{"id":21844,"date":"2011-12-30T07:26:25","date_gmt":"2011-12-30T10:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=21844"},"modified":"2011-12-30T07:26:25","modified_gmt":"2011-12-30T10:26:25","slug":"o-brasil-e-afetivo-encantador-violento-e-tenebroso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=21844","title":{"rendered":"O Brasil \u00e9 afetivo, encantador, violento e tenebroso"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_14060\" aria-describedby=\"caption-attachment-14060\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14060 \" title=\"Mapa do Brasil feito com pinos, com pinos soltos em volta do mapa\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/mapa-brasil1-300x225.jpg\" alt=\"Mapa do Brasil feito com pinos, com pinos soltos em volta do mapa\" width=\"240\" height=\"180\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14060\" class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Dois pesos: a psican\u00e1lise e o jornalismo. Foi a partir dessa parruda  uni\u00e3o de for\u00e7as e percep\u00e7\u00f5es que Maria Rita Kehl produziu as cr\u00f4nicas de  sua mais recente obra, entre muitos escritos em outros livros e jornais  \u2013 incluindo o artigo que resultou na escandalosa suspens\u00e3o de sua  coluna no jornal O Estado de S. Paulo por ter defendido pol\u00edticas do  governo Lula, quando o jornal (que faz campanha contra a censura)  apoiava o candidato \u00e0 presid\u00eancia Jos\u00e9 Serra.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Eu at\u00e9 gostaria de fazer cr\u00f4nicas mais liter\u00e1rias, mas os temas da  atualidade acabam me roubando&#8230; e \u00e9 pra isso que eu vou&#8221;, diz a  intelectual, que nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato fala sobre  &#8220;as dores do Brasil&#8221;, eixo agregador dos temas abordados em &#8220;18  cr\u00f4nicas e mais algumas&#8221;, publica\u00e7\u00e3o da Boitempo Editorial lan\u00e7ada em  novembro.<\/p>\n<p>Indignada com o descaso dos governos e a indiferen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o  diante das mazelas sociais (&#8220;restos n\u00e3o resolvidos de 300 anos de  escravid\u00e3o&#8221;), Maria Rita fala sobre o engajamento dos jovens nas lutas  populares (&#8220;ainda \u00e9 pouco&#8221;), a viol\u00eancia policial (&#8220;resultado de uma  ditadura que termina impune&#8221;) e afirma que os recursos para aplacar as  dores do pa\u00eds est\u00e3o na milit\u00e2ncia: &#8220;\u00c9 hora de fazer pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato \u2013 Uma frase que do seu \u00faltimo livro que chamou  muito a aten\u00e7\u00e3o e teve grande repercuss\u00e3o foi &#8220;O Brasil d\u00f3i&#8221;. A  pergunta inevit\u00e1vel \u00e9: quais as dores do Brasil que voc\u00ea considera mais  preocupantes?<\/strong><\/p>\n<p>Maria Rita Kehl \u2013 Bem, n\u00e3o que seja uma frase genial, ao contr\u00e1rio,  acho at\u00e9 banal. Mas talvez tenha chamado tanto a aten\u00e7\u00e3o porque  corresponda ao sentimento de muita gente. A dor que o Brasil sente eu j\u00e1  intu\u00eda, mas aprendi com o meu ex-companheiro, o historiador Lu\u00eds Felipe  Alencastro, que \u00e9 um estudioso da escravid\u00e3o no Brasil. Uma parte do  que se chama de um difuso mal estar tem a ver com os restos n\u00e3o  resolvidos politicamente de 300 anos de escravid\u00e3o. Quer dizer, n\u00e3o h\u00e1  explicitamente uma pol\u00edtica de segrega\u00e7\u00e3o no Brasil, mas nunca houve uma  aboli\u00e7\u00e3o, de fato. A aboli\u00e7\u00e3o se deu porque economicamente o sistema j\u00e1  estava falido.