Por que a peça de quebra-cabeça é um problema?

fundo preto, peça de quebra cabeça colorida, vs símbolo do infinito colorido.

Abril está chegando, e com ele o Dia Mundial de Conscientiação sobre o Autismo, 2 de abril.

Qual o problema de simbolizar o autismo com uma peça de quebra-cabeça?

A peça de quebra-cabeça é um símbolo amplamente reconhecido para o autismo. No entanto, para a maioria das pessoas autistas, ela é ofensiva e prejudicial.

Sua origem remonta a 1963, no logotipo da National Autistic Society, que retratava uma criança branca e chorosa confinada dentro de uma peça de quebra-cabeça.

7 Razões Pelas Quais a Peça de Quebra-Cabeça é um Problema:

❌ 1 Ela tem origem em visões negativas e capacitistas sobre o autismo.

O logotipo de 1963 foi concebido com base em percepções de pessoas não autistas que viam o autismo como uma tragédia, um sofrimento e um fardo. A peça de quebra-cabeça, ao representar o autismo, aprisiona uma criança branca, solitária e chorosa.

Isso sugere que o autismo é: trágico, oneroso, sufocante, alienante, solitário, um sofrimento e que existe apenas em crianças brancas. Até hoje, crianças negras, asiáticas e de minorias étnicas são subdiagnosticadas e recebem apoio insuficiente. As pesquisas sobre neurodiversidade continuam a ser conduzidas sob uma perspectiva centrada em pessoas brancas.

❌ 2 Ela tem sido utilizada em campanhas públicas que prejudicam a comunidade autista.

A organização Autism Speaks utilizou a peça de quebra-cabeça em campanhas negativas e nocivas sobre o autismo. Essas campanhas disseminam desinformação, promovem a ideia de que o autismo é uma tragédia a ser curada e fomentam a hostilidade pública contra a comunidade autista.

A peça de quebra-cabeça está agora globalmente associada à Autism Speaks, às suas visões e aos danos que a organização causou.

❌ 3 Pessoas autistas não são incompletas.

A peça de quebra-cabeça tem sido usada para retratar pessoas autistas como quebra-cabeças dos quais faltam peças. Isso insinua que as pessoas autistas são incompletas — deficientes, falhas, “inferiores” e necessitadas de complementação, reparo ou cura.

Os “perfis complexos” de pessoas autistas — que, ao contrário desse estereótipo, incluem pontos fortes — são desconsiderados, em vez de serem compreendidos e valorizados. Sugerir que o autismo é um quebra-cabeça ou um problema a ser resolvido equivale a sugerir a erradicação do autismo e das próprias pessoas autistas.

❌ 4 Ela desumaniza as pessoas autistas.

A peça de quebra-cabeça sugere que as pessoas autistas são enigmáticas ou indecifráveis, como se fossem mistérios insolúveis ou charadas. Isso desumaniza as pessoas autistas, reduzindo-as a meros espécimes, curiosidades ou códigos a serem decifrados.

❌ 5 Pessoas autistas se encaixam, sim.

O estereótipo de que pessoas autistas não se “encaixam” é perpetuado pela peça de quebra-cabeça. Ele falha em reconhecer que é impossível “se encaixar” em um lugar onde se é excluído. O problema é a falta de inclusão, e não as pessoas autistas.

❌ 6 Isso infantiliza as pessoas autistas.

Usar um brinquedo infantil — geralmente com cores e designs tipicamente de criança — para simbolizar o autismo infantiliza as pessoas autistas.

Adultos autistas são reduzidos a crianças brincando, o que alimenta estereótipos nocivos. Isso reforça o tratamento injusto e generalizado, já existente, que trata adultos autistas como crianças, além de reforçar o questionamento infundado sobre a inteligência e a capacidade das pessoas autistas.

Um brinquedo simbolizando o autismo implica que:

❌ o autismo só existe na infância e é algo do qual se pode “se livrar” quando crescer;

❌ pessoas autistas são imaturas e infantis;

❌ adultos autistas devem ser tratados como crianças;

❌ o autismo e as pessoas autistas não devem ser levados a sério.

❌ 7 Pessoas autistas não existem para o entretenimento dos outros.

Quebra-cabeças, na qualidade de brinquedos, reforçam a ideia de que pessoas autistas são como jogos, objetos de brincadeira ou fontes de entretenimento para os outros.

Pessoas autistas são frequentemente alvo de zombaria, ridicularização, provocações e risos por serem autistas. Esse tratamento desrespeitoso não se limita ao pátio da escola; pelo contrário, acompanha as pessoas autistas na vida adulta, estendendo-se aos seus locais de trabalho e à sua vida pessoal.

Traduzido de: https://www.linkedin.com/pulse/why-puzzle-piece-problem-neurodiversity-in-law

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