{"id":27999,"date":"2015-04-27T07:47:28","date_gmt":"2015-04-27T10:47:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=27999"},"modified":"2015-04-27T07:47:28","modified_gmt":"2015-04-27T10:47:28","slug":"reflexoes-de-uma-mae-sobre-o-comportamento-de-uma-crianca-com-sindrome-de-down","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=27999","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es de uma m\u00e3e sobre o comportamento de uma crian\u00e7a com s\u00edndrome de Down"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-27992\" alt=\"Antonia e Max, sorrindo.\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/antonia-max.jpg\" width=\"437\" height=\"291\" \/><\/p>\n<p><em>Sugerimos imprimir este texto e mandar para a escola, cursos, terapeutas, familiares, enfim, todas as pessoas que tenham contato com a crian\u00e7a. Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito \u00fateis para todos que se relacionam com ela.<\/em><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Algumas pessoas me pediram para compartilhar o que eu aprendi sobre comportamento como m\u00e3e de uma crian\u00e7a com s\u00edndrome de Down. Come\u00e7o dizendo que nem todas as crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down se comportam da mesma forma, assim como n\u00e3o h\u00e1 duas crian\u00e7as t\u00edpicas que se portem do mesmo jeito. Penso, por\u00e9m, que quando uma pessoa tem uma s\u00e9rie de diferen\u00e7as fisiol\u00f3gicas e intelectuais, o comportamento \u00e9 afetado, de uma maneira ou de outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Habilidades de Linguagem<\/strong><\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tem s\u00edndrome de Down, suas compet\u00eancias lingu\u00edsticas geralmente s\u00e3o reduzidas. Isso significa que voc\u00ea n\u00e3o consegue formar as palavras r\u00e1pido e com facilidade para pedir alguma coisa, se justificar ou argumentar seu ponto de vista. Vou dar alguns exemplos. Quando Max tinha sete anos, est\u00e1vamos caminhando juntos e, de repente, ele decidiu sair correndo. Comecei a dizer \u201cPare, onde voc\u00ea est\u00e1 indo?\u201d. Nisso eu percebi que ele tinha visto o bebedouro e queria tomar \u00e1gua. Ele n\u00e3o tinha as habilidades de linguagem para dizer \u201ceu estou com sede, quero beber \u00e1gua\u201d. Ele evitou o esfor\u00e7o de ter que formar essa frase e fez o que qualquer um de n\u00f3s faria se n\u00e3o soub\u00e9ssemos falar: fez o que queria e pronto.<\/p>\n<p>Outro exemplo. Quando ele tinha 10 anos de idade, encontrou um peixe de borracha do seu irm\u00e3o menor e fez um buraco nele. Dei uma bronca no meu filho e o mandei para o quarto. Quando perguntei por que ele fez isso, Max levou algum tempo, mas conseguiu dizer \u201cComo \u00e9 que os pescadores fisgam o peixe?\u201d. Em outras palavras, em vez de fazer esta pergunta antes, ele foi l\u00e1 e resolveu o assunto.<\/p>\n<p>Costumo dizer para as pessoas: \u201cTente imaginar como que seria se voc\u00ea n\u00e3o pudesse falar para dizer o que quisesse\u201d. Digamos que voc\u00ea v\u00ea um objeto bonito e quer muito colocar a m\u00e3o nele, mas n\u00e3o encontra palavras para dizer isso. Eu n\u00e3o acho que muitas pessoas seriam capazes de deixar de toc\u00e1-lo. No entanto, as pessoas parecem t\u00e3o surpresas quando as crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down pegam alguma coisa ou mexem em algo sem pedir! Digamos que voc\u00ea n\u00e3o quisesse fazer alguma coisa ou ir a algum lugar. Como voc\u00ea expressaria isso? Sentando no ch\u00e3o? Crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down s\u00e3o acusadas de <em>teimosas<\/em>, quando na verdade \u00e9 apenas a maneira que encontram para expressar sua opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Habilidades