{"id":20961,"date":"2011-09-14T23:08:28","date_gmt":"2011-09-15T02:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=20961"},"modified":"2011-09-14T23:08:28","modified_gmt":"2011-09-15T02:08:28","slug":"espelho-meu-as-criancas-e-a-questao-etnico-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=20961","title":{"rendered":"Espelho meu: as crian\u00e7as e a quest\u00e3o \u00e9tnico-racial"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-21034\" title=\"bruxaespelho\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/bruxaespelho.jpg\" alt=\"Bruxa m\u00e1 do desenho da Branca de Neve se olha no espelho.\" width=\"252\" height=\"285\" \/>Por Yvone Costa de Souza<\/p>\n<p>Falar e escrever sobre racismo e  preconceito implica na apropria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da \u00c1frica e do Brasil  pelas institui\u00e7\u00f5es, professores(as) e educadores(as), entendendo-os como  sujeitos hist\u00f3rico-sociais, capazes de intervir nos processos de ensino  e de pesquisa que constituem a din\u00e2mica social no cotidiano da escola,  demarcando-se que o territ\u00f3rio africano \u00e9 composto da diversidade  \u00e9tnica, cultural e pol\u00edtica. As matrizes culturais caracter\u00edsticas desse  povo, originadas e existentes no continente africano, delimitam as  variadas etnias e suas culturas, ressaltando, tamb\u00e9m, a import\u00e2ncia de  cultuar os ancestrais de um povo exclu\u00eddo das matrizes curriculares e  escondido em propostas pedag\u00f3gicas emblem\u00e1ticas de uma cultura  euroc\u00eantrica.<\/p>\n<p>Ao tratar da quest\u00e3o das diversidades racial e  cultural nas creches e na Educa\u00e7\u00e3o Infantil torna-se relevante  considerar a forma\u00e7\u00e3o docente, que deveria ser o primeiro crit\u00e9rio para a  sele\u00e7\u00e3o das professoras que trabalham na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Os cursos  de forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel m\u00e9dio, modalidade normal, e em pedagogia de n\u00edvel  superior n\u00e3o se constituem de uma matriz curricular, mas, como coloca  Gomes e Silva (2002), deveriam propor \u201co desafio de construir e  implementar propostas voltadas para uma pedagogia da diversidade e assim  construir uma proposta mais coletiva\u201d que contemple a inf\u00e2ncia pequena.<\/p>\n<p>A  m\u00e1 qualidade da forma\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es adequadas ao  exerc\u00edcio do trabalho dos professores s\u00e3o hist\u00f3ricas em nosso pa\u00eds,  trazendo em evid\u00eancia as amarras sociais e culturais encontradas no  cotidiano da pr\u00e1tica docente. Um professor ou uma professora, no seu  curso de forma\u00e7\u00e3o, estuda e \u00e9 apresentado(a) a uma crian\u00e7a e, quando  eles chegam para trabalhar nas unidades escolares p\u00fablicas e  comunit\u00e1rias, encontram outra. Deparam-se com hist\u00f3rias, fatos, locais,  situa\u00e7\u00f5es, solicita\u00e7\u00f5es que a sua forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta. Sua forma\u00e7\u00e3o  profissional permanece perif\u00e9rica. No caso da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, as  pol\u00edticas de forma\u00e7\u00e3o no Brasil, desde a d\u00e9cada de 90, v\u00eam sendo  representadas por movimentos para a melhoria na qualidade, resultando  numa defini\u00e7\u00e3o de identidade dos servi\u00e7os destinados \u00e0s crian\u00e7as de 0 a 6  anos.