{"id":28828,"date":"2016-02-09T21:35:02","date_gmt":"2016-02-10T00:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=28828"},"modified":"2016-02-09T21:35:02","modified_gmt":"2016-02-10T00:35:02","slug":"deficiencia-da-presenca-indesejada-a-vida-indesejada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828","title":{"rendered":"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-28829\" title=\"Balan\u00e7a de pesos\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/balanca.jpg\" alt=\"Balan\u00e7a de pesos\" width=\"290\" height=\"174\" \/><\/p>\n<p><em>Por Lucio Carvalho, da Inclusive<\/em><\/p>\n<p>Existe um Brasil antes e outro depois do Zika v\u00edrus e da epidemia da microcefalia, mas t\u00eam coisas por aqui que dificilmente mudam. Uma delas \u00e9 tend\u00eancia aparentemente inexor\u00e1vel ao pensamento bin\u00e1rio, manique\u00edsta, de oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Pois \u00e9 justamente quando o manique\u00edsmo que ronda a consci\u00eancia de cada um estende suas garras em dire\u00e7\u00e3o a um dos maiores tabus brasileiros, o poss\u00edvel direito ao aborto, que essa tend\u00eancia mais uma vez se confirma e amplifica, como n\u00e3o seria dif\u00edcil prever que aconteceria.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed nada de novo, afinal desde as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais viu-se que esta l\u00f3gica \u00e9 cada vez mais imperativa: quem n\u00e3o pensa como eu \u00e9 meu inimigo e n\u00e3o \u00e9 preciso aceitar de todo a opini\u00e3o do outro, basta parecer toler\u00e1-la ou ent\u00e3o ignor\u00e1-la. Este parece ser o princ\u00edpio moral que rege estes tempos de rela\u00e7\u00f5es virtualizadas, mas basta que se avente mudar o mundo real, no caso a legisla\u00e7\u00e3o e os direitos petrificados sobre o aborto &#8211; ou sua jurisprud\u00eancia &#8211; para que a rea\u00e7\u00e3o ora titubeante erga-se nas patas das mais profundas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, outra vez e agora por uma raz\u00e3o muito, muit\u00edssimo s\u00e9ria, temos a na\u00e7\u00e3o novamente dividida. S\u00f3 que, desta vez, opondo-se o pleito de que as mulheres tenham o direito \u00e0 escolha por levar a termo gesta\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de risco ao direito \u00e0 dignidade das pessoas com defici\u00eancia. Mas ser\u00e1 que interessa saber se esta oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo real ou artificiosa? A que interesses pode servir a ideia de manter-se as restri\u00e7\u00f5es ao direito ao aborto mesmo num cen\u00e1rio adverso para a qual as maiores v\u00edtimas, as mulheres gestantes, sequer contribu\u00edram para dar causa? Seja quais forem, as respostas at\u00e9 aqui t\u00eam sido bastante\u00a0parciais e a d\u00favida social permanece: seria leg\u00edtimo, como a pr\u00f3pria ONU prop\u00f4s, que mulheres gestantes tenham o direito a optar por fazer a interrup\u00e7\u00e3o e ela ser bancada pelo mesmo poder p\u00fablico que, por permitir a prolifera\u00e7\u00e3o do vetor transmissor, o mosquito Aedes aegypti, favoreceu as condi\u00e7\u00f5es para que elas fossem infectadas pelo v\u00edrus Zika, prov\u00e1vel causador da microcefalia e outras decorr\u00eancias graves, como a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9?<\/p>\n<p>A despeito das d\u00favidas imensas e dilemas morais diversos, uma certeza \u00e9 t\u00e3o imperativa como a inevit\u00e1vel disputa de ideias em torno aos temas: no embate de preconceitos de toda a esp\u00e9cie, \u00e9 dif\u00edcil quem consiga restar em p\u00e9. Seja por ser deitado ao ch\u00e3o por cansa\u00e7o ou por ter recebido um nocaute argumentativo, o mais dif\u00edcil em todo o debate travado com ideias \u00e9 aceitar que a realidade do outro \u00e9 sempre incompar\u00e1vel e que recus\u00e1-la sob qualquer pretexto pressup\u00f5e numa das principais ra\u00edzes do pensamento totalit\u00e1rio, no qual apenas uma vers\u00e3o do real \u00e9 legitimada enquanto todas as outras s\u00e3o inutilizadas, seja por artif\u00edcios discursivos quanto por argumentos improv\u00e1veis e falaciosos, mas a essa altura dos debates isso \u00e9 o que menos tem importado.