{"id":26018,"date":"2014-01-07T21:12:47","date_gmt":"2014-01-08T00:12:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=26018"},"modified":"2014-01-07T21:12:47","modified_gmt":"2014-01-08T00:12:47","slug":"novas-tecnologias-facilitam-a-leitura-e-o-letramento-de-deficientes-visuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018","title":{"rendered":"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"Alfabeto multicolorido.\" alt=\"Alfabeto multicolorido.\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p><em>Por Julia Melare<\/em><br \/>\n<em>na Com Ci\u00eancia<\/em><\/p>\n<p>Aprendizado, letramento e leitura s\u00e3o processos fundamentais para a constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, e quando h\u00e1 algum tipo de defici\u00eancia, como a visual, esses processos t\u00eam que ser ainda mais refinados e assertivos. Para os deficientes visuais, existe o braille, sistema de escrita em relevo criado por Louis Braille no s\u00e9culo 19, composto por 64 s\u00edmbolos resultantes da combina\u00e7\u00e3o de seis pontos, dispostos em duas colunas de tr\u00eas pontos, que \u00e9 interpretado pelo tato.<\/p>\n<p>Alguns instrumentos dispon\u00edveis no mercado permitem a reprodu\u00e7\u00e3o de textos em braille, como m\u00e1quinas de escrever, impressoras, scanner e, o mais popular, a reglete. \u201c Nesse aparelho, o ponto \u00e9 feito em baixo relevo e da direita para a esquerda. Das tecnologias assistivas, a reglete \u00e9 a mais utilizada, por\u00e9m a que mais apresenta problemas na performance, como a leitura da direita para a esquerda, por isso optamos por aperfei\u00e7o\u00e1-la\u201d, diz Aline Otalara, mestre em Educa\u00e7\u00e3o e doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o Escolar, fundadora da empresa Tecnologia e Ci\u00eancia Educacional (Tece), associada \u00e0 incubadora tecnol\u00f3gica da Unesp de Rio Claro (Incunesp).<\/p>\n<p>Otalara foi pesquisadora-coordenadora do projeto \u201cDesenvolvimento de tecnologias assistivas para pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o\u201d, na linha de fomento de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fapesp, e ap\u00f3s nove anos de pesquisa desenvolveu a reglete positiva. Nesse novo instrumento, os pontos j\u00e1 s\u00e3o escritos em alto relevo, possibilitando a leitura do texto da esquerda para a direita.<\/p>\n<p>A pesquisadora, que lecionava para um aluno cego, come\u00e7ou a desenvolver o aparelho por interesse pr\u00f3prio, pois constatou que crian\u00e7as cegas matriculadas no ensino fundamental cometiam erros de grafia diferentes dos das outras crian\u00e7as com vis\u00e3o completa. Junto a professores de f\u00edsica da Unesp de Rio Claro, deficientes visuais e profissionais de centros de reabilita\u00e7\u00e3o, foi elaborada uma lista com especificidades que faltavam \u00e0 reglete comum e que ajudariam a melhorar seu rendimento. Posteriormente foram criados prot\u00f3tipos a partir da experimenta\u00e7\u00e3o com altera\u00e7\u00e3o de sericidade e distanciamento de pontos e c\u00e9lulas at\u00e9 chegar a uma medida que proporcionasse escrita leg\u00edvel. Os prot\u00f3tipos foram levados para testes a institui\u00e7\u00f5es de diversas cidades da regi\u00e3o de Rio Claro, al\u00e9m de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2004 receberam apoio da Fapesp, com recursos voltados para a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais como pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, engenheiros de materiais, al\u00e9m de financiar viagens de campo para os testes. A hip\u00f3tese que a reglete positiva facilitaria a alfabetiza\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao braille foi confirmada, e o aprendizado foi 40% mais r\u00e1pido com esse dispositivo. \u201cCom isso, h\u00e1 um ganho na alfabetiza\u00e7\u00e3o, pois os professores percebem que agiliza o aprendizado de alunos cegos, que antes apreendiam uma quantidade menor de informa\u00e7\u00e3o pela dificuldade de absor\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, al\u00e9m de alterar o interesse das pessoas em aprender o c\u00f3digo, pois quebra a resist\u00eancia de incorporar o braille no dia a dia tanto para deficientes visuais quanto para seus professores e familiares\u201d, afirma Otalara.<\/p>\n<p>Em um ano de vendas os concorrentes foram obrigados a reduzir o pre\u00e7o de seus aparelhos, pois a reglete positiva custa um ter\u00e7o a menos que a reglete comum, gerando maior acesso a esse tipo de tecnologia assistida. A renda das vendas \u00e9 destinada a fundos de investimento para pesquisas de aperfei\u00e7oamento de novas tecnologias da \u00e1rea. \u201cO braille continua a \u00fanica forma de leitura para deficientes visuais. Leitor de tela e audiolivro s\u00e3o ferramentas auditivas, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. O cego n\u00e3o reconhece a palavra\u201d, pondera a pesquisadora.<\/p>\n<p>Audiodescri\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Outro recurso de acessibilidade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o a deficientes visuais \u00e9 a audiodescri\u00e7\u00e3o, tecnologia assistida que amplia as possibilidades de entendimento. \u201cNo cinema, por exemplo, sem a audiodescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel compreender o filme, por\u00e9m nas cenas silenciosas n\u00e3o se percebe o que est\u00e1 acontecendo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de tempo, espa\u00e7o, caracteriza\u00e7\u00e3o de personagens, cen\u00e1rio, movimento de c\u00e2mera, montagem de v\u00eddeo clipe, em que as c\u00e2meras se movimentam rapidamente, ou um plano geral, mais lento, sem corte&#8230; Tudo isso faz parte da linguagem do cinema, e a audiodescri\u00e7\u00e3o fornece as informa\u00e7\u00f5es do vis\u00edvel, ampliando o entendimento da pessoa\u201d, explica Bell Machado, audiodescritora, assessora na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia e Mobilidade Reduzida de Campinas e mestranda em multimeios no Instituto de Artes da Unicamp.<\/p>\n<p>A audiodescri\u00e7\u00e3o pode ser utilizada em qualquer situa\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00e3o visual, como passeios tur\u00edsticos, inform\u00e1tica, televis\u00e3o, salas de aula, atividades culturais e audiovisuais no geral, como teatro, \u00f3pera, cinema, espet\u00e1culo de dan\u00e7a e palestras. \u201cH\u00e1 v\u00e1rias \u00e1reas que as pessoas podem se especializar. H\u00e1, por exemplo, a descri\u00e7\u00e3o de imagens est\u00e1ticas, na qual \u00e9 preciso grande base em hist\u00f3ria da arte para realizar esse trabalho, ter ci\u00eancia das cores que o pintor utilizou, o motivo de sua utiliza\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica das pinceladas, o estilo. Trabalhamos com as met\u00e1foras \u00f3ticas para educar visualmente a pessoa com defici\u00eancia visual. No teatro, a audiodescri\u00e7\u00e3o \u00e9 ao vivo, devido \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o dos atores\u201d, conta Machado. No cinema, o filme \u00e9 colocado na tela, e ele possui minutagem (time code). \u201cEm filmes europeus, iranianos e asi\u00e1ticos os di\u00e1logos s\u00e3o poucos e pausados, ent\u00e3o h\u00e1 tempo suficiente para fazer a descri\u00e7\u00e3o detalhada de cenas, movimentos e personagens. J\u00e1 numa produ\u00e7\u00e3o do Woody Allen, que \u00e9 extremamente r\u00e1pida e na qual v\u00e1rios personagens falam ao mesmo tempo, \u00e9 preciso encontrar uma brecha numa minutagem espec\u00edfica para realizar essa descri\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais trabalhoso. O roteiro de audiodescri\u00e7\u00e3o fica muito parecido com o roteiro original do diretor\u201d, complementa.