{"id":6961,"date":"2009-04-15T12:47:13","date_gmt":"2009-04-15T12:47:13","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/?p=6961"},"modified":"2009-04-15T12:47:13","modified_gmt":"2009-04-15T12:47:13","slug":"por-que-somos-como-somos-a-psicologia-evolucionista-e-a-natureza-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=6961","title":{"rendered":"Por que somos como somos? A psicologia evolucionista e a natureza humana*"},"content":{"rendered":"<p>Por Maria Em\u00edlia Yamamoto<\/p>\n<p>O homem, distintamente de outras esp\u00e9cies, procura respostas a perguntas tais como a do t\u00edtulo deste artigo e faz indaga\u00e7\u00f5es sobre suas origens e caracter\u00edsticas. Boa parte do conhecimento produzido na \u00e1rea das ci\u00eancias humanas e sociais diz respeito a indaga\u00e7\u00f5es como essa, sobre o comportamento e a natureza humanos. Uma das disciplinas que fornece algumas das respostas mais inspiradoras \u00e9 a psicologia evolucionista. Esta \u00e9 uma disciplina recente, multidisciplinar, que nasceu de uma s\u00edntese entre a psicologia cognitiva e a teoria da evolu\u00e7\u00e3o, e que utiliza conhecimentos de v\u00e1rias outras \u00e1reas, como a neuroci\u00eancia e a antropologia. A abordagem evolutiva parte do pressuposto que o homem, assim como todos os outros seres vivos, \u00e9 o produto de um processo evolutivo. Isto significa que nossa natureza \u00e9 determinada, al\u00e9m de nossa cultura, pela nossa biologia. Nossas caracter\u00edsticas, n\u00e3o apenas anat\u00f4micas, mas tamb\u00e9m neurocognitivas e de comportamento, foram selecionadas em respostas a press\u00f5es evolutivas durante o processo de nossa evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que s\u00e3o press\u00f5es evolutivas e como elas agem sobre os seres vivos? Darwin, ao propor a teoria da evolu\u00e7\u00e3o, estabeleceu que o processo evolutivo s\u00f3 poderia ocorrer se houvesse variabilidade gen\u00e9tica na popula\u00e7\u00e3o e se essa variabilidade influenciasse diferencialmente a sobreviv\u00eancia e a reprodu\u00e7\u00e3o. Aqueles que apresentam caracter\u00edsticas que favorecem essas capacidades deixam mais descendentes e passam essas mesmas caracter\u00edsticas adiante. Quando isto acontece ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es essas caracter\u00edsticas transformam-se em adapta\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o tra\u00e7os, sejam eles anat\u00f4micos, fisiol\u00f3gicos ou cognitivos, que permitem ao indiv\u00edduo resolver da melhor maneira poss\u00edvel os problemas que o ambiente apresenta. \u00c9 claro que o que \u00e9 adaptativo em um ambiente n\u00e3o o ser\u00e1 em outro; portanto, adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo de absoluto, mas sim relativo ao ambiente em que o organismo se encontra, e pode mudar em fun\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis geogr\u00e1ficas, temporais e sociais (por ex., a densidade populacional, a composi\u00e7\u00e3o et\u00e1ria ou de g\u00eanero da popula\u00e7\u00e3o, etc).<\/p>\n<p>A relatividade temporal das adapta\u00e7\u00f5es est\u00e1 sempre presente, uma vez que um organismo que consegue sobreviver e reproduzir passa para seus descendentes as adapta\u00e7\u00f5es a aspectos do ambiente que estavam presentes em seu tempo de vida. Esta mesma adapta\u00e7\u00e3o pode passar para v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es seguintes, mesmo que o ambiente tenha mudado, pois as mudan\u00e7as produzidas na popula\u00e7\u00e3o pela sele\u00e7\u00e3o natural podem levar um tempo muito mais longo do que as altera\u00e7\u00f5es do ambiente, que podem ser muito r\u00e1pidas. Por exemplo, a agricultura e a pecu\u00e1ria surgiram h\u00e1 apenas 10 mil anos, o que em termos evolutivos \u00e9 um per\u00edodo muito breve. Essas \u201cnovidades\u201d evolutivas permitiram, entre outras coisas, a passagem de uma vida n\u00f4made para o estabelecimento de locais fixos de moradia e a produ\u00e7\u00e3o de excesso de recursos, que deu origem a um crescimento dram\u00e1tico da popula\u00e7\u00e3o. Passamos ent\u00e3o, muito rapidamente, para