{"id":21273,"date":"2011-10-11T10:21:17","date_gmt":"2011-10-11T13:21:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=21273"},"modified":"2011-10-11T10:21:17","modified_gmt":"2011-10-11T13:21:17","slug":"sobre-meninas-lobos-e-sereias-a-infancia-entre-a-natureza-e-a-cultura-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=21273","title":{"rendered":"Sobre meninas, lobos e sereias: a inf\u00e2ncia entre a natureza e a cultura"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_21274\" aria-describedby=\"caption-attachment-21274\" style=\"width: 239px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-21274 \" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de uma sereia\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Sereias.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de uma sereia\" width=\"239\" height=\"238\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21274\" class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por Lucio Carvalho<\/strong><\/p>\n<p><em>Para Isabel<\/em><\/p>\n<p>Depois do primeiro dia em que o Lobo Mau amea\u00e7ou entrar aqui em casa,  fui introduzido provisoriamente na mitologia da minha filha de cinco  anos. Todas as noites, depois que ela adormece, eu tenho feito incurs\u00f5es  na floresta em busca desse famigerado devorador de menininhas  encapuzadas e porquinhos desavisados, al\u00e9m de bradar da nossa janela que  a nossa casa \u00e9 \u00e1rea livre de lobos maus e demais monstros de 242 olhos e  343 bocas, pelas suas \u00faltimas contas.<\/p>\n<p>Engana-se quem imagina que eu tema enfrentar esse e outros tipos de  perigos pelos meus filhos, afinal estou mais que inebriado por esse  hero\u00edsmo que me emprestaram. O problema \u00e9 que minha presen\u00e7a mitol\u00f3gica  tem data marcada para ser revelada em sua dimens\u00e3o mesquinha e humana. E  isso em nome da cultura e do esfor\u00e7o civilizat\u00f3rio que vem sendo  efetuado na escola, na socializa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o,  que muito em breve ir\u00e3o me deixar t\u00e3o min\u00fasculo como uma formiga e ir\u00e3o  colocar a prova minha capacidade de resistir por mim mesmo, pois minha  estatura her\u00f3ica estar\u00e1 desfeita ent\u00e3o definitivamente. Daqui h\u00e1 algum  tempo minha filha saber\u00e1 que, a isso tudo, Freud e depois seus  seguidores demonstraram (certamente n\u00e3o por demonstra\u00e7\u00e3o) fazer parte de  um complexo de implica\u00e7\u00f5es \u00e9tico-sexuais tomado por base,  coincidentemente ou n\u00e3o, numa outra mitologia \u2013 essa muito mais capaz  que a minha. Isso, entretanto, faz parte de uma outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>S\u00e3o bem conhecidas as teorias nas quais o pensamento fant\u00e1stico e a  elabora\u00e7\u00e3o do medo e outros sensa\u00e7\u00f5es infantis exercem um papel  constituinte na personalidade infantil e a import\u00e2ncia de sublim\u00e1-las  desde cedo, atrav\u00e9s da composi\u00e7\u00e3o e narrativa de situa\u00e7\u00f5es vividas por  personagens m\u00e1gicos e mitol\u00f3gicos, parece mesmo incontest\u00e1vel. Ao menos  h\u00e1 ind\u00edcios de que esse tipo de narrativa vem acompanhando o ser humano  desde \u00e9pocas bem distantes (*). De certo modo, tenho a comprova\u00e7\u00e3o viva  disso ao constatar que cada vez menos venho sendo chamado a defender o  lar do Lobo Mau, o que vivencio como algo inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Muitos te\u00f3ricos do desenvolvimento humano defendem que esse modo  m\u00e1gico de pensar \u00e9 caracter\u00edstico de um processo t\u00edpico de evolu\u00e7\u00e3o  infantil e que, seja pelo pr\u00f3prio amadurecimento, seja pela progressiva  instrumenta\u00e7\u00e3o do saber decorrente da assimila\u00e7\u00e3o dos bens culturais, a  coer\u00eancia cultural infantil obtida atrav\u00e9s de uma percep\u00e7\u00e3o do mundo  realizada atrav\u00e9s do aprendizado, do conv\u00edvio social e tamb\u00e9m de sua  pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o moral tende a faz\u00ea-lo rapidamente apenas mem\u00f3ria. Seria  um modo de pensar transit\u00f3rio e que a educa\u00e7\u00e3o formal teria a fun\u00e7\u00e3o de  aperfei\u00e7o\u00e1-lo, qualific\u00e1-lo, sofistic\u00e1-lo\u2026 Coisa de crian\u00e7a, dito com  mais simplicidade. Poucos pensadores postularam a inf\u00e2ncia como um  est\u00e1gio humano em si mesmo, n\u00e3o um vir a ser, mas um estar sendo. O  polon\u00eas Janus Korczak foi um deles e, n\u00e3o por acaso, sua obra constituiu  a base da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos da Crian\u00e7a (al\u00e9m de sua obra, Korczak  fez do respeito \u00e0 crian\u00e7a a sua pr\u00f3pria vida) (**).