{"id":30462,"date":"2017-08-07T13:41:05","date_gmt":"2017-08-07T16:41:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=30462"},"modified":"2017-08-07T13:41:05","modified_gmt":"2017-08-07T16:41:05","slug":"a-importancia-do-brincar-para-criancas-com-deficiencia-visual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=30462","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia do Brincar para Crian\u00e7as com Defici\u00eancia Visual"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-30463\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/deficienciavisual.jpg\" alt=\"portal da deficiencia visual. fundo azul degrade,.\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;\">Hoje compartilhamos com voc\u00eas a palestra da Profa. dr. Olga Solange Herval Souza, doutora em educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a respeito do brincar para crian\u00e7as com defici\u00eancia visual e suas contribui\u00e7\u00f5es para o seu desenvolvimento biopsicossocial.<\/span><\/span><\/p>\n<p>Logo abaixo do link para assistir o v\u00eddeo da palestra, encontra-se o artigo sobre o mesmo tema, que \u00e9 um dos cap\u00edtulos do livro INCLUS\u00c3O &amp; REABILITA\u00c7\u00c3O DA PESSOA COM DEFICI\u00caNCIA VISUAL: UM GUIA PR\u00c1TICO, que encontra-se dispon\u00edvel gratuitamente no site do Portal da Defici\u00eancia Visual:\u00a0<a class=\"m_7848868401610262329moz-txt-link-abbreviated\" href=\"http:\/\/www.deficienciavisual.com.br\/\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.deficienciavisual.com.br&amp;source=gmail&amp;ust=1502210112561000&amp;usg=AFQjCNEzKKIXj76BqtPslgOo8e6sPsV_BQ\" rel=\"noopener\">www.deficienciavisual.com.br<\/a><\/p>\n<p>Este livro re\u00fane os melhores artigos que foram apresentados na primeira e segunda edi\u00e7\u00e3o do congresso online internacional de inclus\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o da pessoa com defici\u00eancia visual, realizado anualmente pelo Portal da Defici\u00eancia Visual via internet, e cuja submiss\u00e3o de propostas para serem apresentadas na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 divulgada ainda nesta semana.<\/p>\n<p>Link para assistir o v\u00eddeo da palestra:<br \/>\n<a class=\"m_7848868401610262329moz-txt-link-freetext\" href=\"https:\/\/youtu.be\/Mpyy84uBzaU\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/youtu.be\/Mpyy84uBzaU&amp;source=gmail&amp;ust=1502210112561000&amp;usg=AFQjCNF1GrF0b-nmLXcW-Mi1mzp1Aul4bA\" rel=\"noopener\">https:\/\/youtu.be\/Mpyy84uBzaU<\/a><\/p>\n<p>CAP\u00cdTULO II:<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;\">A Import\u00e2ncia do Brincar para Crian\u00e7as Cegas e com Baixa Vis\u00e3o:<br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;\">Olga Solange Herval Souza<\/span><\/span><\/p>\n<p><wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 RESUMO<\/p>\n<p>O texto traz considera\u00e7\u00f5es acerca da import\u00e2ncia do brincar para as crian\u00e7as cegas e com baixa vis\u00e3o. S\u00e3o constata\u00e7\u00f5es, infer\u00eancias e propostas, que foram, e continuam em constru\u00e7\u00e3o a partir da minha experi\u00eancia como uma pessoa cega cong\u00eanita, e frente a algumas situa\u00e7\u00f5es que venho encontrando no cotidiano escolar como professora atuando diretamente com crian\u00e7as na \u00e1rea da defici\u00eancia visual. A necessidade de olhar para essas crian\u00e7as e garantir o direito de brincar j\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o infantil. Os autores que fundamentam essas constru\u00e7\u00f5es seguem no texto.