{"id":22219,"date":"2012-03-23T07:56:51","date_gmt":"2012-03-23T10:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=22219"},"modified":"2012-03-23T07:56:51","modified_gmt":"2012-03-23T10:56:51","slug":"guia-para-professores-sobre-a-sindrome-de-tourette","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=22219","title":{"rendered":"Guia para professores sobre a s\u00edndrome de Tourette"},"content":{"rendered":"<figure style=\"width: 140px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Logotipo da ASTOC, o texto e p\u00e1ssaros voando sobre o mesmo\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Kmd_JvR2kL0\/TuX-OzNHYdI\/AAAAAAAAADg\/eqZLhCb-IzM\/s1600\/lAstoc.jpg\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"80\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"> <\/figcaption><\/figure>\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de S\u00edndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo<br \/>\nLaborat\u00f3rio de Neuropsicologia Cl\u00ednica<br \/>\nSetor de Neuroci\u00eancias<br \/>\nUniversidade Federal Fluminense<\/p>\n<p>GUIA PARA PROFESSORES SOBRE A S\u00cdNDROME DE TOURETTE<\/p>\n<p>Senhor Professor:<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que voc\u00ea nunca tenha ouvido falar em S\u00edndrome de Tourette.<\/p>\n<p>Entretanto, esta s\u00edndrome engloba uma s\u00e9rie de sintomas que podem afetar consideravelmente o desempenho de uma crian\u00e7a na escola, tanto em termos acad\u00eamicos quanto em n\u00edvel de comportamento. Portanto, torna-se importante que voc\u00ea saiba um pouco sobre o problema. A sua motiva\u00e7\u00e3o em tomar conhecimento da S\u00edndrome de Tourette atrav\u00e9s deste folheto j\u00e1 representa um grande passo no objetivo de ajudar ao m\u00e1ximo a crian\u00e7a portadora desta s\u00edndrome. Os pais, a crian\u00e7a, os profissionais m\u00e9dicos e para-m\u00e9dicos e, especialmente, os professores, todos trabalhando em equipe, podem assegurar que as crian\u00e7as com este dist\u00farbio atinjam todo o seu potencial.<\/p>\n<p>Este folheto \u00e9 organizado em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es. A primeira descreve a S\u00edndrome de Tourette \u2013 suas causas, sintomas e tratamentos. Na segunda parte, sugest\u00f5es s\u00e3o oferecidas para professores e demais profissionais da escola (orientadores, psic\u00f3logos, por exemplo) compreenderem as necessidades espec\u00edficas algumas perguntas, com sugest\u00f5es de respostas, comumente colocadas por professores que lidam com crian\u00e7as com a S\u00edndrome de Tourette e duas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>UMA SITUA\u00c7\u00c3O POSS\u00cdVEL<\/p>\n<p>Uma crian\u00e7a em sua classe causa perplexidade. Ela \u00e9 inteligente, amig\u00e1vel, ansiosa em agradar, geralmente bem comportada e educada. Entretanto, sem nenhum motivo aparente, ela perturba a aula com roncos desagrad\u00e1veis. Ela tamb\u00e9m pisca os olhos constantemente, apesar do m\u00e9dico de olhos afirmar que ela n\u00e3o precisa de \u00f3culos, e tamb\u00e9m persiste em se mexer muito no assento. Voc\u00ea j\u00e1 falou com a crian\u00e7a e com os pais dela sobre este comportamento, por\u00e9m ela continua a apresent\u00e1-lo. Voc\u00ea para e pensa: Ser\u00e1 que ela est\u00e1 chamando a aten\u00e7\u00e3o porque seus pais se separaram h\u00e1 pouco tempo? Ser\u00e1 que est\u00e1 muito ansiosa em rela\u00e7\u00e3o a alguma coisa? Ou ser\u00e1 que apresenta algum problema emocional que n\u00e3o parece \u00f3bvio? Finalmente, algum m\u00e9dico sugere que esta crian\u00e7a possa ter a S\u00edndrome de Tourette.<\/p>\n<p>O QUE \u00c9 A SINDROME DE TOURETTE?<\/p>\n<p>A S\u00edndrome de Tourette (ST) \u00e9 um dist\u00farbio neurol\u00f3gico. Tipicamente, os sintomas da ST aparecem na inf\u00e2ncia, e a \u00e9poca mais comum para o surgimento dos movimentos \u00e9 nas s\u00e9ries iniciais do primeiro grau. Desta forma, os professores podem ser os primeiros a observar os sintomas da ST. H\u00e1 quatro aspectos b\u00e1sicos que caracterizam o dist\u00farbio. Enquanto que estes quatro aspectos b\u00e1sicos s\u00e3o necess\u00e1rios para o diagn\u00f3stico, h\u00e1 comportamentos associados que frequentemente s\u00e3o observados em pacientes com a ST. Estes comportamentos ser\u00e3o abordados mais adiante.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       A crian\u00e7a com a ST exibe m\u00faltiplos tiques motores involunt\u00e1rios. Estes tiques podem ser movimentos s\u00fabitos da cabe\u00e7a, ombros ou at\u00e9 mesmo de todo o corpo; piscar ou virar de olhos; caretas; ou comportamentos repetitivos de tocar coisas ou bater com os dedos. Em algumas crian\u00e7as estes movimentos assumem um padr\u00e3o muito complexo e podem at\u00e9 mesmo incluir comportamentos direcionados do tipo cheirar objetos ou ligar e desligar as luzes repetidamente.