<\/p>\n<p>O que fica evidente, para quem acompanha o desenvolvimento de ao  menos uma crian\u00e7a, \u00e9 que essa no\u00e7\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o  psicossocial que inicia na cis\u00e3o entre natureza e cultura e que, a  pretexto de civilizar os novos cidad\u00e3os, a vis\u00e3o particular da crian\u00e7a \u00e9  logo na vida descontinuada e desvalorizada sistematicamente pela  fam\u00edlia, pelos grupos, pela escola, pela sociedade, enfim. Essa ruptura  implica no descr\u00e9dito da fantasia, na substitui\u00e7\u00e3o da narrativa pela  representa\u00e7\u00e3o e, como pretendo insistir, na expuls\u00e3o da crian\u00e7a do reino  da natureza e sua reloca\u00e7\u00e3o no habitat social. Interessante que essa \u00e9  uma op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 dada \u00e0 crian\u00e7a, mas que lhe \u00e9 imposta. Simplesmente \u00e9  o percurso \u201cnatural\u201d que, naturalmente, tamb\u00e9m tem uma constru\u00e7\u00e3o  cultural que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o natural assim (***).<\/p>\n<p>Trata-se de uma ruptura t\u00e3o violenta que, ao longo da vida,  costumamos nos referir \u00e0 inf\u00e2ncia como um lugar e tempo perdidos, onde  repousam as boas lembran\u00e7as e a inoc\u00eancia. Mesmo assim, qual o pai ou  educador que n\u00e3o vibra ao constatar que um filho ou aluno conquista  novos est\u00e1gios de seu desenvolvimento e abandona de vez a inf\u00e2ncia, suas  quimeras, parlendas, garatujas e lobos-maus? Entretanto o espa\u00e7o social  da inf\u00e2ncia, como o temos hoje, n\u00e3o pode ser denominado exatamente como  o \u201cmelhor dos mundos\u201d, havendo uma s\u00e9rie de viol\u00eancias a considerar que  implicam n\u00e3o apenas no fim da inoc\u00eancia e dos est\u00e1gios prim\u00e1rios de  organiza\u00e7\u00e3o do pensamento, mas tamb\u00e9m em sua degrada\u00e7\u00e3o enquanto modo de  vida em si mesmo. Um espa\u00e7o no qual os bens de consumo determinam o  valor dos bens culturais e onde a fantasia e a mitologia pr\u00f3pria da  inf\u00e2ncia s\u00e3o compelidas a abrir espa\u00e7o para o pensamento l\u00f3gico e a  raz\u00e3o pr\u00e1ticas, como se fornecessem uma interpreta\u00e7\u00e3o definitivamente  correta do ser e do estar no mundo e em seus lugares, para crian\u00e7as ou  adultos.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o alguma em procurar preservar um estoicismo  infantil ou \u201ccongelar\u201d o desenvolvimento de meus filhos mas, se \u00e9 para  destinar uma cultura \u00e0s crian\u00e7as de um modo geral, \u00e9 muito bom que seja  algo que valha \u00e0 pena de verdade. Como \u00e9 prov\u00e1vel que tenhamos de  entregar-lhes, como produto de nossa obra, um mundo inconcluso e que  muitas vezes tamb\u00e9m temos dificuldade de compreender e transformar em  efetivo, por isso penso que j\u00e1 seria muito se pud\u00e9ssemos legar-lhes n\u00e3o  um conhecimento est\u00e9ril e uma ci\u00eancia que justifica um mundo que \u00e9 bom  para t\u00e3o poucos (e t\u00e3o ruim para a pr\u00f3pria natureza), mas uma evolu\u00e7\u00e3o  de verdade, dentro de um conceito honesto que respeite inclusive as  crian\u00e7as pelo que elas s\u00e3o, n\u00e3o uma etapa, mas como sujeitos efetivos de  direitos. Assim, poderemos ter alguma dignidade ao desfazer, cedo ou  tarde, seu mundo de fantasias, n\u00e3o apenas deixando vazios que ser\u00e3o  ocupados por compensa\u00e7\u00f5es artificiais que mais tarde o mundo lhe trar\u00e1  sem pudor e, infelizmente, de forma cada vez mais precoce e menos sutil.<\/p>\n<p>Enquanto posso, vou aproveitar a miss\u00e3o de trazer de volta \u00e0 praia as  sereias, que foram expulsas pelo lixo que homens malvados jogaram ao  mar (e como jogaram lixo ao mar nos \u00faltimos tempos\u2026). Se um dia minha  filha n\u00e3o encontrar mais as sereias que hoje a encantam, n\u00e3o ter\u00e1 sido  porque eu as tenha expulsado, at\u00e9 porque n\u00e3o tenho certeza de como elas  devam deixar de \u201cexistir\u201d no mundo. Com certeza elas acabar\u00e3o por um dia  decidir ficar nas profundezas dos oceanos mas, secretamente, tor\u00e7o para  que minha filha jamais esque\u00e7a que um dia elas j\u00e1 estiveram \u201cpresentes\u201d  e que lutamos juntos para que n\u00e3o fossem enxotadas pelo nosso lixo  civilizat\u00f3rio. Minha filha tem toda a raz\u00e3o em dizer que a natureza \u00e9  sua filha. Eu penso que ela \u00e9 a pr\u00f3pria natureza. Pelo menos \u00e9 o que de  mais semelhante \u00e0 natureza eu tenho ainda perto de mim.<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>Ver Bettelheim, Bruno. A Psican\u00e1lise dos Contos de Fadas. Paz e Terra, 2007. (*)<br \/>\nVer Korczak, Janus. Como amar uma crian\u00e7a. Paz e Terra, 1997. (**)<br \/>\nVer Aries, Philippe. Hist\u00f3ria social da crian\u00e7a e da fam\u00edlia. Ed. LTC, 1981. (***)<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Incusive\/O autor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucio Carvalho. &#8220;Se um dia minha filha n\u00e3o encontrar mais as sereias que hoje a encantam, n\u00e3o ter\u00e1 sido porque eu as tenha expulsado, at\u00e9 porque n\u00e3o tenho certeza de como elas devam deixar de \u201cexistir\u201d no mundo. 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