Violência e autismo no Brasil: o que sabemos e o que não medimos

Ensaio mostra um problema grave no Brasil. O país não sabe quantas pessoas autistas sofrem violência. Pesquisas feitas em outros países mostram que quase metade das pessoas autistas (44%) já sofreu algum tipo de violência. Mas, no Brasil, essa informação não existe.

Não temos dados por três motivos:

  • Falta de estudos: Uma busca feita em 2026 não encontrou nenhuma pesquisa no Brasil sobre violência contra pessoas autistas dentro de casa.
  • Falta de anotação na polícia: O papel da polícia (boletim de ocorrência) não tem um lugar para marcar se a vítima tem deficiência. A lei diz que isso deve ser anotado quando a vítima de violência doméstica é mulher, mas os relatórios de segurança do país não mostram essa informação.
  • Falta de perguntas: A maior pesquisa sobre o tema no país, o Mapa Autismo Brasil de 2025, fez 43 perguntas para mais de 23 mil pessoas. Nenhuma pergunta era sobre violência.

Porque as pessoas autistas correm mais risco de sofrer violência:

  • Elas podem ter mais dificuldade para perceber a má intenção de outras pessoas.
  • Podem ter dificuldade para se comunicar, falar sobre o que aconteceu e pedir ajuda.
  • Quando a pessoa sofre violência e muda de comportamento, as outras pessoas podem achar que é apenas uma fase ou algo causado pelo próprio autismo.
  • O preconceito (capacitismo) e o cansaço das famílias, que muitas vezes cuidam sozinhas e sem dinheiro, também aumentam o perigo.

Para mudar isso, é necessário:

  • Criar um espaço no boletim de ocorrência da polícia para anotar se a pessoa tem deficiência e qual é a deficiência.
  • Colocar perguntas sobre violência nas próximas pesquisas sobre o autismo.
  • Fazer e apoiar mais pesquisas sobre esse assunto no Brasil.

Sem números, o governo não sabe o tamanho do problema. Sem saber o tamanho do problema, não é possível criar serviços para proteger as pessoas autistas.

Para ler o estudo completo, faça o download do arquivo:

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