{"id":1903,"date":"2008-11-07T22:28:19","date_gmt":"2008-11-07T22:28:19","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/?p=1903"},"modified":"2008-11-07T22:28:19","modified_gmt":"2008-11-07T22:28:19","slug":"o-impacto-da-deficiencia-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=1903","title":{"rendered":"O Impacto da Defici\u00eancia Infantil"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Luta dos Pais<\/strong><\/p>\n<p>por Ken Moses, Ph.D.<\/p>\n<p>O Dr. Moses \u00e9 um psic\u00f3logo que se devotou a auxiliar pessoas com crises, traumas e perdas.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 reconhecido nacionalmente como palestrante, autor e cl\u00ednico que focou muito do seu trabalho com pais de crian\u00e7as prejudicadas e adultos deficientes. Ele confrontou mortes, doen\u00e7as terminais, defici\u00eancias e grandes traumas em sua fam\u00edlia e na sua vida. Ele continua auxiliando as pessoas a retomar suas vidas ap\u00f3s experimentarem perdas e lutas semelhantes \u00e0s suas.<\/p>\n<p>Atualmente, ele mant\u00e9m uma pr\u00e1tica privada limitada aos problemas de pesar, e dirige a Resource Networks Inc. uma organiza\u00e7\u00e3o especializada na produ\u00e7\u00e3o de semin\u00e1rios e grupos de trabalhos, consultoria e materiais que lidam com os problemas do crescimento humano \u00e0s sombras das perdas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu fui ensinado que a forma de lidar com a adversidade ou dor era confront\u00e1-los. Se voc\u00ea pudesse evitar mostrar a dor, ent\u00e3o voc\u00ea teria derrotado o golpe e lidado com o problema de forma competente\u201c. Eu sou um psic\u00f3logo que trabalha com pessoas que est\u00e3o sob profunda tristeza por perdas profundas. Poucos contestariam que confrontando a devastadora e continuada perda de ter crian\u00e7as com defici\u00eancias est\u00e1 entre as experi\u00eancias mais dolorosas que uma pessoa pode confrontar-se. Ap\u00f3s trabalhar com pais de deficientes por muitos anos, fui levado a acreditar que dei conselhos errados. Fui levado a crer que a dor e a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o problema. Os pais, todos eles, ligam seus filhos a sonhos, fantasias, ilus\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es no futuro. Os filhos s\u00e3o suas segundas chances, ou os seus produtos finais na vida, a extens\u00e3o e reflexo de si mesmos. Saber que a vida humana existe e cresce de nossos genes, nossos corpos, que \u00e9 resultado de nossas exist\u00eancias, traz uma medida de espiritualidade no indiv\u00edduo mais duro.<\/p>\n<p>Algo b\u00e1sico para nosso senso de ser \u00e9 tocado quando testemunhamos o milagre da continuidade da vida. O que acontece quando esta experi\u00eancia t\u00e3o profunda \u00e9 atingida pela irreversibilidade da defici\u00eancia?<\/p>\n<p>Como os pais sobrevivem a devasta\u00e7\u00e3o de uma incapacidade em sua crian\u00e7a que estilha\u00e7a os seus sonhos mais desejados? Como eles seguir\u00e3o adiante? Como podem ajudar seu filho, seus demais filhos, a si mesmos?<\/p>\n<p>Antes de trabalhar neste campo, notei que as pessoas que se confrontavam com a adversidade basicamente tornavam-se melhores ou piores: nenhuma ficava a mesma. O que fazia a diferen\u00e7a? Alguns pais parecem empurrar suas vidas em torno das fraquezas da crian\u00e7a, outros se v\u00eaem em peda\u00e7os. H\u00e1 mais de 15 anos atr\u00e1s, eu rodei meu primeiro grupo de pais composto de m\u00e3es de crian\u00e7as com necessidades especiais. Estas pessoas ajudaram-me enormemente na medida em que comecei a responder algumas das importantes quest\u00f5es que se relacionam a lidar com a defici\u00eancia infantil.<\/p>\n<p>Eu comecei o grupo usando m\u00e9todos tradicionais de terapias de grupo, uma abordagem projetada para interven\u00e7\u00e3o em patologias psicol\u00f3gicas. A abordagem n\u00e3o funcionou por um motivo muito simples: aquelas m\u00e3es n\u00e3o estavam sofrendo de patologias, ela estavam cambaleantes pelo impacto de terem crian\u00e7as deficientes.