{"id":18386,"date":"2011-01-27T19:56:54","date_gmt":"2011-01-27T22:56:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=18386"},"modified":"2011-01-27T19:56:54","modified_gmt":"2011-01-27T22:56:54","slug":"muitos-projetos-e-pouca-efetividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=18386","title":{"rendered":"Muitos projetos e pouca efetividade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/bandeira-gay1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13222\" title=\"bandeira-gay\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/bandeira-gay1-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"128\" \/><\/a>Muitos projetos e planos, mas pouca efetividade. A pesquisa <em>Pol\u00edticas  p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT no Brasil: um mapeamento cr\u00edtico preliminar<\/em>,  desenvolvida pelo N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em G\u00eanero e Sexualidade da  Universidade Federal de Goi\u00e1s (Ser-t\u00e3o\/UFG), revela um pa\u00eds que, apesar das  in\u00fameras discuss\u00f5es e propostas voltadas para a amplia\u00e7\u00e3o dos direitos da  popula\u00e7\u00e3o LGBT, ainda n\u00e3o consegue dot\u00e1-los de maior prote\u00e7\u00e3o ou igualdade de  direitos.<\/p>\n<p><span>O estudo levou aproximadamente dois anos para ser conclu\u00eddo. O prop\u00f3sito foi  mapear pol\u00edticas p\u00fablicas para esse segmento populacional em \u00e1reas como  educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a e trabalho, assist\u00eancia e previd\u00eancia social. Foram  realizadas tamb\u00e9m 95 entrevistas, com representantes da sociedade civil e  gestores p\u00fablicos.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span>Em entrevista ao CLAM, o soci\u00f3logo Luiz Mello, coordenador da pesquisa,  comenta o panorama das pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras em n\u00edvel federal, estadual  e municipal e analisa as perspectivas pol\u00edticas diante da elei\u00e7\u00e3o de um novo  governo, a ser iniciado em 2011.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Quais os setores e \u00e1reas que o senhor considera mais carentes e mais  avan\u00e7ados? Qual a avalia\u00e7\u00e3o geral que o senhor faz a respeito das pol\u00edticas  p\u00fablicas brasileiras voltadas para o segmento LGBT? <\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>Nunca se teve tanto e o que h\u00e1 \u00e9 praticamente nada. Essa talvez seja uma boa  f\u00f3rmula geral para mostrar o paradoxo da situa\u00e7\u00e3o dos direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT  no Brasil hoje. J\u00e1 existem, desde 2002, planos e projetos a partir dos quais se  tem pensado pol\u00edticas p\u00fablicas para estes segmentos, como o <em>Plano Nacional de  Promo\u00e7\u00e3o da Cidadania e Direitos Humanos de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais,  Travestis e Transexuais<\/em> (PNPCDH-LGBT), elaborado a partir das propostas  aprovadas na I Confer\u00eancia Nacional LGBT (2008) e o <em>Programa Nacional de  Direitos Humanos III<\/em>, ambos de 2010. Todavia, a falta de efetividade das  poucas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT ainda se manifesta em  praticamente todas as \u00e1reas da atua\u00e7\u00e3o governamental, nos tr\u00eas n\u00edveis do Poder  Executivo (federal, estadual e municipal), especialmente em face de quatro  fatores fundamentais, entre outros: a) aus\u00eancia de respaldo jur\u00eddico que  assegure sua exist\u00eancia como pol\u00edticas de Estado, livres das incertezas  decorrentes das mudan\u00e7as na conjuntura pol\u00edtica, da LGBTfobia institucional e  das press\u00f5es LGBTf\u00f3bicas de grupos religiosos fundamentalistas; b) dificuldades  de implanta\u00e7\u00e3o de modelo de gest\u00e3o que viabilize a atua\u00e7\u00e3o conjunta, transversal  e intersetorial de \u00f3rg\u00e3os dos governos federal, estaduais e municipais, contando  com a parceria de grupos organizados da sociedade civil; c) car\u00eancia de previs\u00e3o  or\u00e7ament\u00e1ria espec\u00edfica, materializada no Plano Plurianual (PPA), na Lei de  Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) e na Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (LOA); e d) reduzido  n\u00famero de servidoras p\u00fablicas especializadas, integrantes do quadro permanente  de t\u00e9cnicas dos governos, respons\u00e1veis por sua formula\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o,  monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span>Nas seis \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o privilegiadas na pesquisa, talvez se possa dizer  que h\u00e1 car\u00eancias profundas de a\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de trabalho, previd\u00eancia social e  assist\u00eancia social, ao passo que as a\u00e7\u00f5es de maior alcance est\u00e3o no \u00e2mbito da  sa\u00fade, seguramente por influ\u00eancia do hist\u00f3rico de press\u00e3o do movimento LGBT em  decorr\u00eancia da epidemia de hiv-aids e, mais recentemente, das demandas de  travestis e transexuais por atendimento m\u00e9dico especializado que viabilize as  modifica\u00e7\u00f5es corporais que tornem suas escolhas de g\u00eanero mais confort\u00e1veis em  termos f\u00edsicos e existenciais. Por outro lado, nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a  j\u00e1 se come\u00e7a a contar com algumas a\u00e7\u00f5es importantes, especialmente no \u00e2mbito da  capacita\u00e7\u00e3o de profissionais para o combate \u00e0 LGBTfobia, embora ainda sejam  incipientes, pontuais e sem uma pol\u00edtica que assegure sua continuidade.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Como avalia iniciativas municipais voltadas para esta popula\u00e7\u00e3o? <\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>Ainda s\u00e3o raras, pouco transversalizadas e intersetorializadas e com  efetividade reduzida, da mesma maneira como ocorre nas esferas estadual e  federal. A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, vale destacar que a \u00faltima <em>Pesquisa de  Informa\u00e7\u00f5es B\u00e1sicas Municipais \u2013 MUNIC<\/em>, realizada em 2009 e divulgada em  2010 pelo IBGE, mostra que dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros, apenas 130  desenvolvem a\u00e7\u00f5es e programas voltados para a popula\u00e7\u00e3o LGBT, o que corresponde  a 2,3%, do total, embora alcance aproximadamente 24,9% da popula\u00e7\u00e3o brasileira,  considerando que as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o implementadas na maior parte das vezes em  munic\u00edpios mais densamente povoados. Por outro lado, a mesma pesquisa tamb\u00e9m  aponta que, no \u00e2mbito das unidades da federa\u00e7\u00e3o que integraram o recorte  geogr\u00e1fico da pesquisa realizada pelo Ser-T\u00e3o (Amazonas, Cear\u00e1, Distrito  Federal, Goi\u00e1s, Par\u00e1, Paran\u00e1, Piau\u00ed, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, S\u00e3o  Paulo), os estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul e  Cear\u00e1 s\u00e3o os que possuem um n\u00famero mais expressivo de munic\u00edpios com iniciativas  voltadas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT, ainda que tal n\u00famero seja quase insignificante  em termos absolutos. Por fim, note-se que, ainda segundo a MUNIC, 0,43% dos  munic\u00edpios possuem centros de atendimento especializado para a popula\u00e7\u00e3o LGBT e  apenas quatro dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros contam com Conselho de Direitos  de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Nos \u00faltimos anos, em n\u00edvel federal, houve iniciativas ou tentativas  consider\u00e1veis de discuss\u00e3o e de implementa\u00e7\u00e3o de medidas voltadas para a  popula\u00e7\u00e3o LGTB: uma Confer\u00eancia Nacional LGBT e um programa de Direitos Humanos  (PNDH-3) que buscaram ampliar direitos desse p\u00fablico, e iniciativas como a  recente permiss\u00e3o de inclus\u00e3o do companheiro ou companheira gay como dependente  no Imposto de Renda. No entanto, muitas decis\u00f5es, como a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por  casais homossexuais, ainda s\u00e3o alcan\u00e7adas por meio da Justi\u00e7a. De que forma o  senhor analisa esse processo de avan\u00e7os no qual os direitos ainda