{"id":325,"date":"2008-05-26T18:21:00","date_gmt":"2008-05-26T18:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/2008\/05\/26\/reflexoes-de-uma-professora\/"},"modified":"2008-05-26T18:21:00","modified_gmt":"2008-05-26T18:21:00","slug":"reflexoes-de-uma-professora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=325","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es de uma professora"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/agenciainclusive.files.wordpress.com\/2009\/02\/blogosfera.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5468 alignleft\" title=\"blogosfera\" src=\"http:\/\/agenciainclusive.files.wordpress.com\/2009\/02\/blogosfera.jpg\" alt=\"blogosfera\" width=\"90\" height=\"86\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/xiitadainclusao.blogspot.com\/2008\/05\/xiita-convidada-reflexes-de-uma.html\"><strong>Reflex\u00f5es de uma professora<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Patr\u00edcia Kast Caminha \u00e9 professora.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o m\u00e9dico-patol\u00f3gica da defici\u00eancia ainda est\u00e1 na cabe\u00e7a de muitos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o e pior: tem curso de psicologia que ainda trata a educa\u00e7\u00e3o especial como sendo propriedade exclusiva. N\u00e3o tenho outra coisa contra o curso de psicologia, ao contr\u00e1rio: tem muita coisa boa. Mas a Inclus\u00e3o na escola precisa ficar a cargo da Educa\u00e7\u00e3o, dos Cursos de Pedagogia e em todas as disciplinas, n\u00e3o apenas na disciplina de Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o.E n\u00e3o estudar &#8220;defici\u00eancia&#8221; mas o ensinar a turma toda e a cada um. Parar com este neg\u00f3cio de caracterizar, categorizar.Muito legal professor universit\u00e1rio debater o nome de disciplina que continua a conter termos como &#8220;excepcionais&#8221;, que \u00e9 um absurdo. Mas o nome continua a\u00ed&#8230; Al\u00e9m de outros v\u00edcios, como abordar &#8220;caracter\u00edsticas da defici\u00eancia dentro da Inclus\u00e3o&#8221;. Sabe aquela coisa &#8220;eu sou t\u00e3o bonzinho porque falo da Inclus\u00e3o&#8230;\u201d E descreve o que causa cada defici\u00eancia, como \u00e9. E muitas vezes aborda &#8220;uma Inclus\u00e3o respons\u00e1vel&#8221;, com data e hora para acontecer, mas nunca j\u00e1.\u00c9 preocupante quem &#8220;trata&#8221; o &#8220;deficiente&#8221; na sala de aula, a &#8220;defici\u00eancia&#8221;, a &#8220;adequa\u00e7\u00e3o&#8221; da pessoa com defici\u00eancia a tudo o que \u00e9 &#8220;normal&#8221;. \u00c9 tratar temas tipo: &#8220;o deficiente mental na sala de aula&#8221;. Infelizmente vivi no meu tempo de faculdade, se falava assim, a tal da &#8220;uma inclus\u00e3o&#8221; (e o &#8220;por favor, n\u00e3o me venha com mais do que isso&#8221; muitas vezes dito, sem pudor).Tive a felicidade de conhecer profissionais super conscientes, atualizados, focando as pessoas, a turma toda, sem misturar jeito de ser com &#8220;caracter\u00edsticas da defici\u00eancia&#8221;, tratando a inclus\u00e3o como a de todos a tudo, o que \u00e9 maravilhoso.<br \/>\n\u00c9 estranho, no m\u00ednimo, acontecer ainda nos dias de hoje, com tanta informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. \u00c9 o velho e o novo vivendo no mesmo tempo e espa\u00e7o. Ainda chegamos l\u00e1, no tempo e espa\u00e7o onde o novo se fixar\u00e1 e o mais novo estar\u00e1 nascendo.