um modo de vida de ca\u00e7ador-coletor, caracterizado por pequenos grupos n\u00f4mades, com alto grau de parentesco, para grupos urbanos em cidades superpopuladas, nas quais cruzamos todos os dias com pessoas que nunca mais veremos novamente. Esse per\u00edodo de 10 mil anos foi insuficiente para que v\u00e1rias das adapta\u00e7\u00f5es ao modo de vida ca\u00e7ador-coletor fossem substitu\u00eddas por adapta\u00e7\u00f5es a aspectos mais recentes do meio ambiente. Podemos ent\u00e3o dizer que somos criaturas pr\u00e9-hist\u00f3ricas vivendo em um mundo moderno e, como tal, mantemos v\u00e1rios tra\u00e7os que respondem a desafios enfrentados por nossos ancestrais em um passado distante, o Ambiente de Adapta\u00e7\u00e3o Evolutiva (AAE).<\/p>\n<p>Quando o ambiente muda, o comportamento pode se mostrar inadequado \u00e0s novas circunst\u00e2ncias. Obviamente, as press\u00f5es seletivas podem levar \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de novas adapta\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, o tempo necess\u00e1rio para que elas evoluam \u00e9 sempre muito mais longo do que o necess\u00e1rio para que as altera\u00e7\u00f5es ambientais ocorram. Em consequ\u00eancia, alguns dos comportamentos que exibimos est\u00e3o mais bem adaptados ao AAE do que ao ambiente atual. Ao analisar o comportamento \u00e9 importante considerar, portanto, n\u00e3o apenas as causas presentes no tempo de vida do indiv\u00edduo, ou causas pr\u00f3ximas, mas tamb\u00e9m como nossa natureza foi moldada pelos desafios que nossos ancestrais tiveram que enfrentar, e que resultaram em uma esp\u00e9cie com as caracter\u00edsticas que reconhecemos como humanas. Em outras palavras, somos como somos porque nossa esp\u00e9cie e as esp\u00e9cies que a antecederam superaram desafios colocados pelo ambiente que levaram \u00e0 modelagem da natureza humana, e porque com essa mesma natureza b\u00e1sica hoje enfrentamos um ambiente em grande parte diferente daquele no qual ela foi moldada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nosso comportamento parece t\u00e3o distinto do de nossos ancestrais que \u00e9 dif\u00edcil aceitar que somos de fato os mesmos. Na realidade, somos o produto de nossa biologia tanto quanto o somos de nossa cultura. A esp\u00e9cie humana, talvez mais do que qualquer outra esp\u00e9cie, apresenta uma incr\u00edvel plasticidade comportamental que \u00e9 considerada um dos padr\u00f5es mais importantes na hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o humana e que responde por essa incr\u00edvel diversidade entre as v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Vou discutir dois exemplos que mostram o efeito conjunto do ambiente e das experi\u00eancias pessoais, a\u00ed inclu\u00edda a cultura, na express\u00e3o do comportamento e a manuten\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os selecionados em nosso passado evolutivo, evidenciando o descompasso temporal mencionado acima.<\/p>\n<p>Neofobia e neofilia: o que comer?<\/p>\n<p>A vida humana, como a dos animais, gira, em grande parte, em torno da alimenta\u00e7\u00e3o. Obter alimentos e com\u00ea-los era, provavelmente, uma atividade de alto custo para nossos ancestrais, pelo tempo que ocupava e pelos riscos envolvidos. Durante a maior parte da evolu\u00e7\u00e3o humana, nossos ancestrais, como qualquer animal selvagem, tinham que sobreviver daquilo que conseguiam retirar da natureza. Quanto os nossos corpos e mentes foram transformados pela mudan\u00e7a de um ambiente ancestral para outro moderno? No ambiente ancestral (o AAE, j\u00e1 discutido anteriormente), alimentos potenciais eram raros e perigosos, animais e plantas apresentavam defesas qu\u00edmicas, mec\u00e2nicas e comportamentais desenvolvidas para n\u00e3o sofrer preda\u00e7\u00e3o. Em contraste, atualmente a alimenta\u00e7\u00e3o deixou de ter um car\u00e1ter puramente nutricional e passou a ser vista como culin\u00e1ria e\/ou gastronomia, onde o mais importante n\u00e3o \u00e9 necessariamente a presen\u00e7a de alimento, mas sim o ambiente de degusta\u00e7\u00e3o, o aparato de apresenta\u00e7\u00e3o, o