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       O segundo aspectos da ST engloba os chamados tiques f\u00f4nicos \u2013 emiss\u00e3o involunt\u00e1ria de ru\u00eddos, palavras ou express\u00f5es. Entre estes podemos incluir: fungar, pigarrear ou tossir repetidamente; uma variedade de sons ou gritos; risos involunt\u00e1rios; ecolalia (repeti\u00e7\u00e3o do que outra pessoa ou a pr\u00f3pria crian\u00e7a acabou de dizer); a coprolalia (dizer palavras socialmente inapropriadas). Este \u00faltimo tipo de tique f\u00f4nico na verdade n\u00e3o \u00e9 muito comum, por\u00e9m parece ser um dos mais conhecidos.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Outro aspecto caracter\u00edstico da ST \u00e9 o vai-e-vem dos sintomas. H\u00e1 fases em que os tiques s\u00e3o muito intensos e outras em que a crian\u00e7a aparenta estar livre dos sintomas.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Finalmente, os sintomas da ST mudam com o passar do tempo. Em uma determinada idade a crian\u00e7a pode exibir piscar de olhos e fungamentos. No ano seguinte ela pode elevar um dos ombros e fazer \u201ccheques\u201d com a l\u00edngua.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica especialmente marcante da ST \u00e9 que os tiques, embora involunt\u00e1rios, podem ser suprimidos durante alguns segundos ou por per\u00edodos mais prolongados por determinadas crian\u00e7as. Desta forma, uma crian\u00e7a com tique f\u00f4nicos pode permanecer totalmente quieta durante a missa e, no caminho de volta para casa, os tiques eclodirem com maior intensidade e freq\u00fc\u00eancia do que de costume. Estes aspectos da ST pode erroneamente levar as pessoas a acreditarem que os comportamentos s\u00e3o propositais, ou que a crian\u00e7a realmente n\u00e3o possui tique nenhum.<\/p>\n<p>O QUE CAUSA A SINDROME DE TOURETTE?<\/p>\n<p>At\u00e9 recentemente, as pessoas com a ST e suas fam\u00edlias sofriam muito j\u00e1 que a raz\u00e3o do seu comportamento estranho n\u00e3o era compreendida pela comunidade m\u00e9dica. A maioria recebia um diagn\u00f3stico incorreto e tratamentos inapropriados, e os m\u00e9dicos diziam que elas tinham um problema causado por uma variedade de dist\u00farbio neurol\u00f3gico, com sintomas associados que afetam o comportamento. \u00c9 muito bom que os professores conhe\u00e7am os sintomas deste dist\u00farbio, j\u00e1 que os educadores frequentemente se encontram na melhor posi\u00e7\u00e3o para observar o comportamento de uma crian\u00e7a por per\u00edodos de tempo prolongados.<\/p>\n<p>Atualmente \u00e9 aceito que a ST, juntamente com alguns problemas associados, \u00e9 um dist\u00farbio gen\u00e9tico. \u00c9 comum encontrar um ou mais tiques motores ou comportamentos associados no dist\u00farbio em membros da fam\u00edlia do paciente. Os pais destas crian\u00e7as freq\u00fcentemente t\u00eam sentimentos de culpa por terem transmitido este problema a seus filhos, como ocorre com todos os dist\u00farbios geneticamente transmitidos. \u00c9 importante ser sens\u00edvel a isso ao conversar com os pais.<\/p>\n<p>TRATAMENTO DA S\u00cdNDROME DE TOURETTE<\/p>\n<p>Quando os tiques s\u00e3o discretos, a crian\u00e7a pode ser diagnosticada e n\u00e3o necessitar de tratamento m\u00e9dico. A aceita\u00e7\u00e3o do fato de que os sintomas e comportamentos est\u00e3o fora do controle da crian\u00e7a e n\u00e3o s\u00e3o propositais, e algumas vezes suficientes para permitir que a crian\u00e7a funcione confortavelmente na escola e em casa. Tamb\u00e9m pode ser \u00fatil informar aos pais e aos colegas de turma sobre a ST, a fim de que eles possam entender o motivo dos tiques. Em alguns casos, entretanto, os tiques podem incomodar tanto a crian\u00e7a a ponto de tornar aconselh\u00e1vel o tratamento m\u00e9dico. Infelizmente n\u00e3o existe uma \u201cp\u00edlula m\u00e1gica\u201d capaz, ao mesmo tempo, de abolir os sintomas e n\u00e3o apresentar efeitos colaterais prejudiciais \u00e0 crian\u00e7a. Muitas das medica\u00e7\u00f5es utilizadas atualmente podem apresentar s\u00e9rios efeitos colaterais, sendo mais comum ganho de peso, sonol\u00eancia e \u201clentid\u00e3o de racioc\u00ednio\u201d. Al\u00e9m destes, tamb\u00e9m pode ocorrer inquietude, sintomas depressivos, fobia \u00e0 escola ou at\u00e9 mesmo rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas graves. Assim sendo, as medica\u00e7\u00f5es capazes de ajudar tamb\u00e9m apresentam o potencial de tornar a crian\u00e7a sonolenta ou menos apta a se concentrar e aprender na escola. As medica\u00e7\u00f5es, embora reduzam os sintomas, raramente os eliminam por completo. Portanto, cabem os pais e m\u00e9dicos decidirem se os benef\u00edcios da medica\u00e7\u00e3o superam os efeitos indesej\u00e1veis. A informa\u00e7\u00e3o sobre o funcionamento da crian\u00e7a no dia-a-dia na sala de aula \u00e9 fundamental para este processo de decis\u00e3o, sobre a necessidade de medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>DIST\u00daRBIOS ASSOCIADOS<\/p>\n<p>Para muitas crian\u00e7as com a ST, os tiques s\u00e3o os \u00fanicos problemas capazes de afetar sua adapta\u00e7\u00e3o na sala de aula. Pesquisadores cl\u00ednicos observaram que h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o entre a ST e v\u00e1rios outros dist\u00farbios que afetam diretamente o comportamento e o aprendizado. Muitas vezes, estes outros problemas representam o maior desafio para os educadores.