
Por Patricia Almeida
Por enquanto só tenho feito incursões perto de casa. Andar com andador cansa. As mãos doem e a gente perde o fôlego rápido.
Felizmente há três lugares com mesas na rua bem próximos de onde moro. Hoje vou falar do primeiro.
Já era cliente assídua do Talho. Eu e todo o Projac. Basta a gente ir comprar pão no domingo de manhã pra ver a fila de celebridades. As mesas do lado de fora pra tomar café da manhã no fim de semana são disputadas à tapa.
Não é à toa. O Talho Capixaba, que começou no Leblon há muitos anos como açougue, daí o nome, já arrebatou inúmeros prêmios gastronômicos. Além de pães premiados, eles têm uma das maiores variedades da cidade. Entre meus preferidos estão a baguete terroir, feita com farinha italiana, sempre crocante, o pão completo, cheio de fibra e o pão preto com passas e nozes, denso e saboroso. Destaco ainda as maravilhosas rabanadas, que podem ser saboreadas inclusive fora da época do Natal e são um belo acompanhamento pra uma xícara de café.
Outra especialidade premiada é a irresistível empadinha. Sempre quentinha, saindo de forno e sequinha. Minhas favoritas são a de camarão, recheada onde de fato encontramos o referido crustáceo, e a de queijo, bem levezinha. Elas são servidas em simpáticos pratinhos de madeira com uma colherinha ao lado ou podem ser levadas pra casa em embalagens seguras para não correr o risco de esfarelar.
Embora esteja sempre de olho na balança, como sou gulosa, sempre que entro no Talho não resisto e acabo levando alguma guloseima que não fazia parte da lista de compras. Ultimamente as minhas preferidas têm sido as queijadinhas molhadinhas e as orangetes suculentas. Os rocamboles são ótimos e de um bom tamanho pra não exagerar. Há de damasco, coco, doce de leite, goiabada, nozes, brigadeiro … Dos salgados, sou fã do strudel de camarão ou frango com catupiry. Uma ótima refeição acompanhado de uma salada verde.
Como se não bastassem todas essas delícias, o Talho tem uma prateleira inteira só de produtos sem glúten. Minha comadre Nilza, que mora em Brasília, aproveita pra se abastacer de pães e farinhas sempre que vem ao Rio, pois o marido dela é celíaco. A seleção é ótima e muito importante também para pessoas com autismo, que costumam ter sensibilidade glúten.
Mas e a acessibilidade? Pois é, infelizmente, nada é perfeito… Fora dos horários de pico, dá pra conseguir uma das poucas mesa do lado de fora esperando pouco e sentar sem muito problema. As cadeiras são desconfortáveis, mas é agradável ficar vendo as pessoas passarem na calçada. Já as mesas do salão interno são absolutamente inacessíveis a quem tem mobilidade reduzida, usa andador ou cadeira de rodas. E o banheiro, localizado também no salão interno, completamente inatingível.
Para entrar na fila do pão ou acessar as guloseimas que listei acima é preciso perseverança e uma boa cara de pau. O lugar é apertado para bípedes e mais ainda para quem precisa de espaço extra – incluídos aí os gordinhos. Entoando uns 12 “com licença, por favor” e retribuindo caras feias com sorrisos, finamente consegui abrir caminho até o fundo e logrei alcançar as orangetes, que depois de todo esse esforço, para mim passaram a ser premiadas também!
Os funcionários são sempre muito atenciosos e solícitos, o que sem dúvida é uma grande ajuda, mas infelizmente, o Talho passou no teste do sabor, mas não no da acessibilidade. Espero que melhore para que todos possam ter acesso a suas gostosuras.
Acessibilidade – 3 – É possível entrar, mas com dificuldade. Poucas mesas acessíveis do lado de fora – salão interno e banheiro inacessíveis)
Comida – 9 – Tudo muito gostoso, mas bem caro.
Atendimento ao cliente 7 – Educados e solícitos. Atrubuíram os problemas de acessibilidade à falta de espaço.
Média – 6,3
Nota – Para os estabelecimentos colocarem mesas e cadeiras móveis na calçada, é necessário autorização da Prefeitura
http://www0.rio.rj.gov.br/clf/index.php?pg=mesas_cadeiras
Para denúncia de mesas que obstruem o passeio público, envie a reclamação para a Secretaria de Ordem Pública
A coluna Sabor e Acesso é um risco para o controle de peso e de gastos, mas como minha amiga Patricia é perfeita nas descrições das texturas e até mesmo dos aromas, aqui estou eu, pensando se vou experimentar uma baguete com uma xícara de café.
Após alguns segundos de dúvida, cheguei à conclusão que vou aguardar que o estabelecimento resolva seus problemas de inacessibilidade para merecer mais uma freguesa.
Com essa nova frente de serviços, desejo que a Inclusive alimente nossa lista de boas opções gastronômicas e acessíveis no Rio e em outras cidades.
Vamos aguardar a próxima aventura da mais nova “andadorante” do pedaço.