{"id":456,"date":"2008-06-11T16:44:00","date_gmt":"2008-06-11T16:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/2008\/06\/11\/xiita-convidada-d%c2%b4alem-mar\/"},"modified":"2008-06-11T16:44:00","modified_gmt":"2008-06-11T16:44:00","slug":"xiita-convidada-dalem-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=456","title":{"rendered":"Xiita convidada d\u00b4al\u00e9m mar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/agenciainclusive.files.wordpress.com\/2009\/02\/blogosfera.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5468 alignleft\" title=\"blogosfera\" src=\"http:\/\/agenciainclusive.files.wordpress.com\/2009\/02\/blogosfera.jpg\" alt=\"blogosfera\" width=\"90\" height=\"86\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;font-family:Verdana;\" lang=\"PT\"><span class=\"328204112-11062008\"><strong><a href=\"http:\/\/xiitadainclusao.blogspot.com\/2008\/06\/xiita-convidada-marcas-de-professores.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Marcas de professores&#8221;<\/a><\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;font-family:Verdana;\" lang=\"PT\">Sandra Est\u00eav\u00e3o  Rodrigues<\/span><span style=\"font-size:10pt;font-family:Verdana;\" lang=\"PT\"><span class=\"328204112-11062008\"><strong> *<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;font-family:Verdana;\" lang=\"PT\"><span class=\"328204112-11062008\"><strong> <\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;font-family:Verdana;\" lang=\"PT\"><span class=\"328204112-11062008\">\u00c9 lugar comum que os professores deixam marcas nas nossas vidas. Com esta constata\u00e7\u00e3o em mente, rebusquei algumas mem\u00f3rias e aqui est\u00e3o exemplos de marcas que me ficaram, por experi\u00eancia directa ou como espectadora, umas positivas, outras nem por isso&#8230; Como s\u00e3o v\u00e1rios os exemplos, estar\u00e3o distribu\u00eddos por partes, sendo esta primeira dedicada a situa\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1. Tinha-nos sido exigido, como uma das formas de avalia\u00e7\u00e3o para aquela disciplina, um v\u00eddeo em que simular\u00edamos uma determinada situa\u00e7\u00e3o profissional, feito aos pares, em que cada um dos elementos passava por dois pap\u00e9is. A professora marcou um dia para nos dar feedback e o meu entusiasmo crescia \u00e0 medida que ela ia falando: \u201cestou bastante surpreendida, pela positiva, com a sua presta\u00e7\u00e3o\u201d. Na minha mente come\u00e7ava a desenhar-se um 15&#8230; \u201cNunca pensei que uma pessoa com a sua defici\u00eancia visual pudesse mostrar tanta presen\u00e7a\u201d. Quem sabe um 16 ou 17&#8230; afinal os pares que tinham ido antes de n\u00f3s anunciavam \u00f3ptimas classifica\u00e7\u00f5es. \u201cSa\u00edram-se ambas muito bem, mas estou sobretudo satisfeita com o seu desempenho porque mostrou ter excelentes compet\u00eancias para este tipo de situa\u00e7\u00e3o\u201d. Ser\u00e1 que atingiria o 18? Eu estava deliciada, feliz da vida. \u201cPortanto, por este trabalho formid\u00e1vel, vou dar-lhe um 14, o que para uma pessoa como voc\u00ea \u00e9 \u00f3ptimo!\u201d. Fiquei dormente, confusa. Infelizmente n\u00e3o tinha, nessa altura, a tranquilidade e a garra, que s\u00e3o necess\u00e1rias em situa\u00e7\u00f5es destas, para me defender. Houve, por\u00e9m, muitas outras situa\u00e7\u00f5es em que fui avaliada tal como os meus colegas, com os mesmos crit\u00e9rios e em que os resultados estavam em correspond\u00eancia com o meu estudo e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. Para que exista igualdade de oportunidades na avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio dar