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fundamental da audiodescri\u00e7\u00e3o no cinema, tese de mestrado de Machado, \u00e9 a pluralidade do olhar do audiodescritor, considerada uma tradu\u00e7\u00e3o visual intersemi\u00f3tica, na qual cada indiv\u00edduo d\u00e1 seu significado para as coisas, seu conceito sobre algum objeto. \u201cAo mesmo tempo em que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o visual, \u00e9 tamb\u00e9m uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, estou fazendo uma tradu\u00e7\u00e3o do que o meu olhar reparou naquele momento. Cada audiodescritor faz sua tradu\u00e7\u00e3o de uma maneira, considerando a imagem que achar relevante, seguindo as normas da ABNT de audiodescri\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Desde 2006 est\u00e1 aprovada a lei que obriga as emissoras de televis\u00e3o abertas a exibirem duas horas de programa\u00e7\u00e3o com audiodescri\u00e7\u00e3o por semana, e \u00e9 a pr\u00f3pria emissora que escolhe qual programa ter\u00e1 esse recurso, comumente encontrado nos filmes. Basta apertar a tecla SAP duas vezes para entrar na audiodescri\u00e7\u00e3o da TV. Apesar dessa iniciativa, o tempo definido \u00e9 insuficiente, e grupos formados por pol\u00edticos, comunicadores, professores, audiodescritores e deficientes visuais est\u00e3o engajados para ampliar a quantidade de horas de audiodescri\u00e7\u00e3o na TV aberta.<\/p>\n<p>Outro aspecto frisado por Machado foi a import\u00e2ncia de inserir a atividade nas universidades para desenvolver estudos na \u00e1rea, desfragmentando as informa\u00e7\u00f5es sobre inclus\u00e3o. \u201cExistem 35 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia visual no Brasil, \u00e9 preciso ampliar o entendimento e conceitos da condi\u00e7\u00e3o, e a audiodescri\u00e7\u00e3o cria uma nova vis\u00e3o de mundo, de olhar a vida, e proporciona autonomia intelectual desse indiv\u00edduo. N\u00e3o existe inclus\u00e3o social sem a autonomia intelectual, e ela s\u00f3 existe quando h\u00e1 liberdade do relacionamento do deficiente visual com o mundo em sua plenitude. Quanto mais ele assistir a filmes que contemplem a linguagem cinematogr\u00e1fica e quanto mais ele se apropriar dessas terminologias e artif\u00edcios, \u00e9 proporcionada melhor frui\u00e7\u00e3o do cinema, desenvolvendo olhar cr\u00edtico sobre as produ\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a audiodescritora.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>Por\u00e9m, com o advento de todas as tecnologias assistivas, o que se percebe \u00e9 que em vez de auxiliar o processo de aprendizado, elas est\u00e3o substituindo a leitura em braille. Segundo Maria da Gl\u00f3ria de Souza Almeida, professora e chefe de gabinete da dire\u00e7\u00e3o-geral do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, centro de refer\u00eancia nacional na \u00e1rea, estamos vivendo um fen\u00f4meno mundial de \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cHoje temos recursos atraentes demais e que n\u00e3o exigem sacrif\u00edcio, como os audiolivros, e isso traz certa acomoda\u00e7\u00e3o ao deficiente visual. Temos uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que n\u00e3o querem ler em braille, s\u00f3 ouvir. O audiolivro, o livro digital, \u00e9 muito importante, e colocou o cego na contemporaneidade, pois quase tudo \u00e9 disponibilizado simultaneamente para os deficientes visuais. Por\u00e9m negar o sistema de escrita e leitura \u00e9 um absurdo, a leitura \u00e9 extremamente importante, e quando h\u00e1 conviv\u00eancia com o livro a frui\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 mais profunda, uma simbiose perfeita entre autor-leitor\u201d, justifica a professora, que \u00e9 deficiente visual.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Almeida, se a crian\u00e7a n\u00e3o for habituada a ler e escrever com as pr\u00f3prias m\u00e3os, ela n\u00e3o vai querer fazer isso posteriormente, j\u00e1 que \u00e9 mais c\u00f4modo digitar e ouvir o trabalho do que escrev\u00ea-lo manualmente e ter que corrigi-lo depois. Para ela, o computador precisa ser algo complementar, e n\u00e3o o carro-chefe da educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, sejam elas que enxerguem ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Os professores tamb\u00e9m necessitam se preparar para lidar com essa quest\u00e3o t\u00e3o comum na sala de aula. \u201cAs escolas t\u00eam que ser instrumentalizadas para que os deficientes visuais tenham vis\u00e3o mais ampla de conhecimento. A reglete requer muita precis\u00e3o da pessoa, e se ela n\u00e3o tem o tato bem desenvolvido, a leitura do braille tamb\u00e9m se torna complicada. Por\u00e9m tudo tem jeito quando o professor pode e sabe trabalhar\u201d, afirma Almeida. Ela cita o exemplo de pessoas que devido a problemas org\u00e2nicos, em especial neurol\u00f3gicos, n\u00e3o desenvolveram o tato, n\u00e3o possuindo a parte motora refinada que o braille exige, e a consequ\u00eancia \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. Nesses casos, a tecnologia est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 decretar que daqui para frente somente um m\u00e9todo \u00e9 utiliz\u00e1vel, a liberdade de escolha tem que ser exercida, e n\u00e3o imposta. Como j\u00e1 dizia Paulo Freire, n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o imposta como n\u00e3o h\u00e1 amor imposto. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 abertura de caminhos, alavanca, promove o ser humano em todos os sentidos, na parte intelectual, profissional, social. A pessoa s\u00f3 \u00e9 humanizada de fato quando ela tem todos esses ingredientes bem trabalhados e refinados\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Almeida afirma que, para que o processo de aprendizado seja eficaz, \u00e9 preciso diagnosticar e identificar o aluno deficiente visual: saber quem ele \u00e9, o que quer, qual grupo social, cultural e econ\u00f4mico pertence, como \u00e9 a fam\u00edlia, e a partir da\u00ed fazer um planejamento que possa dar uma caminhada menos complicada e atrelada ao sucesso pessoal. O trip\u00e9 acessibilidade, inclus\u00e3o e cidadania \u00e9 que vai ditar o sucesso da empreitada, dando autonomia, independ\u00eancia, capacidade de gerenciar a sustenta\u00e7\u00e3o de atitudes. E, mais importante, a inclus\u00e3o da fam\u00edlia no processo. \u201cA fam\u00edlia tem que andar lado a lado com a escola, e o professor deve orientar a fam\u00edlia para n\u00e3o superproteger ou excluir as crian\u00e7as. \u00c9 preciso ter a mente aberta, direcionando ao outro um olhar al\u00e9m da defici\u00eancia\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprendizado, letramento e leitura s\u00e3o processos fundamentais para a constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, e quando h\u00e1 algum tipo de defici\u00eancia, como a visual, esses processos t\u00eam que ser ainda mais refinados e assertivos. Para os deficientes visuais, existe o braille, sistema de escrita em relevo criado por Louis Braille no s\u00e9culo 19, composto por 64 s\u00edmbolos resultantes da combina\u00e7\u00e3o de seis pontos, dispostos em duas colunas de tr\u00eas pontos, que \u00e9 interpretado pelo tato.