<\/p>\n<p>A escravid\u00e3o acabou assim, com mis\u00e9ria, com os escravos chutados dos  lugares, ganhando subsal\u00e1rios. Mas n\u00e3o houve nada para proteger essas  popula\u00e7\u00f5es, que foram jogadas nas ruas, sem trabalho, sendo tratadas do  mesmo jeito que antes porque a cor da pele n\u00e3o muda&#8230; e marcou durante  d\u00e9cadas os escravos. Demorou muito para o negro ser visto como um  trabalhador livre, como qualquer outro. E mesmo hoje, acho importantes  as pol\u00edticas p\u00fablicas feitas no governo Lula e no governo Dilma, mas  embora n\u00e3o haja preconceito expl\u00edcito, que agora \u00e9 ilegal, h\u00e1, sim,  diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Outra coisa que d\u00f3i, para pegar aquilo que me atinge, \u00e9 a forma como a  ditadura militar acabou. Igualzinho. De repente acabou, porque estava  invi\u00e1vel mesmo&#8230; e n\u00e3o tem repara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem investiga\u00e7\u00e3o, julgamento  de quem torturou, de quem matou&#8230; crimes de Estado ficaram impunes.  Hoje h\u00e1 um movimento mais importante para tentar fazer alguma coisa, com  muito esfor\u00e7o, conseguiu- se uma t\u00edmida comiss\u00e3o da verdade. Mas a  indiferen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme. E d\u00f3i tamb\u00e9m o desamparo de uma parte  da popula\u00e7\u00e3o, quando tem inunda\u00e7\u00e3o, quando desaba um morro&#8230; e voc\u00ea v\u00ea  o modo como a verba p\u00fablica \u00e9 desviada, os mist\u00e9rios n\u00e3o cumprem suas  fun\u00e7\u00f5es&#8230;. \u00e9 isso que d\u00f3i.<\/p>\n<p><strong>Como essas &#8220;dores&#8221; atingem, em particular, os jovens? Quais  as perspectivas de futuro para que as novas gera\u00e7\u00f5es mudem esse cen\u00e1rio?  O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o aumentou, mas e as oportunidades de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Pelo que eu vejo nas minhas viagens pelo pa\u00eds, o ProUni (Programa  Universidade para Todos) \u2013 que foi t\u00e3o criticado, as pessoas diziam que o  governo estava fazendo a privatiza\u00e7\u00e3o do ensino, o que n\u00e3o \u00e9 \u2013 abriu  uma perspectiva enorme. Em 2008, por exemplo, eu viajei por uma regi\u00e3o  do rio S\u00e3o Francisco. Todo mundo que a gente conversava tinha um parente  na universidade ou estava na universidade. Isso quer dizer que o cara  vai ser um doutor, contratado por um alto sal\u00e1rio de uma companhia? N\u00e3o.  Mas significa que a vis\u00e3o de mundo dele vai melhorar, o status dele  para emprego vai melhorar. Se vai ter emprego, ou n\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 pra saber.  E o mais importante \u00e9 que isso revela um interesse desse jovem pelo  estudo. Eu lembro, em Barra de S\u00e3o Miguel (AL), o gar\u00e7om dizendo &#8220;eu  quero estudar hist\u00f3ria e meu irm\u00e3o, filosofia&#8221;. O que isso vai melhorar  na renda dele de gar\u00e7om? N\u00e3o t\u00e3o grande coisa. Mas a vis\u00e3o de mundo ser\u00e1  outra. Ent\u00e3o, eu acho que melhorou, mas ainda falta muito.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos jovens, hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que hoje h\u00e1 um distanciamento. Como havia antes. Na \u00e9poca da  ditadura, a gente pensava que todo mundo estava dentro porque a gente  estava dentro. Mas era uma minoria de estudantes, uma minoria de  militantes. Eu acho, por exemplo, que o MST \u00e9 o \u00fanico movimento que  atrai os jovens, hoje, inclusive os de classe m\u00e9dia. Os partidos n\u00e3o  atraem, a pol\u00edtica n\u00e3o atrai, a pol\u00edtica estudantil est\u00e1 tendo agora um  crescimento, que eu acho importante, mas est\u00e1 minguada, comparando-se ao  que j\u00e1 foi. Ent\u00e3o, tem gente que diz que o jovem de hoje n\u00e3o est\u00e1  interessado em mudar o mundo. N\u00e3o parece. Uma por\u00e7\u00e3o de jovens de classe  m\u00e9dia apoia o MST, milita, vai trabalhar l\u00e1&#8230; at\u00e9 mora embaixo da lona  preta.