s\u00e3o em grande  medida facultados por um juiz? <\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 uma trag\u00e9dia \u2013 n\u00e3o existe outra palavra \u2013 que os direitos civis de milh\u00f5es  de pessoas estejam \u00e0 merc\u00ea da boa vontade, liberalidade e humor de ju\u00edzes. Al\u00e9m  disso, recorrer ao Poder Judici\u00e1rio \u00e9 uma experi\u00eancia longa, cara e que  pressup\u00f5e dos demandantes uma capacidade de assumir sua homossexualidade a ponto  de terem coragem \u2013 esta \u00e9 a palavra, por mais que possa parecer exagero \u2013 para  reivindicar pela via judicial seus direitos. O Judici\u00e1rio n\u00e3o foi feito para  legislar, mas tem sido obrigado a cumprir este papel diante da incapacidade do  Legislativo brasileiro de, a partir do pressuposto de que homossexualidade n\u00e3o \u00e9  crime ou doen\u00e7a, assegurar a igualdade na esfera p\u00fablica entre todas as pessoas,  independentemente de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, o que significa direito de acesso ao  casamento, \u00e0 uni\u00e3o est\u00e1vel, \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o assistida, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de sua  integridade f\u00edsica e ps\u00edquica, entre tantos outros direitos que hoje lhes s\u00e3o  negados legalmente ou de maneira t\u00e1cita.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Em quais estados houve mais avan\u00e7os?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>Essa \u00e9 uma pergunta complicada de ser respondida, j\u00e1 que a no\u00e7\u00e3o \u201cavan\u00e7o\u201d n\u00e3o  \u00e9 capaz de traduzir a din\u00e2mica da realidade de cada estado. Por exemplo, em  termos ideais, a exist\u00eancia de um \u00f3rg\u00e3o governamental respons\u00e1vel pelas quest\u00f5es  LGBT, de um plano estadual que assegure diretrizes e princ\u00edpios para a atua\u00e7\u00e3o  governamental e de um conselho composto por representantes do governo e da  sociedade civil que monitore as a\u00e7\u00f5es poderia significar uma situa\u00e7\u00e3o onde a  probabilidade de aten\u00e7\u00e3o efetiva aos direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT e de combate \u00e0  homofobia seria vista como promissora. Todavia, se o referido \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tem  or\u00e7amento, se o plano estadual \u00e9 uma \u201cpe\u00e7a liter\u00e1ria\u201d \u2013 para usar a express\u00e3o de  um de nossos entrevistados \u2013 e se o conselho n\u00e3o tem poder de efetivamente  influenciar as a\u00e7\u00f5es do governo, de quase nada adianta a exist\u00eancia da estrutura  governamental antes referida. No momento atual, apenas o estado de S\u00e3o Paulo e o  munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo disp\u00f5em, simultaneamente, de \u00f3rg\u00e3o espec\u00edfico respons\u00e1vel  pelas demandas da popula\u00e7\u00e3o LGBT, de um plano de governo de promo\u00e7\u00e3o dos  direitos e de um conselho que prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o de governo e sociedade civil  na formula\u00e7\u00e3o, monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o de diretrizes de a\u00e7\u00e3o e de pol\u00edticas  p\u00fablicas para LGBT. Nos demais estados e capitais contemplados em nossa  pesquisa, um ou mais desses tr\u00eas elementos n\u00e3o se fazem presentes, com os casos  extremos do Paran\u00e1 e do Rio Grande do Sul, que n\u00e3o possuem, em n\u00edvel estadual,  \u00f3rg\u00e3o, plano ou conselho direcionados \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o LGBT.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 no que diz respeito \u00e0 exist\u00eancia de atos normativos relativos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o  LGBT, no \u00e2mbito das unidades da federa\u00e7\u00e3o contempladas na pesquisa do Ser-T\u00e3o, a  tabela abaixo \u00e9 ilustrativa e mostra que os estados do Par\u00e1, Piau\u00ed e S\u00e3o Paulo,  al\u00e9m do Distrito Federal, contam com um n\u00famero maior de instrumentos jur\u00eddicos. <\/span><\/p>\n<p><span>Deve ser ressaltado, por\u00e9m, que a aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o legal em n\u00edvel federal  fere de morte a efetividade de v\u00e1rias iniciativas no \u00e2mbito dos governos  estaduais e municipais, j\u00e1 que estes n\u00e3o possuem respaldo legal para legislar  sobre temas que, no Brasil, s\u00e3o de compet\u00eancia privativa da uni\u00e3o, como \u00e9 o caso  de direito civil e penal.