prest\u00edgio do local. Certamente, mudamos muito. Por\u00e9m, surpreendentemente, ainda carregamos em nossos genes h\u00e1bitos que eram adaptativos \u00e0s demandas apresentadas pelo ambiente ancestral e que hoje, diante das altera\u00e7\u00f5es das condi\u00e7\u00f5es de vida, n\u00e3o mais o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Nosso aparato sensorial, heran\u00e7a de nossos ancestrais, nos prepara para lidar com os alimentos dispon\u00edveis no ambiente. Nossas predisposi\u00e7\u00f5es em preferir alguns sabores em rela\u00e7\u00e3o a outros, foi moldada em um ambiente de adapta\u00e7\u00e3o evolutiva. N\u00e3o respondemos apenas aos sabores \u2013 respondemos \u00e0 familiaridade que temos com os alimentos. N\u00e3o por acaso, cada cultura tem sua culin\u00e1ria t\u00edpica, que \u00e9 um dos padr\u00f5es mais duradouros quando h\u00e1 mudan\u00e7a de ambiente. Grupos \u00e9tnicos que se mudam para outro local ou pa\u00eds mant\u00e9m suas tradi\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias mesmo quando outros aspectos s\u00e3o abandonados em favor daqueles presentes no novo local. A relut\u00e2ncia em experimentar alimentos novos \u00e9 chamada pelos nutricionistas de neofobia alimentar, assim como a predisposi\u00e7\u00e3o em aceitar alimentos novos \u00e9 chamado de neofilia alimentar.<\/p>\n<p>A neofobia e a neofilia alimentar provavelmente trouxeram vantagens adaptativas a nossos ancestrais. Ampliar a variabilidade na composi\u00e7\u00e3o da dieta significava aumentar as chances de encontrar alimentos, mas ser cauteloso com um alimento desconhecido significava evitar ingerir algo t\u00f3xico ou prejudicial \u00e0 sa\u00fade. Isto coloca um dilema a todas as esp\u00e9cies que s\u00e3o on\u00edvoras (que t\u00eam uma dieta ampla e diversificada), e que nos acompanha, como esp\u00e9cie on\u00edvora que somos, at\u00e9 hoje. O pesquisador canadense Paul Rozin chama este fen\u00f4meno de dilema do on\u00edvoro, que se estabelece quando um indiv\u00edduo tem boas raz\u00f5es tanto para aceitar (amplia\u00e7\u00e3o da dieta) quanto para rejeitar (possibilidade de envenenamento ou intoxica\u00e7\u00e3o) alimentos novos.<\/p>\n<p>Ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios mecanismos se desenvolveram para lidar com este dilema, de modo a permitir a incorpora\u00e7\u00e3o de alimentos novos e, ao mesmo tempo, tentar diminuir os riscos. Embora, no ambiente moderno, os riscos envolvidos na incorpora\u00e7\u00e3o de novos alimentos sejam muito pequenos, conservamos tanto a relut\u00e2ncia relativa aos novos alimentos quanto os mecanismos de facilita\u00e7\u00e3o de sua aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mais simples desses mecanismos deriva-se de nosso aparato sensorial, que responde diferencialmente aos diferentes gostos. Desde muito cedo mostramos prefer\u00eancia pelos gostos doce e salgado e rejei\u00e7\u00e3o aos azedo e amargo. Estas prefer\u00eancias provavelmente protegeram nossos ancestrais, pois alimentos que cont\u00e9m subst\u00e2ncias t\u00f3xicas em geral t\u00eam gosto azedo ou, mais frequentemente, amargo.<\/p>\n<p>Outro mecanismo, este exclusivamente humano, \u00e9 o chamado princ\u00edpio do sabor. Este procedimento consiste em adicionar familiaridade a alimentos desconhecidos ou ex\u00f3ticos atrav\u00e9s do uso de condimentos caracter\u00edsticos de uma cultura. Este princ\u00edpio d\u00e1 a um alimento novo um \u201ccertificado de seguran\u00e7a\u201d e fornece uma solu\u00e7\u00e3o cultural ao dilema do on\u00edvoro, compatibilizando a disponibilidade de alimentos com a predisposi\u00e7\u00e3o de aceitar o que \u00e9 conhecido, caracter\u00edstico do seu humano.