brasis, e brasis dentro do Brasil.<br \/>\nFoi e \u00e9 preciso que se vigore uma lei para que alunos de toda educa\u00e7\u00e3o, do infantil ao superior, leia, estude, saiba das contribui\u00e7\u00f5es que os africanos delegaram \u00e0 hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds. Mesmo que ainda caiamos naquelas hist\u00f3rias de tristezas e sofrimento, onde o negro \u00e9 visto como inferior, pobrezinho, ou como mal, que mata o patr\u00e3o, o b\u00eabado, o favelado, \u00e9 preciso mais que isso pra resgatar nos afro-descendentes um valor em se reconhecer ou se afirmar enquanto par do africano escravizado, \u00e9 preciso mostrar \u00e0s crian\u00e7as e aos adultos que o que o africano trouxe para o Brasil foi mais que for\u00e7a bra\u00e7al, foi for\u00e7a tamb\u00e9m cultural, religiosa, na linguagem falada com seus dialetos variados, nas afetividades, tradi\u00e7\u00f5es, que atravessaram oceanos e n\u00e3o se perderam, mas foram transformadas, negociadas, sincronizadas para n\u00e3o serem proibidas pelos novos olhos que as viam, que as estranhavam.<br \/>\nComecemos a apresentar a hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds sobre ou a partir das contribui\u00e7\u00f5es que foram trazidas pelos africanos. Mostremos tamb\u00e9m a Hist\u00f3ria da \u00c1frica, assim como estudamos a da Europa, dos pa\u00edses asi\u00e1ticos. E assim estaremos ensinando \u00e0s nossas crian\u00e7as que todas t\u00eam seu valor, contribui\u00e7\u00e3o, no mosaico da hist\u00f3ria brasileira, desde a contribui\u00e7\u00e3o do adulto africano, como da pr\u00f3pria crian\u00e7a e do que ela fazia e o que se fazia dela no Brasil escravocrata e p\u00f3s-escravocrata.<br \/>\nE falando em crian\u00e7as, me reporto ao livro Hist\u00f3ria da crian\u00e7a no Brasil, organizado por Priore (2006), quando estuda o tema crian\u00e7a num texto referente a crian\u00e7as mulatas, mostrando que estas viviam por ai, eram desvalorizadas de tal forma a causar espanto. As crian\u00e7as negras eram tidas em sua maioria como filhos ileg\u00edtimos, moravam com suas m\u00e3es, na maioria das vezes, sem pai, quando e se as m\u00e3es trabalhassem na casa grande, tinham o direito de viver perto dos brancos e ag\u00fcentar as terr\u00edveis brincadeiras que os amos pequenos faziam com elas. Quando cresciam, eram ensinados of\u00edcios, termo substitu\u00eddo, no texto &#8220;Crian\u00e7as escravas, crian\u00e7as dos escravos&#8221;, dos autores Florentino e Goes (2006), pela palavra adestramento, para se referir aos of\u00edcios ensinados \u00e0s crian\u00e7as, que eram treinadas, desde cedo, e que faziam a diferen\u00e7a na hora de vender, subindo seu valor de mercadoria. N\u00e3o se pensava, nesse momento da hist\u00f3ria, no negro, africano, como pessoa, no seu desenvolvimento pessoal, apenas o adestrava para ter mais lucros.<br \/>\nE desse momento de crian\u00e7a, do modo como era vista e tratada a crian\u00e7a negra, teremos desdobramentos diversos nos comportamentos e nas hist\u00f3rias que foram constru\u00eddas e passadas adiante&#8230; e, assim, essas imagens foram sendo lidas, relidas, outras cristalizadas em forma ou representadas por desenhos que povoam os livros de literatura infantil e juvenil, o imagin\u00e1rio das pessoas e for\u00e7am conceitos e imagens do africano e afro-descendentes em nossos dias atuais.