{"id":19910,"date":"2011-06-16T01:06:38","date_gmt":"2011-06-16T04:06:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=19910"},"modified":"2011-06-16T01:06:38","modified_gmt":"2011-06-16T04:06:38","slug":"o-dito-na-fala-de-quem-nao-o-diz-uma-questao-de-inclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=19910","title":{"rendered":"O dito na fala de quem n\u00e3o o diz: uma quest\u00e3o de inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_19938\" aria-describedby=\"caption-attachment-19938\" style=\"width: 175px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19938 \" title=\"exclus\u00e3o\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/exclus\u00e3o.jpg\" alt=\"5 bonecos de papel fazem roda enquanto um boneco fica de fora.\" width=\"175\" height=\"240\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19938\" class=\"wp-caption-text\">5 bonecos de papel fazem roda enquanto um boneco fica de fora.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Artigo sobre a quest\u00e3o da pessoas com defici\u00eancia e sua segrega\u00e7\u00e3o escolar, sob o manto de uma educa\u00e7\u00e3o especial.<br \/>\n<em>Francisco J. Lima, Rosang\u00eala A. Ferreira Lima e Theresinha M. J. M. Moura<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p>O presente artigo versa sobre o discurso por tr\u00e1s do  discurso. Trata da fala &#8220;opaca&#8221; que promove a exclus\u00e3o sob a apar\u00eancia  de se estar promovendo a inclus\u00e3o. Argumenta que se tem apropriado do  discurso da inclus\u00e3o para deliberadamente impedi-la. Registra que falas.  Travestidas de boa inten\u00e7\u00e3o conduzem \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o de tabus,  preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es contra grupos vulner\u00e1veis diversos. Aponta  que a chamada educa\u00e7\u00e3o especial n\u00e3o faculta a quebra desses  preconceitos, pelo contr\u00e1rio, serve para promover a segrega\u00e7\u00e3o social,  retirando do conv\u00edvio da sociedade, todos aqueles que &#8220;ela considera  feio, repugnante de olhar, ou aceitar, falho, incompleto ou imperfeito.  Por fim, deixa-nos pistas do que podemos fazer para mudarmos a nossa  postura em prol de uma sociedade verdadeiramente para todos, onde nesse  &#8220;todos&#8221; se encontrem as pessoas com defici\u00eancia e demais grupos  socialmente vulner\u00e1veis, como os de diversas origens, \u00e9tnicas,  religiosas, geogr\u00e1ficas ou ling\u00fc\u00edsticas que, portanto, n\u00e3o fazem parte  do poder dominante.<\/p>\n<p><strong>Artigo<\/strong><\/p>\n<p>A linguagem humana \u00e9 de tal import\u00e2ncia em nossa  vida, que nem nos damos conta de que todas as nossas a\u00e7\u00f5es se d\u00e3o na e  pela linguagem. Sabemos que todos os animais se comunicam de uma forma  ou de outra e que s\u00f3 o ser humano utiliza-se da comunica\u00e7\u00e3o no seu mais  alto grau de complexidade: a l\u00edngua. \u00c9 atrav\u00e9s dela que expressamos  nossas id\u00e9ias, sentimentos, e \u00e9 por meio dela que nos organizamos e  vivemos numa sociedade.<\/p>\n<p>Est\u00e1, pois, no ato da fala a manifesta\u00e7\u00e3o do homem  enquanto ser pensante, sujeito e objeto de suas a\u00e7\u00f5es e de outros de sua  esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Tal afirma\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 estranha para muitos  te\u00f3ricos e que \u00e9 assumida por v\u00e1rios outros, com pequenas nuances de  estilo e conte\u00fado, pode, na pr\u00e1tica, ser observada no dia-a-dia. A  l\u00edngua de comunica\u00e7\u00e3o social de um grupo, portanto, exprime o que se  quer dizer, mas n\u00e3o p\u00e1ra por a\u00ed. Ela denuncia tamb\u00e9m o que uma pessoa  n\u00e3o quer dizer ou gostaria de omitir, mesmo que inconscientemente.