determinadas condi\u00e7\u00f5es em conformidade com as defici\u00eancias apresentadas. Assim, um estudante com defici\u00eancia pode necessitar de um per\u00edodo de tempo adicional para responder \u00e0 sua prova. No Ensino B\u00e1sico e Secund\u00e1rio, o Plano Educativo Individual (PEI) define o tempo que cada estudante pode utilizar, em fun\u00e7\u00e3o das suas necessidades. Para os exames nacionais, o tempo proposto pela Escola \u00e9 aprovado pelo j\u00fari nacional de exames. No regulamento que prev\u00ea v\u00e1rias medidas de apoio relativas \u00e0 frequ\u00eancia e \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o destes estudantes na Universidade do Minho, determina-se que este per\u00edodo de tempo suplementar vai at\u00e9 mais metade do total previsto para a prova.<\/p>\n<p>Vejamos duas situa\u00e7\u00f5es limite ocorridas com estudantes que apresentam defici\u00eancia visual. Um estudante foi informado, na hora da prova, pela professora (com conhecimento da condi\u00e7\u00e3o de tempo), que ela teria um compromisso na hora prevista para o t\u00e9rmino da prova de qualquer outro estudante, pelo que ele teria de entregar tamb\u00e9m a sua prova nessa hora. Trata-se, obviamente, de um claro desrespeito dos direitos deste estudante. Mas que dizer do professor que decidiu que o aluno deveria realizar a sua prova numa sala sem vigil\u00e2ncia, dizendo-lhe que poderia gastar o tempo que quisesse, bastava que no final entregasse as respostas a um funcion\u00e1rio, mas que se preferisse, poderia levar a prova para casa e entregar as respostas no dia seguinte? Estamos aqui perante uma permissividade que em nada dignifica estes estudantes, ao assumir-se que o facilitismo \u00e9 o \u00fanico caminho para que estas pessoas consigam progredir.<\/p>\n<p>Portanto, sejam dadas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a quem delas precisa e exija-se o mesmo a todos. S\u00f3 assim cada um pode mostrar o que vale.<\/p>\n<p>Na primeira parte desta cr\u00f3nica, falei das marcas deixadas pelos professores em situa\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o a estudantes com defici\u00eancia, debru\u00e7ando-me agora sobre algumas situa\u00e7\u00f5es de aula.<\/p>\n<p>1. \u00c9 mais f\u00e1cil, para qualquer um de n\u00f3s, evitarmos uma situa\u00e7\u00e3o com a qual n\u00e3o sabemos lidar do que procurarmos estrat\u00e9gias para lhe fazer face. Sendo a inclus\u00e3o escolar de estudantes com defici\u00eancia um objectivo que implica iniciativa e trabalho, j\u00e1 soube de alguns professores que mostravam resist\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a destes estudantes nas suas turmas. Estas reac\u00e7\u00f5es v\u00e3o desde algum receio por n\u00e3o saberem bem como lidar com a situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 a nega\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de darem aulas aquela turma. Assim foi o caso de um professor do ensino secund\u00e1rio que dizia num conselho de turma: \u201cformei-me para dar esta disciplina, h\u00e1 vinte anos que a ensino e n\u00e3o tenho nada a ver com esses problemas da defici\u00eancia. Portanto, n\u00e3o \u00e9 agora que me v\u00e3o obrigar a trabalhar com deficientes nas minhas aulas\u201d. Qu\u00e3o diferente \u00e9 esta postura em rela\u00e7\u00e3o com aquela de professores que perguntam aos pr\u00f3prios alunos, aos pais destes ou aos t\u00e9cnicos que lhes d\u00e3o algum acompanhamento, como devem fazer para resolver uma ou outra dificuldade. Uma pergunta t\u00e3o simples como esta faz que o estudante sinta que existe preocupa\u00e7\u00e3o para com a sua situa\u00e7\u00e3o particular e abertura para encontrar alternativas. \u00c9 evidente que os pr\u00f3prios estudantes t\u00eam de ser tamb\u00e9m interessados e participativos de modo a refor\u00e7arem todo o trabalho e dedica\u00e7\u00e3o dos professores.