Ao comentar, na última quarta-feira (24), a campanha eleitoral à Presidência da República, Beto de Jesus, secretário da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) para a Região Sudeste, declarou que os “avanços na luta dos direitos sexuais e reprodutivos foram praticamente colocados no lixo” durante os debates do segundo turno entre Dilma Rousseff, eleita, e José Serra. Ele disse que “o direito dos homossexuais, o direito da mulher ao seu corpo e das lésbicas de terem leis que lhes garantam não foram considerados”.
– Os dois presidenciáveis foram obrigados a dizer à sociedade que não vão impulsionar direitos para essas populações – afirmou ele.
Beto de Jesus avalia que “isso é mau para a democracia, porque colocaram os direitos individuais para ser o fiel de balança [na campanha]”.
O secretário da ABGLT fez essas declarações durante audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE). A reunião foi solicitada pela senadora Fátima Cleide (PT-RO), relatora do projeto de lei que, entre outras medidas, transforma em crime a discriminação contra homossexuais.
O deputado federal recém-eleito Jean Wyllys (PSOL-RJ), em consonância com Beto de Jesus, disse que houve “um rebaixamento do debate durante o segundo turno da campanha eleitoral”. Jean Wyllys disse ainda que “a onda homofóbica que vemos agora é uma resposta à visibilidade gay, na medida em que determinados movimentos sociais conquistam seu espaço de representação”.
– Isso incomoda os mais conservadores, que reagem dessa maneira – concluiu ele.
Ricardo Koiti Koshimizu / Agência Senado
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Fonte: Agência Senado