<br \/>\nProcuro me manter atualizada, n\u00e3o creio conhecer tudo e tudo o que conhe\u00e7o n\u00e3o considero como pronto, acabado. Tudo evolui e a nossa parte \u00e9 evoluir junto. Atuando na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o, isso, antes de tudo, \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o. Procuro saber o que o MEC traz em seu site, bibliografias atuais, F\u00f3rum de discuss\u00f5es, not\u00edcias em geral, vivendo o cotidiano da escola e muito mais&#8230;Quanto a diagn\u00f3sticos, me arrepio com este papo, porque j\u00e1 vivi situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, de professoras que acham que &#8220;aquele&#8221; estudante n\u00e3o aprende \u201cporque deve ter tal coisa porque j\u00e1 viu algo assim muito parecido e deve ser mesmo porque ele tem umas coisas assim assado&#8230; Tudo a boca pequena, pra depois serem endossadas por outras pessoas porque tamb\u00e9m j\u00e1 viram isso assim assado&#8230; E toma encaminhamento, e toma rem\u00e9dio, e lesa crian\u00e7a, entristece pais&#8230; Porque em nome de uma suposta boa a\u00e7\u00e3o se faz atrocidades. Entre os que realmente precisam, encontram-se os que n\u00e3o, de maneira alguma, n\u00e3o. H\u00e1 uma mania generalizada em achar que crian\u00e7a que n\u00e3o p\u00e1ra quieta na cadeira tem alguma coisa errada, n\u00e3o \u00e9 a aula que est\u00e1 hiiiiper chata, porque, afinal de contas, a vida l\u00e1 fora da escola \u00e9 muito mais din\u00e2mica, mais atraente. \u201d.<br \/>\nA quest\u00e3o de professor ter em m\u00e3os testes pra identificar poss\u00edveis problemas &#8211; e isso \u00e9 diagnosticar &#8211; seja pr\u00e9 diagn\u00f3stico como adoram chamar, \u00e9 preocupante. Professor conhece os estudantes a quem ensina? Sim, mas n\u00e3o t\u00e3o bem a ponto de sair fazendo diagn\u00f3stico e ser endossado nisso. Pra ser otimista, h\u00e1 casos em que o professor percebeu maus tratos ao estudante, denunciou. Percebeu agressividade, questionou pais, conversou com a equipe da escola, todos procuraram observar. Percebeu que o estudante n\u00e3o est\u00e1 enxergando bem, conversou com os pais, que encaminharam. Percebeu que o estudante n\u00e3o est\u00e1 aprendendo, mudou sua atua\u00e7\u00e3o &#8211; pedag\u00f3gica &#8211; apostou.Os exageros: estudante se diferencia quanto a comportamento, deve ser &#8220;algo muito errado&#8221;, pensa em algo &#8220;muito grave&#8221;, sendo que pode ser algo moment\u00e2neo, por uma dificuldade na aprendizagem que a equipe escolar tem toda condi\u00e7\u00e3o de investir no estudante. N\u00e3o, muitas vezes j\u00e1 tem os diagn\u00f3sticos prontos, porque preenchem todas as quest\u00f5es da lista: dislexia e outras &#8220;ias&#8221;, dist\u00farbios tais&#8230;<br \/>\nQuanto aos casos j\u00e1 diagnosticados, que precisam de aten\u00e7\u00e3o especializada, tomar rem\u00e9dios, n\u00e3o tenho muito que comentar. \u00c9 comunica\u00e7\u00e3o constante entre os profissionais. Mas professor n\u00e3o tem que dar rem\u00e9dio na escola&#8230; Nem estudante levar ao ambiente escolar. A medica\u00e7\u00e3o \u00e9 em casa, com a aten\u00e7\u00e3o dos pais.Diagn\u00f3stico \u00e9 pra m\u00e9dico, e ponto final.