<\/p>\n<p>Por outro lado, compreender-se em que condi\u00e7\u00f5es se desenrola a vida das pessoas com defici\u00eancia no Brasil contempor\u00e2neo, assim como compreender o contexto da emerg\u00eancia dos casos de microcefalia decorrente da epidemia de Zika v\u00edrus, consiste no requisito primeiro de todo o debate que se pretende respeitoso com o outro.<\/p>\n<p>Claro que, caso isto n\u00e3o esteja no horizonte do interesse imediato do leitor, o presente texto \u00e9 muito provavelmente in\u00fatil e continu\u00e1-lo daqui em diante implicar\u00e1 necessariamente num ato de livre autopuni\u00e7\u00e3o, porque aqui nem por hip\u00f3tese se buscar\u00e1 fazer a muito bem conhecida ca\u00e7a \u00e0s bruxas a quem defende o direito \u00e0 escolha, nem tampouco dar a entender que a vida com defici\u00eancia merece um comportamento \u00e0 vade-retro, defini\u00e7\u00e3o precisa que recolhi dentre os muito debates que ocorrem no mundo digital, fomentados por um temor crescente e a propaga\u00e7\u00e3o de uma mensagem na maior parte das vezes negativa a respeito da microcefalia.<\/p>\n<p><b>A presen\u00e7a indesejada<\/b><\/p>\n<p>\u00c0s vezes tenho a impress\u00e3o de que \u00e9 muito dif\u00edcil para pessoas que n\u00e3o t\u00eam a viv\u00eancia ou nunca acompanharam de perto a vida familiar de uma pessoa com defici\u00eancia, entender a dimens\u00e3o do que seja a experi\u00eancia social de ter um filho assim. Diga-se de passagem que, neste &#8220;assim&#8221;, cabe um sem n\u00famero de condi\u00e7\u00f5es (entre f\u00edsicas, sensoriais, intelectuais e m\u00faltiplas), al\u00e9m de que, \u00e9 bom lembrar, nenhuma seja equipar\u00e1vel \u00e0 outra. Por\u00e9m n\u00e3o estou pensando nas dificuldades iniciais, de assimila\u00e7\u00e3o ou qualquer outro dilema da experi\u00eancia individual, mas na rela\u00e7\u00e3o da pessoa com o mundo tal como ele \u00e9, cujo marco principal via de regra \u00e9 o ingresso na vida escolar.<\/p>\n<p>Muitas pessoas n\u00e3o sabem, porque o assunto ou lhes \u00e9 distante ou muito distante, mas nesse momento, no Supremo Tribunal Federal, est\u00e1 para ser julgada a ADI 5357, impetrada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (CONFENEN) para sustar alguns dos efeitos da Lei Brasileira de Inclus\u00e3o (LBI) que passou a vigorar no come\u00e7o deste ano. O objetivo da a\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;proteger&#8221; os estabelecimentos particulares de ensino da obrigatoriedade de assegurar educa\u00e7\u00e3o aos estudantes com defici\u00eancia, assegurada na LBI.<\/p>\n<p>O que muitas pessoas sentem, percebem, interpretam ou identificam em uma a\u00e7\u00e3o assim, com objetivos t\u00e3o claros e expl\u00edcitos, \u00e9 um rotundo N\u00c3O social. Um enorme N\u00c3O. Um N\u00c3O sem met\u00e1foras. Um N\u00c3O \u00e9 aqui o seu lugar. Um N\u00c3O pense que o seu filho ou filha est\u00e1 apto a pertencer a este mundo. Um N\u00c3O sonoroso que pode ramificar-se em: N\u00c3O temos vagas, N\u00c3O temos preparo, N\u00c3O temos recursos, N\u00c3O temos acessibilidade, N\u00c3O queremos saber disso aqui, N\u00c3O temos o menor interesse em sair dessa posi\u00e7\u00e3o, N\u00c3O isso, N\u00c3O aquilo. E mais uma s\u00e9rie de N\u00c3OS que repercutem na individualidade, ainda que de muitas formas.<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil que um pai ou m\u00e3e de uma crian\u00e7a com defici\u00eancia n\u00e3o tenha pelo menos uma hist\u00f3ria dessas para contar. Na rede privada, n\u00e3o faltam hist\u00f3rias de recusa expressa de matr\u00edcula, embora haja tamb\u00e9m as apenas insinuadas (como quando dizem &#8220;Seu filho\/a seria melhor atendido\/a na Conchinchina, onde t\u00eam experi\u00eancia pr\u00e9via, etc, etc.). Tamb\u00e9m proliferam as que dizem respeito \u00e0 imposi\u00e7\u00f5es de taxas extras (porque se n\u00e3o tiver algu\u00e9m que fa\u00e7a metade das suas tarefas ele\/ela apenas estorvar\u00e1 o tempo dos professores, etc, etc, atrapalhando os demais).<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente muito dif\u00edcil para muitos pais continuarem a insistir diante de t\u00e3o evidente recusa. Muitas vezes \u00e9 penoso e n\u00e3o s\u00e3o poucos os casos de &#8220;prociss\u00e3o&#8221; que ainda hoje perduram, a despeito de ocorrerem \u00e0 margem da lei. No Brasil contempor\u00e2neo, n\u00e3o se imagina que um fam\u00edlia tenha seu filho barrado na escola porque \u00e9 negro, por exemplo, e ainda assim a sociedade identifica facilmente que vivemos num racismo que se revela velada ou escancaradamente. O preconceito contra a defici\u00eancia, entretanto, encontra amparo em institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o justamente aquelas que deveriam ser as primeiras a acolher as crian\u00e7as e obt\u00eam concess\u00e3o do Estado para exercer esta fun\u00e7\u00e3o. \u00c9 um recado bastante duro. Quem o recebeu a seco, sem preparo pr\u00e9vio, dificilmente esquece.