<\/p>\n<p>PALAVRAS-CHAVE: brincar, crian\u00e7a, defici\u00eancia visual, cegueira, baixa vis\u00e3o.<\/p>\n<p><wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Inicialmente, farei uma breve apresenta\u00e7\u00e3o aos participantes deste evento, para que conhe\u00e7am um pouco da minha pessoa, e para situ\u00e1-los quanto \u00e0s origens destes pensamentos e constata\u00e7\u00f5es, ou seja, de onde vim, de que lugares estou falando hoje, e que pap\u00e9is desempenho, que me autorizam a escrever e falar sobre a import\u00e2ncia do brincar para as crian\u00e7as cegas e com baixa vis\u00e3o.<br \/>\nSou natural de Uruguaiana, cidade na fronteira oeste do RS BR, distante 750 km de Porto Alegre. Nasci praticamente cega, em 12_10_1959, com tr\u00eas d\u00e9cimos de vis\u00e3o. Sou a \u00faltima de uma fam\u00edlia de 7 irm\u00e3os. Estudei no Instituto Santa Luzia, dos 05 aos 15 anos, em regime de internato. Cursei o ensino m\u00e9dio, me graduei em Pedagogia pela PUC\/POA\/RS, com habilita\u00e7\u00e3o no magist\u00e9rio e educa\u00e7\u00e3o especial com \u00eanfase na defici\u00eancia mental. Me habilitei nas \u00e1reas da defici\u00eancia visual e m\u00faltipla, orienta\u00e7\u00e3o educacional e pol\u00edticas educacionais.<br \/>\nSou doutora em educa\u00e7\u00e3o pela UFRGS com estudos na \u00e1rea da inclus\u00e3o escolar de alunos com necessidades educacionais especiais. Sou tamb\u00e9m professora universit\u00e1ria.<br \/>\nHoje, presto consultoria nos temas que abrangem a inclus\u00e3o escolar, em diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino, secretarias municipais de educa\u00e7\u00e3o, dentro e fora do Estado. Tamb\u00e9m atuo como docente na Rede municipal de ensino de Porto Alegre RME como professora da sala de integra\u00e7\u00e3o e recursos SIR, de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental EMEF.Dolores Alcaraz Caldas, no bairro Restinga Nova na periferia da cidade.<br \/>\nFarei considera\u00e7\u00f5es sobre a import\u00e2ncia do brincar para as crian\u00e7as cegas e com baixa vis\u00e3o. \u00c9 preciso esclarecer que, muitas dessas crian\u00e7as, al\u00e9m da defici\u00eancia visual, poder\u00e3o apresentar transtornos de desenvolvimento, d\u00e9ficit intelectual, dificuldades motoras, s\u00edndromes, ou outros comprometimentos.<br \/>\nHistoricamente, se sabe que o ato de brincar \u00e9 t\u00e3o antigo quanto \u00e0 humanidade. Existem registros da evolu\u00e7\u00e3o social e cultural dos brinquedos e brincadeiras das crian\u00e7as, que constru\u00edam seus brinquedos ao longo dos tempos com diferentes objetos simples conforme os h\u00e1bitos e costumes da \u00e9poca.<br \/>\nEu, por exemplo, fui criada no interior, meus pais agricultores, mor\u00e1vamos no campo longe da cidade. Meus brinquedos eram produzidos pelos meus irm\u00e3os, com carret\u00e9is de linha, tampinhas de garrafas, peda\u00e7os de madeira, ossos, paus, couro e borracha. Faziam carrinhos, bicicletinha, motos, &#8230;tudo de faz de conta. Uma lata vazia de leite em p\u00f3, cheia de pedras, ou qualquer coisa que produzisse barulho, com furos na extremidade, e onde passava um arame formando uma al\u00e7a onde se amarrava uma corda longa. Eu sa\u00eda a caminhar em volta da casa puxando o que chamava de rolete. Meu prazer era mexer em tudo, catando em busca de coisas pequenas, gr\u00e3os, pedras, gravetos, para colocar dentro das latas que produzisse sons diferentes. Formei uma cole\u00e7\u00e3o de roletes! Minhas poucas bonecas eram feitas de pano, de barro, de peda\u00e7os de pau, de papel, at\u00e9 de massa de p\u00e3o. Tinham cabelos de l\u00e3, enchimento e roupas de retalhos, por sorte uma das minhas irm\u00e3s era costureira.