<\/p>\n<p>2. \u00c9 compreens\u00edvel que numa turma com muitos alunos, um professor se esque\u00e7a de usar todas as estrat\u00e9gias que lhe s\u00e3o recomendadas para a inclus\u00e3o de determinado estudante. O que n\u00e3o se compreende \u00e9 a ignor\u00e2ncia propositada das necessidades vis\u00edveis. Numa aula de l\u00edngua estrangeira, o aluno cego perguntou \u00e0 professora como se escrevia o nome que acabava de dizer. A resposta foi imediata \u201cest\u00e1 no quadro\u201d. A experi\u00eancia que passo agora a relatar \u00e9 um excelente exemplo de uma atitude inclusiva. Tinha-me inscrito naquela disciplina por op\u00e7\u00e3o. No fim de uma aula, a professora disse-me que, na pr\u00f3xima, ir\u00edamos ver um v\u00eddeo e perguntou-me se me importaria que ela trouxesse uma grava\u00e7\u00e3o em cassete \u00e1udio (naquela altura os mp3 n\u00e3o estavam massificados), com a descri\u00e7\u00e3o do filme. Tal sugest\u00e3o pareceu-me quase irrealista, tantas as vezes em que foram passados v\u00eddeos nas aulas e nenhuma vez aquela em que os professores se haviam preocupado muito com a minha presen\u00e7a ali, no m\u00e1ximo, lamentarem eu n\u00e3o poder v\u00ea-lo e sugerirem que pedisse a um colega para mo descrever, ou simplesmente dispensarem-me da aula. Assim, pensei com os meus bot\u00f5es se aquela ideia n\u00e3o seria apenas uma boa inten\u00e7\u00e3o sem consequ\u00eancias. Na aula seguinte, muni-me de leitor de cassetes e de auscultadores, mas estava j\u00e1 a preparar-me para uma sess\u00e3o de divaga\u00e7\u00e3o pessoal, caso a cassete n\u00e3o viesse. Enganei-me, felizmente. No amontoado de cassetes \u00e1udio que guardo com material escolar, est\u00e1 essa rel\u00edquia, gravada com a voz da professora com a descri\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo que, por uma vez, me foi dado acompanhar em simult\u00e2neo com os meus colegas.<\/p>\n<p>3. No livro \u201cEduca\u00e7\u00e3o Inclusiva \u2013 o que o professor tem a ver com isso?\u201d, coordenado por Marta Almeida Gil , \u00e9-nos dito que n\u00e3o existem receitas feitas para a inclus\u00e3o e que as solu\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo constru\u00eddas, sendo-nos oferecidas muitas dicas e testemunhos de pr\u00e1ticas inclusivas. Fica a sugest\u00e3o.<\/p>\n<p>Para terminar as cr\u00f3nicas dedicadas a marcas deixadas por professores em estudantes com defici\u00eancia, ficam algumas reflex\u00f5es sobre como as expectativas, ou a falta delas, deixam as suas marcas.<\/p>\n<p>1. A defici\u00eancia de uma pessoa produz muitas vezes nos outros expectativas ora negativas, ora demasiado positivas face \u00e0s suas possibilidades de ac\u00e7\u00e3o. Explicando melhor, ou assume-se como certo que a pessoa n\u00e3o conseguir\u00e1 realizar a maior parte das actividades, devido a enormes dificuldades que se lhes antecipam, ou acredita-se que o conseguir\u00e3o por ter caracter\u00edsticas muito especiais, compensat\u00f3rias, quase geniais, desvalorizando-se as necessidades que derivam de condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou sensoriais deficit\u00e1rias. Assim, os professores poder\u00e3o ter tamb\u00e9m este tipo de percep\u00e7\u00f5es, traduzidas em expectativas negativas ou excessivamente positivas. Ainda recentemente um colega cego contou-me que um professor, tendo conhecimento da sua boa nota num exame de admiss\u00e3o \u00e0 Licenciatura, minimizava as suas