<\/p>\n<p>Outro fator que parece influenciar os padr\u00f5es alimentares \u00e9 a presen\u00e7a de outras pessoas. Uma refei\u00e7\u00e3o \u00e9 um evento social e a presen\u00e7a de outros pode aumentar a probabilidade de aceita\u00e7\u00e3o de alimentos novos, fato que vem sendo chamado na literatura cient\u00edfica de facilita\u00e7\u00e3o social. Estudos encontraram uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre n\u00famero de pessoas durante uma refei\u00e7\u00e3o e a quantidade de alimento ingerido, ou seja, quanto maior o n\u00famero de pessoas durante uma refei\u00e7\u00e3o, maior a quantidade de alimento ingerido pelas pessoas. Este mecanismo funciona com incentivos expl\u00edcitos, por exemplo, quando s\u00e3o emitidas opini\u00f5es sobre os alimentos sendo oferecidos, como tamb\u00e9m atrav\u00e9s do modelo, pois mesmo quando n\u00e3o s\u00e3o emitidas opini\u00f5es, a simples presen\u00e7a de outras pessoas se alimentando favorece a ingest\u00e3o de novos alimentos. Novamente, o grupo social age como garantia da qualidade do alimento, o que provavelmente foi um indicador importante para nossos ancestrais. O que outros comiam sem consequ\u00eancias danosas poderia ser incorporado \u00e0 dieta com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando somamos nossas predisposi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas na prefer\u00eancia pelos gostos b\u00e1sicos \u00e0s caracter\u00edsticas ambientais e culturais chegamos a uma complexa rede de influ\u00eancias sobre o comportamento alimentar moldada pelo processo evolutivo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, atualmente, novas preocupa\u00e7\u00f5es \u2013 que nunca estiveram presentes em nossos ancestrais \u2013 nos perseguem: o sobrepeso e a obesidade. Especialmente na sociedade ocidental h\u00e1 alimentos em excesso. Desses, parecemos preferir aqueles que s\u00e3o gordurosos e doces, exatamente aqueles que os m\u00e9dicos nos sugerem evitar. Infelizmente, assim como herdamos prefer\u00eancia pelos gostos b\u00e1sicos, tamb\u00e9m herdamos de nossos ancestrais um grande apetite, especialmente por alimentos gordurosos e doces. No ambiente no qual nossos ancestrais viveram, esses tipos de alimento eram escassos ou os nutrientes eram pouco concentrados nos alimentos dispon\u00edveis. Por esta raz\u00e3o, nossos ancestrais gastavam grande parte do tempo \u00e0 procura de alimentos para suprir as necessidades de gorduras e a\u00e7\u00facares e, quando os encontravam, provavelmente consumiam em grande quantidade; afinal, n\u00e3o podiam prever quando os encontrariam novamente. Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria atividade de procura de alimento e a vida n\u00f4made faziam deste nosso ancestral um indiv\u00edduo extremamente ativo, ao contr\u00e1rio do sedentarismo da moderna vida urbana. Respondemos ao alimento e \u00e0 atividade f\u00edsica como se viv\u00eassemos em um mundo com escassez de alimentos ricos em gorduras e a\u00e7\u00facares e com exig\u00eancia de altos n\u00edveis de atividade f\u00edsica. Resultado: excesso de peso.<\/p>\n<p>Tendo em vista esse grande apetite herdado e a disponibilidade de alimentos durante todo o ano, processados de forma a se tornarem mais saborosos (com maior concentra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares e gordura), n\u00e3o \u00e9 de estranhar que o problema de sobrepeso tenha adquirido grande destaque em nossa sociedade. Com os alimentos dispon\u00edveis conseguimos suprir nossa necessidade di\u00e1ria de nutrientes e ingerimos facilmente mais do que precisamos. No passado evolutivo, nossos ancestrais enfrentaram problemas de sa\u00fade pela falta de gordura e a\u00e7\u00facares na dieta. Hoje, enfrentamos problemas de sa\u00fade pelo excesso de gordura e a\u00e7\u00facares.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, neofilia e obesidade est\u00e3o relacionadas? N\u00e3o necessariamente. Neofilia e neofobia dizem respeito \u00e0 diversidade da dieta, n\u00e3o \u00e0 quantidade de alimentos ingeridos. Neof\u00f3bicos regulam o que comem, n\u00e3o o quanto comem. Dessa maneira, um indiv\u00edduo pode comer muito de alguns poucos itens alimentares (neof\u00f3bico) enquanto outro pode comer pouco de uma quantidade muito variada de alimentos (neof\u00edlico). Ent\u00e3o, pode-se observar um obeso que assim o \u00e9 por comer quantidades exageradas apenas de feij\u00e3o com farinha, ou por comer uma diversidade de alimentos de todas as partes do mundo, tamb\u00e9m em quantidade exagerada.