<br \/>\nEste relato aponta para a proposta que \u00e9 de socializar aqui algumas das minhas experi\u00eancias, e alguns conhecimentos que venho organizando ao longo desses anos, em raz\u00e3o das diferentes situa\u00e7\u00f5es que tenho encontrado no cotidiano do lugar que hoje ocupo que \u00e9 de professora em uma escola de periferia.<br \/>\nMuitas crian\u00e7as cegas e com baixa vis\u00e3o nos chegam com um repert\u00f3rio reduzido de experi\u00eancias l\u00fadicas. Elas pouco sabem explorar os objetos ou brinquedos. Demonstram ter tido poucas experi\u00eancias de brincar sozinhas e com outras crian\u00e7as. Algumas n\u00e3o tiveram viv\u00eancias em creches, ou em escolas infantis.<\/p>\n<p>EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL:<\/p>\n<p>Quais os direitos das crian\u00e7as cegas e com baixa vis\u00e3o?<\/p>\n<p>Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1998, a educa\u00e7\u00e3o infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da crian\u00e7a at\u00e9 os seis anos de idade. O ato de brincar permeia todas essas fases. Na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, j\u00e1 no planejamento a escola dever\u00e1 garantir na sua rotina escolar, muitos momentos destinados ao brincar. Pois \u00e9 neste espa\u00e7o que a crian\u00e7a estar\u00e1 ingressando em um grupo social diferente da sua fam\u00edlia. \u00c9 neste espa\u00e7o que ela ir\u00e1 compreender e se perceber como um sujeito que \u00e9 capaz de construir e aprender.<br \/>\nA crian\u00e7a passa a se relacionar com objetos diferentes, sejam estes reais ou imagin\u00e1rios, onde atribui para estes significados de acordo com seus interesses e principalmente seus conhecimentos.<br \/>\nAs crian\u00e7as cegas e com baixa vis\u00e3o t\u00eam os mesmos direitos: antes de tudo, s\u00e3o crian\u00e7as como as outras, que tamb\u00e9m tem possibilidades de aprender e brincar como as crian\u00e7as que enxergam. Mas, para que isso seja poss\u00edvel, \u00e9 imperativo que sejam respeitadas as suas individualidades e diferen\u00e7as, de forma que suas experi\u00eancias sejam concretas a fim de que suas aprendizagens adquiram significado. Para a crian\u00e7a com Defici\u00eancia Visual \u00e9 necess\u00e1rio que o ato de brincar se estabele\u00e7a desde o seu nascimento, pois em virtude das suas limita\u00e7\u00f5es visuais n\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de ir em busca do objeto, reconhecer o brinquedo ou condi\u00e7\u00f5es de brincar sozinha, \u00e9 necess\u00e1rio que algu\u00e9m oportunize isto. Por exemplo, ainda no colo, a m\u00e3e deve falar com o beb\u00ea brincando com sua voz, colocar a sua m\u00e3ozinha em seus cabelos, no seu rosto. \u00c9 importante que a m\u00e3e seja o v\u00ednculo entre o beb\u00ea e o brinquedo. Que para este beb\u00ea, em especial, o corpo da m\u00e3e seja a primeira rela\u00e7\u00e3o com o ambiente.