<\/p>\n<p>Na rede p\u00fablica, at\u00e9 h\u00e1 pouco era praxe que as escolas simplesmente reorientassem as matr\u00edculas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas especiais, nas quais os alunos deixavam de conviver com o contexto social em seu sentido mais amplo. Atualmente, as queixas a respeito da oferta e do atendimento de qualidade predominam em muitas reclama\u00e7\u00f5es a respeito da rede p\u00fablica, enquanto o \u00fanico indicador dispon\u00edvel \u00e0 sociedade diz respeito ao n\u00famero de matr\u00edculas. Sobre qualidade no atendimento, os dados s\u00e3o prec\u00e1rios a quem quer que tente consultar dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP), do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o ou mesmo de pesquisas n\u00e3o governamentais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da escola, o preconceito contra a defici\u00eancia se expressa de muitas outras maneiras: no isolamento imposto pelo conv\u00edvio social muitas vezes dificultado; na invisibilidade das pessoas que pouco se veem se representadas e reconhecidas nos produtos culturais e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o; e no acesso ao trabalho, por exemplo, quando s\u00e3o comumente vistas como pessoas de menor capacidade e sua presen\u00e7a \u00e9 tolerada muitas vezes apenas por obriga\u00e7\u00e3o legal e formal. Por\u00e9m a\u00ed est\u00e1 justamente um dos pontos cr\u00edticos deste debate, mas bem pouco visualizado.<\/p>\n<p>Eu diria que a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o, de certo modo, representa muito bem um jogo de for\u00e7as entre quem deseja incluir-se e entre quem deseja excluir e manter os mecanismos de exclus\u00e3o da pessoa com defici\u00eancia. <a href=\"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=28221\">Basta ver o tr\u00e2mite e os vetos que a pr\u00f3pria presidente da rep\u00fablica, Dilma Rousseff, realizou no ano passado na reda\u00e7\u00e3o final da lei, atendendo os interesses corporativistas do mercado em detrimento dos direitos das pessoa com defici\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<p>Talvez seja por perceber o prec\u00e1rio interesse estatal em defender o instrumento legal que institui\u00e7\u00f5es decidam por deflagrar um ataque t\u00e3o frontal aos seus principais dispositivos de garantia de direitos. Talvez seja por receber a redund\u00e2ncia do recado negativo que pessoas com defici\u00eancia e suas fam\u00edlias olhem com desconfian\u00e7a para a medida de libera\u00e7\u00e3o contingencial do aborto, que poderia significar n\u00e3o a resolu\u00e7\u00e3o de problemas pol\u00edticos e sociais, mas a poda do mal pela raiz, uma vez que, se o n\u00famero de pessoas com defici\u00eancia decrescesse, tanto o Estado quanto a sociedade de mercado desincumbir-se-iam desta problem\u00e1tica. \u00c9 a teoria do estorvo, que muitas outras minorias conhecem bem, principalmente aquelas em vias de extin\u00e7\u00e3o, como os ind\u00edgenas. Todavia, tamb\u00e9m talvez por perceber isso, as pessoas em condi\u00e7\u00f5es de evitar entrar de sola nesse mundo de exclus\u00e3o pense, deseje e efetivamente evitem-no; quem poderia conden\u00e1-las por isso?<\/p>\n<p><b>Defici\u00eancia e detec\u00e7\u00e3o precoce no Brasil<\/b><\/p>\n<p>Equilibrar os direitos reprodutivos e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas com defici\u00eancia requer, no mundo contempor\u00e2neo, a habilidade de transitar sobre o fio da navalha, ainda mais que em solo brasileiro confunde-se muitas vezes &#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221; com &#8220;sequestro&#8221; e &#8220;preven\u00e7\u00e3o&#8221; com &#8220;eugenia&#8221;.