{"id":18057,"date":"2010-11-28T08:45:21","date_gmt":"2010-11-28T11:45:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=18057"},"modified":"2010-11-28T08:45:21","modified_gmt":"2010-11-28T11:45:21","slug":"a-crise-no-rio-e-o-pastiche-midiatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=18057","title":{"rendered":"A crise no Rio e o pastiche midi\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_18058\" aria-describedby=\"caption-attachment-18058\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/alemao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18058\" title=\"Imagem a\u00e9rea do Complexo do Alem\u00e3o, no Rio de Janeiro\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/alemao.jpg\" alt=\"Imagem a\u00e9rea do Complexo do Alem\u00e3o, no Rio de Janeiro\" width=\"350\" height=\"233\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18058\" class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por Lu\u00eds Eduardo Soares<\/strong><\/p>\n<p>Sempre mantive com jornalistas uma rela\u00e7\u00e3o de respeito e coopera\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as diverg\u00eancias s\u00e3o muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso m\u00ednimo, para que o di\u00e1logo n\u00e3o se inviabilize. Fa\u00e7o-o por \u00e9tica \u2013supondo que ningu\u00e9m seja dono da verdade, muito menos eu&#8211;, na esperan\u00e7a de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Al\u00e9m disso, me esfor\u00e7o por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob press\u00e3o, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos \u00f3bvios. Costumo dizer que s\u00f3 n\u00f3s, da seguran\u00e7a p\u00fablica (em meu caso, quando ocupava posi\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da gest\u00e3o p\u00fablica da seguran\u00e7a), os m\u00e9dicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto \u2013ou sob tanta press\u00e3o&#8211; quanto os jornalistas.<\/p>\n<p>Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a m\u00eddia:<\/p>\n<p>(1) Recebi muitos telefonemas, recados e mensagens. As chamadas s\u00e3o cont\u00ednuas, a tal ponto que n\u00e3o me restou alternativa a desligar o celular. Ao todo, nesses dias, foram mais de cem pedidos de entrevistas ou declara\u00e7\u00f5es. Nem que eu contasse com uma equipe de secret\u00e1rios, teria como responder a todos e muito menos como atend\u00ea-los. Por isso, aproveito a oportunidade para desculpar-me. Creiam, n\u00e3o se trata de descortesia ou desapre\u00e7o pelos rep\u00f3rteres, produtores ou entrevistadores que me procuraram.<\/p>\n<p>(2) Al\u00e9m disso, n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00f5es de bastidor que mere\u00e7am divulga\u00e7\u00e3o. Por outro lado, n\u00e3o faria sentido jogar pelo ralo a credibilidade que constru\u00ed ao longo da vida. E isso poderia acontecer se eu aceitasse aparecer na TV, no r\u00e1dio ou nos jornais, glosando os discursos oficiais que est\u00e3o sendo difundidos, declamando platitudes, reproduzindo o senso comum pleno de preconceitos, ou divagando em torno de especula\u00e7\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave e n\u00e3o admite leviandades. Portanto, s\u00f3 faria sentido falar se fosse para contribuir de modo eficaz para o entendimento mais amplo e profundo da realidade que vivemos. Como faz\u00ea-lo em alguns parcos minutos, entrecortados por interven\u00e7\u00f5es de locutores e debatedores? Como faz\u00ea-lo no contexto em que todo pensamento anal\u00edtico \u00e9 editado, truncado, espremido \u2013em uma palavra, banido&#8211;, para que reinem, incontrast\u00e1veis, a exalta\u00e7\u00e3o passional das emerg\u00eancias, as imagens espetaculares, os dramas individuais e a ret\u00f3rica paradoxalmente triunfalista do discurso oficial?<\/p>\n<p>(3) Por fim, n\u00e3o posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na m\u00eddia: aten\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto \u00e9, nos intervalos entre as crises. Na crise, as perguntas recorrentes s\u00e3o: (a) O que fazer, j\u00e1, imediatamente, para sustar a explos\u00e3o de viol\u00eancia? (b) O que a pol\u00edcia deveria fazer para vencer, definitivamente, o tr\u00e1fico de drogas? (c) Por que o governo n\u00e3o chama o Ex\u00e9rcito? (d) A imagem internacional do Rio foi maculada? (e) Conseguiremos realizar com \u00eaxito a Copa e as Olimp\u00edadas?