{"id":30695,"date":"2017-10-18T19:23:32","date_gmt":"2017-10-18T22:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inclusive.org.br\/?p=30695"},"modified":"2017-10-18T19:23:32","modified_gmt":"2017-10-18T22:23:32","slug":"representatividade-importa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=30695","title":{"rendered":"Representatividade importa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Leandra Migotto Certeza *<\/strong><\/p>\n<p>Desde fevereiro de 2017, a aconchegante Comedoria do SESC Pomp\u00e9ia em S\u00e3o Paulo se transforma mensalmente. Mesinhas redondas de madeira e petiscos s\u00e3o combinados com arte, ativismo e conversas descontra\u00eddas sobre direitos humanos e diversidade cultural. Assuntos como visibilidade trans, feminismo e suas pluralidades, universo das masculinidades, a luta das prostitutas por direitos no Brasil, visibilidade gorda, entre outros, s\u00e3o abordados por seus protagonistas com total liberdade!<\/p>\n<figure id=\"attachment_30702\" aria-describedby=\"caption-attachment-30702\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30702 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image1.jpg\" alt=\"Image1\" width=\"493\" height=\"204\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30702\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o SESC Pomp\u00e9ia<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com curadoria compartilhada da Ger\u00eancia de Educa\u00e7\u00e3o para Sustentabilidade e Cidadania e produ\u00e7\u00e3o executiva de Elaine Bortolanza, o encontro de junho sobre \u201cSexualidade e Defici\u00eancia\u201d contou com int\u00e9rpretes da L\u00edngua Brasileira de Sinais para pessoas com surdez, plataforma elevat\u00f3ria para possibilitar a acessibilidade de pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica ao palco, caixas da lanchonete rebaixados, e toaletes sem identifica\u00e7\u00e3o de masculino e feminino.<\/p>\n<p>Naquela noite sete profissionais com defici\u00eancia fizeram hist\u00f3ria! Contaram a mais de 200 pessoas &#8211; realmente interessadas no assunto &#8211; que o estigma da infantilidade e da fragilidade imposto pela sociedade \u00e0 sexualidade das pessoas com defici\u00eancia no Brasil e no mundo pode e deve ser eliminado para sempre! E \u00e9 preciso come\u00e7ar AGORA!<\/p>\n<p>Com ilustra\u00e7\u00f5es exclusivas de Dea Lellis, o folheto do Boteco foi escrito por Ana Rita de Paula. Para ela: <i>\u201cem pleno s\u00e9culo 21 ainda se fala da pessoa com defici\u00eancia como um organismo \u2018danificado\u2019, onde a dimens\u00e3o sexual do seu corpo \u00e9 encarada como inexistente. E para quebrar este e outros tabus, \u00e9 preciso desnudar o fato de que as pessoas com defici\u00eancia fazem sexo e o fazem vivendo o prazer de infinitas maneiras, apesar das dificuldades sociais de serem escolhidos como parceiros\u201d. \u00a0<\/i><\/p>\n<p><b>O card\u00e1pio do boteco.<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_30697\" aria-describedby=\"caption-attachment-30697\" style=\"width: 216px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30697 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/222.jpg\" alt=\"222\" width=\"216\" height=\"326\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30697\" class=\"wp-caption-text\">Foto: arquivo pessoal de Leandra<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em clima um descontra\u00eddo, o tema da sexualidade foi servido ao p\u00fablico \u00e1vido por relatos interessantes e apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas surpreendentes. A discotecagem do ambiente foi assumida por MC Billy Saga, rapper, publicit\u00e1rio e presidente da ONG Movimento Supera\u00e7\u00e3o. A entrada e a sobremesa do ficou a cargo da performer Estela Lapponi e do dan\u00e7arino Edu O. E o prato principal servido em quatro partes deliciosas.