<\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o e coaliz\u00e3o de grupo: o c\u00edrculo virtuoso<\/p>\n<p>Nos v\u00e1rios jogos sociais aos quais somos chamados a participar, na vida cotidiana, nosso maior problema \u00e9 atrair o parceiro certo. Uma vez identificado, um parceiro confi\u00e1vel pode vir a se tornar um parceiro frequente e levar \u00e0 exclus\u00e3o dos parceiros que preferem n\u00e3o cooperar. Por exemplo, preferimos escolher para uma atividade conjunta no trabalho ou na escola aqueles que sabemos, em geral por experi\u00eancia anterior, que n\u00e3o se negam a trabalhar duro e que n\u00e3o fazem \u201ccorpo mole\u201d. Estes podem ser chamados de virtuosos, que assim agem porque isso lhes permite somar for\u00e7as com outros, tamb\u00e9m virtuosos, em benef\u00edcio de todos os virtuosos. \u00c9 o que eu chamo do c\u00edrculo virtuoso.<\/p>\n<p>Nossos ancestrais ca\u00e7adores-coletores formavam grupos extremamente pac\u00edficos e igualit\u00e1rios. No entanto, a an\u00e1lise da vida de ca\u00e7adores-coletores modernos, como os que ocorrem na Nova Guin\u00e9, mostra que a taxa de morte por homic\u00eddio \u00e9 muito maior da que ocorre nas sociedades urbanas ocidentais modernas. A aparente contradi\u00e7\u00e3o se explica pelo fato de que esses homic\u00eddios t\u00eam lugar, fundamentalmente, nas disputas entre grupos. A press\u00e3o evolutiva pode jogar grupos contra grupos e, na esp\u00e9cie humana, dar origem ao conhecido n\u00f3s versus eles. Como isto acontece?<\/p>\n<p>Ruth Mace, uma pesquisadora do College of London, sugere que as pr\u00f3prias culturas levantam barreiras ao movimento de pessoas e ideias, mesmo hoje em dia. Embora isto tenha sido muito atenuado em fun\u00e7\u00e3o das facilidades de transportes e de comunica\u00e7\u00e3o, durante a evolu\u00e7\u00e3o humana a prote\u00e7\u00e3o do grupo era crucial. Historicamente, grupos n\u00e3o apenas desempenhavam tarefas de forma cooperativa, mas tamb\u00e9m protegiam seu territ\u00f3rio contra outros grupos humanos. Dessa forma, era importante reconhecer os que pertenciam ao grupo e desconfiar de estranhos. Uma das formas de fazer isto \u00e9 identificar indiv\u00edduos que s\u00e3o aliados ou que pertencem a um determinado grupo. H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de fazer tais identifica\u00e7\u00f5es, como a distribui\u00e7\u00e3o espacial (quem anda com quem), a linguagem ou mesmo o sotaque, o vestu\u00e1rio e outras caracter\u00edsticas comuns.<\/p>\n<p>Esta identifica\u00e7\u00e3o permite, por um lado, a coopera\u00e7\u00e3o intragrupo e, por outro lado, a aliena\u00e7\u00e3o e a hostilidade aos que n\u00e3o pertencem ao grupo. Ridley (2000) cita a an\u00e1lise que John Hartung faz da frase judaico-crist\u00e3 \u201cama teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d, que conclui que a frase foi cunhada, por Mois\u00e9s, em um momento de grande desaven\u00e7a entre os israelitas. O objetivo era unir o grupo e pr\u00f3ximo refere-se especificamente aos filhos do povo, ou seja, aos outros israelitas. Exorta\u00e7\u00f5es \u00e0 moralidade e \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o s\u00e3o dirigidas ao grupo de pertin\u00eancia, visam aumentar a coes\u00e3o do grupo e, dessa forma, torn\u00e1-lo mais forte na competi\u00e7\u00e3o contra outros grupos.<\/p>\n<p>Grupos \u00e9tnicos t\u00eam rituais e padr\u00f5es que os tornam facilmente identific\u00e1veis. O conceito de ra\u00e7a, ou subesp\u00e9cie, no entanto, foi completamente desmantelado pela biologia evolutiva. As dificuldades que se apresentam para a classifica\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos polim\u00f3rficos, de popula\u00e7\u00f5es extremamente vari\u00e1veis, em tipos bem definidos, s\u00e3o enormes. N\u00f3s brasileiros, por exemplo, que vivemos em uma sociedade com alto grau de miscigena\u00e7\u00e3o, temos muitas dificuldades de classificar as pessoas em fun\u00e7\u00e3o de sua etnia, principalmente aqueles indiv\u00edduos que representam a mistura de v\u00e1rias etnias. Consequentemente, os bi\u00f3logos evolucionistas n\u00e3o consideram ra\u00e7a um conceito