<\/p>\n<p>S\u00f3cio-culturalmente constru\u00eddas, a discrimina\u00e7\u00e3o, a  segrega\u00e7\u00e3o, enfim, a exclus\u00e3o de membros da sociedade humana v\u00eam  historicamente se apresentando manifestas, n\u00e3o s\u00f3 nas a\u00e7\u00f5es de pessoas  que assumem sua intencionalidade, mas tamb\u00e9m nas falas n\u00e3o ditas de  profissionais que se pretendem defensores da diversidade, da  &#8220;diferen\u00e7a&#8221;, da multiplicidade e de outros conceitos correlatos que, se  de fato fossem assumidos e postos em pr\u00e1tica nas atitudes di\u00e1rias desses  profissionais, viriam somar-se \u00e0 tentativa de se minimizar a exclus\u00e3o  dos muitos grupos socialmente vulner\u00e1veis, reconhecidamente exclu\u00eddos  das rela\u00e7\u00f5es sociais humanas mais b\u00e1sicas, por conta de sua religi\u00e3o,  sua cultura, seu g\u00eanero, sua origem racial ou econ\u00f4mica etc.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui de culpabilizar ou diminuir os  esfor\u00e7os e a import\u00e2ncia desses atores da sociedade, que s\u00e3o, por vezes  ou em parte, bem sucedidos naquela tentativa, mas de desvelar que, mesmo  sem quererem, perpetuam exclus\u00f5es historicamente praticadas por  atitudes milenares de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o. Note-se que hoje,  cada vez mais, os grupos em desvantagem ou vulner\u00e1veis v\u00eam sendo ouvidos  e atendidos em suas reivindica\u00e7\u00f5es e em seus direitos b\u00e1sicos,  suprindo, paulatinamente suas necessidades mais espec\u00edficas.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, tamb\u00e9m esses operadores sociais n\u00e3o  est\u00e3o imunes de provocarem ou causarem ou apenas responderem  &#8220;despreocupadamente&#8221; a situa\u00e7\u00f5es hodiernas que reproduzem a exclus\u00e3o da  pessoa humana.<\/p>\n<p>Por conseguinte, \u00e9 mister cuidar para que essas  pessoas n\u00e3o se tornem exemplos equivocadamente seguidos, quando, sem  notarem, ou deliberadamente desviarem do prop\u00f3sito \u00f3timo da inclus\u00e3o, a  participa\u00e7\u00e3o de todas as pessoas no todo social humano. E essa  preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 devida, tamb\u00e9m pelo fato de que essas pessoas est\u00e3o, ou  muitas vezes ocupam, lugares sociais, de onde s\u00e3o miradas como exemplos,  mesmo quando n\u00e3o querem, mas que ainda assim, servem como tal e s\u00e3o  seguidas.<\/p>\n<p>Destarte, ao ocuparem esses espa\u00e7os, dizem muito mais  que suas palavras soam, uma vez que encerram, produzem e proclamam em  suas a\u00e7\u00f5es, argumentos para o exerc\u00edcio da inclus\u00e3o ou da pr\u00f3pria  exclus\u00e3o, apropriados pelos demais agentes sociais de uma dada  comunidade.<\/p>\n<p>Tomemos alguns exemplos para que esse espectro se nos  ponha mais palp\u00e1vel: na educa\u00e7\u00e3o, um professor pode facultar ou  dificultar mais ou menos o aprendizado de uma crian\u00e7a, caso sua fala (do  professor, enquanto mediador do conhecimento) reflita preconceitos a  respeito da capacidade do aluno, a sua frente.<\/p>\n<p>Com efeito, a baixa expectativa de professores sobre a  potencialidade de seus alunos tem se constitu\u00eddo fator preponderante  para o baixo desempenho destes. Quase como conseq\u00fc\u00eancia dessa baixa  expectativa, pois, \u00e9 que crian\u00e7as advindas de classes sociais menos  abastadas, de origem racial n\u00e3o branca, de minorias ling\u00fc\u00edsticas, com  &#8220;defici\u00eancia intelectual, f\u00edsica, sensorial ou cerebral) etc., s\u00e3o  vistas como sendo incapazes de serem bem sucedidas no desempenho  escolar. E isso n\u00e3o tem certamente nada que ver com sua capacidade  cognitiva, mental, de aprendizagem etc., mas em barreiras atitudinais  para com elas. Mais ainda, isso se deve, entre outros fatores, os quais  n\u00e3o exploraremos aqui, ao fato de que a cren\u00e7a, n\u00e3o dita, na  incapacidade dessas crian\u00e7as se mostra manifesta nas aulas e na fala dos  docentes que deveriam, por quest\u00e3o \u00f3bvia de moral e \u00e9tica, ser os  primeiros a crer na capacidade de intelig\u00eancia latente dessas crian\u00e7as  que