<\/p>\n<p>Gradualmente, abandonei as velhas formas de fazer as coisas e me permiti escutar e aprender deste corajoso grupo de pais. Lentamente, um padr\u00e3o emergiu que me surpreendeu. Tornou-se evidente que estas pessoas estavam manifestando um processo de luto. Isto me deixou confuso. Estava claro que elas estavam alternadamente ansiosas, com raiva, negando, com culpa, deprimidas ou com medo, mas n\u00e3o eram pessoas com dist\u00farbios. As conversas focavam na experimenta\u00e7\u00e3o de lamentos, sensa\u00e7\u00e3o de esmagamento, e outros sentimentos comuns a pessoas enlutadas. Minha perplexidade: &#8220;Quem morreu?&#8221; Naquele momento, minha compreens\u00e3o de luto era simples, concreta, e exclusivamente ligada \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O que se seguiu foi um processo marcante. Os membros do grupo lutaram contra um n\u00famero de conceitos que nos levou a todos \u00e0 uma poderosa contempla\u00e7\u00e3o sobre luto parental. \u00c9 a perde de uma crian\u00e7a &#8220;normal&#8221;? \u00c9 a interrup\u00e7\u00e3o de um estivo de vida &#8220;normal&#8221;? \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o de vergonha u humilha\u00e7\u00e3o experimentada com a fam\u00edlia, amigos e outros? \u00c9 o profundo desapontamento que alguns experimentaram com as repostas ineficazes de seus ostensivos grupos de suporte? N\u00f3s poder\u00edamos ficar compartilhando aqueles pensamentos para sempre, at\u00e9 que formulei uma pergunta chave que ajudou a trazer aqueles sentimentos difusos e pensamentos a um foco. Ele veio inocentemente: &#8220;Relembre quando voc\u00ea estava antecipando o nascimento de seu filho. Quem (ou que) era esta crian\u00e7a foi para voc\u00ea? O que se segui foi uma marcante manifesta\u00e7\u00e3o triste, angustiante, partilha humana que, at\u00e9 os dias atuais, serve de funda\u00e7\u00e3o para o entendimento e trabalho com pais de crian\u00e7as deficientes.<\/p>\n<p>Os pais ligam seus filhos a sonhos profundos, fantasias, ilus\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es no futuro. A defici\u00eancia arremete este carinhosos sonhos. O impedimento, n\u00e3o a crian\u00e7a, estraga de forma irrevers\u00edvel um anseio profundo e fundamental dos pais. A defici\u00eancia fragmenta os sonhos, fantasias, ilus\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es no futuro que os pais geraram como plataforma de sua luta para completar a miss\u00e3o b\u00e1sica da vida. Os pais de crian\u00e7as deficientes se\u00a0 enlutam pela perda dos sonhos s\u00e3o chaves para o sentido de suas exist\u00eancias, para os seus sensos de vida.<\/p>\n<p>Recuperarem-se de tais perdas depende da habilidade de se separar do sonho perdido, e de se gerar novos, mais ating\u00edveis, sonhos.<\/p>\n<p>Na medida em que a defici\u00eancia quebra sem cortes os sonhos, os pais enfrentam uma tarefa complicada, consumidora, desafiante, amedrontadora. Eles devem criar os filhos que t\u00eam, enquanto deixam partir os filhos que sonharam. Devem seguir com suas vidas, auxiliar seus filhos como s\u00e3o agora, livrarem-se dos sonhos perdidos e gerar novos sonhos. Para fazer isso, precisam experimentar o processo de luto.<\/p>\n<p>O luto \u00e9 um processo desaprendido, espont\u00e2neo e auto-suficiente. Ele consiste em estados de sentimento que oferecem a oportunidade para o auto-exame, levando \u00e0 mudan\u00e7as externas e internas. Os estados de luto que facilitam a separa\u00e7\u00e3o de um sonho perdido s\u00e3o: nega\u00e7\u00e3o, ansiedade, medo, culpa, depress\u00e3o e raiva. O termo, \u201cestados\u201d \u00e9 utilizado no lugar de est\u00e1gios, para enfatizar que o luto n\u00e3o um processo passo a passo que evolui por est\u00e1gios discretos.