Por Guga Dorea
NA OUTRA REDE DE EDUCADORES QUE EU PARTICIPO, A ESTAGIÁRIA DE UMA ESCOLA
ESTADUAL DE SÃO PAULO, CHAMADA CATIANA, PERGUNTOU SOBRE O QUE FAZER COM UMA
CRIANÇA AUTISTA. ACREDITO QUE A MINHA MENSAGEM PARA ELA E PARA O GRUPO TEM A VER
COM ESSE DEBATE, INCLUSIVE PARA PENSARMOS O QUE O GIL CHAMOU DE OPÇÃO PELA
DIVERSIDADE.. SEGUE ENTÃO O QUE EU ESCREVI:
Outro dia quando eu estava em uma festa conheci um menino autista. Ele se
chamava Vinicius. Não falava e não podia ser muito contrariado em seus desejos,
pois ficava extremamente bravo e se jogava no chão. Sua mãe, com uma dedicação
de tirar o chapéu, reclamou comigo que habitualmente ninguém procurava se
comunicar com o seu filho, além de tratá-lo como coitadinho e doente. Na festa,
essa reclamação se consumava, nem as crianças olhavam para ele, fora meus
filhos, sobretudo o Thiago, e uma moça, sua tia. O pior era que a maioria dos
convidados eram parentes dele.
Descobri, conversando com a mãe, que o Vinicius, aparentemente fechado em seu
mundo particular, gostava de cachorros. Como eu sou vizinho da casa onde se
realizava a festa, propus à mãe leva-lo à minha casa para mostrar meus
cachorros. Ele foi e senti que dali poderia haver alguma comunicação entre nós.
Sempre tentando interagir com ele, teve uma hora em que estendi a minha mão e
ele correspondeu. Isso pode ser pouco mas, para mim, aquela cena foi mágica.
Não sou especialista, nem em síndrome de Down eu sou especialista. Mas o autismo
me encanta muito por eles estarem aparentemente na outra ponta de nossa forma de
nos comunicar, que é com a linguagem. O que eu notei naquela festa é que as
pessoas não sabiam como chegar nele e, então, era mais cômodo ficar de longe e
só fazer comentários sobre a sua “doença”. Ouvi comentários do tipo “puxa ele
deve sofrer muito por não consegui se comunicar com a gente”. Será que são eles
que não sabem ou nós não sabemos lidar com que concebemos como estranho a nós,
o desconhecido ou mesmo inominável.
Eu vejo a toda hora que mesmo o meu filho, que é super comunicativo e se
aproxima muito de nosso modelo de normalidade e de inteligência, tem alguma
dificuldade em se fazer ouvir, pois as pessoas não têm muita paciência de sequer
falar “Thiago, não entendi, podia falar de novo”. Vejo também que aqueles que se
predispõe a entrar em sintonia com ele acabam tendo um diálogo maravilhoso e
saem encantado com ele. Imaginem o Vinicius.
Não estou dizendo, é óbvio, que ele não precisa de especialista. Mas ando
pensando muito sobre o que é, afinal de contas, essa inclusão de que nós, os já
“inclusos”, estamos falando tanto. Acredito que as perguntas sejam essas: o que
é inclusão? Dá para conceituar esse termo? Além do mais, o que é ser diferente?
São eles? E “nós”, somos iguais? Enquanto nós falarmos, por exemplo, que são 23
alunos normais e dois de inclusão, será que estamos incluindo?
E como lidar com o heterogêneo com uma escola que histórica e culturalmente foi
criada para lidar com uma fictícia homogeneidade? Será que nós aprendemos a
gostar, a amar o mesmo, o supostamente igual a nós, e não a diferença? Já
escrevi demais, só para variar, mas deixo uma outra questão: o que nos
diferencia de nós mesmos a partir do encontro com a diferença? Com aquele que
não se aproxima do nosso modelo de vida? Catiani, não tente ajudá-lo no sentido
clínico. Esse não é seu papel! Tente se comunicar com ele e ver no que essa
aproximação te afeta, no que esse encontro vai fazer com que você já não seja a
mesma. O problema é que a escola só está preocupada com a educação bancária, com
a quantidade de envelopes depositados em cada criança. Proponho que esse debate
seja o primeiro de muitos, seja nessas listas, seja no Ning. Um grande e
conspirador abraço, Guga
Fonte: Grupo Síndrome de Down
http://br.groups.yahoo.com/group/sindromededown/
É Guga, infelismente essa é a nossa realidade…
É mais fácil fingir que não vê ou apenas comentar de longe, mas, eu creio que um dia isso vai mudar e como educadora só vejo uma forma:
A educação inclusiva
Somente quando nossas crianças forem educadas a olhar a todos independente de suas dificuldades veremos grandes mudanças no mundo dulto de amanhã…
Saiba que vc não está sozinho nessa luta de conscientização.
Boa Sorte para nós!!!!
Abraços…
Karollinne
Guga, mil perdões pelo meu alheamento sobre o autismo, pois só agora que fui convidado para tomar conta de 3 turmas de cianças autista na área do desporto (Karate) me dou conta de como começar a lidar com estas crianças tão especiais e muitas delas com uma capacidade mental superior à minha, mas garanto que vou dar tudo que sei para fazer estas crianças mais felizes, Deus queira que eu me adapte a Elas e aprenda com Elas muita coisa. um abraço e força.