dificuldades, inerentes \u00e0 cegueira, para aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, afirmando que certamente ele iria sair-se sempre bem. Uma das coisas que conduz a estas cren\u00e7as \u00e9 a projec\u00e7\u00e3o que cada um de n\u00f3s faz quando se imagina com as dificuldades de outro, supondo que para as superar s\u00e3o necess\u00e1rias compet\u00eancias extraordin\u00e1rias. Al\u00e9m disso, o facto dos estudantes com defici\u00eancia utilizarem tecnologias que s\u00e3o estranhas a muitos professores podem contribuir para esta ideia de que a pessoa \u00e9 realmente excepcional.<\/p>\n<p>2. S\u00f3 nos dedicamos verdadeiramente naquilo face ao que temos expectativas positivas. Estas expressam-se num apoio efectivo por parte dos professores, quer atrav\u00e9s de estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas flex\u00edveis, de ced\u00eancia dos materiais de estudo e de avalia\u00e7\u00e3o adequados, ou atrav\u00e9s de um simples est\u00edmulo numa palavra de encorajamento.<\/p>\n<p>3. Pior do que a falta de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre a tem\u00e1tica, a falta de empenho e de imagina\u00e7\u00e3o, pior mesmo que tudo \u00e9 o preconceito, expresso em expectativas negativas, que abalam a auto-estima de qualquer estudante. Exemplo disso s\u00e3o os professores que se perguntam, ou se atrevem mesmo a perguntar ao pr\u00f3prio estudante, o que est\u00e1 ali a fazer, que devia pensar noutra coisa para se ocupar, e que lhe apresentam o veredicto de incompet\u00eancia perp\u00e9tua. Quanta m\u00e1goa percebi em duas estudantes, utilizadoras de cadeira de rodas devido a paralisias distintas que afectaram a sua motricidade, ao contar-me que a sua professora da escola prim\u00e1ria, num caso, e v\u00e1rios professores do Ensino Secund\u00e1rio, no outro, lhes haviam dito que n\u00e3o conseguiriam ir longe. E quanta dor naquela estudante universit\u00e1ria que relatava como uma sua professora a instigava a desistir ou a mudar de curso, alegando que a sua defici\u00eancia (note-se, a defici\u00eancia, n\u00e3o a compet\u00eancia) era incompat\u00edvel com o desempenho de futuras fun\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n<p>4. Estas s\u00e3o mem\u00f3rias que ficam gravadas a ferro e fogo e podem servir como est\u00edmulo, incentivo, desinvestimento, raiva. Quanto mais vivencio e observo estas situa\u00e7\u00f5es, mais comprovo que o que os estudantes anseiam \u00e9 que acreditem neles. N\u00e3o que os professores acreditem que um estudante com paraplegia ultrapassar\u00e1 qualquer obst\u00e1culo f\u00edsico com boa vontade ou que um estudante com defici\u00eancia auditiva acompanhar\u00e1 as aulas sem ser necess\u00e1ria qualquer adapta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. Apenas que se acredite nas suas possibilidades de avan\u00e7ar, de crescer. Fa\u00e7o votos que as expectativas realistas e o apoio eficaz ganhem terreno e destronem pr\u00e1ticas e cren\u00e7as destrutivas.<\/p>\n<p><\/span><\/span><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.activemeter.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">* <\/a><span style=\"font-size:10pt;font-family:Verdana;\" lang=\"PT\">Psic\u00f3loga, trabalha no Gabinete de Apoio ao Estudante com Defici\u00eancia da  Universidade do Minho em Portugal. <span class=\"328204112-11062008\">Ah&#8230;  \u00e9<\/span> uma pessoa cega.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Marcas de professores&#8221; Sandra Est\u00eav\u00e3o Rodrigues * \u00c9 lugar comum que os professores deixam marcas nas nossas vidas. 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