<\/p>\n<p>Para compreender o conjunto de saberes dos professores da  educa\u00e7\u00e3o infantil, \u00e9 preciso considerar as marcas produzidas  historicamente em sua trajet\u00f3ria profissional, marcadas pela diversidade  de fun\u00e7\u00f5es do atendimento \u00e0s crian\u00e7as pequenas, que refletem e  influenciam o cotidiano da educa\u00e7\u00e3o infantil (AQUINO, 2008, p. 169).<\/p>\n<p>A  forma\u00e7\u00e3o inicial nos cursos de magist\u00e9rio, modalidade Normal m\u00e9dio e  superior, at\u00e9 os anos 90, n\u00e3o contemplava a crian\u00e7a de 0 a 3 anos, o que  confirma a invisibilidade dessa faixa et\u00e1ria, mesmo no mundo  contempor\u00e2neo. Como vimos, somente a partir da promulga\u00e7\u00e3o da  Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e, posteriormente, com a aprova\u00e7\u00e3o do  Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), \u00e9 que se estabeleceu a  Educa\u00e7\u00e3o Infantil como etapa inicial da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica.<\/p>\n<p>Em  rela\u00e7\u00e3o aos cursos espec\u00edficos sobre Educa\u00e7\u00e3o Infantil, podemos concluir  que na Forma\u00e7\u00e3o de Magist\u00e9rio, assim como no Curso de Pedagogia, nas  escolas normais e nas universidades, as crian\u00e7as pequenas n\u00e3o foram  apresentadas aos(\u00e0s) educadores(as).<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o de que  trabalhar com Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 uma tarefa que n\u00e3o exige forma\u00e7\u00e3o est\u00e1  ligada a uma vis\u00e3o que n\u00e3o reconhece nesse \u201ccuidado\u201d a sua dimens\u00e3o  educativa, desafiadora, voltada para o desenvolvimento da crian\u00e7a. A  presen\u00e7a de professores nas turmas de crian\u00e7as maiores denuncia o quanto  ainda a Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u00a0 organiza seu trabalho como sendo uma fase  preparat\u00f3ria para a escola regular. \u00c9 como se s\u00f3 as crian\u00e7as maiores  precisassem de um trabalho pedag\u00f3gico, que, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, ainda \u00e9  visto como se fosse unicamente a prepara\u00e7\u00e3o ou \u201cprontid\u00e3o\u201d para a  escola.<\/p>\n<p>H\u00e1 necessidade de se estabelecer um curr\u00edculo em que  conversar com a crian\u00e7a que ainda n\u00e3o fala, dar banho, trocar fraldas,  colocar no colo, organizar um ambiente que garanta o movimento para  aquelas que ainda n\u00e3o andam e deix\u00e1-las o menor tempo poss\u00edvel no ber\u00e7o  sejam atividades pedag\u00f3gicas que envolvam intera\u00e7\u00e3o, prepara\u00e7\u00e3o,  trabalho corporal, afeto, amizade e respeito pelas diferen\u00e7as e as  diversidades.<\/p>\n<p>Percebemos ainda que, embora com forma\u00e7\u00e3o, muitos  t\u00eam uma experi\u00eancia inicial de trabalho em escolas com turmas regulares.  O fato de hoje trabalharem em creches n\u00e3o possibilitou muita discuss\u00e3o  sobre a especificidade do trabalho com a Educa\u00e7\u00e3o Infantil como um todo,  do ber\u00e7\u00e1rio \u00e0s turmas de 6 anos. H\u00e1 uma necessidade da forma\u00e7\u00e3o  continuada, voltada para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil e que seja entendida como  necess\u00e1ria para a atua\u00e7\u00e3o em todas as turmas, mas em particular, com as  crian\u00e7as de 0 a 3 anos.