<br \/>\nA crian\u00e7a que enxerga usa os objetos para aquilo que n\u00e3o foram feitos, ent\u00e3o atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o e da criatividade transforma caixas em pr\u00e9dios, peda\u00e7os de paus em soldados, ou vassouras em cavalos. Os objetos s\u00e3o usados para outro fim com diferen\u00e7as em suas propriedades f\u00edsicas e utilit\u00e1rias. A crian\u00e7a que enxerga, desde beb\u00ea v\u00ea e reconhece o cavalo em diferentes situa\u00e7\u00f5es, assim como os pr\u00e9dios, os soldados e a vassoura. A crian\u00e7a cega e com baixa vis\u00e3o, para estabelecer estas rela\u00e7\u00f5es precisar\u00e1 tamb\u00e9m conhecer manualmente o pr\u00e9dio, o soldado e a vassoura, cada um com u seu formato e suas respectivas fun\u00e7\u00f5es. Como possibilitar que uma crian\u00e7a cega, beb\u00ea ou muito pequena ainda, passe a m\u00e3o em todo o cavalo, em um pr\u00e9dio um soldado e em uma vassoura!<br \/>\nSer\u00e1 nas brincadeiras que a m\u00e3e ou cuidador poder\u00e3o proporcionar viv\u00eancias concretas onde a crian\u00e7a poder\u00e1 experimentar e explorar determinados objetos, pois com a media\u00e7\u00e3o ela poder\u00e1 construir rela\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que referimos.<br \/>\n\u00c9 no ato de brincar, que as crian\u00e7as constroem seus pr\u00f3prios mundos e nesta cria\u00e7\u00e3o compreendem o mundo adulto.<br \/>\nUma brincadeira comum das crian\u00e7as, \u00e9 vestirem as roupas e cal\u00e7ados da m\u00e3e, ou de outra pessoa adulta, e assumir o papel de m\u00e3e, enfermeira, cuidadora, at\u00e9 professora, das suas amiguinhas ou bonecas.<br \/>\nA crian\u00e7a que possui todos os sentidos e pode se apropriar do mundo, estabelece mais facilmente as rela\u00e7\u00f5es com os objetos e com os outros, pois reconhece as caracter\u00edsticas dos brinquedos, vai em busca e \u00e9 capaz de imitar o adulto em seu faz de conta, criando assim situa\u00e7\u00f5es e cenas de sua vida di\u00e1ria e de suas experi\u00eancias. A crian\u00e7a que n\u00e3o enxerga precisar\u00e1 aprender e ter uma s\u00e9rie de viv\u00eancias, para poder sentir algumas sensa\u00e7\u00f5es novas, formar novos conceitos, aumentar o vocabul\u00e1rio, mas, n\u00e3o conseguir\u00e1 apreender tanto quanto \u00e0 que enxerga. N\u00e3o poder\u00e1 imitar o outro.<br \/>\nA crian\u00e7a que enxerga n\u00e3o nasce sabendo brincar. Ela aprende, na medida em que vai descobrindo os movimentos do seu corpo, as m\u00e3ozinhas, os pezinhos, e, por si s\u00f3 vai experimentando. Vai descobrindo os objetos que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos, e que tem significado ou alguma representa\u00e7\u00e3o, como o bico a mamadeira, um chocalho, um urso de pel\u00facia, o cheiro e o rosto da m\u00e3e que se aproxima. \u00c9 por meio da intera\u00e7\u00e3o com os outros que a crian\u00e7a que enxerga exercita a observa\u00e7\u00e3o e a imita\u00e7\u00e3o, dando respostas \u00e0s diferentes linguagens corporais que os outros utilizam para lhe despertar a aten\u00e7\u00e3o, como contra\u00e7\u00e3o da face, um sorriso, cara de choro, de brabeza. Uma resposta importante \u00e9 o acompanhamento com olhar, e a condu\u00e7\u00e3o dos bracinhos em dire\u00e7\u00e3o ao outro, etc. No mundo visual a vida acontece instantaneamente, pois, \u00e9 assim que quem enxerga se apropria do ambiente.