<\/p>\n<p> Alguns instrumentos dispon\u00edveis no mercado permitem a reprodu\u00e7\u00e3o de textos em braille, como m\u00e1quinas de escrever, impressoras, scanner e, o mais popular, a reglete. \u201c Nesse aparelho, o ponto \u00e9 feito em baixo relevo e da direita para a esquerda. 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O cego n\u00e3o reconhece a palavra\u201d, pondera a pesquisadora.<\/p>\n<p> Audiodescri\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p> Outro recurso de acessibilidade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o a deficientes visuais \u00e9 a audiodescri\u00e7\u00e3o, tecnologia assistida que amplia as possibilidades de entendimento. \u201cNo cinema, por exemplo, sem a audiodescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel compreender o filme, por\u00e9m nas cenas silenciosas n\u00e3o se percebe o que est\u00e1 acontecendo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de tempo, espa\u00e7o, caracteriza\u00e7\u00e3o de personagens, cen\u00e1rio, movimento de c\u00e2mera, montagem de v\u00eddeo clipe, em que as c\u00e2meras se movimentam rapidamente, ou um plano geral, mais lento, sem corte&#8230; Tudo isso faz parte da linguagem do cinema, e a audiodescri\u00e7\u00e3o fornece as informa\u00e7\u00f5es do vis\u00edvel, ampliando o entendimento da pessoa\u201d, explica Bell Machado, audiodescritora, assessora na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia e Mobilidade Reduzida de Campinas e mestranda em multimeios no Instituto de Artes da Unicamp.<\/p>\n<p> A audiodescri\u00e7\u00e3o pode ser utilizada em qualquer situa\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00e3o visual, como passeios tur\u00edsticos, inform\u00e1tica, televis\u00e3o, salas de aula, atividades culturais e audiovisuais no geral, como teatro, \u00f3pera, cinema, espet\u00e1culo de dan\u00e7a e palestras. \u201cH\u00e1 v\u00e1rias \u00e1reas que as pessoas podem se especializar. H\u00e1, por exemplo, a descri\u00e7\u00e3o de imagens est\u00e1ticas, na qual \u00e9 preciso grande base em hist\u00f3ria da arte para realizar esse trabalho, ter ci\u00eancia das cores que o pintor utilizou, o motivo de sua utiliza\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica das pinceladas, o estilo. Trabalhamos com as met\u00e1foras \u00f3ticas para educar visualmente a pessoa com defici\u00eancia visual. No teatro, a audiodescri\u00e7\u00e3o \u00e9 ao vivo, devido \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o dos atores\u201d, conta Machado. No cinema, o filme \u00e9 colocado na tela, e ele possui minutagem (time code). \u201cEm filmes europeus, iranianos e asi\u00e1ticos os di\u00e1logos s\u00e3o poucos e pausados, ent\u00e3o h\u00e1 tempo suficiente para fazer a descri\u00e7\u00e3o detalhada de cenas, movimentos e personagens. J\u00e1 numa produ\u00e7\u00e3o do Woody Allen, que \u00e9 extremamente r\u00e1pida e na qual v\u00e1rios personagens falam ao mesmo tempo, \u00e9 preciso encontrar uma brecha numa minutagem espec\u00edfica para realizar essa descri\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais trabalhoso. O roteiro de audiodescri\u00e7\u00e3o fica muito parecido com o roteiro original do diretor\u201d, complementa.<\/p>\n<p> A quest\u00e3o fundamental da audiodescri\u00e7\u00e3o no cinema, tese de mestrado de Machado, \u00e9 a pluralidade do olhar do audiodescritor, considerada uma tradu\u00e7\u00e3o visual intersemi\u00f3tica, na qual cada indiv\u00edduo d\u00e1 seu significado para as coisas, seu conceito sobre algum objeto. \u201cAo mesmo tempo em que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o visual, \u00e9 tamb\u00e9m uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, estou fazendo uma tradu\u00e7\u00e3o do que o meu olhar reparou naquele momento. Cada audiodescritor faz sua tradu\u00e7\u00e3o de uma maneira, considerando a imagem que achar relevante, seguindo as normas da ABNT de audiodescri\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p> Desde 2006 est\u00e1 aprovada a lei que obriga as emissoras de televis\u00e3o abertas a exibirem duas horas de programa\u00e7\u00e3o com audiodescri\u00e7\u00e3o por semana, e \u00e9 a pr\u00f3pria emissora que escolhe qual programa ter\u00e1 esse recurso, comumente encontrado nos filmes. Basta apertar a tecla SAP duas vezes para entrar na audiodescri\u00e7\u00e3o da TV. Apesar dessa iniciativa, o tempo definido \u00e9 insuficiente, e grupos formados por pol\u00edticos, comunicadores, professores, audiodescritores e deficientes visuais est\u00e3o engajados para ampliar a quantidade de horas de audiodescri\u00e7\u00e3o na TV aberta.<\/p>\n<p> Outro aspecto frisado por Machado foi a import\u00e2ncia de inserir a atividade nas universidades para desenvolver estudos na \u00e1rea, desfragmentando as informa\u00e7\u00f5es sobre inclus\u00e3o. \u201cExistem 35 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia visual no Brasil, \u00e9 preciso ampliar o entendimento e conceitos da condi\u00e7\u00e3o, e a audiodescri\u00e7\u00e3o cria uma nova vis\u00e3o de mundo, de olhar a vida, e proporciona autonomia intelectual desse indiv\u00edduo. N\u00e3o existe inclus\u00e3o social sem a autonomia intelectual, e ela s\u00f3 existe quando h\u00e1 liberdade do relacionamento do deficiente visual com o mundo em sua plenitude. Quanto mais ele assistir a filmes que contemplem a linguagem cinematogr\u00e1fica e quanto mais ele se apropriar dessas terminologias e artif\u00edcios, \u00e9 proporcionada melhor frui\u00e7\u00e3o do cinema, desenvolvendo olhar cr\u00edtico sobre as produ\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a audiodescritora.