{"id":29417,"date":"2016-05-29T10:35:38","date_gmt":"2016-05-29T13:35:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=29417"},"modified":"2016-05-29T10:35:38","modified_gmt":"2016-05-29T13:35:38","slug":"a-cultura-do-estupor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=29417","title":{"rendered":"A cultura do estupor"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_29418\" aria-describedby=\"caption-attachment-29418\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-29418\" title=\"estupor s.m. Medicina Entorpecimento da intelig\u00eancia e da sensibilidade. Fig. Esp\u00e9cie de imobilidade causada por um grande espanto, por uma emo\u00e7\u00e3o forte: ficar mudo de estupor. Pop. Paralisia s\u00fabita. Pop. Pessoa sem iniciativa. Dicio.com.br\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/estuporjpg.jpg\" alt=\"estupor s.m. Medicina Entorpecimento da intelig\u00eancia e da sensibilidade. Fig. Esp\u00e9cie de imobilidade causada por um grande espanto, por uma emo\u00e7\u00e3o forte: ficar mudo de estupor. Pop. Paralisia s\u00fabita. Pop. Pessoa sem iniciativa. Dicio.com.br\" width=\"347\" height=\"167\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-29418\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Dicio.com<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Lucio Carvalho<br \/>\nda Inclusive<\/em><\/p>\n<p>Pelo menos que eu saiba, felizmente n\u00e3o vivo nem perto da cultura do estupro, mas vivo, sim, dentro da cultura do estupor. Vivemos todos.<\/p>\n<p>N\u00e3o ou\u00e7o piadas machistas. N\u00e3o consumo nem ou\u00e7o m\u00fasicas apelativas ou com conte\u00fado violento nem sobre a mulher nem sobre ningu\u00e9m. N\u00e3o dou legitimidade nem por hip\u00f3tese a preconceitos, seja de que esp\u00e9cie forem. Entretanto, porque n\u00e3o viva em contato direto com ela, a tal cultura do estupro, n\u00e3o \u00e9 por isso que vou dizer que n\u00e3o exista. E isso porque esse \u00e9 o mesmo comportamento negacionista de quem vive na cultura do estupor e n\u00e3o percebe.<\/p>\n<p>A cultura do estupor \u00e9 quase o mesmo que a cultura da indiferen\u00e7a, com a diferen\u00e7a de que ela implica numa esp\u00e9cie de assombro perp\u00e9tuo perpetuamente sem a\u00e7\u00e3o, est\u00e9ril, de quem n\u00e3o age, de quem n\u00e3o toma qualquer atitude, de quem tem toneladas de informa\u00e7\u00e3o, mas a\u00e7\u00e3o que \u00e9 bom, quase nenhuma. Na cultura da indiferen\u00e7a, por outro lado, h\u00e1 uma escolha pr\u00e9via, o que a torna ainda mais comprometedora, pelo menos no que diz respeito \u00e0s mentalidades. Dessa eu n\u00e3o vivo dentro, mas fatalmente vivo perto, porque em alguma medida todo mundo vive. Uns mais, outros menos.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou querendo dizer que a cultura do estupor \u00e9 mais grave que a do estupro porque n\u00e3o \u00e9, mas elas t\u00eam entre si um alto grau de parentesco, se \u00e9 que uma n\u00e3o est\u00e1 contida na outra. S\u00f3 que, enquanto uma v\u00edtima de estupro se v\u00ea for\u00e7ada a reinventar a pr\u00f3pria vida, na cultura do estupor \u00e0s v\u00edtimas resta apenas trocar a fonte, o canal ou o link dos terrores di\u00e1rios. Sair e voltar a entrar no Facebook, por exemplo.<\/p>\n<p>Mesmo dentro disso que chamo de cultura do estupor parece haver graus variados de acometimento. Pode ir do embasbacamento \u00e0 inconsci\u00eancia. Da surpresa \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o. Da imobilidade \u00e0 dessensibiliza\u00e7\u00e3o completa. Da empatia seletiva \u00e0 misantropia, essa que parece ser sua forma mais extremada.<\/p>\n<p>Confesso que tive de ler bastante sobre tudo o que se divulgou sobre a cultura do estupro ap\u00f3s o tr\u00e1gico evento do RJ para entender como \u00e9 que isso me afetava e a resposta que encontrei \u00e9 que, como a maioria dos homens, pelo menos os que n\u00e3o tiveram a sombra do estupro rondando sua vida, \u00e9 um assunto quase extraterreno. \u00c9 como uma hip\u00f3tese sobre a qual n\u00e3o se quer nem pensar. Mas isso \u00e9 assim porque n\u00e3o estamos no lugar de ser sem mais nem menos uma v\u00edtima ocasional da situa\u00e7\u00e3o e por isso minimizamos o horror alheio, submersos na cultura do estupor.<\/p>\n<p>De certa maneira, eu penso que o bombardeio dos \u00faltimos dias, em sua extensa maioria feita por mulheres, foi providencial e embora acredite na necessidade de uma pol\u00edtica penal eficiente contra os criminosos, \u00e9 preciso vencer o estupor social. Denunciar e n\u00e3o s\u00f3 denunciar, n\u00e3o permitir a impunidade, desnormalizar a viol\u00eancia de g\u00eanero. N\u00e3o se trata apenas de empatia, mas de um compromisso do la\u00e7o humano em n\u00e3o fechar-se em si mesmo e na sua perspectiva individual. Nesse ponto de vista, a quest\u00e3o de viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 at\u00e9 prim\u00e1ria e simples demais, mas \u00e9 justamente (e n\u00e3o coincidentemente) dela, da integridade do corpo feminino, que viemos todos.