<br \/>\nE para discutir sobre as imagens da personagem negra feminina nos livros de literatura infanto-juvenil, faremos algumas incurs\u00f5es e men\u00e7\u00f5es ao texto de Sousa (2005a), que discute tal assunto. Quando inicia as discuss\u00f5es sobre a representa\u00e7\u00e3o da personagem negra, afirma que na literatura adulta \u00e9 representada pela vis\u00e3o etnoc\u00eantrica, estereotipada (inferior e desprestigiada) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher branca. Nesse primeiro momento n\u00e3o teremos uma literatura voltada para as crian\u00e7as, ela s\u00f3 vai ser confeccionada no Brasil no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX. Mas a presen\u00e7a das personagens s\u00f3 ir\u00e1 acontecer no final de 1920 e in\u00edcio de 1930. Entretanto, as representa\u00e7\u00f5es sempre estavam atreladas a condi\u00e7\u00f5es subalternas (empregada dom\u00e9stica, como a famosa Tia Anast\u00e1cia, do S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato \u2013 marco da literatura infanto-juvenil.). Todavia, vai acontecer uma reviravolta na hist\u00f3ria liter\u00e1ria no ano de 1975, j\u00e1 que nesse ano come\u00e7a a ser percebida uma literatura infanto-juvenil, preocupada e comprometida com uma representa\u00e7\u00e3o mais realista, &#8220;mas que nem por isso deixou de ser preconceituosa discriminat\u00f3ria e\/ou racista&#8221;. (SOUSA, 2005a).<br \/>\nPreocupa\u00e7\u00e3o, esta, que vem se reiterando nas salas de aulas, pois, como afirma Sousa (2005b), h\u00e1 uma n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o por parte das crian\u00e7as negras com a hist\u00f3ria, elas n\u00e3o se identificam. Sousa (2005b) faz men\u00e7\u00e3o a essa problem\u00e1tica usando a seguinte frase: &#8220;[&#8230;] s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel o indiv\u00edduo manter sua auto-identifica\u00e7\u00e3o como pessoa de import\u00e2ncia no meio que confirma essa identidade (Berger, 1993)[&#8230;]&#8221;. E como ainda s\u00e3o t\u00edmidos os incursos pela hist\u00f3ria da \u00c1frica, fica impratic\u00e1vel para a crian\u00e7a manter uma auto-identifica\u00e7\u00e3o com aquilo que lhe parece estranho, lhe chega pejorativo aos olhos e ouvidos, e esses s\u00e3o os canais que resultam na constru\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de uma identidade. \u00c9 Sousa (2005b, p. 114) quem nos lembra que &#8220;os instrumentos legitimadores como fam\u00edlia, escola e m\u00eddias tendem a desqualificar os atributos do segmentos \u00e9tnico-racial negro&#8230;&#8221; e, por isso muitos dos alunos afro-descentes desenvolvem uma auto-estima acentuadamente baixa, como ocorreu com minha aluna, por exemplo.<\/p>\n<p>A recusa \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o por parte do negro decorre, portanto, da percep\u00e7\u00e3o de sua marginaliza\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o social, j\u00e1 que por mais que procurasse imitar os brancos, n\u00e3o conseguia lograr a igualdade e respeito almejado. Surge da\u00ed a &#8220;revolta&#8221;, ao notar que &#8220;a verdadeira solu\u00e7\u00e3o dos problemas n\u00e3o consiste em macaquear o branco, mas em lutar para quebrar as barreiras sociais que o impedem de ingressar na categoria de homens&#8221;. Deixando-se de lado a &#8220;assimila\u00e7\u00e3o, a libera\u00e7\u00e3o do negro deve efetuar-se pela reconquista de si e de uma dignidade aut\u00f4noma&#8221; (MUNANGA, 1988, p. 32). Ou seja, Aceitando-se, o negro afirma-se cultural, moral, f\u00edsica e psiquicamente. Ele se reivindica com paix\u00e3o, a mesma que o fazia admirar e assimilar o branco. Ele assumir\u00e1 a cor negada e ver\u00e1 nela tra\u00e7os de beleza e de fei\u00fara como qualquer ser humano &#8220;normal&#8221; (MUNANGA, 1988, p. 32, apud OLIVEIRA, 2008,p.3)<\/p>\n<p>Quando a sociedade afro-descendente come\u00e7ar a se olhar e se ver no espelho com suas belezas e defeitos e se reconhecerem qualidades e defeitos inerentes a todo ser humano (e n\u00e3o se nomear feio por ser dessa ou daquela cor, jeito, cultura), o espelho deixar\u00e1 de ser vazio de imagens e refletir\u00e1 contornos singulares, cheios de vida, de brilho, de cores e sabores, balan\u00e7os&#8230; movimentos e ser\u00e3o os contornos do espelho que voc\u00ea olha e n\u00e3o o espelho criado para refletir o que a sociedade quer e nomeia como.