{"id":8682,"date":"2009-06-30T10:21:16","date_gmt":"2009-06-30T10:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/agenciainclusive.wordpress.com\/?p=8682"},"modified":"2009-06-30T10:21:16","modified_gmt":"2009-06-30T10:21:16","slug":"nao-existimos-fora-de-uma-linguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inclusivenews.com.br\/?p=8682","title":{"rendered":"N\u00e3o existimos fora de uma linguagem"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sonia Regina Louren\u00e7o<\/strong> *<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">(Reproduzido com a autoriza\u00e7\u00e3o da autora)<\/p>\n<p>Como disse certa vez Pierre Bourdieu, \u201cexistir \u00e9 diferir\u201d, fazer distin\u00e7\u00f5es, classificar os outros. Toda pessoa est\u00e1 condenada \u00e0 linguagem. A realidade, ou o real do mundo ou o mundo real, \u00e9 linguagem simb\u00f3lica. N\u00e3o h\u00e1 nada fora do mundo que n\u00e3o resida na linguagem simb\u00f3lica, mesmo que opaca, cheia de rupturas, amarras e tens\u00f5es. H\u00e1 muitos mundos ainda desconhecidos. Colombo, ao chegar na Am\u00e9rica, acreditou que descobrira a Am\u00e9rica. Mas, dedicado a conhecer e nomear plantas e animais, n\u00e3o descobriu (compreendeu) os americanos (amer\u00edndios).<\/p>\n<p>Colombo n\u00e3o procurava verdades, mas confirma\u00e7\u00f5es a suas verdades conhecidas de antem\u00e3o. Tomava seus desejos por realidade, sua convic\u00e7\u00e3o e ignor\u00e2ncia misturavam-se, convic\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 experi\u00eancia. Colombo tinha o h\u00e1bito de ver as coisas de acordo com sua conveni\u00eancia. Isso soa t\u00e3o contempor\u00e2neo! Em que lugar a sociedade guarda o racismo, o etnocentrismo, o machismo e a homofobia? Em que medida h\u00e1 um pouco de Colombo em cada um?<\/p>\n<p>Os povos ind\u00edgenas ainda s\u00e3o idealizados por boa parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira e mundial como povos \u201cselvagens, primitivos, pregui\u00e7osos, depauperados e sem cultura\u201d, o negativo do espelho civilizat\u00f3rio ocidental. O que ter\u00edamos da \u201cnossa cultura\u201d para ensinar aos \u00edndios? Quem s\u00e3o os \u00edndios? Quem somos n\u00f3s para decidirmos o que \u00e9 melhor para o outro? O etnocentrismo \u00e9 uma pr\u00e1tica universal que consiste em repudiar as formas e express\u00f5es culturais estranhas, estrangeiras em suas dimens\u00f5es morais, religiosas, econ\u00f4micas, sociais e est\u00e9ticas. Mas a constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica na aceita\u00e7\u00e3o. Tal pr\u00e1tica \u00e9 a recusa de admitir a diversidade cultural, preferindo-se lan\u00e7ar para fora da l\u00f3gica cultural e, dentro da natureza, tudo o que n\u00e3o se conforma com aquilo que se pensa que \u00e9 a norma sob a qual se vive.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de humanidade, de normalidade e de civilidade cessa nas fronteiras da tribo, do grupo lingu\u00edstico, da aldeia, do bairro, da cidade e do Pa\u00eds. L\u00e9vi-Strauss nos ensina ainda que o discurso da igualdade entre todas as pessoas nega a diferen\u00e7a cultural, porque o ser humano n\u00e3o realiza sua natureza numa humanidade abstrata, mas em cosmologias, rela\u00e7\u00f5es sociais, socialidades e identidades. A longa experi\u00eancia antropol\u00f3gica e hist\u00f3rica do homem mostra e confirma que n\u00e3o existimos fora da linguagem. Somos feitos da carne e do sangue, mas, principalmente, do discurso. Estamos em uma matriz de rela\u00e7\u00f5es que est\u00e3o, a todo o momento, refazendo-se e refazendo outras. Como negar viver em sociedade sem a diferen\u00e7a? Porque chamamos o outro de diferente? Existe algo que nos faz melhor, superiores ou normais em rela\u00e7\u00e3o ao outro?<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias das na\u00e7\u00f5es modernas do Ocidente n\u00e3o foram suficientes para nos ensinar algo sobre a vida em sociedade. A sombra do mal, met\u00e1fora usada para falar ou lembrar de sistemas totalit\u00e1rios que fizeram hist\u00f3ria \u2013 processos de coloniza\u00e7\u00e3o, domina\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio de povos do mundo pelos imp\u00e9rios europeus dos s\u00e9culos 15 ao 21 \u2013 percorre nosso cotidiano. O imp\u00e9rio romano, o fascismo e o nazismo, as ditaduras na Am\u00e9rica Latina, as guerras nos B\u00e1lc\u00e3s, a invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o e do Iraque, a