Conferência propõe liberar dados públicos

As organizações sociais devem estimular — inclusive dando o exemplo — a abertura de dados públicos na internet, defenderam especialistas reunidos na última quinta-feira na conferência Web para o Desenvolvimento, que envolveu profissionais ligados a sites de governos, ONGs e agências das Nações Unidas. “O princípio tem de ser a abertura máxima. Não só de documentos históricos, do passado, mas também do presente”, propôs o coordenador da área de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela.

O evento, promovido pela ONU com apoio da Petrobras, do Comitê Gestor da Internet Brasil e da Fundação Padre Anchieta, entre outros parceiros, termina nesta sexta-feira. Trata-se da sexta edição, a primeira na América Latina. “A web é um modo de a ONU transformar a forma como pode ser relevante”, disse o diretor da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, em sue discurso de abertura.

Um dos temas principais desta edição é justamente a transparência, assunto abordado por diversos palestrantes no primeiro dia. “Tem de ser uma web para todos, acessada de qualquer dispositivo, em qualquer lugar, segura e confiável”, resumiu Vagner Diniz, gerente do Consórcio World Wide Web (comunidade que busca desenvolver padrões comuns na internet). “As organizações públicas têm de ter os dados abertos, num formato aberto, para que sejam reaproveitáveis pela sociedade, livres para serem interpretados”, afirmou. Sob esse critério, dados em formatos que um leigo dificilmente consegue copiar ou reorganizar — como PDF ou flash — “não são dados abertos”, detalhou.

Para Joel Selanikio, diretor de uma organização que desenvolve tecnologia para a área de saúde, a inspiração tem de ser os recursos que vêm fazendo tanto sucesso nos últimos anos, como Facebook e Gmail: sites e aplicativos devem ser gratuitos e simples a ponto de os internautas navegarem sem ter de precisar de ajuda.

“É preciso haver um índice geral. Os dados precisam ser organizados, identificados, facilmente encontráveis, os sites devem ser amigáveis para os usuários”, ecoou a diretora do escritório de Políticas de Informação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Melanie Ann Pustay.

Ela defendeu uma política de “liberação pró-ativa” da informação. Ou seja: não se deve esperar que o cidadão peça os dados — é preciso liberá-los antes. “Ainda é um desafio fazer as pessoas das organizações perceberem que não há problema em divulgar dados, que é bom disponibilizá-los. Mas é preciso mais do que isso: temos de nos adiantar e liberar antes que seja pedido”, declarou.

Claro que algumas informações, por razões de privacidade ou segurança, devem ser preservadas. “Mas isso deve ser a exceção. E mesmo as regras para isso precisam ser claras: em que caso não ser transparente?”, disse Canela, da UNESCO. “A internet criou uma nova realidade, em que o público cobra mais informação. Mas também criou ferramentas que permitem que nos antecipemos a isso”, observou.

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Fonte: PNUD

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