<\/p>\n<p>Esta apresenta\u00e7\u00e3o do que um pai\/m\u00e3e passa \u00e9 uma apresenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, n\u00e3o um fato irrefut\u00e1vel. Tem a inten\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas achar seus pr\u00f3prios caminhos de lidar com o que n\u00e3o pode ser expresso. Eu o vejo como um mapa, n\u00e3o uma receita. Uma receita diz as pessoas o que fazer para alcan\u00e7ar um determinado resultado. Um mapa, por outro lado, \u00e9 uma impress\u00e3o de uma pessoa da realidade que pode ser usada por outra para chegar onde deseja ir.<\/p>\n<p>Quando teorias de luto s\u00e3o usadas como receitas para produzir aceita\u00e7\u00e3o, duas falsas premissas s\u00e3o infringidas aos pais. A premissa que o luto deve e movimentar atrav\u00e9s de uma seq\u00fc\u00eancia espec\u00edfica \u00e9 totalmente falsa. Um padr\u00e3o consistente n\u00e3o \u00e9 evidente em pessoas lidando com perdas! Pior, quando as pessoas acreditam que devem enlutar-se de uma determinada maneira, elas frequentemente terminam pensando que est\u00e3o agindo errado. Segundo, o conceito de aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente infundado. Em quase 20 anos trabalhando com pessoas enlutadas, bem como lidando com minhas pr\u00f3prias perdas, nunca vi pessoas alcan\u00e7ando a aceita\u00e7\u00e3o da perda, apenas o reconhecimento.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a no conceito de aceita\u00e7\u00e3o leva os pais a sentimentos como falhas por n\u00e3o a alcan\u00e7arem. Quaisquer usos de teorias de luto como receitas s\u00e3o fortemente desencorajadas.<\/p>\n<p>Embora os estados de luto n\u00e3o adiram \u00e0 uma ordem estrita, existe um modelo de perda que pode ser detectado.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o vem sempre primeiro, mas pode ressurgir de novo e de novo, sempre que os pais necessitem experiment\u00e1-la. Ansiedade geralmente segue \u00e0 nega\u00e7\u00e3o, mas pode seguir a outros estados tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 incomum ter-se dois estados de sentimento ao mesmo tempo. Diferentes fam\u00edlias est\u00e3o mais ou menos confort\u00e1veis em mostrar certos sentimentos enquanto escondem outros. Em suma, cada pessoa que atravessa o processo de luto vivencia cada um dos estados de luto, mas f\u00e1-lo de maneira e ordem \u00fanicas.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que este processo de luto espont\u00e2neo, n\u00e3o aprendido \u00e9 central para o bem estar da crian\u00e7a e dos pais. Ela \u00e9 o \u00fanico modo pelo qual algu\u00e9m pode separar-se de um sonho perdido e estimado. Muitas pessoas n\u00e3o o fazem.<br \/>\nEles t\u00eam seus sonhos despeda\u00e7ados pela defici\u00eancia e colapsam emocionalmente sob o assalto. Resistir ao processo de luto, eles represam seus sentimentos, culpam a si mesmos ou a outros, tornam-se amargurados, dependentes, ou at\u00e9 bizarros em suas intera\u00e7\u00f5es. Eles podem variar do cruzado altru\u00edsta ao desertor, do alco\u00f3lico ao workaholico, do ultrajante tenso \u00e0 pessoa que mal fala ou move-se. Entretanto, manifestam sua inflexibilidade, s\u00e3o pessoas que tornaram-se piores, n\u00e3o melhores, em resposta \u00e0 perda. Estas s\u00e3o as pessoas que n\u00e3o puderam ou quiseram experimentar os sentimentos de luto. Muitos deles resistiram ao processo devido a sua sub-cultura (fam\u00edlia, vizinhos, igreja, escola e amigos) e emitem uma mensagem consistente: os sentimentos de luto n\u00e3o s\u00e3o aceit\u00e1veis! Outros ca\u00edram por ficaram emocionalmente bloqueados antes de terem a crian\u00e7a deficiente. Independentemente do pano de fundo, pessoas tornam-se piores se resistem a experimentar e compartilhar os sentimentos de luto. Cada est\u00e1gio do luto, n\u00e3o importa qu\u00e3o negativo, serve a um prop\u00f3sito espec\u00edfico e \u00fatil. Para separar-se de um sonho perdido, algu\u00e9m deve experimentar e compartilhar a nega\u00e7\u00e3o, ansiedade, medo, culpa, depress\u00e3o e raiva, qualquer que seja a ordem ou modo em que o sentimento o toque.