Ainda hoje existem preconceitos e resistência na contratação de profissionais pertencentes a grupos de minoria. O resultado: empresas com um quadro de profissionais homogêneo em que nem todos os segmentos da sociedade estão representados. E você, aceita as diferenças? Está livre dos preconceitos e valoriza a diversidade no espaço de trabalho dentro da sua empresa?
O assunto é delicado, mas é necessário que se fale nele. Flávia Cintra, jornalista, consultora de inclusão social e ativista de direitos humanos, diz que são poucos os empresários atendidos em seus trabalhos de consultoria que convivem de alguma forma com minorias. “Na minha rotina, estou acostumada a assessorar diretores e gestores de empresas que nunca tinham sequer conversado com alguém cego, surdo ou sentado em uma cadeira de rodas e que consideravam inviável contratar um profissional com deficiência. Ao final dos trabalhos, as palavras mais recorrentes são alívio e sucesso, pois se descobre que ter uma deficiência não precisa representar um limite profissional ou social na vida de ninguém”.
Para muitos desses executivos, Flávia foi a primeira deficiente física com quem trataram mais de perto. Ela perdeu os movimentos aos 18 anos depois de um acidente de carro e, depois de um período complicado de adaptação, resolveu lutar pelos direitos dos deficientes e por um mercado de trabalho mais igualitário.
“Tive uma fratura na coluna cervical e, por conseqüência, uma lesão medular que me tornou tetraplégica. Foi uma fase muito dolorosa, de inseguranças, tristezas e medos, mas que durou o tempo necessário para que eu percebesse que se não podia mais andar, ainda podia fazer muitas outras coisas. Resolvi descobrir quais e apostar nelas. Sempre fui indignada com as injustiças sociais, interessada por direitos humanos. Sentar em uma cadeira de rodas, sabendo que não poderia levantar tão cedo, fez com que eu dirigisse minha energia militante ao segmento da população que passei a fazer parte”, conta.
Hoje aos 35 anos, envolvida em diversos projetos de inclusão social no mercado de trabalho, acompanhou algumas evoluções, inclusive na forma como algumas empresas passaram a valorizar a diversidade no espaço de trabalho. “Temos assistido multinacionais definindo metas de promoção da mulher em posições de liderança, gestores de RH estendendo benefícios, como plano de saúde, aos companheiros de seus colaboradores homossexuais, negros ascendendo hierarquicamente nas empresas e, recentemente, a inclusão das pessoas com deficiência no mundo corporativo”, avalia.
Uma dessas empresas é o Banco Real, que possui, inclusive, um Kit Diversidade, que é enviado a todos os gerentes de agências e possui informações de como tratar do preconceito. O material também instrui o gestor a perceber qual segmento não está bem representado no quadro de profissionais na hora de contratar um novo colaborador.
“Valorizamos a diversidade em todas as suas dimensões, pois acreditamos que assim podemos construir as condições para que todos possam participar e se desenvolver plenamente. Temos ações que reforçam o respeito às pessoas como um dos quatro valores do Banco Real (respeito, integridade, trabalho em equipe e profissionalismo)”, explica Maria Cristina Carvalho, superintendente de Desenvolvimento Humano do Banco Real.
Sem dúvida, conviver com diferenças é fundamental para o desenvolvimento de qualquer profissional. “É essa diversidade de talentos, interagindo abertamente e com muito respeito, que gera criatividade e permite encontrar soluções exclusivas para os negócios, em um mundo que também é diverso”, diz Maria Cristina.
Além disso, Flávia Cintra acrescenta que a vantagem para a empresa é dupla: não só é socialmente responsável, como também é uma questão estratégica. “No mundo todo, as corporações começam a perceber que quanto mais diverso for seu público interno mais bem representado estará o perfil de seus clientes. Este formato favorece a assertividade da construção de serviços, produtos e soluções que geram venda e, consequentemente, lucro”, comenta.
De qualquer forma, ainda não se pode realmente falar em uma democratização do mercado de trabalho. “Estamos vivendo um período de transformação política, social e cultural em relação ao trabalho das pessoas com deficiência e pertencentes aos grupos de minoria. A atual legislação brasileira já oferece o aparato necessário à inclusão econômica, mas apenas leis não são suficientes. Precisamos eliminar a desvantagem social, que está na maneira como essas pessoas são vistas e tratadas”, explica Flávia.
Sua empresa também pode ajudar a mudar esse quadro, apostando também na diversidade dos colaboradores, afinal, você pode perceber que tem motivos de sobra para implementar um programa de valorização às diferenças. Informe-se sobre as leis e sobre programas que outras empresas já instituem e abra espaço, democratize as contratações da sua empresa. Faça sua parte por um mundo mais igualitário.
Fonte: http://newsletter.cbss.com.br/2009/02/diversidade.htm