<\/p>\n<p>Ora, uma m\u00e3e de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia alta que, ao detectar precocemente qualquer defici\u00eancia (s\u00edndromes gen\u00e9ticas, doen\u00e7as cong\u00eanitas, etc.) no feto, opta por ingerir, com toda a seguran\u00e7a do mundo, um medicamento dispon\u00edvel no mercado paralelo e que finaliza imediatamente a gesta\u00e7\u00e3o &#8220;problem\u00e1tica&#8221; ou ainda aquelas que se valem das t\u00e9cnicas introduzidas pelo Diagn\u00f3stico Gen\u00e9tico Pr\u00e9-Implanta\u00e7\u00e3o (DGPI), que permite a detec\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas e diversos diagn\u00f3sticos cromoss\u00f4micos e optam por tentar &#8220;outra vez&#8221;, como sugeriu o bi\u00f3logo ingl\u00eas <a href=\"http:\/\/www.revistaamalgama.com.br\/08\/2014\/richard-dawkins-sindrome-de-down\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Richard Dawkins recentemente<\/a> ou o suprassumo da seguran\u00e7a reprodutiva: lan\u00e7a m\u00e3o dos recursos de reprodu\u00e7\u00e3o assistida para garantir uma prole a salvo da condi\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia (e de lambuja selecionando o sexo e outras caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas no futuro beb\u00ea) previamente, seriam menos &#8220;eugenistas&#8221; que as que buscariam o direito \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o no caso da microcefalia? Ou o termo aqui n\u00e3o se aplica? Neste caso, por que n\u00e3o? Por que h\u00e1 empresas explorando comercialmente o neg\u00f3cio e sugerindo as maravilhas de uma gesta\u00e7\u00e3o a salvo de qualquer intercorr\u00eancia natural? Por que h\u00e1 m\u00e9dicos e especialistas chancelando a pr\u00e1tica, promovendo-a em congressos destinados, ora vejam s\u00f3, a promover o bem estar e o desenvolvimento das pessoas com defici\u00eancia?<\/p>\n<p>Quer dizer que s\u00e3o aquelas m\u00e3es, pobres em sua maioria, que engrossam as estat\u00edsticas do risco gestacional e da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 inseguran\u00e7a jur\u00eddica as &#8220;eugenistas&#8221;?<\/p>\n<p>Algu\u00e9m h\u00e1 de pensar que n\u00e3o faz diferen\u00e7a, mas isso n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. Isso porque o acesso \u00e0 &#8220;eugenia&#8221;, caso se prefira cham\u00e1-la assim, j\u00e1 \u00e9 garantido nesses casos. Como disse, \u00e9 at\u00e9 mesmo estimulado entre as pr\u00f3prias fam\u00edlias de pessoas com defici\u00eancia, num discurso t\u00e3o contradit\u00f3rio quanto inconceb\u00edvel. Trata-se de um comportamento, em determinados meios sociais, tido como absolutamente normal. Ningu\u00e9m \u00e9 criminalizado por isso e, de certo modo, ningu\u00e9m se culpa por emitir este N\u00c3O, que \u00e9 privado e ningu\u00e9m v\u00ea, mas que aos poucos ganha a cena, os congressos sobre defici\u00eancia e o mercado, j\u00e1 que o principal para isto existe mesmo: clientes. J\u00e1 no caso dos pobres, este seria um N\u00c3O p\u00fablico e conden\u00e1vel, penalizado e estigmatizado, porque essa m\u00e3e seria igualada \u00e0 perf\u00eddia em pessoa, enquanto as demais apenas estariam tomando uma decis\u00e3o pessoal, liberal e espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>Da\u00ed que aventar-se que o direito ao aborto n\u00e3o exista no Brasil \u00e9 uma hipocrisia j\u00e1 um tanto sem gra\u00e7a, porque conforme o amplamente noticiado, sabe-se que <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/bom-dia-brasil\/noticia\/2014\/09\/pesquisa-diz-que-20-das-brasileiras-de-ate-40-anos-ja-fizeram-aborto-ilegal.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o SUS realiza 200.000 procedimentos p\u00f3s-aborto anualmente e a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia calcula que s\u00e3o realizados por ano 700 mil abortos no pa\u00eds<\/a>. O Brasil \u00e9 t\u00e3o bom em desigualdades que at\u00e9 mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tem\u00edvel eugenia, h\u00e1 algumas interrup\u00e7\u00f5es que s\u00e3o toleradas, porque encobertas pelo mesmo amparo que desprotege quem n\u00e3o pode arcar com estes custos, enquanto outras simplesmente N\u00c3O s\u00e3o.