<\/p>\n<p>\u00c9 como na minha gera\u00e7\u00e3o. Claro, os estudantes estavam nas ruas&#8230; mas  quem foi lutar? Uma minoria. As pessoas estavam adorando que o Brasil  estava se tornando uma sociedade de consumo. A grande maioria, enquanto  teve o milagre brasileiro, estava indo para os shoppings.<\/p>\n<p>Talvez o que aconte\u00e7a hoje, como n\u00e3o existe a ditadura, \u00e9 que os  jovens se envolvam em v\u00e1rios tipos de milit\u00e2ncia. A milit\u00e2ncia ecol\u00f3gica  agrega muita gente. E n\u00e3o que eles tenham uma vis\u00e3o de esquerda,  anticapitalista, revolucion\u00e1ria&#8230; talvez n\u00e3o tenham. Mas eles est\u00e3o  interessados na discuss\u00e3o pol\u00edtica do meio ambiente. Porque est\u00e1 mais  perto, \u00e9 mais f\u00e1cil de compreender, exige menos debate te\u00f3rico, n\u00e3o sei  por qu\u00ea&#8230; mas esse \u00e9 um campo de milit\u00e2ncia do jovem. Assim como as  lutas pelos direitos individuais, antirracistas, por reconhecimento de  homossexuais&#8230; Agora, essas lutas s\u00e3o f\u00e1ceis do capitalismo absorver. A  luta anticapitalista no Brasil ainda \u00e9 confusa. O MST \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o.  Nessa crise, por exemplo, um grupo de estudantes acampou no Anhangaba\u00fa  (Vale do Anhangaba\u00fa, no centro de S\u00e3o Paulo), tentando fazer algo como o  que aconteceu em Wall Street, nos Estados Unidos. Mas aqui n\u00e3o tem  efeito nenhum. Basta a imprensa ignorar e a pol\u00edcia intimidar que o  assunto n\u00e3o existe.<\/p>\n<p><strong>E n\u00e3o precisa muito para a pol\u00edcia, principalmente a de S\u00e3o Paulo, &#8220;intimidar&#8221;. O que significa: partir para a pancadaria?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, n\u00e3o existe mais um Doi-Codi aqui em S\u00e3o Paulo. Mas a pol\u00edcia  paulistana \u00e9 t\u00e3o violenta quanto. Mata, tortura e h\u00e1 uma indiferen\u00e7a da  sociedade em rela\u00e7\u00e3o a isso. Esse movimento que houve agora na USP n\u00e3o  era, como muitos colunistas de jornal falaram, um movimento de  jovenzinhos mimados. Eles est\u00e3o lutando contra a falta de direitos. \u00c9  confuso, evidente, porque n\u00e3o ter pol\u00edcia no campus \u00e9 controverso, pois  teve at\u00e9 assassinato l\u00e1&#8230; Mas a quest\u00e3o \u00e9 o modo como a pol\u00edcia age.  N\u00e3o tem uma passeata que n\u00e3o seja dissolvida com porrada, g\u00e1s de  pimenta, cassetete&#8230; S\u00e3o Paulo, nesse ponto, \u00e9 o estado mais  conservador do pa\u00eds. E o que me assusta \u00e9 que a viol\u00eancia \u00e9 grave e a  sociedade fica indiferente. No per\u00edodo militar, tinha uma parte da  popula\u00e7\u00e3o que era indiferente tamb\u00e9m. Tinha uma parte que at\u00e9 apoiava a  viol\u00eancia, achava \u00f3timo que apanhassem os comunistas. Mas tamb\u00e9m tinha  uma parte que n\u00e3o apoiava a viol\u00eancia, que n\u00e3o estava indiferente, mas  que tinha medo. Hoje n\u00e3o \u00e9 pra ter todo esse medo de se manifestar. Tudo  bem, a pol\u00edcia pode chegar, jogar g\u00e1s de pimenta&#8230; mas pouca gente se  manifesta. Na \u00faltima passeata na avenida Paulista, n\u00e3o sei se foram uns 3  mil estudantes, mas \u00e9 pouco. Podia ter uma passeata de 50 mil.<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia \u2013 e a indiferen\u00e7a da sociedade \u2013 s\u00e3o mais marcantes no campo, onde a luta de classes \u00e9 mais selvagem?