<br \/>\nApostando na literatura infanto-juvenil como objeto de estudo, levando em considera\u00e7\u00e3o que esta:<br \/>\n[&#8230;]constitui um campo de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o cultural, seu estudo tem sido fonte importante para a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. No trabalho historiogr\u00e1fico, a literatura tem sido ferramenta de apreens\u00e3o da din\u00e2mica sociocultural de diferentes momentos hist\u00f3ricos. Por\u00e9m, h\u00e1 que se destacar a especificidade da fonte e a import\u00e2ncia de o historiador tomar o texto liter\u00e1rio n\u00e3o como descri\u00e7\u00e3o do real, mas como sua representa\u00e7\u00e3o. Representa\u00e7\u00e3o esta constitu\u00edda no di\u00e1logo com as demais pr\u00e1ticas culturais, que conferem \u00e0 pr\u00e1tica liter\u00e1ria sua sustenta\u00e7\u00e3o. (GOUVEIA, 2005, p.3)<\/p>\n<p>Percebemos, aqui, que muitas dos autores fazem sua leitura apenas das narrativas liter\u00e1rias, o historiador tem que ter pra si que esta forma de linguagem \u00e9 mais uma representa\u00e7\u00e3o do real, daquilo que se vive, que se sente, que \u00e9 presenciado na sociedade, regado de valores, subjetividades, representa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA d\u00e9cada de 1980, com toda a sua redemocratiza\u00e7\u00e3o, deu os primeiros passos para romper com essas formas de representa\u00e7\u00f5es preconceituosas das personagens negras, representantes dos afro-brasileiros foram al\u00e9m do enfrentamento de preconceitos raciais, sociais e de g\u00eanero. Houve uma preocupa\u00e7\u00e3o com a escrita, valorizando a mitologia e a religi\u00e3o de matriz africana. Percebe-se tamb\u00e9m uma ruptura com o modelo de desqualifica\u00e7\u00e3o das narrativas oriundas das tradi\u00e7\u00f5es orais africanas e proporcionando uma ressignifica\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da figura materna (m\u00e3e e av\u00f3) na vida da crian\u00e7a.Tamb\u00e9m podemos perceber, segundo an\u00e1lises de Sousa (2005a), que a imagens reproduzidas e que comp\u00f5em o texto do livro did\u00e1tico se mostram mais diversificadas, menos estereotipadas.&#8221;Elas [as personagens negras] passam a ser representadas com tran\u00e7as de estilo africano, penteados e trajes variados.&#8221; (SOUSA, 2005\u00aa, p. 191)<br \/>\nEssas transforma\u00e7\u00f5es aconteceram por grande esfor\u00e7o e organiza\u00e7\u00e3o dos movimentos negros, das mulheres negras, na virada do s\u00e9culo, no intuito de positivizar as personagens negras atrav\u00e9s de den\u00fancias e reivindica\u00e7\u00f5es, incluindo nesse espa\u00e7o o estudo da cultura africana e a releitura das imagens e passividade do negro no per\u00edodo escravocrata.