<\/p>\n<p>DIST\u00daRBIO DEFICIT\u00c1RIO DE ATEN\u00c7\u00c3O COM HIPERATIVIDADE<\/p>\n<p>Uma alta porcentagem de crian\u00e7as encaminhadas para tratamento da ST tamb\u00e9m apresenta problemas no n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o, hiperatividade e controle de impulsos. Muitas vezes, s\u00e3o estes fatores os que mais interferem na sala de aula. O tratamento das crian\u00e7as com esse problema e com a ST \u00e9 complicado, j\u00e1 que os medicamentos tipicamente usados para tratar problemas de aten\u00e7\u00e3o acentuam os sintomas da ST.<\/p>\n<p>COMPORTAMENTOS OBSESSIVO-COMPULSIVOS<\/p>\n<p>Algumas pessoas com a ST tamb\u00e9m apresentam comportamentos obsessivo-compulsivos, havendo uma necessidade incontrol\u00e1vel de completar determinados rituais. Estas pessoas podem refazer uma tarefa muitas vezes por causa de pequenas, quase que impercept\u00edveis imperfei\u00e7\u00f5es. Algumas crian\u00e7as podem praticar rituais como \u201cigualar\u201d, ou seja, tocar em bra\u00e7o e depois o outro o mesmo n\u00famero de vezes, ou um ritual do tipo tocar ou andar aos pulos antes de entrar em uma sala. Ao crescerem, podem come\u00e7ar a acreditar que alguma coisa ruim ir\u00e1 acontecer a eles ou aos outros se este ritual n\u00e3o for completado. Em uma sala de aula, esse tipo de comportamento pode, algumas vezes, dificultar a execu\u00e7\u00e3o adequada de uma tarefa.<\/p>\n<p>DIST\u00daRBIOS DE APRENDIZAGEM<\/p>\n<p>Um n\u00famero desproporcionalmente alto de crian\u00e7a tratadas para a ST tamb\u00e9m manifesta alguma forma de dist\u00farbio de aprendizagem. Problemas de integra\u00e7\u00e3o visuo-motora, que dificultam a execu\u00e7\u00e3o de tarefas escritas, s\u00e3o bem comuns. Por\u00e9m, dependendo da crian\u00e7a, todo o espectro de dist\u00farbios de aprendizagem pode ser observado.<\/p>\n<p>TRATAMENTO DOS DIST\u00daRBIOS ASSOCIADOS<\/p>\n<p>Qualquer uma desses dist\u00farbios associados pode requerer tratamento por profissionais, especializados, dependendo da gravidade. Medica\u00e7\u00e3o, psicoterapia, educa\u00e7\u00e3o especial e modifica\u00e7\u00e3o do comportamento podem ser usadas dependendo do problema. Da mesma forma que todas que todas as crian\u00e7as possuem uma condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica cr\u00f4nica, as crian\u00e7as com ST podem necessitar de aconselhamento e apoio, a fim de ajud\u00e1-las a lidar com o impacto social e tensional de seus sintomas. O diagn\u00f3stico apropriado de cada uma destas dificuldades \u00e9 necess\u00e1rio antes de dar in\u00edcio a qualquer tratamento. N\u00e3o se deve nunca pressupor que uma crian\u00e7a que tenha a ST ir\u00e1 sempre apresentar estes outros problemas. Um professor bem informado, que possa se envolver no planejamento global de ajuda \u00e0 crian\u00e7a com a ST, \u00e9 crucial pra o futuro ajuste e bem estar desta crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A CRIAN\u00c7A COM A S\u00cdNDROME DE TOURETTE<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma crian\u00e7a \u201ct\u00edpica\u201d com S\u00edndrome de Tourette. Cada crian\u00e7a \u00e9 \u00fanica. Algumas crian\u00e7as podem possuir talentos art\u00edsticos ou musicais, outras serem atletas excepcionais. Algumas s\u00e3o charmosas com um excelente senso de humor, outras s\u00e3o s\u00e9rias e estudiosas. Uma crian\u00e7a com a ST \u00e9 apenas isso \u2013 um indiv\u00edduo \u00fanico com alguns sintomas de um dist\u00farbio neurol\u00f3gico. O professor que v\u00ea sempre a crian\u00e7a e n\u00e3o apenas os sintomas, \u00e9 de uma import\u00e2ncia para o desenvolvimento de uma auto-imagem equilibrada e positiva na crian\u00e7a com a ST.<\/p>\n<p>GERENCIAMENTO DO ALUNO COM A SINDROME DE TOURETTE NA SALA DE AULA<\/p>\n<p>Lidando com os Tiques<\/p>\n<p>Para muitos alunos, o \u00fanico aspecto da ST a se tornar evidente na sala de aula s\u00e3o os tiques. A rea\u00e7\u00e3o do professor a estes cacoetes se reveste de uma grande import\u00e2ncia. O professor e outros membros da equipe pedag\u00f3gica s\u00e3o os adultos mais frequentemente envolvidos com a vida de um aluno com a ST. Este envolvimento s\u00e3o s\u00f3 confere uma s\u00e9ria responsabilidade como tamb\u00e9m uma grande oportunidade para exercer um impacto positivo e duradouro no ajustamento da crian\u00e7a coma ST e na sua aceita\u00e7\u00e3o pelos colegas de turma.