<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o do agroneg\u00f3cio \u00e9 um assunto \u00e0 parte. No livro O que resta da  ditadura, uma s\u00e9rie de ensaios publicados pela editora Boitempo \u2013 esse  livro vale ser citado, o leitor que puder deve ler \u2013 faz uma an\u00e1lise  exatamente disso. Como uma ditadura que termina sem nem um tipo de  investiga\u00e7\u00e3o, de puni\u00e7\u00e3o, deixa muitos restos. Tem um dado de uma  pesquisadora estadunidense que diz que o Brasil, de todos os pa\u00edses que  passaram por uma ditadura na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 o \u00fanico onde a viol\u00eancia  policial aumentou, em vez de diminuir. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 mais contra  estudantes, n\u00e3o \u00e9 mais contra supostos subversivos&#8230; \u00e9 contra pretos,  pobres, favelados, contra gente fumando maconha, \u00e9 o cara do ex\u00e9rcito  que se acha desacatado pelo menino do morro&#8230;<\/p>\n<p>A viol\u00eancia de classe no Brasil sempre existiu. S\u00e9rgio Buarque de  Holanda nos mostrou o que os donos dos escravos faziam dentro de suas  terras, por conta pr\u00f3pria, a crueldade com os escravos&#8230; e a pol\u00edcia  n\u00e3o entrava. O fazendeiro, o senhor de engenho, dentro do seu pequeno  feudo, fechado, era rei, policial, juiz. E o Estado n\u00e3o invadia, por uma  quest\u00e3o de conluio. O pacto de classes no Brasil colonial e  p\u00f3s-colonial permitia, por exemplo, que o pai de fam\u00edlia rural prendesse  a filha desvirginada no quarto pro resto da vida&#8230; Sem falar nas  revoltas populares que foram massacradas durante o per\u00edodo  pr\u00e9-independ\u00eancia. E a gente aprende na escola que a independ\u00eancia se  deu sem sangue, dom Pedro l\u00e1, bonitinho, no cavalo&#8230; Por isso que eu  coloquei no meu livro que o Brasil \u00e9 afetivo, encantador, violento,  tenebroso.<\/p>\n<p><strong>A que causas voc\u00ea atribui o aumento da viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei analisar se a viol\u00eancia est\u00e1 aumentando. O que me preocupa  mais, como disse, \u00e9 a indiferen\u00e7a das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. O  que talvez esteja mais acentuado, e eu acho que isso tem a ver com os  apelos da sociedade de consumo, \u00e9 a viol\u00eancia dita banal. A viol\u00eancia  que tem a ver com o jovenzinho que para no farol e come\u00e7a a disputar com  o outro quem p\u00f5e o som mais alto, e acaba em racha, e acaba em tiro&#8230; e  atropela gente que n\u00e3o tem nada a ver com isso. A viol\u00eancia do sujeito  que acha que para se incluir tem de ostentar algum tipo de poder que lhe  \u00e9 conferido por uma mercadoria. Ent\u00e3o ele pode matar para roubar um  t\u00eanis, ou, quando ele consegue um carro, tem que ir at\u00e9 o limite de  velocidade e arrisca as pessoas, n\u00e3o ag\u00fcenta um pequeno confronto de  tr\u00e2nsito e j\u00e1 sai para brigar. \u00c9 o modo como n\u00f3s estamos cada vez mais  definindo quem n\u00f3s somos, a nossa qualidade humana, pelas mercadorias e  as disputas que isso promove.<\/p>\n<p>E olha que interessante&#8230; no tempo do imp\u00e9rio, a segrega\u00e7\u00e3o pelos  signos de poder era tremenda. A roupa que cada um podia usar, o tecido  que podia comprar, se andava de carruagem ou de cavalo&#8230; Ou seja, a  segrega\u00e7\u00e3o pelo que voc\u00ea pode ter existe em toda sociedade de classes. E  talvez j\u00e1 tenha sido at\u00e9 mais forte. Muito poucos podiam ostentar ou  desfrutar de benef\u00edcios e privil\u00e9gios e a maioria n\u00e3o desfrutava nem de  direitos. Os direitos est\u00e3o se expandindo.<\/p>\n<p><strong>Inclusive o direito a integrar a sociedade de consumo.