<br \/>\nAinda no ber\u00e7o, a m\u00e3e ou cuidadores precisam ter em mente que a crian\u00e7a que enxerga ir\u00e1 se apropriar deste ambiente na medida que o tempo passa! E passa rapidamente. A crian\u00e7a que tem defici\u00eancia visual total ou parcial, necessitar\u00e1 de apoio para que isso aconte\u00e7a. Ent\u00e3o, o ambiente dever\u00e1 ser levado a ela, de modo que possa sentir com as m\u00e3os, passar a m\u00e3o at\u00e9 conseguir pegar os objetos, ouvir os sons e tocar no objeto sonoro. Explorar e rolar dentro do ber\u00e7o na largura e extens\u00e3o, explorar os brinquedos e objetos espalhados para que conhe\u00e7a e reconhe\u00e7a seu lugar!<br \/>\nAo mesmo tempo que se fala com o beb\u00ea que enxerga, mostra-se muitos brinquedos coloridos, que fazem ru\u00eddos: apitos, guizos, sons musicais, chocalhos, bichos de pel\u00facia ou emborrachados. Para crian\u00e7a cega n\u00e3o ser\u00e1 diferente, por\u00e9m, mostrar significa colocar na sua m\u00e3o, ou tudo ao seu alcance. Caso ela tenha algum res\u00edduo visual, poder\u00e1 demonstrar essa percep\u00e7\u00e3o dirigindo-se ao objeto que seja de alguma tonalidade de cor que lhe desperte a aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe n\u00e3o, ir\u00e1 se dirigir ao som ou ru\u00eddo do brinquedo. Mas, sen\u00e3o tiver percep\u00e7\u00e3o visual, quem estiver interagindo com a crian\u00e7a, dever\u00e1 demonstrar as possibilidades que existem para que ela possa explor\u00e1-lo. Ou, poder\u00e1 valer- se de palmas ou da pr\u00f3pria voz, para estimular a crian\u00e7a a buscar o brinquedo caso este n\u00e3o fa\u00e7a qualquer ru\u00eddo. S\u00e3o brincadeiras que se pode fazer no ber\u00e7o, na cama ou no ch\u00e3o. Mas, \u00e9 importante ter aten\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a do beb\u00ea dentro do espa\u00e7o que servir\u00e1 para a brincadeira, de forma que seja poss\u00edvel a crian\u00e7a se mover com autonomia, rolando, engatinhando ou caminhando com apoio. Sempre levando em conta sua etapa de desenvolvimento.<\/p>\n<p>OBSERVA\u00c7\u00c3O E IMITA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O sentido da vis\u00e3o \u00e9 fonte de grande est\u00edmulo para o desenvolvimento global do ser humano, pois, em torno de 90% das informa\u00e7\u00f5es chega por esta via. A vis\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela apropria\u00e7\u00e3o de tudo o que \u00e9 produzido para ser visto. As crian\u00e7as cegas s\u00e3o privadas dessa capacidade. Neste caso, os outros sentidos, tato, olfato, audi\u00e7\u00e3o, paladar, sinestesia &#8211; precisam ser estimulados, pois atrav\u00e9s deles que essas crian\u00e7as conhecer\u00e3o o mundo. Caso n\u00e3o sejam estimuladas desde pequenas, poder\u00e3o apresentar um atraso no desenvolvimento biopsicossocial. Da\u00ed a necessidade da estimula\u00e7\u00e3o essencial, ou para muitos, estimula\u00e7\u00e3o precoce. Pois o objetivo desta \u00e9 promover o desenvolvimento global (cognitivo, motriz e emocional) do beb\u00ea ou da crian\u00e7a at\u00e9 os 3 anos e 11 meses.