<\/p>\n<p>DICAS PARA A SALA DE AULA<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Em alguns casos os cacoetes e ru\u00eddos podem atrapalhar a aula. \u00c9 importante lembrar que eles ocorrem involuntariamente. N\u00e3o haja com raiva! Isso pode exigir paci\u00eancia de sua parte, mas repreender o aluno com a ST \u00e9 como repreender uma crian\u00e7a com paralisia cerebral por ser desajeitada. A crian\u00e7a com a ST que \u00e9 chamada aten\u00e7\u00e3o devido aos seus sintomas torna-se muitas vezes hostil em rela\u00e7\u00e3o a autoridade e fica receosa em rela\u00e7\u00e3o a escola. Al\u00e9m disso, voc\u00ea estar\u00e1 servindo de modelo para a rea\u00e7\u00e3o das outras crian\u00e7as da turma. Se o professor n\u00e3o for tolerante, os outros na sala sentir\u00e3o liberdade para ridicularizar a crian\u00e7a com a ST. Os professores s\u00e3o modelos para os alunos. Portanto, uma atitude positiva e a aceita\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as s\u00e3o fundamentais para que elas se adaptem ao grupo.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       D\u00ea \u00e0 crian\u00e7a oportunidades para pequenos intervalos fora da sala de aula. Um lugar reservado como a sala do m\u00e9dico ou da orientadora \u00e9 adequado para dar vaz\u00e3o aos tiques. Alguns alunos com a ST querem, e conseguem suprimir seus tiques durante um curto tempo, por\u00e9m h\u00e1 necessidade de descarreg\u00e1-los devido a um aumento da tens\u00e3o emocional. Um intervalo em um lugar reservado, a fim de relaxar e liberar os tiques, pode muitas vezes reduzir os sintomas na sala de aula. Estes pequenos intervalos podem aumentar a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, j\u00e1 que ela n\u00e3o estar\u00e1 usando toda a sua energia na supress\u00e3o dos tiques.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Permita, se necess\u00e1rio, que o aluno com a ST fa\u00e7a provas em um local reservado, para que n\u00e3o haja gasto de energia emocional na conten\u00e7\u00e3o dos tiques.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Trabalhe com outros alunos da turma e da escola a fim de ajuda-los a entender os tiques e a reduzir as implic\u00e2ncias e ridiculariza\u00e7\u00f5es. (solicite o folheto \u201cMarcos e Cacoetes\u201d escrevendo para o endere\u00e7o no final deste folheto).<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Caso os cacoetes de uma crian\u00e7a se tornem muito inc\u00f4modos, evite temporariamente que a crian\u00e7a se dirija em voz alta para a turma. O aluno poderia gravar exerc\u00edcios orais de forma que ele pudesse ser avaliado sem o \u201cstress\u201d de ficar diante da turma.<\/p>\n<p>\u00b7                                                                                                                                                                                                                                       Voc\u00ea deve ter em mente que o aluno com a ST est\u00e1 t\u00e3o frustrado quanto voc\u00ea a respeito da natureza inc\u00f4moda dos tiques. O professor se tornado um aliado desta crian\u00e7a, e ajudando-a a lidar com este dist\u00farbio, juntamente com a fam\u00edlia e outros profissionais, pode tornar a vida acad\u00eamica da crian\u00e7a coma ST uma experi\u00eancia enriquecedora.<\/p>\n<p>LIDANDO COM PROBLEMAS DE ESCRITA<\/p>\n<p>Uma percentagem significativa de crian\u00e7as com a ST tamb\u00e9m possui problemas de integra\u00e7\u00e3o visuo-motora. Portanto, tarefas que exijam que esses alunos visualizem, processem e escrevam tamb\u00e9m prejudica a c\u00f3pia do quadro negro ou de um livro, a execu\u00e7\u00e3o de longas tarefas escritas e a apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos escritos. At\u00e9 mesmo crian\u00e7as com a ST que n\u00e3o tenham problema algum para formar conceitos, podem ser incapazes de terminar um dever escrito por dificuldades visuo-motores. Algumas vezes, pode parecer que o aluno \u00e9 pregui\u00e7oso ou \u201cenrolador\u201d, mas, na verdade, o esfor\u00e7o para colocar a tarefa no papel \u00e9 massacrante para esses alunos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma s\u00e9rie de medidas que podem ajudar as crian\u00e7as com dificuldades de escrita.<\/p>\n<p>1.                                                                                                                                                                                                                                   Modifique as tarefas escritas permitindo que:<\/p>\n<p>1.                                                                                                                                                                                                                                   A crian\u00e7a execute problemas alternados de uma p\u00e1gina do livro de aritm\u00e9tica;<\/p>\n<p>2.                                                                                                                                                                                                                                   A crian\u00e7a apresenta os seus trabalhos oralmente;<\/p>\n<p>3.                                                                                                                                                                                                                                   