<br \/>\nImaginam-se todos os professores como pessoas hiper conscientes, bem resolvidas, esclarecidas, que ir\u00e3o responsavelmente fazer encaminhamentos. N\u00e3o sou a favor de corporativismos&#8230; Infelizmente tem muita gente que faz encaminhamento, passando adiante tudo o que considera &#8220;problemas de aprendizagem&#8221;, mas que na verdade s\u00e3o &#8220;problemas de ensinagem&#8221;. N\u00e3o considero, absolutamente, que seja uma quest\u00e3o de ca\u00e7a as bruxas nem desanimar, achando que se \u00e9 assim n\u00e3o tem jeito, porque n\u00e3o teremos colabora\u00e7\u00e3o&#8230; Pelo contr\u00e1rio!!!! Tem muita gente afim que acaba levando consigo pessoas nem t\u00e3o afim, que se contagiam etc e tal, com o movimento pr\u00f3-inclus\u00e3o, com a quest\u00e3o de ensino, se sensibilizando. Mas \u00e9 preciso, ainda, falar MUUUUITO sobre isso \u00e9 preciso muita discuss\u00e3o, muita palestra, muita reuni\u00e3o, muita gente contando suas experi\u00eancias.<br \/>\nSempre \u00e9 bom falarmos MUITO sobre Inclus\u00e3o. Sinto muito quando vejo que as pessoas se calam, evitam discuss\u00e3o, envolvimento. Em nome de uma suposta paz, uma concess\u00e3o que n\u00e3o faz bem a ningu\u00e9m. Epa deixo bem claro aqui que para evoluirmos h\u00e1 v\u00e1rias formas de atua\u00e7\u00e3o, todas ao mesmo tempo j\u00e1!!!!\u00c9 preciso discutir os absurdos, o que n\u00e3o pode mais acontecer, a falta de consci\u00eancia, o corporativismo entre os profissionais de educa\u00e7\u00e3o, que infelizmente, muitas vezes, se unem pra falar bobagem e defender coisa errada, mas errada mesmo, n\u00e3o o que eu acho errado. Infelizmente ainda acontece. Considero importante as pessoas falarem sobre as boas experi\u00eancias, mas tamb\u00e9m precisamos brigar pela mudan\u00e7a, pelo cumprimento da Lei.N\u00e3o adianta falar de Inclus\u00e3o e ter na escola o hor\u00e1rio espec\u00edfico de recreio em nome de ser &#8220;o melhor&#8221; porque podem se machucar e por a\u00ed a fora&#8230; Ter uma sala separada pra ensinar conte\u00fados&#8230; Salinha pra levar e ficar um tempo fazendo testes e mais testes. Os profissionais da \u00e1rea m\u00e9dica, e viva todos com certeza, precisam atender em ambiente pr\u00f3prio, postos de sa\u00fade, e precisam estar l\u00e1 e atender as pessoas. Mas na escola, o que \u00e9 da escola: salas especiais, ok, para trazer a acessibilidade e promover a inclus\u00e3o a todos &#8211; todos!!! Tipo: sala de inform\u00e1tica, biblioteca com equipamento acess\u00edvel para pessoas com defici\u00eancia visual, por exemplo, sala para ensinar Libras, Braille, a usar lupa e etc, comunica\u00e7\u00e3o alternativa e quetais &#8211; e com profissionais que existem para isso &#8211; os professores de educa\u00e7\u00e3o especial, que h\u00e1 muitos, muitos anos tem ensinado conte\u00fados!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E tem muito professor de conte\u00fados escolares que encaminha, d\u00e1 seu &#8220;diagn\u00f3stico&#8221; pra tal &#8220;sala de recursos&#8221; que de recursos fica a desejar. Mas precisamos modificar isso, \u00e9 a tal mudan\u00e7a de olhar da e para a Educa\u00e7\u00e3o Especial. Professora de conte\u00fados escolares precisa saber ensinar e bem, conhecer diferentes modos de atua\u00e7\u00e3o, estudar bastante. A professora de educa\u00e7\u00e3o especial e a de conte\u00fados juntas, mas cada uma com diferente atua\u00e7\u00e3o. Como o estudante que n\u00e3o sabe Braille, e precisa saber, vai acompanhar os estudos com seus colegas na sala de aula? Tendo seu hor\u00e1rio extra classe para aprender Braille, usar a m\u00e1quina, reglete e etc.