Relatos expõem falhas de comunicação, descumprimento da Lei Brasileira de Inclusão e riscos graves para mães e bebês
Por Revista AzMina

(Elisa Rios*) – Uma mãe está em trabalho de parto. É um caso emergencial, mas a surdez a priva de entender a discussão na mesa de cirurgia à sua frente. As cortinas dificultam que enxergue o que está sendo feito pelos médicos abaixo da linha do seu quadril. Ela daria à luz gêmeos, mas essa informação não foi dada no pré-natal, e as crianças nasceram mortas.
Infelizmente, não existiam intérpretes de Libras na Maternidade Municipal Leila Diniz, no Rio de Janeiro, em 2010, e talvez por isso, aquela mãe não soubesse o que esperar dos procedimentos. A enfermeira Emanoela Araujo, especializada na saúde de mulheres surdas, estava na sala de parto e naquele momento decidiu que não deixaria outras mulheres passarem por aquela situação.
Depois daquele dia, Emanoela acompanhou muitos partos de mulheres surdas. Ela observa que os problemas persistem, mesmo após a criação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), em 2015, que criminaliza atos de capacitismo. Hoje, ela atua solidariamente como intérprete e mantém o perfil @Libras_na_enfermagem no Instagram, com cerca de 57 mil seguidores.