que vale a pena ser empregado. No entanto, isto n\u00e3o impede que as pessoas, intuitivamente, julguem que a categoriza\u00e7\u00e3o de pessoas em fun\u00e7\u00e3o principalmente da cor da pele \u00e9 tarefa simples. Obviamente, esta cren\u00e7a n\u00e3o se baseia no conceito biol\u00f3gico de ra\u00e7a \u2013frequentemente, a avalia\u00e7\u00e3o feita pelo olho humano n\u00e3o informado \u00e9 um guia pouco fidedigno quanto ao grau de diferencia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Por\u00e9m, \u00e9 esta base pouco segura no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es raciais, dando origem, no pior dos casos, a preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o e, em outros, \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de pretensas caracter\u00edsticas raciais.<\/p>\n<p>No entanto, a categoriza\u00e7\u00e3o do mundo em n\u00f3s versus eles deu origem a alguns dos mais terr\u00edveis conflitos na hist\u00f3ria da humanidade, como \u00e9 o caso de Kosovo, Ruanda ou o Holocausto. Pesquisas mostraram que o etnocentrismo, o favorecimento de seu pr\u00f3prio grupo e a indiferen\u00e7a ou hostilidade em rela\u00e7\u00e3o a grupos externos, existe em todas as culturas. Esses estudos sugerem que: a) a coopera\u00e7\u00e3o intragrupo e a competi\u00e7\u00e3o intergrupo s\u00e3o f\u00e1ceis de provocar; b) a cultura do n\u00f3s versus eles \u00e9 universal e \u00e9 desencadeada por alguns tipos de situa\u00e7\u00f5es sociais; c) a pertin\u00eancia a um ou outro grupo pode mudar rapidamente.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, liderado por Leda Cosmides, examinou essas quest\u00f5es \u00e0 luz de um problema que \u00e9 especialmente aflitivo para n\u00f3s, o preconceito racial. Estes autores apresentaram, a dois grupos de sujeitos, situa\u00e7\u00f5es nas quais havia um conflito entre grupos rivais, com combina\u00e7\u00f5es raciais semelhantes entre seus componentes, isto \u00e9, os grupos eram compostos de n\u00fameros iguais de brancos e negros. A apresenta\u00e7\u00e3o do conflito se dava atrav\u00e9s do relato daquilo que os indiv\u00edduos falavam. Por\u00e9m, em uma das situa\u00e7\u00f5es, todos os indiv\u00edduos vestiam camisetas de mesma cor; na outra situa\u00e7\u00e3o os indiv\u00edduos do mesmo grupo vestiam camisetas da mesma cor, mas os dois grupos vestiam camisetas de cores diferentes. Dessa maneira, era fornecido um segundo identificador da pertin\u00eancia ao grupo, al\u00e9m daquilo que os indiv\u00edduos falavam. A situa\u00e7\u00e3o experimental consistia em um teste no qual o participante tinha que se lembrar quem, entre indiv\u00edduos que supostamente pertenciam a dois times de basquete, havia dito uma determinada frase. Esta era uma tarefa dif\u00edcil porque havia muitas frases para serem lembradas; consequentemente, havia muitos erros. O que interessava ao grupo de pesquisadores era o tipo de erro cometido. Os participantes podiam confundir indiv\u00edduos que tinham a mesma cor de pele, mas que pertenciam a grupos diferentes, o que indicava que o crit\u00e9rio de codifica\u00e7\u00e3o era apenas a cor da pele; podiam confundir indiv\u00edduos que tinham a mesma cor de pele, mas pertenciam a grupos diferentes, o que indicava que o crit\u00e9rio de codifica\u00e7\u00e3o era duplo, a cor da pele e a pertin\u00eancia ao grupo; e podiam confundir indiv\u00edduos que n\u00e3o tinham a mesma cor de pele, mas pertenciam ao mesmo grupo, o que indicava que o crit\u00e9rio de codifica\u00e7\u00e3o era apenas a pertin\u00eancia ao grupo; finalmente, os participantes podiam confundir indiv\u00edduos que n\u00e3o tinham a mesma cor de pele e nem pertenciam ao mesmo grupo, o que indicava apenas um erro de mem\u00f3ria. Os erros do grupo exposto \u00e0 primeira condi\u00e7\u00e3o (camisetas da mesma cor) eram em sua maioria erros de codifica\u00e7\u00e3o nos quais confundiam indiv\u00edduos de uma cor de pele com outro indiv\u00edduo com a mesma cor de pele. Por outro lado, o grupo exposto \u00e0 segunda condi\u00e7\u00e3o (camisetas de cores diferentes) cometeu muito menos erros de codifica\u00e7\u00e3o