<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos 25 anos, pelo menos, me tornei \u201cas aspas\u201d que ajudaram a legitimar in\u00fameras reportagens. No t\u00f3pico, \u201cespecialistas\u201d, l\u00e1 estava eu, tentando, com alguns colegas, furar o bloqueio \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de uma perspectiva um pouquinho menos trivial e imediatista. Muitas dessas reportagens, por sua excelente qualidade, prescindiriam de minhas aspas \u2013nesses casos, reduzi-me a recurso ocioso, mera formalidade das regras jornal\u00edsticas. Outras, nem com todas as aspas do mundo se sustentariam. Pois bem, acho que j\u00e1 fui ou proporcionei aspas o suficiente. Esse c\u00f3digo jornal\u00edstico, com as exce\u00e7\u00f5es de praxe, n\u00e3o funciona, quando o tema tratado \u00e9 complexo, pouco conhecido e, por sua natureza, rebelde ao modelo de explica\u00e7\u00e3o corrente. Modelo que n\u00e3o nasceu na m\u00eddia, mas que orienta as vis\u00f5es a\u00ed predominantes. Particularmente, n\u00e3o gostaria de continuar a ser c\u00famplice involunt\u00e1rio de sua cont\u00ednua reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis por que as perguntas mencionadas s\u00e3o expressivas do pobre modelo explicativo corrente e por que devem ser consideradas obst\u00e1culos ao conhecimento e r\u00e9plicas de h\u00e1bitos mentais refrat\u00e1rios \u00e0s mudan\u00e7as inadi\u00e1veis. Respondo sem a eleg\u00e2ncia que a presen\u00e7a de um entrevistador exigiria. Serei, por assim dizer, curto e grosso, aproveitando-me do expediente discursivo aqui adotado, em que sou eu mesmo o formulador das quest\u00f5es a desconstruir. Eis as respostas, na sequ\u00eancia das perguntas, que repito para facilitar a leitura:<\/p>\n<p>(a) O que fazer, j\u00e1, imediatamente, para sustar a viol\u00eancia e resolver o desafio da inseguran\u00e7a?<\/p>\n<p>Nada que se possa fazer j\u00e1, imediatamente, resolver\u00e1 a inseguran\u00e7a. Quando se est\u00e1 na crise, usam-se os instrumentos dispon\u00edveis e os procedimentos conhecidos para conter os sintomas e salvar o paciente. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar a tratar o paciente apenas quando ele j\u00e1 est\u00e1 na UTI, tomado por uma enfermidade letal, apresentando um quadro agudo. Nessa hora, parte-se para medidas extremas, de desespero, mobilizando-se o canivete e o a\u00e7ougueiro, sem anestesia e assepsia. Nessa hora, o cardiologista abre o t\u00f3rax do moribundo na maca, no corredor. N\u00e3o h\u00e1 como construir um novo hospital, decente, eficiente, nem para formar especialistas, nem para prevenir epidemias, nem para adotar procedimentos que evitem o agravamento da patologia. Por isso, o primeiro passo para evitar que a situa\u00e7\u00e3o se repita \u00e9 trocar a pergunta. O foco capaz de ajudar a mudar a realidade \u00e9 aquele apontado por outra pergunta: o que fazer para aperfei\u00e7oar a seguran\u00e7a p\u00fablica, no Rio e no Brasil, evitando a viol\u00eancia de todos os dias, assim como sua intensifica\u00e7\u00e3o, expressa nas sucessivas crises?<\/p>\n<p>Se o entrevistador imagin\u00e1rio interpelar o respondente, afirmando que a sociedade exige uma resposta imediata, precisa de uma a\u00e7\u00e3o emergencial e n\u00e3o aceita nenhuma abordagem que n\u00e3o produza efeitos pr\u00e1ticos imediatos, a melhor resposta seria: caro amigo, sua atitude representa, exatamente, a postura que tem impedido avan\u00e7os consistentes na seguran\u00e7a p\u00fablica. Se a sociedade, a m\u00eddia e os governos continuarem se recusando a pensar e abordar o problema em profundidade e extens\u00e3o, como um fen\u00f4meno multidimensional a requerer enfrentamento sist\u00eamico, ou seja, se prosseguirmos nos recusando, enquanto Na\u00e7\u00e3o, a tratar do problema na perspectiva do m\u00e9dio e do longo prazos, nos condenaremos \u00e0s crises, cada vez mais dram\u00e1ticas, para as quais n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas.<\/p>\n<p>A melhor resposta \u00e0 emerg\u00eancia \u00e9 come\u00e7ar a se movimentar na dire\u00e7\u00e3o da reconstru\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es geradoras da situa\u00e7\u00e3o emergencial. Quanto ao imediato, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para nada sen\u00e3o o dispon\u00edvel, acess\u00edvel, conhecido, que se aplica com maior ou menor destreza, reduzindo-se danos e prolongando-se a vida em risco.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 obtusa e obscurantista, c\u00famplice da ignor\u00e2ncia e da apatia.<\/p>\n<p>(b) O que as pol\u00edcias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tr\u00e1fico de drogas?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos \u201carregos\u201d celebrados por suas bandas podres, \u00e0 luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam tamb\u00e9m parar de reproduzir o pior do tr\u00e1fico, dominando, sob a forma de m\u00e1fias ou mil\u00edcias, territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es pela for\u00e7a das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cru\u00e9is.<\/p>\n<p>Ou seja, a polaridade referida na pergunta (pol\u00edcias versus tr\u00e1fico) esconde o verdadeiro problema: n\u00e3o existe a polaridade. Constru\u00ed-la \u2013isto \u00e9, separar bandido e pol\u00edcia; distinguir crime e pol\u00edcia&#8211; teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer pol\u00edtica de seguran\u00e7a digna desse nome. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma modalidade importante de a\u00e7\u00e3o criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes. E s\u00f3 por isso que ainda existe tr\u00e1fico armado, assim como as mil\u00edcias.<\/p>\n<p>N\u00e3o digo isso para ofender os policiais ou as institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o generalizo. Pelo contr\u00e1rio, sei que h\u00e1 dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam, est\u00f3ica e heroicamente, suas vidas por sal\u00e1rios indignos. Considero-os as primeiras v\u00edtimas da degrada\u00e7\u00e3o institucional em curso, porque os envergonha, os humilha, os amea\u00e7a e acua o conv\u00edvio inevit\u00e1vel com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, s\u00f3cios ou mesmo empreendedores do crime.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos iludamos: o tr\u00e1fico, no modelo que se firmou no Rio, \u00e9 uma realidade em franco decl\u00ednio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econ\u00f4mica e sua incompatibilidade com as din\u00e2micas pol\u00edticas e sociais predominantes, em nosso horizonte hist\u00f3rico. Incapaz, inclusive, de competir com as mil\u00edcias, cuja compet\u00eancia est\u00e1 na disposi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o se prender, exclusivamente, a um \u00fanico nicho de mercado, comercializando apenas drogas \u2013mas as incluindo em sua carteira de neg\u00f3cios, quando conveniente. O modelo do tr\u00e1fico armado, sustentado em dom\u00ednio territorial, \u00e9 atrasado, pesado, anti-econ\u00f4mico: custa muito caro manter um ex\u00e9rcito, recrutar ne\u00f3fitos, arm\u00e1-los (nada disso \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0s mil\u00edcias, posto que seus membros s\u00e3o policiais), mant\u00ea-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se for\u00e7ados a dividir ganhos com a banda podre da pol\u00edcia (que atua nas mil\u00edcias) e, eventualmente, com os l\u00edderes e aliados da fac\u00e7\u00e3o. \u00c9 excessivamente custoso impor-se sobre um territ\u00f3rio e uma popula\u00e7\u00e3o, sobretudo na medida que os jovens mais vulner\u00e1veis ao recrutamento comecem a vislumbrar e encontrar alternativas. N\u00e3o s\u00f3 o velho modelo \u00e9 caro, como pode ser substitu\u00eddo com vantagens por outro muito mais rent\u00e1vel e menos arriscado, adotado nos pa\u00edses democr\u00e1ticos mais avan\u00e7ados: a venda por delivery ou em din\u00e2mica varejista n\u00f4made, clandestina, discreta, desarmada e pac\u00edfica. Em outras palavras, \u00e9 melhor, mais f\u00e1cil e lucrativo praticar o neg\u00f3cio das drogas il\u00edcitas como se fosse contrabando ou pirataria do que fazer a guerra. Convenhamos, tamb\u00e9m \u00e9 muito menos danoso para a sociedade, por \u00f3bvio.