
Eles são submetidos a provas, depois passam pela ansiedade da espera, por entrevistas, e quando parece que tudo está resolvido, tem que enfrentar a situação mais difícil: o preconceito que outros alunos têm em relação a bolsistas do Prouni.
Desde a criação do programa, em 2004 mais de 700 mil alunos conseguiram uma bolsa de estudos para cursar o nível superior. Seja ela parcial ou total, para muitos é a única chance de ingressar em uma Universidade. Alegres com a oportunidade de estudar, os contemplados nem pensam que podem sofrer preconceito mas é o que muitos enfrentam.
Na PUC-SP uma ex-aluna do curso de direito soube que outros acadêmicos a haviam chamado de “vagabunda”. As ofensas vieram por e-mail e por mensagens no site de relacionamento Orkut que a ofendiam por ser bolsista do Prouni e negra. A instituição investiga o caso.
No Paraná, uma jovem de 24 anos decidiu trocar de faculdade depois que os alunos da sua sala começaram a tratá-la de maneira diferente por ser bolsista. Ela chegou a ouvir comentários dos colegas de classe criticando um outro bolsista por chegar com tênis novo.
Na Univali, em Santa Catarina a acadêmica Daniela omitiu o fato de ser bolsista, mesmo achando um absurdo o preconceito dos outros.
Sabrina Moehlecke, professora de educação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirma que as universidades eram restritas a uma elite intelectual e econômica. A partir da democratização causada pelo crescimento de bolsas, cotas e outros benefícios, as tensões começaram a aparecer.
Para a professora, a instituição tem que se preocupar com a inclusão social de todos os alunos.
– Muitas instituições não estão interessadas nisso. Elas têm programas de acesso , mas não gerenciam de uma forma que de fato inclua os alunos.
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