{"id":26589,"date":"2014-06-17T14:32:19","date_gmt":"2014-06-17T17:32:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=26589"},"modified":"2014-06-17T14:32:19","modified_gmt":"2014-06-17T17:32:19","slug":"intolerancia-e-preconceito-na-linguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=26589","title":{"rendered":"Intoler\u00e2ncia e preconceito na linguagem"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19938  alignnone\" alt=\"Exclus\u00e3o - 5 bonecos de papel fazem roda enquanto um boneco fica de fora.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/exclus\u00e3o.jpg\" width=\"175\" height=\"240\" \/><\/p>\n<p><em>Por Diana Luz Pessoa de Barros<br \/>\nna <a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/comciencia\/?section=8&amp;edicao=100&amp;id=1220\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Com Ci\u00eancia<\/a><\/em><\/p>\n<p>No Diversitas \u2013 N\u00facleo de Estudos das Diversidades, Intoler\u00e2ncias e Conflitos, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), h\u00e1 um grupo de linguistas que se ocupa de quest\u00f5es de intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, aos diferentes usos da l\u00edngua, \u00e0s l\u00ednguas do \u201coutro\u201d, ao dom\u00ednio ou n\u00e3o da escrita, e tamb\u00e9m da intoler\u00e2ncia constru\u00edda pela linguagem, em textos ou discursos. S\u00e3o duas preocupa\u00e7\u00f5es diferentes no quadro das intoler\u00e2ncias na e da linguagem: de um lado, a da intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica propriamente dita; de outro, a dos discursos preconceituosos e intolerantes, de qualquer ordem (racista, purista, separatista, homof\u00f3bico etc.). O objetivo principal \u00e9 contribuir, na perspectiva dos estudos da linguagem, para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a intoler\u00e2ncia, que tem sido estudada por historiadores, soci\u00f3logos, psic\u00f3logos, entre outros, nos mais diversos campos do conhecimento.<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica propriamente dita \u00e9 caracterizada por tr\u00eas aspectos:<\/p>\n<p>1 \u2013 o uso da linguagem \u00e9 muito marcado por intoler\u00e2ncia e preconceitos, embora muitas vezes camuflados pelos valores \u00e9ticos do erro lingu\u00edstico ou est\u00e9ticos da beleza de certos usos e l\u00ednguas; com isso, por exemplo, revistas que nunca aceitariam publicar artigos racistas, acatam, sem problemas, textos intolerantes em rela\u00e7\u00e3o a certos usos lingu\u00edsticos ou a certas l\u00ednguas;<\/p>\n<p>2 \u2013 as rela\u00e7\u00f5es entre os usos lingu\u00edsticos ou entre as v\u00e1rias l\u00ednguas s\u00e3o determinadas por seu car\u00e1ter p\u00fablico ou privado: no dom\u00ednio do p\u00fablico, a intoler\u00e2ncia surge quando a lei regulamenta certos usos e l\u00ednguas e pro\u00edbe os demais (vejam-se, por exemplo, a proibi\u00e7\u00e3o, por Pombal, do uso das l\u00ednguas ind\u00edgenas ou das l\u00ednguas gerais no Brasil; a discrimina\u00e7\u00e3o, pelo governo brasileiro, do emprego de l\u00ednguas estrangeiras, na \u00e9poca da Segunda Guerra; ou a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o do uso de termos estrangeiros, com a lei Toubon, na Fran\u00e7a); no \u00e2mbito do privado, a intoler\u00e2ncia aparece quando as prefer\u00eancias individuais ou de grupos discriminam usos e l\u00ednguas e impedem que seus usu\u00e1rios tenham acesso a empregos, cargos ou fun\u00e7\u00f5es (vejam-se, entre outros, a discrimina\u00e7\u00e3o que sofrem os que usam o \u201cr\u201d