( dados fornecidos pelas Nações Unidas)
Traduzido e digitado em S.Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de
Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e
Desenvolvimento Social do Estado, Fenapaes, Brasília (Diretoria para
Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP,
Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 17 de novembro, 2008
Os problemas enfrentados por mulheres com deficiências são múltiplos e nos
últimos anos vêm sendo objeto de estudos e recebendo a valiosa contribuição
dessas corajosas mulheres, que prosseguem em suas lutas por uma melhor
qualidade de vida e têm obtido grandes sucesso. Vejamos o que observadores
das Nações Unidas informam:
Depois de iniciativas iniciais algumas outras reuniões locais, nacionais e
também internacionais sobre questões que afetam mulheres com deficiência
estão ocorrendo, periodicamente, no Brasil. Durante a Conferência sobre
as Nações Unidas sobre as Mulheres em Beijing, China, havia duas
brasileiras com deficiências que faziam parte das delegações oficial e de
ONGs. O Brasil enviou a segunda maior delegação (40 delegados) entre os 80
países participantes ao Fórum Internacional de Liderança para Mulheres com
Deficiências. Muitas das delegadas brasileiras foram palestrantes.
Nos dias atuais a situação das mulheres com deficiências no Brasil está
claramente apresentando progressos. Elas estão assumindo papéis de
liderança importantes, encabeçando a maioria das organizações
representativas nacionais no país. Na condição de indivíduos, estão
começando a compartilhar oportunidades iguais com homens na mesma situação
que elas. Elas estão se fortalecendo e conscientes de seu papel social
enquanto mulheres.
Maternidade
No que se refere à maternidade, cada dia muito mais mulheres com todos os
tipos de deficiências estão experienciando a maternidade. A maioria delas
deveria passar normalmente pelo sistema de saúde para ter seus bebês mas não
existem dados nem relatórios sobre isso, visto do ponto de vista da
deficiência. Em razão deste fato, entre outros, mães deficientes enfrentam
importante falta de informação, conhecimento e treinamento da parte de
médicos e outros prestadores de serviços de saúde e reabilitação.
Por exemplo, existe o caso de uma mulher brasileira com síndrome pós-polio.
Quando grávida, seu médico lhe disse que, em razão de sua deficiência e para
não correr riscos, deveria submeter-se a uma operação cesariana e fazer o
ligamento das trompas a fim de evitar uma nova gravidez. Ela ficou
verdadeiramente frustrada com esta perspectiva . (Contudo, ela começou a
sentir contrações inesperadamente, chegou à sala de emergência do hospital
público, teve parto natural e não fez o ligamento das trompas. Depois, a
despeito do julgamento feito pelo médico, teve mais duas gravidezes
desejadas e bem sucedidas com parto natural e além disso adotou duas outras
crianças.
Admitindo que em alguns casos mulheres podem enfrentar verdadeiramente
riscos à saúde ou à vida ao engravidar, infelizmente em muitas situações as
mulheres estão enfrentando discriminação e falta de informação da parte dos
médicos e da sociedade.
No que diz respeito aos médicos, isto provavelmente ainda acontece devido à
mentalidade superada de algumas escolas de medicina que ainda produzem
médicos formados encorajados a considerar suas pacientes como pacientes
doentes, completamente dependentes de seu conhecimento médico para
sobreviver. Os médicos devem ser aliados , e, infelizmente, algumas vezes
acontece de serem os obstáculos mais fortes no processo de desenvolvimento
de conscientização social e inclusão de pessoas deficientes na sociedade. E
este não é um caso específico do Brasil. Com base na experiência pessoal e
experiências feitas pela autora ( que é uma mãe quadriplégica), as mesmas
situações acontecem no mundo todo. Mulheres deficientes precisam lutar em
suas vidas diárias para fazer a sociedade perceber que elas estão
simplesmente numa situação diferente, conservando seus direitos, sua
integridade física, social e sexual. As mulheres precisam, também, educar
constantemente a sociedade a fim de não serem encaradas como doentes
permanentes e incapazes de tomar suas próprias decisões na condução de suas
vidas.