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>A \u00faltima elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas representou um aumento significativo da  chamada bancada religiosa (de 43 para 71 para parlamentares), como trouxe \u00e0  superf\u00edcie um discurso notadamente conservador e moralista. O senhor acredita  que, apesar de o atual governo ter garantido mais 4 anos de mandato de um  projeto em sintonia com a causa LGBT, haja espa\u00e7o para a amplia\u00e7\u00e3o de mais  direitos? Qual a sua expectativa sobre a rela\u00e7\u00e3o entre Legislativo e Executivo  para os pr\u00f3ximos anos?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>O atual governo n\u00e3o conseguiu promover uma boa articula\u00e7\u00e3o com o Congresso  Nacional de maneira a assegurar a discuss\u00e3o e muito menos a aprova\u00e7\u00e3o de  projetos de lei voltados \u00e0 garantia de direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT e ao combate \u00e0  LGBTfobia. Considerando que a base de sustenta\u00e7\u00e3o do atual Governo inclui  partidos claramente comprometidos com princ\u00edpios ideol\u00f3gicos crist\u00e3os  fundamentalistas, os quais se estruturam a partir de uma vis\u00e3o sexof\u00f3bica de  mundo, o Presidente da Rep\u00fablica e seus ministros, por mais que digam apoiar  demandas do movimento LGBT, n\u00e3o tiveram a determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de colocar os  direitos sexuais como uma prioridade de seu governo, diferentemente de outros  pa\u00edses, como a Espanha e mais recentemente a Argentina, onde o Presidente do  Governo Jos\u00e9 Luis Zapatero e a Presidenta Cristina Kirchner, respectivamente,  estiveram pessoalmente comprometidos com a aprova\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as legais que  permitiram uma reformula\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de casamento e de ado\u00e7\u00e3o,  facultando-os tamb\u00e9m aos casais de pessoas do mesmo sexo.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span>Em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo governo, pessoalmente sou muito c\u00e9tico quanto a uma  eventual mudan\u00e7a no cen\u00e1rio das rela\u00e7\u00f5es entre Executivo e Legislativo no que  diz respeito \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da popula\u00e7\u00e3o LGBT. Se ainda resta  alguma esperan\u00e7a de curto prazo, talvez esta se encontre no Supremo Tribunal  Federal, que em breve deve apreciar duas A\u00e7\u00f5es Diretas de Inconstitucionalidade,  que, se aprovadas, permitir\u00e3o a extens\u00e3o do alcance dos direitos da uni\u00e3o  est\u00e1vel tamb\u00e9m aos casais de pessoas do mesmo sexo e a possibilidade de mudan\u00e7a  de nome e sexo nos documentos civis de pessoas transexuais, sem terem que se  submeter a cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o sexual. Tomara que os Ministros do STF  sejam menos vulner\u00e1veis aos apelos do fundamentalismo religioso, que advoga uma  concep\u00e7\u00e3o excludente de cidadania e de humanidade, do que os parlamentares do  Congresso Nacional.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Como surgiu a id\u00e9ia de fazer um mapeamento dessa magnitude? Quantos  profissionais estiveram envolvidos?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>A proposta de realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa surgiu a partir da constata\u00e7\u00e3o de que o  foco de aten\u00e7\u00e3o do movimento LGBT brasileiro, a partir de 2004, com a divulga\u00e7\u00e3o  do <em>Programa Brasil sem Homofobia<\/em>, estava se deslocando do \u00e2mbito dos  poderes Legislativo e Judici\u00e1rio para o Executivo. N\u00e3o que a aprova\u00e7\u00e3o de leis  ou de decis\u00f5es de tribunais superiores tenha deixado de ser vista como  priorit\u00e1ria. Aliado a essas bandeiras de luta j\u00e1 hist\u00f3ricas, passou-se a  demandar que o Poder Executivo tamb\u00e9m atuasse de maneira mais direta no combate  \u00e0 LGBTfobia e na garantia da cidadania de transexuais, travestis, l\u00e9sbicas,  bissexuais e gays, incluindo a formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.  