de processamento auditivo<\/strong><\/p>\n<p>Assim como formar palavras e frases \u00e9 um esfor\u00e7o quando voc\u00ea tem s\u00edndrome de Down, tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil quebrar em pequenos peda\u00e7os o que outras pessoas est\u00e3o dizendo a voc\u00ea. Isto \u00e9 muito importante, especialmente na escola. Imagine como seria ouvir algu\u00e9m falando em franc\u00eas na hora da rodinha, quando voc\u00ea n\u00e3o fala franc\u00eas. Acho que \u00e9 isso que acontece com Max. Ele entende um pouco de franc\u00eas, mas n\u00e3o \u00e9 fluente, portanto \u00e9 um grande esfor\u00e7o para ele entender o que est\u00e1 acontecendo. Assim como todas as crian\u00e7as, espera-se que ele fique parado por 40 minutos durante a aula, mas ele, ao contr\u00e1rio de outras crian\u00e7as, acha isso 10\u00a0ou talvez 100 vezes mais dif\u00edcil. Ent\u00e3o, o que voc\u00ea faria se tivesse que assistir uma maratona de filmes em franc\u00eas? Voc\u00ea poderia at\u00e9 se levantar e ir embora. Ou voc\u00ea poderia come\u00e7ar a brincar com o coleguinha ao lado at\u00e9 a professora chamar sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como contornar isso? Encontre maneiras diferentes para estabelecer a comunica\u00e7\u00e3o. Simplifique as instru\u00e7\u00f5es. Use frases simples. Use imagens e gestos com as m\u00e3os. Oriente as atividades colocando sua m\u00e3o sobre a m\u00e3o da crian\u00e7a, ou mostrando fisicamente o que deve ser feito. Use colegas como modelo. Encurte o tempo de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O tempo \u00e9 essencial<\/strong><\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tem s\u00edndrome de Down, seu comportamento leva tempo para ser modificado. Uma crian\u00e7a t\u00edpica precisa uma m\u00e9dia de sete tentativas para aprender algo novo. Este n\u00famero pode ser tr\u00eas vezes maior para crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down. Desfazer h\u00e1bitos j\u00e1 enraizados, como sabemos, \u00e9 mais demorado.<\/p>\n<p>Use hist\u00f3rias sociais (com fotos para exemplificar situa\u00e7\u00f5es de rotina, como entrar na fila, esperar a vez, ir ao cabelereiro ou ao dentista, por exemplo), mantenha as regras simples. Tamb\u00e9m pode levar mais tempo para a crian\u00e7a para responder a uma instru\u00e7\u00e3o \u2013 voc\u00ea precisa fazer o pedido, esperar um tempo para que ela processe a informa\u00e7\u00e3o e depois repetir o pedido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As nossas rea\u00e7\u00f5es baseadas na presun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes o comportamento de quem tem s\u00edndrome de Down \u00e9 t\u00e3o fora do comum que choca quem n\u00e3o t\u00eam a s\u00edndrome ou n\u00e3o est\u00e1 acostumado a conviver com quem tem. Voltando ao\u00a0peixe de borracha acima, para uma pessoa comum, a atitude do Max pode parecer bastante estranha e indicar que ele est\u00e1 querendo destruir a propriedade alheia. Mas para Max, ele quebrou o peixe porque se esqueceu que podemos perguntar em vez de apenas fazer algo. Outro exemplo: Max pode pegar a caixa de l\u00e1pis de algu\u00e9m e fugir. Para Max isso n\u00e3o se trata necessariamente de roubar as coisas dos outros \/ quebrar regras \/ ser indelicado. A motiva\u00e7\u00e3o \u00e9, por vezes, fundamentada em algo totalmente diferente para a crian\u00e7a comum. Por exemplo, Max pode realmente querer ver a rea\u00e7\u00e3o das pessoas quando ele faz algo assim e estar querendo atrair aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tem s\u00edndrome de Down, voc\u00ea corre o risco de receber um \u201cr\u00f3tulo\u201d. Por exemplo, eu fiquei chocada ao ouvir de antigos professores da pr\u00e9-escola de Max, que, bem depois de Max ter sa\u00eddo da escola, as crian\u00e7as ainda o culpavam por alguma coisa errada. \u201cQuem fez isso?