<\/p>\n<p>Para a maioria das pessoas presentes naquela noite, foi a primeira vez que tiveram contato com pessoas com defici\u00eancia nuas, tanto no sentidos literal como no metaf\u00f3rico. Ali estavam seres humanos incompletos, diferentes, e ao mesmo tempo cheio de potencialidades e totalmente iguais em direitos! N\u00e3o eram atletas ol\u00edmpicos considerados exemplos de supera\u00e7\u00e3o, ou uma minoria a procura de caridade, como a m\u00eddia ainda destaca de forma errada. O estigma do coitadinho ou do super her\u00f3i foi quebrado ao menos por algumas horas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_30698\" aria-describedby=\"caption-attachment-30698\" style=\"width: 313px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30698 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/333.jpg\" alt=\"333\" width=\"313\" height=\"312\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30698\" class=\"wp-caption-text\">Estela Lapponi e Edu O. Foto: Tassio Lopes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Logo de cara uma pol\u00eamica no ar, o Manifesto Anti-Inclus\u00e3o foi lido: \u201cEis que chegam ELES, OS \u00fanicos, \u00edmpares, inigual\u00e1veis, incompar\u00e1veis, inimit\u00e1veis, singulares, not\u00e1veis, indiz\u00edveis, inconceb\u00edveis, sui generis, inacredit\u00e1veis, incr\u00edveis, destac\u00e1veis, brilhantes, inimagin\u00e1veis, extraordin\u00e1rios, ins\u00f3litos&#8230; Em suma excepcionais, especiais! ELES CHEGAM JUNTO E SE MANIFESTAM!\u201d.<\/p>\n<p>Para Estela Lapponi performer internacional que tem como foco de pesquisa o discurso c\u00eanico do corpo com defici\u00eancia, percebeu nos anos de conviv\u00eancia com a sua defici\u00eancia f\u00edsica como este assunto \u00e9 complexo. <i>\u201cA quest\u00e3o da inclus\u00e3o \u00e9 mercadol\u00f3gica e poucas pessoas est\u00e3o realmente dispostas a fazer algo que mude. Mesmo tendo defici\u00eancia, a inclus\u00e3o n\u00e3o define a minha arte. \u201cA diversidade, ainda n\u00e3o \u00e9 vista de maneira positiva, pois esbarramos nos paradigmas que temos arraigados. N\u00e3o estamos acostumados a enxergar a pessoa com defici\u00eancia com suas possibilidades de atua\u00e7\u00e3o. Fato que deve ser observado sem julgamento, mas com consci\u00eancia de que temos esta dificuldade, pois este foi o olhar constru\u00eddo historicamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa com defici\u00eancia que os direcionou ao isolamento, ao exterm\u00ednio social e ao tabu de hoje\u201d, <\/i>explicou.<\/p>\n<p><b>Narrativas po\u00e9ticas e pol\u00edticas. <\/b><\/p>\n<p>Tuca Munhoz e a Gata de Rodas (Ivone de Oliveira) juntaram-se a n\u00f3s, eu e minha xar\u00e1 Leandrinha para um papo aberto franco e delicioso que rolava ap\u00f3s o relato de cada um. \u00a0Eu fui a primeira a subir no palco e li o poema \u201cViva o corpo diverso!\u201d que diz&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_30703\" aria-describedby=\"caption-attachment-30703\" style=\"width: 366px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30703 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image2.jpg\" alt=\"Image2\" width=\"366\" height=\"301\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30703\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Migotto Certeza &#8211; Fot\u00f3grafa: Vera Albuquerque<\/figcaption><\/figure>\n<p><i>Sempre fui olhada, \u2018esquartejada\u2019, detalhada&#8230;<br \/>\nSempre fui cochichada, fofocada, julgada&#8230;<br \/>\nPoucos se aproximavam para me conhecer.<br \/>\nSempre fui tolhida. Sempre fui quebrada.<br \/>\nSempre senti dor.<\/i><\/p>\n<p><i>Sempre me senti presa a um corpo infantilizado.<br \/>\nA um meio corpo.<br \/>\nA uma meia \u2018crian\u00e7a-menina-mulher\u2019.<br \/>\nA algo indefinido&#8230;<br \/>\nMeu corpo sempre foi \u2018fraco\u2019, intoc\u00e1vel.<br \/>\nMeus desejos sempre estiveram no mais profundo po\u00e7o do \u2018inating\u00edvel\u2019.<br \/>\nPecado tocar. Errado querer. Feio.<\/i><\/p>\n<p><i>Eu nunca pude dizer h\u00e1 que vim.<br \/>\nO que sou.<br \/>\nO que desejo.<br \/>\nO que espero.<br \/>\nO que luto.<br \/>\nO que preciso mostrar.<br \/>\nHoje quebro. Mas n\u00e3o o corpo.<br \/>\nO que ele realmente \u00e9: essa massa una entre alma e carne.<br \/>\nEntre desejo e pudor.<br \/>\nEntre vida e morte.<br \/>\nEntre explos\u00e3o e dor.<br \/>\nEntre prazer e abrigo.<br \/>\nEntre eu e muitas pessoas que moram em minha alma.<\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_30704\" aria-describedby=\"caption-attachment-30704\" style=\"width: 332px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30704 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image3.jpg\" alt=\"Image3\" width=\"332\" height=\"273\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30704\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Migotto Certeza &#8211; Fot\u00f3grafa: Vera Albuquerque<\/figcaption><\/figure>\n<p><i>O corpo de uma mulher \u00e9 m\u00faltiplo.<br \/>\n\u00c9 preciso mostrar ao mundo cada pedacinho que pulsa em corpos diferentes.