<br \/>\nImportante destacar que adequa\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas (edifica\u00e7\u00f5es, mobili\u00e1rios, materiais de apoio espec\u00edficos para trazer a inclus\u00e3o, como pranchas de comunica\u00e7\u00e3o etc) s\u00e3o fundamentais, mas n\u00e3o s\u00e3o mat\u00e9rias de ensino para quem vai dar aula, e demanda trabalho em equipe &#8211; escolas e profissionais como fisioterapeutas, psic\u00f3logos, arquitetos e outros t\u00e3o importantes quanto.Avalia\u00e7\u00e3o: a da escola precisa ser muito bem pensada. Mesmo quem opta por n\u00e3o fazer a avalia\u00e7\u00e3o de conte\u00fados tem que prestar muita aten\u00e7\u00e3o no desenvolvimento do estudante, fazer sempre anota\u00e7\u00f5es, sempre. N\u00e3o sou contra a avalia\u00e7\u00e3o, mas que ela n\u00e3o seja padr\u00e3ozona, padronizadora, sem considerar o desenvolvimento individual em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado ensinado. Mas prefiro mesmo a avalia\u00e7\u00e3o individual, com anota\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. \u00c9 mais justa e producente. Principalmente para a reflex\u00e3o do professor quanto ao ensino.H\u00e1 um problema muito s\u00e9rio quanto \u00e0 vis\u00e3o que se tem tido em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 Educa\u00e7\u00e3o Especial. Tem gente achando que \u00e9 o fim da educa\u00e7\u00e3o especial etc e tal. Na verdade, pensar que professor de ensino de conte\u00fados tem que saber Libras, Braille, usar equipamentos espec\u00edficos \u00e9 temer\u00e1rio, porque se aposta numa coisa para dizer que somente ap\u00f3s isso a inclus\u00e3o acontecer\u00e1, o que \u00e9 mentirinha. E mentirinha contada em cursos de gradua\u00e7\u00e3o de professores. Claro que temos capacidade de aprender tudo isso, mas a inclus\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 ap\u00f3s isso. E professor que se gradua em educa\u00e7\u00e3o especial e se dedica a ensinar especificamente Braille, Libras etc, tamb\u00e9m n\u00e3o precisa aprender a ensinar conte\u00fados escolares, obrigatoriamente. \u00c9 bom saber, conhecer, ter esta experi\u00eancia para melhorar sua atua\u00e7\u00e3o, mas esperar conhecer tudo pra l\u00e1 na frente fazer a &#8220;tal da inclus\u00e3o&#8221;, vai tempo. Parab\u00e9ns aos profissionais que almejam inclus\u00e3o total e irrestrita desde j\u00e1. Mesmo achando que pouco sabem, seguem adiante em seu trabalho, enriquecendo a cada dia com novas experi\u00eancias, fazendo com que a vida escolar das crian\u00e7as seja rico, prazeroso.<br \/>\nTem professor que &#8220;mata&#8221; a vontade inicial da crian\u00e7a em ir pra escola. Porque \u00e9 tanta dificuldade que ela passa&#8230; Sua aposta sempre \u00e9 a de que na escola vai APRENDER. Fico triste que s\u00f3 quando vejo professor reclamando de estudante, diagnosticando, fazendo ju\u00edzos&#8230; E a crian\u00e7a? Quais ser\u00e3o seus sentimentos quando se v\u00ea num turbilh\u00e3o de acontecimentos que muitas vezes n\u00e3o compreende? Sendo categorizada, colocada pra aprender conte\u00fados das salas longe dos seus colegas? Sofrendo o bolem a partir disto? E A CRIAN\u00c7A OU JOVEM? COMO ELE FICA COM ESSE AF\u00c3 EM DIAGN\u00d3STICO? Como se sentem?Agora, como se sente uma crian\u00e7a ou jovem, na escola, quando em dificuldades pra compreender conte\u00fados, v\u00ea valorizados seus esfor\u00e7os, se v\u00ea diante de novas oportunidades, e v\u00ea que h\u00e1 coer\u00eancia porque o professor tem o mesmo olhar em rela\u00e7\u00e3o aos demais?