s\u00e3o, por clareza solar, vencedoras, numa vida que parece coloc\u00e1-las  como perdedoras em um jogo in\u00edquo, cujas regras n\u00e3o lhes foram  permitidas elaborar, e contest\u00e1-las \u00e9 quase imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Quando, pois, um professor diz que &#8220;n\u00e3o d\u00e1 para fazer  um bom trabalho em uma sala de aula de uma escola de periferia, onde  est\u00e3o estudando crian\u00e7as pobres, negras, sem dentes, revoltadas com a  vida e violentas por natureza&#8221;, esse professor est\u00e1 facultando que esses  predicativos se tornem realidade como em uma profecia de  auto-realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se \u00e9 fato que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho em muitas  escolas, se n\u00e3o na maioria das escolas p\u00fablicas, s\u00e3o prec\u00e1rias, isso n\u00e3o  deve servir como uma n\u00e9voa que tapa uma realidade mais repugnante, a do  preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o para com os muitos grupos vulner\u00e1veis, de  onde v\u00eam as crian\u00e7as, jovens e adultos de que tratamos.<\/p>\n<p>Fica tamb\u00e9m claro perceber o quanto a fala denuncia a  exclus\u00e3o e, mais ainda, a produz, quando se diz: &#8220;a inclus\u00e3o \u00e9 um tipo  de exclus\u00e3o&#8221;. Essa fala, que tem sido corrente, por parte de alguns que  se apropriam do discurso da inclus\u00e3o para contra esta trabalhar,  demonstra, de um lado, que o emissor de tal fala n\u00e3o sabe do que est\u00e1  falando, j\u00e1 que a inclus\u00e3o s\u00f3 existe porque se reconhece que no atual  sistema em que vivemos, uma grande parcela da sociedade est\u00e1 exclu\u00edda,  alheia, ausente, deixada de lado dos benef\u00edcios sociais como educa\u00e7\u00e3o,  sa\u00fade, moradia, trabalho, lazer etc. Com efeito, tantas s\u00e3o os grupos em  desvantagens e tanto foi o abandono social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico que  sofreram que tais grupos se reuniram para exigir dos governos que  atentassem\/respondessem \u00e0s suas necessidades. Logo, quando vemos uma  a\u00e7\u00e3o sendo tomada por um governo, esta a\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de cima para baixo,  mas vem sim, como uma t\u00edmida resposta \u00e0 demanda desses muitos grupos  vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Por outro lado, a apropria\u00e7\u00e3o do discurso da inclus\u00e3o  para se trabalhar contra ela fica evidente quando, por exemplo, a  escola reconhece, na fala, o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para todos, mas, na  pr\u00e1tica, nega esse direito para o verdadeiro &#8220;todos&#8221;, quando recusa,  dificulta, resiste \u00e0 inclus\u00e3o plena de todas as pessoas na escola,  mormente quando denega criminosamente a matr\u00edcula de pessoas com  defici\u00eancia, em particular as com limita\u00e7\u00e3o intelectual, doentes mentais  ou pessoas com m\u00faltipla defici\u00eancia.<\/p>\n<p>E fazem isso, negando-lhes o direito \u00e0 cidadania e \u00e0  dignidade de pessoa humana. Com efeito, &#8220;A dignidade conquista-se  gritando: O rei vai nu!<\/p>\n<p>O rei vai nu, a escola vai nua, porque se cobriu com a capa da escola para todos, mas s\u00f3 o \u00e9 na rejei\u00e7\u00e3o.&#8221; Barbosa (2003)&#8221;.<\/p>\n<p>Ao se alegar, por exemplo, que &#8220;um indiv\u00edduo surdo s\u00f3  pode aprender a l\u00edngua de sinais (LIBRAS) se for em institui\u00e7\u00f5es para  surdos, com seus colegas surdos e com professores especializados em  surdos&#8221; ou que &#8220;a escola comum\/regular n\u00e3o est\u00e1 preparada para atender  esses alunos, pois seus professores n\u00e3o det\u00eam os conhecimentos  necess\u00e1rios para ensinar alunos surdos&#8221;, embute-se, numa fala n\u00e3o dita, a  cren\u00e7a de que surdos s\u00e3o seres que aprendem, se \u00e9 que aprendem, na  vis\u00e3o dessas pessoas, de maneira tal e diferente, que \u00e9 preciso  confi\u00e1-los a institui\u00e7\u00f5es especializadas, para que possam ser treinados  para um conv\u00edvio social mais amplo. Cren\u00e7a essa, infundada e descabida,  quando sabemos que as pessoas com limita\u00e7\u00e3o auditiva, parcial ou total,  cong\u00eanita ou advent\u00edcia, s\u00e3o dotadas de igual potencial de aprendizagem  como quaisquer outras crian\u00e7as, jovens e adultos, mesmo quando precisam  de metodologia de ensino espec\u00edfica, como para aprender LIBRAS.