<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 curioso. H\u00e1 um ponto includente, na sociedade de consumo. Por  exemplo, a n\u00e3o ser que seja um garoto que s\u00f3 compra roupas de marcas  importadas, n\u00e3o tem muita diferen\u00e7a entre o que usa um filho de fam\u00edlia  de classe m\u00e9dia e o filho da empregada dessa fam\u00edlia. Essas evid\u00eancias  eram muito mais fortes antes, havia menos mercadoria quando as roupas  eram muito caras. Talvez por isso \u00e9 que as pessoas briguem com mais  viol\u00eancia por aquilo que as distingue. O filhinho de papai porque tem  outro cara com um carr\u00e3o e ele quer se sobressair. Ou o jovem de classe  C, que pode comprar seu primeiro carro, e de repente acha que pode sair  perseguindo os outros&#8230; Eu digo carro porque, dentro da sociedade de  consumo, a propaganda de carro eu acho um horror! Na propaganda de  bebida, o m\u00e1ximo que pode ter de segrega\u00e7\u00e3o \u00e9: voc\u00ea comprou a marca X  porque n\u00e3o sabia que a marca Y era melhor, ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 um ot\u00e1rio. Mas a  cerveja qualquer um tem dinheiro pra comprar. Agora, o carro&#8230; o cara  passa com o carro e todo mundo fica babando a p\u00e9&#8230; o flanelinha disputa  com o outro o direito de guardar o carro do playboy&#8230; o cara adora  provocar inveja&#8230; o carro lhe basta, o mundo pode estar caindo l\u00e1  fora&#8230; \u00e9 o m\u00e1ximo da convoca\u00e7\u00e3o para voc\u00ea n\u00e3o ter nenhum tipo de  solidariedade com ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Uma apologia ao individualismo? E, da\u00ed, a indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao coletivo?<\/strong><\/p>\n<p>Um pouco isso. Mas temos de ver que o individualismo tem suas  vantagens. Por isso eu n\u00e3o usei essa palavra. Por exemplo, o  individualismo que tem a ver com liberalismo eu acho que traz ganhos  mesmo na sociedade p\u00f3s-capitalista, que eu n\u00e3o vou chamar de comunista,  mas talvez de socialista, no sentido amplo. Eu espero que esses direitos  individuais n\u00e3o se percam. N\u00f3s, que somos mulheres, sabemos os ganhos  que tivemos com o individualismo. Que cada um possa escolher seus  destinos, que cada um possa fazer suas op\u00e7\u00f5es sexuais, decidir se vai  formar fam\u00edlia ou n\u00e3o, que se possa ser m\u00e3e solteira, ser m\u00e3e por  insemina\u00e7\u00e3o artificial, n\u00e3o ser m\u00e3e&#8230; sem ser a esc\u00f3ria da sociedade!  Que gente rica possa escolher trabalhar com o MST ou ir para comunidades  ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia. A riqueza das diferen\u00e7as individuais \u00e9 um ganho  do capitalismo liberal, que a gente chama de individualismo. Ao mesmo  tempo, o individualismo \u00e9 nefasto quando lan\u00e7a as pessoas em uma luta de  todos contra todos.<\/p>\n<p><strong>Os brasileiros e a sociedade brasileira t\u00eam recursos para trabalhar as &#8220;dores&#8221; do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. Pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o sa\u00eddas poss\u00edveis, mas precisa  haver movimento social que pressione por essas pol\u00edticas. Uma coisa que  talvez tenha sido um problema no governo Lula \u00e9 que muita gente que se  mobilizava at\u00e9 ent\u00e3o se sentiu assim: &#8220;ah&#8230; conseguimos eleger o Lula e  as coisas v\u00e3o acontecer&#8221;. Houve uma desmobiliza\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio estilo  de governar do Lula contribuiu para isso. &#8220;Deixa que eu cuido&#8230; calma,  gente, as coisas n\u00e3o podem ser t\u00e3o r\u00e1pidas&#8230;&#8221; Esse estilo de governar  eu acho um problema, politicamente. Embora ele tenha sido um grande  governante do ponto de vista administrativo. Mas, politicamente, ele se  colocar como um &#8220;pai&#8221; \u2013 a\u00ed vem aquela hist\u00f3ria&#8230; a gente n\u00e3o pode  sempre dizer sim para os filhos. Enfim, ele ajudou muito a desmobilizar.  