<\/p>\n<p>O negro e o preconceito racial s\u00e3o  frequentes no espa\u00e7o da escola e na hist\u00f3ria do Brasil. A diversidade  racial revela a riqueza de um povo de luta, de resist\u00eancia e as  conquistas dos povos negros. Na forma\u00e7\u00e3o docente e no cotidiano da  escola, embora a Lei n\u00ba 10.639 garanta os estudos da \u00c1frica e da Cultura  Afro-brasileira, estes apenas s\u00e3o apresentados \u00e0s crian\u00e7as em datas  comemorativas oficiais, fugindo do caminho legal. O emblema euroc\u00eantrico  embranquecido \u00e9 t\u00e3o forte, que mesmo com a Lei, a escola em seus  projetos pedag\u00f3gicos e pr\u00e1ticas cotidianas n\u00e3o a utiliza como ferramenta  de desconstru\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o segregat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Pensar na forma\u00e7\u00e3o  docente para inf\u00e2ncia com um curr\u00edculo de valoriza\u00e7\u00e3o cultural que  contemple as nossas origens africanas pautado na di\u00e1spora \u00e9 um caminho  de luta contra o racismo. Buscar estudos e a\u00e7\u00f5es que considerem o ensino  e a pesquisa da hist\u00f3ria do povo africano, a marca de um povo  arrancado, de maneira tr\u00e1gica, de seu continente, lugar de uma rica  cultura constru\u00edda por povos de 53 pa\u00edses, \u00e9 imprescind\u00edvel para a  constru\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo pautado na valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade racial.<\/p>\n<p>A  \u00c1frica \u00e9 um dos maiores continentes do planeta, perdendo apenas para a  \u00c1sia e a Am\u00e9rica e, ganhando disparado, do continente europeu. Mas, a  marca da domina\u00e7\u00e3o herdada e produzida durante esse tr\u00e1gico e cruel  epis\u00f3dio, a escravid\u00e3o, pode ser desconstru\u00edda atrav\u00e9s de propostas,  vontade e comprometimento pol\u00edticos do poder do Estado.<\/p>\n<p>Um dos  grandes desafios que se coloca, ligado diretamente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos  educadores infantis, \u00e9 a supera\u00e7\u00e3o de dificuldades de conviver com as  quest\u00f5es raciais entre as crian\u00e7as e entre eles mesmos, a fim de que se  construa uma pr\u00e1tica pedag\u00f3gica voltada para o respeito m\u00fatuo,  conscientizando-se de que \u00e9 fundamental lidar com as diferen\u00e7as,  partindo do princ\u00edpio de que elas s\u00e3o riquezas e precisam ser  respeitadas, ou seja, revelar um pouco as emo\u00e7\u00f5es, as raz\u00f5es individuais  e os preconceitos herdados da nossa hist\u00f3ria e da nossa cultura. Sem  desconsiderar a nossa hist\u00f3ria de vida, que nos leva a enxergar melhor  os impedimentos \u00e0 mudan\u00e7a, precisamos abandonar os sentimentos e emo\u00e7\u00f5es  que impossibilitam o enfrentamento dessas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Dialogar com  os professores de Educa\u00e7\u00e3o Infantil sobre as quest\u00f5es raciais, de  preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, permanentemente fez, e ainda faz parte das  minhas experi\u00eancias pessoal e profissional, por acreditar que a troca, a  partilha de conversas \u00e9 um caminho poss\u00edvel para reconstruir ideias,  valores e representa\u00e7\u00f5es que se tem a respeito do negro, na certeza de  que essas conversas favorecem as minhas pr\u00f3prias reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>Relembrando  as hist\u00f3rias da minha Inf\u00e2ncia, vejo que os adultos daquela \u00e9poca,  assim como os de hoje, n\u00e3o percebiam que muitas brincadeiras tinham um  car\u00e1ter segregat\u00f3rio, faltando-lhes entendimento para reconhecer os  indicativos de preconceito para combat\u00ea-los durante o processo educativo  das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>[&#8230;] precisamos sempre rememorar a hist\u00f3ria \u2013 a  de cada um de n\u00f3s e de todos \u2013 conhecer a hist\u00f3ria, estudar a hist\u00f3ria,  desatando a linguagem acorrentada por t\u00e3o diversas morda\u00e7as, amea\u00e7as,  correntes, grilh\u00f5es. Destaco, ainda, que os profissionais da