<br \/>\nTodos esses e muitos outros melhoramentos foram e est\u00e3o sendo feitos e refeitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens e hist\u00f3ria da personagem negra na literatura infanto-juvenil, para que se possa construir ou reconstruir a imagem da personagem negra desde a sua inf\u00e2ncia at\u00e9 a vida adulta e idosa do negro e, assim, termos orgulho dessa outra parte de nossa hist\u00f3ria que foi trazida e dada a ler de forma t\u00e3o marginalizada, preconceituosa, minimizada. E tudo isso, esse desrespeito que se percebe, s\u00f3 ir\u00e1 findar quando as crian\u00e7as tiverem mais acesso a livros liter\u00e1rios ou n\u00e3o sobre a \u00c1frica, suas hist\u00f3rias, cultura&#8230; quando os professores tiverem forma\u00e7\u00e3o suficiente para discutir sobre o tema, apresentar livros que tragam n\u00e3o s\u00f3 a personagem negra nas hist\u00f3rias, mas as suas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias&#8230;<br \/>\n\u00c9 preciso muito mais que textos liter\u00e1rios e n\u00e3o-liter\u00e1rios sobre a cultura afro para quebrar ainda tabus de beleza de aceita\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, de cor, de credo, de lugar numa sociedade extremamente fracionada e racista. \u00c9 como nos fala Oliveira (2008, p. 02):<br \/>\n[&#8230;] N\u00e3o basta, portanto, a mera inclus\u00e3o no mercado editorial e no espa\u00e7o escolar de produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias que apresentam protagonistas negros (as), ou que delineiam as religiosidades de matrizes africanas, a cultura afro-brasileira, o continente africano e tem\u00e1ticas afins. Diante da propaga\u00e7\u00e3o da inferioriza\u00e7\u00e3o do segmento \u00e9tnico-racial negro nos materiais did\u00e1ticos e na literatura, mais ainda se faz necess\u00e1rio, na atualidade, redobrarmos a aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s produ\u00e7\u00f5es nesse enfoque, pois, em virtude da lei 10.639\/03, a tend\u00eancia \u00e9 que haja investimento no mercado editorial, culminando com publica\u00e7\u00f5es reedi\u00e7\u00f5es nem sempre elaboradas com a devida qualidade est\u00e9tica e tem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Sabemos que a tradi\u00e7\u00e3o cultural de inferioriza\u00e7\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o dos africanos e seus descendentes \u00e9 um fardo pesado sobre os ombros destes que s\u00e3o seus representantes, entretanto, mesmo com todas as falhas, as lacunas, os contratempos, \u00e9 valida toda discuss\u00e3o acerca da constru\u00e7\u00e3o, mesmo que tardia, de uma hist\u00f3ria do africano, do afro-brasileiro, para que, de hoje em diante, eles consigam se orgulhar e se ver como um afro e n\u00e3o como moreno, chocolate, mas se assumam em sua cor, em sua cultura, seus tra\u00e7os f\u00edsicos, sua beleza, suas hist\u00f3rias.<br \/>\nQuando vejo que ainda tem muito o que se discutir e praticar sobre identidades, sobre representa\u00e7\u00f5es, que nos constru\u00edmos e que s\u00e3o constru\u00eddas e colocadas como padr\u00e3o a serem seguidas, percebo, a margem que devemos percorrer para neutralizar e desconstruir estere\u00f3tipos, imagens que foram pintadas e moldadas a s\u00e9culos, e certamente n\u00e3o ser\u00e3o desfeitas em pouco tempo, sem discuss\u00f5es, protestos, formula\u00e7\u00f5es legais. Todo esfor\u00e7o \u00e9 v\u00e1lido para que a hist\u00f3ria, principalmente do nosso pa\u00eds, seja reescrita, tamb\u00e9m, a partir do olhar do africano raptado de seu lar, da sua m\u00e3e \u00e1frica, e trazido o Brasil para dar lucro, gerar riquezas e ser colocado e esquecido de forma t\u00e3o pequena, diante de tamanha participa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRefletir no espelho de cada crian\u00e7a que se olha e se reconhece e se aceita como afro-descendente \u00e9 uma tarefa n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s professores e professoras, mas para toda e todo aquele que deseja ver fluir, aos olhos do mundo multicultural, a igualdade e diversidade que sabemos existir mas que n\u00e3o se assume de fato e direito. N\u00e3o quero ver mais espelhos vazios, sem reflexo!