<\/p>\n<p>Os Estados de Sentimento do Luto<\/p>\n<p>Nega\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Pessoas que negam s\u00e3o consideradas est\u00fapidas, obstrucionistas, ma\u00e7antes, ou deliberadamente irritantes por muitos que tenham que lidar com elas. Nada disso \u00e9 verdadeiro. Pais de crian\u00e7as deficientes manifestam nega\u00e7\u00e3o como um curso normal de tentar lidar competentemente com a perda. \u00c9 imposs\u00edvel viver a vida completamente mantendo a percep\u00e7\u00e3o das coisas tristes que podem ocorrer \u00e0s pessoas. A maioria rotineiramente isola-se com pensamentos como \u201cAs coisas terr\u00edveis que ocorrem como os outros n\u00e3o v\u00e3o ocorrer comigo porque&#8230;\u201d. Este sistema funciona enquanto nada terr\u00edvel acontece, mas quando ocorre, ningu\u00e9m est\u00e1 preparado para lidar com a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que a nega\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do luto entra.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o paga o tempo necess\u00e1rio para desgastar o impacto inicial do sonho quebrado, para descobrir as for\u00e7as internas necess\u00e1rios para confrontar o que aconteceu realmente, e para encontrar as pessoas e os recursos necess\u00e1rios para tratar uma crise para qual n\u00e3o poderia ser preparado.<\/p>\n<p>Ansiedade<\/p>\n<p>Quando uma pessoa perde um sonho que seja central a seu ser, s\u00e3o for\u00e7ados para fazer mudan\u00e7as importantes dentro de si mesma e dentro de seu ambiente.<\/p>\n<p>Para tratar ter uma crian\u00e7a deficiente, os pais passam por mudan\u00e7as dram\u00e1ticas que afetam suas atitudes, prioridades, valores, e opini\u00e3o, assim como a altera\u00e7\u00e3o de rotinas do dia a dia. Tais mudan\u00e7as exigem muita energia. A ansiedade mobiliza a energia necess\u00e1ria para fazer estas mudan\u00e7as. Mais, d\u00e1 o foco a essa energia de modo que as mudan\u00e7as podem ser realizadas. A ansiedade \u00e9 a fonte interna da necessidade de atuar.<\/p>\n<p>A ansiedade \u00e9 considerada geralmente como hist\u00e9rica, impr\u00f3pria, e inaceit\u00e1vel. A mensagem cultural \u00e9 clara. Em regra geral n\u00f3s recomendamos \u00e0s pessoas ansiosas acalmarem-se, medicarem-se ou para usar o \u00e1lcool como solu\u00e7\u00e3o para o problema da ansiedade. Estas solu\u00e7\u00f5es evitam que os pais mudem e frequentemente tornem as coisas piorem para os envolvidos. As realidades devem ser enfrentadas, por mais fatigantes que possam ser. N\u00e3o leva muito tempo para que a maioria dos pais torne-se ciente que eles, n\u00e3o algum profissional, s\u00e3o os gestores medicinais, educacionais, e terap\u00eauticos de seus filhos, mesmo que possam ter o conhecimento m\u00ednimo destas \u00e1reas.<br \/>\nIsto, por si, deve levar \u00e0 necessidade urgente para que as suas energias sejam mobilizadas e focalizadas pelo sentimento crucial da ansiedade.<\/p>\n<p>Medo<\/p>\n<p>Assim como a ansiedade mobiliza as pessoas para lidar com a mudan\u00e7a, o medo \u00e9 um aviso que alarma a pessoa \u00e0 seriedade das mudan\u00e7as internas que s\u00e3o exigidas. O senso pessoal de equil\u00edbrio e a ordem s\u00e3o desafiados<br \/>\ndramaticamente quando se confronta uma perda significativa. Os pais experimentam o terror de saber que estar\u00e3o exigidos a mudar em um n\u00edvel fundamental, contra a sua vontade, com compreens\u00e3o plena que o processo de mudan\u00e7a interna \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>As perdas significativas produzem um sentido profundo do abandono e vulnerabilidade. N\u00f3s temos um n\u00famero de prov\u00e9rbios a lidar com este n\u00edvel de medo, por exemplo &#8221; \u00c9 melhor ter amado e ter perdido, do que nunca ter<br \/>\namado.