<br \/>\nDesde cedo, ainda beb\u00eas, as crian\u00e7as, e especialmente, as que possuem defici\u00eancia visual,\u00a0 devem ser estimuladas a tocarem no seu pr\u00f3prio rosto e corpo, no rosto e corpo da m\u00e3e e serem acariciadas. Atrav\u00e9s disso, as crian\u00e7as poder\u00e3o distinguir seu corpo do corpo de outras pessoas e entender a diferencia\u00e7\u00e3o entre o eu e o outro. Como vimos acima, as crian\u00e7as que enxergam interagem com o ambiente e aprendem valendo-se da observa\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o., j\u00e1 as que tem defici\u00eancia visual, principalmente as que tem cegueira cong\u00eanita n\u00e3o ter\u00e3o esta oportunidade. Por esta raz\u00e3o, \u00e9 preciso ensin\u00e1-la sobre sua postura, tanto \u00e0 postura corporal (em saber ficar de p\u00e9, em virar o rosto na dire\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 conversando com ela, e, atrav\u00e9s do brinquedo, do jogo que se pode realizar um trabalho efetivo nesse sentido sem tornar cansativo repetir: vira para mim, levanta a cabe\u00e7a, tira a m\u00e3o ou o dedo do olho, vamos brincar! Brincar de esconde-esconde, estimulando a crian\u00e7a a movimentar-se em busca de algu\u00e9m ou de objetos.<br \/>\nUsar bolas de diferentes materiais, tamanhos, cores e ru\u00eddos para experi\u00eancias como, apertar, rolar, comparar, furar, estourar, amassar, brincar do seu jeito! De qualquer jeito! Inventar, esvaziar e encher bolas e soprar bal\u00f5es. Confeccionar bolas, de papel, meias, pano, barro, areia, jogar em espa\u00e7os que a crian\u00e7a conhe\u00e7a, e n\u00e3o corra riscos de machucar-se. Propor jogos e brincadeiras com regras. Propor atividades que envolvam a coordena\u00e7\u00e3o motora fina como, amassar, rasgar, dobrar, desmanchar, desmontar, inventar. Uma atividade l\u00fadica limpar gavetas, e convidar a crian\u00e7a: vamos rasgar tudo e colocar no lixo? Esvaziar os arm\u00e1rios da cozinha, entrar e sair dos arm\u00e1rios e gavetas. Brincar com as panelas e potes. Entrar e sair de panelas, caixas e malas.<br \/>\nQuanto maior o n\u00famero de viv\u00eancias concretas, intensas, mais qualitativas ser\u00e3o as aprendizagens. \u00c9 na atividade l\u00fadica que se abrir\u00e3o infinitas possibilidades para a crian\u00e7a se conhecer, e conhecer o seu ambiente. Isso fortalecer\u00e1 o sentimento de pertencimento \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 escola. O ato de experimentar por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 uma aventura, ent\u00e3o, \u00eanfase da experi\u00eancia para uma crian\u00e7a que n\u00e3o v\u00ea, ou v\u00ea com dificuldade, \u00e9 o significado atribu\u00eddo \u00e0 experi\u00eancia. \u00c9 importante considerarmos a maneira como a crian\u00e7a cega observa, examina e conhece os objetos, isso acontece muito diferente do que uma crian\u00e7a que enxerga. Acrian\u00e7a cega percebe o objeto pelas suas partes, ou seja, percebe cada parte que vai tocando, enquanto a outra, percebe instantaneamente a sua totalidade.<br \/>\nA primeira necessitar\u00e1 de mais tempo para a explora\u00e7\u00e3o do objeto, e aten\u00e7\u00e3o do mediador, pois a crian\u00e7a poder\u00e1 deixar de dar a aten\u00e7\u00e3o a algum aspecto importante do objeto que est\u00e1 sendo explorado.<br \/>\nManusear objetos, explor\u00e1-los, levar\u00e1 a crian\u00e7a a aprender sobre eles, suas caracter\u00edsticas como: de que material s\u00e3o feitos, se gosta ou n\u00e3o de toc\u00e1-los, poder\u00e1 desmanchar, destruir, quebrar, a sua a\u00e7\u00e3o sobre o objeto depender\u00e1 da sua subjetividade ou fantasia.