<\/p>\n<p> O fen\u00f4meno da \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p> Por\u00e9m, com o advento de todas as tecnologias assistivas, o que se percebe \u00e9 que em vez de auxiliar o processo de aprendizado, elas est\u00e3o substituindo a leitura em braille. Segundo Maria da Gl\u00f3ria de Souza Almeida, professora e chefe de gabinete da dire\u00e7\u00e3o-geral do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, centro de refer\u00eancia nacional na \u00e1rea, estamos vivendo um fen\u00f4meno mundial de \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cHoje temos recursos atraentes demais e que n\u00e3o exigem sacrif\u00edcio, como os audiolivros, e isso traz certa acomoda\u00e7\u00e3o ao deficiente visual. Temos uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que n\u00e3o querem ler em braille, s\u00f3 ouvir. O audiolivro, o livro digital, \u00e9 muito importante, e colocou o cego na contemporaneidade, pois quase tudo \u00e9 disponibilizado simultaneamente para os deficientes visuais. Por\u00e9m negar o sistema de escrita e leitura \u00e9 um absurdo, a leitura \u00e9 extremamente importante, e quando h\u00e1 conviv\u00eancia com o livro a frui\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 mais profunda, uma simbiose perfeita entre autor-leitor\u201d, justifica a professora, que \u00e9 deficiente visual.<\/p>\n<p> Ainda de acordo com Almeida, se a crian\u00e7a n\u00e3o for habituada a ler e escrever com as pr\u00f3prias m\u00e3os, ela n\u00e3o vai querer fazer isso posteriormente, j\u00e1 que \u00e9 mais c\u00f4modo digitar e ouvir o trabalho do que escrev\u00ea-lo manualmente e ter que corrigi-lo depois. Para ela, o computador precisa ser algo complementar, e n\u00e3o o carro-chefe da educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, sejam elas que enxerguem ou n\u00e3o.<\/p>\n<p> Os professores tamb\u00e9m necessitam se preparar para lidar com essa quest\u00e3o t\u00e3o comum na sala de aula. \u201cAs escolas t\u00eam que ser instrumentalizadas para que os deficientes visuais tenham vis\u00e3o mais ampla de conhecimento. A reglete requer muita precis\u00e3o da pessoa, e se ela n\u00e3o tem o tato bem desenvolvido, a leitura do braille tamb\u00e9m se torna complicada. Por\u00e9m tudo tem jeito quando o professor pode e sabe trabalhar\u201d, afirma Almeida. Ela cita o exemplo de pessoas que devido a problemas org\u00e2nicos, em especial neurol\u00f3gicos, n\u00e3o desenvolveram o tato, n\u00e3o possuindo a parte motora refinada que o braille exige, e a consequ\u00eancia \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. Nesses casos, a tecnologia est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 decretar que daqui para frente somente um m\u00e9todo \u00e9 utiliz\u00e1vel, a liberdade de escolha tem que ser exercida, e n\u00e3o imposta. Como j\u00e1 dizia Paulo Freire, n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o imposta como n\u00e3o h\u00e1 amor imposto. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 abertura de caminhos, alavanca, promove o ser humano em todos os sentidos, na parte intelectual, profissional, social. A pessoa s\u00f3 \u00e9 humanizada de fato quando ela tem todos esses ingredientes bem trabalhados e refinados\u201d, argumenta.<\/p>\n<p> Almeida afirma que, para que o processo de aprendizado seja eficaz, \u00e9 preciso diagnosticar e identificar o aluno deficiente visual: saber quem ele \u00e9, o que quer, qual grupo social, cultural e econ\u00f4mico pertence, como \u00e9 a fam\u00edlia, e a partir da\u00ed fazer um planejamento que possa dar uma caminhada menos complicada e atrelada ao sucesso pessoal. O trip\u00e9 acessibilidade, inclus\u00e3o e cidadania \u00e9 que vai ditar o sucesso da empreitada, dando autonomia, independ\u00eancia, capacidade de gerenciar a sustenta\u00e7\u00e3o de atitudes. E, mais importante, a inclus\u00e3o da fam\u00edlia no processo. \u201cA fam\u00edlia tem que andar lado a lado com a escola, e o professor deve orientar a fam\u00edlia para n\u00e3o superproteger ou excluir as crian\u00e7as. \u00c9 preciso ter a mente aberta, direcionando ao outro um olhar al\u00e9m da defici\u00eancia\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-container-style":"default","site-container-layout":"default","site-sidebar-layout":"default","disable-article-header":"default","disable-site-header":"default","disable-site-footer":"default","disable-content-area-spacing":"default","footnotes":""},"categories":[38,6,48],"tags":[89,229,64],"class_list":["post-26018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-deficiencia","category-educacao","category-inclusao","tag-acessibilidade","tag-audio-2","tag-audiodescricao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais -<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais -\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Aprendizado, letramento e leitura s\u00e3o processos fundamentais para a constitui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, e quando h\u00e1 algum tipo de defici\u00eancia, como a visual, esses processos t\u00eam que ser ainda mais refinados e assertivos. Para os deficientes visuais, existe o braille, sistema de escrita em relevo criado por Louis Braille no s\u00e9culo 19, composto por 64 s\u00edmbolos resultantes da combina\u00e7\u00e3o de seis pontos, dispostos em duas colunas de tr\u00eas pontos, que \u00e9 interpretado pelo tato.  Alguns instrumentos dispon\u00edveis no mercado permitem a reprodu\u00e7\u00e3o de textos em braille, como m\u00e1quinas de escrever, impressoras, scanner e, o mais popular, a reglete. \u201c Nesse aparelho, o ponto \u00e9 feito em baixo relevo e da direita para a esquerda. Das tecnologias assistivas, a reglete \u00e9 a mais utilizada, por\u00e9m a que mais apresenta problemas na performance, como a leitura da direita para a esquerda, por isso optamos por aperfei\u00e7o\u00e1-la\u201d, diz Aline Otalara, mestre em Educa\u00e7\u00e3o e doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o Escolar, fundadora da empresa Tecnologia e Ci\u00eancia Educacional (Tece), associada \u00e0 incubadora tecnol\u00f3gica da Unesp de Rio Claro (Incunesp).  Otalara foi pesquisadora-coordenadora do projeto \u201cDesenvolvimento de tecnologias assistivas para pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o\u201d, na linha de fomento de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fapesp, e ap\u00f3s nove anos de pesquisa desenvolveu a reglete positiva. Nesse novo instrumento, os pontos j\u00e1 s\u00e3o escritos em alto relevo, possibilitando a leitura do texto da esquerda para a direita.  A pesquisadora, que lecionava para um aluno cego, come\u00e7ou a desenvolver o aparelho por interesse pr\u00f3prio, pois constatou que crian\u00e7as cegas matriculadas no ensino fundamental cometiam erros de grafia diferentes dos das outras crian\u00e7as com vis\u00e3o completa. Junto a professores de f\u00edsica da Unesp de Rio Claro, deficientes visuais e profissionais de centros de reabilita\u00e7\u00e3o, foi elaborada uma lista com especificidades que faltavam \u00e0 reglete comum e que ajudariam a melhorar seu rendimento. Posteriormente foram criados prot\u00f3tipos a partir da experimenta\u00e7\u00e3o com altera\u00e7\u00e3o de sericidade e distanciamento de pontos e c\u00e9lulas at\u00e9 chegar a uma medida que proporcionasse escrita leg\u00edvel. Os prot\u00f3tipos foram levados para testes a institui\u00e7\u00f5es de diversas cidades da regi\u00e3o de Rio Claro, al\u00e9m de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.  