<\/p>\n<p>O v\u00ednculo que muitas vezes se quer fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 microcefalia e o direito ao aborto poderia parecer de imediato uma amplifica\u00e7\u00e3o dessa expectativa negativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia, como se ficasse consolidada daqui em diante a perspectiva de elimina\u00e7\u00e3o da vida indesejada. Este \u00e9 um dos tantos racioc\u00ednios de oposi\u00e7\u00e3o, binaristas, que n\u00e3o aceitam a diversidade de opini\u00e3o e de escolha e que submetem \u00e0 liberdade ao crivo da moralidade, deixando de perceber que a moralidade \u00e9 sempre como um guarda-chuvas e se algu\u00e9m se sente confort\u00e1vel ali, isso n\u00e3o quer dizer que todos os demais venham a sentir-se tamb\u00e9m ou muito menos tenham esse dever.<\/p>\n<p>Por isso, em minha opini\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 &#8220;eugenista&#8221; a m\u00e3e ou o pai (principalmente a m\u00e3e, l\u00f3gico) que se v\u00ea na situa\u00e7\u00e3o de arcar com um filho\/filha com defici\u00eancia cuja causa poderia ter sido evitada se as autoridades cumprissem suas obriga\u00e7\u00f5es e opta pela interrup\u00e7\u00e3o. Isto n\u00e3o \u00e9 um acidente gen\u00e9tico e equipar\u00e1-lo a tais condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o senso comum penalizador atuando e trazendo de reboque consigo a moral pequeno-burguesa.<\/p>\n<p>Da mesma forma, n\u00e3o penso que seja &#8220;eugenista&#8221; a m\u00e3e que decide por todos os meios livrar-se da mera possibilidade da intercorr\u00eancia de uma defici\u00eancia. Para mim, trata-se de algu\u00e9m que simplesmente lan\u00e7a m\u00e3o de recursos que est\u00e3o ao seu dispor, cuja decis\u00e3o \u00e9 de todo pessoal, embora seja condicionada por uma ideologia cada vez mais atuante no Brasil, de onde at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o era t\u00e3o vis\u00edvel assim, mas j\u00e1 existia.<\/p>\n<p>Ainda assim, o preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia existe e \u00e9 vividamente real e pode, se transmitido negativamente, promover mais p\u00e2nico e emiss\u00e3o de ainda mais mensagens negativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia, resultando na cristaliza\u00e7\u00e3o do conceito de &#8220;vida indesejada&#8221;. Seja como for, muitas vezes parece que h\u00e1 pouco a fazer nesse sentido a n\u00e3o ser persistir na criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza. Enquanto a classe m\u00e9dia e alta toma suas provid\u00eancias, as mulheres pobres s\u00e3o as &#8220;abortistas&#8221;. Essa perversidade social, se n\u00e3o \u00e9 nova por aqui, \u00e9 sempre surpreendente, porque volta a revelar-se na renova\u00e7\u00e3o de uma moralidade que faz vistas grossas \u00e0 &#8220;interrup\u00e7\u00e3o preventiva&#8221;, mas condena publicamente a &#8220;escalada&#8221; do aborto.<\/p>\n<p><b>Concluindo<\/b><\/p>\n<p>Como o Brasil \u00e9 h\u00e1bil em encontrar solu\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias em qualquer situa\u00e7\u00e3o, tudo que n\u00e3o se deseja \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o dos direitos de uns em detrimento dos demais, embora fugir do manique\u00edsmo no Brasil recente seja tarefa das mais herc\u00faleas e agora, como ningu\u00e9m pode ou precisa em absoluto acolher a decis\u00e3o e opini\u00e3o alheias, uma nova guerra de foices se avizinha, a n\u00e3o ser que abaixemos as armas e usemos mais da racionalidade que das paix\u00f5es morais.<\/p>\n<p>O N\u00c3O que porventura se escute proveniente de pessoas com defici\u00eancia e de suas fam\u00edlias \u00e9 claro que deve, sim, ser percebido socialmente, porque este \u00e9 o N\u00c3O que, desamparados muitas vezes, eles t\u00eam escutado em sua intera\u00e7\u00e3o com a sociedade. Todavia, preservar seus direitos nem por hip\u00f3tese compete em sua elimina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Por\u00e9m da\u00ed a condenar \u00e0 miserabiliza\u00e7\u00e3o uma gera\u00e7\u00e3o inteira de pessoas com defici\u00eancias evit\u00e1veis, em fun\u00e7\u00e3o de um tabu de araque, \u00e9 de uma vileza que mesmo nestes tr\u00f3picos me soam exageradas.<\/p>\n<p>Um cidad\u00e3o qualquer que observe com aten\u00e7\u00e3o este movimento, percebe sem dificuldades que a prote\u00e7\u00e3o legal \u00e0 pessoa com defici\u00eancia \u00e9 sempre relativa e muitas vezes falha e que o recado subjacente v\u00eam se mantendo ao longo da hist\u00f3ria. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, ainda prepondera o N\u00c3O social frente ao sim que a sociedade felizmente muitas vezes consegue exprimir. O sentimento de rejei\u00e7\u00e3o e o preconceito experimentado pelas pessoas com defici\u00eancia \u00e9, portanto, um pouco diferente dos demais preconceitos que se perpetram contra minorias, porque ele se materializa precocemente e \u00e9 aceito e, sob certo aspecto, at\u00e9 incentivado explicitamente.<\/p>\n<p>Talvez da\u00ed, e essa \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o para l\u00e1 de apressada, que muitas pessoas com defici\u00eancia e seus familiares pressintam no movimento em torno da autoriza\u00e7\u00e3o legal do aborto em casos de microcefalia causada pelo v\u00edrus Zika, j\u00e1 que a microcefalia \u00e9 causa de m\u00faltiplas e graves defici\u00eancia, uma confirma\u00e7\u00e3o dessa negativa que eles sentem vividamente na s\u00e9rie de N\u00c3OS que a sociedade e suas institui\u00e7\u00f5es v\u00eam emitindo em sua dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se, \u00e0 possibilidade de prevenir-se uma situa\u00e7\u00e3o dessas, fosse prefer\u00edvel que ningu\u00e9m passasse por isso, sejam quais forem as causas disso vir a acontecer. \u00c9 outro N\u00c3O o que repercute nos sentimentos das pessoas. E \u00e9 um N\u00c3O que justamente desobriga o mundo externo, o ambiente social, a estar apto ao seu tr\u00e2nsito f\u00edsico e mental, com tudo o que ele representa.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m, em um estado s\u00e3o de consci\u00eancia, sugeriria eliminar pessoas j\u00e1 nascidas, como fatos bem conhecidos na hist\u00f3ria do s\u00e9c. XX. Entretanto, a mensagem da vida indesejada \u00e0s vezes \u00e9 como um grito entre os vivos, como se eles fossem pessoas cuja elimina\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o teria funcionado a contento. N\u00e3o entender a viol\u00eancia subjacente a essa proposi\u00e7\u00e3o tem feito com que muitas pessoas interpretem como &#8220;eugenia&#8221; a mera possibilidade de permitir o aborto nos casos de exposi\u00e7\u00e3o ao Zika v\u00edrus.<\/p>\n<p>Onde o direito \u00e0 op\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe, como \u00e9 o caso brasileiro, \u00e9 um risco consider\u00e1vel o de que a discuss\u00e3o p\u00fablica em torno do tema viesse a esbarrar na muralha da penaliza\u00e7\u00e3o. Ainda assim, sugerir-se que as mulheres gr\u00e1vidas de fetos com m\u00e1 forma\u00e7\u00f5es severas como as causadas pelo v\u00edrus Zika levem a gesta\u00e7\u00e3o a termo, uma vez que a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus pode ter ocorrido por omiss\u00e3o do Estado, \u00e9 apenas uma penaliza\u00e7\u00e3o duplicada. Tendo-se em vista que, na pr\u00e1tica, a interrup\u00e7\u00e3o \u00e9 praticada em situa\u00e7\u00f5es alheias \u00e0 lei, mas coincidentes ao poder aquisitivo das mulheres, deixar de verificar o mesmo direito \u00e0s demais significa livrar um parcela \u00ednfima da popula\u00e7\u00e3o do &#8220;incidente&#8221; e condenar justamente quem menos meios teve para proteger-se da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>For\u00e7ado por uma situa\u00e7\u00e3o ainda um tanto incontorn\u00e1vel, porque a rela\u00e7\u00e3o entre o Zika v\u00edrus e a microcefalia ainda n\u00e3o foi plenamente compreendida, o temor \u00e0 defici\u00eancia aportou com for\u00e7a no Brasil da p\u00f3s-modernidade, de um modo como nunca antes havia chegado, embora se insinuasse aqui previamente por muitas maneiras e atrav\u00e9s de outros fen\u00f4menos socioculturais, como o racismo, etc. Mesmo que recusadas por parte da sociedade, s\u00e3o ideias-for\u00e7a relevantes e que se replicam exponencialmente, tanto quanto o Zika v\u00edrus, e que trazem consigo muitas incoer\u00eancias que, se nem de longe est\u00e3o de repetir a trag\u00e9dia do holocausto nazista, ressignificam a ideia do temor \u00e0 defici\u00eancia, numa releitura de conceitos apenas supostamente suplantados pela hist\u00f3ria, como o sanitarismo eugenista nascido em fins do s\u00e9c. XIX, desembara\u00e7ado agora pela ideologia liberal. Contrap\u00f4-los aos direitos reprodutivos das mulheres \u00e9 que est\u00e1 inadequado, porque seletivamente a &#8220;preven\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;sele\u00e7\u00e3o eugenista&#8221; acontecer\u00e1 (j\u00e1 vem acontecendo, como demonstra a<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2016\/01\/1735560-gravidas-com-zika-fazem-aborto-sem-confirmacao-de-microcefalia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> jornalista Claudia Collucci, da FSP<\/a>). N\u00e3o se pode \u00e9, sequestrando-se a dignidade das pessoas com defici\u00eancia, us\u00e1-las para a manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade que afeta as mulheres pobres a quem mais tarde se recusar\u00e1 reparar os danos.