<\/p>\n<p>\u00c9 cristalino que n\u00e3o \u00e9 essa postura de segrega\u00e7\u00e3o que  se espera de uma sociedade capaz de se modificar para responder \u00e0s  necessidades de seus membros, uma sociedade realmente inclusiva. Nessa  sociedade, o discurso \u00f3bvio seria o de reconhecer que as escolas  brasileiras n\u00e3o est\u00e3o preparadas pra educar com \u00f3tima qualidade a nenhum  de seus membros, exce\u00e7\u00e3o feita aos v\u00e1rios exemplos, cujos promotores  alcan\u00e7am tal objetivo, a despeito das adversidades econ\u00f4micas, culturais  e te\u00f3ricas, por que todos passamos.<\/p>\n<p>Assim, deparamo-nos com um falso paradoxo: de um lado  reconhecemos que no atual sistema educacional as condi\u00e7\u00f5es de  ensino\/aprendizagem n\u00e3o s\u00e3o boas; de outro, queremos que pessoas, com as  limita\u00e7\u00f5es descritas acima e outras, venham estudar na escola que  temos. Novamente, estamos aqui perante uma fala que nada colabora para  propiciar a inclus\u00e3o de todos nesta sociedade que sabemos ser excludente  e que queremos tanto mudar. Assumindo o discurso da segrega\u00e7\u00e3o baseada  no discurso do melhor para as pessoas com defici\u00eancia, fugimos do  verdadeiro dilema, qual seja: como modificar esta escola, de maneira  plena e irrestrita, para alcan\u00e7armos uma escola de qualidade, capaz de  transformar-se para receber, entender, respeitar e atender \u00e0s  necessidades\/peculiaridades de todos os seus alunos, independentemente  de diferen\u00e7as sociais, econ\u00f4micas, de g\u00eanero, origem (geogr\u00e1fica,  \u00e9tnica, ling\u00fc\u00edstica, religiosa etc.) ou de quaisquer outras diferen\u00e7as  de apar\u00eancia (est\u00e9tica), de &#8220;descapacidade&#8221; (limita\u00e7\u00e3o sensorial,  intelectual, cerebral e f\u00edsica) ou de orienta\u00e7\u00e3o sexual etc.<\/p>\n<p>Fica mais patente a tentativa de reservar a educa\u00e7\u00e3o  para uma parcela pseudo-homog\u00eanea e escolhida, quando se pretende que,  mesmo dentro das minorias aceitas nas diversas inst\u00e2ncias sociais, entre  elas a da educa\u00e7\u00e3o, as pessoas devam apresentar alguns par\u00e2metros de  &#8220;intelig\u00eancia&#8221;, em geral de cunho verbal-ling\u00fc\u00edstico ou  l\u00f3gico-matem\u00e1tico, sem os quais elas deveriam ser recolhidas em  institui\u00e7\u00f5es especializadas ou especiais (que, como se tem mostrado, de  especiais n\u00e3o t\u00eam nada e menos ainda de especializadas).<\/p>\n<p>Basta perguntar quantas dessas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam  profissionais graduados e p\u00f3s-graduados em seu quadro de empregados (n\u00e3o  assinando laudos pr\u00e9-formatados, mas efetivamente trabalhando\/ensinando  a popula\u00e7\u00e3o em tela). A essa quest\u00e3o a resposta \u00e9 \u00f3bvia: hoje as  institui\u00e7\u00f5es t\u00eam alguns, por\u00e9m, historicamente, tais institui\u00e7\u00f5es t\u00eam  sido formadas para a assist\u00eancia de pessoas, cujas necessidades v\u00e3o al\u00e9m  de suas limita\u00e7\u00f5es sensoriais, f\u00edsicas ou intelectuais, para a  assist\u00eancia de necessidades pecuni\u00e1rias dessas pessoas.<\/p>\n<p>Tanto \u00e9 assim que muitas dessas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o de  inspira\u00e7\u00e3o religioso-caritativa, e n\u00e3o educacional por excel\u00eancia.  Tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3bvio que reconhecemos que muitas dessas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam  buscado instruir tais pessoas, e muitas vezes alcan\u00e7aram tal \u00eaxito.  