<\/p>\n<p>(c) O Ex\u00e9rcito deveria participar?<\/p>\n<p>Fazendo o trabalho policial, n\u00e3o, pois n\u00e3o existe para isso, n\u00e3o \u00e9 treinado para isso, nem est\u00e1 equipado para isso. Mas deve, sim, participar. A come\u00e7ar cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o de controlar os fluxos das armas no pa\u00eds. Isso resolveria o maior dos problemas: as armas ilegais passando, tranquilamente, de m\u00e3o em m\u00e3o, com as ben\u00e7\u00f5es, a media\u00e7\u00e3o e o est\u00edmulo da banda podre das pol\u00edcias.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 o Ex\u00e9rcito. Tamb\u00e9m a Marinha, formando uma Guarda Costeira com foco no controle de armas transportadas como cargas clandestinas ou despejadas na ba\u00eda e nos portos. Assim como a Aeron\u00e1utica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controlando o espa\u00e7o a\u00e9reo e apoiando a PF na fiscaliza\u00e7\u00e3o das cargas nos aeroportos.<\/p>\n<p>(d) A imagem internacional do Rio foi maculada?<\/p>\n<p>Claro. Mais uma vez.<\/p>\n<p>(e) Conseguiremos realizar com \u00eaxito a Copa e as Olimp\u00edadas?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Somos \u00f3timos em eventos. Nesses momentos, aparece dinheiro, surge o \u201cesp\u00edrito cooperativo\u201d, a\u00e7\u00f5es racionais e planejadas imp\u00f5em-se. Nosso calcanhar de Aquiles \u00e9 a rotina. Copa e Olimp\u00edadas ser\u00e3o um sucesso. O problema \u00e9 o dia a dia.<\/p>\n<p>Palavras Finais<\/p>\n<p>Traficantes se rebelam e a cidade vai \u00e0 lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tr\u00e1fico era esperado. Haver\u00e1 outros momentos an\u00e1logos, no futuro, mas a tend\u00eancia declinante \u00e9 inarred\u00e1vel. E n\u00e3o porque existem as UPPs, mas porque correspondem a um modelo insustent\u00e1vel, economicamente, assim como social e politicamente. As UPPs, vale dizer mais uma vez, s\u00e3o um \u00f3timo programa, que reedita com mais apoio pol\u00edtico e f\u00f4lego administrativo o programa \u201cMutir\u00f5es pela Paz\u201d, que implantei com uma equipe em 1999, e que acabou soterrado pela pol\u00edtica com \u201cp\u201d min\u00fasculo, quando fui exonerado, em 2000, ainda que tenha sido ressuscitado, gra\u00e7as \u00e0 lideran\u00e7a e \u00e0 compet\u00eancia raras do ten.cel. Carballo Blanco, com o t\u00edtulo GPAE, como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 derrocada que se seguiu \u00e0 minha sa\u00edda do governo. A despeito de suas virtudes, valorizadas pela presen\u00e7a de Ricardo Henriques na secretaria estadual de assist\u00eancia social &#8211;um dos melhores gestores do pa\u00eds&#8211;, elas n\u00e3o ter\u00e3o futuro se as pol\u00edcias n\u00e3o forem profundamente transformadas. Afinal, para tornarem-se pol\u00edtica p\u00fablica ter\u00e3o de incluir duas qualidades indispens\u00e1veis: escala e sustentatibilidade, ou seja, ter\u00e3o de ser assumidas, na esfera da seguran\u00e7a, pela PM. Contudo, entregar as UPPs \u00e0 condu\u00e7\u00e3o da PM seria conden\u00e1-las \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o, dada a degrada\u00e7\u00e3o institucional j\u00e1 referida.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico que ora perde poder e capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o s\u00f3 se imp\u00f4s, no Rio, no modelo territorializado e sedent\u00e1rio em que se estabeleceu, porque sempre contou com a sociedade da pol\u00edcia, vale reiterar. Quando o tr\u00e1fico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto hist\u00f3rico de inflex\u00e3o e come\u00e7a, gradualmente, a bater em retirada, seus s\u00f3cios \u2013as bandas podres das pol\u00edcias&#8211; prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.