<\/p>\n<p>Lembro ainda que, assim como o estupro, viol\u00eancias sexuais acontecem diariamente &#8211; quase sempre na invisibilidade &#8211; contra pessoas com defici\u00eancia (especialmente a intelectual), crian\u00e7as de qualquer sexo, gays, travestis, transg\u00eaneros, idosos e quaisquer pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. A viol\u00eancia \u00e9 uma excresc\u00eancia do conv\u00edvio social e deve ser punida e combatida em sua origem, sob pena de sua permanente reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 bem mais complexa que um meme. Embora se assuma r\u00e1pida e repetidamente a atribui\u00e7\u00e3o de culpabiliza\u00e7\u00e3o social e se deseje fazer crer que esta seria uma caracter\u00edstica encruada na sociedade brasileira, eu discordo dessa ideia. Penso que n\u00e3o existe este ente coletivo: a sociedade brasileira. Existem sociedades brasileiras. No plural. E a exacerba\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia costuma acontecer em territ\u00f3rios conflagrados, n\u00e3o necessariamente os perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Discordo que a viol\u00eancia seja um tra\u00e7o cultural da sociedade brasileira, popula\u00e7\u00e3o acostumada a enfrentar viol\u00eancias e priva\u00e7\u00f5es seculares sem maiores registros de levantes e revoltas populares. A viol\u00eancia extremada implica um complexo din\u00e2mico envolvendo tanto a express\u00e3o do \u00f3dio quanto ao escasso cerceamento moral. N\u00e3o por acaso costuma ocorrer contra segmentos vulner\u00e1veis, como os ind\u00edgenas e moradores de rua eventualmente incinerados em espa\u00e7os p\u00fablicos, contra prostitutas e contra pessoas sem qualquer defesa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de invocar aqui mais uma vez a platitude da necessidade de investimento em educa\u00e7\u00e3o, mas na de uma educa\u00e7\u00e3o humanizante, cujos resultados n\u00e3o visem meramente o sucesso econ\u00f4mico e social, mas o aprendizado do humano, suas puls\u00f5es e de uma \u00e9tica capaz de garantir, ou pelo menos promover, a integridade de todos e o respeito ao sujeito e \u00e0s individualidades.<\/p>\n<p>Ainda assim, apenas o investimento em educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica poderia de fato reverter a banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e substitu\u00ed-la por acesso a outros e mais complexos elementos culturais. \u00c9 bem pouco simples, porque a cultura da viol\u00eancia parece tamb\u00e9m ser uma mimese de uma cultura de poder. Ou seja, reproduz-se com argumentos prec\u00e1rios e de domina\u00e7\u00e3o violenta aquilo que em outras esferas econ\u00f4micas e culturais est\u00e1 dito e representado de outra maneira, mas de uma forma essencialmente id\u00eantica, que \u00e9 a preponder\u00e2ncia do poder econ\u00f4mico e sua simbologia.<\/p>\n<p>Seja como for, \u00e9 preciso seguir o exemplo das mulheres que, diante do horror de uma situa\u00e7\u00e3o inadmiss\u00edvel como a que se repetiu recentemente no RJ, romperam justamente a acachapante cultura do estupor, como se irrompendo de dentro de uma bolha estourada. \u00c9 absolutamente triste que precisemos de casos t\u00e3o extremados para faz\u00ea-lo, mas esse \u00e9 justamente o indicativo do alto grau de naturaliza\u00e7\u00e3o cultural da viol\u00eancia social em que vivemos todos.<\/p>\n<p>A cultura do estupor funciona como a pel\u00edcula dessa bolha, abrigando em seu interior diversos tipos de viol\u00eancia, entre as quais a de g\u00eanero e a pr\u00f3pria cultura do estupro. Se regularmente \u00e9 poss\u00edvel viver em seu interior longe de uma ou de outra, mais ou menos repugnante, \u00e9 de perguntar como podemos nos abrigar dentro disso e com estes mesmos valores. E como e por que raz\u00f5es, uma vez sa\u00eddos dali, desejar\u00edamos voltar. A multiplica\u00e7\u00e3o de den\u00fancias e o expurgo coletivo em fun\u00e7\u00e3o do crime de estupro coletivo, dessa vez no RJ, que n\u00e3o deveria ter existido nem sequer ter nenhuma fun\u00e7\u00e3o social, eu quero crer que pelo menos serviu para nos mostrar o qu\u00e3o hediondo \u00e9 ter de viver sob a cultura do estupor e o quanto nos habituamos e dessensibilizamos em suas muitas deriva\u00e7\u00f5es violentas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos que eu saiba, felizmente n\u00e3o vivo nem perto da cultura do estupro, mas vivo, sim, dentro da cultura do estupor. Vivemos todos. 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