<\/p>\n<p>Isso tudo, claro, ocorrer\u00e1 se n\u00e3o nos atrevermos a refletir sobre os direitos dos outros e a considerar a crise da microcefalia uma oportunidade incomum de revisar conceitos, preconceitos e os contornos jur\u00eddicos de uma sociedade que v\u00ea as benesses da biotecnologia chegar a apenas alguns que exercem como querem sua liberdade. Aos demais, a dana\u00e7\u00e3o dos tabus, dos servi\u00e7os p\u00fablicos arruinados e das declara\u00e7\u00f5es oficiais infelizes e desencontradas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe um Brasil antes e outro depois do Zika v\u00edrus e da epidemia da microcefalia, mas t\u00eam coisas por aqui que dificilmente mudam. Uma delas \u00e9 tend\u00eancia aparentemente inexor\u00e1vel ao pensamento bin\u00e1rio, manique\u00edsta, de oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Por Lucio Carvalho, da Inclusive.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-container-style":"default","site-container-layout":"default","site-sidebar-layout":"default","disable-article-header":"default","disable-site-header":"default","disable-site-footer":"default","disable-content-area-spacing":"default","footnotes":""},"categories":[35,38,359,8],"tags":[361,356,288,272,357],"class_list":["post-28828","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-de-nossa-parte","category-deficiencia","category-microcefalia","category-textos-e-artigos","tag-eugenia","tag-microcefalia","tag-opiniao","tag-pessoas-com-deficiencia","tag-zika-virus"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada -<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada -\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Existe um Brasil antes e outro depois do Zika v\u00edrus e da epidemia da microcefalia, mas t\u00eam coisas por aqui que dificilmente mudam. Uma delas \u00e9 tend\u00eancia aparentemente inexor\u00e1vel ao pensamento bin\u00e1rio, manique\u00edsta, de oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Por Lucio Carvalho, da Inclusive.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/agenciainclusive\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2016-02-10T00:35:02+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/balanca.jpg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"inclusivenews2024\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"inclusivenews2024\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"19 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828\"},\"author\":{\"name\":\"inclusivenews2024\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ae4ec7087559b8692fb33b6fffd2273b\"},\"headline\":\"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada\",\"datePublished\":\"2016-02-10T00:35:02+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828\"},\"wordCount\":3712,\"commentCount\":3,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/balanca.jpg\",\"keywords\":[\"eugenia\",\"Microcefalia\",\"opini\u00e3o\",\"pessoas com defici\u00eancia\",\"Zika v\u00edrus\"],\"articleSection\":[\"+ De nossa parte\",\"Defici\u00eancia\",\"Microcefalia\",\"OPINI\u00c3O\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828\",\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828\",\"name\":\"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada -\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/balanca.jpg\",\"datePublished\":\"2016-02-10T00:35:02+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#primaryimage\",\"url\":\"\",\"contentUrl\":\"\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?p=28828#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/\",\"name\":\"Inclusive News\",\"description\":\"Inclusive News\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Inclusive - inclus\u00e3o e cidadania\",\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/03\\\/@grandesite.