caipira ou uma entona\u00e7\u00e3o que assinala determinada identidade sexual);<\/p>\n<p>3 \u2013 a intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica (e a de qualquer outro tipo) est\u00e1 fortemente relacionada com outras formas de intoler\u00e2ncia (sobretudo racial, religiosa, sexual, pol\u00edtica, socioecon\u00f4mica). Essas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o, em geral, hierarquizadas, ou seja, h\u00e1 uma forma de intoler\u00e2ncia de base, predominante, a que se subordinam as demais, como, por exemplo, ocorre no Brasil no caso do preconceito racial em rela\u00e7\u00e3o aos negros, que pode ser considerado uma intoler\u00e2ncia prim\u00e1ria, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s intoler\u00e2ncias quanto ao modo de falar dos negros, \u00e0 sua religi\u00e3o etc. Os textos ou discursos muitas vezes mascaram a intoler\u00e2ncia de base ou prim\u00e1ria por meio da manifesta\u00e7\u00e3o de uma intoler\u00e2ncia associada ou secund\u00e1ria, considerada mais aceit\u00e1vel: assim, a intoler\u00e2ncia racial pode manifestar-se como intoler\u00e2ncia religiosa ou lingu\u00edstica, mascarando o preconceito racial com preconceitos mais facilmente justific\u00e1veis ou n\u00e3o proibidos: quando, por exemplo, se critica o uso lingu\u00edstico do nordestino ou do imigrante ou a forma de falar do homossexual, considerando-o como um uso lingu\u00edstico \u201cerrado\u201d, \u201cfeio\u201d, que compromete ou amea\u00e7a a l\u00edngua, n\u00e3o se trata realmente ou somente de uma intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica, mas de intoler\u00e2ncia socioecon\u00f4mica, pol\u00edtica, sexual, racial etc. Nesses casos, \u00e9 preciso desmascarar o jogo de manifesta\u00e7\u00e3o das intoler\u00e2ncias, mostrar o que h\u00e1 em \u00e1guas mais profundas.<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica est\u00e1, portanto, fortemente relacionada com outras formas de intoler\u00e2ncia, o que indica que a intoler\u00e2ncia precisa ser observada, em princ\u00edpio, de uma perspectiva multidisciplinar, mas, tamb\u00e9m, examinada, nas particularidades e especificidades pr\u00f3prias da linguagem. Veja-se, entre outros, o caso das rela\u00e7\u00f5es entre o discurso racista, o separatista e o de intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica no livro de Irton Marx Vai nascer um novo pa\u00eds: Rep\u00fablica do Pampa Ga\u00facho. O discurso separatista, fortemente moralizante, \u00e9 tamb\u00e9m um discurso racista (&#8230; \u201cdeixando de ser ga\u00fachos para nos tornar sertanejos, perdendo cada vez mais a nossa identidade\u201d) e de intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica (\u201cNossas emissoras de r\u00e1dio ser\u00e3o mais potentes, e nossos locutores falar\u00e3o corretamente o portugu\u00eas, com boa dic\u00e7\u00e3o\u201d).<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, no dom\u00ednio do p\u00fablico, explica-se pelo papel que as l\u00ednguas assumem na constru\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rios, na\u00e7\u00f5es, estados, na constitui\u00e7\u00e3o de identidades nacional, regional, e, principalmente, na constru\u00e7\u00e3o da l\u00edngua nacional, com o apagamento das diversidades lingu\u00edsticas. Nos livros did\u00e1ticos de hist\u00f3ria do Brasil, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica refer\u00eancia ao fato de que no per\u00edodo colonial falavam-se principalmente l\u00ednguas gerais no pa\u00eds e n\u00e3o o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Ao regulamentar as rela\u00e7\u00f5es entre os usos lingu\u00edsticos de uma mesma l\u00edngua, a lei determina um uso como mais correto, mais certo, mais bonito, mais patri\u00f3tico, mais virtuoso, enfim, e hierarquiza os demais, que ser\u00e3o ditos poss\u00edveis, toler\u00e1veis ou proibidos. Esse uso mais virtuoso \u00e9 o da norma expl\u00edcita de uma dada l\u00edngua, em geral chamada norma culta.