<br \/>\nAtrav\u00e9s do brincar a crian\u00e7a poder\u00e1 desenvolver habilidades e capacidades sensoriais, cognitivas, motoras, sociais e afetivas. A partir do l\u00fadico o processo de constru\u00e7\u00e3o da linguagem e do pensamento, da mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o, a criatividade e as abstra\u00e7\u00f5es, as rela\u00e7\u00f5es de equival\u00eancia, compara\u00e7\u00e3o e analogia ser\u00e3o ativadas e desenvolvidas de forma cont\u00ednua na constru\u00e7\u00e3o de imagens mentais ou representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas.<\/p>\n<p>BRINCAR DE BONECAS<\/p>\n<p>O mundo de bonecas, das bonecas de pano, bonecas de retalhos de lou\u00e7a, de pl\u00e1stico, porcelana, massa de modelar, de barro, de palitos, de massa de p\u00e3o! At\u00e9 de faz de conta, uma boneca imagin\u00e1ria!<br \/>\nParece banal, mas n\u00e3o \u00e9: aprender a brincar de bonecas desde pequena \u00e9 o que n\u00e3o acontece com muitas crian\u00e7as cegas. Elas n\u00e3o enxergam as outras crian\u00e7as brincando de bonecas. Algu\u00e9m dever\u00e1 ensin\u00e1-las. Verbalmente, elas sabem que existem v\u00e1rios tipos de bonecos e bonecas, por que ouvem falar, afinal n\u00e3o s\u00e3o surdas! O que fazer com a boneca? Vestir, desvestir, pentear, fazer dormir. Colocar e tirar os cal\u00e7ados, meias, arrumar o cabelo dar banho, mamadeira, comidinha, rem\u00e9dio, etc. Todas essas s\u00e3o a\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que fazemos todos os dias.<br \/>\nMas, como quem n\u00e3o enxerga n\u00e3o tem como observar algu\u00e9m praticando isto, portanto, n\u00e3o poder\u00e1 reproduzir tal comportamento. Precisar\u00e1 aprender com algu\u00e9m que se disponibilize a ensinar, com amor todas essas a\u00e7\u00f5es que, aparentemente, s\u00e3o banais!<br \/>\nUma crian\u00e7a que n\u00e3o costuma brincar de bonecas, desenvolvendo a\u00e7\u00f5es de cuidados do dia-a-dia, poder\u00e1 ter dificuldade em realizar muitas dessas atividades com autonomia. A\u00ed est\u00e1 um bom momento para a fam\u00edlia e a escola se unirem e come\u00e7ar a brincadeira a favor da crian\u00e7a!<br \/>\nEla poder\u00e1 aprender brincando com bonecas e com pe\u00e7as de roupas e cal\u00e7ados, que tipo de vestimenta utilizar em cada esta\u00e7\u00e3o do ano em cada situa\u00e7\u00e3o, como se portar em determinado ambiente, saber que existem diversas e diferentes cores, quais as cores que combinam para que possa se vestir de maneira adequada quando for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><wbr \/>\u00a0\u00a0 PARA PROFESSORES<\/p>\n<p>As crian\u00e7as que tem defici\u00eancia visual aprendem por meio da experi\u00eancia, elas precisam saber diferenciar forma, tamanho, textura, aroma, sabores e sons de objetos. Nada melhor do que aprender de forma l\u00fadica, em casa, na creche, na escola.<br \/>\nQuando a crian\u00e7a acessa algum ambiente, nas primeiras vezes, \u00e9 essencial que o professor ou cuidador, descreva detalhadamente o local onde ela se encontra, e deixe-a tocar \u00e0 vontade nos m\u00f3veis, onde est\u00e3o os brinquedos, as janelas portas e paredes, o banheiro, e qualquer obst\u00e1culo que por ventura exista, como colunas, extintores, escadas, pias, lixeiras bancadas, ou degraus. Oportunizar que ela conhe\u00e7a com o corpo, com as m\u00e3os, e a bengala sempre que for poss\u00edvel. Isso a ajudar\u00e1 a ter confian\u00e7a e favorecer\u00e1 a conquista da sua autonomia no seu deslocamento dentro e fora dos ambientes, na medida em que vai freq\u00fcentando e convivendo.<br \/>\nOs pais ou cuidadores n\u00e3o devem ser superprotetores, porque estar\u00e3o impedindo a crian\u00e7a de vivenciar oportunidades de aprendizado.