<br \/>\nS\u00e3o bocas em cabe\u00e7as tortas, pernas grossas e curtas, bumbum arrebitado, coxas arredondadas e cheias de ruguinhas \u2018infantis\u2019, p\u00fabis ardendo de tes\u00e3o, seios pequenos em um tronco pequeno demais.<\/i><\/p>\n<p><i>N\u00e3o h\u00e1 cintura, n\u00e3o h\u00e1 quadril definido.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 pernas finas e compridas.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 balan\u00e7o nas cadeiras.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 andar sensual.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 mini saia que leva ao \u2018mist\u00e9rio escuro\u2019.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 uma mulher padronizada, robotizada, perfeita!<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 o esperado.<\/i><\/p>\n<p><i>H\u00e1 outra possibilidade de ser mulher inteira com todos os sentimentos e sentidos que pulsam do corpo de algu\u00e9m que sempre foi quem \u00e9, mas tinha receio de se assumir.<br \/>\nAmar e ser amada trouxe for\u00e7a a minha alma para conseguir se libertar da sociedade que sempre me tolheu.<br \/>\nHoje me sinto bem do jeito que sou. Sou diferente sim! Chamo a aten\u00e7\u00e3o. Mas quem n\u00e3o \u00e9? Quem n\u00e3o chama? <\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Eu n\u00e3o posso engravidar, mas tenho o direito de ser m\u00e3e tendo uma defici\u00eancia f\u00edsica!<br \/>\nEu n\u00e3o posso dan\u00e7ar flamenco e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos.<br \/>\nEu n\u00e3o posso fazer amor com tanta vol\u00fapia, e em posi\u00e7\u00f5es que sempre sonhei, mas posso ter orgasmos estupendos!<br \/>\nEu n\u00e3o posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar \u2013 incondicionalmente \u2013 as crian\u00e7as que habitam o meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEu n\u00e3o posso amamentar um beb\u00ea quentinho em meus bra\u00e7os, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar esp\u00edritos sedentos. <\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_30705\" aria-describedby=\"caption-attachment-30705\" style=\"width: 229px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30705 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image4.jpg\" alt=\"Image4\" width=\"229\" height=\"173\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30705\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Migotto Certeza &#8211; Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p><i>TODAS as pessoas com defici\u00eancia podem ser felizes do jeito que s\u00e3o!<\/i><\/p>\n<p><i>T\u00eam total direito de serem amadas, desejadas, queridas, seduzidas, e principalmente, de se apaixonarem pelos seus corpos.<\/i><\/p>\n<p><i>T\u00eam o total direito de se sentirem confort\u00e1veis dentro deles, e exalar felicidade pelos seus poros, como eu estou fazendo agora! <\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_30707\" aria-describedby=\"caption-attachment-30707\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30707 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image6.jpg\" alt=\"Image6\" width=\"349\" height=\"197\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30707\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Migotto Certeza &#8211; Fot\u00f3grafa: Carol Vidal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s a leitura do poema a conversar com o p\u00fablico foi aberta e eu contei um pouco sobre o Projeto Fantasias Caleidosc\u00f3picas, que desde 2004, desenvolvo junto com a fot\u00f3grafa Vera Albuquerque.<\/p>\n<p>Pessoas com v\u00e1rias defici\u00eancias (f\u00edsica, auditiva, visual, intelectual, m\u00faltipla, e surdocegueira), sejam elas gestantes, casais homossexuais, heterossexuais e\/ou pessoas trans, de todas as etnias, idades, e classes sociais, foram convidadas para mostrar sua sensualidade de forma livre posado em ensaios fotogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 dizer para uma sociedade \u2018anestesiada\u2019 (espera-se que n\u00e3o esteja em coma), com a ditadura da \u2018beleza ideal\u2019, dos corpos bem torneados, e das formas esbeltas; que as fantasias, os amores, as paix\u00f5es, e a sensualidade est\u00e3o na diversidade de corpos, olhares, perfumes, gestos, cores, formas, tamanhos, palavras, texturas, sons e sentimentos, CALEIDOSCOPICAMENTE HUMANOS.