<\/p>\n<p>Os usos e l\u00ednguas impostos ou preferidos mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es diversas com os proibidos ou n\u00e3o preferidos. Os diferentes tipos de rela\u00e7\u00e3o ocorrem tanto nas rela\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas internas a uma dada sociedade, entre variantes de uma l\u00edngua, e tendo por refer\u00eancia a variante culta ou padr\u00e3o, quanto entre l\u00ednguas diferentes, tendo por refer\u00eancia a l\u00edngua nacional. Assim, por exemplo, no Brasil, as variantes utilizadas por falantes de classe socioecon\u00f4mica pouco favorecida ou da zona rural s\u00e3o exclu\u00eddas da escola, da administra\u00e7\u00e3o, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o; variantes regionais desprestigiadas, como a caipira ou a nordestina, s\u00e3o segregadas, isto \u00e9, admitidas no espa\u00e7o delas, mas n\u00e3o devem ser misturadas com os usos prestigiados, por exemplo, do r\u00e1dio ou da televis\u00e3o; ou, mais frequentemente, as variantes de menos prest\u00edgio s\u00e3o assimiladas \u00e0s de mais prest\u00edgio (ensina-se, muitas vezes, na escola, o uso de regi\u00f5es \u201c em que se fala melhor\u201d).<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s l\u00ednguas estrangeiras, as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m sempre assim\u00e9tricas e dependem da posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, cultural ou pol\u00edtica que estabelecem rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o entre os grupos e suas l\u00ednguas. Dessa forma, a l\u00edngua nacional pode encontrar-se na posi\u00e7\u00e3o dominante (mais prest\u00edgio, mais for\u00e7a) ou de dominada (menos prest\u00edgio, menos for\u00e7a) em rela\u00e7\u00e3o a outras l\u00ednguas. Vejamos alguns exemplos em que a l\u00edngua nacional ocupa a posi\u00e7\u00e3o de dominante. Na Espanha, durante a ditadura de Franco, o basco, o galego e o catal\u00e3o foram exclu\u00eddos em favor da manuten\u00e7\u00e3o do espanhol (castelhano); no Brasil, houve tamb\u00e9m exclus\u00e3o quando Pombal proibiu o uso de l\u00ednguas ind\u00edgenas ou das l\u00ednguas gerais no pa\u00eds, ou, na Segunda Grande Guerra, quando se proibiu o ensino do alem\u00e3o ou do japon\u00eas, na escola; em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes, o discurso no Brasil foi, em certos momentos, de exclus\u00e3o e, mais frequentemente, de assimila\u00e7\u00e3o; quanto \u00e0s l\u00ednguas ind\u00edgenas, em certo momento foram exclu\u00eddas e hoje s\u00e3o segregadas (aceita-se que os \u00edndios falem outras l\u00ednguas, mas nas reservas ind\u00edgenas).<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas geram, muitas vezes, conflitos, pois o outro, o dominado, cujos usos lingu\u00edsticos se quer excluir, assimilar, agregar ou segregar, pode n\u00e3o querer que isso aconte\u00e7a. Quando n\u00e3o h\u00e1 conformidade entre os discursos do dominante e do dominado, os conflitos se manifestam de diferentes formas: lutas, preconceitos, intoler\u00e2ncia, de um lado, formas de resist\u00eancia, de outro. Entre as formas de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica podem ser encontradas a do multilinguismo, a da aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as lingu\u00edsticas e o di\u00e1logo entre elas. Segundo Roland Barthes, em sua Aula no Coll\u00e8ge de France, \u201c\u00e9 bom que todos os homens, no interior de um mesmo idioma, tenham v\u00e1rias l\u00ednguas\u201d.