educa\u00e7\u00e3o  precisam discutir o racismo e os seus pr\u00f3prios preconceitos, temas que,  com frequ\u00eancia, n\u00e3o t\u00eam sido reconhecidos como legitimamente  pedag\u00f3gicos. Encontro racismo e preconceito nas coisas da escola? Sim, e  muito; e como poderia ser de outro modo? [&#8230;.] acredito que existe o  melhor m\u00e9todo, uma \u00fanica melhor maneira de ensinar isto ou aquilo; que  tem especial apego a escolas de desenvolvimento, a padr\u00f5es de  aprendizagem&#8230;; que padroniza, que tem nas grades (curriculares) a base  de seu trabalho: que separa, que se grega, desagrega, valoriza a  dela\u00e7\u00e3o, a desuni\u00e3o, a premia\u00e7\u00e3o e o castigo (KRAMER, 1995, p. 69).<\/p>\n<p>O  uso generalizado do conceito de racismo pode esvaziar a import\u00e2ncia das  quest\u00f5es raciais, impedindo dessa forma o processo de entendimento da  necessidade da persist\u00eancia da discrimina\u00e7\u00e3o sobre este tema, dentro de  um novo enfoque.<\/p>\n<p>Os estudos que tratam das quest\u00f5es raciais no  Brasil est\u00e3o divididos, de acordo com Nogueira (1979), em tr\u00eas  correntes: afro-brasileira, a dos estudos hist\u00f3ricos e a sociol\u00f3gica,  cada qual trazendo, de acordo com suas especificidades, suas concep\u00e7\u00f5es e  defini\u00e7\u00f5es de racismo e preconceito.<\/p>\n<p>Considera-se como  preconceito racial uma disposi\u00e7\u00e3o (ou atitude) desfavor\u00e1vel,  culturalmente condicionada, em rela\u00e7\u00e3o aos membros de uma popula\u00e7\u00e3o, aos  quais se tem como estigmatizados, seja devido \u00e0 apar\u00eancia, seja devido a  toda ou parte da ascend\u00eancia \u00e9tnica que se lhes atribui ou reconhece.  Quando o preconceito de ra\u00e7a se exerce em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 apar\u00eancia, isto \u00e9,  quando toma por pretexto para as suas manifesta\u00e7\u00f5es os tra\u00e7os f\u00edsicos do  indiv\u00edduo, a fisionomia, os gestos, o sotaque, diz-se que \u00e9 de marca;  quando basta a suposi\u00e7\u00e3o de que o indiv\u00edduo descende de certo grupo  \u00e9tnico, para que sofra as consequ\u00eancias do preconceito, diz-se que \u00e9 de  origem\u00a0 (NOGUEIRA, 1979, p.78-79).<\/p>\n<p>Dentre as diferen\u00e7as dos  preconceitos raciais de marca e de origem, gostar\u00edamos de destacar a  quest\u00e3o da carga afetiva, em que, segundo o autor, o preconceito de  marca tende a ser mais intelectivo e est\u00e9tico, enquanto o de origem  tende a ser mais emocional e integral.<\/p>\n<p>Acreditamos que o racismo,  o preconceito racial e os estere\u00f3tipos negativos experimentados pela  crian\u00e7a negra influenciam o seu desenvolvimento global e, em particular,  a sua autoimagem e estima. Neste sentido, procuramos destacar como as  quest\u00f5es raciais e os preconceitos s\u00e3o percebidos e interpretados no  cotidiano das creches.<\/p>\n<p>Segundo defini\u00e7\u00e3o do \u201cDicion\u00e1rio de  rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas e raciais\u201d, o termo preconceito vem do latim prae,  antes, e conceptu, conceito, que pode ser explicado como um conjunto de  cren\u00e7as e valores aprendidos, mesmo n\u00e3o havendo nenhum contato ou  experi\u00eancia compartilhada anteriormente, podendo ser um fen\u00f4meno  individual ou social. O preconceito social est\u00e1 ligado \u00e0s classes  sociais, \u00e0s atitudes ou ideias formadas antecipadamente, sem fundamento  razo\u00e1vel e de maneira desfavor\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o aos v\u00e1rios elementos  sociais, grupos e culturas.