&#8221; Cada pessoa deve encontrar suas pr\u00f3prias palavras para confrontar o sentido do abandono e da vulnerabilidade gerados por uma perda significativa. A maioria dos pais experimentam o medo da vulnerabilidade de ter mais crian\u00e7as depois que tiveram uma crian\u00e7a deficiente, ou superprotecionismo, &#8221; o medo imenso de permitir sua crian\u00e7a deficiente fazer qualquer coisa que ache arriscado. Dado o modo que esta parte do luto se manifesta, n\u00e3o deve ser dif\u00edcil ver que o medo \u00e9 o meio que incentiva o esfor\u00e7o de se religar, a amar outra vez em face de uma perda.<\/p>\n<p>Culpa<\/p>\n<p>Os pais de crian\u00e7as deficientes manifestam a culpa atrav\u00e9s do curso normal de afligir-se e s\u00e3o criticados frequentemente fazendo assim. A culpa \u00e9 um estado do sentimento que se torna t\u00e3o identificado com ser neur\u00f3tico que as pessoas se sentem culpadas por sentirem-se culpadas. Desde que a partilha de tais sentimentos evoca frequentemente julgamentos negativos, ele pode ser dif\u00edcil para que um pai sofisticado fale sobre a culpa livremente. Na superf\u00edcie, as pessoas com sentimentos de culpa podem parecer n\u00e3o somente neur\u00f3ticas. mas supersticiosas, ignorantes e primitivas. S\u00e3o vistos frequentemente como desagrad\u00e1veis. Pessoas dif\u00edceis de se conviver e, conseq\u00fcentemente, s\u00e3o demitidas ou tratadas de forma \u00e1spera por amigos, pela fam\u00edlia, e por profissionais.<\/p>\n<p>Geralmente, os pais de crian\u00e7as deficientes expressam a culpa em uma de tr\u00eas maneiras. Uma forma \u00e9 dizendo uma hist\u00f3ria que explique como s\u00e3o respons\u00e1veis pelas dificuldades de seus filhos. Sua hist\u00f3ria \u00e9 frequentemente exata e, em geral, persuasiva. A \u00eanfase atual na preven\u00e7\u00e3o dos defeitos cong\u00eanitos levou a muitos pais ao sentimento de que causaram o problema de seus filhos. O problema n\u00e3o \u00e9 a l\u00f3gica, mas o sentimento de culpa.<\/p>\n<p>Uma outra maneira em que a culpa \u00e9 manifestada est\u00e1 na convic\u00e7\u00e3o de que o problema de seus filhos \u00e9 resultado de pensamento, sentimento, ou a\u00e7\u00e3o impr\u00f3prias no passado.<\/p>\n<p>Um dos mais comuns \u201csentimentos de culpa\u201d est\u00e1 na regress\u00e3o at\u00e9 algum ponto do per\u00edodo gesta\u00e7\u00e3o. Quando algo vai mal em seguida a este pensamento, o sentimento &#8221; \u00e9 tudo minha culpa&#8221; torna-se um resultado natural.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a culpa pode ser expressada com as cren\u00e7as dos pais que as boas coisas acontecem \u00e0s boas pessoas, e as coisas m\u00e1s acontecem \u00e0s pessoas ruins. Porque eles t\u00eam uma crian\u00e7a deficiente, devem ser pessoas m\u00e1s e conseq\u00fcentemente sentem sentimento de vergonha e culpa. Como podem tais explica\u00e7\u00f5es dolorosas de trag\u00e9dias auxiliar indiv\u00edduos enlutados?<\/p>\n<p>Simplesmente sendo explica\u00e7\u00f5es. A culpa explica o inexplic\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os seres humanos come\u00e7am a questionar o porqu\u00ea das coisas desde muito cedo em suas vidas. Quais s\u00e3o as regras que governam o curso dos acontecimentos: causa e efeito assim como certo e errado?<\/p>\n<p>O porqu\u00ea mais importante diz respeito a como as a\u00e7\u00f5es \u201ccertas\u201d e \u201cerradas\u201d de cada um afetam a suas vidas. Que diferen\u00e7a faz se uma pessoa \u00e9 moral, \u00e9tica, legal, inquieta, ambiciosa? Como \u00e9 isso de que o que um faz ou n\u00e3o<br \/>\ninfluencia eventos de sua vida? Alguns de n\u00f3s encontraram respostas adiantadas e f\u00e1ceis a estes as perguntas e n\u00e3o t\u00eam considerado estas quest\u00f5es desde ent\u00e3o. Ap\u00f3s uma perda. tais as perguntas n\u00e3o podem ser respondidas de uma forma simples. Ao inv\u00e9s disso, elas deve ser endere\u00e7adas com o tipo de esfor\u00e7os associados a sofrimentos aqui expostos.