<br \/>\nEstou eu aqui pensando na minha \u00e9poca de escola, quando tive uma puxa dificuldade pra aprender a ler, adoraria que a professora me desse oportunidades sem salientar meus erros. N\u00e3o desse tanta \u00eanfase ao que eu n\u00e3o conseguia, mas em seus atos me levasse a novos desafios e eu visse o mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos demais no mesmo p\u00e9: nem condecorar os estudantes conceito A, nem rebaixar os de conceito C ou D.Com certeza? Na sala de aula, o conhecimento \u00e9 constante e se d\u00e1 em todos os momentos, a professora aprende a ensinar de diferentes modos. E tem desafios: se o estudante est\u00e1 com dificuldades em aprender os conte\u00fados, busca novas formas, usa recursos visuais, auditivos &#8211; grava aulas, filma as experi\u00eancias e passa pra turma &#8211; quando n\u00e3o sabe, vai atr\u00e1s. N\u00e3o toma somente pra si todos os problemas, bem como n\u00e3o joga pra cima do estudante. Faz constante reflex\u00f5es a respeito do seu trabalho.A Inclus\u00e3o \u00e9 desde j\u00e1. Mesmo sem rampa na escola, sem m\u00e1quina Braille&#8230; E na verdade eu nem precisaria estar dando \u00eanfase nisso agora, porque est\u00e1 escrito: o direito ao ensino na escola comum \u00e9 para todos, sem sen\u00f5es, nem v\u00edrgulas nem retic\u00eancias. Mas \u00e9 bom deixar escrito direitinho, porque ainda hoje tem gente querendo o antigo, crian\u00e7a, jovem com defici\u00eancia estudando conte\u00fados em institui\u00e7\u00f5es ou salas especiais.<br \/>\nAqui onde estou morando temporariamente (Brasiiiiiiiiiiiiil, que saudades do meu povo, das alegrias e tristezas, da vida, do trabalho, de falar com pessoas na minha l\u00edngua p\u00e1tria, de me expressar em Portugu\u00eas&#8230;), quando cheguei, fiquei deslumbrada porque na primeira sa\u00edda pra conhecer a city (Newcastle\/Austr\u00e1lia), vi que todas as cal\u00e7adas &#8211; TODAS &#8211; s\u00e3o rebaixadas, os sem\u00e1foros &#8211; TODOS &#8211; sonoros, os \u00f4nibus &#8211; TODOS (ai, gente, cansei, TODOS em tudo, vai&#8230;) os \u00f4nibus rebaixam na frente na altura da cal\u00e7ada, os trens tem aparelho pra pessoa apertar o bot\u00e3o e ouvir pr\u00f3xima parada e tal.Deslumbrada, mas nem tanto, porque veio aquele mau humorzinho meu: &#8220;ah, isso porque \u00e9 centro, quero ver na periferia (que \u00e9 bem diferente do que a gente entende por)&#8221;. Que nada! Em todo lugar, mesmo Sydney, que tive a felicidade de conhecer, tem TUDO. Fiquei feliza\u00e7a&#8230;Aqui \u00e9 tudo limpo, a cidade \u00e9 grande, tem ares de interiorz\u00e3o, com poucos pr\u00e9dios altos, menos carros nas ruas como a gente costuma ver em cidades grandes. Aqui h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o do governo em manter esta &#8220;ordem&#8221; e promover a acessibilidade, bem como prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar, nesta ordem).Uma coisa que achei hiper atraente: as pessoas, nos finais de semanas, v\u00e3o aos parques p\u00fablicos. Gentem, eles fazem barbecue (o churrasco deles, bem chinfrim, pra mim que sou filha de ga\u00fachos, bah, tch\u00ea!), ficam o dia todo, e \u00e9 parque mesmo, com gramado, rodeado de avenidas, carros passando etc e tal. Eles n\u00e3o querem nem saber, pegam seus cobertores, estendem na grama e chegam a dormir de &#8220;babar&#8221;&#8230;<br \/>\nObviamente tem coisa