<\/p>\n<p>O objetivo de Vera, como fot\u00f3grafa, \u00e9 questionar o padr\u00e3o de beleza \u2013 institu\u00eddo pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pela moral dominante \u2013 ressaltando a possibilidade de uma democratiza\u00e7\u00e3o do prazer, uma igualdade de direitos sexuais, uma disposi\u00e7\u00e3o das mentes (e dos cora\u00e7\u00f5es) contra os ju\u00edzos pr\u00e9vios e os preconceitos. E o meu, como jornalista, \u00e9 dar voz \u00e0s imagens \u00e9 t\u00e3o importante quanto o registro fotogr\u00e1fico, pois \u00e9 interessante conhecer as hist\u00f3rias de vida dessas pessoas, que em sua maioria ainda s\u00e3o pouco ouvidas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_30699\" aria-describedby=\"caption-attachment-30699\" style=\"width: 353px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30699 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/777.jpg\" alt=\"777\" width=\"353\" height=\"238\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30699\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Migotto Certeza no palco &#8211; Fot\u00f3grafa: Carol Vidal<\/figcaption><\/figure>\n<p>O enfoque do projeto est\u00e1 na arte e na educa\u00e7\u00e3o como agentes transformadores da realidade, aliados \u00e0 palavra, como testemunha dos fatos e detentora de um poder de mudan\u00e7a na sociedade. Vamos promover um ciclo de palestras em escolas, ONGs e universidades, uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, um document\u00e1rio e dois livros sobre o tema.<\/p>\n<p>A convite da \u2013 <i>MAM \u2013 Movimiento Amplio de Mujeres L\u00ednea Fundacional<\/i> e da <i>Associa\u00e7\u00e3o Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade<\/i>, ambas do Peru, as primeiras nove fotos foram expostas em 2007 no \u201c6\u00ba Congresso Internacional Prazeres D\u00eas-Organizados \u2013 Corpos, Direitos e Culturas em Transforma\u00e7\u00e3o\u201d em Lima, e conquistaram o segundo lugar na categoria p\u00f4ster.<\/p>\n<p>Enquanto o projeto acontecia continuei abordando o tema. Fiz uma palestra na Secretaria de Promo\u00e7\u00e3o da Cidadania da Prefeitura de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), em 2014, e participei de um ciclo de debates sobre o tema no Centro de Pesquisa e Forma\u00e7\u00e3o do SESC em 2015.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estive na Reatech &#8211; Maior Feira de Reabilita\u00e7\u00e3o e Inclus\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e fui entrevistada em \u00e1udio pela RFI &#8211; R\u00e1dio France Internationale em 2015. E em 2016, fui convidada pela sex\u00f3logoa Vanessa Monteiro Cesnick para participar do Primeiro Congresso Internacional ON LINE Gratuito sobre Sexualidade para Profissionais de Sa\u00fade. Mais de 150 coment\u00e1rios foram publicados nas redes sociais sobre os dois v\u00eddeos que gravei para o congresso. E a partir da\u00ed eu continuo ampliando cada vez mais o debate!<\/p>\n<p>Por isso, fa\u00e7o um convite a todas as pessoas com defici\u00eancia que tenha interesse em participar, e tamb\u00e9m a quem possa investir na continuidade dele conhe\u00e7am o blog: <a href=\"http:\/\/fantasiascaleidoscopicas.blogspot.com\/\">http:\/\/fantasiascaleidoscopicas.blogspot.com\/<\/a><\/p>\n<p><b>Corpo igual, desejo igual. \u00a0<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_30701\" aria-describedby=\"caption-attachment-30701\" style=\"width: 208px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30701 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/999.jpg\" alt=\"999\" width=\"208\" height=\"312\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30701\" class=\"wp-caption-text\">Leandrinha Du Art no palco &#8211; Fot\u00f3grafa: Carol Vidal<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 133.061 mil den\u00fancias de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos no ano de 2016. Em 2015, os dados de orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero das v\u00edtimas do grupo de pessoas com defici\u00eancia somavam 34 v\u00edtimas (0,33%) do total de v\u00edtimas. J\u00e1 em 2016, foram 779 v\u00edtimas (8%) do total, representando aumento de 2291%, sendo 98% das v\u00edtimas declaradas heterossexuais e os 2% divididos entre 16 v\u00edtimas gays, 4 pessoas bissexuais, 2 l\u00e9sbicas e 1 pessoa transexual.