Caminhada reivindica acesso à educação

Caminhada foi realizada na tarde de ontem, na Beira Mar (Foto: KLÉBER A. GONÇALVES)

Mariana Toniatti
marianatoniatti@opovo.com.br

22 Mar 2010 – 01h03min

O Dia Internacional da Síndrome de Down foi celebrado ontem, 21 de março. Em Fortaleza, uma caminhada na avenida Beira Mar reivindicou mais uma vez o direito à inclusão com destaque para a importância do acesso à educação de qualidade

Alice, 7, estuda na mesma escola dos irmãos mais velhos. Depois da aula, faz natação. Deixou o balé e agora quer começar a capoeira. Sua rotina é tão movimentada quanto a das outras meninas da sua idade. O fato de ter síndrome de down não a impede de estuar e praticar esportes.

“As pessoas estão começando a ver o potencial dessas crianças que viviam isoladas. O segredo é estimulá-las desde cedo“, diz o pai de Alice, João Eduardo Hass Gonçalves, 45, integrante do grupo virtual Universo Down.

Ontem, junto com outras nove entidades, João Eduardo, Alice, e uma centena de pais e filhos com down desfilaram na avenida Beira Mar, da Praça dos Estressados ao anfiteatro, puxados pelo Maracatu Solar. A caminhada foi para marcar o Dia Internacional da Síndrome de Down, instituído em 2006 e desde então celebrado em Fortaleza.

A luta continua sendo pela inclusão que passa necessariamente pela acolhida das crianças com down nas escolas públicas e particulares. “O desafio maior é ter pessoas preparadas para acolher de forma inclusiva mesmo. Deixar no cantinho não serve“, diz Sheila Moreira, instrutora do Instituto Moreira de Sousa, que dá aula regular e reforço para 250 crianças com deficiência intelectual.

Apesar de ser proibido por lei, os pais relatam casos de escolas particulares que não aceitam a matrícula de alunos especiais alegando falta de preparo. Na rede pública, por força de lei, todas são aceitas, mas a qualidade do aprendizado dessas crianças ainda é problemático. “É medo do novo, falta de investimento, um conjunto de fatores“, diz Sandra Tavares, mãe do Alexandre, 10, que estuda num colégio particular junto com crianças que não têm deficiência intelectual.

“Acho que essa dificuldade toda da inclusão é um prejuízo para as crianças com down, que têm um perfil para mirar, o desafio de fazer como o coleguinha, e para as crianças que não têm dificuldades de aprendizado que aprendem a ter mais tolerância, mais respeito com quem tem um ritmo diferente“, diz Sandra.

Atualmente, 229 alunos com síndrome de down estão matriculados nas escolas municipais de Fortaleza.
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Fonte: O Povo online

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