No in\u00edcio de 2004 receberam apoio da Fapesp, com recursos voltados para a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais como pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, engenheiros de materiais, al\u00e9m de financiar viagens de campo para os testes. A hip\u00f3tese que a reglete positiva facilitaria a alfabetiza\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao braille foi confirmada, e o aprendizado foi 40% mais r\u00e1pido com esse dispositivo. \u201cCom isso, h\u00e1 um ganho na alfabetiza\u00e7\u00e3o, pois os professores percebem que agiliza o aprendizado de alunos cegos, que antes apreendiam uma quantidade menor de informa\u00e7\u00e3o pela dificuldade de absor\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, al\u00e9m de alterar o interesse das pessoas em aprender o c\u00f3digo, pois quebra a resist\u00eancia de incorporar o braille no dia a dia tanto para deficientes visuais quanto para seus professores e familiares\u201d, afirma Otalara.  Em um ano de vendas os concorrentes foram obrigados a reduzir o pre\u00e7o de seus aparelhos, pois a reglete positiva custa um ter\u00e7o a menos que a reglete comum, gerando maior acesso a esse tipo de tecnologia assistida. A renda das vendas \u00e9 destinada a fundos de investimento para pesquisas de aperfei\u00e7oamento de novas tecnologias da \u00e1rea. \u201cO braille continua a \u00fanica forma de leitura para deficientes visuais. Leitor de tela e audiolivro s\u00e3o ferramentas auditivas, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. O cego n\u00e3o reconhece a palavra\u201d, pondera a pesquisadora.   Audiodescri\u00e7\u00e3o  Outro recurso de acessibilidade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o a deficientes visuais \u00e9 a audiodescri\u00e7\u00e3o, tecnologia assistida que amplia as possibilidades de entendimento. \u201cNo cinema, por exemplo, sem a audiodescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel compreender o filme, por\u00e9m nas cenas silenciosas n\u00e3o se percebe o que est\u00e1 acontecendo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de tempo, espa\u00e7o, caracteriza\u00e7\u00e3o de personagens, cen\u00e1rio, movimento de c\u00e2mera, montagem de v\u00eddeo clipe, em que as c\u00e2meras se movimentam rapidamente, ou um plano geral, mais lento, sem corte... Tudo isso faz parte da linguagem do cinema, e a audiodescri\u00e7\u00e3o fornece as informa\u00e7\u00f5es do vis\u00edvel, ampliando o entendimento da pessoa\u201d, explica Bell Machado, audiodescritora, assessora na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia e Mobilidade Reduzida de Campinas e mestranda em multimeios no Instituto de Artes da Unicamp.  A audiodescri\u00e7\u00e3o pode ser utilizada em qualquer situa\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00e3o visual, como passeios tur\u00edsticos, inform\u00e1tica, televis\u00e3o, salas de aula, atividades culturais e audiovisuais no geral, como teatro, \u00f3pera, cinema, espet\u00e1culo de dan\u00e7a e palestras. \u201cH\u00e1 v\u00e1rias \u00e1reas que as pessoas podem se especializar. H\u00e1, por exemplo, a descri\u00e7\u00e3o de imagens est\u00e1ticas, na qual \u00e9 preciso grande base em hist\u00f3ria da arte para realizar esse trabalho, ter ci\u00eancia das cores que o pintor utilizou, o motivo de sua utiliza\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica das pinceladas, o estilo. Trabalhamos com as met\u00e1foras \u00f3ticas para educar visualmente a pessoa com defici\u00eancia visual. No teatro, a audiodescri\u00e7\u00e3o \u00e9 ao vivo, devido \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o dos atores\u201d, conta Machado. No cinema, o filme \u00e9 colocado na tela, e ele possui minutagem (time code). \u201cEm filmes europeus, iranianos e asi\u00e1ticos os di\u00e1logos s\u00e3o poucos e pausados, ent\u00e3o h\u00e1 tempo suficiente para fazer a descri\u00e7\u00e3o detalhada de cenas, movimentos e personagens. J\u00e1 numa produ\u00e7\u00e3o do Woody Allen, que \u00e9 extremamente r\u00e1pida e na qual v\u00e1rios personagens falam ao mesmo tempo, \u00e9 preciso encontrar uma brecha numa minutagem espec\u00edfica para realizar essa descri\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais trabalhoso. O roteiro de audiodescri\u00e7\u00e3o fica muito parecido com o roteiro original do diretor\u201d, complementa.  A quest\u00e3o fundamental da audiodescri\u00e7\u00e3o no cinema, tese de mestrado de Machado, \u00e9 a pluralidade do olhar do audiodescritor, considerada uma tradu\u00e7\u00e3o visual intersemi\u00f3tica, na qual cada indiv\u00edduo d\u00e1 seu significado para as coisas, seu conceito sobre algum objeto. \u201cAo mesmo tempo em que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o visual, \u00e9 tamb\u00e9m uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, estou fazendo uma tradu\u00e7\u00e3o do que o meu olhar reparou naquele momento. Cada audiodescritor faz sua tradu\u00e7\u00e3o de uma maneira, considerando a imagem que achar relevante, seguindo as normas da ABNT de audiodescri\u00e7\u00e3o\u201d, explica.  Desde 2006 est\u00e1 aprovada a lei que obriga as emissoras de televis\u00e3o abertas a exibirem duas horas de programa\u00e7\u00e3o com audiodescri\u00e7\u00e3o por semana, e \u00e9 a pr\u00f3pria emissora que escolhe qual programa ter\u00e1 esse recurso, comumente encontrado nos filmes. Basta apertar a tecla SAP duas vezes para entrar na audiodescri\u00e7\u00e3o da TV. Apesar dessa iniciativa, o tempo definido \u00e9 insuficiente, e grupos formados por pol\u00edticos, comunicadores, professores, audiodescritores e deficientes visuais est\u00e3o engajados para ampliar a quantidade de horas de audiodescri\u00e7\u00e3o na TV aberta.  Outro aspecto frisado por Machado foi a import\u00e2ncia de inserir a atividade nas universidades para desenvolver estudos na \u00e1rea, desfragmentando as informa\u00e7\u00f5es sobre inclus\u00e3o. \u201cExistem 35 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia visual no Brasil, \u00e9 preciso ampliar o entendimento e conceitos da condi\u00e7\u00e3o, e a audiodescri\u00e7\u00e3o cria uma nova vis\u00e3o de mundo, de olhar a vida, e proporciona autonomia intelectual desse indiv\u00edduo. N\u00e3o existe inclus\u00e3o social sem a autonomia intelectual, e ela s\u00f3 existe quando h\u00e1 liberdade do relacionamento do deficiente visual com o mundo em sua plenitude. Quanto mais ele assistir a filmes que contemplem a linguagem cinematogr\u00e1fica e quanto mais ele se apropriar dessas terminologias e artif\u00edcios, \u00e9 proporcionada melhor frui\u00e7\u00e3o do cinema, desenvolvendo olhar cr\u00edtico sobre as produ\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a audiodescritora.   