Justiça, memória e verdade V Simpósio da Cátedra Unesco Unisinos de Direitos Humanos e Violência, Governo e Governança, acontece até 20/5, e teve como conferencista Maurice Politi, assessor da Secretaria Especial de Direitos Humanos
Texto: Danielle Titton Imagens: Maurício Montano
O auditório Bruno Hammes, das Ciências Jurídicas, estava lotado na noite da segunda-feira (17/5). Uma parceria entre a Graduação e os Programas de Pós-Graduação em Direito, Filosofia e Ciências Sociais, o Instituto Humanitas Unisinos e a Cátedra Unesco-Unisinos promoveu oV Simpósio da Cátedra Unesco-Unisinos de Direitos Humanos e Violência, Governo e Governança. O evento tem como tema o direito à justiça, reparação, memória e verdade: a condição humana nos estados de exceção. A atividade debate o III Programa Nacional de Direitos Humanos, assim como a criação da Comissão Nacional de Verdade e Reparação. Além da inauguração da exposição fotográfica Direito à Memória e à Verdade, localizada junto ao saguão das Ciências Jurídicas e já vista em 70 cidades, impactando mais de dois milhões de pessoas, foi realizado debate com os conferencistas Maurice Politi, assessor da Secretaria Especial de Direitos Humanos – anistiado político, perseguido e militante de resistência – e Paulo Abrão, presidente da Comissão Nacional de Anistia. A discussão foi mediada pelo professor do PPG em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), José Carlos Moreira da Silva Filho.
![]()
Exposição já foi vista em mais de 70 cidades em todo o país
Iniciando os trabalhos, o mediador ressaltou o projeto de lei Memória e Verdade, lançado em outubro de 2006, onde o Estado pede perdão oficialmente a 468 brasileiros mortos ou desaparecidos na luta militar do final dos anos 1960. Na ocasião, o Maurice Politi entregou ao reitor exemplares de três livros lançados sobre o tema, e que estarão disponíveis na biblioteca da universidade. Antes do início do debate foi apresentado aos presentes um vídeo comemorativo aos 30 anos de anistia política no Brasil. “O momento é singular, peculiar na história do país. É um apelo para que se possa ter acesso às informações, para que se saiba o paradeiro dos torturados. Não é saudosismo, é justiça. O Brasil é, segundo relatórios da Unesco, um dos países mais violentos do mundo. A tortura é um crime contra a humanidade e é, necessariamente, preciso fazer justiça por aqueles que caíram pelo caminho”, destacou José Carlos Moreira da Silva Filho. O Programa Nacional de Direitos Humanos foi trabalhado por Politi, que falou sobre seus seis eixos orientadores e 25 diretrizes, em consonância com a carta das Nações Unidas e a Conferência Mundial de Direitos Humanos de Viena, ocorrida em 1993. “Mais de 27 nações possuem programa. No Brasil, ele foi discutido por mais de 40 mil pessoas. Para o evento de hoje, nos focamos no sexto eixo, que é o mais polêmico.” O reitor Marcelo Fernandes de Aquino ressaltou a importância da Cátedra Unesco, que possui prestígio acadêmico internacional. “O evento reafirma o foco da Unisinos na tradição humanista, o engajamento com a democracia, avançando na interface entre os programas de pós-graduação e as áreas de conhecimento. Somos uma universidade parceira na construção do consenso republicano e que busca o eterno equilíbrio entre liberdade e igualdade, da excelência acadêmica e da dignidade humana.” Ele ainda destacou a importância de ver os alunos do Rio Grande do Sul pedindo passagem, consolidando a prática dos direitos humanos no estado, na constituição da identidade comunitária. “Tortura e violência nunca mais. Debate e discussão, sempre.” Castor Bartolomé Ruiz, coordenador da Cátedra Unesco-Unisinos, levantou o desafio de pensar os direitos humanos como problema da sociedade e da academia. “A questão é transdisciplinar, afeta todas as áreas do saber. A violência é um problema grave e, quando cai no esquecimento, temos que aprender a fazer memória para que não se repita. É preciso encontrar mecanismos sociais para neutralizá-la.” O simpósio ainda traz filmes e documentários sobre o tema, sempre às 17h, seguidos de debates com os próprios autores ou professores da universidade. As conferências iniciam às 20h, com convidados de instituições de todo o país, além de órgãos federais. O evento segue até 20/5. A programação pode ser conferida aqui.
______________
Fonte: JU online