viol\u00eancia contra gays, l\u00e9sbicas, travestis e intersex, afrodescendentes, mulheres, moradores de rua e crian\u00e7as s\u00e3o retratos de sociedades que se recusam a olhar para si e aceitar as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>O \u00f3dio de classe, o racismo, a homofobia (\u00f3dio e abje\u00e7\u00e3o contra as rela\u00e7\u00f5es homoafetivas), as v\u00e1rias modalidades de viol\u00eancia contra as mulheres (ass\u00e9dio sexual e moral, estupro, exclus\u00e3o na esfera p\u00fablica da pol\u00edtica e do trabalho), o preconceito contra povos ind\u00edgenas e suas terras, s\u00e3o sinais de que as coisas n\u00e3o v\u00e3o bem. Em que medida vivemos em um mundo democr\u00e1tico que construiu, legitimou nas suas Constitui\u00e7\u00f5es soberanas, a defesa dos direitos humanos, o direito \u00e0 diferen\u00e7a e a igualdade de condi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Homi Bhabha ensina que \u00e9 preciso pensar a ideia de cultura como um problema da enuncia\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. O problema, de acordo com Bhabha, reside no discurso autorit\u00e1rio cuja enuncia\u00e7\u00e3o fala em nome de e no lugar do outro, produzindo classifica\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es. A diferen\u00e7a cultural no campo das palavras e dos discursos recoloca velhas ideias bin\u00e1rias como passado e presente, tradi\u00e7\u00e3o e modernidade, o bem e o mal, o normal e o patol\u00f3gico, primitivos e civilizados.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o do discurso m\u00edtico, autorit\u00e1rio e conservador ungido pelas sensa\u00e7\u00f5es de medo, abje\u00e7\u00e3o e p\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o a pessoas com orienta\u00e7\u00e3o sexual gay, l\u00e9sbica ou intersex ou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ou afrodescendentes, fornecem condi\u00e7\u00f5es para, em nome da tradi\u00e7\u00e3o e do racismo, de um passado infiel \u00e0 mem\u00f3ria hist\u00f3rica, a reprodu\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o social, da viol\u00eancia e do preconceito.<\/p>\n<p>Basear-se em ideias pr\u00e9-concebidas fundadas em um c\u00edrculo de pr\u00e1ticas e significados de um mundo herm\u00e9tico voltado para o umbigo e fechado ao outro quando se quer falar, classificar ou julgar esse outro \u00e9 recusar a multiplicidade do ser humano. Quem det\u00e9m o poder de falar e julgar o outro? Quem deve falar pelo outro? A quest\u00e3o do outro est\u00e1 mal colocada na tradi\u00e7\u00e3o ocidental, porque se busca, sempre, um outro que \u00e9 sempre o outro do mesmo, o outro do pr\u00f3prio sujeito e n\u00e3o um outro sujeito a ele, irredut\u00edvel e de dignidade equivalente. Isto significa que ainda n\u00e3o existiu realmente a aceita\u00e7\u00e3o e o reconhecimento do outro em suas multiplicidades de exist\u00eancia. Porque n\u00e3o optarmos pela diferen\u00e7a \u00e0 uniformidade, a liberdade ao poder, o devir \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, o fluxo e o m\u00faltiplo \u00e0s unidades e aos blocos.<\/p>\n<p>A recusa da diversidade e a nega\u00e7\u00e3o das identidades \u00e9 a express\u00e3o da incapacidade de conhecimento do outro. Os \u201csubalternos\u201d, ex-escravos, indesejados, clandestinos, abjetos, entram em cena se apoderando da modernidade para criar novas formas de estar no mundo, novas formas de pensamento e de enuncia\u00e7\u00e3o. Todos os preconceitos citados ainda s\u00e3o problemas de Estado, da lei, dos direitos humanos, problemas que as pol\u00edticas p\u00fablicas das inst\u00e2ncias federal, estadual e municipal devem levar a s\u00e9rio tanto no reconhecimento quanto na cria\u00e7\u00e3o de leis, instrumentos e a\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio da cidadania dos direitos sociais que alcan\u00e7am a diversidade cultural no e do Brasil.<\/p>\n<p>*Sonia Regina Louren\u00e7o \u00e9 antrop\u00f3loga, doutoranda em antropologia social pela UFSC e coordenadora do Museu Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o e Coloniza\u00e7\u00e3o de Joinville.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sonia Regina Louren\u00e7o * (Reproduzido com a autoriza\u00e7\u00e3o da autora) Como disse certa vez Pierre Bourdieu, \u201cexistir \u00e9 diferir\u201d, fazer distin\u00e7\u00f5es, classificar os outros. Toda pessoa est\u00e1 condenada \u00e0 linguagem. 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