<br \/>\nOs professores podem, por exemplo, investigar com os cuidadores o que a crian\u00e7a gosta de fazer, quais as brincadeiras que mais lhe interessam, para, a partir da\u00ed, planejar atividades de aprendizagem adequadas \u00e0 sua realidade, e at\u00e9 lhe ensinar novas brincadeiras e jogos<br \/>\nComo afirmam as autoras Bruno, Marilda e Mota:<br \/>\n\u00c9 comum pais, professores e colegas quererem solucionar problemas para a crian\u00e7a com defici\u00eancia visual, antecipando e explicando como as coisas funcionam. Sem dar tempo para ela investigar, solucionar e criar novos mecanismos de a\u00e7\u00e3o. O professor deve estar atento para investigar a curiosidade, problematizar, ajudar esta crian\u00e7a a continuar investigando, fornecendo apenas algumas dicas e pistas que sejam necess\u00e1rias. Dessa maneira o professor lhe ajudar\u00e1 a formar seus pr\u00f3prios conceitos, n\u00e3o a partir da \u00f3tica de quem enxerga &#8220;vidente&#8221;, mas a partir de seus pr\u00f3prios significados. (BRUNO; MOTA. 2001. p. 159, 160).<br \/>\nO brincar \u00e9 fundamental para o desenvolvimento mental, corporal e emocional de qualquer ser humano, principalmente das crian\u00e7as com defici\u00eancia visual.<br \/>\nComo citado anteriormente, as crian\u00e7as com defici\u00eancia visual aprendem por meio da experi\u00eancia, elas precisam se interessar pelo mundo que as rodeia. Os jogos ir\u00e3o propiciar al\u00e9m de um divertimento, uma socializa\u00e7\u00e3o delas com outras crian\u00e7as que enxergam, e, at\u00e9 mesmo com seus familiares.<br \/>\nA autora Siaulys, afirma que:<br \/>\nSe para toda crian\u00e7a a brincadeira \u00e9 muito importante, para a crian\u00e7a com defici\u00eancia visual ela \u00e9 fundamental [&#8230;] \u00e9 uma forma gostosa para ela movimentar-se e ser independente. Brincando, a crian\u00e7a desenvolve os sentidos, adquire habilidades para usar as m\u00e3os e o corpo, reconhece objetos e suas caracter\u00edsticas. Brincando a crian\u00e7a entra em contato com o ambiente, relaciona-se com o outro, desenvolve o f\u00edsico, a mente, a autoestima, a afetividade, torna-se ativa e curiosa (SIAULYS, 2005. P 6)<br \/>\nBrincar \u00e9 fundamental e necess\u00e1rio, mas precisa ser ensinado e oportunizado a quem n\u00e3o enxerga. Esse jogar deve ser pensado de maneira a estimular as \u00e1reas que a crian\u00e7a com defici\u00eancia visual necessita. Se as brincadeiras forem desenvolvidas de forma adequada, ajudar\u00e3o a:<br \/>\n* Compreender e identificar os sons;<br \/>\n* Conhecer e entender seu corpo e o ambiente;<br \/>\n* Despertar a curiosidade e o prazer pela vida;<br \/>\n* Desenvolver e integrar os sentidos;<br \/>\n* Despertar a vontade de movimentar-se e realizar atividades;<br \/>\n* Conhecer formas, seq\u00fc\u00eancia e seria\u00e7\u00e3o;<br \/>\n* Desenvolver o tato para reconhecer texturas, formas, temperatura,<br \/>\ngrandeza, peso, consist\u00eancia e materiais de que s\u00e3o feitos os objetos;<br \/>\n* Adquirir independ\u00eancia e autonomia para movimentar-se e realizar as<br \/>\natividades cotidianas;<br \/>\n* Desenvolver a imagina\u00e7\u00e3o, o jogo simb\u00f3lico, o &#8220;faz de conta&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje compartilhamos com voc\u00eas a palestra da Profa. dr. 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