Um familiar, ou outro adulto atue como uma \u201csecret\u00e1ria\u201d de modo que o aluno possa ditar suas id\u00e9ias, para facilitar a forma\u00e7\u00e3o de conceitos. \u00c9 bom concentrar-se no que a crian\u00e7a aprendeu e n\u00e3o na quantidade de trabalho escrito produzido.<\/p>\n<p>4.                                                                                                                                                                                                                                   J\u00e1 que o aluno com problemas visuo-motores pode n\u00e3o conseguir escrever rapidamente e, portanto, deixar de anotar informa\u00e7\u00f5es importantes, designe um colega de turma que utilize papel carbono para fazer c\u00f3pias de anota\u00e7\u00f5es e de deveres de casa. Este colega deve ser um aluno confi\u00e1vel. Aja discretamente a fim de que a crian\u00e7a com a ST n\u00e3o se sinta ainda mais diferente.<\/p>\n<p>5.                                                                                                                                                                                                                                   Se a sua escola tem provas com sistema computadorizado de pontua\u00e7\u00e3o, permita que o aluno escreva na pr\u00f3pria folha de prova. Este medida evita notas baixas causadas pela confus\u00e3o visual que pode ocorrer quando do preenchimento do cart\u00e3o de respostas.<\/p>\n<p>6.                                                                                                                                                                                                                                   De sempre que poss\u00edvel, tanto tempo quanto necess\u00e1rio para a execu\u00e7\u00e3o de provas. Mais uma vez, avalie a necessidade de dar provas em outra sala, no sentido de evitar problemas como, por exemplo, distra\u00e7\u00e3o para o resto da turma.<\/p>\n<p>7.                                                                                                                                                                                                                                   Aluno com problemas visuo-motores geralmente apresentam erros de ortografia. N\u00e3o considere os erros de ortografia e encoraje o aluno a reler o texto produzido.<\/p>\n<p>8.                                                                                                                                                                                                                                   Avalie a caligrafia baseando-se no esfor\u00e7o do aluno.<\/p>\n<p>Alunos com a ST apresentam dificuldades especiais para a execu\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios escritos de matem\u00e1tica. Eles podem ser auxiliados pelo uso de papel milimetrado com quadros grandes, ou com papel pautado comum, colocado de lado, a fim de formar colunas para o c\u00e1lculo. O professor tamb\u00e9m pode permitir o uso de calculadoras para c\u00e1lculos simples.<\/p>\n<p>Estas medidas podem representar a diferen\u00e7a entre um aluno motivado, bem sucedido e um aluno que se sente um fracasso o que come\u00e7ar\u00e1 a evitar as tarefas escolares por nunca conseguir bons resultados.<\/p>\n<p>LIDANDO COM PROBLEMAS DE LINGUAGEM \u2013 GERAIS E RELACIONADOS \u00c0 SINDROME DE TOURETTE<\/p>\n<p>Algumas crian\u00e7as com a ST t\u00eam sintomas que afetam a linguagem. H\u00e1 dois tipos de problemas: os que s\u00e3o comuns a outras crian\u00e7as e aqueles especificamente associados, aos tiques da ST.<\/p>\n<p>As seguintes medidas pode ser \u00fateis ao lidar com problemas de processamento de linguagem relacionados a dificuldades gerais de aprendizagem.<\/p>\n<p>1.                                                                                                                                                                                                                                   Forne\u00e7a tanto informa\u00e7\u00e3o visual quanto auditiva sempre que poss\u00edvel. O aluno poderia receber informa\u00e7\u00f5es escritas e orais, ou uma c\u00f3pia do roteiro de aula enquanto ouve as instru\u00e7\u00f5es. Gr\u00e1ficos e gravuras que ilustrem o texto tamb\u00e9m ajudam bastante.<\/p>\n<p>2.                                                                                                                                                                                                                                   De instru\u00e7\u00f5es em uma ou duas etapas de cada vez. Quando poss\u00edvel, pe\u00e7a ao aluno para repetir as instru\u00e7\u00f5es para voc\u00ea. Em seguida fa\u00e7a com que o aluno complete um ou dois itens e verifique se ele os fez adequadamente.<\/p>\n<p>3.                                                                                                                                                                                                                                   