Prezado João,
Com relação a seu artigo na Folha de São Paulo, “Pais, filhos e gays”,
gostaria de esclarecer que síndrome de Down não é doença. Assim como a
homossexualidade, a síndrome de Down ocorre naturalmente. É uma ocorrência
genética que sempre existiu na humanidade. A pessoa nasce com um cromossomo
número 21 a mais. E pronto.
Muitas pessoas com síndrome de Down, quando têm oportunidade, têm sim, uma
vida plena. Assim como muitos homossexuais. Pessoas com síndrome de Down podem
inclusive ser gays.
Creio que não cabe depreciar uma minoria em favor de outra, e sim buscar
aceitar, valorizar e respeitar todos os seres humanos como eles são.
Patricia Almeida
Agência Inclusive
www.agenciainclusive.blogspot.com
JOÃO PEREIRA COUTINHO
Pais, filhos e gays
A busca de super-homens é uma quimera longa e trágica na história humana
SERÁ POSSÍVEL escolher as preferências sexuais de um filho? Não, não falo
de preferências por ruivas, loiras ou morenas. A questão, levantada pela
cibernética “Slate”, vai mais fundo: será possível mexer na base
neurobiológica de uma criatura e “reprogramá-la” para ela gostar do sexo
oposto?
Talvez. Conta a “Slate” que longe vão os tempos em que a homossexualidade era
encarada como escolha pessoal ou produto do meio.. A homossexualidade é um fato
natural -como a cor dos olhos, a pigmentação da pele-, e estudos recentes
apóiam a tese ao mostrarem diferenças visíveis no cérebro de homos e
héteros.
Parece que os gays têm cérebros muito semelhantes aos das mulheres hétero. E
parece que as lésbicas têm cérebros muito semelhantes aos dos homens hétero.
Mas os estudos não ficam restritos a esse retrato. Os cientistas dão um passo
além e sugerem que importantes influências hormonais, durante e pouco depois
da gestação, determinam a constituição neurobiológica do indivíduo. E, se
os hormônios desempenham papel principal, abre-se a porta prometida:
“reorientar” os hormônios, “reorientar” a preferência sexual do bebê.
A possibilidade recebe aplausos. A Igreja Católica, confrontada com tal
cenário, esquece a sua própria doutrina sobre os limites da manipulação
médica e apóia decididamente a busca de uma “terapia” capaz de “curar” a
“doença” homossexual.
Mais impressionante é a opinião da maioria: questionada sobre a possibilidade
de conhecer a orientação sexual do filho por meio de um teste pré-natal, a
generalidade não hesitaria em recorrer ao aborto ou à “reprogramação” caso a
sexualidade da criança apontasse para o lado “errado”. No fundo, quem não
salvaria um filho do preconceito social ou da “doença” homossexual?
Fatalmente, a questão é desonesta. Aceitar as premissas do debate lançado
pela “Slate” -aceitar, no fundo, que, por meio da ciência, é possível
reverter a orientação sexual de um ser humano- é aceitar, implicitamente, que
a homossexualidade é uma doença. E, aceitando-o, permitir que a medicina a
trate exatamente como trata qualquer doença.
A realidade não legitima a fantasia. A síndrome de Down ou a espinha bífida,
por exemplo, são doenças no sentido mais básico do termo: elas impedem que um
ser humano tenha uma vida plena. Podemos discutir se a medicina deve e pode
“manipular” genética ou biologicamente uma vida humana para erradicar esses
males. E podemos discutir se esses males legitimam a interrupção da gravidez.
Mas essas discussões são distintas do problema inicial: reconhecer a Down ou a
espinha bífida como fatores objetivamente incapacitantes de uma vida normal.
A homossexualidade não é uma doença. Pode ser motivo de preconceito social,
dificuldade relacional, neurose pessoal -mas não é impeditiva de um
funcionamento pleno do indivíduo nem põe em risco a sua sobrevivência futura.
Nada disso significa, porém, que não exista uma base neurobiológica capaz de
explicar a orientação sexual. É possível e até provável. Exatamente como
é possível e provável que certas propensões da personalidade humana -para a
depressão, para a liderança, para a criatividade- estejam já inscritas na
nossa natureza.
Mas isso não autoriza a medicina a procurar o paradigma do Super-Homem, dotado
da dosagem certa de humor, capacidade de chefia, talento para a pintura e para o
sapateado. A busca de super-homens é uma quimera longa e trágica na história
humana.
Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de
“reprogramarem” a orientação sexual de um filho ou de descartarem-no via
“aborto terapêutico”, terão os pais o direito de pedir à medicina esse
instrumento seletivo e subjetivo?
Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão
determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o
temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.
Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a
descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.
Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função
especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas
também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes
pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus
progenitores.
E muito lrgal esse artigo estou finalizando o curso de licenciatura plena com enfase no bacharelado e meu tcc será sobre homossexualidade na educação,gostaria muito de receber algo..
Consulte as seguintes fontes:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/brasilsem/Id_menu_referencia/
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/promocaodh/edh/
Atenciosamente,
Patricia Almeida