O fen\u00f4meno da \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d  Por\u00e9m, com o advento de todas as tecnologias assistivas, o que se percebe \u00e9 que em vez de auxiliar o processo de aprendizado, elas est\u00e3o substituindo a leitura em braille. Segundo Maria da Gl\u00f3ria de Souza Almeida, professora e chefe de gabinete da dire\u00e7\u00e3o-geral do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, centro de refer\u00eancia nacional na \u00e1rea, estamos vivendo um fen\u00f4meno mundial de \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cHoje temos recursos atraentes demais e que n\u00e3o exigem sacrif\u00edcio, como os audiolivros, e isso traz certa acomoda\u00e7\u00e3o ao deficiente visual. Temos uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que n\u00e3o querem ler em braille, s\u00f3 ouvir. O audiolivro, o livro digital, \u00e9 muito importante, e colocou o cego na contemporaneidade, pois quase tudo \u00e9 disponibilizado simultaneamente para os deficientes visuais. Por\u00e9m negar o sistema de escrita e leitura \u00e9 um absurdo, a leitura \u00e9 extremamente importante, e quando h\u00e1 conviv\u00eancia com o livro a frui\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 mais profunda, uma simbiose perfeita entre autor-leitor\u201d, justifica a professora, que \u00e9 deficiente visual.  Ainda de acordo com Almeida, se a crian\u00e7a n\u00e3o for habituada a ler e escrever com as pr\u00f3prias m\u00e3os, ela n\u00e3o vai querer fazer isso posteriormente, j\u00e1 que \u00e9 mais c\u00f4modo digitar e ouvir o trabalho do que escrev\u00ea-lo manualmente e ter que corrigi-lo depois. Para ela, o computador precisa ser algo complementar, e n\u00e3o o carro-chefe da educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, sejam elas que enxerguem ou n\u00e3o.  Os professores tamb\u00e9m necessitam se preparar para lidar com essa quest\u00e3o t\u00e3o comum na sala de aula. \u201cAs escolas t\u00eam que ser instrumentalizadas para que os deficientes visuais tenham vis\u00e3o mais ampla de conhecimento. A reglete requer muita precis\u00e3o da pessoa, e se ela n\u00e3o tem o tato bem desenvolvido, a leitura do braille tamb\u00e9m se torna complicada. Por\u00e9m tudo tem jeito quando o professor pode e sabe trabalhar\u201d, afirma Almeida. Ela cita o exemplo de pessoas que devido a problemas org\u00e2nicos, em especial neurol\u00f3gicos, n\u00e3o desenvolveram o tato, n\u00e3o possuindo a parte motora refinada que o braille exige, e a consequ\u00eancia \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. Nesses casos, a tecnologia est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 decretar que daqui para frente somente um m\u00e9todo \u00e9 utiliz\u00e1vel, a liberdade de escolha tem que ser exercida, e n\u00e3o imposta. Como j\u00e1 dizia Paulo Freire, n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o imposta como n\u00e3o h\u00e1 amor imposto. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 abertura de caminhos, alavanca, promove o ser humano em todos os sentidos, na parte intelectual, profissional, social. A pessoa s\u00f3 \u00e9 humanizada de fato quando ela tem todos esses ingredientes bem trabalhados e refinados\u201d, argumenta.  Almeida afirma que, para que o processo de aprendizado seja eficaz, \u00e9 preciso diagnosticar e identificar o aluno deficiente visual: saber quem ele \u00e9, o que quer, qual grupo social, cultural e econ\u00f4mico pertence, como \u00e9 a fam\u00edlia, e a partir da\u00ed fazer um planejamento que possa dar uma caminhada menos complicada e atrelada ao sucesso pessoal. O trip\u00e9 acessibilidade, inclus\u00e3o e cidadania \u00e9 que vai ditar o sucesso da empreitada, dando autonomia, independ\u00eancia, capacidade de gerenciar a sustenta\u00e7\u00e3o de atitudes. E, mais importante, a inclus\u00e3o da fam\u00edlia no processo. \u201cA fam\u00edlia tem que andar lado a lado com a escola, e o professor deve orientar a fam\u00edlia para n\u00e3o superproteger ou excluir as crian\u00e7as. \u00c9 preciso ter a mente aberta, direcionando ao outro um olhar al\u00e9m da defici\u00eancia\u201d, finaliza.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/agenciainclusive\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2014-01-08T00:12:47+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"inclusivenews2024\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"inclusivenews2024\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"10 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018\"},\"author\":{\"name\":\"inclusivenews2024\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ae4ec7087559b8692fb33b6fffd2273b\"},\"headline\":\"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais\",\"datePublished\":\"2014-01-08T00:12:47+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018\"},\"wordCount\":1920,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/encrypted-tbn1.gstatic.com\\\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA\",\"keywords\":[\"Acessibilidade\",\"Audio\",\"Audiodescri\u00e7\u00e3o\"],\"articleSection\":[\"Defici\u00eancia\",\"EDUCA\u00c7\u00c3O\",\"INCLUS\u00c3O SOCIAL\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018\",\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018\",\"name\":\"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais -\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/encrypted-tbn1.gstatic.com\\\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA\",\"datePublished\":\"2014-01-08T00:12:47+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/encrypted-tbn1.gstatic.com\\\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/encrypted-tbn1.gstatic.com\\\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=26018#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/\",\"name\":\"Inclusive News\",\"description\":\"Inclusive News\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Inclusive - 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Para os deficientes visuais, existe o braille, sistema de escrita em relevo criado por Louis Braille no s\u00e9culo 19, composto por 64 s\u00edmbolos resultantes da combina\u00e7\u00e3o de seis pontos, dispostos em duas colunas de tr\u00eas pontos, que \u00e9 interpretado pelo tato.  Alguns instrumentos dispon\u00edveis no mercado permitem a reprodu\u00e7\u00e3o de textos em braille, como m\u00e1quinas de escrever, impressoras, scanner e, o mais popular, a reglete. \u201c Nesse aparelho, o ponto \u00e9 feito em baixo relevo e da direita para a esquerda. Das tecnologias assistivas, a reglete \u00e9 a mais utilizada, por\u00e9m a que mais apresenta problemas na performance, como a leitura da direita para a esquerda, por isso optamos por aperfei\u00e7o\u00e1-la\u201d, diz Aline Otalara, mestre em Educa\u00e7\u00e3o e doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o Escolar, fundadora da empresa Tecnologia e Ci\u00eancia Educacional (Tece), associada \u00e0 incubadora tecnol\u00f3gica da Unesp de Rio Claro (Incunesp).  Otalara foi pesquisadora-coordenadora do projeto \u201cDesenvolvimento de tecnologias assistivas para pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o\u201d, na linha de fomento de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fapesp, e ap\u00f3s nove anos de pesquisa desenvolveu a reglete positiva. Nesse novo instrumento, os pontos j\u00e1 s\u00e3o escritos em alto relevo, possibilitando a leitura do texto da esquerda para a direita.  