<\/p>\n<p>Por isso, a participa\u00e7\u00e3o de Leandrinha Du Art foi t\u00e3o importante durante o Boteco da Diversidade. Ela subiu ao palco logo ap\u00f3s a minha participa\u00e7\u00e3o. Ao som de <i>Sua Cara<\/i>, m\u00fasica de Anitta com Pablo Vittar, Leandrinha lacrou! Depois, a jovem transexual multi-ativista, blogueira, refer\u00eancia na luta LGBTTT e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Reintegrar de Passos no sul de MG, fez quest\u00e3o de descer e bater um papo com a plat\u00e9ia. Olho no olho, espalhando seu perfume e dando selinho para quem quisesse.<\/p>\n<p>Muitas pessoas fizeram perguntas e ouviram suas hist\u00f3rias contadas com um bom humor incr\u00edvel, Leandrinha fez quest\u00e3o de dizer: <i>\u201cAinda somos superprotegidos de uma forma rid\u00edcula, vetados de conhecer nosso pr\u00f3prio corpo! Nosso papel \u00e9 mostrar justamente o contr\u00e1rio! Meu corpo faz sexo e precisa de sexo, eu preciso conhecer meu corpo como qualquer outra pessoa dita \u2018normal\u2019. Por isso digo a sociedade que eu desejo, eu gozo, fa\u00e7o gozar, eu chupo e quero ser chupada, eu dou e eu como, sem que isso seja considerada a oitava praga do Egito. Sou um corpo igual aos demais, com algumas limita\u00e7\u00f5es e s\u00f3 isso\u201d. <\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_30706\" aria-describedby=\"caption-attachment-30706\" style=\"width: 369px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30706 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image5.jpg\" alt=\"Image5\" width=\"369\" height=\"278\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30706\" class=\"wp-caption-text\">Leandrinha DuArt no meio da plateia. &#8211; Foto: Carol Vidal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Leandrinha tamb\u00e9m nos contou em entrevista exclusiva, que desde quando resolveu criar a p\u00e1gina e escrever textos er\u00f3ticos, reflex\u00f5es, postar v\u00eddeos e levantar debates, bate muito na tecla das pessoas se conhecerem como s\u00e3o. <i>\u201cEu sei que escrevo para \u2018corpos fora dos padr\u00f5es\u2019, pessoas com defici\u00eancia, e mulheres fragilizadas com seu corpo com a estima no ch\u00e3o, ambos inseguros por n\u00e3o agradar o resto do mundo. Durante minhas apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas come\u00e7o falando da minha sexualidade e fazendo reflex\u00f5es sobre corpo, empoderamento e aceita\u00e7\u00e3o em cima do que eu j\u00e1 vivi. E no final, o melhor que acontece \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o das pessoas com minha hist\u00f3ria e um novo \u00e2ngulo de como ver todas essas adversidade que a vida p\u00f5e em nossos caminhos\u201d, <\/i>concluiu.<\/p>\n<p><b>Confiram o v\u00eddeo da apresenta\u00e7\u00e3o de Leandrinha em v\u00eddeo do Facebook:<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/LeandrinhaDuArt\/videos\/?ref=page_internal\">Leandrinha Du Art no Boteco da Diversidade<\/a><\/p>\n<p><b>\u201cColetivo \u201cYes, we fuck\u201d<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_30700\" aria-describedby=\"caption-attachment-30700\" style=\"width: 331px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30700 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/888.jpg\" alt=\"888\" width=\"331\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30700\" class=\"wp-caption-text\">Tuca Munhoz &#8211; Foto: Carol Vidal<\/figcaption><\/figure>\n<p>A terceira narrativa pol\u00edtica foi de Tuca Munhoz, Ex-secret\u00e1rio adjunto da Secretaria da Pessoa com Defici\u00eancia de SP, e atual Assessor do Grupo de Trabalho Acessibilidade S\u00e3o Paulo Transportes. Ele apresentou o coletivo \u201dYes, we fuck\u201d (\u201cSim, n\u00f3s fodemos!\u201d).<\/p>\n<p>O movimento brasileiro (como em pa\u00edses da Europa, Espanha e Portugal dentre outros), traz \u00e0 discuss\u00e3o o tema da sexualidade das pessoas com defici\u00eancia. Tuca explicou a filosofia do coletivo: <i>\u201cconsidera-se como princ\u00edpio que a pessoa com defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 assexuada, mesmo que a causa de sua defici\u00eancia atinja a produ\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios ativadores da libido, ou do desempenho sexual. A necessidade do contato f\u00edsico, do carinho e do prazer \u00e9 algo inerente ao ser humano\u201d<\/i>.