<\/p>\n<p>Quando pessoas confrontam uma perda, a opini\u00e3o que tinham a respeito da causa e efeito, certo e errado, e seus impactos na vida \u00e9 sacudida profundamente. A ordem de coisas \u00e9 virada totalmente quando a crian\u00e7a<br \/>\ninocente sofre. O pai\/m\u00e3e experimenta a dor profunda, dor que pode ser usada para reordenar corre\u00e7\u00e3o do mundo. A culpa \u00e9 o estado do sentimento que facilita este esfor\u00e7o reordenamento. Basicamente a pessoa com sentimento de culpa est\u00e1 dizendo que est\u00e1 aceitando a responsabilidade por tudo. Sente que \u00e9 melhor fazer isso do que acreditar que eles n\u00e3o tenham nenhuma influ\u00eancia em qualquer coisa! A culpa, neste sentido, ajuda a redefinir a quest\u00e3o da causa e responsabilidade \u00e0 luz da perda.<\/p>\n<p>Depress\u00e3o<\/p>\n<p>Uma resposta comum \u00e0 perda \u00e9 caracterizada frequentemente por profundo e doloroso solu\u00e7ar. Os pais reportam que \u00e0s vezes sentem como se as l\u00e1grimas nunca parar\u00e3o. H\u00e1 um descanso. mas sem nenhuma raz\u00e3o aparente, as ondas do desespero e a ang\u00fastia derramam-se sobre os pais uma vez mais. Entre l\u00e1grimas, um pode sentar-se sozinho, olhando fixamente silenciosamente. Aqueles per\u00edodos do sil\u00eancio podem durar bem al\u00e9m dos per\u00edodos de l\u00e1grimas. Os pensamentos de depress\u00e3o tomam conta. Pensamentos como: \u201cQual o sentido de ir adiante? Est\u00e1 tudo acabado&#8221; ou &#8221; Nada que eu fa\u00e7o importa, porque nada mudar\u00e1 o que aconteceu \u00e0 minha crian\u00e7a! &#8221; A depress\u00e3o \u00e9 rejeitada sutilmente e julgada como patol\u00f3gica por grande parte de nossa cultura. Quando as pessoas mostram tais sentimentos, s\u00e3o frequentemente estimulados a se animarem, indicadas medica\u00e7\u00f5es ou oferecidas distra\u00e7\u00f5es. Tais respostas s\u00e3o impr\u00f3prias, pois a depress\u00e3o \u00e9 a parte do normal, necess\u00e1rio, sentimento de luto. Ela atende a um outro aspecto de um esfor\u00e7o humano b\u00e1sico que a perda instiga.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que amadurecemos, desenvolvemos e modificamos nossas defini\u00e7\u00f5es das seguintes palavras: compet\u00eancia, capacidade, valor, e pot\u00eancia. S\u00e3o palavras de significado pessoal profundo. S\u00e3o os crit\u00e9rios que as pessoas usam para decidir se s\u00e3o APROVADOS ou n\u00e3o. Que crit\u00e9rios uma pessoa tem que ter para sentir-se um pai competente, um trabalhador capaz, um amigo valoroso, ou uma pessoa forte? Cada pessoa determina estes padr\u00f5es confidencialmente, mesmo secretamente. Quando os pais forem confrontados com crian\u00e7a deficiente, as defini\u00e7\u00f5es que t\u00eam para a compet\u00eancia, capacidade, o valor, e a pot\u00eancia geralmente j\u00e1 n\u00e3o se aplicam. Como uma m\u00e3e pode sentir-se competente quando tem uma filha retardada? Ela n\u00e3o pode usar as medidas de seus pares, como ter uma filha graduada na faculdade, ou tornada rainha do regresso a casa. O que \u00e9 o valor para um pai que n\u00e3o possa consertar o que est\u00e1 quebrado em seu filho deficiente? Fora deste esfor\u00e7o de definir o valor de algu\u00e9m vem os sentimentos assustadores do desamparo, desespero e infelicidade. Confrontado com a perda. um pai sente-se incapaz de atuar eficazmente (insol\u00favel), incapaz de imaginar que as coisas v\u00e3o ficar melhor (desespero), e incapaz de acreditar que suas vidas est\u00e3o tocadas pela boa sorte (infeliz).<\/p>\n<p>Tais sentimentos s\u00e3o aterradores para ambos os pais e aqueles em torno deles. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 duro ver que a depress\u00e3o \u00e9 uma parte normal e necess\u00e1ria do processo do luto. A depress\u00e3o \u00e9 o meio que ajuda aos pais a<br \/>\nchegar a defini\u00e7\u00f5es novas do que \u00e9 preciso para ser um pessoa competente, capaz, valioso e forte, mesmo que sua crian\u00e7a tenha os preju\u00edzos que n\u00e3o podem curar.<\/p>\n<p>Raiva<\/p>\n<p>Raiva, para muitas pessoas, \u00e9 o mais desconcertante dos estados de sentimentos. Ela \u00e9 tamb\u00e9m uma parte natural e necess\u00e1ria do processo de luto. Os pais sentem a raiva do dano feito a sua crian\u00e7a e \u00e0 quebra de seus sonhos. Quando algu\u00e9m tem uma perda significativa, seu senso interno de justi\u00e7a \u00e9 desafiado severamente. Para continuar a confiar no mundo, algu\u00e9m deve ter um sentido de justi\u00e7a que confirma a equidade e a ordem do mundo.<\/p>\n<p>Um pai\/m\u00e3e pode com raz\u00e3o exigir saber porque t\u00eam uma crian\u00e7a deficiente: &#8221; Porque eu, porque n\u00e3o voc\u00ea! &#8221; Impl\u00edcita na pergunta \u00e9 a no\u00e7\u00e3o que deve haver uma boa raz\u00e3o que tal coisa acontece a um pai\/m\u00e3e e n\u00e3o a outro. O conceito de justi\u00e7a de pais, como o valor e utilidade, \u00e9 outro produto \u00fanico daquele pensamento e desenvolvimento de um indiv\u00edduo. Quando confrontado com a perda traum\u00e1tica de um sonho, aquele sentido interno de justi\u00e7a \u00e9 violado. Gritando frente \u00e0 injusti\u00e7a, os pais desenvolvem maneiras novas de olhar justi\u00e7a no mundo. &#8221; O que afinal de contas \u00e9 justo, se isto pode acontecer? &#8221; A raiva \u00e9 o meio pelo pais redefinem a equidade e a justi\u00e7a. Assim se<br \/>\nintegram novas cren\u00e7as aos n\u00edveis emocionais mais profundos dos pais entristecidos.<\/p>\n<p>Infelizmente, a raiva \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o que \u00e9 rejeitada ativamente pela cultura em geral e pelas pessoas mais pr\u00f3ximas aos pais. Os pais irritados experimentam a rejei\u00e7\u00e3o por outros, a confus\u00e3o sobre a raiva do sentimento e o sentimento de estar fora de controle. Toda isso torna muito dif\u00edcil que este sentimento importante tome seu curso.<\/p>\n<p>Raiva igualmente levanta outros dilemas. Ao contr\u00e1rio dos outros estados do sentimento de luto, a raiva \u00e9 dirigida para algu\u00e9m ou algo. Quem (ou que) \u00e9 o objeto da raiva parental? Esta pergunta aflige profundamente a maioria de pais, porque a resposta honesta frequentemente \u00e9 t\u00e3o perturbadora que muitas pessoas evitam se fazer a pergunta. A resposta inaceit\u00e1vel, naturalmente, \u00e9 que a crian\u00e7a deficiente \u00e9 o objeto da raiva. No fim das contas, quem se incorporou na vida destes pais, causando dor incomensur\u00e1vel, drenando todo o seu tempo, energia e dinheiro?<\/p>\n<p>A maioria dos pais foi criada para acreditar que sentir e expressar sentimentos negativos sobre seus filhos \u00e9 um tabu. \u201cA crian\u00e7a nunca pediu para nascer deficiente. Como pode algu\u00e9m ficar irritado com esta crian\u00e7a?\u201d<br \/>\nSe a crian\u00e7a \u00e9 sem culpa, ent\u00e3o deve ser il\u00f3gico sentir a raiva dela, mesmo que algu\u00e9m o fa\u00e7a! O conflito entre o que os pais sentem e o que podem permitir eles mesmos de se expressar pode causar um retorno \u00e0 nega\u00e7\u00e3o. Um outro resultado deste conflito \u00e9 que os pais podem desaguar a raiva em outros. Esposos, irm\u00e3os normais da crian\u00e7a deficiente, e os profissionais s\u00e3o todos alvos poss\u00edveis desta raiva.<\/p>\n<p>Quando considerando os estados do sentimento de luto, em especial o estado do sentimento de raiva, a l\u00f3gica e a raz\u00e3o s\u00e3o irrelevantes. Onde est\u00e1 a l\u00f3gica atr\u00e1s de maldizer um galho em que algu\u00e9m apenas tropece? Que \u00e9 a finalidade de chutar um pneu furado? Que bem se faz em advertir algu\u00e9m depois de ter feito j\u00e1 a coisa errada?