Tudo bem, o papel dele n\u00e3o era mobilizar. Mas era acolher a  mobiliza\u00e7\u00e3o. E tem tamb\u00e9m o crescimento econ\u00f4mico, que desmobiliza.  Houve a inclus\u00e3o econ\u00f4mica de muita gente, pelo menos da classe C, que  contribuiu tamb\u00e9m para desmobilizar. As pessoas se interessam menos  pelas outras lutas na hora em que elas come\u00e7am a ter oportunidades  individuais. Come\u00e7am a cuidar de suas vidas, a fazer suas revolu\u00e7\u00f5es  individuais. De um modo geral, as pessoas lutam muito pouco por  idealismo. E, na maior parte das vezes, s\u00f3 quando a \u00e1gua bate no  pesco\u00e7o. A\u00ed \u00e9 que acontece a grande luta. O importante \u00e9 que quem est\u00e1  se mobilizando tenha intelig\u00eancia pol\u00edtica suficiente para saber que  pontos pol\u00edticos podem mobilizar, como \u00e9 que se dialoga com a sociedade  mobilizada. Para articular, para angariar aliados. Sen\u00e3o ficam pequenos  guetos de manifesta\u00e7\u00f5es que ou s\u00e3o reprimidos ou n\u00e3o falam com ningu\u00e9m. A  quest\u00e3o toda, na ess\u00eancia, \u00e9 fazer pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>T\u00edtulo: 18 cr\u00f4nicas e mais algumas<\/p>\n<p>Autora: Maria Rita Kehl<\/p>\n<p>Editora: Boitempo Editorial<\/p>\n<p>P\u00e1ginas: 160<\/p>\n<p>Pre\u00e7o: R$ 30,00<\/p>\n<p><strong>Dois Pesos<\/strong><\/p>\n<p>(Trecho do artigo que causou o cancelamento da coluna de Maria Rita Kehlno jornal O Estado de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p>&#8220;Depois do segundo turno de 2006, o soci\u00f3logo H\u00e9lio Jaguaribe  escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em  conta apenas seus pr\u00f3prios interesses, enquanto os outros 40% de  supostos instru\u00eddos pensavam nos interesses do pa\u00eds. Jaguaribe s\u00f3 n\u00e3o  explicou como foi poss\u00edvel que o Brasil, dirigido pela elite instru\u00edda  que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro  mil\u00eanio contando com 60% de sua popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o inculta a ponto de seu  voto ser desqualificado como pouco republicano. Agora que os mais pobres  conseguiram levantar a cabe\u00e7a acima da linha da mendic\u00e2ncia e da  depend\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es de favor que sempre caracterizaram as pol\u00edticas  locais pelo interior do pa\u00eds, dizem que votar em causa pr\u00f3pria n\u00e3o  vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos  m\u00ednimos que desejam preservar pela via democr\u00e1tica, parte dos cidad\u00e3os  que se consideram classe A vem a p\u00fablico desqualificar a seriedade de  seus votos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Trechos do livro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os vira-latas do Bumba<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No morro do Borel, 150 pessoas \u2013 somente desabrigados e seus  familiares\u2013 fazem protesto contra a precariedade de sua condi\u00e7\u00e3o e  exigem a presen\u00e7a do poder p\u00fablico. Manifesto do Comit\u00ea de Mobiliza\u00e7\u00e3o e  Solidariedade das Favelas de Niter\u00f3i critica a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria  que expulsa as fam\u00edlias pobres dos bairros para as encostas e contribui  para a deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente. E exige &#8216;&#8230; compromissos com os  problemas p\u00fablicos, que nos respeitem como cidad\u00e3os e seres humanos&#8217;.  