<\/p>\n<p>Depois convidou todas e todos a participarem dos encontros mensais, onde s\u00e3o trazidos temas referentes \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, como: \u201cSensualidade\u201d; \u201cAceita\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio corpo\u201d; \u201cSexo apoiado\u201d; \u201cProstitui\u00e7\u00e3o\u201d; \u201cDevotee\u00edsmo\u201d (interesse por pessoas com defici\u00eancia); \u201cHomossexualidade e diversidade de orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d; \u201cDiscrimina\u00e7\u00e3o quanto ao estere\u00f3tipo do corpo\u201d; \u201cReprodu\u00e7\u00e3o assistida ou n\u00e3o\u201d; \u201cAcesso aos profissionais do sexo\u201d; e \u201cDefici\u00eancia e sexualidade n\u00e3o \u00e9 promiscuidade\u201d.<\/p>\n<p><b>Diversidade corporal<\/b><\/p>\n<p><i>N\u00f3s somos o nosso corpo.<\/i><\/p>\n<p><i>O meu corpo sou eu.<\/i><\/p>\n<p><i>Voc\u00ea me v\u00ea porque habito um corpo.<\/i><\/p>\n<p><i>Eu me relaciono com voc\u00ea e com o mundo atrav\u00e9s do meu corpo.<\/i><\/p>\n<p><i>Se temos direito \u00e0 diversidade, temos direito de nos expressar atrav\u00e9s de nossos diferentes corpos.<\/i><\/p>\n<p><i>Ao meu corpo n\u00e3o falta nada,<\/i><\/p>\n<p><i>N\u00e3o quero retirar nada do meu corpo.<\/i><\/p>\n<p><i>Sou reconhecida, aprovada ou n\u00e3o, pelo meu corpo.<\/i><\/p>\n<p><i>Meu corpo guarda a mem\u00f3ria de momentos felizes e encontros n\u00e3o t\u00e3o felizes.<\/i><\/p>\n<p><i>Meu corpo guarda a nostalgia do que desejo e n\u00e3o posso alcan\u00e7ar.<\/i><\/p>\n<p><i>Meu corpo comemora tudo que consegui atingir.<\/i><\/p>\n<p><i>Meu corpo \u00e9 s\u00e1bio e burro ao mesmo tempo.<\/i><\/p>\n<p><i>Eu e meu corpo n\u00e3o queremos e n\u00e3o podemos ser autossuficientes.<\/i><\/p>\n<p><i>Meu corpo pede e anseia pelo seu toque.<\/i><\/p>\n<p><i>Meu corpo teme o seu n\u00e3o e sua agress\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i>Nossos corpos foram considerados m\u00e1quinas, naturalmente ajustadas como rel\u00f3gios.<\/i><\/p>\n<p><i>Descobriram o fluxo do sangue e o funcionamento org\u00e2nico dos nossos corpos.<\/i><\/p>\n<p><i>Hoje, nossos corpos s\u00e3o integrados e integram partes mec\u00e2nicas e eletr\u00f4nicas.<\/i><\/p>\n<p><i>Nossos corpos, hoje, rompem a barreira do humano e do cibern\u00e9tico,<\/i><\/p>\n<p><i>Experimentando uma nova est\u00e9tica.<\/i><\/p>\n<p><i>No entanto, \u00e9 mais do que necess\u00e1rio, hoje, adotarmos uma nova \u00e9tica<\/i><\/p>\n<p><i>Para nos relacionarmos com nossos corpos e com o corpo do Outro.<\/i><\/p>\n<p><i>Essa \u00e9tica deve buscar algo para al\u00e9m da perfei\u00e7\u00e3o e da eugenia.<\/i><\/p>\n<p><i>Essa \u00e9tica deve buscar reconhecer e valorizar a beleza que reside na diversidade.<\/i><\/p>\n<p><i>Vivemos na p\u00f3s-modernidade.<\/i><\/p>\n<p><i>Estamos abandonando regras fixas, par\u00e2metros indiscut\u00edveis e teorias que desejam explicar tudo.<\/i><\/p>\n<p><i>Estamos perdendo um ch\u00e3o falsamente constru\u00eddo e nos lan\u00e7ando em inc\u00f3gnitas infinitas.<\/i><\/p>\n<p><i>Assim, \u00e9 natural e desej\u00e1vel que abandonemos a ideia do Homem Vitruviano,<\/i><\/p>\n<p><i>Do ideal do homem proporcionalmente constru\u00eddo e controlado.<\/i><\/p>\n<p><i>H\u00e1 diversos corpos buscando reconhecimento,<\/i><\/p>\n<p><i>H\u00e1 diversos corpos buscando dignidade,<\/i><\/p>\n<p><i>H\u00e1 diversos corpos buscando o direito ao prazer.<\/i><\/p>\n<p><i>A energia poderosa da vida, tamb\u00e9m chamada sexualidade,<\/i><\/p>\n<p><i>Possui a capacidade de romper barreiras, de proporcionar encontros inusitados,<\/i><\/p>\n<p><i>Gerar novos corpos que tamb\u00e9m tem o direito ao prazer e \u00e0 divers\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i>E o direito \u00e0 diversexualidade!<\/i><\/p>\n<p>O texto escrito por Ana Rita de Paula junto com membros do Coletivo representa bem os principais objetivos do movimento formado em sua maioria por pessoas com defici\u00eancia \u00e9:<\/p>\n<ul>\n<li>Mostrar \u00e0 sociedade que a sexualidade \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o do ser humano e, n\u00e3o est\u00e1 diminu\u00edda na presen\u00e7a de diversidades funcionais (e\/ou defici\u00eancias), que somos e temos necessidades e desejos como qualquer pessoa;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Garantir por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas os direitos sexuais e reprodutivos \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, incluindo o sexo apoiado ou n\u00e3o;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Garantir que toda pessoa com diversidade funcional (e\/ou defici\u00eancia) tenha sua sexualidade reconhecida e pass\u00edvel de ser praticada;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Conscientizar a sociedade de que temos