\u201d, e a resposta autom\u00e1tica era \u201cFoi o Max\u201d. E ele nem estava l\u00e1! Eu consigo at\u00e9 lembrar de exemplos em casa quando meu filho foi responsabilizado por algo que ele na verdade n\u00e3o fez. E o pior, \u00e9 que ele pode acenar com a cabe\u00e7a ou dizer \u201cn\u00e3o\u201d, mas n\u00e3o \u00e9 capaz de entrar em detalhes e explicar porque ele n\u00e3o fez aquilo que est\u00e1 sendo acusado. \u00c9 uma armadilha em que todos n\u00f3s podemos cair, depois de experimentar erros ap\u00f3s erros, mas \u00e9 algo que precisa ser levado em conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pensamento tangencial<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes podemos ser impelidos a cair na armadilha de <em>extrapolar<\/em> ou distorcer um comportamento fora de propor\u00e7\u00e3o. O que quero dizer \u00e9 que \u00e0s vezes Max faz algo e a gente come\u00e7a a pensar que ele nunca vai mudar. J\u00e1 ouvi algumas pessoas dizerem a uma crian\u00e7a com s\u00edndrome de Down que seu comportamento (muito natural para eles) vai lev\u00e1-la para a pris\u00e3o. N\u00e3o quero dizer que as crian\u00e7as n\u00e3o precisem aprender as regras, mas elas n\u00e3o precisam ser traumatizadas durante o processo.<\/p>\n<p>Max est\u00e1 sempre desenvolvendo e mudando, e quando voc\u00ea acha que ele nunca vai mudar algum comportamento preocupante, ele consegue.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de n\u00e3o atribuir uma propor\u00e7\u00e3o exagerada a nada e definitivamente n\u00e3o focar no negativo. N\u00e3o mistifique um comportamento errado, como palavr\u00f5es. N\u00e3o construa uma imagem desviante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Controlar o ambiente<\/strong><\/p>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o da linguagem, muitas crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down compensam a falta de conhecimento da l\u00edngua aprimorando suas habilidades visuais. N\u00e3o h\u00e1 muitas coisas que o Max n\u00e3o note \u2013 e as rea\u00e7\u00f5es no rosto de algu\u00e9m s\u00e3o um grande prazer para Max, \u00e9 como\u00a0ver \u201cfogos de artif\u00edcio\u201d! Ent\u00e3o, se voc\u00ea n\u00e3o quer que ele fa\u00e7a alguma coisa, n\u00e3o reaja.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 mais f\u00e1cil modificar o ambiente. Um exemplo. Os professores estavam fazendo de tudo para evitar que Max voltasse \u00e0 sala de aula na hora do almo\u00e7o. Solu\u00e7\u00e3o: tranque as portas da sala de aula. Outro. Max est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o a algum colega constantemente. Solu\u00e7\u00e3o: troque a crian\u00e7a de lugar. \u00c0s vezes as outras crian\u00e7as t\u00eam uma maior capacidade de controlar sua rea\u00e7\u00e3o do que a crian\u00e7a com defici\u00eancia tem de modificar o comportamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>T\u00e9cnicas de comportamento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rotinas e o poder dos colegas<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 de estar com crian\u00e7as da sua idade, Max consegue entender rotinas e expectativas, porque ele observa o que todo mundo est\u00e1 fazendo. Esta \u00e9 uma ferramenta poderosa para melhorar o comportamento! Al\u00e9m disso, se Max sente que tem controle sobre aquela rotina, h\u00e1 menos surpresas e imprevistos que possam lev\u00e1-lo a um estado de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Oferecendo incentivos<\/strong><\/p>\n<p>Pense na pergunta feita pela terapeuta Sarah Goodall*1 , \u201cSer\u00e1 que voc\u00ea iria trabalhar se n\u00e3o recebesse um sal\u00e1rio?