Provavelmente muito mais pelo esfor\u00e7o individual daquele estudante com  defici\u00eancia que da institui\u00e7\u00e3o propriamente dita. Mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos  que essas mesmas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam servido para prolongar uma realidade  deplor\u00e1vel, qual seja, a manuten\u00e7\u00e3o de pessoas na proscri\u00e7\u00e3o social, da  fam\u00edlia, do trabalho, do lazer dentre outros locus de conv\u00edvio humano.<\/p>\n<p>Exemplo disso \u00e9 o de uma crian\u00e7a, residente no  interior, que aos seis ou sete anos \u00e9 retirada do seio familiar, para ir  estudar numa institui\u00e7\u00e3o &#8220;especializada em deficiente&#8221;, na cidade  grande, 300, 500 km de dist\u00e2ncia de sua cidade natal, pois, no modelo  atual, \u00e9 somente nessa cidade que ela vai encontrar um ensino especial.<\/p>\n<p>Ora, se considerarmos que todas as crian\u00e7as  necessitam mais do afeto de suas fam\u00edlias de que qualquer outra coisa,  n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para crermos que uma crian\u00e7a que tenha alguma &#8220;defici\u00eancia&#8221;  precise menos.. Portanto, \u00e9 descabido querer um modelo educacional que  vai impor a essa crian\u00e7a que, na possibilidade de educar-se, venha ficar  sem sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Se esse exemplo n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, suficiente para  explicitar o discurso por tr\u00e1s da fala dos que defendem uma escola  segregada, lembremos que, ao retirarmos da sociedade a pessoa com  defici\u00eancia, estamos tirando dos olhos dessa sociedade parte daquilo que  ela considera feio, repugnante de olhar, aceitar ou conviver, mas que  nada mais \u00e9 que as pessoas humanas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Sob esse modelo segregador da pessoa com defici\u00eancia,  n\u00e3o \u00e9 de se admirar que praticamente n\u00e3o haja, ainda nos dias de hoje,  crian\u00e7as e jovens com s\u00edndrome de Down, por exemplo, freq\u00fcentando os  bancos escolares, os parques de divers\u00e3o, as pra\u00e7as e outros locais de  lazer (como se essas pessoas praticamente n\u00e3o existissem em nossa  sociedade), quando as estat\u00edsticas demonstram que para cada 600 beb\u00eas  nascidos vivos, um ter\u00e1 s\u00edndrome de Down. Logo, se essas pessoas existem  (e elas existem) e n\u00e3o est\u00e3o convivendo conosco, em nosso dia-a-dia,  elas s\u00f3 podem estar &#8220;asiladas&#8221;, em parte devido ao discurso dos  defensores de uma sociedade pseudo-protetora dos indiv\u00edduos com  defici\u00eancia, mas que de fato apenas os excluem, visando uma &#8220;sociedade  limpa, bonita, arrumadinha e perfeita&#8221;, enfim, uma sociedade de  &#8220;normais&#8221;.<\/p>\n<p>Nessa sociedade, irreal, gra\u00e7am abertamente os  defensores da educa\u00e7\u00e3o em ambiente segregado, as escolas especiais. Em  nossa sociedade real, esses defensores professam, na opacidade de seus  discursos, falas como as que Certeza (2003) denuncia como sendo  express\u00f5es de preconceito:<\/p>\n<p>&#8220;(&#8230;) infelizmente ainda s\u00e3o preconceituosamente  utilizadas express\u00f5es como: &#8220;vencer obst\u00e1culos \u00e9 o lema dos  deficientes&#8221;, &#8220;a maioria dos obesos supera barreiras todos dos dias&#8221;,  &#8220;conquistar espa\u00e7os com muita garra \u00e9 o objetivo de todas as mulheres&#8221;,  &#8220;ele \u00e9 um ser especial e super eficiente&#8221;, &#8220;mesmo morando em um lugar  t\u00e3o prec\u00e1rio, realiza algo fenomenal&#8221;, &#8220;em uma cadeira de rodas \u00e9 um  super-her\u00f3i&#8221;, &#8220;deficientes mentais s\u00e3o um exemplo de vida&#8221;, &#8220;p\u00f4de  ultrapassar limites mesmo sendo cego&#8221; e etc.