direito ao sexo tanto quanto ao trabalho, \u00e0 sa\u00fade, reabilita\u00e7\u00e3o ou \u00e0 acessibilidade;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00c9 necess\u00e1rio instrumentalizar cuidadores e profissionais do sexo, em processos de capacita\u00e7\u00e3o, para que possam suprir essa necessidade em casos de defici\u00eancia severa;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Desconstruir mitos e cren\u00e7as err\u00f4neas das demais pessoas quanto ao corpo das pessoas com defici\u00eancia. Sensibilizar e informar para que o preconceito seja minimizado. Todos os seres humanos s\u00e3o capazes de dar e receber prazer;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Promover workshops, utilizar as mais diversas m\u00eddias sobre o tema diversidade funcional (e\/ou defici\u00eancia) e sexualidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Fa\u00e7a parte do Coletivo: <\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/We-Fuck-Brasil-1786974841573199\/\"><b>https:\/\/www.facebook.com\/We-Fuck-Brasil-1786974841573199\/<\/b><\/a><\/p>\n<p><b>Gata de Rodas <\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_30707\" aria-describedby=\"caption-attachment-30707\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30707 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image6.jpg\" alt=\"Image6\" width=\"349\" height=\"197\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30707\" class=\"wp-caption-text\">Ivone e Leandra &#8211; Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>O \u00faltimo depoimento do Boteco da Diversidade foi o de Ivone despertou olhares e abriu seu cora\u00e7\u00e3o em um bate papo franco. Super bem resolvida hoje em rela\u00e7\u00e3o a sua auto-estima, contou que nem sempre foi assim: <i>\u201cDurante muito tempo sofri a opress\u00e3o familiar e da sociedade por achar que eu por ter uma defici\u00eancia f\u00edsica e usar uma cadeira de rodas, n\u00e3o podia muitas coisas: namorar, casar n\u00e3o ter uma vida social igual a todo mundo. Chegou a um ponto que precisei dar um basta! Minha fam\u00edlia ficou chocada quando disse que n\u00e3o era mais virgem e que namorava\u201d. <\/i><\/p>\n<p>Ivone de Oliveira, hoje \u00e9 conhecida como a Gata de Rodas. Graduada em Ci\u00eancias Cont\u00e1beis \u00e9 musa do Bloco carnavalesco de rua \u201cDo Fico\u201d em SP, e militante e ativista pela causa das pessoas com defici\u00eancia e diversidade sexual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_30710\" aria-describedby=\"caption-attachment-30710\" style=\"width: 297px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30710 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/ivone.jpg\" alt=\"ivone\" width=\"297\" height=\"203\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30710\" class=\"wp-caption-text\">Ivone de Oliveira &#8211; Foto: T\u00e1ssio Lopes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ivone criou um site e um blog e levou a inclus\u00e3o da pessoa com defici\u00eancia para a maior Parada LGBT de S\u00e3o Paulo em 2017. E em parceria com p\u00e1gina Menino Gay est\u00e1 na 2\u00ba Edi\u00e7\u00e3o do Piquenique LGBT das pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Em entrevista tamb\u00e9m exclusiva, Ivone explica que a sociedade ainda encara as pessoas com defici\u00eancias como se fosse uns eternos beb\u00eas e crian\u00e7as. \u201c<i>Esquecem que crescemos e viramos adultos<\/i>. <i>Eu com 48 anos ainda sou tratada na rua como uma crian\u00e7a, costumam n\u00e3o fazer perguntas direcionadas a mim e sim para que est\u00e1 me acompanhando. Eu como ativista estou fazendo a minha parte quebrando preconceitos e tabus. N\u00f3s precisamos de respeito e entender que temos autonomia e poder de decis\u00e3o\u201d, <\/i>comentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Corpos \u2018perturbadores\u2019 e \u2018intrusos\u2019? <\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_30698\" aria-describedby=\"caption-attachment-30698\" style=\"width: 313px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30698 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/333.jpg\" alt=\"333\" width=\"313\" height=\"312\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30698\" class=\"wp-caption-text\">Estela e Edu O. &#8211; Foto: Tassio Lopes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para fechar com chave de outro e j\u00e1 com gostinho de quero mais, a sobremesa do Boteco foi um mix do \u201cO Corpo Perturbador\u201d de Edu O. com o \u201cCorpo Intruso\u201d de Estela Laponi. Juntos no palo fizeram a plat\u00e9ia tremer.