Em verdade, desde 2002, com a aprova\u00e7\u00e3o do PNDH 2, as demandas do momento LGBT,  ao menos formalmente, j\u00e1 haviam sido incorporadas \u00e0 pauta das reivindica\u00e7\u00f5es  reconhecidas pelo Governo Federal como pass\u00edveis de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas  p\u00fablicas, embora nada tenha sido feito antes do <em>Brasil sem Homofobia<\/em>, \u00e0  exce\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de preven\u00e7\u00e3o do hiv-aids. Com a realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia  Nacional LGBT, em 2008, a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de seu tema de aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria &#8211;  <em>Direitos humanos e pol\u00edticas p\u00fablicas: o caminho para garantir a cidadania de  Gays, L\u00e9sbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT)<\/em> &#8211; mostrava que as  pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT haviam se tornado uma prioridade na  arena pol\u00edtica. Da\u00ed o interesse da equipe do Ser-T\u00e3o na realiza\u00e7\u00e3o desta  pesquisa.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span>Quanto \u00e0 equipe respons\u00e1vel pela realiza\u00e7\u00e3o do trabalho, o grupo inicial  contava com cinco pessoas, que, posteriormente, teve o apoio, em momentos  espec\u00edficos, de consultores que realizaram atividades diversas, como produ\u00e7\u00e3o do  s\u00edtio na internet onde os resultados foram divulgados  (www.sertao.ufg.br\/politicaslgbt), sistematiza\u00e7\u00e3o do banco de dados, an\u00e1lise de  entrevistas e documentos, reda\u00e7\u00e3o de textos, entre outras. Deve ser destacado,  por fim, que a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa contou com apoio financeiro da Secretaria  de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (SDH\/PR) e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo  \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (Fapeg).<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Que tipo de desdobramento o senhor vislumbra a partir desses dados?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span>Creio que a principal contribui\u00e7\u00e3o da pesquisa \u00e9 colocar na ordem do dia a  necessidade de refletir sobre a efetividade das pol\u00edticas p\u00fablicas  governamentais para grupos subalternizados no Brasil, especialmente para a  popula\u00e7\u00e3o LGBT. Tamb\u00e9m pode contribuir para dar visibilidade para as dram\u00e1ticas  condi\u00e7\u00f5es de LGBTfobia que prevalecem em diversas esferas da vida social, como  sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, assist\u00eancia, previd\u00eancia e trabalho, al\u00e9m de mostrar  como s\u00e3o in\u00fameros e significativos os obst\u00e1culos a serem superados com vistas a  garantir condi\u00e7\u00f5es de vida mais dignas para os que vivem \u00e0 margem da norma  heterossexual, com destaque para a homofobia de Estado, o fundamentalismo  religioso e a aus\u00eancia de um arcabou\u00e7o jur\u00eddico que reconhe\u00e7a igualdade na  esfera p\u00fablica entre todas as pessoas, independentemente de orienta\u00e7\u00e3o sexual e  identidade de g\u00eanero. <\/span><\/p>\n<p>___________<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&amp;infoid=7648&amp;sid=43\">CLAM<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa que mapeia pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras para a popula\u00e7\u00e3o LGTB revela que, apesar das in\u00fameras discuss\u00f5es e propostas, muito pouco ainda foi concretizado. Para o soci\u00f3logo Luiz Mello, coordenador do estudo, direitos civis para o segmento est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea da boa vontade de ju\u00edzes. 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