<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o de intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem \u00e9 diferente da intoler\u00e2ncia lingu\u00edstica propriamente dita, tal como foi acima esbo\u00e7ada, pois se trata da constru\u00e7\u00e3o pela linguagem de textos ou discursos preconceituosos e intolerantes. Nesse caso, o objetivo \u00e9 mostrar como se constroem esses textos ou discursos, que procedimentos e estrat\u00e9gias s\u00e3o usados nessa constru\u00e7\u00e3o, em que quadro de valores eles se inserem e, finalmente, qual a identidade intolerante que criam.<\/p>\n<p>Para caracterizar os discursos intolerantes e preconceituosos, tr\u00eas quest\u00f5es ser\u00e3o retomadas, de forma muito resumida, de nossos estudos anteriores sobre esses discursos: a organiza\u00e7\u00e3o narrativa dos discursos intolerantes como discursos de san\u00e7\u00e3o; seu car\u00e1ter fortemente passional, com \u00eanfase nas paix\u00f5es do medo e do \u00f3dio; os percursos tem\u00e1ticos da diferen\u00e7a, em que o diferente \u00e9 considerado anormal ou contr\u00e1rio \u00e0 \u201cnatureza\u201d, imoral, n\u00e3o-humano, doente, louco e feio.<\/p>\n<p>O discurso intolerante \u00e9, sobretudo, um discurso de san\u00e7\u00e3o aos sujeitos considerados como maus cumpridores de certos contratos sociais: de branqueamento da sociedade, de pureza da l\u00edngua, de heterossexualidade e outros. Esses sujeitos s\u00e3o, portanto, no momento do julgamento, reconhecidos como maus atores sociais, maus cidad\u00e3os \u2013 pretos ignorantes, maus usu\u00e1rios da l\u00edngua, \u00edndios b\u00e1rbaros, judeus perigosos, \u00e1rabes fan\u00e1ticos, homossexuais prom\u00edscuos \u2013 e punidos com a perda de direitos, de emprego, ou at\u00e9 mesmo com a morte.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s paix\u00f5es constru\u00eddas nos discursos, pode-se observar que os discursos intolerantes s\u00e3o fortemente passionais, que seus sujeitos s\u00e3o sempre sujeitos apaixonados e que predominam, nesses discursos, dois tipos de paix\u00f5es \u2013 as paix\u00f5es ditas malevolentes (antipatia, \u00f3dio, raiva, xenofobia etc.) ou de querer fazer mal ao sujeito que n\u00e3o cumpriu os acordos sociais acima mencionados; e as paix\u00f5es do medo do \u201cdiferente\u201d e dos danos que ele pode causar.<\/p>\n<p>A malevol\u00eancia parece ser o caminho para que as coisas sejam postas em seus \u201cdevidos lugares\u201d, mesmo que a falta primeira n\u00e3o se resolva com isso, pois o sujeito, sem os valores almejados e em crise de confian\u00e7a, procurar\u00e1 resolver sua falta e passar\u00e1 a querer fazer mal a quem o colocou, segundo o simulacro constru\u00eddo, nessa situa\u00e7\u00e3o. O sujeito do \u00f3dio em rela\u00e7\u00e3o ao estrangeiro, ao diferente, aos \u201cmaus\u201d usu\u00e1rios da l\u00edngua, \u00e9 tamb\u00e9m o sujeito do amor \u00e0 p\u00e1tria, \u00e0 sua l\u00edngua, ao seu grupo \u00e9tnico, aos de sua cor, \u00e0 sua religi\u00e3o, ou seja, complementam-se as paix\u00f5es malevolentes do \u00f3dio em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cdiferente\u201d e as paix\u00f5es benevolentes do amor aos \u201ciguais\u201d.