Se voc\u00ea perceber o aluno resmungando enquanto trabalha, sugira a ele que sente em um lugar onde n\u00e3o incomodar\u00e1 os outros. Algumas vezes a repeti\u00e7\u00e3o de instru\u00e7\u00f5es ou informa\u00e7\u00f5es em voz baixa ajuda estes alunos a entenderem e lembrarem a tarefa, bem como a organizarem o racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>Entre os problemas de linguagem caracter\u00edsticos da crian\u00e7a com a ST encontra-se a repeti\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias palavras ou de outra pessoa. Estes sintomas pode parecer gagueira, mas na verdade h\u00e1 omiss\u00e3o de palavras ou express\u00f5es. Outros alunos podem se aproveitar deste problema, sussurrando ou dizendo coisas inapropriadas de forma que a crian\u00e7a com a ST involuntariamente as repita e \u201centre numa fria\u201d. Voc\u00ea deve estar atento a este problema:<\/p>\n<p>1.                                                                                                                                                                                                                                   Fa\u00e7a com que o aluno tenha um pequeno intervalo ou mude para outra tarefa.<\/p>\n<p>2.                                                                                                                                                                                                                                   De a crian\u00e7a um cart\u00e3o com uma \u201cjanela\u201d cortada que deixe ver uma s\u00f3 palavra de cada vez. O aluno desliza a janela pela linha que est\u00e1 lendo de modo que a palavra anterior \u00e9 coberta e as chances de ficar \u201cpreso\u201d a uma palavra diminuam.<\/p>\n<p>3.                                                                                                                                                                                                                                   Fa\u00e7a com que o aluno use l\u00e1pis ou caneta sem borracha e permita que o aluno complete o exerc\u00edcio oralmente.<\/p>\n<p>A sua capacidade em ser flex\u00edvel, como educador, por fazer toda a diferen\u00e7a do mundo.<\/p>\n<p>LIDANDO COM PROBLEMAS DE ATEN\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Al\u00e9m das dificuldades de aprendizagem, muitas crian\u00e7as com a ST possuem graus vari\u00e1veis do Dist\u00farbio Deficit\u00e1rio de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade. Como mencionamos anteriormente, o tratamento m\u00e9dico deste problema em crian\u00e7as com a ST \u00e9 complicado.<\/p>\n<p>As sugest\u00f5es que se seguem podem ser \u00fateis ao aluno com a ST e Problemas de Aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1.                                                                                                                                                                                                                                   Coloque a crian\u00e7a sentada na primeira fileira, em frente ao professor, com o intuito de minimizar a distra\u00e7\u00e3o causada pelas outras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>2.                                                                                                                                                                                                                                   Evite colocar a crian\u00e7a sentada perto de janelas, portas ou outras fontes de distra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3.                                                                                                                                                                                                                                   De ao aluno a possibilidade de um lugar calmo para estudar. Pode ser no corredor ou na biblioteca. Este lugar n\u00e3o deve ser usado como puni\u00e7\u00e3o, mas sim como um lugar onde a crian\u00e7a possa se dirigir quando estiver com dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4.                                                                                                                                                                                                                                   O aluno deve trabalhar intensamente durante curtos per\u00edodos de tempo, com intervalos para ajudar o professor em alguma atividade ou simplesmente ficar em seu assento. Mude as tarefas com freq\u00fc\u00eancia. Por exemplo, passe alguns problemas de matem\u00e1tica, depois muda para caligrafia, etc&#8230;<\/p>\n<p>5.                                                                                                                                                                                                                                   