<\/p>\n<p>Para Estela o termo corpo intruso surgiu quando ela morou por 6 meses em uma pequena cidade na Regi\u00e3o de Marche na It\u00e1lia em 2009.<i> \u201cTal experi\u00eancia abriu meus olhos para o que significa ser imigrante e consequentemente me fez pensar sobre: fora de contexto, n\u00e3o convidado em choque cultural. Corpo Intruso tem a ver, mas n\u00e3o se trata somente disso!, com a minha defici\u00eancia f\u00edsica \u2013 hemiparesia esquerda (pouco controle motor do lado esquerdo do corpo) \u2013 causada pelo rompimento de um aneurisma, ocorrida em 1997\u201d, <\/i>concluiu.<\/p>\n<figure id=\"attachment_30711\" aria-describedby=\"caption-attachment-30711\" style=\"width: 353px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30711 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/penultima.jpg\" alt=\"penultima\" width=\"353\" height=\"236\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30711\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tassio Lopes<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 para Edu O., mestre em dan\u00e7a pela Escola de Dan\u00e7a da UFBA, \u00e9 importante ter uma abordagem diferenciada sobre o corpo que \u00e9 considerado incapaz, n\u00e3o-belo, perturbador: o corpo com defici\u00eancia, \u2018fora dos padr\u00f5es\u2019 do pensamento hegem\u00f4nico. <i>\u201cNuma sociedade imensamente erotizada, acredita-se ser pertinente instigar uma outra reflex\u00e3o sobre o assunto, abordando, a partir dos devotees, a sexualidade neste corpo, assim como as rela\u00e7\u00f5es de poder intr\u00ednsecas nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, sociais, pol\u00edticas, culturais e religiosas que envolvem as pessoas com defici\u00eancia\u201d, <\/i>comentou.<\/p>\n<p><b>Conhe\u00e7a os protagonistas do Boteco da Diversidade: <\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Estela Laponi: <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/estelalapponi\/videos\">https:\/\/vimeo.com\/estelalapponi\/videos<\/a><\/li>\n<li>Leandrinha Du Art: <a href=\"http:\/\/leandrinhaduart.blogspot.com.br\/\">http:\/\/leandrinhaduart.blogspot.com.br\/<\/a><\/li>\n<li>Tuca Munhoz: <a href=\"http:\/\/tucamunhoz.blogspot.com.br\">http:\/\/tucamunhoz.blogspot.com.br<\/a><\/li>\n<li>Edu O: <a href=\"http:\/\/www.wikidanca.net\/wiki\/index.php\/Edu_O\">http:\/\/www.wikidanca.net\/wiki\/index.php\/Edu_O<\/a>.<\/li>\n<li>Gata de Rodas: \u00a0<a href=\"http:\/\/www.gataderodas.com\">http:\/\/www.gataderodas.com<\/a><\/li>\n<li>MC Billy Saga: <a href=\"http:\/\/www.movimentosuperacao.com.br\/\">http:\/\/www.movimentosuperacao.com.br\/<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>_________________<\/p>\n<figure id=\"attachment_30709\" aria-describedby=\"caption-attachment-30709\" style=\"width: 130px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30709 size-full\" src=\"http:\/\/inclusivenews.com.br\/wp-content\/uploads\/Image8.jpg\" alt=\"Image8\" width=\"130\" height=\"229\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-30709\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Migotto Certeza<\/figcaption><\/figure>\n<p>* <b>Leandra Migotto Certeza<\/b> \u00e9 comunicadora pela Universidade Anhembi Morumbi, jornalista desde 1998 com ampla e premiada experi\u00eancia em inclus\u00e3o. Trabalha como consultora e palestrante em empresas, ONGs e escolas. \u00c9 estudante de Jornalismo Liter\u00e1rio e Escrita Criativa e escreve poemas desde os 9 anos. Lan\u00e7ar\u00e1 o selo <i>Caleidosc\u00f3pio<\/i> de biografias sobre pessoas com defici\u00eancia, e come\u00e7ar\u00e1 pela <i>Cole\u00e7\u00e3o Janelas<\/i> contando a sua trajet\u00f3ria profissional. Assina a coluna \u201cBate papo\u201d no portal http:\/\/www.sembarreiras.jor.br\/, mant\u00eam 2 blogs e participa do Coletivo Mulheres pela Inclus\u00e3o. Para saber mais sobre ela: <a href=\"http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com\/\">http:\/\/leandramigottocerteza.blogspot.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde fevereiro de 2017, a aconchegante Comedoria do SESC Pomp\u00e9ia em S\u00e3o Paulo se transforma mensalmente. Mesinhas redondas de madeira e petiscos s\u00e3o combinados com arte, ativismo e conversas descontra\u00eddas sobre direitos humanos e diversidade cultural. 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