chat\u00e9rrima, mas n\u00e3o estou a fim de colocar aqui, porque \u00e9 tudo o que uma brasileira n\u00e3o est\u00e1 acostumada, choques culturais, digamos assim, v\u00e1&#8230; Mas vale destacar as agruras a respeito da linguagem: muita gente boa, que tem paci\u00eancia, speak slowly, please&#8230; Mas quando d\u00e1 de pegarmos gente mal educada&#8230; \u00c9 de chorar. \u00c9 a mesma coisa quando se pensa na situa\u00e7\u00e3o escolar, de um estudante com surdez no ambiente em que ningu\u00e9m sabe Libras, a professora n\u00e3o tem a m\u00ednima vontade de aprender, nem andar com uma &#8220;colinha&#8221;, nem promover atividades acess\u00edveis, que, inclusive, a turma toda iria simplesmente a-m-a-r, al\u00e9m de promover uma aproxima\u00e7\u00e3o maior entre todos. Bom, j\u00e1 comecei de novo&#8230;<br \/>\nObservei que aqui a acessibilidade \u00e9 pra todos, pras pessoas com defici\u00eancia, idosos, gestantes etc e tal.<br \/>\nA Inclus\u00e3o nas escolas, n\u00e3o posso afirmar em todas, me parece estar no mesmo p\u00e9 que a\u00ed, uma vez que aqui tamb\u00e9m tem institui\u00e7\u00f5es&#8230; Minha filhinha est\u00e1 numa escola p\u00fablica (aiiiiiiiiiiiii, gente, que show&#8230;), l\u00e1 tem UMA menina com S\u00edndrome de Down. Bom a escola \u00e9 pequena, vai desde o que seria uma pr\u00e9-escola pra cinco anos, at\u00e9 quarta s\u00e9rie, uma sala de cada. Perguntei para uma m\u00e3e, quando fiz mais amizades, como era a quest\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia nas escolas e ela me disse que s\u00f3 ia quem tinha o m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es. Ai, que b\u00e3o que n\u00e3o dominava o ingl\u00eas na \u00e9poca, sen\u00e3o ia eu me meter a falar&#8230;No inicio do ano letivo, os pais preenchem um moooooooonte de papel e vem quest\u00f5es como se seu filho tem defici\u00eancias, necessidades especiais, se necessita de acompanhante, se tem outros profissionais de apoio como fonoaudi\u00f3logos etc. Achei show e tudo o mais.<br \/>\nA professora alfabetiza pelo m\u00e9todo fon\u00e9tico, ela \u00e9 superultra preparada pra isso. Profissional com atitudes profissionais o que pode passar como frieza ou algo negativo, mas ela faz seu trabalho hiper bem. Ela n\u00e3o se derrete em sorrisos para os pais, nem tem atitudes infantis ou infantilizadoras (qualquer dia, falo bastante sobre o que penso sobre isso). \u00c9 que, penso, que a gente est\u00e1 acostumado com a &#8220;tia&#8221;, aqui n\u00e3o tem nadica disso. O duro \u00e9 quando a pessoa n\u00e3o tem preparo, acha que tem e n\u00e3o busca se informar, j\u00e1 acha que aprendeu tudo no curso de pedagogia, faz uns cursos aqui e ali pra melhorar pontua\u00e7\u00e3o pra sal\u00e1rio&#8230; Lembrando tamb\u00e9m que quando os pais perguntam o m\u00e9todo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, tem como resposta &#8220;ah, uso de tudo um pouco&#8221; ou &#8220;ah, \u00e9 Construtivismo&#8221;. A\u00ed se voc\u00ea pergunta, &#8220;ah, Emilia Ferreiro, Telma Weiz e tal?&#8221; E a resposta \u00e9 &#8220;\u00c3\u00e3\u00e3&#8221;???????