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>BRASIL. Lei n\u00ba 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n\u00ba 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional, para incluir no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica &#8220;Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira&#8221;, e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o. Bras\u00edlia, DF, 10 jan. 2003.<\/p>\n<p>CHARTIER, Roger. A Hist\u00f3ria Cultural: entre pr\u00e1ticas e representa\u00e7\u00f5es.Tradu\u00e7\u00e3o Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.<\/p>\n<p>DEBUS, Liane Santana Dias. A representa\u00e7\u00e3o do negro na literatura brasileira para crian\u00e7as e jovens: nega\u00e7\u00e3o ou constru\u00e7\u00e3o de uma identidade? PUIP &#8211; Pedagogia \u2013 Pedra Branca\/Tubar\u00e3o, s.d.<\/p>\n<p>FLORETINO, Manolo &amp; GOES, Jos\u00e9 Roberto de. Crian\u00e7as negras, crian\u00e7as dos escravos. In: PRIORE, Mary Del. Hist\u00f3rias das crian\u00e7as no Brasil. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2006.<\/p>\n<p>GOUVEIA, Maria Cristina Soares de. Imagens do negro na literatura infantil brasileira: an\u00e1lise historiogr\u00e1fica. In: Revista Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa. S\u00e3o Paulo, v. 31, 80 n. 1, p. 79-91, jan.\/abr. 2005.<\/p>\n<p>JOVINO, Ivone da. Literatura infanto-juvenil com personagens negros no Brasil.In: Literatura Afro-Brasileira. SOUZA,Florentina &amp; LIMA, Maria Nazar\u00e9 .(orgs). Centro de Estudos Afro-Orientais Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares. 2006.pp. 180-220<\/p>\n<p>OLIVEIRA, Maria An\u00f3ria de Jesus. Literatura afro-brasileira infanto-juvenil: enredando inova\u00e7\u00e3o em face \u00e0 tessitura dos personagens negros. S\u00e3o Paulo: julho de 2008.<\/p>\n<p>SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s teorias do<br \/>\ncurr\u00edculo. 2002. 2 ed. Belo Horizonte, Aut\u00eantica.<\/p>\n<p>SOUSA, Andreia Lisboa de. A representa\u00e7\u00e3o da personagem feminina negra na literatura infanto-juvenil brasileira. In: Educa\u00e7\u00e3o antirracista: caminhos abertos pela Lei Federal n\u00ba10.639\/03 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o diversidade \u2013 Bras\u00edlia: MEC, SEC, Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Diversidade, 2005a. Cole\u00e7\u00e3o Ed. Para Todos.<\/p>\n<p>SOUSA, Francisca Maria do Nascimento. Linguagens escolares: reprodu\u00e7\u00e3o do preconceito. In: Educa\u00e7\u00e3o antirracista: caminhos abertos pela Lei Federal n\u00ba10.639\/03. Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o diversidade \u2013 Bras\u00edlia: MEC, SEC, Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Diversidade, 2005b. Cole\u00e7\u00e3o Ed. Para Todos.<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.geledes.org.br\/artigos-sobre-educacao\/olho-mas-nao-me-reconheco-a-criamca-negra-na-literatura-infantil-09\/11\/2010.html\">webartigos\/Geled\u00e9s<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jahelina Almeida. &#8220;Quando vejo que ainda tem muito o que se discutir e praticar sobre identidades, sobre representa\u00e7\u00f5es, que nos constru\u00edmos e que s\u00e3o constru\u00eddas e colocadas como padr\u00e3o a serem seguidas, percebo, a margem que devemos percorrer para neutralizar e desconstruir estere\u00f3tipos, imagens que foram pintadas e moldadas a s\u00e9culos, e certamente n\u00e3o ser\u00e3o desfeitas em pouco tempo, sem discuss\u00f5es, protestos, formula\u00e7\u00f5es 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