<\/p>\n<p>(&#8230;) &#8220;ajude, pois ele \u00e9 um coitadinho&#8221;, &#8220;carentes  precisam do seu apoio&#8221;, &#8220;quem \u00e9 parapl\u00e9gico \u00e9 um incapaz&#8221;, &#8220;todo negro \u00e9  fraco&#8221;, &#8220;a maioria dos idosos s\u00e3o dependentes&#8221;, &#8220;\u00e9 pequeno, mas merece  sua ajuda&#8221;, &#8220;cuide dos aleijados que n\u00e3o podem viver sozinhos&#8221;, &#8220;apesar  de ele ser pobre, conseguiu realizar tal coisa&#8221;, &#8220;mesmo sem uma perna,  trabalha&#8221;, entre outras.&#8221; (Certeza, 2003)<\/p>\n<p>Nas palavras da autora, &#8220;generalizar, nivelar, taxar,  pr\u00e9-julgar, acreditar exclusivamente no senso comum, n\u00e3o conhecendo  como realmente \u00e9 o outro, s\u00f3 nos conduz \u00e0 ignor\u00e2ncia, ao preconceito, e \u00e0  atitudes discriminat\u00f3rias&#8221; (Certeza, 2003). Nas falas dos que afirmam  que &#8220;a inclus\u00e3o \u00e9 um tipo de exclus\u00e3o&#8221;, ora estampam-se ora escondem-se  estere\u00f3tipos, estigmas, preconceitos e tabus para com as pessoas com  defici\u00eancia e demais grupos vulner\u00e1veis, posto que aqueles defensores  n\u00e3o assumem, de fato, a coexist\u00eancia desses grupos na diversidade  humana.<\/p>\n<p>As express\u00f5es preconceituosas, a que a autora se  refere, est\u00e3o, por vezes, expl\u00edcitas no discurso do cidad\u00e3o comum,  leigo, por\u00e9m, com freq\u00fc\u00eancia, aparecem impl\u00edcitas no discurso e na  pr\u00e1tica de m\u00e9dicos, professores, psic\u00f3logos, terapeutas, em geral, e dos  pr\u00f3prios indiv\u00edduos com defici\u00eancia, os quais acabam refletindo o  estigma e a baixa expectativa daqueles profissionais, acreditando que  n\u00e3o s\u00e3o deficientes, mas sim incapazes.<\/p>\n<p>J\u00e1 confirmava tal assertiva, Buscaglia, no s\u00e9culo passado quando dizia:<\/p>\n<p>&#8220;&#8230;M\u00e9dicos, pais, professores, amigos, parentes,  todos, sem d\u00favida, bem intencionados, se encarregar\u00e3o de convencer essas  crian\u00e7as, ou de ajud\u00e1-las a aprenderem, de que s\u00e3o incapazes. \u00c9 muito  dif\u00edcil evitar tal atitude, pois nossos pr\u00f3prios medos, ignor\u00e2ncia,  apreens\u00f5es e preconceitos surgir\u00e3o sob milhares de formas distintas, a  maioria delas inconscientes. Aparecer\u00e3o disfar\u00e7ados no jarg\u00e3o m\u00e9dico e  pedag\u00f3gico, em testes psicol\u00f3gicos, na prote\u00e7\u00e3o paterna, no excesso de  preocupa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, sempre vestidos com o manto do amor.<\/p>\n<p>\u00c9 imperativo, portanto, para aqueles que cuidam de  indiv\u00edduos deficientes, estar sempre alerta, a fim de se assegurarem de  que n\u00e3o est\u00e3o colaborando com o processo de esses indiv\u00edduos se tornarem  tamb\u00e9m incapazes&#8221;.<\/p>\n<p>(Buscaglia, 1997)<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o deve acontecer hoje, amanh\u00e3 e da\u00ed em  diante, mais do que no discurso, no pr\u00f3prio fazer social. Como se diz:  &#8220;ningu\u00e9m faz curso para ser m\u00e3e ou pai, nem se est\u00e1 realmente pronto  para ter filhos&#8221;. Mas, assim que os t\u00eam, os pais passam a aprender a ser  pais: &#8220;aprende-se, pois, a ser pai, sendo&#8221;. Da mesma forma, aprende a  sociedade a ser inclusiva, sendo!<\/p>\n<p>Como pudemos ver, h\u00e1 mais por tr\u00e1s das falas do que  imaginam seus falantes, e estes s\u00e3o freq\u00fcentemente manipulados a  responderem ou dizerem aquilo que se espera, numa clara manifesta\u00e7\u00e3o de  que o discurso &#8220;dito&#8221; traz consigo falas, por vezes de outros, n\u00e3o  ditas. Tanto \u00e9 assim que, por exemplo, ao se perguntar a uma pessoa, que  estudou em institui\u00e7\u00e3o &#8220;especializada&#8221; em cegos, se a educa\u00e7\u00e3o especial  \u00e9 um modelo adequado para se &#8220;ensinar os cegos&#8221;, \u00e9 compreens\u00edvel que  ela responda afirmativamente, que esse \u00e9 o modelo correto, porque as  escolas comuns n\u00e3o est\u00e3o preparadas para o ensino de cegos, j\u00e1 que os  professores dessas escolas n\u00e3o sabem o Braille ou qualquer outra coisa  sobre a educa\u00e7\u00e3o de cegos.