Combine a execu\u00e7\u00e3o de tarefas com anteced\u00eancia. Um n\u00famero espec\u00edfico de problemas deve ser resolvido dentro de um tempo pr\u00e9-determinado. Seja realista. Alunos com problemas de aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem fazer duas ou mais atividades independentes ao mesmo tempo. Exerc\u00edcios curtos com verifica\u00e7\u00f5es freq\u00fcentes s\u00e3o mais eficientes.<\/p>\n<p>6.                                                                                                                                                                                                                                   Com uma crian\u00e7a mais jovem, uma atitude simples, como colocar a sua m\u00e3o no ombro dela, pode ser \u00fatil como um lembrete para manter a aten\u00e7\u00e3o no que est\u00e1 sendo dito.<\/p>\n<p>OS ALUNOS COM ST NECESSITAM DE EDUCA\u00c7\u00c3O ESPECIAL?<\/p>\n<p>Como mencionado anteriormente, a variabilidade entre as crian\u00e7as com ST \u00e9 grande. Algumas necessitar\u00e3o de servi\u00e7os educacionais especializados devido a associa\u00e7\u00e3o entre dist\u00farbios de aprendizagem e de comportamento. Estas necessidades t\u00eam que ser individualmente avaliadas por profissionais familiarizados com a ST. A natureza inc\u00f4moda dos tiques n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, um motivo para excluir uma crian\u00e7a de uma sala de aula normal.<\/p>\n<p>UM DESAFIO E UMA OPORTUNIDADE<\/p>\n<p>Educar uma crian\u00e7a com ST pode proporcionar desafios interessantes. Quanto mais voc\u00ea conhece e entende o dist\u00farbio, mais capaz voc\u00ea ser\u00e1 de ajudar o desenvolvimento desta crian\u00e7a. Voc\u00ea disp\u00f5e de uma tremenda oportunidade de ter um importante impacto na vida desta crian\u00e7a. Crian\u00e7as com a ST que conseguem se sentir confort\u00e1veis com seus professores e colegas, brilham na escola e se tornam indiv\u00edduos capazes de desenvolver seus talentos e prestar uma contribui\u00e7\u00e3o positiva \u00e0 sociedade. Aquelas crian\u00e7as cujos sintomas s\u00e3o mal compreendidos ou que n\u00e3o encontram apoio na escola, carregam um enorme peso emocional. Para a crian\u00e7a, a escola \u00e9 a arena onde se \u00e9 testado. A imagem de compet\u00eancia, sucesso e valor que a crian\u00e7a tem de si mesma \u00e9 tremendamente afetada pelas experi\u00eancias escolares. Conhecimento, apoio, paci\u00eancia, flexibilidade e carinho s\u00e3o os melhores presentes que um professor pode dar a uma crian\u00e7a com a ST.<\/p>\n<p>PERGUNTAS GERALMENTE FEITA POR PROFESSORES:<\/p>\n<p>Pergunta: Eu li suas sugest\u00f5es de como ajudar o aluno com a ST na sala de aula.<\/p>\n<p>Entretanto, eu tenho que dar aten\u00e7\u00e3o ao resto da turma, que geralmente tem 30 alunos ou mais. Como \u00e9 que eu vou arranjar tempo?<\/p>\n<p>Resposta: A implementa\u00e7\u00e3o destas sugest\u00f5es realmente demanda tempo extra.<\/p>\n<p>Entretanto, as pessoas que escolhem o magist\u00e9rio, em geral, o fazem porque querem participar do crescimento e desenvolvimento de crian\u00e7as. Este desejo de ajudar as crian\u00e7as \u00e9 especialmente importante para a crian\u00e7a com a ST.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, se voc\u00ea refletir sobre todo o tempo que voc\u00ea j\u00e1 gastou tentando achar valida a ado\u00e7\u00e3o de algumas destas sugest\u00f5es. A longo prazo, voc\u00ea pode poupar tempo e diminuir o seu estresse e o da crian\u00e7a ao criar uma situa\u00e7\u00e3o onde a crian\u00e7a tenha uma chance de progredir.<\/p>\n<p>Pergunta: O que eu devo fazer se achar que uma crian\u00e7a na minha turma tem a ST?<\/p>\n<p>Resposta: \u00c8 importante informar aos pais. Al\u00e9m disso, voc\u00ea pode nos contatar por carta. (Endere\u00e7o no final deste folheto)<\/p>\n<p>Pergunta: Se uma crian\u00e7a tem a ST, esse dist\u00farbio ir\u00e1 necessariamente piorar com o tempo?<\/p>\n<p>Resposta: Embora estejamos apenas come\u00e7ando a estudar o curso natural deste dist\u00farbio, j\u00e1 existem algumas informa\u00e7\u00f5es. A ST n\u00e3o \u00e9 degenerativa. Ap\u00f3s o surgimento dos tiques na inf\u00e2ncia, os sintomas podem se acentuar at\u00e9 certo ponto e depois mudar com o tempo. Entretanto, a maioria dos pais e crian\u00e7as com a ST relata uma estabiliza\u00e7\u00e3o dos sintomas com um quadro de melhora ou desaparecimento ao t\u00e9rmino da adolesc\u00eancia. At\u00e9 o presente momento, n\u00e3o se sabe apontar que alunos apresentar\u00e3o esse progresso.<\/p>\n<p>Pergunta: H\u00e1 uma crian\u00e7a na minha turma cujos pais dizem ter ST. Eu n\u00e3o observei todos os sintomas que eles descrevem. Ser\u00e1 que eles est\u00e3o inventando?<\/p>\n<p>Resposta: N\u00e3o, n\u00e3o est\u00e3o. As crian\u00e7as podem suprimir os tiques por per\u00edodos de tempo vari\u00e1veis. Geralmente elas fazem isso na escola para n\u00e3o serem ridicularizadas pelos colegas. Em casa, onde \u00e9 seguir, os tiques se manifestam com mais intensidade. Infelizmente, a crian\u00e7a ao suprimir os tiques na escola deixa de se concentrar em seus estudos. Para sugest\u00f5es, veja, por favor, a p\u00e1g.5, lidando com os tiques.