<\/p>\n<p>Discutindo a crise, a m\u00eddia reproduz o mito da polaridade pol\u00edcia versus tr\u00e1fico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se far\u00e1 a reforma radical das pol\u00edcias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de mil\u00edcias, m\u00e1fias, tr\u00e1fico de armas e drogas, crime violento, brutali-dade, corrup\u00e7\u00e3o? Como se refundar\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es policiais para que os bons profissionais sejam, afinal, valorizados e qualificados? Como ser\u00e3o transformadas as pol\u00edcias, para que deixem de ser reativas, ingovern\u00e1veis, ineficientes na preven\u00e7\u00e3o e na investiga\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>As pol\u00edcias s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es absolutamente fundamentais para o Estado democr\u00e1tico de direito. Cumpre-lhes garantir, na pr\u00e1tica, os direitos e as liberdades estipulados na Constitui\u00e7\u00e3o. Sobretudo, cumpre-lhes proteger a vida e a estabilidade das expectativas positivas relativamente \u00e0 sociabilidade cooperativa e \u00e0 vig\u00eancia da legalidade e da justi\u00e7a. A despeito de sua import\u00e2ncia, essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram alcan\u00e7adas em profundidade pelo processo de transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, nem se modernizaram, adaptando-se \u00e0s exig\u00eancias da complexa sociedade brasileira contempor\u00e2nea. O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia \u00e0 defesa do Estado autorit\u00e1rio e era funcional ao contexto marcado pelo arb\u00edtrio. N\u00e3o serve \u00e0 defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as pol\u00edcias impede a gest\u00e3o racional e a integra\u00e7\u00e3o, tornando o controle impratic\u00e1vel e a avalia\u00e7\u00e3o, seguida por um monitoramento corretivo, invi\u00e1vel. Ineptas para identificar erros, as pol\u00edcias condenam-se a repeti-los. Elas s\u00e3o r\u00edgidas onde teriam de ser pl\u00e1sticas, flex\u00edveis e descentralizadas; e s\u00e3o frouxas e an\u00e1rquicas, onde deveriam ser rigorosas. Cada uma delas, a PM e a Pol\u00edcia Civil, s\u00e3o duas institui\u00e7\u00f5es: oficiais e n\u00e3o-oficiais; delegados e n\u00e3o-delegados.<\/p>\n<p>E nesse quadro, a PEC-300 \u00e9 varrida do mapa no Congresso pelos governadores, que pagam aos policiais sal\u00e1rios insuficientes, empurrando-os ao segundo emprego na seguran\u00e7a privada informal e ilegal.<\/p>\n<p>Uma das fontes da degrada\u00e7\u00e3o institucional das pol\u00edcias \u00e9 o que denomino &#8220;gato or\u00e7ament\u00e1rio&#8221;, esse casamento perverso entre o Estado e a ilegalidade: para evitar o colapso do or\u00e7amento p\u00fablico na \u00e1rea de seguran\u00e7a, as autoridades toleram o bico dos policiais em seguran\u00e7a privada. Ao faz\u00ea-lo, deixam de fiscalizar din\u00e2micas benignas (em termos, pois sempre h\u00e1 graves problemas da\u00ed decorrentes), nas quais policiais honestos apenas buscam sobreviver dignamente, apesar da ilegalidade de seu segundo emprego, mas tamb\u00e9m din\u00e2micas malignas: aquelas em que policiais corruptos provocam a inseguran\u00e7a para vender seguran\u00e7a; unem-se como pistoleiros a soldo em grupos de exterm\u00ednio; e, no limite, organizam-se como m\u00e1fias ou mil\u00edcias, dominando pelo terror popula\u00e7\u00f5es e territ\u00f3rios. Ou se resolve esse gargalo (pagando o suficiente e fiscalizando a seguran\u00e7a privada \/banindo a informal e ilegal; ou legalizando e disciplinando, e fiscalizando o bico), ou n\u00e3o faz sentido buscar aprimorar as pol\u00edcias.<\/p>\n<p>O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, p\u00e2nico e desespero, como um dia hist\u00f3rico de vit\u00f3ria: o dia em que as pol\u00edcias ocuparam a Vila Cruzeiro. Ou eu sofri um s\u00fabito apag\u00e3o mental e me tornei um idiota contumaz e incorrig\u00edvel ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milh\u00f5es de telespectadores como contumazes e incorrig\u00edveis idiotas.<\/p>\n<p>Ou se come\u00e7a a falar s\u00e9rio e levar a s\u00e9rio a trag\u00e9dia da inseguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil, ou ser\u00e1 pelo menos mais digno furtar-se a fazer coro \u00e0 farsa.<\/p>\n<p>_________________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/luizeduardosoares.blogspot.com\/2010\/11\/crise-no-rio-e-o-pastiche-midiatico.html\">Blog do Autor<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lu\u00eds Eduardo Soares. &#8220;Copa e Olimp\u00edadas ser\u00e3o um sucesso. 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