<\/p>\n<p>Distinguem-se duas etapas nos percursos passionais do \u00f3dio do sujeito intolerante, que, em geral, acorrem juntas nos discursos. A primeira \u00e9 aquela em que o sujeito se torna malevolente em rela\u00e7\u00e3o ao outro, que, \u201cdiferente\u201d, n\u00e3o cumpriu o contrato de identidade, e benevolente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria, aos iguais, aos id\u00eanticos. Essa primeira etapa, a mais passional da intoler\u00e2ncia, \u00e9 a do preconceito.<\/p>\n<p>A segunda fase, a da intoler\u00e2ncia propriamente dita, \u00e9 aquela em que o sujeito preconceituoso passa \u00e0 a\u00e7\u00e3o, ou seja, age contra o outro, que ele considera o causador de suas perdas e que odeia. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es apaixonadas de vingan\u00e7a ou de revolta, que se distinguem da justi\u00e7a desapaixonada. Essa quest\u00e3o apareceu bastante, por exemplo, nos debates travados na imprensa entre os que consideraram a morte de Bin Laden como justi\u00e7a e os que a interpretaram como vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s paix\u00f5es do medo, \u00e9 preciso dizer que o medo \u00e9 inerente \u00e0 natureza humana e necess\u00e1rio \u00e0 sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, embora ter medo seja, em geral, moralizado negativamente pela sociedade, e a coragem, fortemente valorizada. Entre os diferentes tipos de medo, \u00e9 o medo do outro, de suas a\u00e7\u00f5es e das priva\u00e7\u00f5es por ele ocasionadas e que ocorre, sobretudo, nas situa\u00e7\u00f5es de desigualdade social, que, geralmente, caracteriza o discurso intolerante. As paix\u00f5es do medo muitas vezes provocam as paix\u00f5es do \u00f3dio ou juntam-se a essas paix\u00f5es malevolentes e fazem crescer de intensidade os percursos passionais e as a\u00e7\u00f5es intolerantes.<\/p>\n<p>Embora o medo e tamb\u00e9m o \u00f3dio sejam, em geral, moralizados negativamente pela sociedade, nos discursos intolerantes, o medo do diferente, de sua viol\u00eancia, anormalidade ou imoralidade, e das perdas que ele poder\u00e1 causar, e o \u00f3dio da\u00ed decorrente servem como justificativa para as a\u00e7\u00f5es intolerantes. Discursos pol\u00edticos, muitas vezes, fazem uso do medo do outro e do \u00f3dio do diferente como estrat\u00e9gia ou plataforma pol\u00edtica, levando, com isso, ao crescimento das a\u00e7\u00f5es intolerantes. O car\u00e1ter passional da intoler\u00e2ncia, mais fundamentada em emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma das raz\u00f5es que fazem com que as manifesta\u00e7\u00f5es de pol\u00edticos e de homens p\u00fablicos levem, em geral, ao aumento do medo e do \u00f3dio do \u201cdiferente\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, nos discursos intolerantes, os temas e figuras est\u00e3o relacionados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica fundamental entre a igualdade ou identidade e a diferen\u00e7a ou alteridade e, a partir da\u00ed, esses discursos constroem alguns percursos tem\u00e1ticos e figurativos, de que ressaltamos quatro: a animaliza\u00e7\u00e3o do \u201coutro\u201d, a que s\u00e3o atribu\u00eddos tra\u00e7os f\u00edsicos e caracter\u00edsticas comportamentais de animais, desumanizando-o; a \u201canormalidade\u201d do diferente, que \u00e9 e age contra a \u201cnatureza\u201d; o car\u00e1ter doentio da diferen\u00e7a, tanto do ponto de vista f\u00edsico, quanto mental, em que o diferente \u00e9 considerado como doente e como louco, em oposi\u00e7\u00e3o aos sadios de corpo e mente, e, enquanto \u201cdoente\u201d, tamb\u00e9m como feio, como esteticamente conden\u00e1vel; a imoralidade do \u201coutro\u201d, a sua falta de \u00e9tica.