Mulheres surdas enfrentam violência obstétrica e falta de intérpretes de Libras

Relatos expõem falhas de comunicação, descumprimento da Lei Brasileira de Inclusão e riscos graves para mães e bebês

Por Revista AzMina 

A imagem tem um tratamento gráfico estilizado, em tons de azul, verde e amarelo, com textura granulada.

No centro, há um ícone grande de um ouvido em branco, dentro de uma forma arredondada azul-escura, simbolizando audição, escuta ou surdez.

À esquerda, aparece o corpo de uma mulher grávida, vista de perfil, com uma das mãos apoiada na barriga. O rosto não é visível; a imagem é cortada do pescoço para baixo.

À direita, há outra mulher grávida, também com as mãos sobre a barriga, vista em posição frontal levemente inclinada. O rosto também não aparece, apenas o corpo.

O fundo é azul com padrão pontilhado/texturizado, criando um contraste visual com as figuras centrais.

De forma geral, a imagem associa visualmente gestação, mulheres grávidas e a temática da surdez ou da falta de escuta, sugerindo questões de comunicação, acessibilidade ou atenção à saúde de mulheres surdas.
Falta de intérpretes de Libras no pré-natal e no parto expõe mulheres surdas a riscos graves (Arte: Lays Cantanhede)

(Elisa Rios*) – Uma mãe está em trabalho de parto. É um caso emergencial, mas a surdez a priva de entender a discussão na mesa de cirurgia à sua frente. As cortinas dificultam que enxergue o que está sendo feito pelos médicos abaixo da linha do seu quadril. Ela daria à luz gêmeos, mas essa informação não foi dada no pré-natal, e as crianças nasceram mortas.

Infelizmente, não existiam intérpretes de Libras na Maternidade Municipal Leila Diniz, no Rio de Janeiro, em 2010, e talvez por isso, aquela mãe não soubesse o que esperar dos procedimentos. A enfermeira Emanoela Araujo, especializada na saúde de mulheres surdas, estava na sala de parto e naquele momento decidiu que não deixaria outras mulheres passarem por aquela situação.

Depois daquele dia, Emanoela acompanhou muitos partos de mulheres surdas. Ela observa que os problemas persistem, mesmo após a criação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), em 2015, que criminaliza atos de capacitismo. Hoje, ela atua solidariamente como intérprete e mantém o perfil @Libras_na_enfermagem no Instagram, com cerca de 57 mil seguidores.

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