Cursos que tendem a facilitar o acesso ao mercado de trabalho nas áreas de informática, biojóias, bijuterias, panificação, mecânica de bicicleta, balconista e empacotador com técnicas de venda e informática básica, entre outros, beneficiam 60 alunos com deficiência auditiva, física e visual. A capacitação é realizada nas escolas públicas estaduais aproveitando-se a estrutura de cada instituição. O 21 de Abril realiza o de informática básica. Já o Centro Estadual de Ensino Especial (Cene) oferece o curso de bijuteria. Os profissionais contam com o apoio dos interpretes que tem papel fundamental na ligação entre professor e aluno, para melhor compreensão e aproveitamento do aluno durante o curso.
Na manhã de ontem foram expostas as peças de biojóias feitas pelos 30 alunos do curso, com a participação de estudantes de informática. O evento foi realizado na empresa Mult Task, bairro São Cristóvão. Liliane Fandinho, 37 anos, aprendeu a confeccionar peças de biojóias e fez a capacitação em informática básica. Liliane que é deficiente auditiva estava entusiasmada com o final dos dois cursos. Durante a entrevista com a aluna contamos com a ajuda da professora interprete Marizete Rodrigues. Liliane expressou para a professora interprete que está feliz e adorou a oportunidade. “Ela é uma pessoa alegre, adora passear no shopping, conta também que fez muitas amizades e tem um carinho muito grande pelas professoras. Liliane espera utilizar o conhecimento adquirido para melhorar a renda da família”, falou a interprete. Liliane Fandinho é casada e tem uma filha, em seu dia-dia tem muita dificuldade de se comunicar, pois poucas pessoas conhecem a Língua Brasileira de Sinais (Libras). O contato com a filha é feito por leitura labial, uma forma encontrada para melhorar a comunicação entre elas.
Cristiane Oliveira professora de biojóias contou que é a primeira vez que trabalha com uma turma grande. “Dividimos em duas turmas com 15 alunos de manhã e 15 à tarde”, falou. A professora relatou que foi uma experiência gratificante. ”Cada um tem um temperamento, uma característica, temos que ter um cuidado maior e descobrir aos poucos o potencial de cada aluno”, disse. Cristiane ressalta que o apoio dos interpretes foi fundamental, pois através deles pode conhecer mais sobre cada um de seus alunos. “Cada pessoa tem um olhar, uma expressão, você tem que estar preparada para lidar com isso. Saber o tempo e a habilidade de cada um foi um desafio e posso afirmar não é fácil encará-lo, mas é gratificante ver o resultado final”, explicou. Os cursos fortalecem habilidades já existentes nos alunos ao mesmo tempo em que promovem a descoberta de aptidões, garantindo oportunidade nas iniciativas públicas ou privadas, ou até mesmo com a abertura de seu próprio negócio.
O recurso para a realização dos cursos é do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em parceria com a Gerência de Educação Profissional (Gepro). Vanderluce Costa, técnica da Seduc diz que “a intenção da administração estadual ao promover a capacitação profissional inclusiva é diminuir a distância entre os alunos do ensino especial e do regular, garantindo oportunidade para todos participarem do processo de desenvolvimento do Estado, principalmente nas áreas que atendem às necessidades regionais”, afirmou. Ao todo, são 60 alunos beneficiados (30 no curso de informática e 30 na montagem e confecção de biojóias) divididos nos períodos manhã e tarde.
Fonte: http://www.diariodaamazonia.com.br/canais.php?ch=Capital¬i=2469