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o discurso intolerante considera o \u201cdiferente\u201d, o \u201coutro\u201d como aquele que rompe pactos e acordos sociais, por n\u00e3o ser humano, por ser contr\u00e1rio \u00e0 natureza, por ser doente e sem \u00e9tica ou est\u00e9tica, e que, por isso mesmo, \u00e9 temido, odiado e punido. Vejamos alguns exemplos: os textos racistas que apareceram na rede Twitter no dia seguinte \u00e0 vit\u00f3ria de Dilma Rousseff na disputa pela presid\u00eancia da Rep\u00fablica, e no Peru, um ano depois, por ocasi\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o de Ollanta Humala; o texto homof\u00f3bico de aluno de faculdade de medicina; o texto de intoler\u00e2ncia est\u00e9tica do \u201cRodeio das Gordas\u201d, realizado por alunos da Unesp, em que aparecem a animaliza\u00e7\u00e3o do diferente, sua anormalidade e imoralidade, sua feiura e seu car\u00e1ter doentio:<\/p>\n<p>\u00c9 tudo culpa dos nordestinos&#8230; seca eterna para voc\u00eas!!!! Dilma presidente Parab\u00e9ns povo burro!!<\/p>\n<p>Nordestino n\u00e3o \u00e9 gente. Fa\u00e7a um favor a SP: mate um nordestino afogado.<\/p>\n<p>(&#8230;) Na internet, blogs e o Facebook amanheceram lotados de xingamentos aos \u201ccholos\u201d (termo depreciativo para se referir a ind\u00edgenas) e \u201c\u00edndios\u201d favor\u00e1veis a Humala. \u201cPorcaria de cholo, se voc\u00ea for presidente eu prefiro ser preso\u201d, dizia um internauta. \u201cOllanta \u00e9 um \u00edndio de merda, e todos os pobres votam nele porque vai tirar o dinheiro das pessoas normais\u201d, afirmava outro. (&#8230;) At\u00e9 os jornais peruanos entraram na guerra suja verbal. No editorial de ontem do jornal Peru21, o diretor Fritz Du Bois afirmava: \u201c\u00c9 t\u00e3o evidente a tentativa de Humala de se branquear e se apresentar como moderado que \u00e9 dif\u00edcil dar resultados\u201d. No di\u00e1rio Correo, o diretor ultraconservador Aldo Mariat\u00e9gui foi mais longe e disse que \u201cj\u00e1 come\u00e7ou a opera\u00e7\u00e3o de pentear o macaco\u201d. (Folha de S. Paulo, 11 de abril de 2011, p. A17).<\/p>\n<p>Irado com a elei\u00e7\u00e3o de dois colegas homossexuais para coordenadores-gerais do Centro Acad\u00eamico da Faculdade de Medicina de Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre, um estudante do 2\u00ba ano conclamou os colegas por e-mail:<\/p>\n<p>Est\u00e1 na hora de unirmos for\u00e7as e, veladamente, fazer o que nos couber para dar fim \u2013 pouco a pouco \u2013 nesta peste. (&#8230;.) O que resta a n\u00f3s, seres normais, a n\u00e3o ser sentir vergonha e observar inquietos nosso pa\u00eds cair em decad\u00eancia? (&#8230;) Eu vos digo, futuros colegas: e se a solu\u00e7\u00e3o fosse cada um de n\u00f3s tomarmos uma atitude no momento em que essa esc\u00f3ria nos procurar para curar suas doen\u00e7as ven\u00e9reas e demais pragas de seus corpos nojentos?\u201d (Folha de S. Paulo, 9 de dezembro de 2010, p.C10).<\/p>\n<p>O vencedor era quem mantivesse garota presa nos bra\u00e7os por mais tempo, ap\u00f3s dizer a frase \u201cVoc\u00ea \u00e9 a menina mais gorda que eu j\u00e1 vi na vida\u201d. (Folha de S. Paulo, 29\/10\/2010, p. C4).