<br \/>\nAqui os pais s\u00e3o chamados REALMENTE a participar. N\u00e3o \u00e9 fake, brincadeira de faz-de-conta de diretor de escola. A professora faz at\u00e9 calend\u00e1rio para os pais que puderem estar na sala ajudando nos projetos. E em casa, de segunda a quinta (porque final de semana n\u00e3o tem li\u00e7\u00e3o) a gente &#8220;toma&#8221; leitura dos filhos e anota num caderno que ela manda, se leu bem, etc e tal. Gente, meus primeiros anos de escola tinha isso, minha m\u00e3e tomava tabuada, leitura em voz alta&#8230; hehehehehheehehehheheheh! Hoje, a\u00ed, noooossa, uma com medo de mandar li\u00e7\u00e3o porque v\u00e3o consider\u00e1-la tradicionalista, outra, enche a turma de li\u00e7\u00e3o de casa, adorando ser tradicionalista, aquele monte, que enerva pais. Precisa equil\u00edbrio n\u00e9n\u00e3o?<br \/>\nAqui, os pais est\u00e3o dentro da escola o tempo todo, mas de maneira organizada, claro n\u00e9, n\u00e3o pode ficar atrapalhando, mas est\u00e3o l\u00e1, trabalhando na cantina da escola, que funciona com alimentos doados pelos pais, vendendo os uniformes, participando do Conselho Escolar ATIVAMENTE. MESMO. SERIAMENTE. Quase que profissionalmente.<br \/>\nOs pais recebem uma graninha do governo, por filho, pra ajudar no material e uniforme, no primeiro trimestre. TODO material de escola \u00e9 cedido, eles pedem pra quem puder ajudar, dar um dinheiro pros livros, pra ajudar a escola porque o dinheiro que recebem \u00e9 curto, e isso a gente conhece a\u00ed.<br \/>\nAqui, nas escolas e parques (alguns) tem trepa-trepa, escorregador, barra pra se pendurar, j\u00e1 vi at\u00e9 uma mini parede de escalada. A gente aboliu tudo isso a\u00ed, quando vemos em escolas ficamos logo pensando nos nossos pimpolhos que podem cair&#8230; Aqui, eles estimulam muito os filhos a subir e escalar. Se voc\u00eas acham que os pais ficam com os olhos super abertos, temerosos, &#8220;ai, vai cair&#8230;\u201d Que nada, e \u00e9 interessante, porque passa seguran\u00e7a pras crian\u00e7as. E a bobalhona aqui quando a filhota (5 anos) come\u00e7ou a fazer o mesmo, ficou toda apavorada, com o tal do olh\u00e3o etc&#8230; Na verdade, esqueci que quando era pequena, pulava o muro da Dona Maria e subia naquela baita mangueira e &#8220;roubava&#8221; manga at\u00e9&#8230; Cara de pau, \u00e0s vezes chupava l\u00e1 em cima, essa \u00e9 a verdade. Dona Maria me amava&#8230; Ai&#8230;<br \/>\nTem uma coisa que achei um horror, mas acho que sou a \u00fanica a achar isso: os casais recebem uns 2.000 d\u00f3lares australianos (cerca de 1,70 reais o d\u00f3lar) por filho que nasce. Eles estimulam isso, &#8220;vamos povoar isso aqui, gente&#8221;. E toma filho. Tem feminista aqui falando pras paredes, porque a grana \u00e9 boa&#8230; (gentem \u00e9 minha opini\u00e3o..).<br \/>\nPorque escrevi tanto assim&#8230; Ah&#8230; Por saudades mesmo&#8230;<br \/>\nO Brasil \u00e9 o que h\u00e1, gente!!!!!! Maravilhoso. E estamos caminhando muito bem, com garra, disposi\u00e7\u00e3o pela Inclus\u00e3o. Muuuuuuuuuuita gente boa&#8230;<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Kast Caminha \u00e9 professora.<\/p>\n<p>Postado no Blog Inclus\u00e3o: Ampla, Geral e Irrestrita<br \/>\n<a href=\"http:\/\/xiitadainclusao.blogspot.com\/\">http:\/\/xiitadainclusao.blogspot.com\/<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.activemeter.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/am1.activemeter.com\/webtracker\/track.html?method=track&amp;pid=46224&amp;java=0\" border=\"0\" alt=\"Free Hit Counter\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><!-- END OF ACTIVEMETER CODE --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de uma professora Patr\u00edcia Kast Caminha \u00e9 professora. 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