<\/p>\n<p>Esse indiv\u00edduo pode, ainda, responder que acha que a  inclus\u00e3o &#8220;d\u00e1 para ser feita, mas s\u00f3 para alguns portadores de  defici\u00eancia, n\u00e3o para todos&#8221;, uma vez que tamb\u00e9m esse discurso \u00e9  difundido nessas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que esse indiv\u00edduo parece n\u00e3o perceber \u00e9 que, tendo  ele estudado numa escola especializada em cegos, sempre ouviu falar que  seria l\u00e1 e apenas l\u00e1 que poderia estudar; que s\u00f3 seus professores  sabiam ensin\u00e1-lo e que qualquer outra escola n\u00e3o estaria apta para  educar pessoas cegas, o que n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Entre outros malef\u00edcios, a apropria\u00e7\u00e3o dessa  concep\u00e7\u00e3o, por parte de alunos cegos, tem levado muitos a acreditar que  as pessoas com defici\u00eancia visual s\u00e3o incapazes de aprender se n\u00e3o for  em institui\u00e7\u00f5es especializadas em cegos, em ambientes pr\u00f3prios para  cegos, com seus colegas cegos e com professores &#8220;especialistas em  cegos&#8221;. Cren\u00e7a que os leva a n\u00e3o dar continuidade a seus estudos (nas  escolas comuns), j\u00e1 que a maioria, ou quase totalidade, das institui\u00e7\u00f5es  para cegos, n\u00e3o oferece ensino m\u00e9dio, menos ainda superior.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>V\u00ea-se, pois, que a fala n\u00e3o dita a respeito da  defici\u00eancia ou do indiv\u00edduo com defici\u00eancia pode ter efeito  incapacitante, direto e\/ou indireto, sobre aqueles que versa. Da\u00ed, a  import\u00e2ncia de se rever a pr\u00e1tica educacional e o discurso dessa  pr\u00e1tica, valores e conceitos, id\u00e9ias culturais etc, sob pena de n\u00e3o o  fazendo, perpetuar uma situa\u00e7\u00e3o de apartaid educacional, escancarado sob  nossos olhos, ouvidos e m\u00e3os.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 mister que tomemos a\u00e7\u00f5es simples, por\u00e9m  resolutas, contra esse tipo de realidade que contempla apenas uns  poucos, \u00e9 mesquinha e cujas inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam da manuten\u00e7\u00e3o de uma  realidade in\u00edqua, preconceituosa e discriminat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Exemplo dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 a pr\u00f3pria mudan\u00e7a de nossa  atitude em prol da inclus\u00e3o: nossa d\u00favida perante a capacidade de  aprender das pessoas com defici\u00eancia tem de mudar para a certeza de que  elas s\u00e3o dotadas de potenciais latentes e manifestos para o aprender  pleno e irrestrito; nossa compreens\u00e3o da pessoa humana tem de mudar para  que possamos, nessa mudan\u00e7a, deixar claro em nosso discurso e pr\u00e1tica  que todos s\u00e3o capazes de for\u00e7a laboral e produtiva; nossa descren\u00e7a  sobre a capacidade de as pessoas com defici\u00eancia amar e procriar tem de  mudar para a garantia do direito de elas fazerem amor, amar e ser  amadas; por fim, nossa fala, enquanto profissionais da educa\u00e7\u00e3o, da  sa\u00fade, do trabalho, etc., tem de mudar para extirpar pela raiz a falsa  cren\u00e7a que temos no &#8220;empowerment&#8221; das pessoas com limita\u00e7\u00e3o sensorial,  mental, f\u00edsica, cerebral ou m\u00faltipla, uma vez que somos, por obriga\u00e7\u00e3o,  promotores e mensageiros da plena dignidade dessas pessoas.