relativos \u00e0 cor da pele e mais erros relativos \u00e0 codifica\u00e7\u00e3o da pertin\u00eancia ao grupo. Isto \u00e9, para o segundo grupo a cor da pele foi um crit\u00e9rio que perdeu import\u00e2ncia na identifica\u00e7\u00e3o de quem pertencia a qual grupo. Foi poss\u00edvel demonstrar, atrav\u00e9s de um procedimento chamado de protocolo de confus\u00e3o de mem\u00f3ria, que a codifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a podia ser diminu\u00edda, e at\u00e9 eliminada, no segundo caso, refor\u00e7ando a ideia que a ra\u00e7a serve como um indicador de pertin\u00eancia ao grupo na aus\u00eancia de outros indicadores mais claros, no caso, a cor da camiseta.<\/p>\n<p>A partir desses resultados os pesquisadores propuseram que a codifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a era uma express\u00e3o de uma psicologia subjacente de alian\u00e7as: um conjunto de programas mentais t\u00edpicos da esp\u00e9cie que evoluiu para regular a coopera\u00e7\u00e3o intragrupo e o conflito entre grupos no mundo desaparecido de nossos ancestrais ca\u00e7adores-coletores. Se isto estiver correto, ent\u00e3o a codifica\u00e7\u00e3o racial pode n\u00e3o ser inevit\u00e1vel, como proposto por v\u00e1rios psic\u00f3logos. Ao inv\u00e9s disso, a tend\u00eancia a categorizar os indiv\u00edduos pela sua ra\u00e7a pode ser um efeito colateral, altamente vol\u00e1til e mut\u00e1vel, de programas cuja fun\u00e7\u00e3o adaptativa \u00e9 detectar mudan\u00e7as em alian\u00e7as e coaliz\u00f5es. Uma implica\u00e7\u00e3o deste ponto de vista \u00e9 que a codifica\u00e7\u00e3o racial ir\u00e1 diminuir sempre que: (i) houver um conflito entre grupos rivais; (ii) a ra\u00e7a n\u00e3o for um preditor da pertin\u00eancia de grupo, e (iii) outras pistas, facilmente detect\u00e1veis forem preditores de pertin\u00eancia (por exemplo, cor da camisa, crach\u00e1s, time de futebol, etc).<\/p>\n<p>Cosmides e colaboradores prop\u00f5em que as pesquisas relatadas acima sugerem quatro conclus\u00f5es: a) a mente humana possui uma caracter\u00edstica universal que consiste em um conjunto de programas espec\u00edficos da esp\u00e9cie, que evolu\u00edram para regular a coopera\u00e7\u00e3o intragrupo e o conflito intergrupo em nosso ancestrais ca\u00e7adores-coletores; b) quando ativados, esses programas levam as pessoas a avaliar situa\u00e7\u00f5es que envolvem grupos rivais (n\u00f3s versus eles) favoravelmente aos grupos de pertin\u00eancia (n\u00f3s) e contra grupos externos (eles); c) um sub-conjunto desses programas representa uma especializa\u00e7\u00e3o para a detec\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as (quem est\u00e1 aliado a quem); d) categorias raciais e \u00e9tnicas consistem um sub-produto desses mecanismos de identifica\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as e podem ser facilmente erradicadas. A sele\u00e7\u00e3o natural nos dotou com mecanismos psicol\u00f3gicos que nos permitem identificar rapidamente indiv\u00edduos como pertinentes ao nosso grupo ou a outro grupo, e esta codifica\u00e7\u00e3o dirige nosso comportamento. Somos, portanto, animais sociais que favorecem seu grupo porque o fortalecimento do grupo, o c\u00edrculo virtuoso, beneficia cada um dos indiv\u00edduos que pertencem a ele. Por\u00e9m, estes mecanismos psicol\u00f3gicos s\u00e3o afetados pelas experi\u00eancias que temos ao longo da vida. Comparamos participantes de sete estados brasileiros, que apresentavam diferentes composi\u00e7\u00f5es raciais de sua popula\u00e7\u00e3o (de acordo com os dados do censo), atrav\u00e9s do mesmo procedimento utilizado por Cosmides e verificamos que os estados com uma maioria de pardos mostraram um decr\u00e9scimo mais acentuado na codifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a na condi\u00e7\u00e3o em que havia uma diferen\u00e7a entre os grupos (camisetas de cores diferentes). Aparentemente, a exposi\u00e7\u00e3o a um ambiente no qual h\u00e1 maior integra\u00e7\u00e3o racial diminui a import\u00e2ncia da ra\u00e7a na identifica\u00e7\u00e3o de pertin\u00eancia a um grupo.