\u201d. Tenha sempre em mente: \u201cO que posso fazer para que essa crian\u00e7a seja mas motivada?\u201d. N\u00e3o apenas recompensas f\u00edsicas, mas atividades de que ela goste. Use a abordagem \u201cPrimeiro, e depois\u201d. \u00c0 vezes basta trocar a ordem das atividades para conseguir que a crian\u00e7a fa\u00e7a alguma coisa. Primeiro voc\u00ea faz isso, depois voc\u00ea pode fazer aquilo. Seja ainda mais esperto. Ofere\u00e7a uma op\u00e7\u00e3o muito ruim junto com a op\u00e7\u00e3o que voc\u00ea quer. Assim voc\u00ea aumenta a probabilidade da crian\u00e7a fazer a op\u00e7\u00e3o que voc\u00ea deseja.\u00a0Dando-lhe uma escolha, voc\u00ea consegue reduzir a resist\u00eancia. A t\u00e9cnica ABA*2 tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3tima. Converse longamente sobre a coisa boa, conven\u00e7a a crian\u00e7a de como vai ser legal e, em seguida, explique que tem de\u00a0fazer a atividade ruim antes de fazer a atividade\u00a0boa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Disposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O comportamento de uma crian\u00e7a \u00e9 afetado por um fluxo e refluxo natural de disposi\u00e7\u00e3o ou, nas palavras do educador e escritor, Frances Adlam, <em>ritmos naturais<\/em>. \u00c9 uma boa ideia modificar uma atividade para coincidir com o n\u00edvel de disposi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Recue na tentativa de fazer com que uma crian\u00e7a fa\u00e7a alguma coisa quando n\u00e3o tem vontade e adapte a atividade para se adequar ao estado de esp\u00edrito da crian\u00e7a. \u00c9 mais ou menos como nos \u00faltimos dias do ano letivo, quando o professor exibe um filme para a turma ao inv\u00e9s de dar aula. Se uma crian\u00e7a est\u00e1 cansada ela fica mais propensa a cometer um erro, como qualquer um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Teoria ABA<\/strong><\/p>\n<p>No mundo da terapia comportamental, o termo <em>impulso<\/em> n\u00e3o existe. H\u00e1 sempre um motivador para qualquer comportamento. A habilidade de uma crian\u00e7a pensar sobre o que vai fazer antes de faz\u00ea-lo pode ser afetada por fatores como a sua capacidade de se comunicar e os <em>ritmos naturais\u00a0<\/em>(disposi\u00e7\u00e3o). Mas seja qual for a situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 sempre um motivador. \u00c9 por isso que terapeutas comportamentais adoram a teoria ABA. O que estava acontecendo antes? Como a crian\u00e7a estava se sentindo? Como voc\u00ea responderia sem os meios de comunica\u00e7\u00e3o formais?<\/p>\n<p>(Para saber mais sobre a teoria ABA de comportamento, muito usada com crian\u00e7as com autismo, consulte o link no final do texto)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Apenas mais um da turma<\/strong><\/p>\n<p>Esteja atento para as coisas que fazem a crian\u00e7a se sentir mais diferente do que j\u00e1 se sente, como, por exemplo, n\u00e3o usar fitas no pulso para facilitar a identifica\u00e7\u00e3o, ou ficar sempre grudado no mediador na escola. Tenha sempre em mente a dignidade e a auto-estima da crian\u00e7a. Procure oportunidades de fazer amizade. Sentir-se sozinha e diferente vai deix\u00e1-la chateada e e ela pode acabar apresentando comportamentos para chamar a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ignorar, redirecionar e elogiar<\/strong><\/p>\n<p>O que isso significa? Bem, ignorar n\u00e3o quer dizer ignorar a crian\u00e7a. Significa ignorar um comportamento que voc\u00ea n\u00e3o gosta. Digamos que a crian\u00e7a est\u00e1 fazendo um som irritante, por exemplo um som <em>auto estimulante<\/em>, como estalar a l\u00edngua. Em primeiro lugar, \u00e9 preciso saber que o som est\u00e1 sendo usado pela crian\u00e7a subconscientemente, um pouco como quando voc\u00ea murmura uma m\u00fasica para si pr\u00f3prio quando est\u00e1 fazendo alguma coisa. Tendo em mente que as crian\u00e7as com s\u00edndrome de Down s\u00e3o fascinadas por rea\u00e7\u00f5es faciais, voc\u00ea n\u00e3o deve estampar no rosto uma rea\u00e7\u00e3o por causa de um som que voc\u00ea n\u00e3o gosta. Se deseja que o som pare, o que voc\u00ea precisa fazer \u00e9 passar para a pr\u00f3xima t\u00e1tica: redirecionar.