Conferência quer dar visibilidade à exclusão de pessoas com deficiência

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Por José Roberto Paraíso

Um problema invisível não pode ser resolvido porque não é percebido. Dar visibilidade à exclusão das pessoas com deficiência é o principal objetivo da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que começa nesta segunda em Brasília.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), Alexandre Carvalho Barone, o gestor público precisa tomar conhecimento da exclusão das pessoas com deficiência. “Se não há visibilidade, não há políticas públicas”, explica.

Para divulgar a exclusão das pessoas com deficiência, além da Conferência, será realizado no estádio Mané Garrincha uma partida de futebol com diversas celebridades. O jogo acontecerá em 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

A visibilidade não é o único objetivo da Conferência. Construir uma nova política social para a inclusão das pessoas com deficiência também está na pauta do encontro. Segundo Alexandre Carvalho, os conselheiros de todo o Brasil vão trazer propostas que resultarão em 50 deliberações nacionais para a realização de ações de inclusão.

O presidente do Conade destaca ainda que a criação de novas leis não é o bastante. “A sociedade precisa se adequar para permitir a inclusão das pessoas com deficiência”, destaca Alexandre Carvalho. “O Brasil é riquíssimo em leis de inclusão. É um dos melhores em legislação, mas as leis não são cumpridas”.

Dentre as leis que não são cumpridas, está a que reserva de 2 a 5% das vagas de trabalho para pessoas com deficiência nas empresas. O não cumprimento desse direito leva muitas pessoas com deficiência a viver na informalidade ou, até mesmo, a pedir esmola.

O panfleteiro Ronaldo de Souza Cruz, 38 anos, diz que nunca pediu esmola. Ele prefere trabalhar. Sai todos os dias de casa às 6h da manhã para entregar panfleto na Rodoviária do Plano Piloto.

Há dez anos na cadeira de rodas, Ronaldo já entrou em depressão três vezes. Mesmo assim, ele não desanima. “Tem gente que pergunta: por que você não fica em casa? Eu respondo: porque eu não sou uma pessoa inútil”.

Ronaldo conta que passa muita dificuldade para conseguir chegar ao emprego que ajuda a sustentar os quatro filhos e a esposa. “Eu pego duas conduções para chegar aqui. Um ônibus do Riacho Fundo II até Taguatinga e um metrô até a Rodoviária do Plano”.

Além de reclamar da falta transporte em sua cidade, o panfleteiro diz que nem todos os ônibus são adaptados para transportar cadeirantes. “Quando eu venho para cá, eu tenho que agüentar as bolsas das mulheres na cara. E quando eu volto, desço da cadeira de rodas e sento no chão do ônibus, porque, geralmente, pego aquele ônibus que quase não tem cadeira, só tem barras de ferro”, explica. “A vida é difícil”, finaliza.

O problema do transporte público faz parte dos três eixos temáticos que serão discutidos na II Conferência Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência. Saúde e reabilitação profissional, educação e trabalho, por fim, acessibilidade são os eixos temáticos.

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Fonte: Agência Inclusive

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