<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p>Vimos como nossa mente foi moldada ao longo do processo evolutivo para tomarmos decis\u00f5es sobre coisas t\u00e3o diversas como o que comer ou com quem cooperar. Este tipo de pensamento, evolucionista, tem frequentemente sido associado com determinismo gen\u00e9tico, isto \u00e9, com a ideia que o comportamento \u00e9 controlado exclusivamente pelos genes, sem haver espa\u00e7o para influ\u00eancias ambientais. Isto fica evidente quando se fala em gene para um comportamento ou tra\u00e7o como, por exemplo, o \u201cgene do homossexualismo\u201d ou o \u201cgene da obesidade\u201d. Afirma\u00e7\u00f5es como estas s\u00e3o, \u00e9 claro, bobagens. Os genes n\u00e3o determinam nosso comportamento, antes fornecem os mecanismos que nos permitem apreender informa\u00e7\u00f5es do meio. A observa\u00e7\u00e3o do desenvolvimento de crian\u00e7as \u00e9 talvez o exemplo mais fascinante dessa intera\u00e7\u00e3o biologia-meio ambiente. Rec\u00e9m nascidos respondem ao seu meio de forma seletiva, prestando mais aten\u00e7\u00e3o e respondendo aos est\u00edmulos que fazem mais sentido do ponto de vista evolutivo, isto \u00e9, que lhe permitir\u00e3o se adaptar e aprender ao ambiente no qual ir\u00e3o viver. \u00c9 o caso da linguagem e de outros est\u00edmulos sociais. Isto sugere que o beb\u00ea j\u00e1 nasce equipado para interagir de forma diferencial com seu meio e a aprender aquelas habilidades que ser\u00e3o importantes para a sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura na qual nasceu: que l\u00edngua falar, que alimentos comer, com quem interagir e cooperar.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o do biol\u00f3gico ao cultural est\u00e1 baseada, fundamentalmente, em duas fal\u00e1cias a respeito das caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas: que elas s\u00e3o invari\u00e1veis e que n\u00e3o s\u00e3o influenciadas pelo ambiente. Na realidade, a biologia (ou os genes ou o instinto) estabelece os limites da aprendizagem, marca as fronteiras da flexibilidade, ou, como gostamos de dizer em psicologia, delimita a amplitude das diferen\u00e7as individuais. O ser humano demonstra, por sua natureza biol\u00f3gica, extrema plasticidade comportamental. Por outro lado, tamb\u00e9m por natureza, \u00e9 social. A combina\u00e7\u00e3o da plasticidade com a sociabilidade (que \u00e9 de fundo biol\u00f3gico, pois faz parte da natureza humana) resulta em diferen\u00e7as individuais, sociais, culturais. Nem por isso deixamos, cada um de n\u00f3s, apesar de nossas diferen\u00e7as, de ser humanos.\u00a0<\/p>\n<p>Maria Em\u00edlia Yamamoto \u00e9 professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ligada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicobiologia, e coordena o Projeto do Instituto do Mil\u00eanio em Psicologia Evolucionista.<\/p>\n<p>(*) Artigo originalmente publicado na revista Ci\u00eancia Sempre, Vol. 4, p.12-17, 2008.<\/p>\n<p>Para saber mais:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00famero especial da revista Psique sobre psicologia evolucionista, ano II, no. 6, 2007.<\/p>\n<p>&#8211; Pinker, S. O instinto da linguagem. S\u00e3o Paulo, Martins Fontes. 2002.<\/p>\n<p>&#8211; Rose, M. O espectro de Darwin. Rio de Janeiro, Zahar. 2000.<\/p>\n<p>&#8211; Wright, R. O animal moral: porque somos como somos: a nova ci\u00eancia da psicologia evolucionista. Rio de Janeiro, Campus. 1996.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/comciencia\/?section=8&amp;edicao=45&amp;id=532\">http:\/\/www.comciencia.br\/comciencia\/?section=8&amp;edicao=45&amp;id=532<\/a><br \/>\nLicenciado pela Creative Commons 2.0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Em\u00edlia Yamamoto O homem, distintamente de outras esp\u00e9cies, procura respostas a perguntas tais como a do t\u00edtulo deste artigo e faz indaga\u00e7\u00f5es sobre suas origens e caracter\u00edsticas. Boa parte do conhecimento produzido na \u00e1rea das ci\u00eancias humanas e sociais diz respeito a indaga\u00e7\u00f5es como essa, sobre o comportamento e a natureza humanos. 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