<\/p>\n<p>Expressar a raiva limpa a forma de se lidar com a tarefa em m\u00e3os. Expressar a raiva abre a maneira de endere\u00e7ar o significado de justi\u00e7a. Enquanto n\u00e3o h\u00e1 l\u00f3gica, h\u00e1 um prop\u00f3sito e uma fun\u00e7\u00e3o para a express\u00e3o de sentimentos de raiva. \u00c0 medida que eventos ocorridos violem o senso de justi\u00e7a de algu\u00e9m, o ultraje tem que ser expressado. Estas express\u00f5es ajudam na redefini\u00e7\u00e3o o conceito de algu\u00e9m de justi\u00e7a e corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pais de uma crian\u00e7a deficiente separam-se dos sonhos que foram quebrados pela defici\u00eancia atrav\u00e9s do luto. Nega\u00e7\u00e3o, ansiedade, medo, depress\u00e3o, culpa, e raiva, todos emergem. Se forem compartilhados com outras pessoas, estes sentimentos ajudam os pais a crescerem e tirar proveito daquilo que pode ter sido a maior trag\u00e9dia de suas vidas. O sofrimento deve ser compartilhado profundamente e inteiramente at\u00e9 que os problemas subjacentes estejam revelados.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o destes problemas muda a vis\u00e3o dos pais a respeito do mundo. Percep\u00e7\u00f5es novas de si mesmo e do mundo agem como uma funda\u00e7\u00e3o s\u00f3lida para lidar com defici\u00eancia e para o crescimento pessoal. Render-se ao processo de luto auxiliam aos pais \u00e0 encontrar a for\u00e7a interna e a sustenta\u00e7\u00e3o externa necess\u00e1rios para enfrentar as perdas profundas; , a mobilizar e focalizar as energias necess\u00e1rias para mudar suas vidas; para reatar aos novos sonhos e aos amores novos apesar do sentirem-se abandonados e vulner\u00e1veis; para redefinir seus crit\u00e9rios para compet\u00eancia, capacidade, valor, e pot\u00eancia; para fazer nova avalia\u00e7\u00e3o de seu senso de significado, responsabilidade, e impacto sobre o mundo em torno de si; e para desenvolver a opini\u00e3o nova sobre o sistema de justi\u00e7a universal que faz do mundo um lugar toler\u00e1vel para viver, mesmo que perdas terr\u00edveis possam ocorrer. Os estados de sentimentos culturalmente rejeitados de nega\u00e7\u00e3o, ansiedade, medo, depress\u00e3o, culpa, e raiva podem ser usados de uma maneira surpreendentemente positivas quando tais sentimentos forem compartilhados inteiramente.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea possa agora ver porque eu penso que experimentar e compartilhar da dor s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o problema. Em minha vida eu tenho experimentado muitas perdas. Por muitos anos eu lidei com estas perdas com sentimentos sufocantes, trabalhando em excesso, e diversas outras maneiras que evitaram que vivenciasse o que me tinha acontecido. Eu transformei-me em um dos feridos ambulantes que eu deveria ajudar. Ironicamente, n\u00e3o foi at\u00e9 que eu mesmo tivesse uma crian\u00e7a com defici\u00eancia que me dei conta que eu tinha dado t\u00e3o livremente a outros pais. Eu comecei render-me ao processo natural e necess\u00e1rio de enlutamento. Como todos os demais. Descobri que somente agora estou crescendo com o impacto da perda. Eu continuarei a afligir-me e crescer enquanto minha crian\u00e7a e eu desenvolvemos e vivenciamos novas perdas e novas for\u00e7as.<\/p>\n<p>This article by Dr. Ken Moses is reprinted with Permission from WAYS MAGAZINE, Spring 1987<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Luta dos Pais por Ken Moses, Ph.D. O Dr. Moses \u00e9 um psic\u00f3logo que se devotou a auxiliar pessoas com crises, traumas e perdas. Ele \u00e9 reconhecido nacionalmente como palestrante, autor e cl\u00ednico que focou muito do seu trabalho com pais de crian\u00e7as prejudicadas e adultos deficientes. 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