A pesquisadora, que lecionava para um aluno cego, come\u00e7ou a desenvolver o aparelho por interesse pr\u00f3prio, pois constatou que crian\u00e7as cegas matriculadas no ensino fundamental cometiam erros de grafia diferentes dos das outras crian\u00e7as com vis\u00e3o completa. Junto a professores de f\u00edsica da Unesp de Rio Claro, deficientes visuais e profissionais de centros de reabilita\u00e7\u00e3o, foi elaborada uma lista com especificidades que faltavam \u00e0 reglete comum e que ajudariam a melhorar seu rendimento. Posteriormente foram criados prot\u00f3tipos a partir da experimenta\u00e7\u00e3o com altera\u00e7\u00e3o de sericidade e distanciamento de pontos e c\u00e9lulas at\u00e9 chegar a uma medida que proporcionasse escrita leg\u00edvel. Os prot\u00f3tipos foram levados para testes a institui\u00e7\u00f5es de diversas cidades da regi\u00e3o de Rio Claro, al\u00e9m de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.  No in\u00edcio de 2004 receberam apoio da Fapesp, com recursos voltados para a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais como pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, engenheiros de materiais, al\u00e9m de financiar viagens de campo para os testes. A hip\u00f3tese que a reglete positiva facilitaria a alfabetiza\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao braille foi confirmada, e o aprendizado foi 40% mais r\u00e1pido com esse dispositivo. \u201cCom isso, h\u00e1 um ganho na alfabetiza\u00e7\u00e3o, pois os professores percebem que agiliza o aprendizado de alunos cegos, que antes apreendiam uma quantidade menor de informa\u00e7\u00e3o pela dificuldade de absor\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, al\u00e9m de alterar o interesse das pessoas em aprender o c\u00f3digo, pois quebra a resist\u00eancia de incorporar o braille no dia a dia tanto para deficientes visuais quanto para seus professores e familiares\u201d, afirma Otalara.  Em um ano de vendas os concorrentes foram obrigados a reduzir o pre\u00e7o de seus aparelhos, pois a reglete positiva custa um ter\u00e7o a menos que a reglete comum, gerando maior acesso a esse tipo de tecnologia assistida. A renda das vendas \u00e9 destinada a fundos de investimento para pesquisas de aperfei\u00e7oamento de novas tecnologias da \u00e1rea. \u201cO braille continua a \u00fanica forma de leitura para deficientes visuais. Leitor de tela e audiolivro s\u00e3o ferramentas auditivas, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. O cego n\u00e3o reconhece a palavra\u201d, pondera a pesquisadora.   Audiodescri\u00e7\u00e3o  Outro recurso de acessibilidade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o a deficientes visuais \u00e9 a audiodescri\u00e7\u00e3o, tecnologia assistida que amplia as possibilidades de entendimento. \u201cNo cinema, por exemplo, sem a audiodescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel compreender o filme, por\u00e9m nas cenas silenciosas n\u00e3o se percebe o que est\u00e1 acontecendo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de tempo, espa\u00e7o, caracteriza\u00e7\u00e3o de personagens, cen\u00e1rio, movimento de c\u00e2mera, montagem de v\u00eddeo clipe, em que as c\u00e2meras se movimentam rapidamente, ou um plano geral, mais lento, sem corte... Tudo isso faz parte da linguagem do cinema, e a audiodescri\u00e7\u00e3o fornece as informa\u00e7\u00f5es do vis\u00edvel, ampliando o entendimento da pessoa\u201d, explica Bell Machado, audiodescritora, assessora na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia e Mobilidade Reduzida de Campinas e mestranda em multimeios no Instituto de Artes da Unicamp.  A audiodescri\u00e7\u00e3o pode ser utilizada em qualquer situa\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00e3o visual, como passeios tur\u00edsticos, inform\u00e1tica, televis\u00e3o, salas de aula, atividades culturais e audiovisuais no geral, como teatro, \u00f3pera, cinema, espet\u00e1culo de dan\u00e7a e palestras. \u201cH\u00e1 v\u00e1rias \u00e1reas que as pessoas podem se especializar. H\u00e1, por exemplo, a descri\u00e7\u00e3o de imagens est\u00e1ticas, na qual \u00e9 preciso grande base em hist\u00f3ria da arte para realizar esse trabalho, ter ci\u00eancia das cores que o pintor utilizou, o motivo de sua utiliza\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica das pinceladas, o estilo. Trabalhamos com as met\u00e1foras \u00f3ticas para educar visualmente a pessoa com defici\u00eancia visual. No teatro, a audiodescri\u00e7\u00e3o \u00e9 ao vivo, devido \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o dos atores\u201d, conta Machado. No cinema, o filme \u00e9 colocado na tela, e ele possui minutagem (time code). \u201cEm filmes europeus, iranianos e asi\u00e1ticos os di\u00e1logos s\u00e3o poucos e pausados, ent\u00e3o h\u00e1 tempo suficiente para fazer a descri\u00e7\u00e3o detalhada de cenas, movimentos e personagens. J\u00e1 numa produ\u00e7\u00e3o do Woody Allen, que \u00e9 extremamente r\u00e1pida e na qual v\u00e1rios personagens falam ao mesmo tempo, \u00e9 preciso encontrar uma brecha numa minutagem espec\u00edfica para realizar essa descri\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais trabalhoso. O roteiro de audiodescri\u00e7\u00e3o fica muito parecido com o roteiro original do diretor\u201d, complementa.  A quest\u00e3o fundamental da audiodescri\u00e7\u00e3o no cinema, tese de mestrado de Machado, \u00e9 a pluralidade do olhar do audiodescritor, considerada uma tradu\u00e7\u00e3o visual intersemi\u00f3tica, na qual cada indiv\u00edduo d\u00e1 seu significado para as coisas, seu conceito sobre algum objeto. \u201cAo mesmo tempo em que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o visual, \u00e9 tamb\u00e9m uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, estou fazendo uma tradu\u00e7\u00e3o do que o meu olhar reparou naquele momento. Cada audiodescritor faz sua tradu\u00e7\u00e3o de uma maneira, considerando a imagem que achar relevante, seguindo as normas da ABNT de audiodescri\u00e7\u00e3o\u201d, explica.  Desde 2006 est\u00e1 aprovada a lei que obriga as emissoras de televis\u00e3o abertas a exibirem duas horas de programa\u00e7\u00e3o com audiodescri\u00e7\u00e3o por semana, e \u00e9 a pr\u00f3pria emissora que escolhe qual programa ter\u00e1 esse recurso, comumente encontrado nos filmes. Basta apertar a tecla SAP duas vezes para entrar na audiodescri\u00e7\u00e3o da TV. Apesar dessa iniciativa, o tempo definido \u00e9 insuficiente, e grupos formados por pol\u00edticos, comunicadores, professores, audiodescritores e deficientes visuais est\u00e3o engajados para ampliar a quantidade de horas de audiodescri\u00e7\u00e3o na TV aberta.  