<\/p>\n<p>Pergunta: Uma crian\u00e7a na minha turma toma rem\u00e9dios para a ST. Ela frequentemente parece \u201cdesligada\u201d e at\u00e9 mesmo j\u00e1 dormiu em aula. O que devo fazer?<\/p>\n<p>Resposta: N\u00e3o deixe de informar aos pais. O professor \u00e9, via de regra, o melhor observador dos problemas e dos efeitos da medica\u00e7\u00e3o. Como parte da equipe de tratamento, o valor de suas observa\u00e7\u00f5es \u00e9 incalcul\u00e1vel. A crian\u00e7a tem que conseguir funcionar efetivamente na escola para se considerar a interven\u00e7\u00e3o medicamentosa v\u00e1lida.<\/p>\n<p>Pergunta: Eu n\u00e3o consigo, muitas vezes, distinguir tiques de comportamentos propositais em uma crian\u00e7a da minha turma. Como posso faz\u00ea-lo?<\/p>\n<p>Resposta: Voc\u00ea est\u00e1 em boa companhia. At\u00e9 mesmo um grupo internacional de experts no assunto n\u00e3o estaria totalmente de acordo sobre o que \u00e9 um cacoete e o que \u00e9 simplesmente um problema de comportamento. Os pais tamb\u00e9m encontram esta mesma finalidade. A melhor coisa a fazer \u00e9 conversar com os pais e m\u00e9dicos da crian\u00e7a e ver se eles ajudam voc\u00ea a decidir. Uma conversa com o aluno pode ser proveitosa. Se o aluno relatar uma compuls\u00e3o para fazer alguma coisa pode ser que seja a ST. Isso n\u00e3o significa que voc\u00ea tenha que aceitar um comportamento socialmente intoler\u00e1vel. O aluno pode necessitar de uma assist\u00eancia m\u00e9dica ou outros profissionais familiarizados com a ST a fim de lidar com estes problemas. Enquanto isso se lembre que a raiva e puni\u00e7\u00e3o s\u00e3o contraproducentes. Um lugar seguro, onde os tiques possam ser descarregados, pode ser necess\u00e1rio algumas vezes, mas esta medida n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o completa do dilema.<\/p>\n<p>Pergunta: Eu tenho um aluno com a ST em minha turma, e tenho encontrado dificuldades em lidar com seu comportamento. Frequentemente converso com os seus pais. Entretanto, toda vez que eu tento conversar, eles parecem muito aborrecidos comigo e n\u00e3o a entender que os problemas do aluno s\u00e3o culpa minha. O que eu devo fazer?<\/p>\n<p>Resposta: Tente lembrar-se que os pais est\u00e3o t\u00e3o frustrados quanto voc\u00ea a respeito desses problemas, e eles est\u00e3o ainda mais chateados por ser o filho deles. Eles v\u00eaem voc\u00ea como um expert em crian\u00e7as e esperam que voc\u00ea seja paciente e compreensivo, embora muitas vezes fora da realidade, eles esperam que voc\u00ea possa resolver o que eles n\u00e3o podem. Al\u00e9m disso, eles sabem que a crian\u00e7a est\u00e1 sofrendo e querem proteg\u00ea-la de qualquer estresse ou amea\u00e7a. Finalmente, os pais de alunos com a ST frequentemente j\u00e1 tiveram a experi\u00eancia de que os outros n\u00e3o acreditam neles e n\u00e3o entendem as necessidades de seus filhos. Portanto, \u00e0s vezes, eles podem ficar um pouco nervosos e discutir com voc\u00ea.<\/p>\n<p>Se isso acontecer, tente expressar suas preocupa\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00e3o em colocar culpa neles ou na crian\u00e7a;<\/p>\n<p>Pergunta: Onde posso conseguir mais informa\u00e7\u00f5es sobre a ST?<\/p>\n<p>Resposta: Escreva para:<\/p>\n<p>Prof. Dr. Gilberto Ne Ottoni de Brito<\/p>\n<p>Laborat\u00f3rio de Neuropsicologia Cl\u00ednica<\/p>\n<p>Setor de Neuroci\u00eancias<\/p>\n<p>Instituto Biom\u00e9dico \u2013 UFF<\/p>\n<p>Rua: Hernani Mello, 101<\/p>\n<p>Niter\u00f3i, RJ<\/p>\n<p>CEP: 22401-000<\/p>\n<p>Agradecemos a autoriza\u00e7\u00e3o dada pela Tourette Syndrome Association para a tradu\u00e7\u00e3o do folheto \u201cNa Educator a Guide to Tourette Syndrome\u201d<br \/>\nTraduzido por Mauro Fernando Cardoso Lins (Acad\u00eamico de Medicina da UFF e Bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do CNPq).<\/p>\n<p>Fonte: \u00a0<a href=\"http:\/\/www.astoc.org.br\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de S\u00edndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma crian\u00e7a em sua classe causa perplexidade. Ela \u00e9 inteligente, amig\u00e1vel, ansiosa em agradar, geralmente bem comportada e educada. Entretanto, sem nenhum motivo aparente, ela perturba a aula com roncos desagrad\u00e1veis. Ela tamb\u00e9m pisca os olhos constantemente, apesar do m\u00e9dico de olhos afirmar que ela n\u00e3o precisa de \u00f3culos, e tamb\u00e9m persiste em se mexer muito no assento. Voc\u00ea j\u00e1 falou com a crian\u00e7a e com os pais dela sobre este comportamento, por\u00e9m ela continua a apresent\u00e1-lo. Voc\u00ea para e pensa: Ser\u00e1 que ela est\u00e1 chamando a aten\u00e7\u00e3o porque seus pais se separaram h\u00e1 pouco tempo? Ser\u00e1 que est\u00e1 muito ansiosa em rela\u00e7\u00e3o a alguma coisa? Ou ser\u00e1 que apresenta algum problema emocional que n\u00e3o parece \u00f3bvio? 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