<\/p>\n<p>Agindo, na pr\u00e1tica ou no discurso, consciente ou  inconscientemente, contr\u00e1rios a esses preceitos, seremos eternos  respons\u00e1veis pela evas\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de ser humano, digno e cidad\u00e3o, de  pessoas que n\u00e3o requerem nada mais que nosso reconhecimento e respeito a  seus direitos b\u00e1sicos de seres humanos como n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, para que nossas falas ditas n\u00e3o sejam  emiss\u00e1rias do estigma e preconceito historicamente produzidos contra as  muitas pessoas em vulnerabilidade e desvantagem social, por vias n\u00e3o  ditas, \u00e9 imperioso que exercitemos a full inclusion, n\u00e3o como um  conceito te\u00f3rico dos livros e leis de papel, mas como uma pr\u00e1tica  di\u00e1ria, onde agir \u00e9 respeitar o &#8220;ser&#8221; humano de cada um e de TODOS, nas  suas idiossincrasias e nas suas caracter\u00edsticas gerais de simplesmente  cidad\u00e3os dignos e humanos.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>BUSCAGLIA, L. F. Os deficientes e seus pais. Trad. Raquel Mendes. 3.\u00aa ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1997.<\/p>\n<p>LIMA, F. J. Quest\u00e3o de postura ou de taxonomia? Uma  proposta. Revista do Instituto Benjamin Constant, n\u00ba15. Rio de Janeiro:  IBCENTRO, 2000, p.3-7.<\/p>\n<p>LIMA, F. J. e DA SILVA, J. A. Algumas considera\u00e7\u00f5es a  respeito da necessidade de se pesquisar o sistema t\u00e1til e de se ensinar  desenhos e mapas t\u00e1teis \u00e0s crian\u00e7as cegas ou com limita\u00e7\u00e3o parcial da  vis\u00e3o. Revista do Instituto Benjamin Constant, n\u00ba 17. Rio de Janeiro:  IBCENTRO, 2000.<\/p>\n<p>LIMA, F. J., LIMA, R. A. F. e DA SILVA, J. A. A  preemin\u00eancia da vis\u00e3o: cren\u00e7a, filosofia, ci\u00eancia e o cego. Arquivos  Brasileiros de Psicologia, n\u00ba10, vol.52\/2. Rio de Janeiro: Imago, 2000.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria do Site Saci assinada por CERTEZA, L. M. Cidad\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o nem her\u00f3is nem coitadinhos. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=6825\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=6825<\/a>&gt;. Acessado em 03\/09\/2003.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria do Site Ler para Ver assinada por BARBOSA, O. J. M. O seu caso\/ est\u00e1 na hora. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/www.lerparaver.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.lerparaver.com<\/a>. Acessado em 01\/09\/2003.<\/p>\n<p>SASSAKI, R. K. Inclus\u00e3o: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.<\/p>\n<p>TFOUNI, L V. Letramento e Escolaridade no Brasil: Uma rela\u00e7\u00e3o imprecisa.. Hispeci &amp; Lema 4, 27-33, 1999.<\/p>\n<p>WERNECK, C. Quem cabe no seu todos? Rio de Janeiro: WVA, 1999.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<p>Francisco J. Lima \u00e9 Professor adjunto da UFPE- Centro de Educa\u00e7\u00e3o &#8211; <a href=\"mailto:limafj@usp.br\">limafj@usp.br<\/a><\/p>\n<p>Ros\u00e2ngela A. Ferreira Lima \u00e9 Professora adjunta da UFPE &#8211; Centro de Artes e Comunica\u00e7\u00e3o &#8211;<a href=\"mailto:raflim@ig.com.br\">raflim@ig.com.br<\/a><\/p>\n<p>Therezinha M. J. M. Moura \u00e9 especialista em Educa\u00e7\u00e3o Especial pela UFPE, professora da ESCOLA ESPECIAL INSTITUTO DE CEGOS &#8211; <a href=\"mailto:therezinhamoura@bol.com.br%20%3Cbr%20\/%3E\">therezinhamoura@bol.com.br <\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/saci.org.br\/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=32064\">Rede SACI<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo sobre a quest\u00e3o da pessoas com defici\u00eancia e sua segrega\u00e7\u00e3o escolar, sob o manto de uma educa\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-container-style":"default","site-container-layout":"default","site-sidebar-layout":"default","disable-article-header":"default","disable-site-header":"default","disable-site-footer":"default","disable-content-area-spacing":"default","footnotes":""},"categories":[44,6,48,8],"tags":[],"class_list":["post-19910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-acessibilidade","category-educacao","category-inclusao","category-textos-e-artigos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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