<\/p>\n<p>No cotidiano das institui\u00e7\u00f5es de  Educa\u00e7\u00e3o Infantil, frequentemente o professor se depara com uma s\u00e9rie de  evid\u00eancias sobre as quest\u00f5es raciais e o preconceito, tendo ou n\u00e3o  clareza delas, muitas vezes utilizando pr\u00e1ticas pertencentes ao senso  comum que podem refor\u00e7ar o racismo. Percebemos, nas creches, crian\u00e7as  negras querendo os seus cabelos lisos, ruivos, louros e negros  escorridos, isto \u00e9, buscando a ideia do \u201cbelo\u201d que lhes \u00e9 transmitida  atrav\u00e9s de um processo excludente e preconceituoso, deformando a imagem  que a crian\u00e7a negra faz de si e refor\u00e7ando a nega\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o  racial.<br \/>\nNos par\u00e2metros curriculares nacionais esses atores n\u00e3o  aparecem, a proposta pedag\u00f3gica inicial n\u00e3o respeita e acolhe a  diversidade \u00e9tnico-racial; a cultura da crian\u00e7a e suas diversidades  aparecem timidamente numa proposta pedag\u00f3gica excludente; os saberes das  disciplinas omitem a cultura local, \u00e9tnica racial, social e de direito.<\/p>\n<p>Em  2003, foi aprovada a Lei 10.639\/03, tornando obrigat\u00f3rio nos  estabelecimentos de ensino fundamental e m\u00e9dio, tanto oficiais quanto  particulares, o ensino da Hist\u00f3ria e da Cultura Afro-brasileiras, da  Hist\u00f3ria da \u00c1frica, o que, esperamos, possa apontar rotas, caminhos e  possibilidades de romper com as desigualdades e a intoler\u00e2ncia no  Brasil. O sucesso da implementa\u00e7\u00e3o da lei depende da continua\u00e7\u00e3o das  lutas sociais e coletivas, sendo a sua mera aprova\u00e7\u00e3o um exemplo de  vit\u00f3ria e conquista dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>O convite \u00e9 para  conflagrarmos um lugar de luta sutil e natural, um espa\u00e7o de mobiliza\u00e7\u00e3o  que componha uma pauta contra o racismo e o preconceito, introduzidos  nas brincadeiras de roda, de pipa, de amarelinha, reinfantilizando os  espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o, de educar e cuidar, n\u00e3o se desprezando a pedagogia  do lugar, como cita Ana Beatriz Goulart de Faria (2007), ressaltando a  import\u00e2ncia de se pensar sobre o<\/p>\n<p>[&#8230;] sentido de restaurar a  experi\u00eancia infantil do urbano, o amor pelas esquinas, os esconderijos,  os encontros fortuitos, os deslocamentos das fun\u00e7\u00f5es, o jogo. [&#8230;]  Imperd\u00edvel e fundamental a grande estreia dos \u00faltimos tempos! (ANA  BEATRIZ GOULART, 2007, p.103-104).<\/p>\n<p>Que os meninos e as meninas  das creches p\u00fablicas, comunit\u00e1rias, privadas, filantr\u00f3picas e  confeccionais no Brasil n\u00e3o recebam titula\u00e7\u00f5es pela cor e pelo  pertencimento racial \u00e9 nosso sonho e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Yvone Costa  de Souza \u00e9 assistente social da Creche Fiocruz, Mestre em Educa\u00e7\u00e3o,  Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o pela FEBF-Uerj, especialista em Educa\u00e7\u00e3o Infantil  pela PUC-Rio, professora-substituta do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o e da  Inf\u00e2ncia da Uerj.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.acordacultura.org.br\/artigo-02-08-2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> H\u00e1 uma necessidade da forma\u00e7\u00e3o continuada, voltada para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil e que seja entendida como necess\u00e1ria para a atua\u00e7\u00e3o em todas as turmas, mas em particular, com as crian\u00e7as de 0 a 3 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