N\u00e3o faltar\u00e3o autoridades para acusar os poucos que se mobilizam para  protestar de politizarem a quest\u00e3o. Uai: mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica?  Querem que acreditemos que viver sobre um velho lix\u00e3o (h\u00e1 17 mil pessoas  emc ondi\u00e7\u00f5es semelhantes na Grande S\u00e3o Paulo) \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o&#8230;  natural? N\u00f3s somos os derrotados que n\u00e3o conseguem chorar. Vivemos,  todos, sobre uma esp\u00e9cie de lixo mal soterrado. Antigamente se chamava  entulhoautorit\u00e1rio. Somos o cachorrinho do morro do Bumba, salvos por um  triz, sem entender o que temos a ver com aquela bagun\u00e7a toda.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Tortura, por que n\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Encaremos os fatos: a sociedade brasileira n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para a  tortura cometida no pa\u00eds, tanto faz se no passado ou no presente. Pouca  gente se manifestou a favor da iniciativa das fam\u00edlias Teles e Merlino,  que tentam condenar o coronel Ustra, reconhecido torturador de seus  familiarese de outros opositores do regime militar. Em 2008, quando o  ministro da Justi\u00e7a Tarso Genro e o secret\u00e1rio de Direitos Humanos Paulo  Vanucchi propuseram que se reabrisse no Brasil o debate a respeito da  (n\u00e3o) puni\u00e7\u00e3o aos agentes da repress\u00e3o que torturaram prisioneiros  durante a ditadura, as cartas de leitores nos principais jornais do pa\u00eds  foram, na maioria, assustadoras: os que queriam apurar os crimes foram  acusadosde ressentidos, vingativos, passadistas. A culpa pela ferocidade  da repress\u00e3o recaiu sobre as v\u00edtimas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Tristes tr\u00f3picos<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A concentra\u00e7\u00e3o de terras e a produtividade do agroneg\u00f3cio, boas para  enriquecer algumas poucas fam\u00edlias, n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para o aumento  da riqueza ou para sua distribui\u00e7\u00e3o no campo. Nem para alimentar os  brasileiros. A agricultura familiar \u2013 pasmem: emprega mais, paga melhor e  produz mais alimentos para o consumo interno do que o agroneg\u00f3cio.  Verdade que n\u00e3o rende d\u00f3lares, nem aos donos do neg\u00f3cio nem aos lobistas  do Congresso. Mas alimenta a sociedade. Vale ent\u00e3o perguntar quantos  brasileiros precisam perder seus empregos no campo, ser expulsosde seus  s\u00edtios para viver em regi\u00f5es j\u00e1 desertificadas e improdutivas,quantas  gera\u00e7\u00f5es de filhos de ex-agricultores precisam crescer nas favelas,  perto do crime, para produzir um novo-rico que viaja de jatinho e manda a  fam\u00edlia anualmente pra Miami. Quanto nos custa o novo agromilion\u00e1rio  sem vis\u00e3o do pa\u00eds, sem consci\u00eancia social, sem outra concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica  sen\u00e3o alimentar lobbies no Congresso e tentar extinguir a lutados  sem-terra pela reforma agr\u00e1ria&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.geledes.org.br\/em-debate\/colunistas\/12404-maria-rita-kehl-o-brasil-e-afetivo-encantador-violento-e-tenebroso\">Portal Geled\u00e9s<\/a>\/Brasil de Fato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A psicanalista Maria Rita Kehl, em entrevista ao Brasil de Fato, conta sobre seu novo livro e analisa o cen\u00e1rio 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