Outro aspecto frisado por Machado foi a import\u00e2ncia de inserir a atividade nas universidades para desenvolver estudos na \u00e1rea, desfragmentando as informa\u00e7\u00f5es sobre inclus\u00e3o. \u201cExistem 35 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia visual no Brasil, \u00e9 preciso ampliar o entendimento e conceitos da condi\u00e7\u00e3o, e a audiodescri\u00e7\u00e3o cria uma nova vis\u00e3o de mundo, de olhar a vida, e proporciona autonomia intelectual desse indiv\u00edduo. N\u00e3o existe inclus\u00e3o social sem a autonomia intelectual, e ela s\u00f3 existe quando h\u00e1 liberdade do relacionamento do deficiente visual com o mundo em sua plenitude. Quanto mais ele assistir a filmes que contemplem a linguagem cinematogr\u00e1fica e quanto mais ele se apropriar dessas terminologias e artif\u00edcios, \u00e9 proporcionada melhor frui\u00e7\u00e3o do cinema, desenvolvendo olhar cr\u00edtico sobre as produ\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a audiodescritora.   O fen\u00f4meno da \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d  Por\u00e9m, com o advento de todas as tecnologias assistivas, o que se percebe \u00e9 que em vez de auxiliar o processo de aprendizado, elas est\u00e3o substituindo a leitura em braille. Segundo Maria da Gl\u00f3ria de Souza Almeida, professora e chefe de gabinete da dire\u00e7\u00e3o-geral do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, centro de refer\u00eancia nacional na \u00e1rea, estamos vivendo um fen\u00f4meno mundial de \u201cdesbrailliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cHoje temos recursos atraentes demais e que n\u00e3o exigem sacrif\u00edcio, como os audiolivros, e isso traz certa acomoda\u00e7\u00e3o ao deficiente visual. Temos uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que n\u00e3o querem ler em braille, s\u00f3 ouvir. O audiolivro, o livro digital, \u00e9 muito importante, e colocou o cego na contemporaneidade, pois quase tudo \u00e9 disponibilizado simultaneamente para os deficientes visuais. Por\u00e9m negar o sistema de escrita e leitura \u00e9 um absurdo, a leitura \u00e9 extremamente importante, e quando h\u00e1 conviv\u00eancia com o livro a frui\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 mais profunda, uma simbiose perfeita entre autor-leitor\u201d, justifica a professora, que \u00e9 deficiente visual.  Ainda de acordo com Almeida, se a crian\u00e7a n\u00e3o for habituada a ler e escrever com as pr\u00f3prias m\u00e3os, ela n\u00e3o vai querer fazer isso posteriormente, j\u00e1 que \u00e9 mais c\u00f4modo digitar e ouvir o trabalho do que escrev\u00ea-lo manualmente e ter que corrigi-lo depois. Para ela, o computador precisa ser algo complementar, e n\u00e3o o carro-chefe da educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, sejam elas que enxerguem ou n\u00e3o.  Os professores tamb\u00e9m necessitam se preparar para lidar com essa quest\u00e3o t\u00e3o comum na sala de aula. \u201cAs escolas t\u00eam que ser instrumentalizadas para que os deficientes visuais tenham vis\u00e3o mais ampla de conhecimento. A reglete requer muita precis\u00e3o da pessoa, e se ela n\u00e3o tem o tato bem desenvolvido, a leitura do braille tamb\u00e9m se torna complicada. Por\u00e9m tudo tem jeito quando o professor pode e sabe trabalhar\u201d, afirma Almeida. Ela cita o exemplo de pessoas que devido a problemas org\u00e2nicos, em especial neurol\u00f3gicos, n\u00e3o desenvolveram o tato, n\u00e3o possuindo a parte motora refinada que o braille exige, e a consequ\u00eancia \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. Nesses casos, a tecnologia est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 decretar que daqui para frente somente um m\u00e9todo \u00e9 utiliz\u00e1vel, a liberdade de escolha tem que ser exercida, e n\u00e3o imposta. Como j\u00e1 dizia Paulo Freire, n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o imposta como n\u00e3o h\u00e1 amor imposto. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 abertura de caminhos, alavanca, promove o ser humano em todos os sentidos, na parte intelectual, profissional, social. A pessoa s\u00f3 \u00e9 humanizada de fato quando ela tem todos esses ingredientes bem trabalhados e refinados\u201d, argumenta.  Almeida afirma que, para que o processo de aprendizado seja eficaz, \u00e9 preciso diagnosticar e identificar o aluno deficiente visual: saber quem ele \u00e9, o que quer, qual grupo social, cultural e econ\u00f4mico pertence, como \u00e9 a fam\u00edlia, e a partir da\u00ed fazer um planejamento que possa dar uma caminhada menos complicada e atrelada ao sucesso pessoal. O trip\u00e9 acessibilidade, inclus\u00e3o e cidadania \u00e9 que vai ditar o sucesso da empreitada, dando autonomia, independ\u00eancia, capacidade de gerenciar a sustenta\u00e7\u00e3o de atitudes. E, mais importante, a inclus\u00e3o da fam\u00edlia no processo. \u201cA fam\u00edlia tem que andar lado a lado com a escola, e o professor deve orientar a fam\u00edlia para n\u00e3o superproteger ou excluir as crian\u00e7as. \u00c9 preciso ter a mente aberta, direcionando ao outro um olhar al\u00e9m da defici\u00eancia\u201d, finaliza.","og_url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/agenciainclusive\/","article_published_time":"2014-01-08T00:12:47+00:00","og_image":[{"url":"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA","type":"","width":"","height":""}],"author":"inclusivenews2024","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"inclusivenews2024","Tempo estimado de leitura":"10 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018"},"author":{"name":"inclusivenews2024","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#\/schema\/person\/ae4ec7087559b8692fb33b6fffd2273b"},"headline":"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais","datePublished":"2014-01-08T00:12:47+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018"},"wordCount":1920,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA","keywords":["Acessibilidade","Audio","Audiodescri\u00e7\u00e3o"],"articleSection":["Defici\u00eancia","EDUCA\u00c7\u00c3O","INCLUS\u00c3O SOCIAL"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018","url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018","name":"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais -","isPartOf":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA","datePublished":"2014-01-08T00:12:47+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#primaryimage","url":"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA","contentUrl":"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQVTLLcyoGJat_u4lnNiT908zmeEUPo1Vfml9HxkTpnGk6CArTBkA"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26018#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Novas tecnologias facilitam a leitura e o letramento de deficientes visuais"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#website","url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/","name":"Inclusive News","description":"Inclusive News","publisher":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#organization","name":"Inclusive - 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