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/03\\\/@grandesite.png\",\"width\":1080,\"height\":1080,\"caption\":\"Inclusive - inclus\u00e3o e cidadania\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/agenciainclusive\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/newsinclusive\\\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ae4ec7087559b8692fb33b6fffd2273b\",\"name\":\"inclusivenews2024\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/c5a7ef84c66fa914f55bc4f7ce26cfa275a3b9a1c5568b907bd184fb4dde7b40?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/c5a7ef84c66fa914f55bc4f7ce26cfa275a3b9a1c5568b907bd184fb4dde7b40?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/c5a7ef84c66fa914f55bc4f7ce26cfa275a3b9a1c5568b907bd184fb4dde7b40?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"inclusivenews2024\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/inclusivenews.com.br\\\/?author=1\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada -","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada -","og_description":"Existe um Brasil antes e outro depois do Zika v\u00edrus e da epidemia da microcefalia, mas t\u00eam coisas por aqui que dificilmente mudam. Uma delas \u00e9 tend\u00eancia aparentemente inexor\u00e1vel ao pensamento bin\u00e1rio, manique\u00edsta, de oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Por Lucio Carvalho, da Inclusive.","og_url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/agenciainclusive\/","article_published_time":"2016-02-10T00:35:02+00:00","og_image":[{"url":"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/balanca.jpg","type":"","width":"","height":""}],"author":"inclusivenews2024","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"inclusivenews2024","Tempo estimado de leitura":"19 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828"},"author":{"name":"inclusivenews2024","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#\/schema\/person\/ae4ec7087559b8692fb33b6fffd2273b"},"headline":"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada","datePublished":"2016-02-10T00:35:02+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828"},"wordCount":3712,"commentCount":3,"publisher":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/balanca.jpg","keywords":["eugenia","Microcefalia","opini\u00e3o","pessoas com defici\u00eancia","Zika v\u00edrus"],"articleSection":["+ De nossa parte","Defici\u00eancia","Microcefalia","OPINI\u00c3O"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828","url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828","name":"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada -","isPartOf":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/balanca.jpg","datePublished":"2016-02-10T00:35:02+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#primaryimage","url":"","contentUrl":""},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=28828#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Defici\u00eancia: da presen\u00e7a indesejada \u00e0 vida indesejada"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#website","url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/","name":"Inclusive News","description":"Inclusive News","publisher":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#organization","name":"Inclusive - inclus\u00e3o e cidadania","url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/@grandesite.png","contentUrl":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/@grandesite.png","width":1080,"height":1080,"caption":"Inclusive - inclus\u00e3o e cidadania"},"image":{"@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/agenciainclusive\/","https:\/\/www.instagram.com\/newsinclusive\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/#\/schema\/person\/ae4ec7087559b8692fb33b6fffd2273b","name":"inclusivenews2024","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c5a7ef84c66fa914f55bc4f7ce26cfa275a3b9a1c5568b907bd184fb4dde7b40?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c5a7ef84c66fa914f55bc4f7ce26cfa275a3b9a1c5568b907bd184fb4dde7b40?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c5a7ef84c66fa914f55bc4f7ce26cfa275a3b9a1c5568b907bd184fb4dde7b40?s=96&d=mm&r=g","caption":"inclusivenews2024"},"sameAs":["https:\/\/inclusivenews.com.br"],"url":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?author=1"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28828\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}