<\/p>\n<p>Redirecionar quer dizer fazer com que a crian\u00e7a transfira sua aten\u00e7\u00e3o para outra coisa. Redirecionar \u00e9 uma t\u00e1tica muito \u00fatil, mas infelizmente \u00e9 subutilizada. Na verdade, \u00e9 normal que se uma crian\u00e7a est\u00e1 entediada ou n\u00e3o sabe como fazer alguma coisa, ela comece a se comportar mal. Apenas fazendo com que ela foque aten\u00e7\u00e3o em outra coisa, voc\u00ea ir\u00e1 reduzir comportamentos negativos. Aplique o seguinte mantra: \u201ctempo livre sem estrutura \u00e9 perigoso\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, elogiar. O elogio \u00e9 provavelmente a coisa mais importante de todas. Ele une todos os itens acima juntos. Cuide para n\u00e3o cair em um ciclo de cr\u00edticas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a com defici\u00eancia. Quando uma crian\u00e7a est\u00e1 se comportando bem, d\u00ea aten\u00e7\u00e3o a ela! Garanta que a crian\u00e7a esteja recebendo tarefas que ela \u00e9 capaz de cumprir e que ela seja elogiada por isso. Como ela pode se sentir incentivada, se nunca experimentou gritinhos de parab\u00e9ns ou um tapinha nas costas junto com um sorriso? Voc\u00ea n\u00e3o sabe para que est\u00e1 trabalhando se nunca experimentou um incentivo.<\/p>\n<p>E se voc\u00ea s\u00f3 conhece algu\u00e9m que fica zangado ou triste com voc\u00ea? Por que vai querer ouvir qualquer coisa que ele diz? \u00c9 simples assim. Mostre \u00e0 crian\u00e7a como voc\u00ea pode ser divertido e ela vai, naturalmente, querer faz\u00ea-lo feliz. Ganhe a confian\u00e7a de algu\u00e9m e ele vai querer ajud\u00e1-lo e respeit\u00e1-lo. Cultive uma rela\u00e7\u00e3o positiva, n\u00e3o uma negativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Lembre-se, modifica\u00e7\u00e3o de comportamento requer mudar o ambiente, compreender os fatores motivadores, aceita\u00e7\u00e3o, tempo para ouvir, auto-conhecimento e consci\u00eancia do que est\u00e1 acontecendo. Voc\u00ea tem que ser esperto, mas principalmente tem que investir seu tempo para construir uma rela\u00e7\u00e3o positiva. E o tempo todo imaginar como \u00e9 ter aquela defici\u00eancia. Seja natural, mas consciente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antonia Hannah, abril 2015, da Nova Zel\u00e2ndia<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Patricia Almeida<\/p>\n<p>*1 Sobre a terapeuta Sarah Goodall:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.stsnz.biz\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.stsnz.biz\/index.html<\/a><\/p>\n<p>*2 T\u00e9cnica ABA:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.centroabcreal.com\/paginas\/381\/aba-o-que-e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.centroabcreal.com\/paginas\/381\/aba-o-que-e\/<\/a><\/p>\n<p>Sobre o assunto linguagem e compreens\u00e3o de pessoas com s\u00edndrome de Down, o Movimento Down indica o livro Mude o seu Falar, que eu mudo o meu ouvir, da Associa\u00e7\u00e3o Carpe Diem, de S\u00e3o Paulo, escrito por jovens com s\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carpediem.org.br\/si\/site\/0700\">http:\/\/www.carpediem.org.br\/si\/site\/0700<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sugerimos imprimir este texto e mandar para a escola, cursos, terapeutas, familiares, enfim, todas as pessoas que tenham contato com a crian\u00e7a. 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