<\/p>\n<p>Nos dois primeiros textos acima, os nordestinos, o candidato de origem ind\u00edgena e os seus eleitores n\u00e3o cumpriram o contrato de \u201cbranquear a sociedade\u201d e de conservar sua \u201cnormalidade\u201d e car\u00e1ter humano, e s\u00e3o, por isso, sancionados negativamente, e com paix\u00e3o. No caso brasileiro aparecem, sobretudo, as paix\u00f5es malevolentes do \u00f3dio e as a\u00e7\u00f5es intolerantes de vingan\u00e7a: seca eterna e afogamento. Nos textos peruanos, al\u00e9m da paix\u00e3o do \u00f3dio, expressa nos xingamentos, explicita-se tamb\u00e9m o medo das perdas ocasionadas pelo \u201cdiferente\u201d: \u201cOllanta \u00e9 um \u00edndio de merda, e todos os pobres votam nele porque vai tirar o dinheiro das pessoas normais\u201d. O terceiro texto, homof\u00f3bico, trata da ruptura do contrato de heterossexualidade, e tamb\u00e9m desenvolve os temas da anormalidade, da imoralidade e do car\u00e1ter doentio do \u201coutro\u201d. O \u00faltimo, o de intoler\u00e2ncia \u00e0s gordas, mostra a ruptura do contrato social de um dado padr\u00e3o de beleza e constr\u00f3i percurso est\u00e9tico da feiura que merece ser punida.<\/p>\n<p>Para concluir duas considera\u00e7\u00f5es devem ser feitas. Tendo em vista, sobretudo, o car\u00e1ter passional e emocional dos discursos intolerantes, o homem p\u00fablico \u2013 pol\u00edtico, jornalista, professor e outros \u2013, por sua posi\u00e7\u00e3o de sujeito do poder e do saber, mesmo que n\u00e3o realize a\u00e7\u00f5es diretas de discrimina\u00e7\u00e3o e intoler\u00e2ncia, leva a que outros o fa\u00e7am, incentivando, dessa forma, a viol\u00eancia contra o \u201cdiferente\u201d. Nessa posi\u00e7\u00e3o, o sujeito n\u00e3o pode, portanto, ter o direito de expressar seus preconceitos.<\/p>\n<p>Finalmente, se os discursos intolerantes apresentam as caracter\u00edsticas acima descritas, para a constru\u00e7\u00e3o de discursos de aceita\u00e7\u00e3o social \u00e9 preciso elaborar discursos com estrat\u00e9gias, temas e valores contr\u00e1rios aos aqui examinados. Os contratos dever\u00e3o ser os de multilinguismo, de mistura, de mesti\u00e7agem, de diversidade sexual, de di\u00e1logo com as diferen\u00e7as, de pluralidade religiosa, para que o \u201cdiferente\u201d, o \u201coutro\u201d, n\u00e3o seja mais considerado como aquele que rompe pactos e acordos sociais, por n\u00e3o ser humano, por ser contr\u00e1rio \u00e0 natureza, por ser doente e sem \u00e9tica ou est\u00e9tica, mas, ao contr\u00e1rio, seja visto como aquele que garante novos e promissores contratos sociais. A san\u00e7\u00e3o positiva e as paix\u00f5es benevolentes, que nos discursos intolerantes s\u00f3 se aplicam aos \u201ciguais\u201d, a \u201cn\u00f3s\u201d, se estenderiam, assim, aos diferentes, a \u201celes\u201d. Sem essas mudan\u00e7as, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver aceita\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Diana Luz Pessoa de Barros \u00e9 professora do Centro de Comunica\u00e7\u00f5es e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, professora aposentada do Departamento de Lingu\u00edstica da Universidade de S\u00e3o Paulo e l\u00edder do grupo de pesquisa Lingu\u00edstica e Intoler\u00e2ncia no N\u00facleo de Estudos das Diversidades, Intoler\u00e2ncias e Conflitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objetivo principal \u00e9 contribuir, na perspectiva dos estudos da linguagem, para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a intoler\u00e2ncia, que tem sido estudada por historiadores, soci\u00f3logos, psic\u00f3logos, entre outros, nos mais diversos campos do conhecimento. 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